Luis Nassif, Veja e a blogosfera
Algo de muito importante está acontecendo na blogosfera brasileira desde que Luis Nassif começou a publicar suas reportagens a respeito da revista Veja: a conversa mudou de patamar. Das picuinhas habituais entre blogs de esquerda e de direita, entrou no bate-boca algo novo.
Informação.
A picuinha política habitual do ‘meu roubo é menor que o seu’ é capaz, no máximo, de dizer que o outro é burro por ser de esquerda. Ou por ser de direita, tanto faz. Mau caráter por apoiar o governo passado. Ou o atual. O debate entre esquerda e direita não tem discutido qual o melhor projeto de educação para o Brasil. Ignora como deve ser feita uma redistribuição tributária. Ele é capaz de dar apelidos criativos para programas de uma administração ou de outra mas após a graça do apelido, de crítica criteriosa e bem argumentada não sobra muito. Uma pena.
A esquerda não gosta da Veja porque a revista é de direita. Ou porque se opõe ao governo corrente. São, ambos, argumentos de péssima qualidade. Primeiro porque num ambiente de plena liberdade de imprensa, um órgão de comunicação pode defender o tom ideológico que bem entender. Segundo porque imprensa tem mesmo que ser de oposição a qualquer governo. Terceiro porque o governo não precisa de defensores. Tem poder. Muito poder. Poder suficiente para voltar-se com raiva contra qualquer órgão de imprensa e tentar sufocá-lo, recusando-se a publicar anúncios. É o tipo de poder que governo nenhum deveria usar. (No Brasil, a federação é a maior anunciante.) O critério único para a publicação da publicidade estatal deveria ser circulação. Quem atinge mais leitores deveria ser privilegiado. É o tipo de poder que, por hábito, os governos sempre usam.
A obrigação que um órgão de imprensa tem para com seus leitores é o bem informar. Ela pode ter um ponto de vista, mas deve apresentar toda informação necessária para que o leitor possa fazer uma avaliação ele próprio dos fatos. Isto Veja não tem feito. Seleciona a informação que lhe convém. Não é a tradição da revista. É uma inovação. As reportagens de Nassif contam o como, o quando, o quem e o por quê.
Fatos não existem no vácuo. Têm contexto, interpretação e ponto de vista. Algumas informações que Nassif apresenta talvez venham a ser contestadas. É uma briga dura a que virá. Mas quem sai ganhando é o leitor pelo serviço prestado. Porque agora ele tem informação para sustentar o que pensa. O leitor do outro lado por certo está circulando os blogs oficiais ou oficialescos da direita procurando contra-argumentos. E alguém deveria ser capaz de oferecê-los. Quando o debate sobe um degrau, o da informação e não apenas da picuinha, o país ganha.
Nassif recorreu a um instrumento tradicional, o da reportagem, para levar a seus leitores a informação que coletou, certamente, após muitas entrevistas. (Dá trabalho informar.) Mas como foi via blog que divulgou, a blogosfera melhora. Temos uma blogosfera que não costuma informar muito, quanto mais produzir informação do zero. A esperança, agora, é que seguindo ele, sem histeria, alguém pegue as atividades da Secretaria de Comunicação do atual governo – ou mesmo do governo passado – e mostre seus hábitos. Quem é favorecido, quais seus critérios de distribuição de propaganda, qual a linha editorial habitual dos agraciados, quanto circulam.
Costumamos, jornalistas, cobrar das estruturas do governo e das grandes empresas que sejam transparentes. A imprensa – e, sim, isto inclui blogs – tem uma das tarefas mais delicadas da democracia. É a ela que cabe informar. É através dela que o público toma conhecimento do que acontece. Sem uma imprensa livre não é possível formar opinião. A mesma transparência que a imprensa cobra de governo e empresas deve ser cobrada de volta.
Provavelmente vai ter briga e vai ter polêmica. É do tipo saudável.
(Vale ler o que Carlos Castilho tem escrito a este respeito em seu blog, já foram três textos: um, dois, três.)
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como é que alguem vai receber indenização sem abrir processo?
Chesterton, não seja tão ingênuo.
Se um juiz julga uma causa improcedente, ele pode condenar o autor a pagar as custas do processo e indenizar o réu.
Se assim não fosse, qualquer um processaria qualquer um a troco de nada, sem temer qualquer ônus no futuro.
E todo mundo que é processado vira réu, é obrigado a constituir defesa e ter um advogado.
tem que ter ouro processo de reversão.
Nada disso, sinto muito mas você está enganado.
Pode perguntar ao seu advogado.
Perfeita sua análise. Só não concordo quando diz que a blogosfera brasileira não informa. Informa sim, e muito. Ela produz material, edita o noticiário, traz luz nova a temas antigos. Blog não é jornalístico por excelência. Blog é blog. Ver essa ferramenta com os olhos da antiga mídia é um erro corrente e pouco ajuda a entendê-la. Blogueiro não tem obrigação em ser jornalista, em ligar pra fonte, em produzir material novo. Blog é tudo e nada, é o novo e o antigo. Blogar é comentar, analisar, informar, divagar, lamentar, criticar, apoiar, divulgar. Quando jornalistas entenderem isso, entenderão os blogs. E talvez comecem a fazer blogs mais interessantes - pq o que vemos hoje nos portais de notícias nos blogs corporativos não é bem um blog, mas colunas online rebatizadas de ‘blogs’.
Amigo, você está redondamente enganado. As pessoas sensatas, sejam de esquerda ou de direita, não gostam da Veja porque ela pratica jornalismo de esgoto, porque ela lincha reputações, porque ela publica opinião como se fosse notícia, porque ela inventa factóides e os publica na capa sem qualquer evidência… Como, em maior ou menor grau, faz todo o resto da mídia corporativa, que visa o lucro acima de tudo e de todos.
Opa, quanta lucidez. Obrigado, meu caro Pedro, por formular com clareza aquilo que turbilhava na minha cabeça de um jeito meio confuso. Como você sabe, sou jornalista, dirijo uma revista da mesma Editora Abril que a Veja, no momento curto um sabático no qual estou me dedicando a entender porque diabos o Brasil tira nota tão baixa em “liberdade de imprensa” e “democracia da informação”. Não vou opinar sobre o conteúdo do que o Nassif tem escrito (e que acompanho avidamente), até porque escrevo a milhares de quilômetros de distância dessa confusão e acho que ainda não é hora de me meter nela. Mas sei que a imprensa do Brasil não tem cumprido seu papel de estimular debates, discutir idéias, difundir práticas transparentes - e que infelizmente ela mesma sofre de crônica falta de transparência. Quantas vezes leio uma reportagem e termino pensando “que diabos tem por trás dessa matéria?”, “qual é a agenda secreta aqui?”. Transparência, meus caros! É esse o nome do jogo. Me parece que o Nassif está sendo transparente.
Ei Pedro Dória,
Seu blog é muito melhor que a média. Não apareço muito por aqui porque conservadores me matam de enfado.
Muito legal o Nassif desmascarando a Veja com base nas próprias páginas da Veja… impressionante como não aparece viva alma para rebater o que o Nassif apurou.
Chesterton,
Desculpe, fiquei fora o dia todo.
Não existe então alguém ser ressarcido, receber indenização, sem ter processado outrem?
Claro que existe! E, se não existisse, deveria existir, concorda?
Se eu, por exemplo, te acuso de me ter ofendido, e solicito indenização, e o juíz percebe ter havido má fé em minha demanda, ele pode, e claro que pode, emitir uma espécie de sentença reversa, não sei o nome disso, mas sei que existe.
É o que fazem a Veja e seus funcionários padrões: são “litigantes de má fé”.
Podem ou não podem ser penalizados por isso?
Podem e devem. Tomara que sejam.
Ou alguém de nós, em pleno gozo do juízo e do caráter, deixa de acreditar que o que o Nassif diz é verdade?
“Nassif recorreu a um instrumento tradicional, o da reportagem, para levar a seus leitores a informação que coletou, certamente, após muitas entrevistas.”
Certamente ? Eu hein? Quantas entrevistas ?
Com quem ? Reportagem ? Tás maluco. Depois
cobram da veja …isso que o Nassif faz não é
reportagem..e porque você diz que “certamente”
fe entrevistas. cobra, exija saber quem foi entrevistado, o que disse, pergunte se está gravado, peça provas do que afirma o Nassif.
Eu hein ????
“Nassif recorreu a um instrumento tradicional, o da reportagem, para levar a seus leitores a informação que coletou, certamente, após muitas entrevistas.”
Certamente ? Eu hein? Quantas entrevistas ?
Com quem ? Reportagem ? Tás maluco. Depois
cobram da veja …isso que o Nassif faz não é
reportagem..e porque você diz que “certamente”
fe entrevistas. cobra, exija saber quem foi entrevistado, o que disse, pergunte se está gravado, peça provas do que afirma o Nassif.
Eu hein ????
“Muito legal o Nassif desmascarando a Veja com base nas próprias páginas da Veja… impressionante como não aparece viva alma para rebater o que o Nassif apurou.”
Por que será ? Alma viva não aparece ?
Deve haver alguma razão. Vamos pensar
por que ? Será que o BNDES tem a reposta ?
Impressionante não ? Não aparece quem
queira rebater o que foi apurado ? Apurado ?
Apurado a ponto de ser publicado sem que
seu cobre provas do que foi apurado ?
[...] deve ser cobrada de volta. Provavelmente vai ter briga e vai ter polêmica. É do tipo saudável. Luis Nassif, Veja e a blogosfera - Pedro Dória Weblog Something very important is happening in the Brazilian blogosphere since Luis [...]
Senso crítico. É disso que precisamos antes de iniciarmos a leitura de qualeur revista ou jornal no Brasil e no mundo. É sempre bom fazermos perguntas como: quem está escrevendo aquela matéria? qual a sua história? Que interesses teria em estar revelando tal coisa? E a mídia para qual escreve? Qual é a sua história? Seus interesses…etc.
Porque elegemos no Brasil a mídia como juízes?… sim…talvez tenhamos feito isso por comodismo e falta de consciência cidadã. É muito mais fácil assistir comodamente de nossa poltrona a mídia fazer um papel que deveria ser pela sociedade sociedade, incluindo a nós.
Assinamos em branco para a mídia no Brasil. Somos manipulados? Sim. Mas não estamos reclamando, não é? Quem termina reclamando é a própria mídia…com que interesses? Qual é a história que está no pano de fundo?
É isso…quem sabe refletindo sobre isso um dia tenhamos coragem de nos levantar da poltrona confortável…
Henrique: “Nassif não tem nenhuma prova concreta do que afirma, só elocubrações tiradas a partir de reportagens publicadas”?
Cara! Estamos precisando de alguém que defenda a Veja. Vc pode conseguir provar que o Nassif mente e que suas reportagens não tem conscistência? A Veja não tem um defensor competente que prove isso. Vc se habilita?
Aos que pedem “provas”: é muito complicado obter evidências físicas de arranjos como os que Nassif está tentando expor. Desta forma, suas reportagens são primariamente análises de conteúdo complementadas por um contexto cronológico: “dia tal, a revista falou isso. Tanto tempo depois, após a pessoa X falar com Y, sua posição mudou de tal forma”. Provavelmente não é o bastante para crucificar VEJA em um tribunal, mas também não é isso que o jornalista está tentando.
Ademias, aos que reclamam de que Nassif está selecionando apenas ‘alguns’ artigos e edições…qual é a alternativa? Reproduzir os últimos 10 anos da revista e grifar as partes relevantes? Jornalismo é, sim, seleção e edição de maneira a expor um evento ou fato, (teoricamente) sem prejuízo da verdade.
Minha desilusão com a VEJA é mais antiga e tem a ver com o tom geral da revista. A já citada cobertura da doença de Cazuza, tratando o cantor como um cadáver aprodrescendo em público. A tendência da revista de publicar matperias não-assinadas, de acrescentar adjetivos de mau-gosto até em casos banais (lembro-me de ver Michael Jackson anunciado como ‘esquisitão’ e até ‘aberração’, termos que até cabem em uma coluna mas não em uma reportagem), além de cambalhotas de opinião sobre o mesmo fato dependendo de quem o faz (CPMF boa para um governo, ruim para outro, re-eleição idem).
Depois vieram os relatos de dois amigos jornalistas que passaram pela revista e me contaram, uma vez em lágrimas (a perda das ilusões é algo triste), como era a pressão interna para forjar a mensagem deste jeito ou daquele.
VEJA é justamente parte do que impede a formação de uma direita de verdade no Brasil. não é pelo mercado livre, mas pelo mercado desregulado até por si mesmo, para que mutretas e favorecimentos possam prosseguir. É um veículo manorial, e não conservador.
E tem gente que gasta seu dinheirinho comprando esta porcaria que se chama Veja
Olá a todos, estou lançando quadrinhos sobre as trucagens da Veja em
http://nassifudeu.googlepages.com/home
visitem!
Alguns reduzem a discussão ética a mera questão mercadológica. Ou seja, o sabão em pó que não corresponde às propriedades anunciadas deixará de ser comprado enquanto aquele que não mente para os seus compradores terá seu público fidelizado. Ah, ah, ah: se isso é uma bobagem neo-liberal tanto para sabões em pó, o que se dirá da mídia. Se assim o fosse, as Vejas da vida e as Globos com suas rainhas dos baixinhos (entre os quais alguns parecem ter se enquadrado durante sua infância) já teriam desaparecido do mapa.
A grande mídia burguesa, amigos, é parametrizada pelos que a financia. Não pelo mero desejo dos seus assinantes. Quanto ao dinheiro público, no caso do Brasil a lei (que fhc e outros nunca respeitaram) obriga os governantes a não discriminarem os meios de circulação por causa de suas posições. Por isso você vai ver dinheiro público financiando tanto uma Carta Capital quanto propaganda da Petrobras na Veja e do Banco do Brasil na Globo.
Agora, um Antônio Hermírio de Moraes ou uma Telemar financiariam uma Carta Capital?
Realmente, concordo que não existe isenção. Agora usar de factóides para tentar referendar suas posições não é caso de isenção ou de falta da mesma. É de falta de ética mesmo.
Quanto a ler determinados meios de comunicação não significa que simplesmente concorda com suas posições (em parte ou no todo). Concordo que Veja, Globo, Estadão e Folha tem em seu público muita gente que concorda com suas opiniões. Mas são, invariavelmente, ou parte da elite econômica ou parte do extrato médio (não existe classe média do ponto de vista sociológico, amiguinhos. E isso não é opinião apenas de sociólogos marxistas. É um equívoco teórico) da população (seja da classe trabalhadora, seja dos setores menos capitalizados do capital). Esses, infelizmente, são complexados (como o nosso amigo cacarejante chester ton), e criam para si a ilusão de que repetindo feito papagaio os discursos das elites econômicas, se tornam parte delas. Ao menos “intelectualmente”.
Quanto ao Luiz Nacif, esse prova e comprova as negociatas de Veja mas, assim como o PHA, é ingênuo: acreditam nas instituições burgueses e na capacidade de discernimento de nossa massa acrítica.
É engraçado como a galera de direita concorda com qualquer historinha pra boi dormir, desde que valide seu argumento.
É como os amigos disseram acima: jornalismo de verdade, seja de esquerda ou direita!!!!!
Ah, e pra completar as asneiras publicadas nessa “revista”, não podemos nos esquecer das 7 razões para votar não no referendo das armas.
Isso é imparcialidade????????
Sou um leitor compulsivo. Assino veja, folha e leio sempre estadão, época entre outras publicações, incluindo eventualmente o globo, que recebo de um taxista amigo e isto é ou carta capital quando a capa consegue chamar minha atenção. gasto ainda entre algo em torno de uma hora diaria passeando pelos sites noticiosos diversos no brasil e no exterior.
Constato o seguinte:
1) A midia tupiniquim não é isenta ou imparcial quase nunca. Cada veiculo tem suas proprias razões para defender determinados pontos de vista, dando enfase ao copo estar meio cheio ou meio vazio, de acordo com interesses politicos, economicos, ideologicos e até mesmo pessoais.
Logo, é preciso identificar o pendor de cada veiculo e assim ler mais de um para ter uma melhor visão de todo o fato noticiado e ainda assim filtrar a informação, num exercicio do senso critico.
2) A imprensa europeia (ao menos a britanica, italiana e portuguesa) e a americana tambem sofrem da falta de isenção, muito embora respeitem seus leitores na maioria dos casos e tornem publicas suas posições.
3) Entre Luis Nassif e a editora abril, ao menos no que se tornou publico e passivel de comprovação, quem menos merece descretido é a editora de veja, até mesmo por ter muito mais a perder que o “jornalista” incapaz de se recolocar na imprensa justamente por descretido ou seja:
a) é uma briga contra o bebado, se apanhar a veja apanhou do bebado e se bater foi covarde por bater no bebado.
Muito embora
b) Não exista virgens na zona (como sempre lembra josé simão).
Por fim, é uma pena, que a blogosfera seja arrastada para esta lama, inclsuive tomando partido, perdendo sua aura de independencia e se tornando um apendice da boa e velha imprensa nacional.
A revolução da blogosfera americana se deu justamente por não estar comprometida com a velha midia e até hoje quando algum blogueiro se alinha com posições e praticas da midia tradicional em episodios isolados, o faz com absoluta credibilidade.
Parábens pelo escrito.
Está havendo algum problema com o PROJETOBR hoje? Tento entrea para ler o Nassif e atualizar meus perfis lá e não consigo.
Pedro Salazar
Leia-se “entrar”
NaSSif?
isso lá é coisa de se ler?
É um mamador nas tetas do governo e nada mais.