Passei vários dias da semana passada, alguns até a madrugada, na Campus Party. Estive lá para trabalhar e para falar. A festa me impressionou um bocado. A reportagem que escrevi, lá, saiu no Estadão de hoje e pode ser lida online. Trecho:
Aponta para a tela de computador onde está um gráfico com números: download de 452.8 Mbps e upload de 840 Mbps. Quer dizer que naquele momento a turma está baixando da internet 452.8 megabits a cada segundo. E que está enviando para a rede 840 megabits no mesmo período. Quer dizer uma coisa muito mais simples. Quem está na Campus Party põe na internet o dobro do que tira dela.
Põe na rede? A trupe que foi à Campus Party transmitiu ao vivo palestras em vídeo, levou ao YouTube coisa de 150 filmetes por dia, depositou em sites de troca de músicas livres gigabytes de arquivos de áudio digital e é impossível contar quantas fotografias tiradas na festa foram publicadas em sites de fotos, em blogs. Não são apenas os muitos jornalistas que fotografam, gravam, filmam - todos são um pouco jornalistas na era digital e, daquilo que vêem, quase tudo é publicado na internet. Colaboram, afinal, participam, contribuem.
Durante a feira-festa, posei de dinossauro e entrei (novamente) na discussão a respeito do jornalismo blogueiro. A blogosfera ainda será muito importante, no Brasil. O dia em que os blogs quiserem, farão frente e pautarão os jornais. Já acontece em outro lugares. Mas ainda não aconteceu aqui. (Como já escrevi sobre isso para a coluna do jornal de amanhã, publico o link quando sair. Jornal, sabe como é: tem hora de fechamento, edição diária – tecnologia das antigas.)
O que fica para mim, pessoalmente, foi ter revisto dois grandes amigos que não via há muito tempo: Jean Böechat e Michel Lent Schwartzman. O Michel fez, acho, uma das melhores leituras sobre a discussão (no link). E o Jean saiu-se com o melhor comentário sobre a festa: Caramba: virou mainstream. A gente não imaginava dez, quiçá quinze anos atrás, que essa coisa de Internet ficaria desse tamanho.
Hoje todo mundo usa. Caramba.






17 Comentários até agora ↓
1 Zé Bush // 17/February/2008 às 11:58
well….first!
2 Alba // 17/February/2008 às 14:16
Só pra não perder o hábito, o Aliás publicou uma reportagem superinteressante .
Vale a pena ler, e desculpe antecipadamente, PD.
http://www.estado.com.br/suplementos/ali/2008/02/17/ali-1.93.19.20080217.7.1.xml
3 Hiro Kozaka // 17/February/2008 às 16:52
Pedro, lembra daquela reuniao de equipe do site da globo na casa do Michel? Voce com um note jurassico da Apple? Mais de 10 anos… o tempo passa e a Internet ja’ e’ adulta. :)
4 Pedro Doria // 17/February/2008 às 17:15
Hiro Kozaka – o tempo passa, bicho. =)
E, pô… não era jurássico em 1996!
5 confetti // 17/February/2008 às 17:21
alo pd ! pergunta pro polkan pq seu wordpress nao me deixa falar do trab ? na sexta foi possivel, hj estive la e de novo…((
6 Zé Bush // 17/February/2008 às 17:27
well…existe vida fora da internet?
7 Brancaleone // 17/February/2008 às 17:55
PD:
Qual foi a conclusão do debate sobre jornalismo, se é que se chegou a alguma? Foi mais ou menos aquela do “famosos debate” anterior? - Aliás, o “famoso debate” anterior não chegou a conclusão alguma…
8 Joseph // 17/February/2008 às 18:18
PD, se ainda não leu Netocracy, de Alexander Bard e Jan Soderqvist, não perca tempo!
9 Andre Fucs // 17/February/2008 às 18:40
pois é… e como diz o adesivo…
“Eu conheço o Hiro Kozaka”
mas acho que mais importante do que a análise do Schwartzman sobre virar mainstream foi o post dele:
Quando a blogosfera vira ruído e a tinta vira marrom
10 MaGioZal // 17/February/2008 às 18:52
Pena que não deu para eu ir… ia dar uma aparecida-relâmpago ontem, mas a chuva e a preguiça me deixaram por aqui.
Anyway… tão sabendo que hoje acaba de aparecer um novo país na Europa?
11 confetti // 17/February/2008 às 19:12
kosovo….magiozal, foi o titulo “festa da liberdade” que te fez pensar nisso ? ta longe de ser isso…hj foi so a proclamaçao da liberdade, unilateral….os serbes estao indoceis…vamos ver nos proximos dias….
12 Linda // 17/February/2008 às 22:03
“Liberdade, abre as asas sobre nós.”
Nunca é demais os ares da liberdade!
13 Paulo Fehlauer // 18/February/2008 às 0:29
Doria, repasso aqui uma discussão que acompanho na lista do Jornalistas da Web. Em seu texto no Estadão, você canta louvores ao Creative Commons, e diz que as fotos da página foram utilizadas livremente, de acordo com a licença. Pergunto-me se isso não caracterizaria uso comercial das imagens, o que não foi explicado no texto. Fora esse importante detalhe, gostei bastante da reportagem.
14 Pedro Doria // 18/February/2008 às 1:00
Paulo Fehlauer, não porque as imagens não estão sendo usadas para vender jornal – não estão na capa – e sim para divulgar a festa. São imagens de divulgação da Campus Party, e imagens de divulgação jornais costumam usar toda hora.
15 Barba Negra // 18/February/2008 às 12:25
Houve, nas últimas semanas, uma mobilização geral dos articulistas do jornalão Folha de São Paulo, criticando os blogs políticos, que eles dividem, maniqueisticamente, em petistas e tucanos. Sucedem-se, então, os Fernandos Barros e Silvas, os Clóvis Rossis, os Marcelos Coelhos, os Nelson Mottas, as Barbaras Gancias, as Veras Guimarães, todos afinados no mesmo discurso que pretende, na verdade, consagrar a “isenção”, decretando a igualdade entre petistas e tucanos, e desqualificando a resistência democrática que os blogs vêm sustentando na linguagem que lhes é própria. É o que de melhor os jornalões, particularmente a Folha, são capazes de fazer, hoje em dia, para livrar a cara do PT diante o seu assombroso cortejo de “erros” e crimes. Nisto, as inconsoláveis viuvinhas das “zesquerdas” seguem à risca a cartilha de Lula que, orientado pelo então ministro da Justiça, anunciou, desde Paris, no auge do “golpe do mensalão” que todos os políticos e partidos do país são “farinha do mesmo saco”. E erram, já que há muitos blogs políticos que criticam veeementemente a corrupção e a subserviência dos tucanos.
Esee fenômeno estabelece uma nítida linha divisória entre tudo o que se viu até hoje por aqui, desde Cabral, em termos de corrupção, e aquilo que tem sido praticado pela SOC. Sucede, no entanto, que esses “jornalistas” preferem pautar-se pela “isenção”, e a isso se aferram com mais firmeza a cada novo escândalo com que a SOC vai enxovalhando e desconstruindo a República. Parecem ignorar que o país está sob a ocupação de um governo que já deveria ter sido arrancado de lá, como erva daninha que é(estou falando de impeachment!), com sobeja razão e em mais de uma oportunidade. E seguem tocando a sua flauta, ou melhor, a sua tuba, como quer o Reinaldo Azevedo.
Aliás, por falar em Reinaldo Azevedo, é forçoso reconhecer que o atual movimento emprendido pelos articulistas da Folha para difamar os blogs e decretar a igualdade entre SOC e os tucanos, começou após a resposta que o Reinaldo deu a uma crítica do Fernando Barros e Silva, de que ele, o blogueiro, “grasnava serrismo”. A resposta do Reinaldo, muito criativa e bem colocada, por sinal, é de que “eles” “zurram lulismo, relincham esquerdismo e arrulham covardia”. Uma resposta que, como se pode ver, cabe muito bem dentro da realidade do país .
A única coisa que eu desejo da FSP, e que estou esperando em vão desde que eclodiu o escândalo Casa Civil do governo&Waldomiro Diniz, é que ela publique, em primeira página, um editorial como aquele em que disse um “Basta!” ao governo Collor, quando este não tinha cometido nem uma ínfima parcela dos “erros” que já foram cometidos pelo governo Lula. Só isto!
Abaixo a “isenção”! Vida longa aos blogs!
16 Esgravatar » Blog Archive » Um “velho” debate // 19/February/2008 às 19:40
[…] e blogosfera por dois jornalistas bloggers. Dória e Inagaki. Debate nascido de uma Campus Party, aquelas coisas que, quem sabe se por serem uma […]
17 As verdadeiras musas do Campus Party | Boombust // 19/February/2008 às 21:53
[…] da geração 2.0 no Brasil - o Campus Party, que, inegavelmente, pode ser definido sim como a festa da liberdade, peço desculpas pela total falta de cobertura da festa - logo eu que fui um dos primeiros a chegar […]
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