Na Época, Eliane Brum, Solange Azevedo e Renata Leal contam a história de um suicídio transmitido ao vivo pela Internet:
Como Yoñlu, ele marcou seu suicídio no mundo virtual para as 11 horas de 26 de julho de 2006. No mundo real, Vinícius estava havia dois meses em internação domiciliar por determinação de seu psicanalista. Ele era um garoto superdotado, descrito como ‘extraordinariamente inteligente’ e ‘extremamente sensível’. Filho único do casamento de um professor universitário que foi secretário de Cultura do Rio Grande do Sul com uma psicanalista, ele teve todo o estímulo para desenvolver inteligência e sensibilidade. Alfabetizou-se em francês quando a mãe fazia doutorado em Paris com a historiadora e psicanalista Elizabeth Roudinesco, biógrafa de Jacques Lacan. Mas o mundo doía em Yoñlu, como mostram as letras de muitas de suas músicas. Sua questão não era morrer, mas fazer a dor parar.
Vinícius criou uma fantasia para enganar os pais: a de um adolescente “normal”. Disse a eles que queria fazer um churrasco para os amigos, que estava interessado numa “guria”, que preferia não ter os pais por perto. Dias antes, pediu ingresso para um show que aconteceria depois de sua morte, iniciou um tratamento de pele, foi ao supermercado comprar a carne. Simulou um futuro onde não pretendia estar.
Vinícius parecia “curado” no mundo real. Na internet, porém, Yoñlu pedia instruções sobre o melhor método de suicídio. Em 23 de junho, comentou que adiaria sua morte porque muita gente estava elogiando suas músicas. A faixa 10 do CD, “Deskjet Remix”, em parceria com um DJ escocês, tocava em festas eletrônicas de Londres. O mundo virtual de Yoñlu alcançava gente de vários países em sites de suicídio e fóruns de música, com quem conversava num inglês desenvolto.
A história tão impressionante quanto triste continua lá.
332 Comentários até agora ↓
1 Chesterton // 12/February/2008 às 10:29
filho de psiquiatra em Porto Alegre…..receita certa para o……
2 Nhé! // 12/February/2008 às 10:34
Um tipo desses se mataria até no banheiro do Madame Satã.
3 Chesterton // 12/February/2008 às 10:37
Alfabetizou-se em francês quando a mãe fazia doutorado em Paris com a historiadora e psicanalista Elizabeth Roudinesco, biógrafa de Jacques Lacan.
chest- sempre esse babaca envolvido em merda.
4 Darwinista // 12/February/2008 às 10:40
Ótima matéria. Ótima e deprimente.
5 Monsores // 12/February/2008 às 10:41
“Apenas em um mês, março de 2006, houve três casos de suicídios coletivos combinados em fóruns virtuais no país: 13 internautas morreram.”
What the fuck?!
6 Brancaleone // 12/February/2008 às 10:42
Tá, tá bom, mas afinal de contas o cara se matou ou não? Ele cumpriu o que prometeu?
Alguem aí me diz se o cara cometeu suicído!!!
7 Soninha // 12/February/2008 às 10:50
A Suzane Richstofen (?) tambem era filha de psicanalista…
8 Chesterton // 12/February/2008 às 10:51
não passam de exibicionistas “armados”.
9 Nhé! // 12/February/2008 às 10:51
Se matou sim, Branca, no banheiro, com o fedor do peido.
10 Chesterton // 12/February/2008 às 10:52
aliás, acho preferivel na educação de uma criança passar a infancia na Disney World que se alfabetizar em frances em Paris.
11 Ricardo Cabral // 12/February/2008 às 10:53
Cometeu sim, Josué.
12 Ricardo Cabral // 12/February/2008 às 10:54
Chest, vc foi alfabetizado em francês, não? Vc tem algum trauma porque não foi à Disney quando criança?
13 Chesterton // 12/February/2008 às 10:57
Frances foi minha quarta lingua, depois do prtugues natal, do ingles e do espanhol.
14 Mr X // 12/February/2008 às 10:57
Lamentavelmente, acho que a morte do garoto se explica por estar rodeado de psiquiatras. Mãe psiquiatra especializada em Lacan… É pra deprimir qualquer um. Ele próprio era tratado, sabe-se desde qual idade, pelo Mario Corso, outro importante psiquiatra lá de Porto Alegre…
Não adianta, viver rodeado de psiquiatras causa depressão. Quase todos os filhos de psiquiatras que conheço terminam internados ou suicidas.
15 Chesterton // 12/February/2008 às 10:58
na verdade, talvez você tenha alguma razão, se eu tivesse passado minha infancia na Disney, as coisas teriam sido mais fáceis para mim, não teria me enrrolado de várias maneiras, como me enrrolei. You got a point.
16 Brancaleone // 12/February/2008 às 10:59
Tá e daí? A vida era do cara. Ele dispôs dela como bem quis. Fez um teatrinho, valorizou, etc. etc. - para isso a internet é maravilhosa - mas no fundo, exerceu seu direito de morrer, de terminar com sua própria vida. Fazer o quê se ele concluiu que a vidinha era uma merdinha, uma insignificânciazinha tão fulera que não merecia ser vivida?
Morreu morreu, antes ele do que eu…
17 confetti // 12/February/2008 às 11:00
ah un petit suicide, un !
18 faraó // 12/February/2008 às 11:00
A loucura é tão antiga quanto o homem. Onde houver o homem haverá a loucura. Na terra, na internet, no espaço, no passado, presente, futuro,….
19 Chesterton // 12/February/2008 às 11:02
Branca tem razão, antes ele do que eu…que se foda.
20 Chesterton // 12/February/2008 às 11:02
faraó, em alguns círculos, a loucura é fabricada…..
21 Chesterton // 12/February/2008 às 11:04
será que a familia era a favor do aborto, filosoficamente falando?
22 Ricardo Cabral // 12/February/2008 às 11:07
E sobre a matéria, ninguém fala mais nada? E sobre o anonimato da internet, que também (acento nesse “também”, combinado?) serve para dar vazão ao pior de cada um, nada se diz?
Que a internet é útil, ninguém questiona. Mas que facilitou o acesso ao que a humanidade tem de mais abjeto, tb não dá para negar. Só para dar um exemplo, não faz muito tempo soube de um site onde as pessoas praticam “auto-antropofagia” (isso mesmo, cortam pedaços do próprio corpo — como os mamilos, por exemplo — e comem)…
23 Denão // 12/February/2008 às 11:09
Putz. Que emo.
24 João Barreto // 12/February/2008 às 11:09
aqui no RS saiu matéria de página inteira sobre esse menino. lançaram há pouco um disco com as músicas que ele compôs.
é o velho dilema: ser um gênio, porém insano, ou ser ‘psicologicamente saudável’ e ‘burro’?
PS.: como é que o psiquiatra diz que um guri com depressivo que passa o dia todo na internet tem de ficar trancafiado em casa? ninguém observava o quanto ele era fissurado na web? não entendo nada de psicanálise, mas o mandaria andar na rua, abraçar árvores, qualquer coisa do tipo, menos ficar em casa…
25 Chesterton // 12/February/2008 às 11:10
colocar a culpa na liberdade é ótimo, cabral. para com isso.
26 ignorância // 12/February/2008 às 11:10
É inacreditável!
O menino morreu de forma tristíssima com a ajuda de internautas sádicos, a família está arrasada, o psicanalista quase desistiu da profissão, e os comentários neste blog são todos do tipo “bem-feito”, “ninguém mandou” ou, ainda, “é isso que dá viver cercado de psicanalistas”.
Diante disto, estou bem menos surpresa com o fato de que o garoto tenha encontrado pessoas dispostas a ajudá-lo a se matar na Internet.
27 Brancaleone // 12/February/2008 às 11:12
O mundo não está pior ou melhor. Só que com a internet a gente fica sabendo o que acontece.
28 Chesterton // 12/February/2008 às 11:21
Diante disto, estou bem menos surpresa com o fato de que o garoto tenha encontrado pessoas dispostas a ajudá-lo a se matar na Internet.
chest- ajuda-lo a se matar não seria atrapalhá-lo a viver?
29 Mr X // 12/February/2008 às 11:21
PS.: como é que o psiquiatra diz que um guri com depressivo que passa o dia todo na internet tem de ficar trancafiado em casa?
Pois é João. Eu teria cortado a Internet dele e mandado ele sair de casa e namorar.
Ou, alternativamente, enviado para um colégio interno sem computador e com freiras sádicas que o obrigassem a rezar ajoelhado no milho, ou então mandá-lo para a Sibéria para trabalhar nas minas de carvão, onde não teria tempo para se lamentar das agruras de sua confortável vida. Às vezes a solução para o sofrimento imaginário é o sofrimento real. ;-)
30 marcos // 12/February/2008 às 11:24
http://90dayjane.blogspot.com/
31 Darwinista // 12/February/2008 às 11:26
ignorância,
Se você ficou surpresa(o) com os comentários, é porque não deve passar por esse blog com frequencia.
Há por aqui uma necessidade quase incontrolável de certos comentaristas de gerar polêmica. Eles precisam comentar, precisam marcar o território, precisam provocar reações, causar indignação, mesmo que escrevam as piores merdas, sabendo que são merdas.
Nem precisa ser psicanalista ou psiquiatra pra sacar o que é isso: carência.
32 Mr X // 12/February/2008 às 11:27
Olhem só o que o pai dele falou:
“A tristeza de sua música”, segundo o pai, “advém de uma capacidade de catalisar as influências inconscientes da nossa época”.
- Nos anos 60, a música se reinventou num mundo de fé, utópico, carnavalesco. A diferença, 40 anos depois, que vamos encontrar nele e em outros artistas, é que é outro tom. É melancólico - afirma Luiz Marques, professor universitário e ex-secretário de Estado da Cultura.
Pai que acha que a depressão do filho que se tranca no quarto “catalisa influências inconscientes”… Hum. Acho que ele não entendeu nada.
33 Monsores // 12/February/2008 às 11:30
Às vezes a solução para o sofrimento imaginário é o sofrimento real.
Mr. X, está aí uma coisa que eu concordo.
34 Pax // 12/February/2008 às 11:31
Barra pesada a história. E comum. Mais que supomos.
Antes a molecada jogava bola na rua, peão no chão, bola de gude, subia em árvores, alguns como o Chesterton matavam passarinhos, alguns como o josef mario brincavam de boneca, alguns pescavam, andavam à cavalo, outros já trabalhavam pra ganhar dinheiro, outros eram cdfs pra caramba e só estudavam, outros aprendiam música, outros adoravam acampar, dar tiro de chumbinho ou estraçalhar uma vidraça com estilingue, enfim, todos tinham suas alegrias. Sim, todos também tinham espinhas, se sentiam feios, magros, gordos, fracos, burros, inúteis, todos queriam ser mais velhos, ter 18 anos, uma coleção enorme de complexos.
Hoje, o complexo virou medo, de roubarem seus tênis Nike na esquina, o sequestro que ronda suas vidas, os assassinatos das gangues ou os latrocínios da esquina. A rua virou o shopping, a bicicleta virou o carro blindado do pai, o mais fera é o que tem o computador mais caro e o celular que tem mais coisas. O mais nerd é o chefe, em substituição ao que corria mais, batia mais e se arriscava mais.
Nessas horas sou saudosista pra caramba.
É verdade que sempre houve suicídios, mas também é verdade que acho a vida dos adolescentes urbanos de hoje mais chata que de antigamente. Ok, mais informação, mas mais alegria?
Triste a história desse menino.
35 Darwinista // 12/February/2008 às 11:31
marcos,
do blog que você indicou, destaco esse trecho do profile:
My generation has had no great depression, no great war and our biggest obstacle is beating Halo 3. So, if I feel like saying “game over”, why can’t I?”
36 Mr X // 12/February/2008 às 11:35
Darwinista,
Fiquei pensando, se alguém aqui dos comentaristas blog decisisse se suicidar, será que o pessoal aqui incentivaria ou buscaria ajuda?
Entrei no blog da tal 90-day Jane:
“I mean, as an atheist I feel life has no greater purpose. My generation has had no great depression, no great war and our biggest obstacle is beating Halo 3. So, if I feel like saying “game over”, why can’t I?”
É…
37 Monsores // 12/February/2008 às 11:36
Respeito os suicidas. Decidir quando e como morrer é um direito de cada um.
Agora, pessoas como a Jane que fazem um blog, criam uma contagem e etc, em minha modesta opinião, das duas uma: ou querem chamar a atenção ou esperam, no tempo determinado, encontrar desesperadamente um motivo para não se matarem.
Eu, Sancho Panço, gostaria de saber o que o Ricardo Cabral acha disso. Ricardo, manifeste-se.
38 Pax // 12/February/2008 às 11:38
Ah, não esqueçamos que além do computador, vaio a Aids. Antes a gente tinha medo das história que pra curar a gonorréia colocavam nosso pau na mesa e o médico dava uma martelada pra jogar fora o pus. Hoje?
39 Darwinista // 12/February/2008 às 11:40
Mr. X,
Só posso dizer da minha parte, obviamente. Eu faria de tudo pra descobrir quem era a pessoa real e avisar seus próximos. Não iria assistir impunemente alguém tirar a própria vida. A menos, essa é uma exceção que faço, que fosse um portador de doença terminal, ou degenerativa progressiva.
Você destacou o mesmo trecho que eu destaquei do blog da suicida, com um páragrafo a mais, justamente o que fala do ateísmo. Eu esperava mesmo que você ou o Chest levantasse essa questão.
40 Mr X // 12/February/2008 às 11:40
To be, or not to be: that is the question:
Whether ’tis nobler in the mind to suffer
The slings and arrows of outrageous fortune,
Or to take arms against a sea of troubles,
And by opposing end them? To die: to sleep;
No more; and by a sleep to say we end
The heart-ache and the thousand natural shocks
That flesh is heir to, ’tis a consummation
Devoutly to be wish’d. To die, to sleep;
To sleep: perchance to dream: ay, there’s the rub;
For in that sleep of death what dreams may come
When we have shuffled off this mortal coil,
Must give us pause: there’s the respect
That makes calamity of so long life;
For who would bear the whips and scorns of time,
The oppressor’s wrong, the proud man’s contumely,
The pangs of despised love, the law’s delay,
The insolence of office and the spurns
That patient merit of the unworthy takes,
When he himself might his quietus make
With a bare bodkin? who would fardels bear,
To grunt and sweat under a weary life,
But that the dread of something after death,
The undiscover’d country from whose bourn
No traveller returns, puzzles the will
And makes us rather bear those ills we have
Than fly to others that we know not of?
Thus conscience does make cowards of us all;
And thus the native hue of resolution
Is sicklied o’er with the pale cast of thought,
And enterprises of great pith and moment
With this regard their currents turn awry,
And lose the name of action.
41 Monsores // 12/February/2008 às 11:41
Parece um off-topic, mas não é.
Há um certo tempo atrás recebi o link de um site que tem a intenção de ser “o livro do futuro”. A idéia é bem interessante. A navegação é legal e o texto é ótimo.
Há, em uma de suas passagens, um exemplo de jogo que a Jane se encaixaria perfeitamente.
Vejam:
http://www.futureofthebook.org/mckenziewark/gamertheory/?p=1
42 Chesterton // 12/February/2008 às 11:41
Pai que acha que a depressão do filho que se tranca no quarto “catalisa influências inconscientes”… Hum. Acho que ele não entendeu nada.
chest- Mr X matou a charada, o pai do garoto não dava a menor pelota para ele. O que não justifica nada, mas o ambiebnte intelectualoide em POA é de matar o coração. Procurem saber o que o Cristaldo acha dos psicanalistas de POA.
Eu tive uma conhecida que ganhou de presente de aniversario uma “análise”… (de fezes?)
Quer dizer, fazer terapia tinha virado bem de consumo, ou talvez fosse equivalente a uma pós-graduação, hoje um “up-grade”, uma cirurgia plástica.
Não é a toa que ficou todo mundo idiota.
43 Chesterton // 12/February/2008 às 11:43
eu não acho que as pessoas tem o direito de tirar a própria vida, muito menos fazer disso um espetáculo midiático.
44 Chesterton // 12/February/2008 às 11:46
Minha vida tem um grande prpósito, estou destinado a grandes realizações, sem espalhafato, vou fazer a diferença…
é isso que um pai tem que colocar na cabeça do filho. mas não, leva o garoto para fazer especialização em Lacan Lacaio ….
45 Chesterton // 12/February/2008 às 11:47
Não sei se vocês sabem, mas Lacan considerava que o suicidio de seus pacientes era um sucesso terapêutico.
46 confetti // 12/February/2008 às 11:48
chest, nao fala bobagem….tem gente que le e acredita
47 Monsores // 12/February/2008 às 11:49
Darwinista,
Olhe o comentário do Brian no site da Jane:
“This is obviously a sick attempt by some religious person to make people think atheism leads to suicide.
“As an atheist I just don’t see what the point of life is anymore” — it sounds like something right out of a Jack Chick tract.
When it gets closer to day 1, I guarantee we’ll see Jane start wondering if there’s more to life, and then she’ll find Jesus “just in time!” (HINT: check the dishwasher, he LOVES to hide in the dishwasher)
Seriously, I’m an atheist, and I love life. I think there are plenty of things to live for. In fact, I think an atheist has MORE incentive to live because we believe you don’t get a second chance. This life is all you got, so you better make it count.”
48 Darwinista // 12/February/2008 às 11:52
Monsores #40,
Um achado. É a descrição do mundo da Jane e do Vinicius.
49 Chesterton // 12/February/2008 às 11:54
Seriously, I’m an atheist, and I love life. I think there are plenty of things to live for. In fact, I think an atheist has MORE incentive to live because we believe you don’t get a second chance. This life is all you got, so you better make it count.”
chest- essa daqui não tem a menor idéia de onde está, de que dia é hoje e se está chovendo lá fora…..
50 Luciano Grande // 12/February/2008 às 11:55
Sem querer duvidar da masculinidade do chic little emo, ou da sanidade de seus pais, esta história toda tem um quê de viadagem mal resolvida muito escancarada. Coitado, de repente soltar a rosca era tudo que ele precisava… Que fique com Deus e descance em paz.
51 Darwinista // 12/February/2008 às 11:55
Monsores #47,
Faço minhas as palavras do Brian. Especialmente o último parágrafo.
52 Monsores // 12/February/2008 às 11:55
Josef Mario, você por aqui!!!
53 proftel // 12/February/2008 às 11:57
Bom, japonês faz harakiri, elefante enfia a tromba no rabo e assopra, cada um se mata d’um jeito né?
Suicídio, sei não, há um vigia aqui que tentou, a gente só chama o kra de “inco” (incompetente) e ele leva de boa, deve ser o remédio, se bem que ele fala horrores do que sentiu na hora que a corda esticou.
No mais, é prerrogativa de cada um dar cabo da vida, as religiões comdenam (até onde sei).
Na adolescência me passou pela cabeça, nada que uma volta de moto, umas cervejas e papo com os amigos não resolvesse.
É isso.
*pô, o ano começou brabo, muito serviço e chego em casa quebrado.
Provavelmente ficarei meio desaparecido, té mais.
54 proftel // 12/February/2008 às 11:58
comdenam=condenam
55 Mr X // 12/February/2008 às 11:59
Se o ateísmo tem culpa ou não, não sei. Agora, que esta geração é uma geração umbiguista que reclama de barriga cheia, isso é. Eu até poderia me matar, mas não faria um blog sobre isso.
56 Chesterton // 12/February/2008 às 12:03
vai se matar como, Mr X?
57 Chesterton // 12/February/2008 às 12:10
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008/02/m-conscincia-no-pode-ser-guardi-da.html
para quem quer algo sério.
58 Ricardo Cabral // 12/February/2008 às 12:11
Muito bacana essa conversa sobre liberdade individual, gosto pessoal, vontade própria etc., especialmente quando quem fala sobre isso já saiu da adolescência e tem a sua identidade razoavelmente consolidada. Agora, jogar esse papo para cima de adolescentes é não só uma estupidez, como tb uma grandissíssima covardia.
Há uma puta glorificação do espetáculo, e isso já é dito faz tempo (Guy Debord publicou um livro em 1967 falando sobre “A sociedade do espetáculo”). Há tb uma “cultura do narcisismo” (e aqui vale citar o Christopher Lasch, falando da sociedade norte-americana, mas valendo para boa parte do Ocidente urbano) que nutre a (e se nutre da) espetacularização de tudo. Some-se a a idéia de que o valor pessoal se “mede” pela sua capacidade de consumo e temos um bom caldo de cultura para todos esses casos complicados de que estamos conversando agora, do qual os suicídios com as características descritas na reportagem seriam apenas uma de suas expressões…
59 Zé Bush // 12/February/2008 às 12:12
well….não deixa de ser lamentável a atitude do rapaz, provavelmente um ciclotímico, vai saber. Outro fato a ser observado é o desejo de ter uma “platéia” para a própria morte, algo bastante significativo.
Além do fato dos seus “amigos” virtuais, provavelmente tão dementes como ele, saberem das intenções do rapaz e….não fazerem porra nenhuma!!
O rapaz vivia de simulação, como num universo paralelo. Essa era a vida dele.
60 Chesterton // 12/February/2008 às 12:15
Porto Alegre tem um traço depressivo marcante. E concordo com o Cabral.
61 Jåµë§ ßønd™ // 12/February/2008 às 12:17
Trecho de Ocean’s Eleven…
Linus:
“Are You Suicidal?”
Rusty:
“Only in the mornings…”
62 Andre Fucs // 12/February/2008 às 12:18
quero ser chato com o médico do rapaz não… mas onde foi parar aquela história de que psiquiatra não devia se envolver com o paciente?
“Ao longo da entrevista de mais de duas horas, em seu consultório na capital gaúcha, a dor do psicanalista era exposta”
…
“Eu tenho saudades dele. Durante meses eu pensava no Vinícius todos os dias. Em algum momento do dia me vinha algo que ele tinha falado.”
eu hein?
Com todo o devido respeito mas a Internet entra na história como bode expiatório. Um menino de 16 anos, um homem de 26 são ambos responsáveis o suficiente para compreender a conseqüência de seus atos.
Chega a lembrar os gritos sobre a “Werther-Fieber” causada por Die Leiden des jungen Werthers de Goethe.
63 Chesterton // 12/February/2008 às 12:20
jogar adolescentes em consultórios de psicanalistas é muma forma de mascarar a falta de cuidados parentais ou de afeto, amor e dedicação.
64 Antonio M // 12/February/2008 às 12:23
“…Sites na internet incentivam adolescentes como o gaúcho Yoñlu a se matar e ajudam a escolher o método..”
Pelo que sei um suicida não é considerado criminoso. Mas quem incita é. Onde estão as autoridades?
E esse nome Yoñlu, coisa de boiola mesmo. E pelo jeito a causa foi o que disseram acima, era reprimido e não soube como sair do armário. Morreu de overdose de psicanalistas e falta de pai e mãe de verdade.
Porém conseguiu seus 15 minutos de fama. 15 minutos mesmo pois a fila está correndo…..
65 Antonio M // 12/February/2008 às 12:28
Culpar a internet pela (previsível) tragédia é a mesma coisa que culpar o sofá pelos cornos adquiridos (já conhecem a piada) ….
66 confetti // 12/February/2008 às 12:34
dr andré, bem lembrado o jeune werther !
67 Mr X // 12/February/2008 às 12:38
> vai se matar como, Mr X?
http://files.kavefish.com/pictures/collections/bunny_suicide/_index-list.html
68 Alba // 12/February/2008 às 12:42
De forma geral, concordo com as posições do Ricardo Cabral. Mas gostaria de acrescentar que, psicanalistas ou não, os membros da comunidade acadêmica, pela minha experiência, pouco sabem sobre a vida dos cidadãos comuns. E seus filhos são sempre extremamente protegidos.
Conheci uma professora da USP que, acreditando estar defendendo uma postura de rara lucidez, declarou que tinha levado sua filha até a estação de metrô para que de lá, a moça pudesse tomar um ônibus pro litoral. A frase foi: “Ela precisa administrar a própria vida”.
O detalhe é que a menina jamais havia entrado num trem do metrô ou num ônibus…
O garoto era depressivo, embora muito talentoso. Mas a soma de tantas variáveis levou ao desenlace, que é compreensível a quem tem 16 anos.
69 Chesterton // 12/February/2008 às 12:43
Mr X, pensei em metáfora….
70 Chesterton // 12/February/2008 às 12:44
Alba, como você sabe que o cara era talentoso?
71 Jåµë§ ßønd™ // 12/February/2008 às 12:47
Parafraseando Chris Rock:
” Whatever happens to crazy? C.R.A.Z.Y. … what? You can not be crazy, no more?”
72 confetti // 12/February/2008 às 12:48
james :-D
73 Alba // 12/February/2008 às 12:49
Por que li o link, Chest
74 confetti // 12/February/2008 às 12:50
wordpress ta me zoando : nao consigo postar…os coments saem “horas” depois…desculpe quem nao entender “meu monologo”…era pra ser “dialogo”….merde
75 Chesterton // 12/February/2008 às 12:50
O garoto era depressivo, embora muito talentoso. Mas a soma de tantas variáveis levou ao desenlace, que é compreensível a quem tem 16 anos.
CHEST- você está dizendo que é compreensível se suicidar aos 16 anos de idade?
76 Chesterton // 12/February/2008 às 12:50
71, mas o talento dele se resume a que área?
77 Rodrogo // 12/February/2008 às 12:52
Nâo sou psicanalista, e não quero de forma alguma julgar ninguém aqui, mas não posso deixar de mencionar o que acho.
Não é possível que qualquer um de vocês possa formar convicções baseando-se exclusivamente nessa reportagem. Uma decisão suicida é complexa e a personalidade inata de uma pessoa, somado aos fatores do meio — quando não alguma doença pura e simplesmente — influenciam de modos imprevisíveis. Portanto, não acho que qualquer comentário relativo à relação com os pais, psiquiatra, cidade, ou até mesmo homosexualismo (!?) seja válido. Se querem fazer piadas de humor-negro, façam. Tenham somente o cuidado de, nas mais sutis, ressaltar isso, por pura educação com os demais leitores, que vocês não conhecem. Pessoalmente sou grande apreciador do humor-negro, mas até para mim, acho que algumas linhas foram cruzadas em determinados comentários.
Na verdade, por acompanhar com certo anonimato boa parte dos comentários há um bom tempo, acredito que a maioria de vocês não destilaria todo esse mal gosto se conhecesse o rapaz ou tivesse pelo menos esbarrado com ele no elevador e recebido dele um bom dia.
Outra coisa que tenho que ressaltar é que acredito que tenha incomodado muitos de vocês a classificação do garoto suícida como “gênio hipersensível”. Acho que bem lá no fundo, alguns de vocês ficaram incomodados com essa classificação. Obviamente, seus enormes egos fizeram uma racionalização do tipo: o garoto suicida foi considerado gênio; eu me considero, senão gênio, pelo menos muito acima da média; na minha infância, não tive pensamentos suicídas; logo, o garoto deve ter pais doentes, um psiquiatra incompentente ou ser viado. Essa minha teoria explicaria, por exemplo, por que alguns de vocês passaram a citar poemas em inglês, filósofos ou livros obscuros. Tudo completamente dispensável… Mas enfim, é só uma teoria.
Pessoalmente, encaro a área de “Comentários” apenas como isso: comentários. Não acho que é lugar para as pessoas fazerem observações profundas, embasadas ou definitivas sobre qualquer assunto. Isso ocorreu hoje, com essa reportagem e ocorre frequentemente nos tópicos de política e religião. Garanto que ninguém está sendo persuadido de nenhuma das suas posições pessoais baseando-se em meia dúzia de comentários. Então, não se levem tão à sério.
Agora, volto ao meu anonimato.
78 Alba // 12/February/2008 às 12:58
Chest,
Adolescentes, sejam superdotados ou não, são instáveis. Faz parte do processo de crescimento como todos nós sabemos.
De minha parte, lembro meus dias de adolescente como, grosso modo, um sofrimento pra mim, que não tinha certeza de como me situar em relação a muitas coisas e para os adultos que conviviam comigo, que tinham que administrar aquela fase que, além de tudo, é caracterizada por andar em turmas.
Nisso, o garoto não era diferente dos outros.
E, Chest, ele parecia talentoso como poeta, como músico, sabe-se lá o que mais poderia fazer se tivesse vivido?
79 Chesterton // 12/February/2008 às 12:58
Obviamente, seus enormes egos fizeram uma racionalização do tipo: o garoto suicida foi considerado gênio; eu me considero, senão gênio, pelo menos muito acima da média; na minha infância, não tive pensamentos suicídas; logo, o garoto deve ter pais doentes, um psiquiatra incompentente ou ser viado..
chest- premio Hellmans para você, ( a verdadeira maionese)
O que vocês tem que entender é que suicidio? Não Poooooode!
Suicidio não é uma opção, mas o fim das opções. E suicidio não é um ato isolado, é um drama para a familia, para a sociedade e para todos que sabem do assunto. Será que este filho da puta (metaforico) pensou no mal que estaria causando com seu ato de puro exibicionismo? será que pensou que o que fez seria um ato de extremo egoismo?
80 Jåµë§ ßønd™ // 12/February/2008 às 13:00
-= … e isso é porque você não queria julgar alguém, hein, “Rodrogo”…?
81 Chesterton // 12/February/2008 às 13:01
Alba, melhorou, agora você afirma que ele “parecia” talentoso. Pois acho que era um fanfarrão, um idiota que queria aparecer, teria que lutar muito na vida (da qual desistiu) para provar algum talento. Se acovardou, se cagou, se borrou, jogou a não fazer, se escondeu.
E deixou que herança? Só tristeza.
82 Chesterton // 12/February/2008 às 13:02
JB 77- rsrsrsrsrsrsr
83 Marcos Araújo // 12/February/2008 às 13:02
Coitadinho! É nisso é que dá querer ser um viadinho tao sensível (óia o Zé Mário aé!) e reprimir a vontade. Junte a isto um narcisismo e exibicionismo doentios (transmissao do próprio suicídio pela Internete, ô sêde de aparecer!) e tamos explicados.
84 Antonio M // 12/February/2008 às 13:04
Rodroga fez em seu cometário o que justamente condena nos comentários dos outros.
“uma decisão suicida é complexa e a personalidade inata de uma pessoa, somado aos fatores do meio — quando não alguma doença pura e simplesmente — influenciam de modos imprevisíveis.”
Hããããã ?!?!?!?!? Por isso que postou e saiu correndo de volta para o anonimato?
Isso mesmo para um gênio com 16 anos de idade seria indecifrável !!! Se o garoto se relacionasse saudavelmente com outros “normais” de sua idade, andasse de bicicleta, jogasse bola, futebol de botão, pingue-pongue, damas, xadrez etc. teria chance de sobreviver, ou de viver mesmo.
Para os ardorosos defensores da humanidade, dessa vez, se ele vivesse em Cuba, China, Coréia do Norte talvez estivess vivo (vivo-morto?!) ainda graças à censura. Viram como não acho tudo ruim nesses países ?!
85 Marcos Araújo // 12/February/2008 às 13:05
Chupacabra no # 76: De acôrdo contigo, ó meu! Egoísmo e exibicionismo e mais outras taras, sem dúvida.
86 Alba // 12/February/2008 às 13:07
Chest, realmente me abstenho de fazer esse tipo de julgamento. O ato em si é doloroso, como seria dolorosa a morte de qualquer garoto, mesmo sem o público e o acompanhamento pela Internet.
Só acredito, e preciso sair daqui a pouco, que esse tipo de ocorrência envolvendo não só jovens e não só suicídio, mas vários comportamentos, digamos, estranhos, como os dos garotos que saíram explodindo os colegas em escolas, teria que ser estudada o mais possível, sem paixões, como manifestação contemporânea, que merece reflexão.
87 Nhé! // 12/February/2008 às 13:13
James #77 - concordo!
88 Brancaleone // 12/February/2008 às 13:14
É o seguinte:
Um piá com um nome daqueles ? Só o nome já motiva o suicídio. Os pais são psicanalistas? caracá!! deve ser um inferno viver entre dois psiquiatras ( pai freudiano e mãe jungniana…).
Alguem aí falou e concordo:
Faltou soltar pipa, arrebentar o dedão chutando bola, trabalhar para merecer a mesada, ralar a bunda em carrinho de rolimã. Minha avó dizia que suar em coisa que preste limpa a cabeça…
89 Mr X // 12/February/2008 às 13:15
Coitado, o garoto se matou pra terminar sendo chamado de viado, fanfarrão, egoísta, demente, instável, emo, amante do psicanalista…
Acho que se estivesse lendo os comentários, se matava de novo…
90 Antonio M // 12/February/2008 às 13:22
Se chamassem de viado, fanfarrão, egoísta, demente, instável, amante do psicanalista eu não me mataria de jeito nenhum mas se me chamassem de emo….sei não…..
91 Mr X // 12/February/2008 às 13:22
Faltou soltar pipa, arrebentar o dedão chutando bola, trabalhar para merecer a mesada, ralar a bunda em carrinho de rolimã.
Acho que faço parte da última geração que ainda fez isso, hoje é só msn, chat, orkut, videogame, lan house e celular, quando não álcool sexo e drogas direto.
92 Ricardo Cabral // 12/February/2008 às 13:28
Essa marcação cerrada sobre psiquiatras e psicanalistas que tantos andam fazendo por aqui é de um simplismo de dar dó. Aliás, diga-se de passagem, como é fácil fazer essas interpretaçõezinhas baratas depois dos fatos ocorridos, não é? “O garoto se matou por causa disso”, “a culpa é dos pais”, “o psicanalista dele deve ser um escroto”…
Aliás, retifico: troquem “interpretaçõezinhas baratas” por “moralizaçõeszinhas de quinta”.
P.S. Não sou psicanalista e nem psiquiatra, aviso logo.
93 Antonio M // 12/February/2008 às 13:30
A molecada hoje nem sabe o que é uma rolimã. Sabe o que é internet, baseado, sacanagem, roupas da moda etc. e a quem responsabilizar/culpar por isso vira assunto para outro post.
E a essa altura rolimã já deve ter virado apelido para comprimido de ecstasy ……..
94 Darwinista // 12/February/2008 às 13:31
O anônimo Rodrogo escreveu várias groselhas, viajou na maionese, foi contraditório e exagerado.
Mas com o que eu imagino ser a essência do comentário eu concordo. Os especialistas em comportamento humano aqui do blog querem analisar a história do moleque de maneira simplória, simplista e, no fim das contas, burra mesmo, e acabam falando mais besteira que o anônimo Rodrogo.
Se eu fosse o pai do moleque e lesse as calhordices que estão escrevendo aqui, ia fazer de tudo pra conhecê-los pessoalmente e botá-los pra conversar com a minha direita.
95 Monsores // 12/February/2008 às 13:33
Mr. X,
Muito boa a série dos coelhos suicidas. Ri pra car**ho.
96 Antonio M // 12/February/2008 às 13:36
E os tais psicanilistas não tem culpa? Pode-se não culpar a análise em si, pois é apenas uma ferramenta, uma área mas é triste como pessoas que estudam tanto justamanete para ajudar centenas de pessoas distantes não puderam ajudar o próprio filho, até desconhecendo-os.
Como já disseram, vide o caso de Suzane Louise Richthofen e quantos virão.
Casa de ferreiro, espeto de pau.
97 Kct // 12/February/2008 às 13:36
Um “EMO” a menos no mundo… :-(
http://desciclo.pedia.ws/wiki/Emo
98 Jåµë§ ßønd™ // 12/February/2008 às 13:36
-= Chest & Nhé…
Nunca confie em pessoas que começam frases com “Não querendo faltar com respeito…” e “Não estou querendo julgar…”
–X–
Os primeiros não te respeitam, só escondem.
Os últimos já te jogaram em Nuremberg há tempos.
–X–
Ah, não confiem em quem manda “beijo no coração”, também.. mas isso é assunto pra Open Thread…
99 Darwinista // 12/February/2008 às 13:37
Ricardo #92, concordo plenamente.
Quer saber do que mais? Esse saudosismo do tipo”no meu tempo é que era bom porque não tinha dessas frescuras” não engana ninguém.
Quer dizer que na época de vocês ninguém se matava? Ninguém sofria emocionalmente? Não existiam pessoas com depressão ou confusão quanto à identidade sexual?
Quer dizer que se os moleques andassem mais de rolimã, empinassem mais pipa, jogassem mais bola, fizessem mais troca-troca (coisa que dizem era muito comum antigamente, não é mesmo), o índice de suicídio seria menor?
Tá difícil acreditar que os caras que conseguem às vezes serem até brilhantes em certos assuntos estejam escrevendo tanta besteira em relação a esse post.
100 confetti // 12/February/2008 às 13:38
ricardo # 92 , claro !!
101 confetti // 12/February/2008 às 13:39
vai te fuder worldpress !! deixa eu falar shit
102 Antonio M // 12/February/2008 às 13:41
Eu não tenho dúvidas quanto isso Darwinista. Também pode-se alegar que tempos atrás a informação não era tanta e rápida por isso que os números atuais são mais gritantes do que antes. Além do mais, as pessoa devido aos seus vículos familiares e religiosos era menos suscetíveis a idéias “atéias” por assim dizer e hoje com mais liberdade acabam se “expressando” de tudo que é maneira.
E de jeito nenhum desejo volta ao passado. Apenas o resgate para nosso tempo de algumas coisas que não fariam mal a ninguém, pelo contrário.
Também sou pai e sei o que estou dizendo.
103 Giqqs // 12/February/2008 às 13:42
É impossível entender o suicídio sem realmente sentir vontade de acabar com a própria vida. Eu já sentí. E compreendo. Mas eu tinha e ainda tenho gente que me ama muito. Eu hoje sei que eu nunca me suicidaria, porque seria egoísta. Seria acabar com o meu sofrimento gerando sofrimento em várias outras pessoas que me amam. O amor, tanto familiar, quanto de amigos, é importantíssimo nesse processo. E quanto menos motivos reais você tem pra sofrer, mais miserável você se sente. Quando se tem amor, dinheiro, saúde, educação, se sentir miserável é ainda pior. Só que nós somos um agrupamente de moléculas químicas. Um desequilíbrio químico e o mundo pode ser enxergado de outra forma. Nem tudo o que é, é visto como é. Só que ainda é muito difícil pro ser humano entender que o livre arbírtrio não é tão livre assim…
104 Antonio M // 12/February/2008 às 13:43
Tanto concordo com o falso modo de ver o passado como tempos melhores que basta andar pelo centro de São Paulo e ver o nome de tantas ruas com intelectuais, poetas etc. do passado que eram suicidas, necrófilos, viciados etc.
105 Antonio M // 12/February/2008 às 13:45
errata: “Tanto que concordo que é falso o modo de ver o passado …” desculpem-me.
106 Darwinista // 12/February/2008 às 13:53
Antonio M,
Ok, entendo seu ponto de vista em relação ao passado ser ou não melhor. Também não sou radical de achar que tudo hoje em dia é melhor.
O que é estreiteza de raciocínio, e que muitos aqui estão demonstrando, é colocar a culpa em coisas pontuais.
Um exemplo: eu acho tudo que envolve a cultura emo de uma imbecilidade como poucas vezes eu já vi na cultura pop. Mas se um porra de um emo resolve se matar, eu não posso ceder à fácil tentação de declarar que foi a cultura emo que o levou a isso.
Já vimo essa história antes várias vezes: o cara que ouvia Ozzy ou Judas Priest e se matou, e era culpa das músicas dos caras. Os cretininhos que entram na escola mantando os colegas e a culpa é do Matrix ou do videogame que eles jogavam.
Tem tantas variáveis pra serem analisadas, a pessoa tem que ser muito fraca da cabeça pra raciocinar de maneira tão minimalista.
107 Joseph // 12/February/2008 às 13:55
como em todas as discussões, sobra palpite (emoção) e falta diagnóstico (razão).
108 Te // 12/February/2008 às 14:15
Putz, que triste! Mas jovens depressivos tem em todas as culturas e épocas, como bem lembrado em Os sofrimentos do jovem Werther e a onda de suicídios que desencadeou. O Renato Russo também era depressivo quando adolescente e tentou suicídio.
109 Brancaleone // 12/February/2008 às 14:19
Darwinista.
Seu comentário num. 99
No meu tempo o cara escrevia um bilhetinho, uma carta, tomava formicida, se enforcava, era considerado doido e pronto.
Sem viadagem, sem público, sem internet.
Com relação ao troca-troca, nem todos tiveram o mesmo passado ou os mesmo desejo que você.
No meu tempo bulimia e anorexia se tratava com vermífugo, maconheiro na porrada e vadio no internato. Alguns dos que não foram submetidos a estes tratamentos viraram pais de garotos suicidas.
Querem agora achar culpados pelo suicídio. Querem culpar o ambiente, a sociedade. Nada disso. Os caras são doidos, dignos de tratamento não de justificativas .
Mas no caso em questão, o pai do garoto deve ser um péssimo psicanalista. Foi enrolado direitinho.
110 Rodrogo // 12/February/2008 às 14:21
Bom, só para esclarecer uma coisa ou duas, para então, de fato, voltar a ser mero leitor…
Acredito que tenha sido mesmo contraditório no que escrevi num post anterior. Neste ponto, você está certo, James. Eu já tinha julgado as atitudes de todos, antes mesmo de começar a escrever o post. O “não quero julgar niguém” é uma admissão inconsciente disso. Escrevi também várias “groselhas” e “viajei na maionese”, como escreveu o Darwinista, mas acho que sobre esse assunto permito-me algum deslize. O que hoje eu consigo tratar com relativa serenidade, foi durante algum tempo um pesadelo interminável. Nesse caso, fui um dos parentes que tiveram que lidar com várias “tentativas infrutíferas”, que usualmente são classificadas como “busca por ajuda” ou “egocentrismo”. Mas não se iludam, não foi nada disso. No caso da minha mãe foi pura e simplesmente doença: um desequilíbrio químico no cérebro. E se não fosse o psquiatra — muito criticado por aqui — ela teria alcançado o seu intento, ou melhor, o que ela achava que era à época.
Hoje, ao ver pessoas resumindo aqueles meses de sofrimento em frases absolutamente superficiais e agressivas realmente me afetou. Tenho certeza que reagiria da mesma forma incoerente se, ao invés de num site, ouvisse num boteco o tipo de declaração que ouvi aqui. Só que num boteco, provavelmente eu não tentaria articular qualquer frase ou argumento. Acredito que uma certa consciência e cuidado com o que se escreve num local público não faz mal à ninguém. Imagino que haja muitas outras pessoas que apenas lêem os comentários. Talvez algumas delas também tenham se sentido ofendidas.
Há pouco, cheguei a pensar que o melhor que poderia ter feito nesta tarde teria sido ignorar todos os comentários ofensivos que vocês fizeram sobre este assunto, justificando para mim mesmo que são apenas palavras escritas por alguém que eu nem conheço e que provavelmente está num lugar distante e fora da minha realidade. Mas sabe, isso é justamente o que aquelas pessoas, que estimulam outras a comenter suicídio, fazem. Escondem-se atrás da aparente virtualidade dessa rede para justificar sua covardia ou fraqueza.
111 Antonio M // 12/February/2008 às 14:23
Joseph, pelo menos eu não sou psicanalista, “apenas” pai e pelo jeito, melhor do que muitos psicanalistas por aí que são pais. E mesmo porque para a morte do garoto não há mais solução.
Ok Darwinista. Eu também apenas queria dar ênfase que, nas brincadeiras mesmo que competitivas não seriam possíveis sem colaboração pois precisavam de trabalho em grupo, pesquisa, ferramentas etc. senão não havia brincadeira, nem sempre eram imediatistas, eram duradouras. O contato com os problemas, desafios eram na verdade contatos com GENTE, olho no olho que hoje se não for resolvido no click de um mouse com o Google viram um inferno!
E sem maiores pretensões, basta olhar para as fotos do garoto que aparecem no CD póstumo do artigo linkado, para notar que ele não encara a máquina fotográfica. Problemas para encarar a máquina, as pessoas ou os problemas? Timidez apenas? Ou já demonstrava problemas sérios demais para tão pouca idade em que um psicanalista idiota acaba recomendando isolamento?
112 Monsores // 12/February/2008 às 14:25
Realmente não dá para definir o que levou o garoto a cometer suicidio.
Provavelmente nem ele sabia porque estava fazendo isso. Acusar o psiquiatra, os pais, o meio, a falta do meio, nunca ter soltado pipa, nunca ter andado de bicicleta, é pra mim, considerar que somos todos feitos na mesma forma, com a mesma quantidade de neurotransmissores funcionando, com os mesmos comportamentos diante dos fatos.
É vazio. É precipitado.
Não me surpreendo nem me intrigo com o suicído. Desde que há humanidade ele existe. Me surpreendo com o show. Esse sim talvez seja uma maneira moderna de cometer o ato.
Se bem que, o que difere um show num blog de um sujeito que sobe num prédio e grita que vai pular antes de fazê-lo?
Nunca estive em nenhuma das situações, mas há uma explicação, muito provavelmente, para os suicidas, em seus ultimos instantes quererem justificar o porquê de estarem abdicando do bem - que é para ser o bem maior - a vida.
113 Darwinista // 12/February/2008 às 14:28
Broncoleone #109,
Com relação ao troca-troca, nem todos tiveram o mesmo passado ou os mesmo desejo que você.
Nunca fiz troca-troca, não sou homossexual, não sinto atração por homens. E, mesmo assim, não acho que o cara que gosta disso é pior do que eu. Rebaixar alguém por causa da sua opção sexual é estúpido, quem o faz também é. Simples assim.
No meu tempo bulimia e anorexia se tratava com vermífugo, maconheiro na porrada e vadio no internato.
Dispensa comentários.
Os caras são doidos, dignos de tratamento não de justificativas.
Suicídio, meu caro Bronco, é problema de saúde pública. Como tal, deve ser muito bem entendido pra poder ser combatido. Só se trata um problema quando se conhecem as causas. Como você, com toda a certeza, não é um estudioso na área, seu diagnóstico de que “os caras são doidos” são tão válidos quanto uma nota de 3 reais.
114 Darwinista // 12/February/2008 às 14:32
O “Dispensa comentários” aí de cima é meu, o itálico foi por engano.
115 Darwinista // 12/February/2008 às 14:33
Corrigindo: “…seu diagnóstico de que os “caras são doidos” é tão válido…”
116 Darwinista // 12/February/2008 às 14:36
Antonio M,
Numa coisa pelo menos concordamos. Aqui, de longe, sem poder fazer uma real avaliação do que aconteceu, fico com a impressão de que o psicanalista do garoto realmente foi muito incompetente. Aliás, o que não falta nessa área da psicanálise e psicologia é gente incompetente.
117 Antonio M // 12/February/2008 às 14:37
No filme Lances Inocentes (Searching for Bobby Fischer, EUA, 1993) a vida do enxadrista, gênio precoce também, mostra como pai e profissionais despreparados para a vida poderiam ter levado, quem sabe, o garoto a um destino nada nobre em que a mãe de verade faz a diferença a seu favor.
118 Monsores // 12/February/2008 às 14:40
Darwinista,
Tendo a concordar com:
“Aliás, o que não falta nessa área de psicanálise e psicologia é gente incompetente”.
A questão é calcular até onde isso é verdade. Eu me pego pensando assim várias vezes, mas me coloco no lugar dos especialistas.
Tratar um problema no coração é aplicar remédio. Senão, abre o peito, opera, no máximo troca. É um defeito aparente.
O cérebro e principalmente o sistema límbico, é bem mais complexo. Massa cinzenta não tem esse nome atoa.
O que eu lamento são os modismos. Antigamente estava na moda diagnosticar crianças dom DDA (Distúrbio de déficit de atenção). Agora parece que a nova moda é dislexia.
Na minha época não tinha isso não. E olha que não faz muito tempo…
119 anrafel // 12/February/2008 às 14:43
O filho (adolescente) de um casal amigo pediu aos pais para ir a um cinema no início da noite e depois dormir na casa da namorada. No outro dia, os jornais matinais deram a notícia de que ele tinha se jogado de um décimo-quinto andar.
Até hoje (isso foi há uns 5 anos) não existe explicação. Os pais estão obrigados a conviver com a angústia da desconfiança de que alguma coisa (o quê?) faltou e o ressentimento pela atitude egoista do filho, que causou sofrimentos a eles e aos dois irmãos.
Como, em casos de suicídio, ir além disso? Ainda que estejam presentes a espetaculariazação, o (suposto) alto talento e sensibilidade do suicida e o ambiente de psicanalistas (até que ponto isso é especificamente relevante?) ao redor , não há elementos para abordagens categóricas.
Os pais, por hábito profissional, podem até “relativizar contextualizando”, mas o que ocorreu foi uma tragédia. Evitável, para utilizar um lugar comum, mas, também, induzida.
120 Darwinista // 12/February/2008 às 14:51
Monsores,
Essa minha afirmação sobre a incompetência desses profissionais se baseia em dois aspectos: um, você já levantou, a questão dos modismos. É como a virose dos clínicos gerais, que servem como diagnóstico para o que eles não conseguem explicar decentemente.
Outro é que, como muitas vezes o psicólogo ou psicanalista não consegue fazer um diagnóstico preciso ou não sabe como tratar o problema, ele enrola o paciente dizendo que muitas vezes o tratamento tem duração indefinida, que depende de uma série de coisas, e assim vão sugando mensalmente o dinheiro dos incautos.
Minha ex-mulher é um bom exemplo disso. Até hoje vai na canastrona da psicóloga dela e não percebe que a mulher tá passando a perna nela (ainda bem que não sou eu que pago).
121 Monsores // 12/February/2008 às 14:59
Darwinista,
Concordo com você. Só que é preciso não confudir as coisas. A psicanálise clássica realmente é mais demorada e, muitas vezes acontece isso que está acontecendo com a sua ex-mulher. Há profissionais canastrões em todas as áreas. Mas saiba que concordo, tenho alguns exemplos próximos que passam pelo mesmo problema, o que é um absurdo.
Acontece que ao dizer psicólogo, estamos incluindo os profissionais que usam outras abordagens como a cognitiva e outras práticas mais rapidas e mais eficazes dependendo do paciente e que, em muitas vezes o tratamento não passa de 10 sessões.
A psicologia é um campo muito vasto hoje em dia. A coisa do divã e do conversê é só mais um elemento.
122 Darwinista // 12/February/2008 às 15:05
Monsores,
Você tem razão, as vertentes da psicologia são muitas. Se a ex estivesse indo em uma junguiana, por exemplo, eu seria até mais compreensivo. Se fosse psicoterapia breve, já tinha sido processada.
Ocorre que a picareta nem mesmo define uma linha teórica. Veio com uma história que procurava seguir um caminho gestaltiano, mas que procurava utilizar as coisas boas que os outros referenciais ofereciam. Ou seja, nem ela sabe que linha seguir.
123 Monsores // 12/February/2008 às 15:11
Darwinista,
Eu sempre digo que o PROCON devia atender a reclamações desses profissionais também. Inclusive de médico.
124 Ricardo Cabral // 12/February/2008 às 15:23
Darwinista, lamento pelo que vc diz ser o caso da sua ex-mulher. Particularmente sou bastante crítico em relação ao universo psi, e penso que não poderia fazer diferente em se tratando de um “campo de dispersão” (Garcia-Roza, isso mesmo, o dos romances policiais), que não é propriamente um “continente” — como se pode dizer sobre a biologia ou a química —, mas tampouco chega a ser uma colcha de retalhos. É um “arquipélago” — para usar a feliz expressão do psicólogo Luis Claudio M. Figueiredo. Nesse sentido, há muito trabalho a fazer, porque no campo do psicológico há enormes “áreas de sombra” que atestam a dificuldade e complexidade do que seja o humano.
Por outro lado, concordo que haja profissionais ruins no meio psi, do mesmo jeito que na medicina, na biologia, na engenharia e em qualquer profissão. Resta saber qual a proporção desses chamados maus profissionais em relação aos mais competentes, levando em consideração todas as questões que levantei antes sobre o próprio campo psi.
Por último, algumas perguntas: ginecologista (mulher) nunca tem corrimento? Oncologista é imune a câncer? Cardiologista nunca tem infarto? Neurologista não pode ter aneurisma cerebral?
125 Ricardo Cabral // 12/February/2008 às 15:30
“Os pais, por hábito profissional, podem até “relativizar contextualizando”, mas o que ocorreu foi uma tragédia. Evitável, para utilizar um lugar comum, mas, também, induzida. (anrafel # 119)
Fiquei com a impressão de que o que negritei do teu comentário (com o qual eu vinha concordando, diga-se de passagem) desmentiu todo o seu raciocínio anterior, anrafel…
126 Darwinista // 12/February/2008 às 15:32
Por último, algumas perguntas: ginecologista (mulher) nunca tem corrimento? Oncologista é imune a câncer? Cardiologista nunca tem infarto? Neurologista não pode ter aneurisma cerebral?
Ricardo, uma coisa que certamente os comentaristas que desceram a lenha na mãe psicanalista do garoto desconhecem, é que uma das regras básicas no tratamento psicológico/psicanalítico é a necessidade do não envolvimento emocional do paciente com o profissional.
Pode-se questionar o papel da mãe enquanto mãe, seus possíveis erros nesse papel, mas dizer que ela deveria ter sabido o que ocorria com seu filho por conta de sua profissão é desconsiderar que essa mãe pode ter se julgado incapaz de analisar o próprio filho. Aliás, esse seria o comportamento esperado por parte dela.
127 Jåµë§ ßønd™ // 12/February/2008 às 15:43
-= @Rodrogo:
Agora sim… :-j
– X –
Supeitava desde o princípio que tiveste alguma experiência pessoal no assunto. É uma reação comum. Se entendi bem - e acredito que entendi - sua mãe ainda está viva e bem, no que ficarei muito contente em deduzir.
Sinto pelo sofrimento que passou, saliento.
– X –
Em relação aos comentários…
…uma das coisas, das muitas coisas que me atraem a este espaço é justamente o encontro de mentes (alteradas ou não) que se sentem livres de expressar suas opiniões sobre praticamente tudo.
Então, neste ponto, eu discordarei de ti e o desafiarei, por uma boa causa.
– X –
Temos que ler o que nos ofende.
Precisamos disso.
Precisamos nos sentir indignados.
Discordar é uma chance de amadurecer nossas convicções ou - por que não? - mudar de opinião.
O politicamente correto é a verdadeira praga do século nascente.
Não sabemos o que muitas pessoas que compartilham o mundo ao redor pensam por terem medo de dizê-lo, ou por não querer ser excluído, ou querer ser da “galera do bem”… etc…
– X –
Te desafio a não ser mais um mero leitor do PD.
Não guarde suas opiniões, exponha-as da maneira civilizada que demonstrou… ou se for necessário, caia na porrada com a galera.
– X –
Se já conseguiu fazer o Chesterton e o Darwinista concordarem com algo, já valeu o dia, pense por este lado…
128 Darwinista // 12/February/2008 às 15:48
Se já conseguiu fazer o Chesterton e o Darwinista concordarem com algo, já valeu o dia, pense por este lado…
Boa James, essa eu gostei… hehehehe
129 Ricardo Cabral // 12/February/2008 às 15:51
Pois é, Darw, entre outras coisas, foi por isso que “critiquei os críticos” :-)
O frei Beto tem um irmão psi. Participei de um workshop com ele (em 1987), e não esqueço de algo que ele falou a seu próprio respeito, e que inicialmente causou algum espanto na platéia. Ele disse: “Eu não atendo em meu consultório alguém que diz ser partidário do (então) PDS”. E logo em seguida arrematou dizendo que esse era um dos limites dele, em função de sua própria história familiar e política, e que se forçasse a barra tentando atender uma pessoa que dissesse aquilo, ele simplesmente seria um mau profissional, sobretudo por saber de antemão que não faria um bom trabalho psicoterapêutico, já que a sua escuta estaria bastante comprometida em função desses pré-conceitos que ele não conseguia pôr de lado.
130 Monsores // 12/February/2008 às 15:52
Ah James,
O Darwinista concorda com as coisas. O Chesterton, bem… é o Chesterton. Mas até que já vi algumas vezes ele concordar também.
Quer ver? Aquecimento Global não existe!
Para não sair do assunto do post, Ricardo, conheces algum estudo sobre o comportamento típico do suicida que esclaresça, ou ao menos tente, esse tipo de espetáculo pré-suicidio? É um assunto interessante.
131 Antonio M // 12/February/2008 às 16:03
Ricardo, o irmão do Frei Beto é serio candidato a um título de doutor honoris causa em babaquice. O cara deixar que uma ideologia qualquer suplante o profissional em psiquiatria (acho) é lastimável!!! E se ele fosse médico, poderia recusar uma emergência por questões idológica antagônicas com o cliente? E se ele fosse a vítima e precisasse de uma ajuda e fosse discriminado por causa de sua ideologia? Ainda bem que divulgou essa informação aqui, ele é um profissional a ser evitado. Que viva de dar palestras.
E quanto a questão da mãe do garoto, não acho que mereça isenção por supostamente se achar despreparada para avaliar seu filho como psicóloga ou congênere. Mãe e problemas de filhos datam bem antes da existência da psicologia e elas procuravam atuar e proteger de acordo com as possibilidades e se eram resolvidos a contento ou não é outra estória portanto, a mãe falhou, e falhou feio ……
132 Maria // 12/February/2008 às 16:04
A adolescência é a idade das trevas!
É por isso que eu vivo fuçando o bate-papo, as mensagens do meu filho na Net.
Meu marido não faz isso! Uma psicanalista me criticou, há a questão da privacidade e tal, mas qunado os filhos fazem merda quem tem que limpá-las são os pais.
133 Maria // 12/February/2008 às 16:08
E esse garoto deveria estar tomando remédios anti-depressivos, mas, segundo o psicanalista que o acompanhava, ele não foi medicado.
Psicanalistas têm horror a esse tipo de medicação!
134 Darwinista // 12/February/2008 às 16:08
Olha a Maria Atômica aí gente!
Antonio M,
E se ele fosse médico, poderia recusar uma emergência por questões idológica antagônicas com o cliente?
Não dá pra comparar um atendimento fisiológico de emergência com um tratamento psicológico. Aliás, eu tenho certeza que se você comentar isso com qualquer profissional sério de psicologia, ele vai dizer que o procedimento do irmão do frei foi correto.
135 Jåµë§ ßønd™ // 12/February/2008 às 16:08
-= … haha… que sacanagem com o Darw…
–X–
Lí em algum desses blogs.. sabe como é, um link leva ao outro… uma piada ótima.
O primeiro diz:
“A vida é só sofrimento, seria melhor não ter nascido.”
E o segundo:
“E quem tem essa sorte?”
– X –
A vida é realmente assim, muitas vezes.
Pra mim, um dos motivos supracitados para aproveitar a vida se encaixa como uma luva.
Não acho que terei uma segunda chance… então………tenho que fazer o melhor com esta aqui.
136 Darwinista // 12/February/2008 às 16:09
Maria,
Psicanalistas não podem prescrever medicamentos. Apenas psiquiatras são habilitados pra isso.
137 Monsores // 12/February/2008 às 16:12
Definitivamente, não vou ter filhos.
Fico pensando, se me ocorreria a necessidade de ter que vasculhar as mensagens virtuais que ele troca sabe-se lá com quem para saber de sua vida, ao invés de perguntar a ele.
Só de pensar em tão decadente possibilidade, o que certamente eu não seria capaz de fazer, prefiro abster-me deste papel.
138 Nhé! // 12/February/2008 às 16:15
Maria, já pensou que felicidade vc achar um projeto de bomba atômica na correspondência do seu filho? =)
139 Antonio M // 12/February/2008 às 16:16
Darwinista, sou obrigado a concordar sobre o que disse sobre incopetência.
“Aliás, o que não falta nessa área de psicanálise e psicologia é gente incompetente”.
Para mim não conseguir separar ideologia de problema psiquiátrico é incompetência. E está certo mesmo em não acitar o paciente. Aliás não deveria acitar mais nenhum e “pedir para sair’. Precisaremos quando em atendimento em psiquiatria/psicologia colocar na ficha médica, em qual partido vota ou está filiado para receber um bom atendimento ou nem ser atendido?
140 Darwinista // 12/February/2008 às 16:18
Hahahahahahahahahahahahahahahahaha,
Nhé!, melhor que isso só se ela encontrar um recibo de filiação ao PRONA!
141 Monsores // 12/February/2008 às 16:19
Antonio M,
Eu trabalho com Marketing. Não gosto de Marketing Político - apesar de já ter trabalhado com isso. Eu não me sinto bem trabalhando para um político com o qual não simpatizo e tampouco concordo com as ideologias.
Entretanto, atuo em vários outros segmentos do marketing. Isso faz de mim um profissional ruim ou um profissional ciente de suas limitações?
142 Eterna moradora do luzente // 12/February/2008 às 16:21
“Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre. Maria, Maria….”
Coitadinho do teu filho, vai crescer tendo que trancar a porta do quarto para falar ao telefone…
143 Antonio M // 12/February/2008 às 16:24
Concordo com o que a Maria. Mesmo nos EUA o “acordo” que lá existe entre pais e filhos que tanto mostram nos filmes, que o pai não entre no quarto do filho sem bater ou nem mesmo entra, permitiu que jovens psicopatas armazenassem armamentos pesados, drogas no proprio dormitório facilitando as chacinas que ocorreram em escolas. A “arte” é os pais também saberem como aplicar esse controle. Sempre antes dessas medidas, diálogo e regras claras. Com certeza evitarão mágoas, distorções e medidas erradas, constrangeforas e desnecessárias.
144 Darwinista // 12/February/2008 às 16:24
Antonio,
O que eu acho que você não está entendendo a respeito do procedimento profissional de um psicólogo é que existem limitações no atendimento.
Eu cursei psicologia por 3 semestres, e uma das coisas mais repisadas pelos professores era a questão ética. Quando o profissional entende que não poderá oferecer o melhor acompanhamento ao paciente, ele deve passar o caso para um colega.
Um exemplo bem simplório: uma psicóloga é lésbica. Uma pessoa a procura para tratamento e, durante as sessões, se revela homofóbica. E isso não é o motivo da procura pelo tratamento, ao contrário, a pessoa não acha que sua homofobia seja um problema.
Nesse caso, se a psicóloga resolver passar o caso para outro profissional, não está sendo incompetente. Ao contrário, está preservando o paciente, pois entende que não conseguirá ajudá-lo como se deve. Isso é ética profissional.
145 Ricardo Cabral // 12/February/2008 às 16:28
Monsores, comece por um clássico: “O Suicídio: Estudos de Sociologia”, do Emile Durkheim, e depois passe para “Do Suicidio - Estudos Brasileiros” (Vários autores, Papirus). Dá pra fazer uma festa com isso.
Não sou a melhor referência sobre o assunto, mas em relação a esse “espetáculo pré-suicidio” de que vc fala, costuma haver, por um lado, uma expectativa de salvação que, em princípio, viria da “platéia”. E por outro, a fantasia, por parte do suicida, de que ele poderá assistir, “do lugar onde estiver”, à reação das pessoas em relação ao seu ato.
Aliás, algo curioso sobre o tema da morte. Costuma haver em nós uma espécie de “crença de que se é especial”, que funciona como defesa frente a angústia que a finitude gera em cada indivíduo (e vale dizer que as crenças religiosas costumam atenuar essa angústia). Esse “crer-nos especiais” nos faria raciocinar mais ou menos assim:
“Todos os homens são mortais. Sócrates é homem, logo, Sócrates é mortal. Mas isso pode até valer para o Sócrates e para você, mas pra mim não!” :-)
E nesses movimentos contraditórios, dois extremos são muito comuns:
1) aqueles que, por temor da morte, evitam expor-se ao que quer que seja e, no limite, à vida em si mesma. Estes morrem duas vezes: em vida, e no evento físico da morte. Ruim, não é?
2) As pessoas que passam boa parte do tempo arriscando a vida, enfrentando situações tremendamente perigosas, como se a cada “vitória”, conseguissem “vencer a morte” ou mesmo “matar a morte”, o que chega a transformar-se em um heroísmo compulsivo. Pois estes, com todo um discurso de ousadia, liberdade e bravura, são tão prisioneiros disso quanto aqueles que vivem trancados em casa.
Duas faces da mesma moeda, às quais ninguém aqui no Weblog pode garantir que nunca experimentará… (A do heroísmo compulsivo é mais difícil, mas pode haver expressões mais toscas disso por aí.)
146 Maria // 12/February/2008 às 16:28
Psicanalistas podem encaminhar seus pacientes a um psiquiatra.
O garoto já havia tentado o suicídio antes.
147 Darwinista // 12/February/2008 às 16:28
Eterna moradora do luzente,
Me apaixonei pelo seu nick. Venha mais vezes, só de escrever essa pérola você vai enfeitar o ambiente.
A menos que você não acredite no aquecimento global. Aí deixa pra lá… hehe
148 Monsores // 12/February/2008 às 16:30
Psicopatia é um disturbio, uma doença.
Não vai ser invadindo a privacidade de ninguém que se prevê que isso aconteça.
E não vai ser somente dialogando com um psicopata que você vai convencê-lo a deixar de sê-lo. Existem especialistas para isso.
O que os pais deveriam pensar é que existe uma grande chance de seus filhos não serem perfeitos, e não falo só fisiologicamente. Alguns distúrbios psicológicos só se manifestam depois de certa idade, vide esquizofrenia. O que deveria haver é um acompanhamento próximo, bem próximo do filho. Sei lá, eu não sou pai, não posso ensinar ninguem a criar seus filhos, mas eu prefiro os meus pais que nunca invadiram a minha privacidade, mas sempre puderam compartilhar de toda ela, do que os que ficam distantes, olhando com uma lupa à espera do primeiro deslize para punir.
149 Antonio M // 12/February/2008 às 16:31
Monsores, se lhe estão pagando por um trabalho que você está colaborando para algum crime isso é cumplicidade senão, é trabalho.
Um bom profissional requisitado e que tenha bastante trabalho pode recusar trabalhos mas e se estiver precisando? Quem vai pagar suas contas? Um outro profissional de sua área igualmente competente como você, pensa exatamente como você mas que aceite o trabalho, você o classificaria como mau profissional?
150 Maria // 12/February/2008 às 16:31
E porque vocês estão lembrando da discussão bomba atômica?
Freud explica. É porque eu os xinguei de frouxos, não é?
E o filho é meu, quem cuida dele (e quem o conhece) sou eu e voces não têm nada a ver com isso.
151 nada será como antes // 12/February/2008 às 16:32
Chegando tarde, concordo com Darwinista (94).
Mesmo assim, achei os comentários de Rodrogo (especialmente o 77) os mais sensatos.
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Sem perder a chance , considero o suicídio desse menino, além de lamentável, como expressão que infelizmente ronda boa parte dos adolescentes das chamadas classes médias .
As facilidades à mão, as vontades facilmente satisfeitas, as futilidades a título de lazer, as dificuldades de relacionamentos amistosos calcados (e calculados) pelo matiz das finanças, o consumismo volúvel, a competição pelo melhor lugar em alguma coisa….
O quadro final, não tenho dúvidas, é o absoluto vazio emocional, a absoluta falta de vontade e perspectiva. Não há nada que satisfaça o adolescente, não há estímulo que o faça crescer e estabelecer sua identidade.
O menino suicida é , talvez, uma variante tímida dos estudantes armados que invadem escolas com metralhadoras e pistolas . Busca um sentido para a vida, de maneira torpe, sem dúvida, mas da forma que conseguiu encontrar.
152 Eterna moradora do luzente // 12/February/2008 às 16:32
Darwinista,
Abusarei da escrita a partir de então…
Enquanto ao aquecimento global, sou estudante de biologia =]
153 Léo // 12/February/2008 às 16:34