A incrível história dos gêmeos siameses

Biologia · Pop · 6/02/2008 - 15h31 - 36 Comentários

A Biblioteca Nacional de Medicina, dos EUA, abriu uma grande exposição sobre o fenômeno dos gêmeos xifópagos – aqueles, univitelinos, que nascem de alguma forma ligados fisicamente.

Os relatos mais antigos vêm do finzinho da Idade Média e início da Renascença. Foi no renascimento que surgiram os primeiros best-sellers e os livros que causavam fascínio eram aqueles que relatavam grandes mistérios a partir de viagens a terras desconhecidas, talvez, ou mesmo de terrenos conhecidos.

(Marco Pólo foi um best-seller; em seu livro a respeito da viagem à China, descreve num momento o unicórnio que ele garantia existir. Era um rinoceronte.)

Gêmeos xifópagos atraem desde então. Sugeriu-se que eram filhos de mães que tinham tido pensamentos impuros. Ou que haviam tomado um susto. Eram sinal de má sorte para a comunidade em que surgiam – como, por exemplo, Verona, na Itália, onde em por volta de 1475 viveram duas moças unidas do ombro à bunda que dividiam entre si os rins. Ambroise Paré as descreve em seu livro Sobre monstros e prodígios. No caso destas moças, elas transformaram-se em renda para os pais, que as exibiram Itália afora. (Vai que a tragédia do amor suicida dos mui jovens Romeu e Julieta nasceu, ali em Verona, da má sorte destas.)

Os medos e receios supersticiosos de um tempo foram superados pelo showbiz circense do séculos 19, princípio do 20. São desta época Chang-Eng Bunker, os dois rapazes nascidos no Sião (hoje Tailândia) em 1811 que em 1829 foram levados à Inglaterra e depois EUA para serem apresentados ao público.

São os famosos ‘Gêmeos Siameses’ – e, por siamês, referiam-se ao Sião.

Chang-Eng largaram a vida de circo, assentaram numa cidadezinha da Carolina do Norte onde compraram uma loja. Lá, casaram-se com as irmãs (não siamesas) Sallie e Adelaide Yates. Dividiam uma mesma casa e uma cama muito grande. Chang e Adelaide tiveram 10 filhos; Eng e Sallie, 11. (Como as irmãs brigavam muito, acabaram decidindo por duas casas separadas; os gêmeos passavam três dias numa, três na outra.)

A primeira separação cirúrgica de xifópagos se deu em 1690 – mas, no caso, tratavam-se de irmãs ligadas apenas por pele e cartilagem. Apenas da década de 1950 para cá é que tais cirurgias são feitas com freqüência e terminam com a sobrevivência de ambos.

via Boing boing

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