Por Obama e por McCain
Em 2000, João Moreira Salles argumentou na falecida NO.com.br que a eleição presidencial norte-americana é tão importante que todo mundo devia ter o direito de votar. (E ele nem desconfiava que resultados trariam ao mundo a presidência de George W. Bush.)
O mundo, evidentemente, não vota nas eleições norte-americanas. Mas não será um detalhe destes que negará a este Weblog o direito de seguir outra tradição norte-americana: o de declarar ‘voto’ em cada uma das bandas desta disputa.
Barack Obama é o melhor candidato democrata à presidência dos EUA. O próximo governo norte-americano terá dois desafios particularmente difíceis. O primeiro, de reparar sua imagem no exterior. O segundo, de trazer união ao país. Um presidente mulato chamado Barack Hussein Obama mostrará a jovens em todo o terceiro mundo um rosto diverso daquele com o qual estão habituados na Casa Branca: um rosto que representa a diversidade cultural e racial do país. Símbolos são importantes, como bem o perceberam Ronald Reagan e John Kennedy em seus tempos. Aliado a isto, deve-se levar em conta o carisma de Obama. Ele é simpático demais e já deixou claro que porá a negociação diplomática à frente de sua política externa.
Esta capacidade diplomática será também muito útil internamente. O país está rachado já há muitas décadas: a década de 1960 produziu um vácuo cultural e dele um choque de valores entre liberais e conservadores. Nos pontos extremos, talvez jamais se toquem. Mas o número de gente que se localiza confortavelmente no centro do espectro político precisa crescer. Os EUA são um país de centro. A maior qualidade de Obama, neste sentido, é que será um presidente pós-60. Não precisa mais disputar e argumentar as batalhas passadas; as do presente já são duras o suficiente. Sua maior qualidade, aí, é que ele não é Hillary Clinton. A ex-primeira dama atrai emoções que vão do ódio à desconfiança por parte de norte-americanos demais. Talvez seja injusto, mas estes são os fatos. Hillary não unirá o país. Certamente seria uma presidente melhor do que George W. Bush, mas é preciso mais do que isso. Outro chefe de governo polarizante trará instabilidade para os EUA e, portanto, para o mundo.
Um argumento final: Barack Obama é corajoso politicamente. Hillary Clinton não é. Ela é capaz de votar a favor de uma guerra só por conta do cálculo político. O tempo exige coragem.
John McCain é o melhor candidato republicano à presidência dos EUA. E o argumento começa pelo mesmo que encerra a defesa de Barack Obama. McCain é corajoso. É capaz de defender uma guerra profundamente impopular mesmo quando os eleitores já se puseram contra ela. É um candidato do Partido Republicano, portanto não adianta entrar no mérito da defesa da guerra. Eles todos a defendem. Mas importa a condução da guerra. McCain é o senador republicano que se destacou na condenação à tortura.
A essa coragem política, incluam-se integridade e honestidade. McCain foi, em 2000, o primeiro político vitimado pela máquina de propaganda mentirosa construída para destruir a imagem de adversários por Karl Rove para o então candidato George W. Bush. Aquela primária, ele perdeu. É uma questão de justiça histórica que vença esta. Ele teria sido um presidente muito mais capaz de enfrentar as muitas crises que o Onze de Setembro criou. Como ex-militar, como ex-prisioneiro de guerra do Vietcongue, como ex-vítima de tortura e da ausência de leis, teria tido respeito pelo sacrifício de soldados e de civis. Estaria atento à importância da construção de alianças políticas. Num governo McCain, dificilmente haveria Guantánamo.
Ele não foi presidente e, numa eleição tão difícil para qualquer candidato republicano, talvez jamais venha a ser. Com McCain, pode-se esperar uma eleição honestamente lutada.
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por hillary clinton, yes ! quero ver uma mulher no comando do nabucodonosor ! realpolitik feminina deve ser “compassional” ! go hillary, go !!
Agnêu // 5/Fevereiro/2008 às 0:09 ,
ou o josef mario está fazendo escola ou é o próprio disfarçado.
Monsores
ahh, então não deixe de beber.
e é verdade, o vinho portugues é um mundo de qualidade e diversidade. e isto porque sendo um país pequeno tem de tudo em termos de clima. tem excelentes casas de vinhos, mas não se esqueça de passar por um supermercado grande tipo continente, jumbo ou mesmo os pingo doce. qualquer deles te apresenta as marcas mais conhecidas a preços que têm nada a ver com as casas mais “chiques”. só não terá lá as colheitas mais raras, mas encontra seguramente muito bons vinhos.
Dom Casmurro, se fosse o Camarada Josef Mário teria alguma referência à salvadora cirurgia que conteve o sólido.
hehe
Monsores:
Por ambas as coisas, por ser negro e porque possa vir a ser um bom presidente.
[...] Uma opinião. - Um prodígio. - Um tributo. - Uma revelação. - Uma planilha. - Um [...]