É hora: a Super Duper Tuesday vai começar. Vinte e quatro estados realizarão prévias para um, para outro ou para ambos os partidos Democrata e Republicano. O apelido super duper para esta terça-feira não vem à toa. Até hoje, os democratas de vários estados já escolheram quem quem votarão 416 delegados; os republicanos, 224. Mas, nesta terça-feira, estão em jogo 1.688 delegados democratas e 1.081 republicanos.
Este é um dia que pode ser decisivo para John McCain. Em seu Partido Republicano, vários estados grandes entregam todos seus delegados ao vencedor, não importa a margem de vitória. Os números atuais são os seguintes: McCain tem 97 delegados contra 92 de Mitt Romney. As pesquisas, no entanto, o apontam abrindo uma gigantesca margem contra seu concorrente. Precisa de 1.191 delegados para garantir que será o candidato à Presidência por seu partido. Não chegará lá no dia 5, mas se vencer de lavada como indicam as pesquisas, poderá transformar a disputa em impossível para todos seus adversários.
A emoção fica no lado democrata – e emoção haverá em fartura, coisa que já perceberam os leitores com o hábito de acompanhar as pesquisas eleitorais. Se são confiáveis? De forma alguma, como várias destas prévias já o indicaram. Podem ter-se mostrado incapazes de cravar resultados, mas indicam movimento. E o movimento é o seguinte: Barack Obama está crescendo – e crescendo rápido. Hillary Clinton, que tinha uma enorme vantagem, vem cedendo terreno. (Nas pesquisas nacionais, já aparecem empatados tecnicamente.)
Os estados mais importantes de observar são: Califórnia (370 delegados), Nova York (232), Illinonis (153), Nova Jersey (107) e Massachusetts (93). No prêmio máximo californiano, onde vivem um terço dos norte-americanos, as pesquisas estão completamente perdidas. Uma, a McClatchy, da vitória de Hillary sobre Obama por 45 a 36%; outra, Reuters/Zogby, sugere uma vitória de Obama sobre Hillary por 45 a 41; uma terceira, Field Poll, os põem empatados tecnicamente, 36 para Hillary e 34% para Obama. Para a senhora Clinton, Nova York, o estado que a elegeu senadora, promete ser tranqüilo. A SurveyUSA sugere uma diferença de 54% contra 38% – e outras pesquisas parecem concordar que o resultado será algo por aí. No Illinois, estado que por sua vez elegeu Obama senador, a pesquisa do Chicago Tribune dá 54% contra 24% de Hillary. Nova Jersey tende a seguir o rumo da Nova York vizinha pró-Hillary. E, dos grandes, sobra Massachusetts, estado de dois grandes senadores que concederam seu apoio a Obama – Ted Kennedy e John Kerry. Hillary tinha folga, mas os números têm mudado rapidamente. Uma virada não é impossível.
(O Idelber Avelar fez um mapa estado a estado mais detalhado, para quem o desejar.)
Seja como for, em muitos estados é possível que ambos os candidatos demcoratas tenham resultados próximos um do outro. O vencedor não levará todos os delegados – eles se dividirão mais ou menos de acordo com a distribuição demográfica dos votos. E, se a corrida continuar acirrada, será hora de prestar atenção em mais dois detalhes. Para onde vão os superdelegados e, bem, estes pequenos detalhes que atendem pelo nome Flórida e Michigan.
No total, 4.049 delegados votam na Convenção Nacional do Partido Democrata, como já se explicou por aqui. Metade mais um leva ao vencedor. As prévias determinam em quem votarão 3.253 delegados; mas existem também os 796 superdelegados, e estes votam em quem bem quiserem. São democratas que ocupam cargos eletivos, ex-senadores, os dois ex-presidentes, e burocratas vários da estrutura do Partido. Na prática, não têm liberdade de todo. Ao New York Times, o senador Gary Hart lembrou das primárias que disputou contra Walter Mondale, em 1984. Quando deu de ligar para cada superdelegado, teve de ouvir coisas como ‘adoraria votar no senhor mas minha mulher, que trabalha na prefeitura, perderia seu emprego’. É política desse jeito, mesmo. E, a não ser que o Partido se levante contra os Clintons todo ao mesmo tempo, coisa improvável, Hillary terá uma nítida vantagem se o desempate for nos superdelegados.
Acaso o improvável venha, bem, os Clinton ainda têm uma carta na manga. O Comitê Nacional do Partido Democrata cassou o direito de enviar delegados da Flórida e de Michigan. Hillary pode ir à Justiça cobrando que sejam reconhecidos.




