Para os padrões chineses, os números não impressionam: são 60 mortos nos últimos dias por conta das fortes nevascas que atingem o país. Mas outros números dão uma idéia do impacto. Até o momento, 1,8 milhões de pessoas tiveram que deixar suas casas nas 19 províncias atingidas; 223.000 casas foram destruídas e outras 862.000 seriamente danificadas; o prejuízo para o país, no momento, se conta em 54 bilhões de yuan – 13 bilhões de reais; é a pior crise climática em 50 anos.
Calhou de as tempestades chegarem justamente na semana de ano novo, quando gente de toda parte do país pega os trens para se reunir com a família. Com trens descarrilados ou impossibilitados de se mover, multidões se aglomeraram nas estações. O nível de frustração é violento – até porque, ver família de novo, só no ano que vem. A alta administração chinesa se viu obrigada a descer do pedestal, coisa rara, e se encontrar com o povo. Ministros e governadores pediram desculpas nos megafones num curioso ritual de humilhação; ontem, o presidente Hu Jintao passou simpaticamente em revista os trabalhadores de estrada que estão retirando neve.
O medo atual é impacto econômico. O aumento do preço de combustível e a falta de produtos como porco e carne, já vinha elevando a inflação chinesa ao longo de 2007, alcançando o nível recorde de 6%. Agora, teme-se que bata os 7%. No momento, a neve fez mais para gerar insatisfação popular num período de viagens do que qualquer outra coisa. Mas, se ela se estende, irá comprometer a produção de frutas e vegetais. Os preços de alimentos, diga-se, já estão aumentando até em cidades como Beijing, que não foram atingidas.
A última coisa que o mundo precisa, em 2008, é da China enfrentando uma crise econômica.




