Publicado em February 2008
A notícia mais fascinante da semana é a história das duas múmias encontradas no Mosteiro da Luz, em São Paulo. Uma delas, a mais bem conservada jamais vista no Brasil, tem algo como 200 anos. Estavam juntas as múmias das freiras, numa carneira – ou gaveta – na parede. Uma deitada em posição de enterro, a outra de lado, como que apoiando a cabeça contra o peito da mais antiga.
Diz a lenda que as freiras reclusas do mosteiro certa vez foram enterrar uma irmã, abriram a carneira para afastar os ossos da enterrada anterior, e ela estava intacta. Pode ser que a história contada há gerações tenha mesmo se confirmado. É uma pena que a versão online do Estadão não tenha trazido à rede aberta todas as excelentes reportagens de Sérgio Duran, publicadas na edição de ontem. (Internet que carece login e senha mediante pagamento não vale o link; apenas uma das matérias está aberta.)
Será possível aprender um bocado com as duas freiras. O líquido do corpo se foi, mas o resto do material orgânico ficou: pele, músculos, parte dos órgãos. De presto, será possível aprender sobre os hábitos alimentares daquela São Paulo miúda que existia no final dos mil e setecentos, pouco antes de a família real portuguesa chegar ao país. Dependendo da causa de morte – coisa que pode ser descoberta – talvez venhamos a saber algo sobre alguma epidemia. Já há historiadores buscando avidamente, nos arquivos das freiras reclusas que ainda hoje fazem as pílulas do frei Galvão, todas as pistas possíveis a respeito das identidades delas. E, como é quase certo que haja catacumbas no chão do mosteiro que já mostrou ter um clima adequado à mumificação natural, os arqueólogos já esperam encontrar outras múmias intactas.
Estes dois séculos nos separam de um Brasil em tudo diferente do atual – e a questão não é apenas de escala, de tamanho. Simplesmente não nos reconheceríamos naquela gente antepassada de muitos de nós. Naquela época, não eram apenas as freirinhas do Mosteiro da Luz que ficavam trancafiadas, sem contato com o mundo exterior. As boas casas das cidades escondiam também suas mulheres brancas. O casario colonial não tinha venezianas nas janelas e sim gelosias, treliças com minúsculas passagens para a luz. Não se via, da rua, o interior daquelas casas com pé direito alto. Quando as mulheres saíam era muito cedo de manhã, ainda escuro e em direção à missa, sempre acompanhando seu marido, pai ou irmão que caminhava à frente da fila de moças cobertas com mantilhas, sem mostrar um fio de cabelo. Levavam a cabeça baixa. Não havia namoro no Brasil do século 18. Havia as negras e as mulheres para casar. Ninguém confundia uma com a outra. A distância entre aquele Brasil e a Ipanema de hoje, com tanta pele exposta, é aterradora.
Nesse tempo das múmias, a Igreja tinha o poder que Bento 16 lamenta tanto ter perdido: ela ditava o que podia e o que não podia, ditava o ritmo da vida cotidiana. Acordava-se de manhã com os sinos da igreja mais próxima chamando para a missa – e era o sino, ao longo do dia, que marcava as horas. Todas as fases da vida recebiam a chancela da Igreja. Certidão de nascimento não havia, o que havia era batismo. O casamento não era civil, mas religioso. Os que tinham educação recebiam-na de padres. (Não raro, toda família de boa cepa fazia do segundo filho um padre.) Mas, apesar deste poder, não quer dizer que a relação com a Igreja fosse sempre tranqüila. Tanto paulistanos quanto cariocas expulsaram os jesuítas mais de uma vez de suas cidades. Padres que empatavam demais a vida eram hostilizados pela turba. (Mas todo mundo tinha medo de excomunhão.) A hipocrisia sexual era de regra. Como padres eram quase sempre os únicos homens com acesso às mulheres todas, não hesitavam em fazer proveito. Tinham filhos, não raro os registravam.
Havia hipocrisia, havia malícia, mas havia também um ser profundamente religioso. Vez por outra, aquelas meninas trancafiadas na pré-adolescência sentiam calores e piravam: falavam em línguas, viam Deus ou Jesus ou algum anjo, criavam fama de milagreiras e a piração pré-adolescente virava reclusão para a vida, dada a óbvia vocação religiosa. Eram meninas assim que iam parar em mosteiros como este, construído pelo único santo brasileiro. E são duas delas que nos vieram visitar.
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A primeira vez que ouvi falar de Mallu Magalhães acho que foi através do Bressane. Corri para MySpace da menina-de-14-anos-cantando-folk. De lá não saí mais. Um dos principais motivos para ter gostando tanto eu confesso que foi a completa falta de saco para menininhas cantando sambas e variações disso com ruidinhos eletrônicos, um lance que não me convence e passa sinceridade zero algumas vezes. Depois me rendi por afeição à sua música. Mallu canta e compõe folk, de violão e gaita em punho e é fruto dessa geração que aprende a navegar na internet antes de sair para ver o sol. Não precisou revisitar Cartola nem Nelson Sargento, ela gosta é de Bob Dylan, Johnny Cash e Moldy Peaches. Em dois meses suas músicas saltaram de pouco mais de uma centena de execuções para dezenas de milhares, foi capa dos principais jornais do país, matéria em TVs e muita, muita falação entre os entendidos do (blergh!) jornalismo de cultura pop. E nessa discussão (um tanto restrita a São Paulo, AINDA) sobre talento, assédio, expectativa (coisa covardemente cobrada de quem entrou nesse bonde sem pretensão alguma) resolvi ver de perto qual é a do hype, a apresentação que ela realizou nessa sexta no Studio SP.
As aspas vêm do blog do Rodrigo Levino, Adeus Columbus. E aqui vai a página da moça está no MySpace.
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O estudo mais interessante já feito a respeito da Wikipedia saiu. É obra da equipe do cientista Ed Chi, do respeitado Palo Alto Research Center, da Xerox.
Analisando o conteúdo da enciclopédia livre, descobriu que 1% dos editores são autores de metade da informação disponível nos verbetes.
O interesse de Chi é descobrir qual o mecanismo que mantém uma razoável qualidade na enciclopédia. O discurso popular é que quem entende de um assunto escreve um verbete. A colaboração de todos produz uma Wikipedia melhor. O discurso oficial é um pouco mais complexo. Há uma série de ‘robôs’, programas que vasculham a enciclopédia em busca de vandalismo, obscenidades e mesmo verbetes fora do padrão. Tais robôs alertam editores especiais, que mantém o site funcionando.
Nem o discurso popular, nem o oficial, explicam como a Wikipedia realmente funciona. Se 1% dos autores são responsáveis por metade do conteúdo, o resultado é um site profundamente hierarquizado. A hierarquia é nítida também no processo de edição. Aqueles que editaram mais de 10.000 vezes verbetes na enciclopédia incluem nela duas vezes mais palavras do que tiram dela; apenas os que editaram menos de 100 vezes tiram mais palavras do que põem.
A pesquisa de Chi procura compreender o processo colaborativo de produção de conteúdo na Internet. Ele entrou um cético na pesquisa. Ficou mais.
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Certamente não é possível avaliar um debate que não foi assistido; mas é possível coletar a análise de outros.
Do ponto de vista da Slate, Barack Obama mostrou o quanto cresceu nesta temporada de primárias. Fez um debate bem-humorado e irrepreensível. A Time deu para ele nota B+ e, para Hillary, B-. Algo como notas 8 e 7. Ambos estavam bem, Hillary pressionando, Obama sem vacilos gigantescos. O New York Times observa que Hillary procurou interromper o debate algumas vezes tentando sublinhar fraquezas na fala de seu adversário; e Obama, com humor, sempre se esvaiu.
Foi um empate, pois. O problema do empate é que ele favorece quem está na frente. A pergunta relevante, aqui, é: o que faz Barack Obama estar na frente? O que move seu eleitorado? Respostas que têm a ver com carisma se espalham pela rede. Bill Schneider, estatístico da CNN, faz uma análise dos números que tem em mãos e oferece uma resposta mais convincente: Obama tem mais chances de vitória do que Hillary. É isto que move o eleitorado democrata.
Numa eleição presidencial, Hillary levaria 35% dos votos dos eleitores independentes, que não se consideram nem republicanos, nem democratas; McCain levaria 52% destes votos. Se, no entanto, a disputa fosse entre Obama e McCain, a situação se inverte: 46% para Obama e 36% para McCain. Os votos republicanos e democratas, os candidatos de ambos partidos já têm. Por isto estes votos independentes são importantes. As pesquisas nacionais, apontando Hillary ligeiramente à frente de McCain e Obama a larga distância são publicadas semanalmente. E elas, afinal, parecem ser o argumento mais convincente para o eleitorado nestas primárias democratas.
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Três executivos da Mina de Carvão de Xinyao foram condenados à prisão perpétua, considerados culpados pela explosão que causou a morte de 105 mineiros em dezembro passado. Foi um julgamento rápido, à chinesa.
A mina de Xinyao estava produzindo o dobro do que era autorizada. Além das jazidas autorizadas pelo governo, os administradores também mantinham túneis clandestinos que alcançavam lençóis subterrâneos de carvão mais inseguros.
Simon Elegant, correspondente da Time na China, observa:
O preço do carvão aumentou 20% no ano passado e isto é incentivo para que os donos de pequenas minas passem ao largo da regulamentação. (As minas grandes, estatais, têm um histórico de segurança quase respeitável.) O país está desesperado por carvão, principalmente após as terríveis tempestades de inverno. Houve progresso em diminuir o número de mortes em minas, caiu 20% no ano passado para aproximadamente 4.000 oficialmente, embora a realidade deva ser bem diferente. Este progresso provavelmente não se repetirá este ano. Durante a crise, o governo se viu forçado a permitir que as pequenas minas – justamente aquelas nas quais os piores abusos ocorrem – reabram.
A questão energética é o ponto fraco do crescimento chinês. Ela é responsável por parte dos abusos de direitos humanos, é a principal fonte de poluentes e catástrofes ambientais, e é preponderante na política externa. Nos últimos dias, o cineasta Steven Spielberg renunciou ao cargo que tinha como consultor do espetáculo de abertura das Olimpíadas de Beijing. Era uma posição honorífica, mas a renúncia deixa o país mal. Spielberg protestou pela falta de interferência chinesa no genocídio em curso no Sudão. Nada mudará e por um motivo simples. Gilberto Scofield, correspondente de O Globo na capital chinesa, explica sucintamente: ‘A África é um continente que vem ficando cada vez mais sob a influência do governo chinês, que vê ali fontes alternativas e seguras de energia para seu crescimento assombroso.’
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Meu Virtua de 4 megas não aguenta streaming de vídeo vindo dos EUA… êita banda larga à brasileira.
Alguém com sorte?
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O último debate entre Hillary Clinton e Barack Obama antes da mini Super Terça-feira do próximo dia 4 acontecerá hoje. Nos EUA, a NBC o transmitirá. No resto do mundo, poderá ser acompanhado pelo site da MSNBC a partir das 23h (Brasília).
Hillary precisa vencer ambas as primárias, tanto no Texas quanto em Ohio. A história que as pesquisas contam é a seguinte: estão empatados no Texas, ela tem uma vantagem de cerca de 10 pontos em Ohio – mas está diminuindo.
O debate mostrará o que as pesquisas internas da campanha de Hillary indicam. Se elas dizem que bater em Obama frontalmente prejudicará sua imagem mais do que a do adversário, ela se conterá. Se dizem o oposto, ela partirá para cima. No último debate, Hillary foi uma graça. E, desde então, tem batido duro. Da última vez, vazou a imagem que circula na rede de Obama com roupas tradicionais de nômades somali. Se isto tem algum tipo de impacto, é difícil dizer. Mas uma coisa é vazar fotografias para a imprensa marrom e fazer críticas em discursos públicos que serão retransmitidas em trechos de 30 segundos pelos noticiários da noite. Outra é manter a agressividade por uma hora e meia, ao vivo, em cadeia nacional.
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No próximo domingo, os russos elegerão o discreto Dmitry Medvedev seu novo presidente. Homem de confiança do atual Vladimir Putin, Medvedev é uma incógnita. O período de transição durará dois meses e, em maio, Putin deixará o Kremlin. Mas isto é apenas pró-forma. Não é o que a população deseja e, na posição de primeiro-ministro, ele promete que continuará no comando de fato. Será?
Um dos truísmos correntes da análise de política internacional é que Putin sequer precisava flertar com a ditadura: seria eleito ainda assim. Isto é apenas parcialmente verdade. O atual presidente é o segundo que o país tem desde a queda da União Soviética e do regime comunista. Durante os anos 1990, o governo de Boris Yeltsin se mostrou caótico, corrupto, autoritário e incompetente. O desemprego atingiu níveis recordes, a moeda virou frangalhos, a máfia nascida do período de privatizações fraudulentas do espólio estatal pareceu dominar o cotidiano.
A narrativa corrente na Rússia é que Putin, o discreto e apagado homem de confiança de Boris Yeltsin, assumiu com punho de ferro e eficiência.
Domou os três canais de televisão que haviam e produziam jornalismo independente e produziu a venda dos principais jornais do país aos ricos que lhe eram leais. A Rússia, hoje, é um dos países mais perigosos do mundo para se exercer o jornalismo. Putin também partiu contra a autonomia dos estados, dividindo o país em grandes regiões administrativas governadas por homens ex-KGB, como ele. E como o novo Medvedev. Os governadores das províncias foram expostos a grandes investigações, assim como várias das empresas petrolíferas. As alegações eram de corrupção – e é possível que muitas fossem verdade. Nas mãos do presidente, no entanto, o combate à corrupção e transformou-se num método de livrar-se de qualquer oposição.
Recentemente, a paranóia do regime tem aumentando. Dominada a imprensa e as empresas, o governo partiu para fechar ONGs. As que existem são, como convém, dominadas pelo pessoal que foi KGB. O direito de assembléia, de se juntar em reunião, está suspenso.
Isto explica a mão de ferro. A eficiência se conta em números que o Kremlin gosta de apregoar. O crescimento anual médio do PIB, desde que Putin assumiu o poder, é de quase 7%. O orçamento já não é deficitário faz oito anos, o país é credor internacional, a inflação mínima e as reservas em moeda estrangeira forte são grandes. O desemprego, que chegou a 12% em 1999, desceu para 6% em 2006. Até 41% dos russos estavam abaixo da linha de pobreza em 1999. Em 2006, eram 14%.
Não bastasse a bonança econômica, a influência na vizinhança foi ampliada. A Primeira Guerra da Chechênia, desastrosamente lutada por Yeltsin, foi substituída pela Segunda Guerra da Chechênia, com mais soldados, mais armamento e menos notícia. O presidente russo voltou a dizer ‘não’ para seu par norte-americano – e, aparentemente, a ser encarado com respeito. A política externa, como nos tempos da União Soviética, tornou a ser baseada nos interesses russos e apenas neles. Ao cidadão comum, uma Rússia humilhada e pobre parece ter engrenado de volta ao caminho que merece.
Mesmo que houvesse imprensa livre, Vladimir Putin seria reeleito. E, na ausência de uma constituição que permita um terceiro mandato, que torne-se chefe de Governo como primeiro-ministro para um presidente feito rainha da Inglaterra.
Nada é tão simples, evidentemente. O sucesso do governo russo não vem da competência de Putin, muito menos de seu autoritarismo. O preço do petróleo vem subindo desde 1998. De 2002 para cá, o barril aumenta rápido de preço. E, conforme aumenta, ajuda a espalhar regimes autoritários que argumentam competência econômica. Mas, seja no Sudão, na Venezuela, no Irã ou na Rússia, é o petróleo e seus derivados que explica a bonança e o poder angariado nas relações externas.
A ‘competência’ do governo Putin, e sua intolerância para com corrupção, pode ser contada em outros números. No último ranking da Transparência Internacional, o país figura como o de número 143 numa lista de 179. O número 1 é o menos corrupto – e vai aumentando até o último. (Nesta lista, de 2007, o Brasil está em 72.) O conflito na Chechênia está menos noticiado do que nos anos Yeltsin, mas não menos brutal. O número de ataques terroristas aumentou. Num teatro em Moscou, em 2002, morreram 300 pessoas. Na escola de Beslan, 500. Tudo no governo Putin. O número médio de assassinatos por ano subiu de 30.200 para 32.200 do período Yeltsin para o Putin.
O regime está mais paranóico e repressivo e a ponto de mudar. O discurso corrente é este: Putin sai para continuar. Talvez. Mas que ninguém se surpreenda se o desconhecido Dmitry Medvedev fizer o mesmo que Putin fez com Yeltsin. Chega manso e, à moda russa, repentinamente assume o controle todo. Talvez não pareça mas, paranóico e repressivo, dependente do petróleo como vai, acumulando inimigos, o regime é instável.
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A semana passada foi importante para blogs. Na terça-feira, Joshua Micah Marshall, do Talking Points Memo, levou o George Polke Award, prêmio que a melhor cobertura jornalística de assuntos legais ganha anualmente, nos EUA. Não foi um jornal, não foi uma revista: foi um blog.
Marshall não fez pouco. Informado por leitores em vários cantos do país, percebeu que havia uma série de procuradores públicos sendo demitidos. Invariavelmente, eram procuradores que haviam aberto processos contra políticos republicanos locais. Não havia ninguém no jornalismo tradicional atento a estas histórias que eram, essencialmente, pequenas e regionais. E, isoladamente, pareceriam no máximo uma injustiça aqui ou acolá. Mas lendo a cobertura dos jornais pequenos em cada estado, unindo os pontos, Marshall percebeu um padrão. Havia um movimento discreto, partindo de Washington, para tirar do sistema judiciário qualquer um que atrapalhasse a máquina republicana de Poder.
Meses após as primeiras denúncias, por conta do escândalo, o ministro da Justiça Alberto Gonzales foi obrigado a renunciar. Ele trouxe um ministro abaixo. É a melhor ambição que alguém cujo trabalho é informar pode ter: causar impacto. Ao deixar algum assunto mais claro, melhorar de alguma forma a sociedade.
O blog TPM hoje, além de Marshall, conta com uma equipe de sete pessoas, cinco em Nova York, duas em Washington. Cobre política. Conta com 750.000 visitantes únicos por mês.
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E posto que a semana começa, entreguemo-nos a ela.
(A pedido do Saladino e do Whatever, com toda razão: saudações rubro-negras a todos. Rumo a Tóquio.)
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A revisa Foreign Policy publica em sua nova edição uma extensa pesquisa a respeito do estado das Forças Armadas norte-americanas. Os entrevistados são todos oficiais de Exército, Marinha, Aeronáutica e Marines.
A conclusão geral é que a pressão de duas guerras longas – sete anos no Afeganistão, cinco no Iraque – não permitem espaço para manobra. (Nos últimos cem anos, apenas a Guerra do Vietnã exigiu tanto tempo do exército dos EUA.) A maioria dos oficiais diz que as Forças não têm, hoje, como entrar num conflito com Irã ou Coréia do Norte.
Estrategicamente, para os EUA, é a incapacidade de se apresentar em um terceiro conflito seu maior drama. Uma crise militar no Irã, na Síria, na Coréia do Norte ou no Estreito de Taiwan – só para citar alguns exemplos – não é remota. Dentre os pesquisados, 80% consideram que não é razoável esperar que os militares tenham como entrar num terceiro conflito, qualquer que seja, hoje.
Dos oficiais questionados, 42% consideram que a Guerra do Iraque quebrou o braço militar norte-americano; 88% consideram que a guerra deixou o mesmo braço no limite de suas forças.
A relação com o comando civil é também um problema. 55% dos oficiais têm pouca confiança no Presidente da República e 16% deles não têm nenhuma confiança. Aproximadamente metade, 47%, confia em informações colhidas pela CIA. E 41% confia no Departamento de Estado, encarregado da diplomacia.
Quando perguntados a respeito de sua avaliação da frase ‘tortura jamais é aceitável’, 53% concordaram sem sombra de dúvidas. Mas 19% discordam também sem sombra de dúvidas.
Um dos pontos fracos das Forças é a incapacidade de atrair novos recrutas desde a base. O Exército sente, hoje, uma falta de 3.000 homens no cargo de capitão e, no futuro, isto deve afetar a qualidade dos generais. Para resolver a questão, 78% dos oficiais sugerem oferecer cidadania norte-americana a quem estiver disposto a encarar o serviço; 58% são favoráveis a diminuir o grau de escolaridade exigido; 38% querem reinstituir o alistamento obrigatório e 22% consideram que deve-se permitir que gays sirvam abertamente.
Na opinião de 40% dos oficiais, os EUA precisam de mais gente para vencer a Guerra do Terror.
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Hoje, no Oscar, um dos candidatos ao prêmio de melhor longa de animação é Persépolis, da iraniana Marjane Strapi. O filme nasce do álbum em quadrinhos de mesmo nome – que é uma beleza de livro. No Estadão, Flávia Guerra conta da moça:
Marjane nasceu em 1969, cresceu no Irã dos aiatolás, passou a adolescência ‘aprendendo’ a ser européia em Viena e hoje vive em Paris. Não foi a primeira vez que ela teve problemas com os governantes de seu país de origem. ‘Por que você não concede entrevistas aos veículos iranianos?’, perguntou um jornalista da rede árabe Al-Jazira, o principal canal de TV do Oriente Médio, em Cannes, quando Persépolis estreou mundialmente e recebeu o grande prêmio do júri. Ela, que é famosa por perder o amigo mas não perder a piada, disse: ‘Acontece é que sou perseguida. Minha família que ficou no Irã pode sofrer represálias, dependendo do que eu fale. Tenho de ser responsável quando se trata de um filme como este’. O repórter aceitou a explicação, mas, terminada a coletiva de imprensa, fez questão de apontar seu microfone para Marjane e discutir o filme em um serviço especial para o público muçulmano.
Você continua temendo represálias à sua família e evitando falar com a imprensa iraniana?, perguntou o Estado. ‘Sim e não. Sim, porque não voltei nunca mais. Nunca mais vi as belas paisagens do meus país. Mas é mentira que eu não fale com a imprensa. Simplesmente não quero falar com quem não me compreende e não entende que tenho profundo amor e respeito por meu país. Mas não concordo com a repressão e a perseguição, as torturas e as mortes que foram cometidas em nome de uma pretensa ordem, tanto política como religiosa. Tenho muita saudade, mas hoje meu lugar é na França. Por mim e pela minha família, que lá ficou. […]
Mas, afinal, quem é Marjane Satrapi? Quem é essa mulher bonita, de olhos felinos, que fala com as mãos, é extrovertida e sarcástica? Uma típica figura feminina que atrai e, ao mesmo tempo, espanta. Ela hoje é uma das mais influentes cartunistas, artistas e, claro, mulheres do cinema mundial. Enérgica e doce ao mesmo tempo. E usa toda essa energia, que por muito pouco não foi condenada a se esconder atrás do véu, para se revelar a própria metonímia de seu povo. Marjane era parte de um Irã que se indignava com o fato de uma garota poder ser presa por mascar chiclete e usar tênis All Star. É nesse cenário que começa sua história.
Na adolescência, Marjane Satrapi (que foi educada em colégio francês e leu todos os clássicos da cultura ocidental) queria o que toda garota de sua geração queria: andar na moda, ter um walkman, comprar discos, ir a festinhas com os amigos, beber, e, claro, namorar. Mas, em vez de arranjar, no máximo, uma briga com os pais por usar uma jaqueta que bradava Punk is not dead, seu visual punk (o máximo da modernidade nos anos 80), poderia levá-la literalmente para a cadeia.
O texto de Flávia é do tipo que dá prazer ler. Os quadrinhos – e agora, possivelmente, seu filme – são peças essenciais para compreender o Irã contemporâneo.
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Um de meus principais usos para o iPod são podcasts. Programas de áudio que o usuário assina e ouve quando lhe é conveniente. Alguns, semanais, não perco: On the media, de crítica à imprensa, e This week in tech, sobre as novidades da tecnologia na semana, estão entre eles.
Estes são programas que ouço inteiros durante as muitas viagens no metrô paulistano. Outros, no entanto, às vezes são longos demais e só um trecho, ou um assunto, interessam de fato. Uma nova patente requisitada pela Apple parece oferecer uma solução para o problema. O sistema permitirá que o usuário selecione trechos que quer ouvir de vários podcasts e os baixe num arquivo só.
O truque é um formato que permitirá aos autores de podcasts que mapeiem seus programas da mesma forma que DVDs são divididos em capítulos. A diferença é que na informação destes mapas serão incluídos detalhes a respeito do conteúdo de cada trecho.
Podcasts ainda não são tão populares quanto blogs – mas ainda o serão. É ouvir o melhor do rádio do mundo e mais uma penca de material produzido apenas para a Internet na hora que melhor convém.
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Inédito! Jamais feito! Jornal popular faz manchete com humor e jogo de palavras!
Inédito! Jamais feito! Pedro Doria fala de moças nuas em seu blog!
A blogosfera é o máximo =)
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Me parece óbvio que os EUA não podem lutar sozinhos por todas as questões de interesse do Ocidente. Assim, duas conclusões são possíveis. Uma é que não há qualquer interesse ocidental na região, aí não lutamos. Outra: há interesses do Ocidente, então temos que lutar. Quer dizer, precisamos de mais tropas da OTAN no Afeganistão. A esta altura, no ano que vem, teremos um novo governo nos EUA. É aí que descobriremos se o governo Bush era a causa ou o álibi dos desentendimentos entre Europa e EUA. Hoje, muitos europeus se escondem atrás da impopularidade de Bush. E seu governo realmente cometeu muitos erros no início.
Você sempre pode dizer que há uma guerra diferente que era mais importante do que a guerra na qual está envolvido. Mas o que quer dizer que deveríamos lutar a guerra no Paquistão? Deveríamos usar poder militar nas regiões tribais e conduzir operações numa região que o Império Britânico não conseguiu pacificar nem em 100 anos de colonização? Deveríamos usar o poder militar para impedir que os radicais tomem o poder paquistanês? Devemos impedir que o Estado paquistanês se parta em três ou quatro grupos étnicos? Não creio que tenhamos capacidade para tal.
Não acordamos um dia de manhã e decidimos que seria lindo conversar com Mao. Tanto eu quanto Nixon acreditávamos que era preciso trazer a China para o sistema internacional. Tentamos relacionar realidade e considerações morais. A realidade foi mudada pelas tensões entre China e União Soviética. Alguns acreditam que só a conversa já é capaz de aliviar tensões. Eu acredito que, para as negociações terem sucesso, elas precisam antes refletir a realidade. A principal dúvida a respeito do Irã é se o país se vê como uma causa ou como uma nação. Se o Irã deseja ser um Estado-nação respeitado sem desejar dominação imperial ou religiosa, então algum tipo de entendimento é possível. Mas isso não será possível se o Irã encarar o momento como uma oportunidade histórica para fazer renascerem os sonhos da glória persa.
Henry Kissinger, fevereiro de 2008
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A Igreja Universal tem planos de lançar um jornal diário de circulação nacional ainda este ano. Já há contratações feitas e redação sendo montada. Assim como acontece nos casos dos noticiários da Rede Record, não será um jornal religioso, mas de interesse geral. Se o projeto correr de acordo com seus planos, terá ampla circulação e concorrerá de frente com os principais jornais do país. (A Folha Universal, que é gratuita e semanal, distribui 2 milhões de exemplares por edição.)
Esta não é uma informação particularmente nova mas andava restrita aos meios jornalísticos.
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