O senador Barack Obama conseguiu uma vitória fenomenal, ontem, na Carolina do Sul, ao conquistar 55% dos votos válidos, o dobro de Hillary Clinton – 27% –, que chegou em segundo lugar. Com esta vitória, Obama passa Hillary na contagem de delegados ganhos em todas as prévias disputadas até agora – tem 38, contra seus 35.
Enquanto, nesta terça-feira, os republicanos disputarão as primárias da Flórida, os democratas terão até a Super Duper Terça-Feira, no dia 5, para se mexer.
Não é, a princípio, uma surpresa que Obama tenha vencido. Há muito voto negro, naquele estado. Mas é uma surpresa a diferença – assim como surpreende, na reta final, a crescida que John Edwards deu. Não chegou a ultrapassar Hillary, mas assustou.
A Carolina do Sul deixa duas mensagens para os eleitores e políticos do Partido Democrata. A primeira é um sinal de que a campanha de Hillary Clinton errou a mão na estratégia. Ao longo da última semana, Bill Clinton baixou o cacete em Obama, os Clintons distorceram suas falas, bateram sem piedade. A tática do tudo vale para a vitória não apenas naufragou como surtiu efeito contrário. Hillary é uma candidata forte. Mas, para vencer Obama, precisará de uma nova estratégia.
A segunda mensagem é a respeito do eleitor do sul. Obama recebeu votos de negros, em maioria, mas também de metade dos eleitores brancos. Ao mesmo passo, Hillary foi rejeitada por um bom naco. Como os eleitores dos estados da Super Duper Terça-Feira interpretarão este resultado é um mistério. Mas a dificuldade do candidato a presidente democrata não será vencer na Califórnia ou em Nova York. Al Gore e John Kerry venceram estes estados. A dificuldade é vencer em estados como a Carolina do Sul, que tipicamente ficam do lado republicano. É roubando estados do outro partido que se vence a presidência. Se até os eleitores democratas do Sul votam contra Hillary, como sua candidatura será aceita pelos republicanos?
Pode ser uma leitura apressada. O Sul, assim como o Norte, já demonstrou nas pesquisas falta de paciência para com os erros da política externa de George W. Bush. E o Sul, mais pobre, é onde mais se sofre com os revezes econômicos que os EUA enfrentam – fruto da incapacidade administrativa do atual governo. Então, talvez não importe quem é o candidato democrata. Vencerá pelo desejo de mudança. E Hillary pode dizer que, no governo de seu marido, a conduta econômica foi extremamente competente. Porque foi mesmo.
Fato é que a Carolina do Sul parece dizer que o Sul prefere Obama. E o senador acaba de receber o apoio de Caroline Kennedy, a filha viva de John Kennedy. ‘Um presidente como meu pai‘, ela diz. O primeiro com chances de ser como ele desde seu assassinato. É o tipo do apoio que repercute nos EUA. Foi um bom dia para o senador de Illinois. Mas a batalha está longe de ser ganha. E, não custa lembrar: Bill Clinton é o mais talentoso político em campanha de sua geração. A briga não tem nada de fácil.






36 Comentários até agora ↓
1 aiaiai // 27/January/2008 às 11:44
Não chega a ser mais emocionante do que o movimento dos mercados financeiros, mas é um bom duelo para ser acompanhado. Até que eu estou gostando. No final, acho que vai dar Hillary, mas vai ter que se comportar melhor.
2 Piotr Kropotkine // 27/January/2008 às 12:16
a benção dos Kennedy é que vai dar muito jeitu…..
3 Piotr Kropotkine // 27/January/2008 às 12:19
a benção de Martha’s Vineyard…do jet 9 …..
4 nowasky // 27/January/2008 às 12:56
Para quem fala inglês, este site é otimo para conhecer melhor os candidatos americanos:
http://www.votebyissue.org
5 Mr X // 27/January/2008 às 13:07
Keneddy morreu assassinado por um comunista… :-( Obama poderia ser assassinado por um fanático muçulmano
6 Monsores // 27/January/2008 às 13:26
Piotr,
Pensei o mesmo que você. A benção de um Kennedy me assustaria também. Imagina?
ô familia malfadada.
7 Zé Bush // 27/January/2008 às 14:09
well….
“Eu quero um presidente que assuma sua responsabilidade de promover uma idéia e que incentive os outros a alcança-la. Que mantenha-se, e todos que o cercam, no mais alto padrão ético. Que incentive as esperanças de todos que ainda acreditam no sonho americano, e a todos no mundo que acreditam no ideal americano. Que inspire nosso espírito e nos faça acreditar novamente que nosso país precisa da participação de cada um de nós.”
well…..that’s it.
8 Leila // 27/January/2008 às 14:35
O artigo está bonito e vai convencer muita gente a votar no Obama.
Desde o ano passado eu venho dizendo que ele pode ser o herdeiro de John Kennedy. A opinião da Caroline não deixa dúvidas. A viúva de Bobby também já tinha declarado apoio a ele em 2007.
9 Cristiano // 27/January/2008 às 14:46
Podem apostar:
Vai dar Obama aos 47 do segundo tempo, 3X2.
Depois, McCain vai desistir da disputa, Obama vai sofrer um atentado e vai sobreviver para se tornar o primeiro presidente negro dos EUA!
10 Dino // 27/January/2008 às 15:01
Peninha que o buchinho não possa se rereeleger… Assim aquela bosta afundava de vez… Só uma perguntinha: Quem falou que o Obama é negro? Perguntem para os negros americanos. O cara é mestiço filho de um queniano que estudou na melhor universidade estadunidense e de mãe branca de classe media alta, usa a cor da pele como recurso de mídia para se aproximar das minorias, que diga-se de passagem cagam e andam para isso.
11 Mr X // 27/January/2008 às 15:30
Benção dos Kennedy? Se eu fosse o Obama mandava fazer uma macumba. ;-)
12 Direto do Kibutz // 27/January/2008 às 15:48
Bom, se Obama for um presidente como Kennedy, recomenda-se não visitar Dallas…
13 Direto do Kibutz // 27/January/2008 às 15:50
Dino, o antiamericano… Vai ter uma velhice muito triste…
14 Monsores // 27/January/2008 às 15:56
Direto do Kibutz,
Todo anti-americano terá uma velhice muito triste ou só o Dino?
Pode me explicar o porquê?
Não há quaisquer sinais de sarcasmo na minha pergunta, é que eu gostaria de entender mesmo. Aliás, eu não sou anti-americano.
15 mariantonieta // 27/January/2008 às 16:22
Ai ai ai, por falar em mercado financeiro. Prova da decadencia do capitalismo: “Os Bancos Centrais do Mundo não tinham a menor idéia do que um nerd border line francês, Jérôme Kerviel, de 31 anos, fazia (e quantos outros fazem ?), quando garfou US$ 7 bilhões de um dos maiores bancos do mundo, o Société Générale.
. Kerviel chegou a negociar US$ 70 bilhões.” Blog PHA
O sistema financeiros está descontrolado.
Quantos Kerviel deve ter por aí fazendo miserias e produzindo miseráveis.
16 Marcos Araujo // 27/January/2008 às 16:41
Repito aqui: Com ajuda Bill Clinton (nefasta, por sinal) e o escambau, a Hillary nao leva, nem a candidatura democrata e tampouco a presidência. O candidato democrata sera o Obama, mas duvido, e muito, que seja eleito presidente. O John McCain, se eleito candidato do partido republicano, tem muita chance de bater o Obama na reta final.
Nao se pode dar o partido republicano vencido nesse pa’reo. O eleitor americano, em geral, ainda é conservador. Nao acredito que a maioria esteja ja’ pronta para eleger uma mulher ou um negro ‘a presidência do pai’s. E o McCain, apesar de meio velhinho, tem muito cacife - experiência, sabedoria e seriedade.
17 Dom Casmurro Patriarca // 27/January/2008 às 16:54
Eu cheguei à conclusão que esse pessoal que “ama” os Estados Unidos forma uma espécie de religião, parecida com uma seita evangélica.
Como dizem os evangélicos que “quem não se entrega a Jesus vai pro inferno”, os americanistas dizem que “quem for anti-americano vai ter uma velhice triste.”
Não deixa de ser interessante.
18 Microempresário // 27/January/2008 às 18:38
Dom Casmurro, quem se dedica muito a odiar alguma coisa, fica com o coração amargo. E uma velhice amarga e amargurada é triste.
Vale para quem odeia os EUA, quem odeia o Lula, quem odeia o FHC, quem odeia os tucanos, quem odeia a Britney Spears.
19 Chesterton-Dracul- El Cid // 27/January/2008 às 19:11
A vitória de Obama ontem na South Caroline pode tornar-se numa vitória amarga, muito amarga. Como já bem referiu a Maria João Marques, o landslide de Obama deveu-se ao enorme apoio da comunidade negra daquele estado. Para os interessados, o NYT mostra todas as estatísticas da eleição. Mas convém perceber como é que esta eleição polarizou-se desta forma.
No momento do anúncio da sua candidatura, Obama foi louvado pela forma como se apresentou como candidato ao cargo de presidente. A race card, parecia que não seria utilizada. Foi unânime que esta forma de Obama se apresentar, demonstrava uma evolução. A política americana parecia preparada para um debate a sério de ideias. Porém, as coisas não tiveram bem este rumo.
Bastaram dois comentários. Hillary Clinton lembrou que o sonho de Martin Luther King foi realizado apenas em 1964 com a aprovação pelo congresso do Civil Rights Act do Presidente Lyndon Johnson. Bill Clinton, interrogado sobre o record de Obama, ousou afirmar o que muita gente já percebeu e muitos se recusam a ver. Acreditar que Obama é o new man in Washington, com um record impecável e sem posições passadas a explicar, é de facto “the biggest fairy tale I’ve ever seen“. De forma subtil, a campanha de Obama começou a jogar a race card. Acusou de imediato Bill Clinton de ser “racially insensitive” pelos comentários que fez. Discretamente, a vitimização do candidato iniciou-se. Ao mesmo tempo, Hillary Clinton era alvo de uma campanha de mails nas hostes de Obama, a propósito do seu comentário sobre Luther King. Uma simples nota histórica tornou-se numa intensa troca de acusações entre as campanhas de ambos os candidatos.
Clinton está bem longe de ser a candidata perfeita neste tipo de jogos. Quando estava em apuros, a sua actuação em New Hampshire valeu-lhe a vitória naquele estado. A gender card foi utilizada, e muito bem utilizada. Clinton está onde está, em grande parte pelo papel que desempenhou.
Confesso que me regozijo com o nível a que a luta pela nomeação democrata chegou. Acusam-se os republicanos, e em particular Karl Rove, de serem os únicos a jogarem sujo na política presidencial, quando as suas próprias campanhas rebolam na lama. A campanha de Obama não hesitou nesta última semana nos comentários e Bill Clinton foi o emissário especial na SC, enquanto que a sua mulher fazia campanha por outros estados. Chegou-se ao ponto em que o democrata que mais unia o Partido Democrata tornou-se, nem mais nem menos, no responsável pela amplificação da polarização que a campanha de Obama iniciou. Os resultados estão há vista de todos. Obama teve a sua vitória por landslide, à custa da sua própria estratégia de polarização racial. Clinton não se pode queixar. Agora que a race card foi utilizada, os próximos estados vão tender a responder a tal. Com um enorme grupo de hispânicos prestes a votar, a campanha de Clinton parece estar a rumar para boas águas. À custa de Obama e do seu fairy tale.
http://www.atlantico-online.net/blogue/
20 Chesterton-Dracul- El Cid // 27/January/2008 às 19:14
é do blogue atlantico, não consigo dar o link
21 Luiz // 27/January/2008 às 19:17
Mais importante ainda que o apoio da Caroline Kennedy é o apoio do Sen. Ted Kennedy, que por ter um retrospecto de apoio aos imigrantes ilegais pode ter sua imagem usada muito efetivamente entre o eleitorado hispânico, onde hoje a Hillary domina.
22 Luiz // 27/January/2008 às 19:30
Chest, veja a pesquisa na íntegra no site da CNN. Lá mosta que o Obama foi apoiado por 24% do eleitorado branco de South Carolina, mas venceu na faixa etária de até 29 anos com 52%.
Ou seja, o apoio dele entre os brancos não foi desprezível.
Ia esquecendo: quem venceu na faixa entre 30 e 59 anos foi o Edwards, não a Hillary. Ou seja, a maioria dos brancos rejeitou a Hillary, que só chegou em segundo por teve 17% do voto dos negros.
23 Dom Casmurro Patriarca // 27/January/2008 às 19:49
Microempresário,
bem jovem ainda eu descobri que guardar rancor faz mais mal à própria pessoa do que a quem o rancor é dirigido.
Por incrível que pareça, eu descobri isso sozinho, observando algumas pessoas da minha convivência.
Depois tomei conhecimento da frase de Shakespeare: “Guardar rancor é como tomar veneno e esperar que o outro morra.”
Com toda sinceridade, eu não guarda rancor de ninguém, tenho ressentimento ou inveja. Para mim isso é pura perda de tempo.
Mas eu realmente acho interessante como certas pessoas chegam a “torcer” para os Estados Unidos em detrimento do Brasil.
Inclusive eu acho que aí tem um pouco de masoquismo.
24 thiago // 27/January/2008 às 20:41
Não tenho pitaco para dar, apenas uma pergunta: Será que não foi um erro de estratégia da campanha da Hillary colocar tão em evidência o ex-presidente? Uma marca de presidentes populares lá é o pulso forte. A impressão que eu tenho (como leigo que sou) é que ela não tem força suficiente para ser a comandante-chefe. Sei que seria ingenuidade acreditar que ela governaria sem a presença do marido, Mas ao que parece ela só é candidata de fantoche do Bill. Mal comparo essa campanha com a recente nos hermanos. Lá a Cristina Kichnner sempre se demonstrou capaz de, por ela mesmo, manter o país. A Hillary tem demonstrado o contrário. Aquela malfada lágrima que em um primeiro momento a ajudou a ganhar votos de mulheres americanas está se transformando em prova de fraqueza, não de errr “humanidade”.
25 Chesterton-Dracul- El Cid // 27/January/2008 às 23:48
o que eles dizem é que, uma vez a carta racial tendo sido jogada, as coisas tendem a piorar para Obama.
Ao contrario do Brasil, se fazer de coitado não agrada ao elitorado de lá….vamos ver.
26 Brancaleone // 28/January/2008 às 0:45
Eu tô falando já faz tempo…
Obama não é nome de presidente americano…
Eles vão acabar mesmo elegendo a corna…
27 Rachel // 28/January/2008 às 8:21
Continuo torcendo pela família Clinton.
E Brancaleone tem razão: Obama não é nome de presidente dos gringos. Imagina a lista dos nomes de presidentes q as crianças tem que decorar? Ia ficar mto bizarra…
28 Rachel // 28/January/2008 às 8:25
Dino, comment 10:
Só uma perguntinha: Quem falou que o Obama é negro? Perguntem para os negros americanos. O cara é mestiço filho de um queniano que estudou na melhor universidade estadunidense e de mãe branca de classe media alta, usa a cor da pele como recurso de mídia para se aproximar das minorias, que diga-se de passagem cagam e andam para isso.
Esse é um pto importante.
29 Jåµë§ ßønd™ // 28/January/2008 às 10:56
-= Será que teremos o primeiro presidente estadunienese assassinado em nossa geração?
Todas tiveram o seu.
30 Mr X // 28/January/2008 às 10:58
Dino,
Quanto racismo… O Obama é menos negro do que os “negros puros”?
31 Jåµë§ ßønd™ // 28/January/2008 às 11:00
-= Ainda aposto minhas fichas na corna mansa.
Precisamos de um líder democrático que saiba tomar na bunda e manter a calma…
Claro, isso não quer dizer que eles devem eleger o Ricky Martin.
32 Jåµë§ ßønd™ // 28/January/2008 às 11:01
-= @Mr. X:
Bom ponto colocado.
Uma sobrancelha minha semicerrou ao ler alguns desses comentários.
33 Dino // 29/January/2008 às 0:53
Não mr. Cheese, não é menos negro, simplesmente não é negro, não importa a cor da pele do cara, devido a ser caucasiano, se eu tomar bastante sol ficarei com a pele mais escura que a dele e isso não irá me transformar em um negro, ele não sabe o que é ser negro, ele não entende a língua dos negros, não sabe os gestos dos negros, não viveu vida de negro, não teve os antepassados violentados pela escravidão e se tentar imitar algo disso, sai caricatura e vai tomar porrada. Entendeu ou quer que eu desenhe?
34 Dino // 29/January/2008 às 1:01
James Bunda, está na cara que você é a pessoa certa para tomar na bunda e manter a calma… Você é o líder democrático das borboletas reaças…
“Precisamos” de um líder democrático…
- O baba ovo se acha yanque.
35 Donald // 29/January/2008 às 2:49
A família Kennedy vai apoiar Obama? Bush apoia a família de Osama…
36 Bernardo Caicedo // 29/January/2008 às 7:58
incrivel que a midia ainda leve a serio esse negocio de eleição… qualquer presidente em qualquer lugar é so um fantoche das corporações. democracia, concressso, eleições..façam-me o favir
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