Preso desde 2003 na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (RS), o ex-agente do serviço de inteligência do governo uruguaio Mario Neira Barreiro, 54, disse em entrevista exclusiva à Folha que espionou durante quatro anos o presidente João Goulart (1918-1976), o Jango, e que ele foi morto por envenenamento a pedido do governo brasileiro.
Jango morreu em 6 de dezembro de 1976, na Argentina, oficialmente de ataque cardíaco. Ele governou o Brasil de 1961 até ser deposto por um golpe militar em 31 de março de 1964, quando foi para o exílio. À Folha Barreiro deu detalhes da operação da qual participou e que teria causado a morte de Jango. Segundo o ex-agente, Jango não morreu de ataque cardíaco, mas envenenado, após ter sido vigiado 24 horas por dia de 1973 a 1976.
A operação que levou ao assassinato de Jango, informa o ex-agente, foi executada pela inteligência uruguaia com financiamento e acompanhamento da CIA. O mérito do furo que, se confirmado, é bem mais que histórico, cabe à repórter Simone Iglesias.
Se Jango foi de fato assassinado, volta à tona a hipótese de a Ditadura, que estava iniciando o processo de abertura, ter providenciado a morte dos três grandes líderes da política brasileira do tempo. Além de Goulart, também Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda. A hipótese de triplo assassinato já foi tema de um livro, um quê romanceado, de Carlos Heitor Cony.




120 Comentários até agora ↓
1 Fabio Negro // 27/January/2008 às 17:26
Estava discutindo sobre JFK - A Pergunta Que Não Quer Calar justamente hoje.
O cara tava me explcando porquê essas conspirações são impossíveis, que é besteira e tal.
Mas o padrão seria mais ou menos o mesmo, em uqe a ordem sai do alto escalão, mas sem forma de ordem (”faça o que é preciso fazer”), e passar por um, por outro, por outro, e no fim não restam provas documentais a respeito.
Não justifica nem aquele filme nem essa reportagem, mas é interessante.
Como prová-la, não é?
2 proftel // 27/January/2008 às 17:40
Sei não, é bem provável que tenha sido assim.
Escutei de pessoa amiga e que viveu as coisas que o Juscelino foi prô saco por conta d’um tiro que deram na cabeça do motorista, o kra perdeu o controle e bateu num ônibus, o resto todo mundo sabe, o opalão pegou fogo.
Se é verdade não sei mas, há outras histórias por aí, aquela do teco-teco do Castelo Branco até hoje tá mau contada.
Bom, foram dias de chumbo prá tudo quanto é lado, vai saber.
3 proftel // 27/January/2008 às 17:42
E não é difícil que esse Mario Neira Barreiro seja o próximo, se bobear “suicidam” ele.
4 Chesterton-Dracul- El Cid // 27/January/2008 às 17:46
JFK foi morto a mando de Fidel castro? Oswald foi fazer o que em Cuba meses antes doassassinato?
5 HRP Mané Reloaded // 27/January/2008 às 17:51
O Dr. Sergio Paranhos Fleury……grande monstro …..que Deus o ilumine lá aonde está….que na próxima ele melhore um pouco….matou dezenas!
XÔ….espirito mau!
6 Chesterton-Dracul- El Cid // 27/January/2008 às 18:01
http://junkscience.com/blog_js/2008/01/25/bono-confesses-sins-to-father-al-gore/
só para o PD.
7 Chtosreten-Daucrl-Ei Cld // 27/January/2008 às 18:13
Jango foi morto a mando de ETs…
8 Alba // 27/January/2008 às 18:15
Eu li a reportagem da Folha que, se o depoimento do cara realmente conferir, tem mesmo importância histórica.
No entanto, tenho algumas dúvidas sobre o grau de ameaça que Jango poderia representar para a ditadura, em 1976.
Afinal, o “milagre econômico” tinha acabado e Geisel via-se às voltas com as primeiras crises do petróleo que, entre outras coisas , comprometia a possibilidade de mais empréstimos generosos como no tempo do milagre.
Mesmo assim, a movimentação contra a ditadura não incorporava, naquele momento, as velhas lideranças e sim, estudantes e sindicalistas, com destaque para os metalúrgicos do ABC, que exercerão pressão notável em 1979.
Daí, por que a ordem para matar Jango?
9 HRP Mané Reloaded // 27/January/2008 às 18:22
Alba…..precisa haver coerencia quando pessoas tresloucadas e obsecadas por violencia são guindadas a postos de poder?
Tudo que cheirava a possiveis problemas devia ,e ou, podia ser eliminado….não havia muitos escrupulos no DOICOD…….certo?
Que o diga a familia de Vladimir Herzog!
Nessa época o chefe do SNI ainda era João Baptista de Oliveira Figueiredo…..pessoa boníssima!
EEEEEEEE
10 Microempresário // 27/January/2008 às 18:31
Concordo com a Alba. Perto de Juscelino ou Carlos Lacerda, Jango não era grande coisa. Nem em carisma, nem em popularidade, nem em capacidade política.
Mas era um símbolo, incômodo para alguns.
11 Hugo Albuquerque // 27/January/2008 às 18:37
Sinceramente, a morte de Jango, JK e Lacerda quase que no mesmo período foi no minímo estranha.
Não creio que Jango voltasse a ser presidente, mas certamente acabaria eleito deputado ou coisa que o valha; Era um símbolo para muitos e não creio que os militares quisessem que símbolos como ele e os outros dois estivessem vivos num cenário de anistia e abertura política.
12 mariantonieta // 27/January/2008 às 18:41
Depois do que sabemos da operaçao Condor, disponiblizado pelo próprio governo americano, nao é mais nem questao de prova é questao de fé. Alias, no documentário americano sobre a tortura em Abu Graid(prisão Americana situada nos arredores de Bagdá), uma das técnicas de tortura, segundo um dos entrevistados, era de autoria dos militares brasileiros.Know how brasileiro.
13 proftel // 27/January/2008 às 18:53
Meio ofitópiqueando, há 13 parlamentares brasileiros presos na Antártida por conta do mau tempo, por mim não precisam voltar não, deixa os kras por lá, como picolé.
hehe.
Olha, alguém aí se lembra d’um tal de Stálin?
Intão, se não me engano ele mandou prô saco um dissidente que morava no México.
Já não oferecia perigo e assim mesmo dançou.
Outro foi morto por milicos chilenos nos EUA se não me engano.
Alba, por nada não, o ódio era visceral, se bobear a hora que alguém da esquerda achar o tal de Cabo Anselmo ele também dança (se é que já não foi, faz tempo que não falam dele).
14 mariantonieta // 27/January/2008 às 18:54
O que os motivou foi o se…. e se Jango tiver cacife politico para ser eleito presidente ? Eles iriam promover outro Golpe? Quem da direita teria força politica para enfrentar jango, juscelino em uma contenda eleitoral? Melhor não arriscar uma nova Cuba no quintal americano!
15 Brancaleone // 27/January/2008 às 18:56
Pronto.
Agora o PD f… tudo!!
Dá para ouvir daqui a turminha dos MR8, Val Palmares, Ligas Camponesas e PCdoB se agitando e uivando: “eu sabia”, “eu sempre soube”, “queimem a bruxa”. Todos eles morrendo de saudades dos tempos em que tavam doidinhos para meter a mão no poder.
Lá vem aquelas estórias de conspiração e tudo mais.
Já vejo os comunistas brasileiros - que fugiram todos para Paris na ditadura, já que não eram burros de irem para Cuba… - correndo para procurar aquelas fotos amareladas que tiraram em Ibiúna, ao lado do Zé Dirceu…
Este post vai render. Vai ficar como aquele lá da tortura, onde os que se enganaram no passado vão querer dizer que não estavam tão errados quanto estavam.
Vou até descansar, desembrulhar as armas, localizar meu crachá do DOI-CODI e ligar para meus amigos da OBAN…
16 mariantonieta // 27/January/2008 às 18:56
Milicos chileno da era Pinochet de esquerda rsrsrsrsrsr. Conta outra piada!!!
17 Hugo Albuquerque // 27/January/2008 às 18:57
Proftel,
O Pinochet e o Stalin matavam não somente dissidentes, matavam também os aliados que eles achavam que podia lhes ameaçar o poder em algum dia, isso pra ficar nos exemplos ocidentais. Numa boa, é questão de se investigar, mas se for compravado mesmo, não é nenhuma novidade.
18 mariantonieta // 27/January/2008 às 18:59
Nao precisa a Justiça italiana já esta julgando os envolvidos na Operaçao Condor. E parece que a Francesa vai aderir. Nao é nada, nao, nao é nada, nao, mas ADEUS PARIS, VENEZA, BARCELONA, ENFIM, EUROPA.
19 Brancaleone // 27/January/2008 às 19:03
Pois olha, se o assassinato de Jango evitou uma nova Cuba no quintal americano, ele é um herói e sua morte foi muito melhor para o Brasil. Jango, vou achar uma estátua sua e depositar flores. Com sua morte evitou que ficássemos anos e anos debaixo do tacão russo para depois ficarmos nas mãos de um velho senil e meio carcomido. Tacão por tacão, que sejam os americanos. O Domínio deles é na base da Intel, do Windows, da Ford, etc. etc. etc.
20 A. Wasserman // 27/January/2008 às 19:04
Não acho que esses três foram assassinados, mas essas histórias (e teorias conspiratórias) rendem bastante, claro.
http://execoutcomes.wordpress.com/2007/12/02/the-mystery-of-marina-oswald/
21 surfando na jaca mal lida // 27/January/2008 às 19:06
O retorno à legalidade democrática, que reuniu as articulacões de uma frente ampla ameacava um abertura que não queria perder a sucessão militar, como resultou na prisão do gen. Bentes.
Curiosamente, três figuras carismáticas da política nacional morrem de forma estranha e na mesma época. Juscelino, que contam já ter sido vítima de uma tentativa de atropelamento; João Goulart, que a família não permitiu a exumacão para autópsia por suspeita de envenenamento; e o desgracado do Lacerda, internado por problemas de pressão, sai morto. Bem feito, tantas fez que não sobrou migalha da ditadura para ele. A notícia vem somar mais uma possível evidência ao que se supunha. Alguém pode me esclarecer essa resistência da família de Jango?
22 Capitalista // 27/January/2008 às 19:11
O golpe de 64 tinha como principal objetivo impedir a vitória de Juscelino na eleição que se aproximava, o perigo comunista era só para enganar a população quanto aos verdadeiros motivos.
23 proftel // 27/January/2008 às 19:13
Mariantonieta, seguinte, em momento algum falei em “Milicos chileno da era Pinochet de esquerda”, procure se informar, o caso é verdadeiro, o FBI entrou na parada e o chileno que matou o dissidente foi preso, o caso é público e notório.
Não estou com saco de googlar agora só prá ensinar, vire-se e procure saber um pouco mais da história.
Minha memória falha em nomes e datas, lembro o caso.
A maioria dos comentaristas aqui está na casa dos “enta” e sabe o que rolou.
Da próxima vez não entre de sola, pega mal pacas.
Se o que você conhece do período se limita ao veiculado em documentários tá laskada.
24 Alba // 27/January/2008 às 19:14
Mané,
Sem dúvida, a lista de barbaridades da ditadura é grande. Torturou-se bastante e com auxílio técnico da inestimável Escola do Panamá, nos EUA - dia desses saiu um artigo, não me lembro se no New York Times ou outro, falando sobre essa escola , que continua existindo, mas quer apagar de alguma forma o passado - ou seja, o fato de ter sido centro de treinamento para torturadores recrutados entre as polícias da América Latina. O filme “Estado de Sítio”, de Costa Gavras, mostra bem como era o funcionamento da tal escola..
Porém, o último torturado e morto notório, foi Vladimir Herzog, em 1975. A partir daí, por conta da repercussão negativa do “suicídio” em quem ninguém acreditava , houve ordens no sentido de abrandar as condições nas prisões também porque passaram a haver pressões internacionais, como a visita da primeira-dama dos EUA, mulher de Jimmy Carter, cobrando respeito aos direitos humanos.
Claro que havia uma ala do Exército que era rebelde, a linha dura e saiu com ações como incendiar bancas de jornais que vendiam jornais alternativos, desembocando no felizmente fracassado atentado do Riocentro.
Mas no geral, as condições de permanência da ditadura já tinham começado a se dissolver, daí a dúvida sobre a necessidade de matar Jango.
O Micro tem razão, JK e Lacerda eram bem mais impressionantes e mobilizadores que Jango, mas também, e aí o Hugo pode estar certo, os militares podiam ainda estar raciocinando em termos de passado e porisso, a necessidade de eliminar um símbolo.
25 Fabiano // 27/January/2008 às 19:15
Em 1976 Jango representava sim um risco à ditadura, e muito grande. O MDB vinha crescendo bastante, desde que “papou” as eleições de 1974, e o governo foi obrigado a aceitar uma abertura política. Mas claro que não ia ser tão simples. O medo de que as lideranças pré-64 retornassem pesava muito sim.
E Jango era popular nos anos 60: foi eleito vice de JK e de Jânio. Talvez tivesse perdido um pouco de força logo antes, muito por causa dos protestos dos conservadores, mas quem garantia que depois de 12 anos de ditadura o povo não poderia olhar para ele de outro jeito?
JK, Jango e Lacerda juntos seriam perigosíssimos para a ditadura. Essa versão de que Jango teria sido morto (assim como há tempos se fala que JK ‘foi acidentado’) pode até não ser verdadeira, mas não seria nada surpreendente.
26 Capitalista // 27/January/2008 às 19:19
mariaantonieta,
Qual a surpresa? militares brasileiros treinados pelos americanos que em contrapartida os informava dos resultados dos ensinamentos recebidos.
Um dos chefes do crime organizado no Rio é um ex-oficial do Exército, que à época da ditadura era instrutor de tortura.
27 proftel // 27/January/2008 às 19:20
Orlando Letelier Del Solar (13 de abril de 1932 - † 21 de septiembre de 1976).Fue un Político y economista chileno, miembro del gobierno de la Unidad Popular de Salvador Allende, asesinado en Washington por los agentes de la dictadura en 1976.
28 proftel // 27/January/2008 às 19:24
Hugo Albuquerque, também de boa, não falei sobre os outros porque o post é sobre o Jango, outros foram do mesmo jeito, um a um.
Falar dos paredões estádios e outros procedimentos internos de limpeza creio que estrapola.
29 mariantonieta // 27/January/2008 às 19:46
Letelier, esquerdista, morto por miltares de Pinochet, levado ao poder em golpe 11/09 contra Salvador Alende, GOVERNO SOCIALISTA. Perdão, mas como o senhor vinha em uma linha de pensamento, falando de assassinatos politicos perpetrados pela esquerda (Stalin), findando com a possibilidade de o valoroso Cabo Anselmo ser morto tmb pela esquerda, pensei que reputava a morte de Letelier a esquerda. Agora entendi, tô mal com meus dois neuronios!
30 mariantonieta // 27/January/2008 às 19:48
Por falar em morte, e o Tancredo Neves??? Esta tmb para teoria conspiração??
31 proftel // 27/January/2008 às 19:59
Mariantonieta, conspiração na morte do Tancredo é sobre a data até onde eu sei, “espicharam” a vida do kra prá bater com um feriado e tentar emplacar um mártir.
Na época ficou “bunito”, todo mundo chorando e coisa e tal, de resto ele tava bichado mesmo, tinha tanta gente na cirurgia em Brasília que só o bafo mataria qualquer um com os bofes de fora, o que aconteceu depois em Sampa foi só conseqüência disso, a infecção espalhou e aí já era.
32 aiaiai // 27/January/2008 às 20:02
Estranho é os caras não terem matado também o Brizola.
O Tancredo eu tenho certeza que foi assassinado e não foi pelos militares: foi pela república do maranhão.
Pronto, adoro teoria conspiratória!
33 Chesterton-Dracul- El Cid // 27/January/2008 às 20:03
Maria Antonieta pega o bonde andando e quer sentar na janelinha….
34 Alba // 27/January/2008 às 20:08
Fabiano,
Não discordo da sua análise, já que ela mostra que a ditadura vinha se enfraquecendo e o crescimento do MDB é uma das mostras disso, como você observa. E eu não descarto que possa ter havido crime, embora tenha a mesma dúvida que o surf sobre a família do Jango.
Proftel,
O Hugo respondeu, de certa forma, por mim. Mortes encomendadas à direita ou à esquerda, realmente não são novidade. Só discordo do fato de Trotsky, em 1940, ser considerado inofensivo. Era a principal liderança da Revolução Russa depois de Lênin e provocou todo um processo de falsificação de fotos e documentos que mostravam essa circunstância, na tentativa não só de eliminar a sua vida, mas a sua história…
35 surfando na jaca // 27/January/2008 às 20:10
È bom separar as coisas. Teoria de conspiração é coisa de Arquivo X e extraterrestres. Estamos falando de possibilidades de um regime que também acidentou a Zuzu Angels, que tinha apoio da Cia, um serviço de informações atuante e eficaz no desmonte da guerrilha urbana. A Frente Ampla foi um fato, essa articulação existiu. Já os assassinatos são hipóteses. Não mudará nada, apenas acrescenta um elemento na preocupação de sustentar o governo num momento em que Geisel enfrentava a oposição dos bolsões mais duros da ditadura e a pressão para o retorno à legalidade democrática. Faz sentido, pelo menos para mim. Quem se lembra que a ditadura resistiu até o último Newton Cruz e que nem o Geisel possuía todo o controle da milicada (vide o Gaspari e o Sylvio Frota), não vê nada de tão absurdo na hipótese. O Baugarten foi outro acidente? Claro que usaram essa eliminação para destruir com o grupo mais duro ao governo tutelado do Sir Ney, onde o ministro Leônidas Pires dava declarações como presidente. Teoria da conspiração??? Estão comprovadas as ações da CIA na derrubada de Allende, a operação Big Brother para o Brasil etc. Só não sou é ingênuo.
36 surfando na jaca // 27/January/2008 às 20:12
Uma boa pergunta é como o Brizola não foi eliminado e o Arraes. Mas deram um trabalhão para a milicada. A História tem seus mistérios.
37 surfando na jaca // 27/January/2008 às 20:14
Angel
38 Luiz // 27/January/2008 às 20:30
O Brizola se safou porque era mais cuidadoso dos que os três juntos.
“O Engenheiro” tinha total consciência de que era um alvo e tomava suas precauções de forma muito eficiente. Até depois da anistia ele não relaxou a guarda.
O Arraes escapou porque ficou a maior parte de tempo de exílio na Argélia, onde a atuação de possíveis assassinos era mais complicada
39 Dom Casmurro Patriarca // 27/January/2008 às 20:34
Chest,
comentário 04,
você não está exagerando o “poder” do Fidel, né não?
Isso até parece a “conspiração dos judeus para dominar o mundo.”
40 Pedro Doria // 27/January/2008 às 20:35
Pessoalmente, não acredito que o Geisel e o Golbery estivessem envolvidos. Não parece o estilo deles. Mas não custa lembrar que, em 76, o Jerry Ford ainda era o presidente dos EUA, o Jimmy Carter ainda estava distante. E, para a Linha Dura, que operava por baixo dos panos independente do Planalto, fazer uma coisa dessas… eu não duvido.
E, não custa lembrar, Miguel Arraes e Leonel Brizola eram as lideranças de segunda do tempo da democracia. JK, Jango e Lacerda eram o trio com nomes de primeira, os capazes de organizar uma frente ampla contra a ditadura realmente consistente.
41 Luiz // 27/January/2008 às 20:40
PD,
Brizola e Arraes “lideranças de segunda no tempo da democracia” ?
Sei não, cara. Metade do Brasil talvez discorde…
42 Microempresário // 27/January/2008 às 20:54
Metade do Brasil, ou mais, não era nascida na época pré-64, e, se perguntada hoje, vai dar opinião baseada em “ouvir dizer”.
Continuo achando que Juscelino e Lacerda eram os nomes importantes, com o Jango servindo de complemento.
E também acho que esta história não vai levar a nada importante. Dificilmente se acharão provas, os envolvidos provavelmente já morreram. Vai ficar como mais uma “teoria da conspiração”, embora plausível.
43 Pedro Doria // 27/January/2008 às 20:54
Luiz, não perante JK, Jango e Lacerda.
44 proftel // 27/January/2008 às 20:56
Alba, tudo bem, Trotsky era um “pensante” perigoso (tanto que mandaram ele prô saco) mas, na época da comunicação à lenha e telefone a manivela era só mais um a falar mal do regime, tanto assim que estava praticamente sozinho lá, diferente por exemplo do que acontece com a comunidade cubana nos EUA, esses sim, gente bacarai, querem a cabeça do Fidel.
O que eu coloquei foi comparação, esse negócio de mandar matar desafetos fora do território é comum a qualquer regime de força, só isso.
Ainda, guardadas as devidas proporções, o Trotsky estava “do outro lado do mundo”.
Bom, não sei se me expressei direito, é isso.
45 proftel // 27/January/2008 às 21:10
Creio que o maior perigo era mesmo o JK.
O Jango tanto sabia das maluquices do Brisola que caiu fora, se tivesse seguido os conselhos do dito cujo provavelmente teríamos sido invadidos e aí só Deus sabe o que seria o Brasil hoje.
Falar do Miguel Arraes é lembrar da cassação e das “Ligas Camponesas”, foi a alavanca dele, só, pára aí.
46 Luiz // 27/January/2008 às 21:13
PD,
Se é para hierarquizar, então o JK era “o cara”.
Jango era alguém “de segunda” que de repente foi alçado à linha de frente, e Lacerda era um fenômeno mais carioca do que nacional.
47 Pax // 27/January/2008 às 21:21
E o Toninho de Campinas? E o Celso Daniel?
Será que daqui alguns anos haverá um post sobre a descoberta dessas mortes, estranhas mortes?
A do Toninho ainda me é mais estranha ainda. Um cara que não roubava. O outro deixava roubar se fosse para o PT mas não para bolsos ou cuecas individuais. A do Toninho me dói mais que a do Celso, que dói também.
Mata-se de tudo quanto é lado. Poder, sexo, dinheiro e mortes andam juntos.
48 bafo // 27/January/2008 às 21:23
companheiros e companheiras,
gostaria de ressaltar que eu nao tenho nada a ver com o bafo mencionado pelo companheiro Proftel (comentário 31) :-)
49 proftel // 27/January/2008 às 21:26
Ô Bafo, desculpe aí, realmente não tem nada a ver.
KKKKKKK rsrsrsrsrsrsrsrsrs
:-)))))))
50 Monsores // 27/January/2008 às 21:26
Pax, meu caro.
Tem um e-mail pra você, com o perdão do off-topic.
As mortes vão continuar acontecendo. É o legado da história do poder. Conversa com gosto de vinho velho.
51 proftel // 27/January/2008 às 21:47
Aproveito o ensejo do Monsores e vou no off também, aqui o frio continua e quero aproveitar do finzinho de domingo.
Uma boa noite a todos (as).
:-)
52 Zé Bush // 27/January/2008 às 21:52
well….esse agente uruguaio está cumprindo pena por qual motivo? O que foi que ele fez? Será que o rapaz não está tentando criar um factóide para barganhar por uma eventual liberdade? Porque só agora ele “lembrou” e resolveu falar?
Tá certo que a morte de Kubitschek foi meio suspeita e a de Jango levanta dúvidas. Mas porque também não mataram Janio Quadros , que até prefeito conseguiu se eleger? E Brizola, que elegeu-se governador?
53 Hugo Albuquerque // 27/January/2008 às 21:53
Mesmo não sendo a “elite” anti-ditadura só não mataram o Arraes e o Brizola por falta de oportunidade.
54 Zé Bush // 27/January/2008 às 21:56
well….Miguel Arraes era um pequeno caudilho nordestino, de expressão meramente regional. Deve muito da fama e prestígio ao Francisco Julião, o verdadeiro líder das Ligas Camponesas. Juntos eram imbatíveis em Pernambuco, mas só lá mesmo…
55 Hugo Albuquerque // 27/January/2008 às 21:58
Zé Bush,
O cara tá preso por roubo, formação de quadrilha e posse ilegal de armas. Pelo visto, de terrorismo de Estado passou para bandidagem comum no fim da vida, isso ilustra bem quem era ( e é) essa gente.
56 Hugo Albuquerque // 27/January/2008 às 22:00
Mais ou menos, Arraes tinha expressão no nordeste inteiro, isso conta muito.
57 Gervásio Artigas // 27/January/2008 às 22:13
Senhor Doria…
Acho que é “apócrifo” essa versão do assassinato do Presidente Jango…
Claro, que temos ai todos elementos para uma grande conspiração, nem discuto, mas vejamos… assassinar 3 personalidades em um intervalo de tempo tão curto é muito arriscado, levaria-se anos para organizar essa ação, varias pessoas envolvidas, muitas ações diversionistas para afastar a imprensa, enfim muito trabalho!
E para que? Na minha modesta opinião, nem Jango nem Lacerda tinham apoio popular ou político naquele momento, e JK de certa forma seria um candidato, para os militares, com apelo popular e com um relativo transito entre as forças armadas, muito maior até do que Figueiredo.
Hasta
58 Alba // 27/January/2008 às 22:39
PD,
Você está certo. Jimmy Carter governou de 77 a 81, eu me enganei na data, embora tenha havido mesmo a visita de Rosalynn Carter.
Quanto a Brizola, quando voltou, as expectativas de que fosse mobilizar multidões como antes, meio que se esfacelaram. Ele mostrou que já não tinha a força que lhe atribuíam, inclusive ao perder a legenda do PTB para Ivete Vargas.
Mas claro que essa é uma visão posterior e não a visão que vigorava na cabeça da linha dura da época…
Proftel,
Eu entendi o que quis dizer, mas não vejo como comparar Fidel e Trotsky por vários motivos. Mas como essa discussão é tangencial ao tema do post, podemos retomá-la um outro dia, certo?
59 Linda // 27/January/2008 às 23:26
“Mas no geral, as condições de permanência da ditadura já tinham começado a se dissolver, daí a dúvida sobre a necessidade de matar Jango.”
Alba, no meu entender, fizeram um serviço completo. É a história da Linha Dura que atuava debaixo dos panos, independente do Palácio do Planalto, como bem falou o PD.
Há coisa de uns quatro anos, foi criada uma comenda pela Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte para homenagear a mineirada que lutou contra a ditadura militar. Publicou-se no Diário Oficial do Município, uma pequena biografia de todos os homenageado, coisa de umas cinco linhas. Fiquei impressionada com o alto índice daqueles que morreram por acidente, no período de 83-86.
Para ilustrar cito o acidente acontecido com o Dazinho, ex-deputado estadual cassado pela ditadura, sindicalista da mina de Morro Velho em Nova Lima, pessoa simples e com pouco estudo.
Participando de um protesto no Rio, foi pisoteado por um cavalo da Polícia Militar. Ficou paralítico, vindo a falecer ano passado.
Não sei de quem foi a ordem mas, “acidentaram” muita gente não importante como JK, Jango, Carlos Lacerda. Exterminaram mesmo depois da distensão. Tem muito a ser investigado.
60 Hugo Albuquerque // 27/January/2008 às 23:29
Linda,
O próprio Lula ainda era espionado por arapongas em plenos anos 90, as coisas só pararam um pouco quando os ministérios militares foram fechados.
61 Linda // 27/January/2008 às 23:37
Surfando e Alba, pelo que eu sei, o caixão de João Goulart foi lacrado, não se permitiu nem pelo governo uruguaio nem pelo brasileiro, fazer uma autópsia.
Pelas declarações do uruguaio foi introduzido entre os medicamentos de João Goulart uma pílula para provocar aceleração cardíaca. Esta droga poderia ser detectada em até 48 horas após a ingestão. Depois do depoimento de Barreiro, os filhos de Jango ingressaram no Ministério Público com um pedido de abertura de inquérito civil para que as circunstâncias da morte do ex-presidente voltem a ser investigadas.
http://stoa.usp.br/gugamarichal/weblog/14499.html
62 Anonymous // 27/January/2008 às 23:38
Todos sabemos que Jango foi assassinado pelo Mossad!
63 Linda // 27/January/2008 às 23:40
Hugo, quando Lula aceitou em 1989 morar na casa de um correligionário, correu à boca pequena que ele estava sendo ameaçado de morte. Como a casa dele era muito vulnerável, foi providenciada a mudança.
64 Burn the Witch! // 27/January/2008 às 23:41
Caramba, por que então não aproveitaram e mataram o Ulysses, o Quérciae o Brizola junto? Isso é muito Oliver Stone, não dá pra levar a sério…
65 Linda // 27/January/2008 às 23:42
Consertando: Pelas declarações do uruguaio, foi introduzida…
66 Linda // 27/January/2008 às 23:47
Burn the Witch!, se o Bush faz ataques preventivos, pq isto tudo não tem um fundo de verdade? A mesma filosofia…
67 Fã // 28/January/2008 às 0:25
Linda.. por essas (coments de hoje) e outras (posts anteriores) é que sou seu fã #1… beijos!!
68 Brancaleone // 28/January/2008 às 0:28
Sacanagem tambem não!!!
Alguem aí disse que o ex-agente uruguaio tá preso por formação de quadrilha, armas e escambau e que isso ilustra quem era (e é) essa gente…
Fala sério. Não ´só neguim de direita que vira bandido não viu ô meu amigo ai!!!
E o Zé Dirceu? e o Genoíno ? Tá certo que estes foram mais esperto e tão soltos, mas ainda falta por exemplo explicar como é que mataram o Celso Daniel… É o que eu sempre digo: FDP tem em todo lugar, bandido tambem, ladrão idem, corrupto nem se fala…
69 Brancaleone // 28/January/2008 às 0:33
Existem fortes indícios que Judas Escariotes agiu a mando do Golbery… Por outro lado parece que um agente do DOI CODI fez-se passar por seguidor de Ghandi e ficou bem próximo… Existe ainda fortes suspeitas quanto um ex agente do SNI que estava num teatro, no mesmo dia que Lincoln…
Livre pensar é só pensar e nem precisa estar bêbado…
70 Chesterton-Dracul- El Cid // 28/January/2008 às 0:46
e o brizola que fez uma lista de pessoas que mataria no caso de sua coluna ser vitoriosa. Este era um alvo a ser abatido.
71 Brancaleone // 28/January/2008 às 0:48
Em 89 Lula sentiu-se ameaçado de morte pelo poder. Anos depois no poder, queria expulsar jornalista estrangeiro…
Como são as coisas né? O poder é de phoder…
72 Chesterton-Dracul- El Cid // 28/January/2008 às 0:49
Lula? Era peixe do Golbery, apelidado de O Boi. Entregava os comunistas do movimento sindical para os militares. Por isso os arquivos ainda não foram abertos.
73 Chesterton-Dracul- El Cid // 28/January/2008 às 0:50
RR: índios renegam brasileiros
O Comando do Exército confirma: brasileiros só podem circular entre as 6h e as 18h em um trecho de cerca de 200km, que passa pela reserva indígena Waimiri Atroari, na rodovia Boa Vista (RR)-Manaus (AM), mesmo assim pagando pedágio. Nas demais doze horas, o trecho só é permitido a estrangeiros. O bloqueio dos índios - que não falam português, só a língua nativa, o inglês ou o francês - tem apoio da Funai e de ONGs estrangeiras.
chest- ta na hora de chamar o general……
74 Chesterton-Dracul- El Cid // 28/January/2008 às 0:51
Terra de ninguém
Cerca de 70% do Estado de Roraima são constituído de reservas indígenas e, nelas, reinam absolutas dezenas de ONGs estrangeiras.
75 Alba // 28/January/2008 às 0:54
Linda,
Não descarto a possibilidade de crime, de forma alguma. Só gostaria, como outras pessoas aqui, certamente, de entender melhor essa história.
76 Brancaleone // 28/January/2008 às 1:00
Ófetópiquem mas hilário:
Parlamentares brasileiros estão presos!! Sim presos!! Calma, nada de alegria, a justiça e a decência não triunfaram não, é apenas mau tempo na Antardida…
Finalmente descobri para que serve aquele imenso cubo de gelo se uísque…
77 Desconfiado // 28/January/2008 às 1:11
Essa história do Celso Daniel também está muuuuuuito mal contada.
Esse tal ‘Sombra’ (que era ’segurança’, ‘motorista’, ‘amigo’…) protagonizou um episódio no mínio interessante aqui em Goiás, onde vivo. Ele ‘adquiriu’ uma empresa de transporte coletivo na cidade de Aparecida de Goiânia, uma tal TCA (Transporte Coletivo Aparecidense). Detinha a concessão de uma ‘linha’ que fazia a ligação entre Aparecida e a capital, Goiânia. Aparentemente um negócio normal. Um certo dia, o ex-dono da empresa fez uma denúncia singular: havia vendido a tal empresa porque era ‘clandestina’, não tinha autorização (a concessão da linha) para colocar os veículos em circulação.
A agência de transportes do Estado (AGR) verificou o documento apresentado pela
TCA (pelo Sombra) como prova de que funcionava regularmente, que possuía a concessão do poder público municipal para a exploração do serviço de transporte público mediante autorização formalizada em Lei Municipal (da cidade de Aparecida).
Era uma suposta cópia (fotocópia) do texto da Lei. Buscaram os originais - e tiveram uma surpresa: o texto da tal lei dizia respeito a outro assunto: declarava a utilidade pública de uma entidade filantrópica… A ‘concessão’, legalmente, não existia!
Penso que esse episódio revela a índole do sujeito…
Difícil imaginar o caráter ou a índole dos seus ‘amigos’…
78 Chesterton-Dracul- El Cid // 28/January/2008 às 1:39
o cara é bandido mafioso.
79 Linda // 28/January/2008 às 2:47
Celso Daniel…é o fim da picada os direitobas se apropriarem dos cadáveres de Celso e do Toninho:
- mortos no governo de Geraldo Alckmim;
- presidente: FHC;
- na época da morte do Celso, a polícia paulista, ardilosamente, enganou o juiz (alegou que estava investigando tráfico de droga) e grampeou o telefone de todos os petistas da prefeitura de Santo André por um mês, não conseguindo provar nada;
- competente para investigar os crimes é a polícia civil de São Paulo;
- pq não cobram do governador?
- e o julgamento do Sombra, pq não cobram do Presidente do Tribunal de Justiça paulista?
Estou tão cansada de falar sobre isto que resolvi esquematizar.
80 Linda // 28/January/2008 às 2:49
- o Sombra foi apresentado ao Celso Daniel pelo irmão deste;
- contratado inicialmente como segurança, abriu uma empresa e continuava fazendo a segurança do prefeito.
E mais, não digo.
81 Linda // 28/January/2008 às 2:56
Alba, eu tb gostaria que investigassem/desvendassem estas histórias para nós.
Abraço.
82 Linda // 28/January/2008 às 2:58
Comentário 67, obrigada! Beijos!
83 Rachel // 28/January/2008 às 8:17
Acabei de ler o volume 2 da série sobre a ditadura, escrita pelo Eli Gaspari - o primeiro chama A Ditadura Envergonhada, se não em engano, e o segundo traz A Ditadura Escancarada como título. Neeem preciso dizer q são EXCELENTES, né? Era de se esperar q seriam.
Pelas informações do livro, não seria de se espantar q Jango tenha sido assassinado mesmo. Rolava um medo quase infinito dos poderosos da ditadura num retorno (hj visto como impraticável) heróico do cara. Mas enfim…
Sabem o que eu descobri? Um site chamado Terrorismo Nunca Mais. Tocado principalmente por milicos (e quem mais, né não?), traz lá um monte de abobrinha elogiosa aos ‘bravos militares que lutaram incansavelmente contra a instalação de uma ditadura comunista no Brasil’ e ‘pelo fim de atos terroristas covardes que chocaram a população’.
Tá lá, podem procurar.
84 Antonio M // 28/January/2008 às 9:45
” “Isto é - 10/05/2006 - Entrevista com Eduardo Suplicy
“PT precisa reconhecer
seus erros”
STOÉ – A investigação da morte do prefeito
Celso Daniel, de Santo André, minguou. O sr.
não acha que o caso deveria ter recebido
mais atenção do governo?
Suplicy – Na verdade, eu expliquei a eles que considerava importante, como senador pelo PT, e até por ter sido amigo do Celso Daniel, saber como ele foi seqüestrado e morto. Transmiti a eles que eu não tinha a convicção se foi um crime encomendado ou se foi um crime comum e que me sentia no dever de ajudar a apurar esses fatos. E a conclusão desse episódio ainda não existe….”
Engraçado como os caciques do PT aceitaram e Tais caciques aceitaram e agradeceram de cara a 1ª versão para o crime contra Celso Daniel.
E lembrem-se da última visita de Lula à Campinas, onde a viúva de Celso Daniel carregava uma faixa cobrando a promessa de Lula colocar a Polícia Federal no caso Toninho do PT, que nunca foi cumprida.
85 Burn the Witch! // 28/January/2008 às 10:24
Linda, juro que não entendi a relação de assassinato político com guerra preventiva.
86 Alba // 28/January/2008 às 10:56
Linda, abraço pra você!
Rachel,
Os livros do Gaspari são realmente excelentes - todos os 4.
Já o Ternuma é inacreditável, se não existisse de fato. Os caras insultam, babam, tentam desqualificar as oposições numa fúria insana e ainda, é claro, usando a lógica da Guerra Fria. Quando li aquilo fiquei surpresa de que esse nível de bobagem raivosa tivesse leitores. Mas aparentemente, têm :((
Mas voltando ao Jango, esses dias revi o documentário Jango, de Sílvio Tendler, no Canal Brasil. O filme é de 1984, época em que a ditadura estava praticamente acabada, e apresenta o governo Goulart como o de um estadista, que foi traído pelas forças conservadoras. É compreensível essa visão na época, porque se tratava de levar conhecimento aos mais jovens e tudo mais.
Mas Jango jamais chegou a ser um estadista. Pessoalmente, tenho dúvidas sobre se conseguia avaliar as forças contraditórias que tinha que administrar durante o seu governo. Aliás, o Gaspari fala sobre isso no primeiro volume das Ditaduras.
Havia uma articulação golpista desde a época do segundo governo Vargas que, com o suicídio e sua repercussão, tirou o doce da boca dos golpistas e atrasou o golpe por 10 anos.
Mas as tentativas continuaram a acontecer, ainda que um tanto patéticas, como nas revoltas de Jacareacanga e Aragarças. E o Lacerda jamais esmoreceu na campanha golpista, embalada em termos que lembram bem o Ternuma, a propósito.
O próprio golpe, segundo o Gaspari, encontrou os chefes militares divididos - vários deles continuavam leais ao governo e só mudaram de posição horas antes da ordem para a marcha das tropas do General Mourão, a “vaca fardada”, como ele mesmo se definia.
Jango estava longe de ter a habilidade meio comprometida de JK. Nem para administrar as crises, durante seu governo e nem para lidar com as lideranças militares. E, aparentemente, preferiu não partir para o confronto.
Por tudo isso é que me pergunto se a versão de assassinato confere…
87 mariantonieta // 28/January/2008 às 12:01
Hoje, quem está correndo perigo é Chavez. É o PETROLEO, estúpido. Bem que Fidel já deve ter ensinado como se livrar das armadilhas.
Chesterton El dracu pro cid vive de TPM. FICA BOM, NAO???
88 mariantonieta // 28/January/2008 às 12:12
Antonio M não sabia que a competência para investigar homicídios no Estado de Sao Paulo era da Policia Federal. Pelo que sei é da policia civil de Sao Paulo que há mais de 20 anos está nas mãos do PSDB. Pelo que sei o MP de Sao Paulo tmb se envolveu na investigação sem que encontrasse provas contra o PT. O ônus da prova na acusaão é do Estado, por seu orgão de atuaçao o MP. dominus litis, que recebe subsidios da Policia para formular a denuncia.
89 Elias // 28/January/2008 às 12:40
Os episódios do Sergio Macaco, da Zuzu Angel e do Rio Centro são algumas amostras de até onde a linha dura era capaz de chegar.
Na época da morte do Lacerda e do Jango, os dois estavam articulando a “Frente Ampla”, junto com Juscelino.
Isso num momento em que o MDB surrava impiedosamente a Arena, nas urnas.
Com a morte de seus princípais articuladores, a “Frente Ampla” murchou, e a oposição maneirou (mesmo assim, não evitou o “Pacote de abril”).
Os romanos perguntariam: “qui prodest?”
Se feita essa pergunta, a tese do assassinato tem todo sentido.
90 Anarfa // 28/January/2008 às 13:07
O comentário do Elias lembrou bem como eram as ‘cabeças pensantes’ do regime militar. O Sérgio Macaco era uma prova viva da ABSOLUTA falta de limites de alguns gorilas desse período. Alguns eram absolutamente sádicos e poderiam, sim, mandar matar o Jango só ‘prá ver o tombo’, como diriam. Aliás, aqui nos comentários mesmo de vez em quando aparece gente desse tipo…
91 mariantonieta // 28/January/2008 às 13:23
Naquela época a macacada estava livre, leve e solta. Autorizada para praticar qualquer atrocidade. Com a abertura, pegava mal, para a nova democracia.
92 Hugo Albuquerque // 28/January/2008 às 14:11
Brancaleone # 68
Lá em cima eu fiz referência tanto aos crimes que o Stalin cometeu quanto os que Pinochet cometeu para ilustrar do que são capazes ditadores/ditaduras sejam de esquerda quanto de direita.
Em nenehum momento eu disse que só “‘neguim’ de direita é que vira bandido”, eu coloquei cataegorigamente que que as pessoas que serviram as forças de repressão da ditadura militar brasileira (assim como qualquer ditadura na face da terra) são uns bandidos.
E sim, o cara tá preso por conta desses crimes que eu citei, o que só ilustra que essas pessoas se usavam do aparato da ditadura para realizarem suas fantasias psicóticas, tal prova disso que findada a ditadura muitos, como esse ilustrissímo senhor não conseguiram se conter e partiram para o bandidismo pero e simples.
Dizer o contrário sobre essa gente é desonestidade, estupidez e conivência com o que eles fizeram.
93 Hugo Albuquerque // 28/January/2008 às 14:16
Corrigindo
” coloquei CATEGORICAMENTE”
“bandidismo PURO e simples”
94 Linda // 28/January/2008 às 14:34
Oi, Burn the Witch!
“Se o Bush faz ataques preventivos, pq isto tudo não tem um fundo de verdade? A mesma filosofia…”
Lembrando do título do post, não acho que a ditadura matou Jango. Mas, existia uma Linha Dura que acreditava piamente que estava lutando contra o comunismo e agia não dentro da lei e sim como se estivessem em guerra. Para eles, a “Revolução” estava se encerrando cedo demais e ainda seria necessário extirpar todos aqueles que lutaram contra, para não correr o risco de implantarem o comunismo no Brasil. Na cegueira, nem avaliavam que aquela oposição, pela força, não teria chances.
Então, acredito, à revelia do comando militar, pois se não fosse assim a covardia ainda seria pior, provocavam “acidentes” eliminando os “guerrilheiros”, os “terroristas”.
Entendeu que é o mesmo tipo de filosofia preventiva usada pelo Bush? Destruo o inimigo pois, se ele fica vivo, pode vir a atacar-me um dia.
É isto!
95 Rachel // 28/January/2008 às 14:49
Não sei se é correto dizer, mas o Jango não era exatamente da esquerda comunista, como quiseram afirmar dps. Ele namorou alguns projetos com tendência socialista, especialmente a reforma agrária, mas não chegou a ser da esquerda clássica do período.
Certo? Falei besteira??
96 Marcos Araújo // 28/January/2008 às 15:42
Os milicos assassinaram Jango, JK e Lacerda. Concordo com a análise do Elias acima, de uma lógica exemplar. Na mosca.
97 Alba // 28/January/2008 às 15:51
Rachel,
Na verdade, o que embaralha um pouco as coisas é, em primeiro lugar, o clima de Guerra Fria. Num artigo de domingo passado, no Aliás, o Zé de Souza Martins lembrava o impacto da Revolução Cubana sobre as esquerdas no continente (inclusive na formação das Farc). E chega a afirmar que Cuba só abraçou o socialismo real empurrada pelos EUA, como única reação ao bloqueio imposto, que falando nisso, dura até hoje.
O fato de haver um país socialista literalmente no seu quintal, bem pertinho da Flórida, tornou a política americana muito agressiva, vendo fantasmas onde não havia, muitas vezes. E não podemos esquecer que na época, os EUA sustentavam ditaduras por todo o cone sul. Mesmo assim, como observa o Elias aí em cima, no caso de 68, os relatórios da CIA eram bem mais razoáveis do que os discursos da ala mais conservadora.
De toda forma, o governo de Jango, assim como o de JK e o segundo de Getúlio, integram o momento conhecido como República Populista.
De forma muuuito grosseira, o populismo foi a face política do projeto de aceleração industrial. Seus líderes se propunham a arrancar algumas reformas mínimas das nossas famosas e rapaces “zelites”, mobilizando a população, principalmente os trabalhadores urbanos sindicalizados, já que o Brasil da época era substancialmente diferente do Brasil da República Velha.
Algumas conquistas foram efetivamente conseguidas, mas sempre com a grita de gente como Lacerda, alertando contra o “perigo vermelho” que enxergavam atrás da própria sombra. Uma vez conseguidas as reformas, as massas eram desmobilizadas, o que exige imensa habilidade, já que os cidadãos que são mobilizados incorporam um grau de consciência que não pode ser ignorado.
Jogo muito arriscado.
Por outro lado, Jango jamais foi especialmente de esquerda. Mas estava comprometido com projetos que levavam as reformas mais longe do que haviam conseguido chegar até aquele momento. E imagino que não conseguisse avaliar o tamanho da encrenca em que estava metido, porque o encarniçamento dos latifundiários, dos banqueiros, como Magalhães Pinto e de algumas lideranças militares contra seu governo foi acompanhado por uma onda de greves, que em si, nada tinham de incomum numa democracia, mas eram tratadas como o prelúdio da REVOLUÇÃO COMUNISTA, assim em maiúsculas.
Faltou-lhe discernimento e habilidade, o que de forma alguma redime os autores do golpe.
Deu pra entender alguma coisa desse mini-tratado? :))
98 josef mario // 28/January/2008 às 17:26
Companheira rachel
Eu, josef mario, devo dizer que a companheira, absolutamente, não falou nenhuma besteira. Mesmo porque eu, josef mario, pessoalmente, nunca conheci um comunista brasileiro na autêntica assepção ou acepção (ninguém sabe com certeza, sem consultar um dicionário) da palavra. A menos que consideremos o companheiro oscar niemeyer, confortavelmente instalado em sua cobertura na avenida atlântica, como o comunista-padrão brasileiro.
Muito obrigado
99 josef mario // 28/January/2008 às 17:32
Companheira alba
Eu, josef mario, devo dizer que o mini-tratado acima referido pela companheira é de uma clareza e brilhantismo incomparáveis. Assim que o ler, tenho certeza, entenderei perfeitamente cada linha magistralmente escrita.
Muito obrigado.
100 wam // 28/January/2008 às 17:50
Se o Mario Barreiro tem 54 anos hoje, em 1973, quando ele diz que estava vigiando o Jango, ele tinha 18 ou 19 anos. Era um agente bastante precoce.
101 Marcos Araújo // 28/January/2008 às 19:55
Jango Goulart era um rico fazendeiro, proprietário de vastas terras. Nao era comunista e tampouco de “esquerda”. Mas era um progressista, um brasileiro preocupado com a modernizaçao de seu país. Foi caluniado, perseguido, injustamente combatido por suas idéias progressistas, sendo uma delas a introduçao da reforma agrária, tao necessária e nunca realizada no país.
Nao se pode dizer que reforma agrária é exemplo de projeto com “tendências socialistas”, como dito aí acima. Nada a ver. É uma questao de produtividade agrícola, de retençao de populaçoes no campo, de desenvolvimento, autosuficiência, redistribuiçao de renda, melhor nível de vida, de progresso. Enfim, de segurança nacional. E desenvolvimento social. Isso é comunismo, socialismo? Só em cabeças de bagre de coronéis ladroes de terras e proprietários de latifundios gigantescos, geralmente improdutivos.
Nao há nada de “comunista” ou “perigo vermelho” em reformas agrárias. É uma questao de progresso, avanço e mesmo de lógica. Há países que fizeram sua reforma agrária há 3 séculos ou mais; temos o Canadá e vários países europeus como exemplo, países que oficializaram sua reforma agrária sem violência e sem sangue, por uma questao de necessidade e segurança nacional, sobretudo. Pequenos agricultores com acesso a conhecimento, técnicas e equipamentos modernos (providenciados e financiados - em parte - por govêrnos responsáveis) sao imensamente mais produtivos que os coronéis feudais que ainda infernizam nosso país e freiam seu desenvolvimento. Comparem a produçao de leite, por pequeno agricultor, de países como a Suíça, França, Alemanha, países escandinavos, Canadá com a produçao leiteira de um pequeno agricultor brasileiro. Ou a de trigo, alfalfa, frutas, etc. A nossa é ridícula. Compare o nível de vida de pequenos agricultores desses país com agricultores nacionais. Reforma agrária é uma questao de produtividade, de desenvolvimento econômico e social, coisas pouco conhecidas no Brasil, infelizmente, sobretudo produtividade. Conceito este que nao entra nas cabeças vazias - ou cheias de merda - de nossos senhores feudais.
102 Brancaleone // 28/January/2008 às 20:13
Marcos Araújo:
Por obséquio verifique os exclentes e lucrativos subsídios que os agricultores - principlamente europeus - recebem. Lá a agricultura é apenas um meio de receber subsídios. Existem anos em que eles recebem para NÃO plantar …
103 Zé Bush // 28/January/2008 às 20:29
well,Elias…..a Frente Ampla foi formada por Juscelino,Jango e Lacerda ( com a oposição do Brizola)……em 1966!!!!……10 anos ANTES da morte de Jango e Juscelino!!!!
104 Marcelo Soares // 28/January/2008 às 20:54
Sempre digo que o maior problema nosso aqui no Brasil é mal conhecer o que se produz de jornalismo no Brasil e basicamente não conhecer o que se produz de jornalismo nos países vizinhos. Eu mesmo tenho esse defeito, mas por acaso essa eu pesquisei há algum tempo. Na verdade, ele já tinha dito isso a jornais uruguaios em 2002. Há duas semanas, também, O Globo publicou a mesma informação pela boca do João Vicente Goulart e ninguém foi atrás. A Simone tem o mérito de ter ido lá entrevistar pessoalmente o uruguaio para um jornal brasileiro. Mas ele já havia falado as mesmas coisas a um jornal uruguaio, embora com o foco na Cisplatina.
105 Fabiano // 28/January/2008 às 20:55
Opa… esse post tá rendendo!
Muito boas as análises sobre o Jango e a relação dele com a esquerda. Mesmo naquela época nem sempre era muito fácil definir quem era o quê.
O grande problema era o clima de guerra fria. Jango nem precisava ser mesmo de esquerda, bastava querer fazer reformas e pronto! já era chamado de comunista safado. Não havia alternativa, ou você estava com os americanos ou era suspeito de ser agente de Moscou, na ótica tacanha da época.
Quanto à Frente Ampla, foi uma tentativa das principais lideranças políticas pré-golpe (mesmo do Lacerda, que se deu conta rapidinho da besteira que tinha feito) de combater a linha dura. Reunia esses três de mortes tão estranhas. Claro que a Frente Ampla foi proibida logo, mas dez anos depois isso poderia repercutir na opinião pública, ainda mais depois que os militares bateram tanto.
E é justamente na hora que eles começam a enfraquecer que eles se tornam mais agressivos. Qualquer ameaça ao seu poder, por mínima que fosse, já seria demais, ainda mais naquela hora. Tem uma frase que diz: “ditadura é quando todos têm medo de um e um tem medo de todos”.
Os caras erraram feio com o Herzog, o fiasco foi tão grande que eles não podiam correr o risco de aparecer outro suicidado daquele jeito. Claro que é difícil saber se Jango, JK ou Lacerda “foram acidentados”, mas seria perfeitamente coerente com o momento.
106 Renê // 28/January/2008 às 22:44
Ouvi dizer que ninguém dava a mínima para Jango naquela época.
Que assuntinho mais inútil.
107 Marcos Araujo // 28/January/2008 às 23:21
Brancaleone: Subsidios ou nao, eles sao muito mais produtivos, e de longe! Além disso, subsidios têm nada a ver com reforma agra’ria, motivo do comenta’rio…
108 Elias // 29/January/2008 às 14:27
Zé Bush
A Frente Ampla jamais foi formada.
Era uma proposta que ia e vinha. Tinha a ver com a união das oposições para fazer frente ao regime militar.
Eu estava em Brasília no dia do funeral do Juscelino. O intinerário do cortejo não foi divulgado. Mesmo assim, o povão foi em massa pras ruas — isto em Brasília, nos anos 1970! — e, ao passar o cortejo, gritava: “Brasil! Brasil! Brasil!”
O cara estava há anos longe do poder, seus direitos políticos haviam sido cassados, jornais e tevês eram proibidos de fazer qualquer alusão a ele (só quem desafiava essa proibição era o Adolpho Bloch)… mas o prestígio popular estava lá, inacreditavelmente firme e forte.
Vá ter carisma assim na baixa da égua!
Aliás, no dia do funeral, a ditadura proibiu que as tevês mencionassem a cassação de JK…
Ele, Jango e Lacerda, juntos num mesmo palanque, seria nitroglicerina…
109 Ricardo Alexandre da Silva // 29/January/2008 às 15:27
Caríssimos(as):
A Frente Ampla seria o mais forte movimento de contraposição à ditadura. Reunia UDN, PSD e o PTB. A representatividade seria enorme. Mas o movimento, apesar do manifesto divulgado por Juscelino, Jango e Carlos Lacerda, não chegou a ser deflagrado. Foi dinamitado desde o início pelo Brizola. Sofreu forte repressão pela ditadura. Além da proximidade das mortes não há qualquer outro indício que empreste credibilidade à tese de assassinato encomendado. Principalmente se considerarmos a distância entre as mortes e a tentativa de deflagração da Frente Ampla.
Mudando um pouco o foco, eram para lá de esperadas as críticas ao Lacerda nesses comentários. Sempre rasteiras e parciais.
Ignora-se, por exemplo, o papel de Lacerda e da UDN na denúncia e combate efetivo à corrupção do governo Getúlio. Esquece-se o papel de Lacerda na crítica ao getulismo em um momento no qual o próprio Prestes apoiava o regime.
Olvida-se a atuação de Lacerda, como jornalista, analisando projetos na constituinte de 1946, bem como sua luta contra as ladroagens do pessedismo. A exemplar gestão de Lacerda na Guanabara é posta de lado. Também não se vê as grandes obras realizadas sem aumento escorchante dos impostos, a instituição de concursos públicos e o enxugamento da máquina administrativa.
Todas as obras de um dos maiores estadistas do Brasil são postas de lado em benefício de preconcepções ideológicas. O apoio dado por Lacerda à revolução de 1964 tinha como fundamento a entrega do poder aos civis após um ano de regime militar. Era esse o propósito do próprio Castelo Branco. Uma vez abandonados os ideiais de 1964, Lacerda postou-se, uma vez mais, na oposição, amargando a cassação de seus direitos políticos. Lembrem-se que ele fora até 1965 governador da Guanabara e era um dos mais prestigiados líderes civis.
Por sua postura corajosa Lacerda merecia maior respeito. Certamente ele não o receberá das viúvas do Partidão, até hoje crentes no monopólio da justiça e da ética pela esquerda. Por isso esse pequeno desagravo ao líder máximo da UDN.
Quanta falta ele nos faz!!!
Cordialmente,
Ricardo Alexandre da Silva.
110 Marcelo TTT // 29/January/2008 às 16:48
SIMPLESMENTE, A CONTA NÃO FECHA.
O sujeito, Mario Neira Barreiro tem 54 anos.
Vamos lá… em 1976 ele teria 22 anos. Menos 4 anos que ele diz ter participado da vigilância do Goulart, então, quando entrou em serviço teria 18 anos.
Quanto tempo seria necessário para treinar um agente secreto que participaria da espionagem e envenenamento de um ex-presidente brasileiro? 2, 3, 4 anos?
Então ele teria começado a ser treinado no serviço secreto uruguaio aos 16, 15 anos?
Tem coisa errada aí. Alguém me corrija por gentileza.
111 Elias // 29/January/2008 às 17:05
“Juscelino não deve ser candidato. Se candidato, não deve ser eleito. Se eleito, não deve tomar posse. Se empossado, deve ser derrubado.” (Carlos Lacerda)
Dia desses, a Alba lembrou o fragmento de discurso do Lacerda gravado na coleção “Nosso Século”. Nele, Lacerda chama o almirante Aragão de “incestuoso”, entre outros adjetivos desagradáveis.
Jamais gostei de Lacerda. Dele tenho o “Discursos Parlamentares”. Li várias vezes. O que fica é a imagem de um político sem compromisso com uma análise mais profunda da realidade brasileira. Lacerda se limitava a fulanizar a política. Seus discursos têm a profundidade de um pires. Neles sobram os adjetivos. Mas substantivo, que é bom…
Era obcecado pelo poder. Queria chegar lá a todo custo. Como a UDN não tinha votos, passou a cabalar golpe. Contra Getúlio, Juscelino, Jango. E, mais houvesse, mais tentaria.
O golpe de 64 foi seu banho de glória e, ao mesmo tempo, sua maior frustração. Não imaginava que, uma vez no poder, os militares tomassem gosto pela coisa. Ele pensou estar manipulando os militares quando, de fato, estava sendo manipulado.
De cara, passou a ser ignorado. E seu candidato ainda achou de perder as eleições de 1966, fazendo Lacerda descer mais um degrau. Ou mais.
Foi pra oposição fulanizando, como era de seu estilo: “Pensei que Castello fosse feio apenas por fora. Vejo, agora, que ele é feio por fora e mais feio, ainda, por dentro”, e assim por diante.
O buraco era maior e mais em cima. Não era Castello, apenas. Era o “sistema”, a essa altura muitíssimo bem estruturado.
O troco veio rápido e certeiro. Os militares não só não queriam a companhia de Lacerda no poder. Mais que isto: não precisavam dela.
Foi cassado. De ignorado, passou a descartado. E assim ficou, até partir desta para melhor.
Mas, por maior que seja a aversão a ele — e a minha é enorme — não há como deixar de reconhecer: Lacerda foi um administrador competente e um tribuno e polemista brilhante. Fulanizava com brilhantismo. Um debatedor simplesmente terrível. E peitudo.
De Ivete Vargas para Lacerda: “Vossa Excelência é um purgante!”
E Lacerda, em cima da bucha: “Vossa Excelência é o efeito!”
Seus imitadores não chegam nem perto…
Eu é que não gostaria de encarar essa fera…
112 Pedro Doria // 30/January/2008 às 8:54
Elias, procure o ‘Depoimento’ do Lacerda. É um longo relato autobiográfico a vários jornalistas. Só dá para encontrar em sebo, mas é a melhor leitura do ex-governador da Guanabara.
Uma vez, os presos estavam em rebelião. Ele mandou dizer para todo mundo se reunir em círculo no pátio e lá entrou acompanhado só do ajudante de ordens, que estava desarmado. Disse que ia ouvir todas as reclamações, que acataria o que achasse justo mas apenas isso. Foi, ouviu, não cedeu em quase nada e terminou a rebelião.
O cara era um escroque. Mas era um mestre.
113 A. Wasserman // 30/January/2008 às 9:04
Sim, Lacerda era um escroque, sem escrúpulos e obcecado por poder, nada mais, mas era um alto intelecto. Suas traduções também são excelentes (Minha Mocidade, de Winston Churchill, p. ex.).
114 Elias // 30/January/2008 às 10:25
Obrigado pela dica, PD.
Vou já começar a procurar.
115 Ricardo Alexandre da Silva // 30/January/2008 às 18:20
Elias:
Juscelino, depois de eleito, censurou Lacerda, vetando seu acesso ao rádio. Tratava-se, portanto, de garantir sua sobrevivência política, donde a virulência do famoso discurso contra a posse de Juscelino.
Pedro Dória:
Escroque?!? Mas Lacerda - e isso seus próprios críticos admitem - jamais roubou um tostão do erário…
Sugiro, como leitura, os dois volumes da biografia de John Dulles sobre Lacerda. Excelentes. Como informação complementar, caem muito bem “A Lanterna na Popa”, no qual Roberto Campos dedica algumas páginas a Lacerda e “O Demolidor de Presidentes”, no qual o líder udenista é visto pelas lentes do PC do B.
Cordialmente,
RAdS.
116 Elias // 30/January/2008 às 20:23
Ricardo,
Jamais disse que Lacerda era ladrão. Também não sei se ele não era. Não é disso que estamos falando.
Lacerda pregou abertamente a deposição de Juscelino, eleito legitimamente pelo voto direto da população brasileira. Pregou abertamente a deposição, antes mesmo de Juscelino ser eleito. E continuou a pregar, depois das eleições.
Vetar a presença dele num programa de rádio foi pouco. Lacerda deveria ter sido preso.
A pregação de Lacerda nada tinha a ver com movimentos pelo impedimento de presidentes, como ocorreu com o Collor. Com a renúncia deste, assumiu o vice, sem ruptura do processo democrático.
Não era isso que Lacerda queria. Lacerda pregava o golpe. A deposição do presidente e seu vice. Queria a ruptura do processo democrático.
Lacerda se esmerou em ser uma ameaça à democracia. Jamais perdeu uma chance para tentar garroteá-la, seja por que meio fosse.
Nesse sentido, era, sim, um escroque. Brilhante, mas um escroque. E dos piores!
Por ironia, foi retirado da política exatamente porque estava morta a democracia no país. E a democracia estava morta exatamente porque ele ajudara a matar.
No frigir dos ovos, Lacerda cuspiu pra cima…
117 Ricardo Alexandre da Silva // 30/January/2008 às 22:41
Elias:
O PD chamou Lacerda de escroque, não você. Na definição do “Aurélio”, escroque é “o que se apodera dos bens alheios”. Considerando, portanto, que nem mesmo seus piores inimigos o acoimaram de ladrão, pdemos dispensar o adjetivo escroque quando tratarmos de Lacerda. Entendo, entretanto, a acepção que você emprestou ao termo.
Não nego o caráter controverso de Lacerda. Ele sempre despertará amor ou ódio. É possível, contudo, analisar alguns passos de sua caminhada com maior objetividade.
Sobre a polêmica a respeito da posse de Juscelino é necessário contextualizar o momento pelo qual passava o Brasil. Há pouco Getúlio Vargas se suicidara, deixando órfãos os eleitores do PTB. Café Filho assumiu a presidência por pouco tempo e, a seguir, houve a eleição, na qual o PSD apresentou Juscelino como candidato.
Foi precisamente nesse momento que Lacerda advogou o que denominara de regime de exceção. Cito (Depoimento, página 151):
“(…) Mas, sobretudo através de artigos na Tribuna, eu recomendava o que chamava na ocasião, e talvez tenha errado em dar esse nome, “regime de exceção”. Eu não chamava “regime de exceção” por ser um regime sem garantias para os cidadãos, nem um regime, enfim, autoritário-fascista. Eu o chamava “regime de exceção” por ser um regime de transição, durante o qual seriam feitas reformas que permitissem ao país entrar num regime democrático mais autêntico: eleições de verdade, com o povo mais receptivo ao raciocínio que à emoção. Dizer que numa eleição não há sempre fator emocional, seria dizer uma tolice, é evidente que sempre há. Mas, quanto mais esse fator predomina sobre o outro, isto é, sobre o fator raciocínio, mais o povo está inclinado a votar contra seus próprios interesses. Foi assim que Hitler ganhou as eleições; foi assim que Peron ganhou as eleições. Foi assim que nós temos visto ditadores chegarem ao poder através do voto popular, porque aproveitavam a emoção e mobilizavam o povo nesse sentido, impedindo-o de raciocinar. E foi o que se deu”.
Nesse cenário Juscelino impôs sua candidatura ao PSD, deixando para trás líderes tradicionais. Em um golpe de mestre trouxe João Goulart, herdeiro de Getúlio, representante do legado trabalhista, como vice-presidente. Com a união PSD/PTB era impossível a vitória da frente demócrática que por anos e anos lutou contra o getulismo. Esse é o contexto no qual Lacerda deflagrou sua campanha. Contexto ainda mais complicado pela doença de Café Filho e posse de Carlos Luz, presidente da Câmara que sofreu golpe orquestrado pór políticos do PSD.
Assim, em suam, Lacerda jsutificaa sua opinião afirmando (Depoimento, páginas 161/162):
“O país legal era esse do PSD, da eleição, do PTB, etc.; e o país real era o ´país que carecia de reformas profundas, inclusive para acabar com o poderio dessa gente; para acabar com as oligarquias; para acabar com o peleguismo. (…) Nesse sentido eu era golpista. Foi a mesma coisa em 64. Eu era a favor de um golpe que evitasse o golpe por via eleitoral. Porque aquela eleição, na minha opinião, era um golpe, que significava a volta da máquina, era o uso da máquina existente para coonestar por via eleitoral o golpe que havia contra o país”.
Considerando a dura oposição da UDN, Lacerda à frente, aos desmandos getulistas, a perspectiva de continuidade do regime - getulismo sem Getúlio, com uma figura extremamente carismática ocupando a Presidência - era assombrosa para quem se opôs ao Estado Novo e ao queremismo.
Isso legitima a atitude de Lacerda? Cabe à história julgar. Mas esse contexto no mínimo demonstra em Lacerda uma figura muito mais complexa que um mero golpista.
Saltando alguns anos, no que toca à cassação de Lacerda, não creio que ele tenha sido um dos assassinos da democracia. Apoiou a ruptura institucional em 64? Sim. Mas nem ele nem outros “filhos da revolução” endossaram o AI 5.
Por isso considero exagerada a pecha de assassino da democracia.
Por fim, quanto à “fulanização” mencionada alguns posts acima, penso que os discursos de Lacerda atestam suas grandes qualidades de orador. Talvez o maior tribuno brasileiro depois de Ruy Barbosa. Nesses discursos você encontrará, além de tiradas saborosas, assuntos ligados à pequena política, à ordem do dia. Mas isso absolutamente não significa que Lacerda não tivesse projetos para o Brasil.
Esperando que o debate prossiga deixo, desse lado da tela, minhas saudações cordiais.
Ricardo Alexandre da Silva.
118 Elias // 31/January/2008 às 17:29
Riucardo,
Vai ver que, na acepção do PD, Lacerda era um escroque porque vivia tentando se apoderar dos mandatos alheios.
Pura verdade.
“Acabar com as oligarquias”?
Menos, Ricardo, menos…
Lacerda e a UDN eram ligados às oligarquias até às entranhas. Ligados, em especial, à parcela mais retrógada das oligarquias brasileiras: a oligarquia nordestina.
Pra acabar com o poder dessas oligarquias, Lacerda teria que começar acabando com ele mesmo e com a UDN.
“Eu era a favor de um golpe que evitasse o golpe por via eleitoral.”
Essa frase diz muito sobre Lacerda. Um debatedor hábil, que usa sua capacidade verbalização para abusar da inteligência alheia e defender o indefensável; justificar o injustificável.
Quando um correligionário de Lacerda vencia as eleições, estas eram legítimas. Fossem vencidas por um adversário, era “golpe”, o que “justificaria” o golpe que ele cabalou pela vida afora, até ser descartado pelos fardados.
Típico…
Queria reformas? Por que não lutou por elas dentro do quadro democrático?
Defender a conduta de Lacerda é o mesmo que dizer que, pra defender a democracia, é preciso acabar com ela. Isso é um exercício de hipocrisia.
Nem me venha dizer o Lacerda dizia. Eu ouvi, de viva voz, e presenciei — ainda criança, e até a adolescência — muitos e acalorados debates sobre o que ele falava.
Um cunhado meu (hoje falecido), casado com minha irmã mais velha, era parente de Lacerda. Meus sobrinhos, filhos desse casamento, têm o mesmo sobrenome. Por isto, cada movimentação de Lacerda era “assunto de família”. Que se dividia quanto a ele (daí os debates intermináveis).
Era, sim, um orador brilhante e um debatedor terrível. A meu pensar, também foi um administrador competente. Mas o uso que ele fez dessas qualidade foi simplesmente desastroso para o país.
Se Lacerda tinha ou não projetos para o Brasil eu não sei, até porque ele nunca se deu ao trabalho de mostrá-los.
Sei que ele tinha projetos pra ele. Projetos que, felizmente, jamais foram realizados.
119 Elias // 31/January/2008 às 18:17
Ah, sim, Ricardo,
Também não tenho lá muita admiração pelo Ruy Barbosa.
E, orador por orador, sou mais o Lacerda. Pelo menos não era pernóstico.
Retribuo suas saudações e, como a caixa parece ter ficado só pra nós dois, será um prazer continuar o debate com você.
120 Megalopolis » Mistureba // 1/February/2008 às 5:20
[…] Ao que parece, Jango foi assassinado. É só uma hipótese, mas alguém […]
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