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O mundo visto pelos leitores: Angola

January 24th, 2008 · · 151 Comentários

Por Caco

Angola é um país em obras divididas por empreiteiras brasileiras, nas quais a Odebrecht aparece como a principal quanto ao volume, além de portuguesas e chinesas. Os chineses foram os últimos a desembarcar por aqui, mas já formam o maior contingente. Ninguém sabe ao certo, mas dizem que já são mais de 600.000 deles espalhados pelo país – dá algo como 3% da população. Trabalhando em turnos que causam inveja pela velocidade das obras e disposição para trabalhar 24 horas por dia e sete dias por semana. E, num fenômeno esperado, começaram a se integrar à sociedade de forma tão forte que a primeira geração de crianças sino-angolanas já começa a dar seus passos.

Os chineses começam a tomar um espaço no coração das angolanas que até agora era dos brasileiros. Nós entramos nas casas todos os dias através das novelas da Rede Globo e da Rede Record. É inegável e surpreendente a influência da cultura brasileira por aqui. Nossa moda e costumes estão por toda parte. Na música, nos restaurantes, nas roupas, nas gírias dos jovens. O maior mercado de Angola chama-se Roque Santeiro. E há também o mercado Beato Salú. Sacoleiras desembarcam diariamente no aeroporto com sacolas abarrotadas de roupas que são vistas na última novela das oito do Globo. Cantores brasileiros chegam até aqui para estadas de quatro dias, tempo suficiente para um show e a gravação de um comercial. Também aproxima brasileiros e angolanos o passado de colônias que se livraram de Portugal. Há muito tempo e sem guerras, no caso do Brasil. E há 33 anos e com uma guerra de 20 anos, no caso dos angolanos.

Às voltas com taxas de crescimento que rondam os 20% nos últimos cinco anos, o país tem se transformado no mais recente Eldorado de uma legião de empreendedores. Associados sempre a angolanos, esses empresários chegam diariamente a Luanda em vôos lotados da TAP, TAAG e SAS. Há uma crença geral de que vale a pena explorar qualquer atividade econômica por aqui. Há demanda por tudo e restrições de oferta de toda ordem. Também colabora para essa situação o fato de a economia estar baseada fortemente na exploração de petróleo e minerais (principalmente diamante e ouro). Em tempos de barris de petróleo nas alturas, há uma natural liquidez no mercado provocada pelas petrolíferas e companhias mineradoras.

Diante da escassez de mão de obra especializada, essas empresas operam com mão de obra estrangeira que, evidentemente, condiciona sua vinda para cá às custas da manutenção de um padrão de vida similar aos de seus países de origem. Tudo isso faz com que Luanda seja uma das cidades mais caras do mundo para viver. Quer alugar um apartamento no centro com dois quartos? Quatro mil dólares com contrato de dois anos e pagamento adiantado. Almoço rápido com uma Coca-cola? Separe 25 dólares. E não espere qualidade, conforto, opções e pontualidade, como se espera noutros cantos. Opções de restaurantes também não há. São poucos e a culinária invariavelmente segue uma linha portuguesa com muitos peixes, frutos do mar, carneiros etc. No início é gostoso para um brasileiro, mas em pouco tempo começamos a ter saudades de arroz, feijão, pizza e churrasco.

Aqui cabe uma explicação. Qualquer pessoa, angolana ou estrangeira, chama a capital de Luanda, como se Luanda fosse um município. Na verdade, Luanda é uma província composta por nove municípios que formam uma grande região metropolitana. Moram em Luanda aproximadamente quatro milhões de habitantes. A população total do país gira em torno dos 16 milhões. Todos esses números são estimados pois não há registros de censos demográficos nos últimos 30 anos. Em geral, os angolanos inflacionam todos os números que dizem respeito ao país com indisfarçável orgulho.

Luanda deve ter sido uma bela cidade até o fim do período colonial (1974). Às margens de uma grande baía, cercada por palmeiras, a cidade tem nessa região a área mais valorizada. É onde belíssimos prédios coloniais (a maioria em total estado de abandono) convivem com os moderníssimos arranha-céus construídos pelas petrolíferas para instalação de seus escritórios. Isso forma um grande contraste na arquitetura da cidade: prédios coloniais abandonados, arranha-céus high tech e esgoto correndo a céu aberto na sarjeta. Aliás essa é uma característica de Luanda. Por melhor que seja o ambiente em que você esteja, quando sair trombará com a realidade sob a forma de esgoto, lixo, buracos nas ruas, prédios abandonados, poeira e trânsito. Muito trânsito.

O primeiro sinal de urbanização feita de forma planejada aparece ao sul de Luanda, em Luanda Sul. Esse pedaço da capital foi todo urbanizado pela Odebrecht com largas ruas e avenidas. A construção do primeiro shopping center do país nessa área indica que esse será o pólo de desenvolvimento da cidade. Os melhores condomínios estão ali e outros tantos, novos, vão sendo construídos para atender à demanda das grandes empresas e seus expatriados.

Dizem que o angolano (homem) gosta de carros, celulares e mulheres. Nessa ordem. E isso parece ser fato. Você vê nas garagens de edifícios residenciais, em completo estado de degradação, carros que estarão expostos no próximo Salão do Automóvel de São Paulo. Saia do centro, vá para as periferias, e lá estarão circulando Porsches, BMW, Mercedes, Range Rovers e outras estrelas da indústria. Tudo isso misturado a milhares de carros importados da Europa e Estados Unidos em lastimável estado de conservação. Possivelmente não só Angola, mas outros países da África, estão se transformando nos lixões automobilísticos do Primeiro Mundo.

Não há transporte público no país. Nem mesmo táxis. Então a população usa serviços de vans, chamadas de candongueiros. Todos candongueiros estão padronizadas com uma pintura azul na metade inferior e branca na superior. São milhares rodando pela cidade, sempre lotadas de passageiros. Como o trânsito é um caos e os congestionamentos são onipresentes a qualquer hora do dia, os candongueiros fazem de tudo para conseguir ir de um ponto ao outro no menor espaço de tempo, aumentando suas receitas. Vale andar na contramão, não respeitar sinais ou subir nas calçadas. (Saudades do trânsito de São Paulo.)

Para montar uma empresa em Angola, a associação de empresários estrangeiros e angolanos é obrigatória e deve-se a duas razões básicas: legislação e pragmatismo. A legislação apresenta resquícios de uma economia que viveu seu período comunista e a formação de uma empresa não é possível com capital 100% estrangeiro. O pragmatismo prende-se ao fato de que, sem alguém que o apresente, abra as portas e explique todos os caminhos na selva de burocracia e corrupção, torna-se virtualmente impossível operar no mercado.

Pegue, por exemplo, um processo de importação com seus necessários 26 formulários/documentos. Não tente procurar em um site quais são esses 26 papéis. E não acredite numa relação que alguém possa lhe entregar. Provavelmente essa não será a lista certa. Pense em como/quanto/para quem pagar 26 ‘gasosas’ para que seu processo seja concluído. Sem um angolano ao seu lado, possivelmente essas barreiras acabariam com seu negócio no primeiro mês de vida.

Mas, a partir do momento em que sua mercadoria chega ao mercado, aproveite. Você venderá o que tiver, pelo preço que quiser e entregará quando puder. Não deverá dar garantia, assistência ou manutenção. E perderá grande parte do dia recusando novos pedidos. E se o sócio angolano for do partido do governo, aí você estará no paraíso. Terá portas abertas para vender para o governo nas licitações e concorrências em condições ainda mais vantajosas de preços e com baixos níveis de exigência. Claro que compartilhando uma parte dos lucros com quem decide a compra nas várias etapas do processo.

Isso tem formado uma elite de empresários que tornam-se milionários da noite para o dia e que passam assim a formar um mercado ávido por consumir e que alimenta a cadeia de elevação de preços.

Mas toda essa vitalidade da economia não tem trazido desenvolvimento. Com uma população com mais de 90% de analfabetos, 80% sem acesso a água potável e sistema de esgoto, igual percentual sem acesso à rede de energia elétrica e um brutal desemprego, a pobreza é visível e inevitavelmente próxima. Iniciativas tímidas do governo vêm sendo tomadas em várias frentes da saúde, educação e infra-estrutura. Mas frequentemente essas ações soam eleitoreiras, populistas, ineficientes e insuficientes. Há uma consenso entre a população angolana mais esclarecida e economicamente ativa de que as medidas adotadas até agora não tirarão o país da situação atual. As demandas sociais básicas por saúde, educação e moradia superam em larga escala aquilo que é oferecido.

O debate tende a se tornar mais acalorado com a aproximação das prometidas eleições legislativas de 2008, as primeiras em 30 anos. Uma ainda incipiente oposição acusa o governo de não promover as reformas necessárias como forma de manter um maior controle sobre a população (ou eleitores na leitura da oposição). Aponta que as ações nas áreas sociais são feitas com o objetivo de manter o status quo e garantir a perpetuação no poder. E questionam o destino dos bilhões de dólares que jorram dos poços de petróleo.

Não há dúvidas que uma parte desse bilhões estão indo para as inúmeras obras de recuperação das infra-estruturas do país. Por todo lado de Luanda, abrem avenidas, restauram-se redes de água e esgoto, instalam-se postes da rede elétrica. Nas províncias, estradas são recuperadas dos danos causados por 20 anos de guerra e trens começam a circular em estradas de ferro novas. Mas não se encontra nessa mesma escala construções de novas escolas, novos hospitais ou moradias populares. Como seu houvesse um enorme lobby de grandes empreiteiros (e certamente há) obras de infra-estrutura de vultuosos valores e incalculáveis possibilidades de corrupção, suborno e comissões são aprovadas e iniciadas à toque de caixa. Obras cuja visibilidade ou retorno sejam de longo prazo não despertam as mesmas paixões pelas pessoas que detém a chave do cofre. O que, aliás, não é novidade para alguém que veio do Brasil.

Apesar de tudo isso, o angolano é um povo alegre e orgulhoso de sua terra. Tudo é motivo para festa e para música. Todos dançam e dançam bem. Os ritmos daqui mais populares são a kinzomba, o kuduro e a tarraxinha. A kinzomba é uma música alegre para dançar agarradinho. Soa para mim como algumas músicas do norte, tipo Calypso. Kuduro dança-se como um funk. E a tarraxinha é dançada apenas pelas moças com gestos pra lá de provocantes. O nome é quase auto-explicativo. Dançam nas festas e dançam nas ruas. Nos fins de semana, os jovens vão até a ‘ilha’ (na verdade a porção sul da baía), abrem os porta-malas de seus carros e fazem suas festas ao ar livre. Tudo regado a quantidades industriais de cerveja. Nos domingos, quando é fim de tarde, a mistura de jovens, carros, música e cerveja resultam invariavelmente em confusão e brigas. Apesar de brasileiros serem bem tratados e bem aceitos, no caso de confusão, é melhor ficar bem longe. Nessas horas, todos são estrangeiros (ou ‘pulas’, como eles dizem) e manifestações xenofóbicas e racistas tomam espaço dos argumentos.

Também evite confusão ao falar sobre a política angolana. Eles dirão que você não viveu o período de guerra para entender o equilíbrio de forças que controlam o país. Sábias palavras.

No fim os estrangeiros concordam com um ponto. Dá pra viver. Poucos gostam. Mas todos concordam que vale a pena o sacrifício.

Tags: Depoimentos · África

151 Comentários até agora ↓




  • 1 aiaiai // 24/January/2008 às 5:46

    aiaiai, não vai me dizer que o caco é o chest, ou o chest é o PD…ou pior, o chest adivinha o que o PD vai postar. vou trabalhar! Queria só dizer que gostei muito da mudança de assunto!

  • 2 Andre Fucs // 24/January/2008 às 6:14

    po caco esse mundo visto por veio atrasado! Não há três semanas recusei uma vaga de trabalho em angola. Ainda bem que o head hunter foi sincero e comentou sobre o custo de vida em angola como um dos mais altos do mundo.

    pelo seu relato parece ser um lugar melhor para se empreender…

  • 3 Caco // 24/January/2008 às 6:32

    André, tudo depende do pacote negociado. Se incluir casa, carro, escola pra as crianças (se for seu caso) começa a ficar interessante. Principalmente porque ,tirando as despesas básicas, gasta-se pouco com supérfluos, lazer, viagens, etc.

  • 4 proftel // 24/January/2008 às 7:14

    Bom, não li sobre a segurança.
    Como está a violência por aí? Muitos assaltos?
    E a AIDS, como está em Angola?
    Se não há escolas não há campo na minha profissão de orígem.
    Como funciona internet por aí? Há Técnicos que consertem as máquinas ou é o esquemão do Japão/EUA (quebrou joga fora)?

    Bom, não sei se arriscaria.

    Ah, o texto está ótimo, muito bom, parabéns, complementa um programa da Regina Casé que vi recentemente na Futura.

    :-)

  • 5 proftel // 24/January/2008 às 7:16

    na Futura=no Futura

  • 6 paulo // 24/January/2008 às 7:17

    Esta empregado ou é empreendedor? Preciso de um contato em Angola.

  • 7 paulo // 24/January/2008 às 7:17

    kgkc@ig.com.br

  • 8 rafael // 24/January/2008 às 7:21

    “Poucos gostam. Mas todos concordam que vale a pena o sacrifício.”

    Mesmo descontando o vale a pena o sacrifício (sic), não ficou claro para mim o sentido desta frase. Vale a pena por quê?

  • 9 josef mario // 24/January/2008 às 7:24

    Companheiro caco
    Eu, josef mario, devo dizer que gostei do seu relato. Todavia tenho uma curiosidade: o pagamento do salário destes técnicos e engenheiros que trabalham na odebrecht, por exemplo, continua sendo feito em dólar, com depósito em contas correntes abertas nos EUA para cada funcionário e apenas com uma parcela mínima, suficiente para gastos em bobagens, paga em luanda com a moeda local- kwanza?
    Muito obrigado

  • 10 Darwinista // 24/January/2008 às 7:50

    “Apesar de tudo isso, o angolano é um povo alegre e orgulhoso de sua terra. Tudo é motivo para festa e para música. ”

    Não é à toa que os angolanos consomem tanta “cultura” brasileira. O espírito de cordeiro passivo e idiota é o mesmo. Há identificação.

  • 11 Caco // 24/January/2008 às 8:05

    Proftel, existe marginalidade, não violência. Roubam-se celulares, carteiras, iPods, etc. Nunca ouvi falar em sequestros. Não existem carros blindados. Não há venda de drogas de maneira clara e em locais conhecidos. Mas a população e mídia revelam-se insatisfeitas com a situação atual, dizem que Luanda já foi muito mais segura e culpam a TV Globo pelo aumento da marginalidade. Dizem que diariamente os telejornais brasileiros ensinam aos jovens angolanos como tornarem-se bandidos. Internet praticamente só via operadoras móveis em rede 3G. E, finalmente, não só computadores mas qualquer coisa que quebre é mais fácil jogar fora.

  • 12 Ricardo Cabral // 24/January/2008 às 8:21

    Caco, meus parabéns. Tenho uma amiga trabalhando há um ano em Angola, e a descrição que vc fez é mais completa do que a que eu ouvi de lá.
    E mudando totalmente o rumo da prosa, soube que, assim como no Brasil, em Angola o povo tb acha que “Jindungo no futungo do pula é sumo”,, e eu não posso deixar de concordar…

  • 13 HRP Mané Reloaded // 24/January/2008 às 8:26

    Parabens Caco….e muito obrigado por matar a minha grande curiosidade em conhecer esse ,ao que parece, lindo país que começar a andar com as próprias pernas…….A Africa precisa desses tipos de exemplos.

  • 14 Antonio M // 24/January/2008 às 8:36

    Uma pena que esteja começando mal. Perdem uma oportunidade fantástica de começar com planejamento decente mas, infelizmente a cultura do país continua sendo o da sobrevivência na selva e não como a de países da Europa que tinham em mente a reconstrução.

    E pelo jeito, podem ter orgulho de seu país mas acho que é igual aqui, orgulho do futebol e do samba e olhe lá e já elegeram um culpado pelos males e eventuais fracassos: a rede Globo …..

  • 15 proftel // 24/January/2008 às 8:41

    Caco, brigadão pelo esclarecimento.

    :-)

  • 16 HRP Mané Reloaded // 24/January/2008 às 8:42

    Caco….essas grandes obras se extendem pelo interior do país ,ou só se concentram no entorno da capital?
    E os conflitos tribais?
    E o portugues ,é ,mesmo, a lingua predominante?

  • 17 Nat // 24/January/2008 às 8:46

    Um lugar que eu sempre quis conhecer…
    Parabéns Caco. Belo relato. Da identificação com o povo brasileiro, principalmente nas periferias eu já sabia. Como o proftel mesmo falou, a Regina Casé fez inúmeras reportagens por aí.
    Mas o lado de quem vai trabalhar em Angola eu desconhecia.

  • 18 Caco // 24/January/2008 às 8:54

    HRP Mané Reloaded, as obras prioritárias no interior referem-se à reabilitação das estradas pois o acesso ao interior ficou muito prejudicado pela guerra. Haverá a ampliação do porto e abertura de uma refinaria de petróleo em Lobito (550 km ao sul de Luanda). Existem também algumas usinas hidrelétricas sendo construídas nas províncias. Desconheço conflitos tribais nas províncias. Fala-se português em todo país com sotaque mais próximo ao falado em Portugal. No interior alguns dialetos são usados mas restrito às pessoas mais idosas.

  • 19 Burn the Witch! // 24/January/2008 às 9:02

    Legal o relato. Acho que depois vou folhear meu Another Day of Life, do Ryszard Kapuscinski. Matar as saudades de Angola, país que nunca visitei.

  • 20 nada será como antes // 24/January/2008 às 9:08

    Muito bom o relato.

    Faltou apenas menção à beleza das angolanas. A mulher mais linda que vi em, toda minha vida, foi uma angolana que morava em Lisboa , no início dos anos oitenta.

  • 21 nada será como antes // 24/January/2008 às 9:11

    vi em, = vi, em

  • 22 JAEL // 24/January/2008 às 9:12

    parabens Caco pela descrição tão inteligente sobre ANGOLA, adorei o seu artigo muito esclarecedor e sério sobre um país em reconstrução.

  • 23 Conselho // 24/January/2008 às 9:37

    Muito bom mesmo o relato. Impressionante a semelhança com o Brasil.

    Parece mesmo que herdamos do nosso modelo de colonização essa cultura de corrupção e desrespeito às leis …

  • 24 Alexandre Barros // 24/January/2008 às 9:49

    Ótimo texto. Vou passar uma semana aí ?!!! Vale a pena ?!! Abraços

  • 25 Mr X // 24/January/2008 às 9:52

    Vale a pena?

    Só se for pra ganhar muita grana, e dê pra sair com algumas angolanas bonitinhas, pois fora isso pra mim pareceu uma descrição do inferno… Só de imaginar o trânsito angolano dá calafrios.

  • 26 Chesterton // 24/January/2008 às 10:00

    bem, atendo alguns angolanos que vem para cá, já tive colegas que passaram meses em Angola trabalhando, e até já pensei em faturar em dolares por lá…mas não recomendo, as histórias são escabrosas.

    Tem uma praia lá lindissima que apresenta ium cartaz nesses termos

    É proibido cagar na praia….

  • 27 Chesterton // 24/January/2008 às 10:00

    alias, dêem uma olhada no google earth para avaliar as condições da cidade.

  • 28 Dom Casmurro Patriarca // 24/January/2008 às 10:09

    ” E, num fenômeno esperado, começaram a se integrar à sociedade de forma tão forte que a primeira geração de crianças sino-angolanas já começa a dar seus passos.”
    Muito interessante, Caco, há a possibilidade de que Angola se torne, pelo andar da carruagem, um país fortemente influenciado pela cultura chinesa, fora da Ásia.
    Outro dado interessante é que a economia de Angola cresce a taxas de 20% ao ano.
    É um verdadeiro fenômeno, o PIB dobra em pouco mais de 4 anos.

  • 29 HRP Mané Reloaded // 24/January/2008 às 10:27

    Pelo tamanho da população….controladas as endemias , saneados os maiores problemas com comunicação, energia e saneamento…..em poucos anos Angola estará em condições de dar um salto para frente…tem tudo para tornar-se logo um país nas mesmas condições de uma Africa do Sul……deixa estar……em vista do resto do continente, será muita coisa.

  • 30 HRP Mané Reloaded // 24/January/2008 às 10:29

    iiiiii…..pra provocar!
    Cuba é ,segundo a ONU, o país que mais cresce nas Américas….09% ao ano!

    EEEEEEE……

  • 31 Nhé! // 24/January/2008 às 10:29

    Angola: o Brasil do futuro.

  • 32 Esprit de porc // 24/January/2008 às 11:01

    Belo relato, Caco.
    Pelo visto, infelizmente temos a corrupção em comum com os amigos da África. A raiz disso, todos sabemos: Portugal.

  • 33 Darwinista // 24/January/2008 às 11:05

    Esprit de porc,

    Sua afirmação me intrigou. Você poderia explicar melhor o que quis dizer com “A raiz disso, todos sabemos: Portugal”?

  • 34 Lando // 24/January/2008 às 11:09

    Gostei muito Caco. Parabéns, você escreve muito bem.

  • 35 HRP Mané Reloaded // 24/January/2008 às 11:14

    É Spirit…explica melhor pro Darwin!
    Porque essa coisa com os portugas?
    EEEEEEE
    …………

  • 36 Elias // 24/January/2008 às 11:32

    “Os chineses começam a tomar um espaço no coração das angolanas que até agora era dos brasileiros.”

    Isso é grave, e requer uma análise mais detida do companheiro Josef Mário. Se possível, indicando as providências corretivas que devem ser adotadas com urgência.

    Se os brasileiros estão perdendo pros chineses, com seus zititinhos pequeninoszinhoszinhos, então não têm mais pra quem perder.

    Trata-se de uma séria ameaça a esse bastião da nacionalidade. Que, face as circunstâncias, periga ficar conhecido internacionalmente não como um bastião, mas como um bastãozinho baby.

    Companheiro Josef Mario, o quê fazer para evitar mais essa perda internacional?

  • 37 Conselho // 24/January/2008 às 11:33

    Outra coisa que percebi no texto é como o crescimento chines começa a afetar nossos interesses comerciais.

    Enquanto outras grandes economias (EUA e Europa) são mais consumidoras de nossos produtos do que concorrentes, a China é um concorrente direto do Brasil (incluria aí a Índia e a Rússia também).

    Não que a China não seja nossa consumidora (temos a Vale exportando minério a torto e a direito pra eles para confirmar), mas o perfil de produção deles é muito mais parecido com o nosso.

    Assim, os mercados chinês e brasileiro são muito mais competitivos entre si do que complementares.

    Não sei; é só uma opinião…

  • 38 Antonio M // 24/January/2008 às 11:39

    HPR, Cuba mudou seus critérios recentemente também. Aí exporta médicos para a Venezuela e isso contano superávit!! Rssrsrsrsr!!!! E esqueceu de dizer que com os os salários altíssimos que pagam por lá o mercado interno é fortíssimo e dinâmico…..

  • 39 proftel // 24/January/2008 às 11:41

    Conselho, de boa, já viu brasileiro trabalhar de domingo a domingo sem féria nem feriado como a chinesada faz em Angola?
    Sei não…

  • 40 S Leo // 24/January/2008 às 11:50

    A China está olhando para a África como o Japão olhou para nós nos anos 70, como grande celeiro e fonte de matéria prima para o futuro, Conselho. E, de fato, compete com vantagem por influência lá; tem dinheiro e nenhum freio para usá-lo de acordo com seus interesses. Especialmente sabendo-se que, como apenas indicou o belo relato do Caco, Angola é um dos países mais corruptos do mundo. Um empreiteiro me disse uma vez que, no começo do governo Lula, houve um certo esfriamento nas relações porque se assustaram com a desenvoltura dos corruptos e das empreiteiras; uma delas se considerava a dona do pedaço (e pagava por isso). Também é um dos povos mais próximos de nós, pelo que conheço. Além de ter uma riqueza cultural insuspeita para os preconceituosos, como se vê na literatura angolana.

  • 41 Brancaleone // 24/January/2008 às 11:55

    Caco:

    Que fim levou aquela cambadade néscios que queriam transformar Angola numa nova Cuba e felizmente se estropiaram?
    Existe (fora dos manicômios, é claro) alguem que ainda pretenda um Angola Comunista?
    E as feridas da guerra? cicatrizaram?

  • 42 Caco // 24/January/2008 às 11:57

    Conselho, na minha opinião os chineses estão tomando um pedaço importante do comércio mundial e o Brasil, de forma malemolente e ao ritmo das ondas, será um dos maiores prejudicados. Os chineses estão participando de obras de infra-estrutura, petróleo e mineração em Angola tomando o lugar que poderia ser de empresas brasileiras que têm know-how e portfolio para apresentarem. Como fazem? Eles “emprestam” USD 1,0 bi para os angolanos mas condicionam a grana à contratação de empresas chinesas para executarem as obras. No fim os chineses levam o USD 1,0 bi de volta através de suas empresas e o governo angolano ainda fica devendo mais USD 1,0 bi para os chinocas. Very simple and smart!!!

  • 43 Fabio Negro // 24/January/2008 às 12:01

    Caco, muito bom, ótimo relato, muito claro.

    Minhas curiosidades sobre Angola:

    -a presença de missionários cristãos se faz notar?

    -negócios baseados em cultura vão pra frente, aí? Tipo abrir um cinema ou uma editora?

    -como é a vida de um adolescente típico? Os adolescentes de Angola são típicos?

    -religiosidade e superstição fazem parte também da elie de Angola? Ou conforme crescem em riqueza vão ficando mais laicos?

  • 44 Caco // 24/January/2008 às 12:09

    Brancaleone, palavras de um angolano amigo com uma boa leitura dos fatos : Angola nunca foi comunista. Ela esteve comunista quando isso foi favorável em termos de apoio para a guerra. Como EUA e África apoiavam a Unita (oposição) não houve outra alternativa para o governo (MPLA) senão o alinhamento com o governo da URSS através de Cuba. Acabada a guerra o capitalismo voltou com toda força. Sobraram daquele período os resquícios de um governo ditatorial, autocrático e centralizador. Com o típico discurso que a transição para a democracia tem que ser feita de maneira lenta, gradual e com segurança. Ou seja, conforme as conveniências do regime.

  • 45 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 12:20

    aqui há uns tempos houve um jogador de futebol angolano cuja carta de condução em Portugal caducou e ficou detido umas horas e sem carta pagou uma multa ….. como retaliação o governo Angolano declarou as cartas de condução portuguesas nulas e multou tudo o que cheirava a português ainda pôs uns portugueses em cima de uma carrinha de caixa aberta e passeou-os em Luanda alegadamente a caminho do tribunal ….foi bastante pedagógico….

    um deles é meu amigo e foi meu colega na Universidade, aqui quando se pensa em negociar a ida para angola não se pensa em escola para as crianças nem a familia vai (só de pensar nisso dá calafrio) mas negoceia-se 6 viagens de avião, dois seguranças privados com kalashnikov (de preferência ex ninjas (a policia especial deles)) casa todas as despesas pagas seguro de saude válido na Namibia e comida a vir directamente da Namibia para evitar salmonelas todas as semanas ….afora disso no mínimo 8000 a 10000 dolares por mês pagos em contas …..ali pra Gibraltar…..

  • 46 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 12:22

    claro está …. istu reflecte a posição de colonialista ressabiado…..

  • 47 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 12:23

    eu estive lá em 1998 …. fartei-me de negociar com uma ministra doze generais e vários advogados ….. nenhum recebia nada do estado como pagamento todos eram pelo menos cem vezes mais ricos que eu…..

  • 48 Lucas // 24/January/2008 às 12:26

    Grande matéria essa.. a tempos que não via coisa de tão boa qualidade por aqui…

  • 49 Caco // 24/January/2008 às 12:30

    Fábio, já tive contatos com missionários no avião. Fazem trabalhos principalmente nas províncias. Mas, sinceramente, não sei detalhes. Quanto aos investimentos em cultura…Eu não apostaria nisso nesse momento. Editora? Pra vender pra quem? A população é basicamente analfabeta. Os próprios universitários podem ser classificados como analfabetos funcionais em sua grande maioria. Até para mandar um SMS pelos celulares as pessoas têm dificuldades. Cinema? Tem um complexo no Shopping. Ingressos a USD 20,00, valor restritivo para a maioria da população. Poucos ricos são ricos de berço. A maioria está construindo as fortunas a partir do fim da guerra. Porisso mantém fortes laços com tradições/passado. Assim é comum que vários empresários só invistam após consultar os “sobas” (chefe) de suas aldeias de origem. Ou que acreditem em bruxarias e outras crendices. E os adolescentes são como você disse : típicos. Gostam de roupas Puma, iPod, carros, hip-hop, Beyoncé e outras coisas do gênero.

  • 50 Lando // 24/January/2008 às 12:46

    Piotr Kropotkine

    Ou não entendi direito, ou você carrega um preconceito forte a respeito da ex-colônia. Esquisito um libertário com este tipo de conduta…

  • 51 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 12:53

    não carrego nada contra ninguém…. sou apenas cinico….em 1998 fiquei impressionado pelo numero de crianças sem pernas sem braços por causa das minas que pediam em Luanda …. a pobreza extrema de uns contrastavam com uma concentração de Audi A8 que eu nunca tinha visto… a riqueza acumulada em tão pouco tempo antes durante e após a guerra por alguns poucos deixa-me completamente descrente de muita coisa ….

    mas em relação a ex colónias veja-se o caso de Cabo Verde e de como aquela gente (sem recursos naturais nenhuns) e mesmo Moçambique (com muitssimo menos recursos naturais) conseguiram avançar com muito mais equilibrio e justiça social

    Angola é um farwest a new frontier com tudo o que isso implica….

  • 52 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 12:54

    quanto ao mais as condições e considerações de negociação para expatriamento seriam as mesmas se fosse para a Kabardino Balkaria…..

  • 53 Moral da história... // 24/January/2008 às 13:08

    Não há como culpar o ‘comunismo’ pelas desgraças de Angola. Afinal, ninguém por ali jamais foi comunista - ou sequer soube o que isso significa! Para infelicidade dos brancaleones da vida…

  • 54 Alba // 24/January/2008 às 13:27

    Belo relato, Caco. Parabéns!

    Só entristece perceber que com todas os recursos naturais, a construção do país se dá sem planejamento e com muita corrupção.

    O que, guardadas as devidas proporções também acontece com alguns municípios brasileiros beneficiados pelos royalties do petróleo, como Macaé. A renda per capita é das maiores, entre os municípios brasileiros, mas não impede que na cidade proliferem as favelas, lado a lado com uma especulação imobiliária de assustar.

  • 55 Lando // 24/January/2008 às 13:30

    Entendi, Piotr. Mas fico pensando se, como as coisas mudam muito rapidamente lá, a tua visão de 1998 não pode estar um pouco defasada, já que as informações do Caco não são assim tão lúgubres.
    E aí, Caco, qual tua posição? Não conheço Angola, mas fiquei curioso.

  • 56 Caco // 24/January/2008 às 13:48

    Lando/Piotr, realmente acho que o país deve ter mudado muito de 1998 para 2008. Estou aqui há 2 anos e posso dizer que percebe-se melhorias como recolha de lixo, comércio e comunicações. Particularmente, não tenho 2 seguranças com AK-47, nunca tive problemas com salmonelas nem compro comida na Namíbia. Mas a experiência de morar aqui, ou em qualquer outro país, é algo muito particular. E, curiosamente, sinto que os portugueses gostam mais daqui que os brasileiros. Repito o fim do meu texto : dá prá viver.

  • 57 Lando // 24/January/2008 às 14:00

    Obrigado pela informação, Caco.

  • 58 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 14:08

    para quem estiver interessado…. isto é o que se pode chamar de claridade no meio do túnel….

    http://www.ft.com/cms/s/0/24f73610-c91e-11dc-9807-000077b07658.html

  • 59 Chines - Ling Shi Xi // 24/January/2008 às 14:41

    Vamos dominal o mundo.

    Chines

  • 60 Darwinista // 24/January/2008 às 14:43

    Piotr,

    Esse link não está carregando.

  • 61 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 14:50

    darwinista…não está? mas eu clico e vai lá dar….

  • 62 Darwinista // 24/January/2008 às 14:54

    Piotr,

    Agora lá deu. Valeu.

  • 63 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 14:56

    darwinista ….provavelmente você precisa fazer um registo simples no Financial Times com um endereço de email e depois tem livre acesso ao artigo …só se for por isso….

  • 64 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 14:58

    outra noticia de interesse e esta diz-vos respeito…a ocupação da Amazónia pelos agricultores com imagens de satélite ….

    http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/us_and_americas/article3245635.ece

  • 65 Darwinista // 24/January/2008 às 15:18

    Piotr #64,

    Péssimas, péssimas novas. E o nosso presidente aqui chamando esses pulhas de heróis.

    Agora, uma correção eu preciso fazer, Piotr. Essa notícia diz respeito a todos nós.

  • 66 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 15:43

    bem verdade…. diz respeito a todos nós….

  • 67 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 15:45

    aqui há uns anos uns alunos meus fizeram um modelo que calculava quanto é que o Brasil devia receber da ONU por manter a Amazónia intacta…

  • 68 Darwinista // 24/January/2008 às 15:49

    Piotr #67

    O que é um tremendo absurdo. O Brasil não precisa e não deve receber nada pra preservar seu próprio patrimônio. Não o faz por incompetência, desinteresse e corrupção desmedida.

  • 69 Esprit de porc // 24/January/2008 às 16:12

    Prezados, não tenho absolutamente nada contra portugueses.
    Sou neto de portugueses, nasci na Beneficência Portuguesa e torço para o Vasco!
    Além disso, tive oportunidade de ir uma vez a Lisboa e achei a cidade linda.
    Dito isso, não é segredo para ninguém que nossos vícios corrupção+burocracia tem origens em Portugal. Isso é infelizmente um traço que liga todas as ex-colônias portuguesas.
    Não se iludam: Portugal é muito diferente da Europa em certos aspectos. Portugal é bem mais brasileiro, no que diz respeito a coisas ruins também.
    Eu também poderia escrever horas sobre as boas coisas dos portugueses e de Portugal. Uma delas é que os portugueses se permitem ficar tristes de vez em quando (bastar ouvir um bonito fado) enquanto nós brasileiros vivemos a (no meu ver) ditadura da felicidade eterna.
    Bom, espero não ter ferido susceptibilidades.

  • 70 Darwinista // 24/January/2008 às 16:23

    Esprit,

    Eu não me incomodei com seu comentário. Eu realmente não entendi. Você citou os portugueses sem qualquer explicação maior, permitindo um grande número de interpretações. Eu fiquei curioso e desejei compreender melhor.

    No #69 você se aprofundou um pouco mais, mas ainda acho que poderia desenvolver melhor. Afinal, você parece ter experiências pessoais que devem confirmar sua teses. Fica pra um open, quem sabe.

  • 71 Zictor // 24/January/2008 às 16:32

    Muito bom o texto, muito bom mesmo. Quase tão bom quanto o texto do Irã.

    Sobre a atuação dos chineses na África, posso contribuir com o seguinte:

    Ao contrário dos países do ocidente, que sempre exigiam contrapartidas socias, econômicas, democráticas, o escambau, os chineses simplesmente fazem negócio com os africanos, não se importando se o chefe de Estado de um páis é um maníaco homicida ou um ditador sanguinário. Resultado: cada vez mais países africanos dão uma banana para o ocidente e se voltam para a China, que está ansiosa por conseguir recursos naturais, especialmente petróleo.

    Além disso, os chineses são movidos a um forte nacionalismo e não têm vergonha de mostrá-lo. Para eles, não existe essa de livre mercado. Na China, eu compro na loja do meu amigo, e se você quiser fazer negócio comigo, é bom comprar na loja dele também.

    Esse é um comportamento comum para eles.
    Tô dizendo que vai ter neguinho sentindo saudade dos EUA…

  • 72 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 16:33

    Bom há duas caracteristicas de portucalidade que são velhas , uma é o delirio irrealista do Quinto Império, a crença que nós portugueses deveriamos estabelecer o império do espirito santo na terra (visivel em Camões, Fernando pessoa, Agostinho da Silva, Bandarra entre outros) e que conduz a atribuições megalomenas de grandiosidade totalmente descabida e muitas vezes ridicula basicamente fundada no milagre de Ourique o milagre fundacional da nacionalidade portuguesa em que o primeiro rei recebeu de Jesus Cristo a espada e o escudo para derrotar os reis mouros em Ourique a que se segue a profecia de um beneditino italiano Hoachim dei Fiori que via em D. Diniz o futuro Imperador do Mundo…….. complementar a este ciclo é o ciclo de autoflagelação e auto comiseração (Geração de 70 Antero de Quental, Eça de Queiroz e antes com os estrangeirados do MarquÊs de Pombal) que faz com que nos vejamos a nós próprios como uns miseráveis preguiçosos e ignaros deficientes mentais …. sempre à espera de um milagre que nos resolva os problemas ….

    mas apontar aos portugueses os genes originais da corrupção das ex colónias parece-me exagerado…

  • 73 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 16:35

    basicamente o Eduardo lourenço diz que nós somos bipolares …eu pessoalmente acho que somos eternos adolescentes sempre a hesitar entre uma coisa e outra inseguros …radicais e panhonhas ao mesmo tempo como garotos….

  • 74 Marcos Araújo // 24/January/2008 às 16:43

    Belo, mas triste, relato, Caco - parabéns pelo texto muito bem escrito.

    Pelo que lí e compreend­í, Angola se transforma numa nova Nigéria, ou Quênia, ou como a maioria dos países africanos. Ou, em algo bastante similar ao Brasil. A riqueza do petróleo e diamantes vai pro bolso da curriola política e seus cupinchas; as migalhas aos pobres. A burocracia, e profissionais liberais, enriquecem nas maracutaias com as empreiteiras e investidores estrangeiros. Até parece uma Venezuela pré-Chavez.

    Uma pena. Angola é um país reacheado de riquezas, poderia ser bem melhor. Mas, os próprios angolanos, tais quais seus colegas africanos, botarao tudo a perder. Pior ainda, os chineses dominarao tudo, e ocuparao toda a África. Já estao no Gabao (60,000 ou mais), já começam no Togo e se alastram.

    A China está exportanto chineses para ocupar toda a África Equatorial e engulir tudinho. Existe melhor tática que a de se miscigenar com a populaçao local? A China imperialista terá seu quintal: África. Como a América Latrina é o quintal do Tio Sam. Os chineses sao os imperialistas modernos; botarao Tio Sam no chinelo. A China será a maior potência econômica mundial dentro de 20 anos. Cresceu quase 14% em 2007. Em Shangai, o setor imobiliário explode; o govêrno praticamente reconstroi a cidade, com espigoes brotando por todo lado.

    Ao contrário do que muitos comentam aqui, a China confuncionista e imperialista (ao seu modo tranquilo, bem mais eficaz que a promoçao de guerras) contitue um perigo bem maior para a hegemonia ocidental (leiam USA e Europa) que os muçulmanos fundamentalistas e sua jihad idiota. Chinês é vivo, passa bastante vaselina e enraba - no macio, sem dor. E é bem pago por isto, leva a carteira do freguês. Nao é por menos que os USA há muito se preparam para a próxima grande deflagraçao mundial - contra a China, que invade e ocupa o seu quintal.

    E o Brasil nisto tudo? Pegará as migalhas, como sempre…

  • 75 Chesterton // 24/January/2008 às 16:57

    Te cuida, Piotr, que daqui a pouco estarão a culpar os portugueses pela corrupção responsavel pela decadencia do imperio romano…..

    vou começaire a escreveire como` s portugas fala, estais a sabeire?

  • 76 Chesterton // 24/January/2008 às 16:59

    Os brasileiros deveriam receber uma bolada por ano para distribuir entre seus cidadãos para não asfaltarem a Amazonia. Piotr, aquele estudo descobriu qual a quantia que me cabe exatamente?

  • 77 Chesterton // 24/January/2008 às 17:06

    Piotr, se já não é perturbar muito, comprei umas miniaturas de carrinhas na loja O Dentinho, mas o estoque é limitado. existe outra loja em Lisboa especializada?

  • 78 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 17:10

    ó Chesterton…. agora é que eu fui apanhado …loja do Dentinho? ondé que fica isso?

    os Chineses a maior potência económica em vinte anos? içu é cenário irrealista ….talvez 10 e já é capaz de ser demais …ainda antes disso papam os EUA ….

  • 79 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 17:18

    Chesterton se você quiser eu procuro (não tem grande perturbação…) mas tem de me mandar mais detalhe do que pretende

    piotrkropotkine@gmail.com

  • 80 josef mario // 24/January/2008 às 18:02

    Companheiro piotr kropotkine
    Eu, josef mario, devo dizer que, fazendo um apanhado geral dos comentários do companheiro, fiquei deveras impressionado com a qualidade dos mesmos. Sua cultura, objetividade e equilíbrio serão fundamentais para abrilhantar, ainda mais, este prestigioso blog do companheiro pedro doria. Seja bem vindo e tenho certeza de que o companheiro será para mim, josef mario, um grande amigo, entre tantos que já tenho nesta querida terra do inigualável companheiro e amigo josé saramago.
    Muito obrigado

  • 81 Esprit de porc // 24/January/2008 às 18:03

    Caro Darwinista, não tenho experiências pessoais que suportem a minha visão sobre a herança portuguesa na nossa corrupção.
    Mas há inúmeros exemplos na nossa história. Durante a estada de D. João VI mesmo, muitos comerciantes se tornaram “de sangue azul” após negociatas envolvendo muito dinheiro.
    Não se vê, que eu saiba, exemplos assim vindos de ex-colônias inglesas. Ou pelo menos essa não era a regra.
    Eu acho que essa discussão daria um ótimo post. O que acha, Pedro Doria?

  • 82 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 18:23

    Companheiro Josef …epá…até fico embaraçado…
    esprit de porc… salvo erro o Garret cunhou uma expressão feli que dizia “foge cão que te fazem barão…para onde que me fazem visconde” … mas olhe que nos países anglosaxónicos a coisa é de facto menos conspícua que entre nós mas, alas, a corrupção é capaz de ser em tão grande ou maior escala….

    veja o que aconteceu com toda a direcção da Volkswagen apanhada a ir às putas em jactos particulares a Paris gastando milhares e levando clientes importantesw prá forró…ou o bilião de euros gastos pela Siemens a corromper meio mundo …. veja o numero de cartéis descobertos e condenados só em dois ou três meses….

  • 83 Pedro Doria // 24/January/2008 às 18:29

    Esprit de porc, a corrupção não tem origem portuguesa, mas sim na maneira como Portugal escolheu tocar seu Império. (Ao menos, no caso brasileiro.)

    Os governadores-gerais e, depois, vice-reis, ganhavam muito mal. E toda a alta burocracia na colônia tinha o mesmo problema. Acabava que o convite para assumir um cargo de seus 10 anos no além mar incluía um convite tácito, não dito. O governador podia roubar. E a maioria roubou muito. Em cada carregamento de açúcar, depois de ouro, os governadores e vice-reis tratavam de separar seu quinhão. Muitas vezes montavam negócios paralelos que conflituavam com suas funções — mas nunca que Portugal reclamou.

    Era do jogo até porque Portugal nunca encarou seu império como os ingleses, por exemplo. Para os portugueses, o objetivo era sugar a maior riqueza possível e pronto. Os ingleses, talvez mais megalômanos, talvez porque foram ter um império tardiamente, principalmente após o iluminismo, se viam como responsáveis por levar a civilização às terras distantes. Os jesuítas, nas colônias portuguesas até pensavam assim, mas viviam entrando em conflito com a coroa até que terminaram expulsos, nos setecentos.

    Perceba, não estou defendendo um ou outro neste colonialismo versus imperialismo. Tampouco vai aqui uma defesa dos jesuítas.

    Mas, no caso brasileiro, a origem cultural da corrupção está aí.

    Agora, vai aí uma curiosidade… quando Angola estava nas mãos dos holandeses, e era o maior porto de escravos da África, foram paulistas e cariocas, meio brancos, meio tupis, comandados pelo velho Salvador Corrêa de Sá e Benevides, que a reconquistaram para os portugas.

  • 84 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 18:29

    entre a “gasosa” angolana e a “small token of appreciation” a diferença está na “panache” e “glamour” da forma e na escala (no montante de graveto) ….a natureza da coisa é a mesma…e é dificil amanhar uma espinha …há muita gente “fléxivel”…..

  • 85 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 18:33

    há uma outra coisa Pedro Doria …veja a dimensão da população portuguesa e a dimensão do território onde intervinham…. era um milagre que com tão pouca gente conseguissem estar envolvidos em tantos sitios de Macau Timor Damão Moçambique Cabo Verde Brasil….. tinham de improviar…não havia gente suficiente para estabelecer mecanismos de controlo…

  • 86 Pedro Doria // 24/January/2008 às 18:48

    Piotr Kropotkine, vc tem razão, claro. E, pessoalmente, gosto muito da língua que vocês nos deixaram.

    Mas, convenhamos, a Inglaterra não é tão grande assim…

  • 87 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 18:56

    Pedro a Inglaterra sempre foi cerca de seis a oito vezes Portugal. A partir de alguns pontos os sistemas atingem dimensão critica suficiente para subirem de qualidade. (inclusive os sistemas sociais) Hoje com a tecnologia a natureza do fenómeno mudou ligeiramente mas imagine o que acontecerá com os milhões resgatados à pobreza na China com educação suficiente para puderem potenciar com a tecnologia o saber…. é quase incomensurável….

    eventualmente no século dezasseis e dezassete foi o que aconteceu, depois os britânicos tiveram um beneficio adicional, cresceram tecnologicamente e mormente tornaram-se protestantes (como Weber argumentou) deixaram de sentir culpa pela rapina e pelo enriquecimento…. os tugas ficaram na sua cheios de vergonha e inveja e ganância mas sem tecnologia reprodutora….

  • 88 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 18:59

    a caricatura mais cruel do portuga foi feita pelo Herge o autor do tintin…é o Oliveira da Figueira (aquele comerciante bonacheirão no fundo trafulha mas boa pessoa)…. acho que é trmendamente eficaz e justo aquele escárnio…. é de facto um certo Portugal….

  • 89 josef mario // 24/January/2008 às 19:00

    Companheiro pedro doria
    Eu, josef mario, devo dizer que, praticamente toda a áfrica oriental e parte da ocidental fizeram parte do império britânico. Portanto, quando o companheiro afirma que “Os ingleses, talvez mais megalômanos, talvez porque foram ter um império tardiamente, principalmente após o iluminismo, se viam como responsáveis por levar a civilização às terras distantes”, o companheiro não está a se referir, naturalmente, às colônias africanas. Pois não?
    Muito obrigado

  • 90 Piotr Kropotkine // 24/January/2008 às 19:06

    Há uma anedota que eu conto aos meus alunos ….”um alemão que varre o chão de uma rua vê um gajo a passar com um Porsche e pensa “um dia hei-de ter um carro daqueles”…um português a varrer o chão vê um gajo a passar com um Porsche e pensa “cabrão…um dia hás-de estar aqui comigo a varrer o chão”….

  • 91 josef mario // 24/January/2008 às 19:35

    Companheiros rubro-negros de esquerda
    Eu, josef mario, devo dizer que agora vou assistir a mais uma vitória esmagadora do mengão no sportv.
    Muito obrigado

  • 92 MaGioZal // 24/January/2008 às 19:36

    Angola pelo jeito parece uma caricatura do Brasil. É parecido com o período do “Milagre Brasileiro” re-acontecendo no século seguinte do outro lado do Atlântico.

  • 93 Dom Casmurro Patriarca // 24/January/2008 às 19:59

    Piotr,

    o Eça de Queiroz fez uma caricatura magistral e genial de uma certa camada de portugueses no famoso “Pacheco”.

  • 94 Pedro Doria // 24/January/2008 às 21:43

    Piotr Kropotkine – Vc talvez tenha razão… não acho que Portugal tenha ido assim tão mal. Não fora Alcácer-Quibir… =)

    meu prezado co-rubro-negro josef mario, eu disse que os ingleses se viam assim, não que eles eram isso.

  • 95 josef mario // 24/January/2008 às 22:09

    Companheiro pedro doria
    Eu, josef mario, devo dizer que o mengão em cima do cardoso moreira, bem como o companheiro em sua resposta 94, se saíram bem, mas não convenceram totalmente.
    Muito obrigado

  • 96 Luis // 24/January/2008 às 22:26

    Chesterton,

    Aqui tem carrinhos:

    http://comprar.todaoferta.uol.com.br/colecao-completa-kit-8-miniaturas-trator-carro-aviao-etc-WQJJG90ZY1

  • 97 Chesterton-Dracul- El Cid // 25/January/2008 às 0:46

    lembro do Oliveira de Figueira, que vendeu sabonete a um árabe que em seguida o comeu!!!!

    Dentinho é uma loja de maquetes de carros em lisbona. mas deixe estar, que me divirto a procura-los.

    Portugal foi o primeiro imperio mundial, amazing. Mas Portugal foi criado com a ajuda de ingleses a caminho do Oriente Medio numa cruzada, quando expulsaram uns mouros de volta a África. Isso mostra a superioridade militar inglesa desde estes tempos. Aí vem tecnologia, mentalidade progresista, weberianos e coisa e tal.

    Senhores, me interesso por isto daqui

    http://www.speed-model.com/fr/p-2,9,,63530,TYPE,,,produit_search,1,CATEGORIE,,12089,FABRICANT,PILOTE,,,ECHELLE-,.html

  • 98 Dom Casmurro Patriarca // 25/January/2008 às 8:25

    Zictor,

    as “contrapartidas” dos Estados Unidos são puros farisaismos. Onde é que está o direito das mulheres da Arábia? Você viu os vídeos onde os líderes religiosos ensinam como os maridos devem espancar as suas mulheres?
    E as famosas “sobretaxas” que simplesmente inviabilizam certos negócios quanto se tornam vantajosos?
    Os chineses são apenas mais honestos.
    E a miscigenação em Angola vai totalmente contra a teoria de que sejam racistas.
    Creio que os chineses racistas sejam uma pequena minoria.
    E onde que invadir e borbardear países vai deixar saudades?

  • 99 Elias // 25/January/2008 às 12:57

    Chesterton,

    Não creio que Portugal tenha sido o “primeiro império mundial”, como você diz.

    A expansão portuguesa ultramar foi truncada em 1580, com a União Ibérica. Daí por diante, as vantagens passaram a se destinar à Espanha (esta, aliás, a razão pela qual o Tratado de Tordesilhas se tornou letra morta: pra quê dividir as terras entre Portugal e Espanha, se o próprio Portugal passou a “pertencer” à Espanha?).

    A restauração, no século seguinte, já se deu sob a “proteção” da Inglaterra. Que sempre cobrou caro pelos seus bons ofícios.

    Acresce que, passada a época dos “descobrimentos”, talvez por causa da influência do peculiar catolicismo que lá se estabeleceu, Portugal se tornou refratário aos avanços científicos e tecnológicos. A produção científica passou a ser encarada como heresia. Resultado: perdeu o bonde da revolução industrial, em contraste com o que ocorria na Inglaterra.

    Houve uma chance de recuperação com Pombal. Só que, morto o soberano que o respaldava politicamente, Pombal caiu em desgraça.

    Foram umas poucas décadas de racionalidade. A partir daí, só loucura. A carola e doida Maria, muito doida, chegou a determinar que Pombal se mantivesse à distância mínima de 100 km da rainha.

    No frigir dos ovos, ao final da União Ibérica Portugal se tornara fornecedor de matérias-primas para a Inglaterra. Basicamente isso. Boa parte do que saía do Brasil ia direto pras ilhas nevoentas, sem nem mesmo fazer escala em Portugal. Este entrou no Século 19 virtualmente falido.

    Pra piorar, Portugal ainda teve o azar de, pequeno como era e é, estar espremido entre os interesses de dois gigantes belicosos: França e Inglaterra. Quando abanava o rabo pra um, levava chute do outro.

    A alternativa para o império português prosperar seria transferir sua sede para o Brasil, país muito maior, muito mais rico e, por isto mesmo, potencialmente muito mais forte. Esse, ao que parece, era o plano de Pombal.

    Não quiseram. Se fundiram.

    Anos antes do retorno de D. João VI para Portugal, o mote corrente no Brasil era que Portugal dependia do Brasil muito mais do que o Brasil dependia de Portugal.

    Claro que, tocando a carroça lusa em direção ao atraso, havia uma elite preguiçosa, bronca, parasitária e corrupta até à medula.

    Quando o americano Adams transferiu a capital dos EUA para Washington, levou com ele 1.000 burocratas. Quando a família real portuguesa fugiu para o Brasil, trouxe consigo o aparato de Estado lusitano, pra que fossem sustentado pelo erário brasileiro: modestas 15 mil almas.

    Nada mais justo que, agora, a UE subsidie Portugal.

    Claro que isso foi feito para evitar que a comunidade lusa invadisse as padarias e mercearias inglesas, francesas e alemãs. Mas não deixa de ser, também, a devolução de uma pequena parte do muito que Portugal deu — porque foi forçado a dar — para a prosperidade européia.

  • 100 Esprit de porc // 25/January/2008 às 13:02

    Acho que o Pedro Doria conseguiu sintetizar melhor do que eu o sentimento de que nossa corrupção tem origem portuguesa.
    Porém não posso deixar de comentar que tenho um amigo português que faz queixas da corrupção do governo na terrinha. E que os problemas que ele aponta se parecem muito com os nossos.
    Já morei um tempo na Bélgica e me pareceu ser um país mais “sério”, na falta de uma palavra melhor (já sei, já sei, veja o caso do Congo Belga!). Não estamos aqui discutindo qual o melhor colonialismo, claro.

  • 101 Chesterton // 25/January/2008 às 15:14

    Elias, não sou quem diz, são os livros de história. Aliás, em minha última estada em lisboa, aprendi muito sobre a história do inicio de Portugal. vale a pena. Fui lá tb por isso.
    No mais, esta tua analise é bem típica dos marxistas brasileiros que dominam as universidades lamentaveis brasileiras.

  • 102 Chesterton // 25/January/2008 às 15:17

    Essa história de achar que a corrupção de Portugal, dos portugueses, ou de um gajo é maior, melhor, ou diferente da de outros povos, é pura igonarancia. Vamnos reler(?) a Historia da Vida Privada (não da vida na privada) onde se aprende que a corrupção já foi uma instituição legal, desejavel.

  • 103 Esprit de porc // 25/January/2008 às 15:36

    Interessante, Chesterton. Poderia me iluminar um pouco para que eu aprenda “que a corrupção já foi uma instituição legal, desejável”?

  • 104 Elias // 25/January/2008 às 15:45

    Você tem razão, Chesterton,

    A análise que apresentei é, em grande medida, influenciada pelo Sergio Buarque de Hollanda, notório comunista.

    Também usei várias informações contidas no livro de Laurentino Gomes, jornalista marxista-leninista, que ocupa um cargo de direção na revista Veja, a qual, como todos sabem, é um órgão oficioso do birô político do Partido Comunista Maoista Bolivariano Farquista Brasileiro-boliviano-colombiano-cubano-venezuelano de Extrema-extrema do B, do D e do Teu C.

    Não fosse você me avisar, eu não perceberia.

  • 105 Chesterton // 25/January/2008 às 16:56

    Os coletores de impostos romanos não recebiam salario. Supunha-se que teriam que tirar algo para seu sustento. De outro modo o imperio não teria uma burocracia funcionante.

    Este papo de dizer que a Inglaterrra forçou Portugal a isto ou aquilo é puro papo de quem perde a corrida tecnológica.

  • 106 Chesterton // 25/January/2008 às 16:58

    Interessante quando vocës visitarem o forte de S Jorge em Lisboa, seria notar o quanto os portugueses, tanto os modernos quanto os historiadores, prezam os ingleses. Pode-se dizer inclusive que estes n\ão saberiam viver sem os ingleses, tal é a afinidade e tal foi o tamanho da parceria.

  • 107 Chesterton // 25/January/2008 às 17:03

    Elias disse

    A- Não creio que Portugal tenha sido o “primeiro império mundial”, como você diz.

    B- A expansão portuguesa ultramar foi truncada em 1580, com a União Ibérica.

    C- A restauração, no século seguinte, já se deu sob a “proteção” da Inglaterra. Que sempre cobrou caro pelos seus bons ofícios.

    chest- que que tem A que contradiz B + C? B+C confirmam A.

  • 108 Chesterton // 25/January/2008 às 17:05

    Elias disse

    A- Não creio que Portugal tenha sido o “primeiro império mundial”, como você diz.

    B- A expansão portuguesa ultramar foi truncada em 1580, com a União Ibérica.

    C- A restauração, no século seguinte, já se deu sob a “proteção” da Inglaterra. Que sempre cobrou caro pelos seus bons ofícios.

    chest- que que tem A que contradiz B + C?
    B+C confirmam A.

  • 109 Alba // 25/January/2008 às 17:18

    Parceria ou pilhagem, Chest?

    Porque essa “amizade inglesa” custou muito caro a Portugal.

  • 110 Marcos Araújo // 25/January/2008 às 17:26

    Elias, no comentário 99, está absolutamente certo. Assim confirmam os grandes historiadores que pesquisaram o assunto a fundo (e nao apenas numa visita mixuruca a Lisboa). E o Chupacabra, como sempre, está 100% errado. Pelo menos no que toca este assunto. Nos outros, está 99% errado.

    Em frente, Elias! Encha a cuca deste farsante de cascudos - quem sabe assim ele enfim aprenda algo, além de sugar sangue?

  • 111 Marcos Araújo // 25/January/2008 às 17:31

    B + C nao confirmam e nao contradizem A. Pelo menos para quem saber ler. Quanto aos analfabetos funcionais, apenas vêem o que lhes convém…

  • 112 Chesterton // 25/January/2008 às 17:42

    A amizade inglesa custou caro a Portugal……esta é boa…..
    bem, pensem o que quiserem, a esquerda nunca teve muita noção da realidade mesmo, por isso sempre dá com os burros nágua. Não conseguem entregar o que prometem.

  • 113 Chesterton // 25/January/2008 às 17:44

    Imaginem a alegria do Elias ao ler que marcos Araujo acha que ele tem razão ……

  • 114 Elias // 25/January/2008 às 17:44

    Caramba!

    Meu comentário não entrou.

    Vou tentar um repeteco.

    Chester,

    Sem essa de “forçar”. Você é que está “forçando” uma interpretação mesquinha do que os outros escrevem.

    Portugal perdeu o trem do desenvolvimento tecnológico e, por isto, ficou pra trás. Tornou-se pouco mais que uma província da Inglaterra.

    Pra se desligar da Espanha e voltar a ter autonomia, no Século 17, Portugal teve que se garantir com a Inglaterra. E assim continuou pelo século seguinte.

    No final do Século 18/início do Século 19, pra se livrar de Napoleão, novamente Portugal teve que se socorrer com a Inglaterra.

    Quando a família real veio pro Brasil, deixou mais da metade da frota ancorada nos portos portugueses. Motivo: os navios não estavam em condições de navegar.

    A comitiva real não dispunha nem de navios militares para escoltá-la até o Brasil. A escolta foi feita por navios ingleses.

    E seriam tropas inglesas que escorraçariam os franceses de Portugal. A rendição de Junot em Portugal foi apresentada a um militar inglês, que governaria o país até o retorno da família real.

    Claro que os portugueses devem ser gratos aos ingleses. Afinal, a estes devem a própria existência do país como unidade independente.

    E claro, também, que a Inglaterra cobrou um bom preço por isso. Quem tem filho barbado é camarão.

    Isto não significa dizer que a Inglaterra é culpada do fracasso português. Se o negócio é achar culpados — hábito recorrente entre alguns comentaristas do pedaço — melhor procurá-los em lusitanas terras.

    Os portugueses se ferraram sozinhos. Pelo menos pra isto eles não necessitaram de ajuda da Inglaterra…

  • 115 Chesterton // 25/January/2008 às 17:55

    perfeitamente, mas antes disso, Portugal fooi um imperio mundial, ultra-marinho, você ao dizer que Espanha e Inglaterra o suplantaram, está corroborando a tese. Que não é minha. E é orgulho dos portugueses. caspita, que tipos.

  • 116 Chesterton // 25/January/2008 às 17:56

    Na ansia de me contradizer, acabam confirmando o que eu afirmara.

    Fui agora na Wiki, acessivel aos pobres.

    O Império Português ou Império Colonial Português foi o primeiro e o mais duradouro dos impérios coloniais (1415-2002) da Era dos Descobrimentos. Com o culminar da Reconquista moura da Península Ibérica, Portugal ocupou-se da sua expansão territorial, explorando terra desconhecida e estabelecendo rotas comerciais a uma escala global, obtendo um dos maiores, senão o maior e mais influente império da altura.

  • 117 Chesterton // 25/January/2008 às 17:57

    um desenho para quem duvida

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Portugal_Império_total.png

  • 118 Chesterton // 25/January/2008 às 17:58

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Portugal_Império_total.png

  • 119 Elias // 25/January/2008 às 18:00

    Chesterton,

    O “império mundial português” nunca existiu, exceto na tua cabeça.

    Não deu tempo.

    A maior fonte de riqueza que Portugal já teve foi o Brasil.

    Só que, em 1580, apenas 80 anos depois de chegar ao Brasil, os portugueses perderam sua autonomia para a Espanha. Quando a recobraram, não souberam embarcar no trem da modernização tecnológica.

    Aí se ferraram.

    Se a política de Pombal houvesse permanecido por mais tempo, talvez a história fosse outra.

    Mas não permaneceu.

    No início do Século 19, mesmo sendo proibido de ter indústrias, o Brasil já era muito mais rico que Portugal. Várias vezes mais rico.

    Só que a economia brasileira, a essa altura, já servia mais à Inglaterra do que a Portugal. Este era pouco mais que um intermediário de luxo.

    Portugal já perdera o jogo.

  • 120 Chesterton // 25/January/2008 às 18:24

    Elias, não vou mais discutir com você. Pense o que quiser.

  • 121 Paulo // 25/January/2008 às 19:20

    Em relação ao post: Sem dúvida o melhor já escrito. Só tenho dúvida se a melhor parte é o conteúdo ou os esclarecimentos posteriores. Show de bola.

  • 122 Ana Lucia Araujo // 26/January/2008 às 3:21

    O relato do Caco ficou legal, embora os comentários mostrem que o brasileiro continuam querendo ir pra Angola como faziam os traficantes de escravos, pra ganhar dinheiro e pra faturar algumas “négresses”, porque afinal não foi só o português que andava por lá, tinha brasileiro da gema transportando cativos. Dos 12 milhões que o Brasil “recebeu” a maioria foi embarcada em portos como Luanda. E hoje em dia pra nao fugir à regra tem muito brasileiro pilantra em Angola. Enfim, o analfabetismo historiográfico de alguns comentadores também é digno de nota. História da África no primário djá !

  • 123 Ana Lucia Araujo // 26/January/2008 às 3:28

    Quanto à presença da China ela virou uma avalanche mas a base remonta à época comunista. No Benim, a construção do estádio de futebol de Cotonou foi financiado pelos chineses, tem centro cultural chinês e tudo mais…

  • 124 Ana Lucia Araujo // 26/January/2008 às 3:36

    errata : “dos 5 milhoes” (do total de 12).

  • 125 Chesterton-Dracul- El Cid // 26/January/2008 às 11:17

    A.L.A. , não tem nada de errado fazer comercio com os Angolanos e faturar uns trocos. Voc~e acha que alguem ir até lá “ajudar” o povo tem algum fundamento pratico?

  • 126 Rogério Costa // 31/January/2008 às 11:29

    Caco, parabéns pelo relato. Boa visão política e econômica sobre Angola. Sem pegar pesado e com imparcialidade deixou clara a dimensão da corrupção e desvios democráticos do governo.

  • 127 Demóstenes // 31/January/2008 às 14:42

    Grande post. Pena que os comentários enveredem por posições racistas e deturpadas da realidade africana.

  • 128 a monteiro // 16/March/2008 às 14:53

    viva portugal

  • 129 a monteiro // 16/March/2008 às 15:32

    gostaria de ir para angola por varias razoes
    de afecto cultural.

  • 130 Andrea pereira // 28/March/2008 às 18:20

    oi o bom do trabalho da angola
    é que ganhar dez vezes mais do que aqui
    no brasil o meu maior sonho é ir trabalhar
    na angola…quem sabe esse dia no se realize…

  • 131 Andrea pereira // 28/March/2008 às 18:21

    porém eu não tenho tanto conhecimento mais
    gostaria de ter alguém da angola pra
    poder conversar melhor…

  • 132 Feliciano Filho // 8/April/2008 às 22:18

    Quem disse que não tem transporte Publico? Não falou a realidade de ANGOLA. puxou brasa pera sardinhos dos brasileiros. é bem verdade que a muitos brasileiros por la, 30 mil estão ilegal a fiscalização esta de olhos em vcs Brasileiros.. é melhor os brasileiros ir todos pra Europa e deixem nossa Africa.
    A HIDS-sida, foram os brasileiros que leveram esa doença por la, não sabiam??

  • 133 zizi // 30/April/2008 às 15:39

    se portugal n tivesse sido um imperio mundial bem q o brasil nem era descoberto eheh

  • 134 zizi // 30/April/2008 às 15:50

    E meus senhores se estamos aqui a fazer todos estes comments é porque alguem fez historia , portugal evidentementee apesar do seu tamanho é um país da velha guarda nao é nem um colonizado ou recem aparecido com 200 ou 300 anos de historia, Mostrem algum respeito a quem por bem ou mal esta na genese de todas essas duvidas de quem foi ou deixou de ser…. e alias o brasil desde 1822 q teve bastante tempo para trabalhar o seu suposto problema com a corrupçao e mesmo assim a conversa vai sendo a mesma (mesmo com um ex sindicalista homem de esquerda no poder rsrsrs)… Por isso agradeçam a portugal por vos ter dado vida e façam dela o q de melhor conseguirem.

  • 135 cilene // 8/May/2008 às 12:13

    Gostaria de saber,como brasileira se for trabalhar em Angola,se pode sair a noite,se divertir?pq pelo que sei,tem q trabalhar sete dias por semana e de casa pro trabalho,sem poder sair é verdade?

  • 136 xo da nossa terra // 4/June/2008 às 1:59

    dizer que 90% da populacao angolana e’ analfabeta?????????? vc so pode ser um burro.
    Informe-se melhor antes de falar do pais dos outros.
    Estrangeiros na sao bem vindos na nossa terra. A vossa banga vai acabar assim que nos tirarmos o MPLA do poder.

    Filhos da puta, e fora do nosso pais.

    BRASILEIROS DE MERDA! “PULAS”

  • 137 xo daqui tambem // 14/June/2008 às 11:46

    Na verdade deve ser uns 93%. E xenofobia so atrapalha voces. A Policia Federal tem muito trabalho com angolanos aqui.
    Ainda bem que as angolanas nao pensam como tu.
    Uma coisa Brasil e Angola tem em comum. A fragilidade das instituições, que inibe o desenvolvimento. E preferem botar a culpa de seus erros nos outros. Os EUA por exemplo tem um povo idiota (o Bush foi eleito duas vezes), mas continua próspero graças á solidez institucional.

  • 138 Murilo // 22/July/2008 às 11:41

    Excelente esta materia ! antes das pessoas sairem falando o que não sabem, deveriam ir conhecer lá primeiro ! fiquei dois meses e sinto saudades, principalmente da ilha ( conconuts, cafe del mar) !! abs,

  • 139 fernando // 27/July/2008 às 6:28

    O culpado de tudo isto foi D. João II , não fora ele , provávelmente o Brasil teria outro nome , e não estavam a azucrinar o juízo aos portugueses . Quer vocês ( Brasileiros ) gostem ou não devem a vossa existência aos ordinários dos Portugueses

  • 140 fernando // 27/July/2008 às 7:44

    Já agora , “pula ” quer dizer BRANCO , não é exclusivo de ser português BRASILEIRO ou de qualquer outra nacionalidade , basta ser de raça branca . ´Que Deus me perdoe , não é assim que penso , mas o Ayrton Senna não foi o melhor ou um dos melhores pilotos de formula 1 , foi truncado não sei por quem , nem estou preocupado em saber , basta-me saber que enquanto viveu foi o melhor .

  • 141 Walkyrja // 11/August/2008 às 16:38

    Se “pula” é branco, como é preto?
    Aqui no Brasil é macaco….

  • 142 Jônathas // 11/August/2008 às 17:02

    Bem lembrado, aguardo a resposta do macaco “xo da nossa terra” ele certamente sabe. Mas tenho quase certeza que não foge muito do que é aqui… e eu concordo com você (coment:136), 93% da população não são analfabetos, são bem utilizados para fazer asfalto, deita-se os pretos no chão e passa-se o rolo compressor por cima.
    Os caros leitores devem estar se perguntando… é as faixas de pedestres? como são feitas? ora , um sorri e outro não, um sorri e o outro não…

  • 143 Branco Lemos // 19/August/2008 às 18:25

    Me chamo Branco Lemos, tenho 39 anos, moro em Goiânia (GO), sou casado e tenho 3 filhos (em idade escolar, 11, 14 e 16 anos respectivamente).
    Gostaria de saber sobre emissoras de rádio fm (que é minha formação).
    Existem rádios jovens como Transamérica, Jovem Pan e Mix?
    Nosso pop rock toca muito por aí?
    Os adolescentes consomem o rock pop mundial? É fácil conseguir um emprego de locutor nas rádios de Luanda?
    Gostam do nosso sotaque brasileiro?
    Na verdade eu tinha vontade era de ter uma rádio pra mim. Pra fazer uma rádio jovem moderna e com muita informação. Tenho formação em publicidade e propaganda e sou Gerente Comercial (venda de mídia) a mais de 15 anos.
    Será que é possível uma parceria (sociedade) com algum angolano? Tipo, ele entra com a emissora e com a grana e eu com o trabalho?
    Aguarderei com bastante ansiedade essa resposta. Obrigado!

  • 144 cabraldemelo // 24/August/2008 às 8:37

    Um El Dourado
    Sao manobras.O grande empresario chega a Angola,convida o desgracado do Angolano para formavcao de uma sociedade,pois de contrario nao consegue,o Mangole so tem k assinar sem saber nem o k esta assinando.O Mangole,fica proibido de comparecer na tal empresa,tornando-se num socio fantasma,(que ninguem ve,nem conhece) e pra comprar seu silencio e invisibilidade,lhe dao um bruto carro 4×4,5.000usd mes.Satisfeito o Mangole,nem imagina quanto ganhao seus socios,pk nao tem direito a ver nada.Agora imaginem o k e o Mangole!Um exportador de minerio de ferro,ou de petroleo,ou ate de diamantes.Tanta responsabilidade,por pouco dinheiro.Bem,isso e Angola a crescer.

  • 145 Andre // 22/September/2008 às 9:33

    Olha, transporte público não existe.Só pra Angolano.Não recomendo nenhum estrangeiro a pegar uma candonga.Risco puro.
    Aliás o trânsito é um capítulo á parte.
    A cidade está estrangulada e a população não tem condições de ter uma carro.Se vê cada absurdo por aqui.
    Quanto ao nível educacional e profissional, aqui é infelizmente muito baixo.
    Os mais esclarecidos são os que estudaram fora.
    De resto…
    Mas apesar de tudo isto, é um povo muito otimista, que apesar das mazelas ainda sorri.
    A época da guerra deve ter sido horrível, este povo deve ter sofrido muito.

  • 146 Jonatas // 15/October/2008 às 13:36

    Irei conhecer Angola em dezembro. Sou engenheiro civil e trabalho numa incoporadora, seria interessante conhecer o ramo de construção vertical. Alguém me sugere algo?
    Agradeço.

  • 147 Penha // 18/October/2008 às 18:40

    Jonatas, vc disse q irá conhecer Angola em dezembro e trabalhar tb ou não? Se for a trabalho, por favor me informe o ganho mensal de um Assist. Administrativo de obra em Angola sou Adm. e trabalhei na construção da Ferrovia do Iraque. Obrigado

  • 148 amador // 27/October/2008 às 10:50

    Pergunto-me se todos os brasileiros que discorrem lamentáveis argumentos culpando o colonialismo português pela corrupção que abunda no seu país, são os mesmos que vi passar impávidos (indiferentes) por meninos de rua (com 8 anos de idade no máximo), dormindo no meio das calçadas da avenida Rio Branco ou em Copacabana (Rio de Janeiro) em pleno séc. XXI, num país tão rico e tão desenvolvido como o é, de facto, o Brasil.

    É triste