Gaza, Egito, Israel e a estupidez de um boicote

Israel e Palestina · 23/01/2008 - 10h02 - 91 Comentários

Hoje pela manhã, um grupo de homens disparou contra o muro de concreto e metal que separa Gaza do Egito. Abriram vários buracos. Então veio uma nova leva que explodiu bombas. Daí chegaram tratores pequenos. Por este rombo, dezenas de milhares de palestinos atravessaram e atravessam a fronteira para comprar o que é escasso em Gaza.

Não é, evidentemente, a primeira vez em que palestinos improvisam uma passagem na fronteira com o Egito. Das vezes anteriores, nem tantos assim passavam e o exército egípcio rapidamente assumia a guarda para reparar o muro. Mas o boicote israelense a Gaza vai deixando tudo um pouco pior. Os egípcios sequer tentam conter a turba.

Cortaram o diesel de Gaza. Daí, cortaram a eletricidade. Sem eletricidade para as bombas, neste momento, já 40% da população está sem água. Como está frio, muito frio, a comida não estraga. O que é de cozinhar, cozinha-se rápido – a economia segue em passos assim. Mas, sem água, a gravidade da situação extrapola. Sem água, ninguém vai ao banheiro, come-se tudo cru, ninguém toma banho. Ninguém mata a sede.

A avaliação que segue é de Amira Haas, a jornalista israelense filha de dois sobreviventes do Holocausto que vive entre Cisjordânia e Gaza:

O departamento de defesa israelense, na segunda-feira, foi rápido em afirmar o sucesso da escalada de boicote contra Gaza: vejam, o número de foguetes qassam disparados contra Israel diminuiu. No momento em que estas linhas forem publicadas, eles já terão trazido outro axioma lógico: desde que renovamos o fornecimento de diesel, os palestinos voltaram a disparar qassams. A conclusão: continuemos com a escalada. A lógica da escalada é a essência da política do ministro da Defesa, Ehud Barak, e muitos israelenses a compram.

Barak era o primeiro ministro em setembro de 2000, quando as Forças de Defesa de Israel responderam com outra escalada a demonstrações contra o ocupante israelense jogando pedras: abriram fogo contra civis, incluindo crianças. Não surpreende que os palestinos não tenham aprendido a lição e tenham adotado eles próprios uma escalada tática. É como chegamos ao ponto em que estamos agora: foguetes caseiros de todo tipo. A resposta de Israel é mais uma escalada punitiva.

Piorar a vida de quem vive em Gaza é de uma estupidez sem tamanho.

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