Gaza e Auschwitz

Israel e Palestina · 23/01/2008 - 10h52 - 152 Comentários

A Palestina, e os palestinos, precisam de defensores. A política israelense para com os palestinos é estúpida e, em sua estupidez, muitas vezes cruel. Mas, para atacar a estupidez, é preciso inteligência.

Hoje, mais uma vez, como é de praxe quando o assunto é este, alguém decidiu comparar Gaza a Birkenau. Ou a Auschwitz. Podia ser Treblinka.

Ninguém deveria precisar explicar isto, mas o que se passa na Palestina não é, nem de perto, algo que possa ser comparado ao Holocausto.

O nazistas mataram, em dois anos e meio ou três, durante a Segunda Guerra Mundial, metade da população judia da Europa. São seis milhões de pessoas. Mataram em massa, com técnicas cujo único objetivo era a eliminação, e o fizeram em segredo, tanto quanto possível.

Há observadores internacionais em toda parte da Palestina, não há uma máquina de extermínio em curso, cadáveres empilhados, e cada morte de palestino é alardeada aos quatro ventos e vira um problema sério de relações públicas para Israel. Não há o mais vago risco de extermínio étnico.

A Palestina não é o Sudão. E Gaza não é Auschwitz. Gaza é uma região, onde há cidades e campos de refugiados que lembram favelas. Há praia e gente que vai à praia, há rico, classe média e pobre e, a cada boicote, a coisa fica preta. Tem bandido e pacifista, terrorista e fazendeiro. Tem supermercado, loja de eletrônicos, gente acessando internet. E tem chá de hortelã para quem estiver passando.

A Palestina precisa de defensores. Mesmo. Mas quando cada crítico da política de Israel a compara ao Holocausto, comete dois erros. Primeiro, demonstra uma profunda ignorância histórica e uma enorme incapacidade de compreender dois episódios em todo diferentes. Segundo, e mais grave, pega uma das feridas mais abertas do povo judeu para usá-la contra eles. Nisto, desrespeita sua dor e, mesmo sem perceber, flerta com o anti-semitismo.

O objetivo de uma crítica pode ser dois. O primeiro, conseguir mudança. O segundo, provocar dor. A crítica cujo objetivo é provocar dor é só agressão. Aquele que busca mudança, neste caso, não é anti-israelense ou anti-palestina. Busca conciliação.

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