Gabeira para o Rio

Brasil · 18/01/2008 - 00h01 - 264 Comentários

Tenho um amigo – é um dos melhores jornalistas que conheço – que, quando perguntado, diz que o deputado federal Fernando Gabeira deveria ser candidato a prefeito do Rio. Este meu amigo, eleitor de muitos anos do deputado, acha que é obrigação do político.

A campanha agora tem site e banners, desenvolvidos por André Monsores.
A campanha também tem conferência no Orkut.
Leia, aqui no Weblog, entrevista com o deputado Fernando Gabeira.

O cenário eleitoral que se desenha na cidade é dos piores possíveis. Certamente o pior em anos. A lista de candidatos é de deixar qualquer carioca empalidecido. Assustado. Perante o desânimo e a deterioração da cidade, o carioca tem lançado campanhas, grupos, slogans – faz passeatas de branco. O Rio não precisa de mais uma. O Rio precisa de um candidato. De um político que assuma a tarefa. De um homem de bem. Meu amigo tem razão: é hora de Gabeira se apresentar.

O deputado não quer. Mas não é questão de querer. Foi ele quem escolheu a política. Ele deve isso a quem vota nele desde a eleição para o Governo do Estado, em 1986. São muitos. Deve isso aos muitos eleitores que só votaram nele pela primeira vez há dois anos, após enfim o descobrirem. É mais gente ainda.

Desconfio que os blogueiros e internautas cariocas podem convencê-lo.

Hora de lançar uma campanha online. Se um número de pessoas suficientemente grande se juntar a ela, temos chances. Publiquem posts sobre o assunto. Argumentem. Algum designer por certo nos aparecerá com um banner, um botão. Qualquer um pode escrever para o deputado. Uma campanha destas sequer precisa, ou mesmo deve, mobilizar apenas os eleitores cariocas. Pode incluir cariocas exilados, como cá este blogueiro. Ou cariocas de coração – há milhões destes no Brasil, gente às vezes que sequer esteve na cidade mas que ainda sonha com ela.

A cada morro cujas matas são substituídas por mais uma favela, a cada criança que decide se juntar ao tráfico, a cada fechada violenta que um carro dá no outro, a cada papel de picolé que alguém joga na praia, o Rio piora um pouco mais. Nas últimas décadas, a cidade não ficou melhor em nada. E piorou em quase todos os quesitos. Quando o Rio piora, a imagem do Brasil no exterior piora. Alguém, em algum momento, precisará fazer alguma coisa.

Gabeira gosta do parlamento. É provavelmente um dos dez melhores deputados que há na Câmara. Em alguns momentos – o caso mais evidente é a derrubada de Severino Cavalcanti –, um homem como ele faz toda diferença. Mas, na Câmara, ele é um dentre 513. Faz diferença – mas é pouca esta diferença. Gabeira também se acomodou. Desconfia, com razão, que continuará sendo eleito. Ser candidato a prefeito dá trabalho. Estruturar alianças, arrecadar dinheiro, é andar – e andar muito, sempre com um sorriso na cara, mesmo nos piores dias. Ser prefeito dá mais trabalho ainda. Encarar o nível da Câmara Municipal é difícil, os vícios fisiológicos por toda cidade são arrebatadores, a corrupção não tem nada de pequena. Só de pensar no trabalho que dá já cansa.

É por isso mesmo que Gabeira tem de vir à frente.

É um clichê da política o candidato que diz que se apresentará se o povo pedir. Uma forma da demagogia. Não é o caso de Gabeira. Ele não quer mesmo. Mas ele tem uma obrigação para com seus eleitores. Ele deve prestar contas a eles. Se um número suficiente deles se manifestar, Gabeira tem que vir à frente.

É tarde no processo. Ele precisará de minutos o suficiente na tevê para a campanha e fazer uma aliança que os garanta, agora, seria difícil. Pois bem, há a Internet.

Se seguir o exemplo de Howard Dean, no Partido Democrata de há 4 anos, ou de Ron Paul, no Partido Republicano de agora, conseguirá aparecer, e aparecer bem. Conseguirá vender material de campanha, mobilizar eletronicamente um bom naco de eleitores. Alguém poderia argumentar que tanto a candidatura de Dean quanto a de Paul são derrotadas. Em termos. Dean saiu de sua campanha derrotada para a presidência do Partido Democrata, que ele revolucionou internamente. E Gabeira nada tem a perder: se derrotado, terá seu mandato de deputado para o qual voltar.

O que não pode é uma parcela considerável dos eleitores cariocas olhar para a lista de prefeitáveis com este desânimo, este susto, esta impressão de que há uma tragédia em curso, de que a cidade não tem outro destino que não o de definhar, e definhar, e se desmontar piorando muito aos poucos, paulatinamente, perante nós todos.

Deputado Fernando Gabeira, por favor: apresente-se.

Atualização – Partindo da desconfiança de alguns comentaristas, é bom ressaltar: ninguém está pedindo um salvador da pátria (ou da cidade), e certamente o deputado não se encaixaria no perfil. Tampouco alguém sugere que um único prefeito consiga resolver problemas que são graves. Mas, dada a lista de candidatos, uma enorme parcela dos cariocas evidentemente não está representada. E, sim, desconfio que, hoje, o deputado teria chances de vitória.

Atualização 2 – O deputado saiu candidato. Agora é hora da campanha.

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