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Por que as pesquisas nos EUA são falhas?

January 14th, 2008 · · 28 Comentários

Os republicanos têm um dia importante, amanhã, em Michigan. Segundo as pesquisas, Mitt Romney está em primeiro, John McCain chegando próximo, Mike Huckabee na terceira colocação. Romney – que nasceu em Michigan e cujo pai foi governador do estado – precisa dessa vitória. Sua candidatura não terá muitas chances se não conseguir vencer em casa.

(Também os democratas farão suas primárias em Michigan. Mas, como o estado antecipou demais a data local de votação, o Comitê Nacional do Partido declarou que nenhum delegado de Michigan será ouvido na Convenção Partidária. Quer dizer: os votos não serão contados, não vale nada.)

Mas, principalmente depois de New Hampshire, que querem dizer as pesquisas?

Conversei por email, na última semana, com o professor Alexander Keyssar, de Harvard, especialista em política norte-americana. Ele lembra que, em 2004, as pesquisas no dia da eleição apontaram que John Kerry vencera George W. Bush. Pois é, estavam erradas.

Keyssar tem consigo algumas suspeitas para explicar a distorção.

Começa com um problema técnico. Cada vez mais, cidadãos norte-americanos não têm telefone fixo em casa. O hábito na condução de pesquisas de opinião política, nos EUA, é de fazer telefonemas para residências. É um país muito bem dividido geograficamente. Num determinado bairro só moram negros, noutro só hispânicos, em terceiros, brancos. A divisão de renda por localidade é também bastante homogênea. Assim, dividir a população em grupos de amostragem geográfica é fácil e ligações telefônicas tornam-se um método suficiente. Mas isto não funciona mais. Em 2003, 3% dos norte-americanos haviam abandonado seus telefones fixo para usar apenas o celular; hoje, já são 16%.

Dois erros podem ocorrer: se os telefones vêm do catálogo telefônico, a parcela de 16% da população que não tem telefone fixo fica invisível para a amostragem da pesquisa. São eleitores em geral brancos, por volta dos 30 anos, urbanos que tendem a querer distância de posições conservadoras. A pesquisa acaba por subestimar a opinião destes. Se os telefones vêm de formulários preenchidos, a distorção é outra. Pesquisadores podem estar imaginando que falam com alguém de uma determinada região quando, na verdade, falam com uma pessoa que pertence a um outro grupo socioeconomicocultural.

Outra questão, observa Keyssar, é que há um grupo crescente de eleitores que simplesmente não querem informar em quem planejam votar. E não vão falar.

Essas duas mudanças de comportamento estão, naturalmente, sendo estudadas pelas empresas de pesquisa. Há modelos de análise e correção de erros que podem ser aplicados. Mas, evidentemente, ainda não conseguiram chegar a uma maneira que resolva o problema.

Para quem tenta ler as folhas no fundo da xícara de chá com a intenção de compreender o que se passa nas eleições dos EUA, a vida fica um bocado difícil. Mas não tem jeito, assim será, provavelmente, ao longo de todo este ano. As pesquisas dão pistas mas não prevêem nada. O resultado mesmo das eleições, nós só o teremos depois que todos os votos forem contados.

Tags: EUA

28 Comentários até agora ↓




  • 1 Mr X // 14/January/2008 às 10:00

    Pesquisa é pesquisa, eleição é eleição.

    Acho também que quando o voto não é obrigatório (e portanto o público votante varia) fica mais difícil prever.

    p.s. Confetti! Cadê você?! Não foi a primeira hoje? :-(

  • 2 josef mario // 14/January/2008 às 10:07

    Companheiros de esquerda, maoístas e bolivarianos
    Eu, josef mario, devo dizer que sou radicalmente contra qualquer tipo de pesquisa eleitoral, principalmente aquelas publicadas próximo às eleições. Evidentemente estas pesquisas influenciam os resultados e, para se evitar manipulações desonestas, deveriam ser proibidas em qualquer parte do mundo. Acrescentaria, finalmente, que a última frase do post do companheiro pedro doria - ” O resultado mesmo das eleições, nós só o teremos depois que todos os votos forem contados” - é digna dos nossos companheiros e irmãos luzitanos. Francamente.
    Muito obrigado.

  • 3 aiaiai // 14/January/2008 às 10:10

    caro companheiro josef mario,

    sentimos muito a sua falta na última semana…o pau quebrou aqui no blog. Estavas de férias? Onde? Caracas ou Havana? Tens notícias sobre o namoro do menino chaves?
    saudações

  • 4 nada será como antes // 14/January/2008 às 10:33

    Enquanto dados estatísticos forem tomados como expressão da realidade, haverá erros em profusão.

    Estatísticas são realizadas por meio de categorias arbitrárias e distorcidas.

  • 5 HRP Mané Reloaded // 14/January/2008 às 10:51

    O fatro é que lá nos states essa eleição será muito cheia de reviravoltas….o povo em meio a uma crise economica, tendo errado pacas em eleger esse pateta que os governa em eleições sujas…procura um caminho para continuar a se chamar de o maior país do mundo….o ego gigantesco e animal continua….mas os medos e inseguranças são ainda maiores…EEEEEEE…um bando de viralatas…….

  • 6 Anderson Alemão // 14/January/2008 às 10:59

    A galera dos EUA é muito encanada com conspirações, terrorismo, etc, etc. Para eles, sempre existe “falcatrua” nas coisas…sempre.
    Acho que até exista muita “pilantragem” (como aqui no Brasil também), mas acho que os americanos são extremamente “malucos” sem falar do tal ego que o Mané citou. Prefiro ser brasileiro, 1000 vezes.
    LOS OJOS QUE HURON

  • 7 Anderson Alemão // 14/January/2008 às 11:00

    “Moro, num país tropical, abençoado por DEUS, mas que beleza…”

  • 8 Anderson Alemão // 14/January/2008 às 11:00

    “O Brasil é o país do futuro, ouou…”

  • 9 HRP Mané Reloaded // 14/January/2008 às 11:04

    Ô Alemão …..não exagera!
    “Este é um país que vai pra frente….ôô..ÔHÔ!!!

  • 10 Zé Bush // 14/January/2008 às 11:07

    well…acho que o entrevistado de Mr Doria quis dizer o seguinte: quando os pesquisadores ligam para uma casa de brancos e classe média, quem atende é a empregada cucaracha ou negra.

  • 11 Anderson Alemão // 14/January/2008 às 11:08

    rssss. Tá certo Mané, pode ser isso. rsss.

  • 12 Jåµë§ ßønd™ // 14/January/2008 às 11:11

    -= Sabe que eu também não confio em estatísticas?

  • 13 josef mario // 14/January/2008 às 11:12

    Companheira aiaiaia
    Eu, josef mario, devo dizer que, como faço todo o início de ano, passei alguns dias no butão em meditação e meteção profunda, acompanhado por algumas companheiras que fazem ponto na porta da help, especialistas na arte de ajoelhar para rezar e abocanhar.
    Muito obrigado.

  • 14 Anderson Alemão // 14/January/2008 às 11:12

    Se os EUA fizessem uma pesquisa igual a que fazemos aqui (aquela que aborda os eleitores na rua), acho que seria mais precisa.
    LOS OJOS QUE HURON

  • 15 Pax // 14/January/2008 às 11:15

    De 5 de maio de 64 até 7 de agosto de 75, na mais longa guerra que os americanos se meteram, morreram 58.200 carinhas, 61% deles com menos de 21 anos, foram gastos 200 bi de dólares naquela época e o fracasso tá na garganta americana até hoje.

    Desde 9/11 de 2001 os EUA se meteram em guerras no Afeganistão, Kwait, Iraque e não pegaram o Bin Laden, gastaram sei lá quanto, estão atolados e sem disponibilidade técnica de se meterem em outras guerras, nem resolveram o problema da insegurança internacional, com o terrorismo atuando pra todo lado, em vários continentes, e um sentimento anti-americano e anti-israel crescendo assustadoramente. Não é à toa que o Bush anda pelo Oriente Médio esses dias.

    Creio que há uma nova geração americana que desgosta desse rumo. E os republicanos têm mais cara da guerra que os democratas, sem que isso represente a totalidade racional desse assunto.

    Pra nossa economia é provável que um novo governo republicano seja até melhor. Normalmente os democratas são mais duros nas questões econômicas, nos protecionismos e coisa e tal. Para a paz no mundo como um todo há um sentimento contrário.

    Há uma nova classe americana, mais nova, descendente da guerra do Vietnam, dos beatniks, hippies e yuppies que anda de saco cheio do Bush e suas bobagens.

    Pra mim o quadro é esse. Sem maiores achismos. Torcida tenho também, pros democratas, claro, apesar de doer no bolso gostaria de ver, aos poucos, uma nova ordem mundial um pouco menos belicista, se é que o democratas realmente representem essa possibilidade.

    Ps1.: folhas de chá? Putz, agora é tudo em saquinho.
    Ps2.: Mr X, meu rei, confetti tá nos traindo lá com os baianos. Vai ver tá lá com o anrafel.

  • 16 Mr X // 14/January/2008 às 11:18

    Ufanismo brasileiro? Mais bem afanismo…

    Pesquisas verdadeiras, só aqui: granma.cu

    Incrível: nas últimas eleições cubanas disseram que o Partido Comunista ia vencer com 90% dos votos, e acertaram.

  • 17 Mr X // 14/January/2008 às 11:22

    Pegando o gancho do Zé Bush, uma coisa interessante dos EUA é que os cucarachas latinos não votam no Obama pois não gostam dos negros e vice-versa. Há uma grande rivalidade entre as comunidades latina e negra.

  • 18 Mr X // 14/January/2008 às 11:30

    Josef Mario,

    E já que o tema é eleições, acompanhaste as recentes eleições no Butão?

    Li na Wikipédia que o Butão é comandado por um rei, um tal Jigme Wangchup, e que em 1 de janeiro agora ocorreram as primeiras eleições da História para a câmera.

    Foram eleitos 15 deputados, mas curiosamente seus nomes não foram divulgados, tudo o que foi informado é que “são apolíticos e não pertencem a nenhuma formação”, segundo o porta-voz real.

    Não pertencem a nenhuma formação? São apolíticos? Como é que participam de eleição então?

    O Butão é mesmo um país muito estranho. Dizem aliás que está cheio de butões e butonas.

  • 19 proftel // 14/January/2008 às 11:57

    Pode não parecer mas, tem muito a ver:

    “Preço do ouro registra novo recorde no mercado de Londres”

    O pessoal está se precavendo, eleições nos EUA, incertezas na economia (ditas pelo próprio Bush recentemente).

    Na dúvida, melhor botar as barbas de molho.

    Eu falei isso por aqui umas duas ou três semanas atrás.

    hehe

    :-)

  • 20 Linda // 14/January/2008 às 11:58

    Engraçado, noto em todas as eleições estadunidenses que, pelo menos aqui no Brasil, ganha um candidato em nossa imprensa e outro nas eleições.
    Não consigo torcer para nenhum. Espero que recolham-se à sua insignificância, tal qual Suiça, Suécia, Noruega e afins. São países em que a população tem qualidade de vida e não está ameaçada por terroristas. Será pq, heim?

  • 21 proftel // 14/January/2008 às 11:59

    Mr. X:

    O sobrenome do rei do Butão é sobrenome mesmo ou uma ordem?

    kkkk rsrsrsrsrs

    :-))))))

  • 22 Darwinista // 14/January/2008 às 12:04

    “O resultado mesmo das eleições, nós só o teremos depois que todos os votos forem contados.”

    A menos que a diferença de votos novamente seja apertada e a Suprema Corte resolva dar outro balão na população estadunidense.

  • 23 Mr X // 14/January/2008 às 12:08

    Proftel,
    kkkkk. Mas me enganei, o nome mesmo é Jigme Wangchuck. Curiosamente, os reis anteriores, seu pai e avô, também se chamavam Jigme Wangchuck, variando só o apelido do meio.

  • 24 proftel // 14/January/2008 às 12:15

    Mr. X:

    Ah bom, já não chega o nome do país ser no mínimo estranho né?

    kkkkkk rsrsrsrsrss

    :-))))

    vou almoçar, o trampo da tarde/noite me aguarda, té mais.

    :-)

  • 25 Mr X // 14/January/2008 às 12:17

    Pena que não é Open Thread.

    Se fosse, eu poderia comentar uma notícia interessante:

    Foram apreendidas em Portugal 9,4 toneladas de cocaína, camufladas em um carregamento de polvo congelado.

    O carregamento vinha da Venezuela.

    Junte com isso a informação de que o Chávez opera um narcosantuário para as FARC em seu próprio território (ver reportagem do El País que já linkei aqui), e com suas recentes declarações pró-FARC literalmente confessando que tem um relacionamento com as guerrilhas e que “consome pasta de coca todas as manhãs” (isso explica muita coisa…).

    Mas infelizmente não é Open Thread.

  • 26 Piotr Kropotkine // 14/January/2008 às 14:10

    as estatísticas são tramadas…uma vez um deputado inglês perguntou ao Edward Heath Na altura o primeiro ministro dos bifes) se ele sabia que 50% as crianças britânicas tinham hábitos de leitura abaixo da mediana e se sabia o que é que ia fazer?

  • 27 anrafel // 14/January/2008 às 16:48

    Essas pesquisas de opinião americanas têm de aprender com o Ibope aqui na Bahia: em 2006, o candidato do PFL ganharia no primeiro turno. Depois de abertas as pesquisas que realmente valem, quem ganhou no primeiro turno foi o candidato do PT, Jacques Wágner, o que ajudou a mandar ACM mais cedo para o quinto dos infernos.

  • 28 Fabiano // 14/January/2008 às 19:09

    Em Santa Catarina aconteceu coisa parecida na eleição para o Senado em 2002: todas as pesquisas davam o filho do Jorge Bornhausen em primeiro, disparado, e a Ideli Salvatti em 5º lugar. Abertas as urnas, surpresa! Ideli em primeiro e Bornhausen em 5º! E a votação de cada um era incrivelmente igual ao que as pesquisas davam para o outro… Que coincidência extraordinária…

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