Os republicanos têm um dia importante, amanhã, em Michigan. Segundo as pesquisas, Mitt Romney está em primeiro, John McCain chegando próximo, Mike Huckabee na terceira colocação. Romney – que nasceu em Michigan e cujo pai foi governador do estado – precisa dessa vitória. Sua candidatura não terá muitas chances se não conseguir vencer em casa.
(Também os democratas farão suas primárias em Michigan. Mas, como o estado antecipou demais a data local de votação, o Comitê Nacional do Partido declarou que nenhum delegado de Michigan será ouvido na Convenção Partidária. Quer dizer: os votos não serão contados, não vale nada.)
Mas, principalmente depois de New Hampshire, que querem dizer as pesquisas?
Conversei por email, na última semana, com o professor Alexander Keyssar, de Harvard, especialista em política norte-americana. Ele lembra que, em 2004, as pesquisas no dia da eleição apontaram que John Kerry vencera George W. Bush. Pois é, estavam erradas.
Keyssar tem consigo algumas suspeitas para explicar a distorção.
Começa com um problema técnico. Cada vez mais, cidadãos norte-americanos não têm telefone fixo em casa. O hábito na condução de pesquisas de opinião política, nos EUA, é de fazer telefonemas para residências. É um país muito bem dividido geograficamente. Num determinado bairro só moram negros, noutro só hispânicos, em terceiros, brancos. A divisão de renda por localidade é também bastante homogênea. Assim, dividir a população em grupos de amostragem geográfica é fácil e ligações telefônicas tornam-se um método suficiente. Mas isto não funciona mais. Em 2003, 3% dos norte-americanos haviam abandonado seus telefones fixo para usar apenas o celular; hoje, já são 16%.
Dois erros podem ocorrer: se os telefones vêm do catálogo telefônico, a parcela de 16% da população que não tem telefone fixo fica invisível para a amostragem da pesquisa. São eleitores em geral brancos, por volta dos 30 anos, urbanos que tendem a querer distância de posições conservadoras. A pesquisa acaba por subestimar a opinião destes. Se os telefones vêm de formulários preenchidos, a distorção é outra. Pesquisadores podem estar imaginando que falam com alguém de uma determinada região quando, na verdade, falam com uma pessoa que pertence a um outro grupo socioeconomicocultural.
Outra questão, observa Keyssar, é que há um grupo crescente de eleitores que simplesmente não querem informar em quem planejam votar. E não vão falar.
Essas duas mudanças de comportamento estão, naturalmente, sendo estudadas pelas empresas de pesquisa. Há modelos de análise e correção de erros que podem ser aplicados. Mas, evidentemente, ainda não conseguiram chegar a uma maneira que resolva o problema.
Para quem tenta ler as folhas no fundo da xícara de chá com a intenção de compreender o que se passa nas eleições dos EUA, a vida fica um bocado difícil. Mas não tem jeito, assim será, provavelmente, ao longo de todo este ano. As pesquisas dão pistas mas não prevêem nada. O resultado mesmo das eleições, nós só o teremos depois que todos os votos forem contados.




