Pedro Doria | Weblog

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Uma entrevista aos sábados

January 12th, 2008 · · 27 Comentários

Esses grupos guerrilheiros na Índia acreditam que a revolução é a resposta. Eles não têm idéia do que virá após a revolução, e quando eles libertam determinadas áreas, ali nascem centros de tirania. Eles explodem as pontes, cortam as linhas telefônicas para o mundo lá fora. Então, os camponeses que deviam ter sido libertados terminam tão prisioneiros quanto nos tempos feudais. Estes movimentos guerrilheiros são uma tolice intelectual, nada têm a oferecer.

Conheci gente da classe média que se juntou à revolução e ninguém me impressionou. Considerei-os vaidosos e, intelectualmente, nem um quarto tão inteligentes quanto imaginavam ser. Esta era minha impressão, então decidi ir conhecer o lugar. Não a área da guerrilha, mas uma cidadezinha perto. E aí percebi, após a terceira visita, isso aqui é tão superficial, essas pessoas são tão chatas, não há grandeza, aqui, nada que renda um livro. Então, conforme pensava sobre essas coisas, percebi como a própria superficialidade e a trivialidade poderiam se integrar à narrativa.

Para poder escrever, você precisa sair pelo mundo, se arriscar, tem de mergulhar no mundo, precisa procurar as coisas. Isso começa a ficar difícil conforme vai envelhecendo porque sobra menos energia, os dias ficam mais curtos e já não é mais tão fácil submergir no mundo lá fora.

V. S. Naipaul

Tags: Gente · Livros · Ásia Central

27 Comentários até agora ↓




  • 1 Brancaleone // 12/January/2008 às 8:49

    Então vejamos:

    O que é um “guerrilheiro” ?
    O que é um “terrorista”?

    Bom, um guerrilheiro é um sujeito que fica muito puto da vida pelas más condições de vida dos outros e afortunadamente junta-se a um bom líder e passa à luta armada contra quem realmente (na opinião dêle é claro) merece levar uns tecos ou ter o rabo explodido. Um guerrilheiro restringe-se a alvos específicos - militares, para-militares ou civis que sirvam a estes dois - e isso incluí políticos.

    Já um terrorista normalmente é uma bichona que passa a amar ( amor mesmo, coisa sexual mesmo!!) seu líder incondicionalmente e por este líder faz qualquer coisa, inclusive explodir-se em ônibus escolar, restaurantes e avenidas, matando um monte de gente inocente .

    Líderes terroristas são na verdade umas bestas imbecís e sem inteligência para chegarem ao poder por seus méritos e daí passam a utilizar outros otários, mais imbecis e burros que eles para que se explodam ou sequestrem

    Aguns destes terroristas conseguem ainda causar amor platônico em alguns intelectuais afeminados e covardes. A covardia destes intelectuais os impedem de agir na prática, se explodindo, sequestrando e matando, daí que estes “simpatizantes” passam a escrever artigos em jornais, revistas ( e até blogs) defendendo as “justas” ações que seu chefe determina… Recentemente até um sujeito que manda num país do norte da américa do sul apaixonou-se por um tal de Marulanda e tá num afair bem interessante…

  • 2 Pax // 12/January/2008 às 10:12

    “Conheci gente da classe média que se juntou à revolução e ninguém me impressionou. Considerei-os vaidosos e, intelectualmente, nem um quarto tão inteligentes quanto imaginavam ser.”

    A melhor frase do texto.

  • 3 HRP Mané Reloaded // 12/January/2008 às 10:31

    Revolução sem objetivos?….é violencia e luta por poder e fim.

  • 4 Fabiano // 12/January/2008 às 11:14

    Quanto mais medíocre for a vida de um sujeito, quanto mais incompetente ele for para conseguir qualquer coisa por mérito próprio, quando mais estúpido ele for (exemplo: George W. Bush), maior é a chance de ele atribuir o seu fracasso não à sua própria incompetência, mas a um complô dos outros contra ele.

    E aí o cara vira terrorista: vai se vingar do mundo todo porque o mundo não dá pra ele o que ele acha que merece. Claro que ele está errado: ele não merece nada daquilo que acha, porque não é competente o bastante. O problema é que morre muita gente por causa disso porque, depois que inventaram o revólver e as bombas - as armas dos covardes -, para matar não é preciso muita competência.

  • 5 josef mario // 12/January/2008 às 11:47

    Companheiros de esquerda, maoístas e bolivarianos
    Eu, josef mario, devo dizer que, exceto o companheiro hrp mané cujos comentários são sempre pertinentes, objetivos, coerentes e inteligentes, os demais companheiros comentaristas deste blog estão totalmente infelizes nas suas participações no dia de hoje. Este companheiro brancaleone depois que se filiou ao PT só escreve imbecilidades.
    Este outro companheiro fabiano deve ser débil mental: ninguém chega a presidência, pelo menos nos EUA, sendo ignorante, analfabeto, incompetente e estúpido.
    Finalmente o companheiro pax achou que a melhor frase do texto é, justamente, aquela que é a mais idiota, incompreensível e incoerente: “Considerei-os vaidosos e, intelectualmente, nem um quarto tão inteligentes quanto imaginavam ser.” Como alguém pode fazer um tipo de quantificação (um quarto) absurda como esta em relação a um atributo (inteligência) imaginado por uma outra pessoa?
    Muito obrigado.

  • 6 Fred Schmidt // 12/January/2008 às 12:02

    Brancaleone

    Nos meus 64 anos, ja pensei no assunto dos dois lados.
    Do lado de quem acredita em revoluções, na juventude e no lado de quem não acredita em revoluções (agora).

    Os militares fizeram uma revolução e implantaram uma ditadura aqui no Brasil.

    E a derrubamos sem nova revolução.

    Os Russos fizeram uma revolução a meu ver necessária, em função da situação do povo e implantaram uma ditadura.

    E foi derrubada sem revolução.

    Fidel fez uma revolução, pelo meu conhecimento, necessária e implantou uma ditadura.

    E será derrubada sem revolução.

    (Cuba não saiu da ditadura de Castro porque o povo não tem ainda essa querência.

    Mas parece que esta mudando.)

    Todas estas derrubadas de ditaduras, sem revolução, aconteceram porque havia uma vontade popular tão grande que não teve jeito.

    As revoluções muitas vezes pioram a situação como no caso do Brasil.

    Socialistas tentando impor algo, sem a conscientização da população, sem a querência da população, gerando uma Ditadura que atrasou em 20 anos ou mais o país.

    Eu hoje não acredito em revoluções armadas.
    Sómente em revoluções desarmadas, feita pela vontade popular, ou seja democraticamente.

    É o que a História me ensina.

    O Iraque não fez revolução, foi invadido covardemente pela mais poderosa nação do planeta para se apossar de seu petróleo.

    Não tinha terroristas que se explodiam.

    Qual a perspectiva de um cara que vê sua casa arrasada, seus filho e parentes mortos?

    É o mais baixo estágio de degradação humana.
    Para ele só resta mesmo a morte.
    A única arma que tem é a própria vida.
    Se a coisa é assim, vamos levar também alguns inimigos, de preferência em Wall Street ou no Capitólio.
    Como não pode, se explode la mesmo por Bagdá.
    Foi o caso daquela senhora que perdeu tudo e se explodiu por la mesmo, matando não sei quantos.

    Tem exploração religiosa, idealística, sincera ou não?
    Tem também

    Brancão para mim acho que voce ia virar um Rambo se acontecesse com voce.
    E se não desse jeito, ia se explodir mesmo.

    Abomino o uso da força.
    Guerra é para quem não tem competência, exatamente o que os USA esta mostrando.

    Voces vão dizer e em Israel, Palestina etc…

    E eu vou continuar a pensar.

    Faz guerra quem não tem competência.

  • 7 Brancaleone // 12/January/2008 às 12:19

    Fred:
    Eu jamais me explodiria. Nunca faria isso.
    A melhor coisa da vingança é depois poder ir no túmulo do F.D.P. e mijar em cima…

  • 8 Fred Schmidt // 12/January/2008 às 12:24

    Brancaleone

    Nunca é uma palavra perigosa…

    Mas então, me perdoe.

  • 9 Ricardo Cabral // 12/January/2008 às 13:16

    Bom, continuem discutindo sobre guerrilheiros e terroristas à vontade, mas eu vou seguir mesmo é interessado no olhar do escritor a respeito deles. Para mim (e para um monte de torcidas) a literatura é bem mais fecunda que qualquer guerra, guerrilha ou terrorismo…

  • 10 Fred Schmidt // 12/January/2008 às 13:30

    RC

    Interessante, voce me fez notar uma coisa.

    Existe dois tipos de escritores (ou mais, sei lá)?

    O que escreve pelo prazer da escrita. Uma estória envolvende, escrita num determinado modo. (Exemplo, aquele que vc escreveu sobre as coisas aqui no Nordeste)

    O que escreve na linguagem que consegue, no intuito de deixar para o futuro sua experiência, sua passagens pela existência

  • 11 Fred Schmidt // 12/January/2008 às 14:41

    Uma coisa que me atraiu na narrativa do escritor é que ele não viu nada de interessante la no local.

    Me pergunto se Jorge Amado ou Hemingway não teria visto.

    Os trajes, o modo de falar, o porque da iniciativa guerrilheira, o local onde se desenvolvia a ação, a própria falta de inteligência e vaidade?

    Jorge Amado conseguiu pintar quadros maravilhosos de cenas simples, como um botequim pobre, do indivíduo que costumamos menosprezar etc.
    Ele via a beleza do lugar, as características do povo, pobre ou rico e a transformava em personagens maravilhosos, que me deixam extasiados até hoje.

    Será que Hemingway teria visto mais detalhes, teria conseguido tirar a beleza do acontecido?

    Beleza, porque sonhos humanos (muitos, depois que passam) se apresentam belos, simplesmente porque são etapas vencidas e se vencendo da caminhada da humanidade.

  • 12 proftel // 12/January/2008 às 15:38

    Guerrilha é como caminhão de melancia, tudo igual (tá vendo, é Melancia, politicamente correto).

    hehe

  • 13 proftel // 12/January/2008 às 15:42

    Ih, morreu o espanhor que tava internado no Hospital de Doenças Tropicais aqui em Goiânia, Febre Amarela.
    No jornal local havia passado o caso (acho que só hoje vai dar na rede nacional).
    Ontem minha irmã ligou preocupada, falei prá ela “quando chegar no sul de Minas ou Norte de Sampa você cata a mãe e o pai e vai tomar a vacina, se pararam de falar não esquenta, o foco fica por aqui”.
    Quem lê o pedaço já tá avisado há muito tempo sobre isso né?

    :-)

  • 14 proftel // 12/January/2008 às 15:43

    Ih, desculpe aí Pedro Doria, pensei que a página já tinha carregado prô Open.
    Falha minha.

    :-)

  • 15 Brancaleone // 12/January/2008 às 17:19

    Eu até ia comprar alguma coisa deste Naipul para pelo menos meter o pau com algum conhecimento de causa mas desisti.
    O sujeito diz na entrevista que para escrever tem que sair pelo mundo, ver as coisas e que ele tá velho para isso… ôôôô pobreza de imaginação!!! será que não dá para escrever só “viajando” na cabeça? Será que Ian Fleming fez tudo o que Bond, James Bond fez para só então escrever? e Clark? foi para 2001? Talvez Gabriel G. Marques tenha morado em Mocondo… Fala sério. Sujeitinho sem graça.
    Se depender de mim, os % dos direitos autorais da minha grana ele não recebe…

  • 16 Fred Schmidt // 12/January/2008 às 17:26

    Brancaleone

    Pois é, não sei qual a catiguria do escritor aí de cima, pensei do mesmo jeito que voce, daí lasquei as mal traçadas linhas aí de cima.

  • 17 bitt // 12/January/2008 às 18:10

    Naipaul tem algumas coisas interessantes . Inteiros, dele, li “A curva do rio” e “Entre os fiéis” - ambos livros mto bem escritos, nos quais o autor mostra bem o q é - um produto do desenraizamento global q colocou um indiano em Trinidad y Tobago (acho q foi onde ele nasceu), levou-o para Oxford College, onde o cara estudou e tornou-os tributários de um sistema cultura no qual são, desde sempre, vanguarda da periferia.

    O livro “Entre os fiéis” mostra bem essa posição e explica as opiniões q o cara dá na tal entrevista. Sitema bom é o inglês, e acabou. O povo iraniano fez a revolução religiosa, liderado por Khomeini, mas não devia ter feito, pq a república islâmica iraniana acabou com valores individuais e liberdade de imprensa. Não lembro direito do conteúdo do livro, mas lembro q ele compara os iranianos com o lumpesinato ocidental.

    O Fred teve um tipo de insight semelhante ao q tive, e q me levou a resolver colocar aqui estas mal-traçadas… Jorge Amado era realmente um cidão baiano-brasileiro, engajado com as contradições locais, emanadas de sua cultura (q, de certa forma, é a nossa). Não podemos esquecer q era um marxista baiano, e q apaixonou-se por ACM nos últimos anos da vida. Era uma geléia geral. Naipaul, em “A curva do rio”, faz considerações sobre a África, nas quais, nas entrelinhas, sugere q o continente estava melhor com os colonizadores no poder…

    Não se pode esperar grande coisa desse tipo de intelectual, a não ser a barretadas da imprensa e de jornalistas q, no fundo, se acham membros de uma “comunidade intelectual internacional cosmopolita e democrática”, e gostariam de ver o mundo inteiro transformar-se numa cópia (mesmo mal feita) de Noviorqui ou Londres. Prefiro a comunidade dos tipos como Matt Groenig - tem um episódio dos Simpsons em q ele demole essa gente.

  • 18 Fred Schmidt // 13/January/2008 às 0:22

    bitt

    É.
    De cara achei que foi uma desculpa meio fraquinha,
    Dei uma chance para uma visão que o escritor gostaria de abordar e não encontrou naquele lugar.
    Mas acho que a situação daria para um bom livro de romance ou de filosofia, sei lá.

    Mas a impressão inicial que tive, que o cara é meio fraquinho mesmo, foi sentido por outras pessoas.

  • 19 Ricardo Cabral // 13/January/2008 às 7:42

    Continuo desafinado em relação às interpretações que vcs estão dando ao que o Naipaul diz. Meu entendimento foi outro, o de que o escritor deu uma desglamurizada na figura dos guerrilheiros e em suas ações ditas “transformadoras” e “libertárias”. Foi crítico, irônico até, e inclusive o trecho escolhido pelo PD termina auto-irônico, pelo Naipaul aludir ao próprio envelhecimento como uma espécie de “fator empobrecedor da [própria?] escrita”, por tirar-lhe a energia para o que ele afirmou ser uma condição necessária ao bom escritor, a de […] sair pelo mundo, se arriscar, tem de mergulhar no mundo, precisa procurar as coisas.”
    Duvido que ele considerasse, por exemplo, que a obra de Jorge Luis Borges, sabidamente cego em boa parte de sua vida, tivesse sido algo “menor” pelo fato deste não ter podido experimentar, com todos os sentidos que um homem pode ter, a ambientação daquilo sobre o que ele pretende escrever… (Se bem que, no caso do Borges, muito do que ele escreveu versava sobre o onírico, o fantástico. E para isso, bastava uma noite cheia de sonhos…)
    Emaranhar-se, enfurnar-se nos lugares que poderão vir a ser o tema de uma escrita deve mesmo ser um exercício fascinante e mesmo importante, mas não sei se condição sine qua non para que se escreva algo que preste. Talvez seja algo mais importante para a vida pessoal daquele que vai escrever, mais até do que para a sua escrita. Só que aí são outros quinhentos…

  • 20 Fred Schmidt // 13/January/2008 às 10:02

    Proftel

    Última vez que vi Brancão foi la no Sarkovy, detonando a Noemi.

    hehehehe

  • 21 Fred Schmidt // 13/January/2008 às 10:02

    Viajei

  • 22 surfando na jaca revolucionária // 13/January/2008 às 17:41

    Prezados,
    O Josef Mário, já retificado, falou algo com sentido pela primeira vez em alguns meses. Trata-se de uma generalização. Cada processo histórico tem suas causas e justificativas. O direito da maioria se rebelar contra o poder constituído ou tirânico é justificável. Mas não acredito em guerrilhas, foquismos e grupelhos revolucionários armados, que são formas de luta geralmente apartadas do povo. Mas não poderia englobar nisso a luta de libertação do povo vietnamita, por exemplo, que foi uma revolução popular (guerra civil de libertação). Seria também uma imbecilidade generalizar todo revolucionário como imbecil. Não há nada de idiota em Lenin, por mais que não goste de seus escritos. De resto: vcs. querem bacalhau? Então vão comprar nas Casas da Banha.

  • 23 Fred Schmidt // 13/January/2008 às 19:16

    Surf

    Casas da Banha era do meu tempo.

    Tu tá velhinho hein….

    Beijo na careca

  • 24 Fred Schmidt // 13/January/2008 às 19:26

    bitt

    Me lembrei de uma coisa que me parece que tem algo a ver.

    Se não me engano, o ACM deu uma boa mão para ele no caso da falência do Banco do Estado da Bahia.
    O ACM com toda razão ajudou-o.

  • 25 surfando na jaca revolucionária // 13/January/2008 às 19:49

    Fred, sou fã das máximas do Chacrinha. Outro dia, revi vários programas. Eram horríveis, não sei como assistiam aquela droga, mas parece que era de vanguarda para a época da jovem guarda. eu não vim prá explicar, eu vim prá confundir. Quem não se comunica se estrumbica!
    beijos na careca. Alô, alô, Teresinha!!!!

  • 26 surfando na jaca revolucionária // 13/January/2008 às 19:53

    O Chacrinha poderia ser um programa haver com a tropicália, já que mistura cultura de massa estrangeira e nacional. É moderno e grotesco. Que zona! Respondam-me os da antiga, pois era criança quando o cara morreu. Ainda cheguei a ver umas chacretes rebolando, a Rita cadilaque já era rodada quando assisti o programa a cores na tv. É o que me lembro vagamente.

  • 27 Fred Schmidt // 13/January/2008 às 20:15

    Surf

    Pessoalmente gostei do Chacrinha durante um tempo, era meio garotão na época,
    Como o programa teve grande duração agente acaba enjoando de ver.

    Mas era bom nós vermos Roberto Carlos, Erasmo, Vanderléia, e os demais.

    Para mim era uma época boa.

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