Pedro Doria | Weblog

um pouco do mundo, todos os dias

pedrodoria.com.br header image 2

O Quênia, os kikuyu
e o dilema histórico de um país

January 11th, 2008 · · 91 Comentários

Quatro ex-presidentes africanos já tentaram resolver as diferenças entre o presidente recém-empossado do Quênia, Mwai Kibaki, e o líder oposicionista Raila Odinga. Fracassaram. Agora, as conversas são para que o ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, chegue ao país. Odinga já anunciou que pretende recebê-lo mas que um acordo é difícil.

Acontece que Kibaki pode ter tomado posse mas, se a impressão dos observadores internacionais estiver correta, no final do ano passado os quenianos elegeram Odinga seu presidente. E se, a princípio, esta parece mais uma típica história africana, não é. O Quênia não é um país paupérrimo com uma longa história de ditadura e guerras civis.

Em seu primeiro mandato, Mwai Kibaki – que diz ter sido reeleito e tomou posse na calada da noite – fez o país crescer 6% ao ano. Uma campanha de anti-corrupção azeitou a máquina pública de forma que investimento estrangeiro veio e a ele seguiram-se os turistas. A sociedade civil se organizou, a imprensa livre foi instaurada e um parlamento dinâmico, democraticamente eleito, passou a equilibrar o Poder Executivo.

Nada, evidentemente, é tão simples. Kibaki, eleito em 2002, é apenas o terceiro presidente do Quênia, país que ficou independente pelas mãos de Jomo Kenyatta, em 1964. Foi eleito para substituir o governo ditatorial e incompetente de Daniel arap Moi com o apoio de uma ampla coligação. Mas, após os primeiros anos de governo, afastou-se da coligação que o elegera, fechando cada vez mais o núcleo duro do poder. Quem assumiu foi a ‘Máfia do Monte Quênia‘.

Com uma altitude de 5.199 metros, o monte que batiza o país fica 200 quilômetros a nordeste da capital, Nairobi. É nos seus arredores que vivem os kikuyu, a maior tribo das muitas que compõem etnicamente o país. Maior, porém, não chega a um quarto da população: são 22%. Kibaki é kikuyu, como era Kenyatta, o fundador do país. O atual presidente havia sido, nos anos 1960, um jovem e ousado ministro da Fazenda – e foi sua experiência de então que o gabaritou para ser eleito. Mas, apesar de competente do ponto de vista econômico, o governo Kenyatta falhou em unificar o país. Moi, que se transformaria em ditador após chegar ao poder em 1978, prometia justamente integrar as outras etnias. Kenyatta havia distribuído as riquezas – incluindo-se as terras – deixadas pelo Império Britânico apenas entre os kikuyu. Exatamente o mesmo erro do atual presidente.

A ‘Máfia do Monte Quênia’ é mais variada do que a oposição gosta de fazer parecer. Há os velhos burocratas que foram companheiros do presidente Kibaki nos tempos do governo Kenyatta, mas há também jovens kikuyu com diplomas tirados no exterior e ávidos por modernizar um país que consideram estagnado pelos velhos de comportamento burocrático. Enquanto eles brigavam internamente, mais de três quartos da população sente-se – e com razão – marginalizada.

É fácil criticar um grupo, ainda mais quando é ele que está no poder. De origem banto e tradição agrícola, os kikuyu lutaram desde o início contra a colonização inglesa. E foram vítimas de um genocídio impetrado pelos ingleses em pleno século 20. Pior: um genocídio posterior à Segunda Guerra.

Nos anos 1950, o país hoje conhecido por Quênia já era colônia ou protetorado britânico havia mais de um século. Ansiosos pela independência que viam ex-colônias britânicas ganhando por toda parte e sem chances de sucesso para enfrentar a administração européia, os kikuyu formaram o Mau Mau, grupo de resistência que adotava práticas extremamente violentas. Seu objetivo era aterrorizar os brancos até que deixassem suas terras. Os homens negros invadiam fazendas na calada da noite, degolavam quem fosse branco, matavam, estupravam.

Para resistir ao levante dos Mau Mau, o governo britânico instalou campos de concentração e reeducação para onde enviou todos os kikuyu. Além de conter a onda de terror, pretendiam declaradamente impedir hábitos tradicionais que persistem até hoje, como a infibulação, ou circuncisão feminina. Na história tradicional britânica, o processo de reeducação dos kikuyu é considerado um sucesso.

Uma pesquisa recente da historiadora norte-americana Caroline Elkins, da Universidade de Harvard, revelou que, nos campos, os kikuyu, além de confinados, foram torturados e mortos em quantidade. Quantos, exatamente, é difícil determinar, pois os britânicos incendiaram os documentos. Como não foi criada uma máquina de extermínio, ele simplesmente ocorria pelos desmandos do dia-a-dia, Elkins compara a experiência dos britânicos imediatamente anterior à independência queniana não tanto com o Holocausto nazista e mais com os Gulags soviéticos. Desde a publicação de seu estudo, o governo Kibaki cobra do Reino Unido um pedido oficial de desculpas. A Grã Bretanha não se manifestou oficialmente.

É neste contexto, pois, que os kikuyu conquistaram a independência do Quênia e governaram – e governam. Os observadores internacionais constataram que as eleições de dezembro de 2007 transcorreram de forma limpa – apenas na fase de contagem dos votos que, repentinamente, um grande processo de fraude ocorreu. O levante de todos os quenianos não kikuyu era iminente no período pré-eleitoral. E há ódio nas ruas, instaurado pelo velho conflito que atravessa a história recente do país.

Se não há maior pressão por parte de EUA e Europa, é porque o Quênia, dentro da África negra que se espalha abaixo do Saara, não apenas é considerado um dos três países mais estáveis como também é um dos mais engajados na Guerra contra o Terror. A al-Qaeda está instalada no país e, lá, a embaixada dos EUA sofreu um dos primeiros ataques do grupo de Osama bin Laden, ainda antes do Onze de Setembro. Não há porque acreditar que um governo Odinga agiria à margem da comunidade internacional. É o contrário: estaria absolutamente disposto a dialogar com EUA e Europa com parceiro. Mas todos, surpresos com a repentina explosão social do final de dezembro, morrem de medo de que a intromissão diplomática branca piore a situação. O medo é de que o Quênia se dissolva de vez para transformar-se num típico país africano, embrenhando-se numa guerra civil infindável. Ninguém esperava que houvesse qualquer levante por conta de uma eleição fraudada.

Se a história parece tipicamente africana, é muito mais do que isso. É o resultado de um país artificial. O processo de consolidação das fronteiras dos estados nacionais fora da Europa, principalmente na África Subsaariana, no Oriente Médio e parte da Ásia, não se deu de forma natural e sim conforme os interesses das metrópoles européias, principalmente britânicos e franceses, mas também belgas, holandeses e tantos outros. O resultado é um enorme número de etnias com conflitos históricos não resolvidos. Conte-se a briga no Iraque, no Paquistão ou no Quênia, a origem é a mesma – gente forçada a conviver num mesmo Estado.

Nada indica que o Quênia vá se dissolver numa longa guerra civil. Mas não haverá paz enquanto os kikuyu não largarem o poder e entrarem em algum tipo de acordo com os outros três quartos da população.

O Quênia é um país que cresce e se moderniza de forma contrastante com o resto do continente. Mas não custa lembrar que está muito distante da realidade latino-americana. Em 2002, uma das promessas do governo Kibaki, que assumia após tanto tempo de ditadura, era educação primária gratuita para todos os quenianos. Tentou – mas ainda não conseguiu.

Tags: África

91 Comentários até agora ↓




  • 1 Dr. Miranda // 11/January/2008 às 9:45

    PD, tem uma coisa no primeiro parágrafo do texto que me parece estranha. O Sercetário Geral da ONU não é mais o Kofi Annan, mas o Ban Ki-moon.

    Fora isso, bem bacana o texto. O “dividir para conquistar” funcionou tanto que a África tá lascada por muitos e muitos anos ainda…

  • 2 Dr. Miranda // 11/January/2008 às 9:46

    Esquece, é EX-secretário geral. Desculpa ae.

  • 3 Darwinista // 11/January/2008 às 9:53

    PD,

    Antes de mais nada, obrigado por abordar o assunto.

    Um dos temas mais debatidos pelos participantes desse blog é o terrorismo e suas contradições e motivações.

    Eu gostaria de saber o que pensam esses debatedores a respeito dos Mau Mau, suas ações e a causa da existência do grupo.

    Afinal, eles cometeram atrocidades. Mas a existência deles me parece plenamente justificável.

  • 4 Chesterton-Dracul- El Cid // 11/January/2008 às 9:53

    o Quenia está uma Africa.

  • 5 Chesterton-Dracul- El Cid // 11/January/2008 às 9:54

    PD, olha o 188 do post anterior, vai dar merda para você.

  • 6 proftel // 11/January/2008 às 10:05

    Dr. Miranda, isso acontece, skenta não.
    Desde que a África foi dividida “na régua” pelos colonizadores aquilo virou uma desgraça.
    O texto do PD está muito bom para o que se propõe, há outros fatores que influenciam negativamente o desenvolvimento de países subsaarianos a saúde e educação a longo prazo são os mais sensíveis.

  • 7 proftel // 11/January/2008 às 10:11

    Darwinista, os “mau-mau” são parecidos com os “ton-ton macoute” do “Papa Doc” no Haiti.
    A meu ver não há justificativa para esse tipo de atuação violenta.

  • 8 Darwinista // 11/January/2008 às 10:15

    proftel,

    Mas os macoute foram criados pelo governo do país. Papa Doc já era presidente quando inventou a aberração.

    Os Mau Mau foram um levante contra os colonizadores, que ocupavam a maior parte das terras que originalmente eram, na maior parte, dos kikuyu.

  • 9 Andre Fucs // 11/January/2008 às 10:16

    Brancaleone,

    Sem comentários… Sem comentários…

  • 10 Dom Casmurro Patriarca // 11/January/2008 às 10:40

    Pergunto,

    lendo o post do Pedro Doria, declaro minha total ignorância em relação à história do Quênia, posso concluir que:
    1 - A Inglaterra, campeã das idéias liberais, usou métodos totalmente stalinistas no Quênia.
    2 - A Inglaterra é um dos países que mais praticou genocídio na história.

  • 11 Mr X // 11/January/2008 às 10:49

    Proftel,

    A “divisão feita a régua” não basta para explicar os problemas africanos. Theodore Dalrymple:

    Essa explicação me parece demasiado fácil. Esquecem-se dois fatores: que os países africanos que realmente correspondem a realidades sociais, históricas e étnicas - como Burundi, Ruanda e Somália - não se deram muito melhor do que aqueles mais “artificiais”. Além disso, na África, as realidades sociais são tão complexas que nenhum sistema de fronteiras poderia corresponder a elas. Por exemplo, existem 300 grupos tribais diversos apenas na Nigéria, muitas vezes intercalados em diferentes locais geográficos: somente um processo de balcanização seguido de limpeza étnica poderia criar o tipo de fronteiras desejado por aqueles que criticam os “criadores de mapas” europeus.

    Na verdade, foi a imposição do modelo do Estado-nação europeu na África, para o qual o continente estava tão mal preparado, que causou tantos desastres. Sem ter lealdade à nação, mas apenas à família ou à tribo, aqueles que controlam o Estado só conseguem vê-lo como um instrumento de exploração.

    http://www.city-journal.org/html/13_2_oh_to_be.html

  • 12 Nhé! // 11/January/2008 às 10:52

    Deixa eu ver se entendi: os kikuyu receberam as terras boas dos ingleses, atacaram os ingleses e depois foram violentamente mortos em campos de concentração?

  • 13 Dom Casmurro Patriarca // 11/January/2008 às 10:53

    Bom, pessoal,

    vou me ausentar um pouco para resolver umas coisas.
    Espero estar de volta amanhã.
    Sinto que o blog está voltando ao normal.
    Até mais, gente

  • 14 Darwinista // 11/January/2008 às 10:54

    Dom Casmurro,

    Você pergunta ou conclui? ;-)

    Mas, aproveitando o seu gancho, é aí que me parece totalmente incoerente que nos países europeus que foram colonizadores existam sentimentos xenófobos pra com os imigrantes oriundos das ex-colônias.

    Caramba, se os caras imigraram é porque as condições no país deles não estavam as melhores, e isso é, em parte, por causa do processo colonial.

    Atenção pessoal, eu disse EM PARTE, ok?

  • 15 Pedro Doria // 11/January/2008 às 11:07

    Nhé! – os kikuyu, após a saída dos ingleses, assumiram o governo e distribuíram entre si o espólio da metrópole.

  • 16 Pedro Doria // 11/January/2008 às 11:09

    Darwinista – este é o grande problema migratório europeu, mesmo. A Europa é responsável em parte pela tragédia africana e do Oriente Médio e, agora, não quer nada com o problema.

  • 17 pcbh // 11/January/2008 às 11:13

    De acordo com um inglês (teria sido ele próprio genocida?), a democracia é o pior regime, exceto todos os demais. O que falta à África é democracia, mais democracia. One man, one vote.

  • 18 Nhé! // 11/January/2008 às 11:15

    Certo, PD, acho que li com desatenção.

  • 19 Dr. Miranda // 11/January/2008 às 11:22

    Esse negócio da utilização do terror é tão complicado, mas tão complicado, que nem consigo escrever o que é que eu acho. Tentei e tentei, e apaguei tudo.

    Mas acho que em 2008 não é possível mais lançar mão do terror como forma de luta legítima. No passado, não estou tão seguro. Neguinho me invade um continente inteiro, divide o mapa na régua, junta de propósito tribos inimigas, escraviza, expropria, explora, e depois vem me reclamar que estão cortando garganta de brancos? Sei lá, mas tendo a torcer pros Mau Mau nessa aí.

    Da mesma forma que acho um absurdo os kikuyu mandarem no país e submeter 78% da população.

    Acabei escrevendo um tantão…

  • 20 Eduardo // 11/January/2008 às 11:34

    PD = “A Europa é responsável em parte pela tragédia africana e do Oriente Médio e, agora, não quer nada com o problema”.
    Mas o que pode ser feito? No Oriente Médio e na África são tantas as variáveis de conflitos que fica uma sensação de insolúvel.
    A única coisa que une o Oriente Médio é a guerra estúpida contra Israel. Só. Se não houvesse Israel eles estariam se matando dia e noite entre eles mesmo.
    Na África não há identidade alguma que possa uni-los em algum ponto qualquer.
    O que a Europa poderia fazer? Abrir suas fronteiras? Mandar dinheiro? Abrir seu mercado? Ou colonizar tudo de novo?

  • 21 Darwinista // 11/January/2008 às 11:40

    Eduardo,

    Atualmente, há pouco mesmo o que fazer. Talvez, no máximo, um apoio logístico e financeiro caso a ex-colônia acertasse seus problemas tribais e resolvesse constituir um Estado democrático. De resto, agora é melhor deixar eles mesmos cuidarem de seus problemas.

    Agora, se o cara da ex-colônia resolve morar na ex-metrópole, ele deveria ser, no mínimo, tratado como qualquer outro cidadão do país, considerando o passado recente que relaciona a ambos.

  • 22 Ésquilo // 11/January/2008 às 11:40

    Qualquer ato de guerra que não seja destinado apenas contra combatentes militares não têm justificativa.

    Ou algo assim.

  • 23 Mr X // 11/January/2008 às 11:42

    Alguém disse certa vez que o melhor que se pode fazer com as sociedades atrasadas é deixá-las em paz - isto é, em guerra: que se massacrem entre si. Não sei.
    Sei que, como diz o Eduardo, no Oriente Médio sunitas e xiitas se matam e se matariam ainda mais se não houvesse Israel pra deslocar o ódio, e na África com ou sem intervenção estrangeira as 398475721 tribos que existem continuariam se trucidando pelo poder, francamente não vejo que haja muito que a Europa possa fazer a respeito, salvo o que está fazendo, isto é, aceitar um grande número de imigrantes africanos e do Oriente Médio para que africanizem e orientemedizem a Europa também - ou seja, pra que, multiculturais como o diabo, levem suas guerras tribais lá pra dentro também. Já está acontecendo, aliás. É a vida.

  • 24 Darwinista // 11/January/2008 às 11:43

    Dr. Miranda,

    Minha tendência é concordar contigo.

  • 25 Dr. Miranda // 11/January/2008 às 11:47

    Pois é, Ésquilo. Mas os europeus invadiram e anexaram a África (e a América também; há mais tempo, mas nunca é demais lembrar), com os civis incluídos. Aí eu te pergunto: como que fica?

  • 26 proftel // 11/January/2008 às 11:49

    Mr. X:

    Grupos étnicos fora divididos com a criação das fronteiras, territórios ficaram por exemplo com 20% de uma etnia e 80% de outra, o que ocorre é que a maioria hoje em Estados se volta contra uma minoria presente em seus territórios.
    Daí esses recorrentes genocídios e atrocidades levadas a termo com cruel regularidade.

    Darwinista:

    Não estou questionando a orígem ou razão da criação desses grupos.
    Falei na forma de atuação extremamente brutal, repudio isso, só.

    Alíás, pensando melhor, o que falei sobre a divisão da África “na régua” não é bem a orígem do problema.
    A África era um continente agropastoril, com a chegada dos europeus e o gado contaminado essa realidade mudou, os rebanhos que lá haviam foram dizimados, morreram como moscas, grassou a fome e começaram as guerras.

    “A peste bovina, introduzida na África setentrional em 1888, disseminou-se rapidamente pela região sub-saárica, atingindo a África do Sul em 1896. Em seu caminho, a peste bovina causou a devastação de grandes populações de herbívoros silvestres, incluindo búfalos (Syncerus caffer), elands (Taurotragus oryx), kudus (Tragelaphus strepsiceros) e gnus (Connochaetes taurinus). Mesmo depois de mais de um século, os efeitos sócio-econômicos deste processo são sentidos na África meridional”

    Aqui:

    http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252003000300020&script=sci_arttext

    E isso não é tudo, lembro d’um artigo que saiu na Folha de São Paulo uns anos atrás, caderno de domingo se não me engano, coisa de página inteira, não achei na net (foi prô lixo na última mudança, procurei aqui e não achei, se alguém se lembrar e achar na net agradeço).
    Lá há mais informação (e de qualidade) sobre o assunto.

    :-)

  • 27 Dr. Miranda // 11/January/2008 às 11:49

    Você deveria trabalhar na ONU, Mr. X.

    Se o pessoal de lá fizesse exatamente o contrário das suas análises, todas as guerras do mundo acabariam como por milagre.

  • 28 Eduardo // 11/January/2008 às 11:49

    Darwinista e MR X

    Não sei se o PD acha que é possível ma também acredito que há muito para a Europa fazer para resolver a situação. O negócio é deixa-los resolver por conta própria. Aliás, está na hora deles aprenderem a deixa-los por conta própria, senão a coisa não amadurece, não cresce. É só ver nós brasileiros o quanto estamos apanhando na democracia e, apesar de tudo, evoluímos muito.

  • 29 Eduardo // 11/January/2008 às 11:57

    Errei! o correto é “acredito que NÃO há muito para a Europa fazer para resolver a situação”.
    Desculpe-me.

  • 30 Spinoza // 11/January/2008 às 12:14

    Dando prosseguimento à tese da responsabilidade da Inglaterra nos conflitos do Oriente Médio, vide o jogo duplo que os britânicos fizeram, circa 48: prometeram total apoio às tribos palestinas, em sua resistência ao desterro, e garantiram amparo sem restrições ao estabelecimento de Israel - tudo na base do quem-levar-eu-tô-dentro. Atribuir o ódio recíproco e endêmico a questões raciais milenares é reducionismo dos mais fugidios. Cherchez la femme. Ou, no caso, la reine.

  • 31 Nhé! // 11/January/2008 às 13:04

    Não acho que a Europa deva simplesmente esquecer da África e deixá-los que se entendam. Isso nunca deu certo. O vácuo deixado será preenchido por algo mais danoso para a população.
    Há vários exemplos. É a típica história africana.

  • 32 Jåµë§ ßønd™ // 11/January/2008 às 13:17

    -= Ah… a velha senhora Inglaterra e seu legado de colonização africana.

    Alguém aí tem alguma noção ou vivência no ensino de “história geral” ministrado por lá?

    Como se explica às crianças esses períodos indignos de envolvimento na cultura alheia para crianças e adolescentes?

    Existirá, porventura, o equivalente ao período “Tiradentes, Herói Inconfidente” por lá?

    Se a História é escrita pelos que venceram, como se escreve a História vista por olhos britânicos?

  • 33 Jåµë§ ßønd™ // 11/January/2008 às 13:18

    -= ERRATA: “Como se explica às crianças e adolescentes esses períodos indignos de envolvimento na cultura alheia?”

  • 34 Clayton Mendonça Cunha Filho // 11/January/2008 às 13:29

    A situação queniana é complicada e pra mim que lá estive ano passado por ocasião do Fórum Social Mundial 2007, é uma grande pena ver o país em chamas. Apesar de ser realmente um dos países “mais desenvolvidos” da África e ter uma indústria turística muito bem desenvolvida e explorada (biodiversidade, safáris, escaladas, praias maravilhosas, jóias culturais e arqueológicas como as ruínas de Gede, o centro histórico de Mombasa ou a maravilhosa ilha de Lamu), o Quênia é ainda muito pobre, desigual e problemático. A estrada que liga Moshi (Tanzania) a Mombasa (Quênia) é certamente uma das piores em que já trafeguei, muitos dos ônibus utilizados no transporte intermunicipal caem aos pedaços, os que viajam pelo norte do país levam sempre um soldado do exército armado até os dentes sentado ao lado do motorista para dissuadir assaltos, as favelas de Nairóbi (ou “Nairobbery” como é conhecida) são gigantescas… ainda assim o povo é alegre, hospitaleiro e ama o Brasil por causa do futebol (vi milhares de pessoas com a camisa da seleção, além de uma enorme faixa estendida no centro de Mombasa com nossa bandeira e as cinco estrelas de nosso pentacampeonato ou o muro de um pequeno salão de beleza na pequena ilha de Lamu, quase fronteira com a Somália). Espero sinceramente que consigam resolver a situação da melhor maneira possível.

  • 35 Darwinista // 11/January/2008 às 13:32

    Bond, James Bond,

    Essas suas indagações poderiam ser respondidas por algum participante do blog que more na África nalgum “O mundo visto pelos leitores” das quintas.

    Alguém sabe se alguém mora por lá?

  • 36 MaGioZal // 11/January/2008 às 13:43

    Eu só digo o seguinte: é fácil jogar a culpa nos brancos.

    No momento em que os países africanos se tornaram independentes, até então eles eram exportadores de comida. Pouco tempo depois, passaram a ser dependentes de importação massiva — e a culpa não pode ser jogada meramente no aumento populacional: a infra-estrutura que existia antes foi sendo relegada ao abandono.

    Claro que aconteceram barbaridades no período colonial, mas inúmeras outras já foram cometidas desde a virada dos anos 50 para 60 até hoje pelos tiranos e senhores da guerra locais — muitas vezes ex-capitães-do-mato coloniais que quando colocaram o manto do poder se portaram de uma maneira às vezes até pior do que seus antigos chefes (Idi Amin e Mobutu Sese Seko são casos típicos).

    Jogar toda a culpa em cima da colonização inglesa e de bordas artificias e mal-desenhadas? Pois bem, vamos pegar hoje em dia Índia, África do Sul e Canadá.

    Todos eles têm fronteiras arbitrárias desenhadas em Londres, todos eles têm povos com línguas e culturas distintas dentro de suas fronteiras (a Índia é a campeã nestes dois quesitos: além de línguas diferentes, há vários alfabetos diferentes e um território cuja a parte oriental é ligada ao resto por um pescoço de frango).

    No entanto, apesar dos chacoalhões de tempos em tempos (boa parte das vezes provocados por países vizinhos, principalmente o Paquistão), a Índia não se desintegrou e segue firme e forte. África do Sul, apesar dos problemas, não tem mais uma situação em que as pessoas ficam se matando coletivamente na rua por pertencer a tribo X ou Y. Canadá, nem é preciso falar muita coisa: senta numa das cadeiras do G8, tem um dos maiores níveis de vida do mundo, uma economia imensa para a população relativamente pequena, as melhores metrópoles do mundo, etc.

    O segredo para estes países darem certo enquanto outros dão errado é o seguinte: democracia e respeito à igualdade de todos perante as leis e às instituições. A governadora-geral do Canadá é originária do Haiti, a Índia já foi governada por políticos muçulmanos que não falavam hindu, e uma das três mais importantes cidades da África do Sul é governada por uma branca. Sacaram?

    A questão é que autoritarismo e separação-segregação-discriminação-limitação baseados em raça, língua, origem ou religião sempre acaba levando a conflitos étnicos no médio e longo prazo, não importa quanto tempo um país foi governado por uma mão-de-ferro que fazia parecer que as coisas estavam OK.

    É isso.

  • 37 Jåµë§ ßønd™ // 11/January/2008 às 13:46

    -= Darw. … realmente espero que exista alguém por aí…

  • 38 Jåµë§ ßønd™ // 11/January/2008 às 13:48

    -= Ah, sim.. eu me referia ao ensino na Inglaterra. Mas a sua visão também é curiosa…

  • 39 Piotr Kropotkine // 11/January/2008 às 13:49

    o malandro do colonialista branco pá…. mesmo décadas depois o sacana do branco ainda é culpado nem que seja por omissão….

    por exemplo… os portugueses em Angola ainda hoje são causadores da penúria morte e súbito enrequecimento da familia do Eduardo “Dos” Santos…..

    o europeu devia ser fustigado em praça pública pelo menos seis vezes ao dia por todos os pecados cometidos contra a humanidade desde o tempo em que as tribos africanas se matavam umas às outras e as tribos árabes se degolavam umas às outras …circa de 5000 A.C. ….

  • 40 Piotr Kropotkine // 11/January/2008 às 13:53

    “Não acho que a Europa deva simplesmente esquecer da África e deixá-los que se entendam. Isso nunca deu certo. O vácuo deixado será preenchido por algo mais danoso para a população.
    Há vários exemplos. É a típica história africana.”

    dificilmente se encontra em estado puro um argumento mais paternalista e racista que este….

  • 41 Darwinista // 11/January/2008 às 14:01

    Bond,

    Tem toda razão, li uma coisa e entendi outra. Passo a bola então pra alguém que more na Inglaterra.

  • 42 Darwinista // 11/January/2008 às 14:05

    “Eu só digo o seguinte: é fácil jogar a culpa nos brancos.”

    “dificilmente se encontra em estado puro um argumento mais paternalista e racista que este….”

    Xi…

  • 43 Leave and let die a comment // 11/January/2008 às 14:11

    Caro Russo Piotr Kropo,

    Um RUSSO…chamado “Manuel Kropov”,

    Disse a esposa:
    - òh Maria, aprendi um jeito novo de trepaire, tu vai gostaire muito…

    À noite o russo posiciona a mulher na cama e diz a ela que vai pular de cima do guarda-roupa e enterrar de uma vez só.

    Ele sobe no guarda-roupa, mergulha com tudo, erra o pulo e mete o saco na guarda da cama, ficando a rolar no chão, segurando o “precioso” e gemendo, ao que a Maria fala:-

    Òhhhhh Mané!, que po.rra de fo.da é esta que tu inventastes, que só tu gozas ?

  • 44 Rabellão // 11/January/2008 às 14:11

    Essa história de colocar “continente dividido à régua” na equação não me convence. Qual continente não foi dividido a régua??? Poucos são os lugares do mundo onde, na divisão, foi possivel colocar gente de uma só “tribo”. Talvez só no norte/leste europeu e olhe lá.

    No mais, assim como a África, as Américas também foram divididas “a régua”, as coisas por aqui vão um tanto melhores, principalmente nos vizinhos do norte. E lá na terra do tio sam também se colocou muitas “tribos” que se estranhavam, bem juntinhas. NovaYork por exemplo tinha (e ainda tem) de tudo.

    Também não vejo um problema de identidade. Talvez a áfrica seja o continente mais homogêneo. No relato sobre a Austrália no outro post, descreve um grande problema de identidade, nem por isso vivem em guerras intermináveis.

    Sei lá… meus 2 cents…

    Amplexos

  • 45 Piotr Kropotkine // 11/January/2008 às 14:13

    a Europa fez o que tinha a fazer recentemente…. convidou África a entrar na globalização…. não por amor a África mas para que o “ajustamento estrutural” que está em curso (deslocalizando os empregos da europa para a India e China e Singapura e Malásia) se faça já com África

    tudo ao mesmo tempo para os salários na europa e na américa descerem o que tem a descer nos próximos dez anos e depois entrar a aldeia global em novo equilíbrio eventualmente mais vantajoso para américa latina e áfrica e ásia mas que haja mais estabilidade e menos incerteza….

    aparentemente os africanos não quiseram….

  • 46 Moisés // 11/January/2008 às 14:53

    Problemas de fronteiras há em toda parte do globo. Hoje, apesar das disputas, existe uma identidade nacional na maioria dos países africanos e do Oriente médio. O Iraque, por exemplo, apesar de arrasado pela invasão americana, preservou a sua identidade nacional moldada durante milhares de anos, visto que tanto sunitas como xiitas e mesmo os curdos estão unidos na luta contra as tropas americanas; apesar da imprensa ocidental passar uma imagem totalmente deturpada do conflito. Por exemplo, a maioria dos ataques “terroristas” que ocorrem por lá são praticados por estrangeiros que adentraram no país após o caos estabelecido pelos EUA.

    O problema maior desses países é a pobreza, a corrupção, as máfias (típicas organizações que proliferam onde há o capitalismo selvagem). Fossem as fronteiras, “naturais”, os mesmos problemas iriam existir.

    PS. Só estranhei o autor do texto não ter mencionado, no penúltimo parágrafo, o problema da Palestina, como exemplo de conflitos gerados por consolidações de fronteiras. Trata-se de um caso particular, onde toda uma população foi deslocada, com todas as suas aldeias e plantações destruídas, para que se consolidasse a criação de um estado totalmente artificial, feito exclusivamente par um determinado povo.

  • 47 Moisés // 11/January/2008 às 14:56

    No penúltimo parágrafo do comentário 46 quis dizer, principalmente, países africanos.

  • 48 Pedro Doria // 11/January/2008 às 15:00

    Moisés – certamente que a Palestina poderia ser citada como exemplo de problemas de fronteira; e o fato de que muitos dos israelenses vieram migrados da Europa e que houve uma grande migração interna de árabes pode ser destacado. Mas não sei se é tão particular assim… o Paquistão, por exemplo, também é fruto de um cruel e intenso processo migratório que ocorreu internamente, na Índia.

  • 49 Piotr Kropotkine // 11/January/2008 às 15:00

    o “estado” totalmente artificial diz respeito a uma tribo cujo território estava por ali havia milhares de anos?

  • 50 Piotr Kropotkine // 11/January/2008 às 15:07

    leave e let qualquer coisa die…. a anedota é muito boa e nunca tinha ouvido falar nela nem sequer com um russo chamado Karpov nem outro chamado Ullanov ou um polaco chamado Skwiatieviwch…. conhecia com um gajo do Entroncamento (uma terra portuguesa onde normalmente aparecem os OVNIS….) chamado Epaminondas….

  • 51 É Criacuervos, baralho !! // 11/January/2008 às 15:28

    Tipo: vc diz não é o típico país africano… Mas é bala q passa raspando, não é incoerente??
    Só porque alguns países africanos viram a economia renascer com os altos preços do
    petróleo não quer dizer que eles se transformaram!!

    Ou tudo vira um grande cartão postal como a África do Sul, o grande-PROJAC do mundo !!!

  • 52 Nhé! // 11/January/2008 às 15:43

    Piotr Kropotkine #40

    Não vejo meu comentário como racista ou paternalista.
    Se vc, ou até mesmo um outro comentarista, puder me explicar o pq, agradeceria.

  • 53 Moisés // 11/January/2008 às 15:59

    Pedro,

    Paquistão e Índia eram uma coisa só. A região, onde hoje é o Paquistão sempre foi habitada majoritariamente por muçulmanos. O processo migratório que se deu na Palestina (Israel e territórios ocupados) foi bem diferente. Os sionistas resolveram criar um estado só para os judeus. As grandes potências, no começo, haviam prometido aquela região para os habitantes nativos. Com a pressão do lobby sionista tanto na Europa, quanto nos EUA, resolveram pela partilha. A população nativa e seus vizinhos, não aprovaram (esqueceram de consultá-los!!). Resumindo, os sionistas precisavam consolidar o seu estado que deveria ser majoritariamente judeu. Como fazer isso se naquela área habitava uma maioria de não-judeus?? Limpeza étnica!! Empurrando e muitas vezes dizimando vilas e aldeias inteiras de nativos para dar lugar aos recém chegados.

    Não é implicância minha! Essa é a história e os próprios judeus, lá em Israel estão começando a reconhecer esse erro histórico. Como já frisei, não quero dizer com isso que Israel deva ser eliminado do mapa. É óbvio que não!! Só acho que tem de haver esse reconhecimento por parte do ocidente para que a justiça seja feita o mais rápido possível, para que se resolva de vez essa questão que nos aflige há anos e anos.

  • 54 Andre Fucs // 11/January/2008 às 16:06

    Essa é a história e os próprios judeus, lá em Israel estão começando a reconhecer esse erro históric..UP Essa é a história e os próprios judeus, lá em Israel estão começando a reconhecer esse erro históric..UP Essa é a história e os próprios judeus, lá em Israel estão começando a reconhecer esse erro históric..UP Essa é a história e os próprios judeus, lá em Israel estão começando a reconhecer esse erro históric..UP Essa é a história e os próprios judeus, lá em Israel estão começando a reconhecer esse erro históric..UP Essa é a história e os próprios judeus, lá em Israel estão começando a reconhecer esse erro históric..UP Essa é a história e os próprios judeus, lá em Israel estão começando a reconhecer esse erro históric..UP Essa é a história e os próprios judeus, lá em Israel estão começando a reconhecer esse erro históric..UP

    Moisés, troca o disco que esse tá arranhado… :-)

  • 55 Pedro Doria // 11/January/2008 às 16:17

    Moisés, no Paquistão moravam majoritariamente muçulmanos, sim. Mas… só para refrescar sua memória. Os deslocamentos internos na Índia e Paquistão envolveram 14 milhões de pessoas. Isso é gente saindo da casa onde sempre morou, como sempre moraram pais, avós, bisavós et caterva. Nunca mais voltaram. Provavelmente jamais voltarão. Os britânicos juram que, neste período de deslocamentos, apenas 200.000 pessoas morreram na viagem. Os indianos dizem que foram 2 milhões.

    A situação da Palestina foi um desastre. Mas, em termos numéricos, não dá nem para começar a comparar com o drama indo-paquistanês.

  • 56 proftel // 11/January/2008 às 16:22

    Rabellão, tem dó, a África é um “continente homogêneo”?
    Krai, essa foi de laskar.
    Quanto à divisão, dê uma olhada nas fronteiras da América Latrina, repare os obstáculos físicos que são tomados como divisa (rios, serras córregos e, na falta deles, uma linha reta) a maioria definida em acordos reconhecidos internacionalmente.
    Vide também alguma biografia do Barão do Rio Branco.
    Depois, se houver um tempinho, Guerra da Bósnia e quetáis, grupos étnicos existentes na África e por aí vai.
    É bem provável que sua idéia mude radicalmente com a leitura desses ítens.
    De boa, há muita coisa sobre o assunto, tanto que até citei a peste bovina de 1888 trazida com o gado dos colonizadores e que acabou com o rebanho original de África e trouxe a fome.
    Não leve a mal, só estou ilustrando o tema e lhe passando umas dicas do que mais há.

    :-)

  • 57 Moisés // 11/January/2008 às 16:56

    Pedro,

    Os hindus (ou indianos) sempre foram maioria onde hoje é a Índia. Eles não vieram da China nem da Europa, para criar um país chamado Índia, deslocando milhões de muçulmanos para onde hoje é o Paquistão. É bem diferente.

    Em termos numéricos 750 mil é um número bastante considerável em se tratando daquela pequena região.

  • 58 Pedro Doria // 11/January/2008 às 17:04

    Moisés, você está dizendo que o deslocamento repentino de 14 milhões de pessoas que sempre moraram num determinado canto não é um trauma gigantesco porque decidiu que não é. O um milhão de mortos no processo é só agravante.

    Não é possível que um único argumento sustente essa idéia.

  • 59 Moisés // 11/January/2008 às 17:04

    André,

    Antes repetir uma “verdade” para que está seja analisada e, depois, corroborada ou refutada, do que ficar repetindo e impondo uma MENTIRA para que esta seja tomada como verdade.

  • 60 Brancaleone // 11/January/2008 às 17:09

    Tô até meio cabreiro, mas vá lá:

    O Quênia não soube o que fazer com sua independencia. Angola tambem não.
    Não que os colonialistas possam ser chamados de bonzinhos, mas o que veio depois foi pior, muito pior. Aliás, praticamente toda a África pagou e está pagando caríssimo as independências obtidas.
    99% dos líderes qe “libertaram” os países africanos revelaram-se piores que os colonizadores.
    A África foi por séculos uma imensa Iugoslávia, com os colonizadores fazendo a vez de Tito. Milhares de tribos que se odeiam e um punhado de facínoras travestidos de “líderes” manipulando tudo isso.
    Nem vou falar de circuncisão feminina pois alguns aqui no blog consideram isso “traço cultural” tanto quanto a burca e o apredrejamento, portanto válido e aceito alegremente pelas vítimas…

  • 61 Moisés // 11/January/2008 às 17:16

    Pedro,

    Eu não disse que “o deslocamento…não é um trauma”!!! Claro que foi um trauma!!! Você sabe muito bem o que eu quis dizer!!! Você é quem começou a fazer a analogia!

  • 62 Moisés // 11/January/2008 às 17:18

    André,

    Antes repetir uma “verdade” para que está seja analisada e, depois, corroborada ou refutada, do que ficar repetindo e impondo uma MENTIRA para que esta seja tomada como verdade ABSOLUTA!!

  • 63 Pedro Doria // 11/January/2008 às 17:34

    Moisés, não há analogia, apenas fatos. Você disse que o caso dos palestinos era particular no processo de desmanche dos impérios europeus. Eu disse que não era. Porque não foi.

  • 64 Rabellão // 11/January/2008 às 17:37

    Moises disse em 46, O problema maior desses países é a pobreza, a corrupção, as máfias (típicas organizações que proliferam onde há o capitalismo selvagem).

    Engano seu Moisés. Máfia, Corrupção e outras mazelas não são tipicas do Capitalismo Selvagem, são mazelas típicas do Bicho Homem.

    Amplexos

  • 65 Mr X // 11/January/2008 às 17:55

    Mesmo quando o tema for o boxe tailandês ou a culinária italiana, o Moisés vai dar um jeito de fazer alguma relação e desviar pro tema árabes vs. judeus. ;-)

  • 66 Piotr Kropotkine // 11/January/2008 às 18:08

    Nhé

    “Não acho que a Europa deva simplesmente esquecer da África e deixá-los que se entendam. Isso nunca deu certo. O vácuo deixado será preenchido por algo mais danoso para a população.
    Há vários exemplos. É a típica história africana.”

    o vácuo? quer dizer que os africanos na ausência de europeus serão incapazes de se governar? ficam num vácuo? precisam de um pai? um pai autoritário ou um pai benevolente?

    e depois há aqui um problema …nalguns paises os europeus não sairam foram mesmo mepurrados (bem ou mal pouco importa agora porque o colonialismo é apenas uma forma histórica agora…) justamente ou irrealisticamente os países africanos ficaram independentes portanto responsáveis por si mesmos
    se os povos foram expoliados por autocracias e dinastias compete agora aos povos desfazerem-se dessas autocracias e desses ladrões que delapidaram os recursos naturais em conivência com algumas multinacionais pouco éticas e com governos europeus igualmente tolerantes para com a corrupção….

    mas é aos africanos que compete definir o que querem e como querem lá chegar

  • 67 Moisés // 11/January/2008 às 18:25

    MrX,

    Já que você falou em culinária. Humus, babaganush e falafel são pratos típicos da culinária judia ou da culinária árabe?

  • 68 Moisés // 11/January/2008 às 18:30

    Concordo em termos, Rabellão. Sem dúvida que é um problema do bicho Homem. Mas do bicho homem que vive numa sociedade onde imperam a ganância e o consumismo desemfreados. O ambiente molda o homem.

  • 69 Pedro Doria // 11/January/2008 às 18:55

    Ora, Moisés, são pratos típicos da culinária sefaradita, claro! ;-)

  • 70 Mr X // 11/January/2008 às 20:34

    Moisés,
    São evidentemente pratos da culinária árabe, roubados pelos ávidos sionistas contra todas as leis internacionais e contra as recomendações gastronômicas da ONU.

  • 71 cristina // 11/January/2008 às 23:31

    Olha olha, o Piotr KropotkAnarquista!!!! :)

    pá, eu acho que tamos aqui tamos com as colónias de volta, se os gajos não se orientam vamos fazer o quê? só coisas que nosatormentam…. :/

  • 72 Theo // 11/January/2008 às 23:58

    Moises disse em 46, O problema maior desses países é a pobreza, a corrupção, as máfias (típicas organizações que proliferam onde há o capitalismo selvagem.

    É com pesar que discordo de vc moisés, mas na união soviética a pobreza, a corrupção, as máfias não existiam????

  • 73 Moisés // 12/January/2008 às 0:25

    MrX,

    Não foram roubados coisa nenhuma; foram assimilados. Os árabes-judeus que migraram para Israel levaram consigo as receitas dessas deliciosas iguarias. Lá os demais judeus também aprenderam com os árabes locais, que já se fartavam com os kibes, os charutinhos, as esfirras, as kaftas, sem contar as sobremesas maravilhosas como belewa, knaife, fataier e etc.

  • 74 Moisés // 12/January/2008 às 0:27

    Theo,

    Não como hoje, depois da virada do regime.

  • 75 Andre Fucs // 12/January/2008 às 1:40

    Moisés,

    Não foram roubados coisa nenhuma; foram assimilados. Os árabes-judeus que migraram para Israel levaram consigo as receitas dessas deliciosas iguarias.

    Santa incongruência Batman! Se o falafel e hummus são pratos árabes e o palestinos os “árabes de israel” como é que foram os judeus que “levaram consigo” o hummus? Moisés você precisa se decidir rapaz!

    Ambas as comidas não tem muito a ver com a imigração mizrahi ou sefaradita visto que tanto o Humus como o falafel são típicas comidas levantinas que por lá estavam mesmo antes dos árabes terem invadido a região por volta do ano 600 da Era Comum. O caso do falafel especificamente te coloca em águas mais turbulentas, visto que muitos pesquisadores indicam o Antigo Egito como provável origem da comida.

    Não apenas isso mas é importante lembrar que há registro do cultivo de grão de bico já no período neolítico [1], as favas estão lá no “Antigo Testamento”[2] e para complicar ainda mais, alguns apontam para um possível erro de tradução em uma passagem do livro de Ruth como um indício do consumo de Hummus pelos judeus já naquela época[3].

    No fim das contas a sua argumentação acerca do humus e falafel são tacanhas e absolutamente desprovida de evidência. Gostaria que você provasse a origem árabe de qualquer uma das duas receitas.

    [1]http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B6WH8-4MHPC14-2&_user=10&_rdoc=1&_fmt=&_orig=search&_sort=d&view=c&_acct=C000050221&_version=1&_urlVersion=0&_userid=10&md5=fea4899997b7291570690fe288b64903
    [2] Ezequiel 4:9 e 2 Samuel 17:28
    [3]http://humus101.com/EN/2006/10/10/6/

  • 76 Marcos Araújo // 12/January/2008 às 2:03

    Moisés, pare com isso! Tá me dando água na boca! Conheço e como disso tudo que você mencionou - delícia pura (quando bem feito)!

  • 77 Andre Fucs // 12/January/2008 às 4:13

    Moises,

    Como mostra o post 75 (no momento ainda moderado), não se trata de repetir aquilo que você chama de “verdades” muitas vezes infundadas, verdades que na cabeça de muitos aqui é tida como retórica barata. O que surpreende é a sua obsessão em repetir esses argumentos de forma incoerente e desprovida de embasamento

    Em outras palavras; é triste, apesar de soar hilário, o fato de você afirmar que os sefaraditas e mizrahim tenham introduzido o hummus e falafel em Israel e ao mesmo tempo afirmar que os palestinos lá estavam. Você precisa escolher Moisés… Repetir muita retórica dá nisso, incoerência…

  • 78 Moisés // 12/January/2008 às 12:27

    André,

    Não tem nada de incongruente. Quando disse que os sefaraditas levaram essas receitas, é uma suposição bem válida, já que muitos vieram da Síria, do Egito, do Iraque.

    Comida árabe é um termo genérico para a comida que se faz na maioria daqueles países. É óbvio que existem variações e pratos mais típicos de cada região, pois a culinária árabe (levantina, síria ou libanesa) é carregada de sutilezas. Por exemplo, o hummus na Síria é diferente daquele feito no Egito ou, mesmo, em Israel. A esfirra à moda armênia é mais leve, com massa mais fina do que aquela feita no Líbano. Muitos dos pratos árabes tiveram a sua origem em tempos remotos. Alguns são tipicamente levantinos (Síria, Líbano e palestina). Houve assimilação e transformação por parte dos turcos, quando do auge do império otomano; por parte dos gregos, também. Até no leste Europeu se come charutinho, abobrinha e berinjela recheadas, conseqüência das invasões turcas. Uma curiosidade, o delicioso apffel-Strudell (húngaro ou alemão) se originou da nossa belewa, ou baklava, como preferem os gregos. A massa folhada tem origem assíria!! A pizza muito provavelmente se originou da esfirra. Se interessar leia este interessante artigo sobre a antiguidade da cozinha do oriente médio:

    http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=48

    Quanto a origem do Hummus, fica evidente que vocês assimilaram bem o gosto pela nossa culinária, tanto é que fizeram até um blog sobre essa deliciosa iguaria. Quanto a tal passagem da bíblia, o dia em que eu molhar um pedaço de pão-sírio no vinagre e ficar com gosto de hummus vou acreditar na sua hipótese!!

    Sahten!!

  • 79 Moisés // 12/January/2008 às 12:34

    Marcos Araujo,

    Tá na hora do almoço e eu vou rapidinho comer algumas dessas delícias.

    Dois ótimos lugares para se apreciar a comida árabe: Halim, ao lado da Praça Oswaldo Cruz, e a Tenda do Nilo (Oscar Porto 638).

    Sahten!!!

  • 80 Moisés // 12/January/2008 às 13:12

    Marcos,

    Ia esquecendo…. os endereços são em São Paulo

  • 81 Andre Fucs // 12/January/2008 às 14:38

    Moisés,

    Não é incongruente na sua cabeça visto que você apenas se esqueceu de um “pequeno detalhe”: Os judeus lá estavam antes da formação do Estado de Israel… eu mesmo conheci um, que na sua cabeça jamais poderia ser semita - era magrelo, alto, branquelo e de olhos azuis - traçou 14 gerações da família dele em Israel. Já o Arafat nasceu no Egito, vai entender…

    Portanto, sejamos razoáveis, o que você chama de assimilação é falacioso. Isso vale para os ashkenazis mas não vale para Sabras, Sefaradis e Mizrahis visto que as comidas não possuem origem definida e essa gente efetivamente não saiu da região…

    Eu gosto desses papos sobre comida, duro é não ficar com indigestão quando percebe-se que está impregnado no teu argumento, a negação da origem geográfica do povo judeu. blleeeaaaarrrghhh :-)

  • 82 Moisés // 12/January/2008 às 18:35

    André,

    Essa pessoa poderia muito bem ser descendente de alguns cruzados europeus que por lá habitaram.

    Pois é, agora você é que está sendo contraditório ao dar a entender — como eu havia afirmado — que os árabes judeus compartilhavam dessas famosas iguarias nos seus países de origem.

    Não nego a origem geográfica do povo judeu. Os ashkenazi são da Europa oriental (talvez descendentes dos turcos khazares), onde assimilaram iguarias como burekas e strudell; os sefaradis são da andaluzia, norte da áfrica, onde assimilaram cuscus, e o humus, que também é apreciado por lá; e os mizrahis (que as vezes se confundem com os sefaradis) são do oriente médio, onde assimilaram o humus, falafel, kibes e etc. Essa é uma das características mais apreciáveis do povo judeu, a assimilação de ítens culturais, quando do contato com outras grandes civilizações. Os árabes, também tem essa característica.

  • 83 Andre Fucs // 12/January/2008 às 23:38

    Moises,

    De forma alguma contraditório. Você clama que essas comidas são “árabes”. Em minha opinião são comidas levantinas e os judeus, como povo levantino não assimilaram essas comidas, eles simplesmente sempre as comeram e fazem parte do desenvolvimento delas.

    Você insiste na tecla da assimilação e imputa aos judeus uma origem alienígena, esquecendo-se que os registros apontam o contrário. Os judeus sefaradis não são originários da Andaluzia, são originários de Israel e obrigados a viver na diáspora. Os judeus europeus em geral são fruto da invasão romana.

    Não é a toa que tanto judeus como samaritanos compartilham receitas e certas restrições alimentares.

    Fico imaginando o que comiam os judeus de Tibérias… afinal eles por lá moravam antes, durante e depois da presença de romanos, árabes, cruzados e turcos…

  • 84 Andre Fucs // 12/January/2008 às 23:46

    e diga-se de passagem, gostaria de saber que provas tem de que esssas são comidas de origem árabe. Quem sabe não são comidas assimiladas pelos árabes? Afinal fenícios, gregos, judeus e muitos outros lá estavam antes da chegada dos “brimos”…

  • 85 Moisés // 13/January/2008 às 0:51

    É que nós chamamos de comida árabe. Pode ser comida síria ou comida libanesa. É tudo árabe. Os judeus, aqui, em São Paulo, quando querem comer dessa culinária, duvido que não pensam em ” comida árabe” ou “comida síria”!! Lá em Israel vocês não falam em esfirras, kibes ou kube, hummus, babaganush e etc? São nomes árabes; alguns, como belewa, talvez tenham origem grega, baklava. Taí uma prova: o nome dos pratos.

    Eu, mesmo, disse que os árabes também assimilaram a culinária dos povos conquistados. Assimilaram e transformaram. Os romanos fizeram o mesmo com a expansão de seu império.

    Os árabes sempre habitaram aquela região. Onde hoje é a Jordânia, parte da Síria, sul do Iraque, sem contar toda a península arábica, muito antes do advento do islã. A Bíblia faz menção aos árabes. O Talmud os chamam de “arvi”. A rainha de Sabá, aquela que foi testar a sabedoria do rei Salomão, era árabe, do reino dos sabeus (atual yemen). A menção mais antiga de que se tem notícia vem de textos assírios, que os chamavam de “aribu” ou coisa parecida. É isso.

    Relaxa, André!! E vai comer uma esfirrinha!!

    Sahten!!

  • 86 Moisés // 13/January/2008 às 0:59

    André,

    Mudando de culinária árabe, para política externa, dá uma olhadinha no último post do Guterman, “Os Burocratas do horror”. Vale a pena!!

  • 87 aiaiai // 13/January/2008 às 13:37

    caceta…não acredito que esses caras tão discutindo culinária…deu uma fome!
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  • 88 Rachel // 14/January/2008 às 8:27

    Eu ia participar da discussão, mas creio q cheguei tarde. Já estão a discutir humus e outras coisinhas gostosas e eu nem tomei café da manhã… (;

  • 89 Japaá ~;D // 12/September/2008 às 9:45

    Gente ..
    Eu preeciso de uma ajudinha .
    Alguém sabe qual a culinária típica do Quênia .?

    Vaaleu ..!

  • 90 verox // 16/November/2008 às 16:15

    Poxa pessoal, tambêm to querendo saber a respeito da culinaria.Afinal , tá uma bosta encontrar um site que tenha suas receitas.

    Se alguem tem conhecimento, dá uma força ai*

    XD

  • 91 verox // 16/November/2008 às 16:17

    escrevi também errado (ô jumenta)

Leave a Comment