Hillary Clinton e sua incrível virada

EUA · 9/01/2008 - 01h55 - 33 Comentários

New Hampshire acaba de fazer Hillary Clinton a comeback gal desta eleição. Ou, ao menos, foi assim que seu marido se apresentou em 1992, quando chegou em segundo e todos já o contavam fora.

Foi uma vitória e tanto. Surpreendente. As pesquisas apontavam uma derrota de até 12 pontos de diferença.

Não aconteceu.

Hillary e Bill Clinton bateram duro em Obama nas vésperas do pleito de New Hampshire. ‘Ele está por demais à esquerda’, disseram; ’sonha demais, não tem os pés no chão’; é ‘puro discurso’; ‘arrogante, compara-se a John Kennedy, a Martin Luther King’. De quebra, Hillary soltou uma lágrima furtiva, mostrando-se mais humana. Qual tática funcionou não está clara – mas a campanha acertou em alguma coisa.

Enquanto John Edwards fica definitivamente para trás, a decisão de quem é o candidato democrata permanece adiada. Agora virá uma grande pausa até o sábado, dia 19, quando vêm os caucus de Nevada, seguidos no dia 26, uma semana depois, das primárias da Carolina do Sul. Daí, a super duper terça-feira 5 de fevereiro com quase 25 primárias simultâneas.

John McCain sagrou-se o vencedor definitivo no lado republicano. A situação fica preocupante para Mitt Romney mas não ajuda a clarear o futuro.

O racha no Partido Republicano é sério. Mike Huckabee representa o voto conservador do sul, aquele eleitor muitas vezes religioso, em geral preocupado com questões como aborto, casamento gay, uso de células tronco embrionárias em pesquisas.

John McCain talvez represente um republicano do norte, liberal do ponto de vista econômico, preocupado, sim, com a Guerra do Terror, mas que não está nem aí para o casamento entre dois homens. Outro que pode assumir a preferência deste eleitor é Rudolph Giuliani.

Seja como for, o típico republicano do sul e o típico republicano do norte estão se desencontrando nesta eleição. Bush representava ambos, mas seja qual candidato for escolhido nestas primárias, um dos lados sairá desapontado. Esta divisão será a maior ameaça para o partido que se encontra agora na Casa Branca na hora de concorrer a eleição de fato.

O caminho para os republicanos até a super duper terça-feira é mais longo. Michigan no dia 15, Nevada e Carolina do Sul no 19, Louisiana no dia 22, Havaí no 25, Flórida no 29 e, em 1o de fevereiro, Maine. A Flórida, maior esperança de Giuliani, tem 114 delegados para levar à Convenção Nacional. Não é pouco. New Hampshire, por exemplo, tem 24.

Nada decidido em nenhum lado – há uma democracia em funcionamento.

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