Uma entrevista aos sábados

Artes · Gente · 5/01/2008 - 14h16 - 76 Comentários

Sou comunista e minha pintura é comunista. Mas, acaso fosse sapateiro, não importaria se monarquista ou se comunista, meus sapatos não seriam diferentes de acordo com minha orientação política.

O Parthenon é só um campo sobre o qual puseram um teto. Se incluíram ali umas colunas e esculturas, é porque havia uma gente em Atenas que por acaso faziam isso e desejavam se expressar. Não é o que o artista faz que importa; importa o que o artista é. Cézanne nunca me interessaria se ele tivesse vivido e pensado como alguém monótono, mesmo que suas maçãs fossem dez vezes mais bonitas. A força de Cézanne é sua ansiedade, esta é sua lição. Veja os tormentos de Van Gogh – este é o drama do homem. O resto é picaretagem.

O que há de errado com o pintor que pinta como outro, que imita outro? É uma ótima idéia. Você deveria tentar pintar constantemente como outra pessoa. O problema é que você não consegue. Você gostaria. Você tenta. Mas é um fiasco. E no momento em que fracassa tentanto é que quem você realmente é aparece.

Pablo Picasso

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