Já na quinta-feira, em Iowa, começa a temporada eleitoral norte-americana. No dia 5, sábado, o Partido Republicano (mas não o democrata) de Wyoming fará um segundo caucus e, no dia 8, terça da outra semana, acontecerá a primária de New Hampshire.
(Já houve por aqui um post sobre como funciona este período de escolha de candidatos nos EUA, incluindo a diferença entre primárias e caucus.)
Se as pesquisas são guia, quatro homens têm chances de saírem candidatos pelo Partido Republicano, é impossível indicar um favorito: Rudolph Giuliani, Mike Huckabee, Mitt Romney e John McCain. Pouco antes do Natal, ninguém incluiria McCain nesta lista. As coisas mudam, e rápido, neste período.
Dentre os democratas, são três com chances: Hillary Clinton, a favorita, Barack Obama e John Edwards.
Se as eleições passadas são guia, este período entre Iowa e New Hampshire deve diminuir a lista mas é difícil que aponte favoritos.
Em 1992, Bill Clinton não participou do caucus de Iowa (ninguém é obrigado) e estava sendo bombardeado por seu primeiro escândalo sexual quando veio New Hampshire. Lá, chegou em segundo lugar. Sorridente, comemorou aquela posição como a prova de que não tinha sido achatado porque uma moça decidiu falar de suas relações extra-conjugais e colou.
Em 2000, John McCain venceu New Hampshire, as metralhadoras da campanha de Bush voltaram-se contra ele – e a vitória inicial de pouco adiantou.
McCain, no Partido Republicano, e John Edwards, no Democrata, estão levando muito a sério esta disputa.
Veterano da Guerra do Vietnã, durante a qual foi preso e barbaramente torturado pelo vietcongue, McCain parecia carta fora do baralho mas vem crescendo, tanto em Iowa quanto em New Hampshire, nas últimas semanas. Ele é um senador experiente, íntegro, e é o tipo do republicano que eleitores democratas respeitam: não é reacionário. Integridade não é coisa da qual Giuliani pode se orgulhar – vários pequenos escândalos vêm estourando, Mitt Romney também parece que muda de opinião conforme comandam seus assessores de imagem e Huckabee é novo demais, desconhecido demais. Talvez sejam essas dúvidas a respeito dos três líderes que tenham feito McCain subir. Um segundo lugar em Iowa seguido dum primeiro em New Hampshire, pode torná-lo favorito. Dois terceiros lugares em seqüência, para Giuliani, provavelmente serão fatais.
Então, no lado republicano, é questão de ficar de olho em quem estará nos primeiro e segundo lugares em Iowa, Wyoming e New Hampshire. São provavelmente estes os dois ou três homens que disputarão a indicação a presidente pelo partido de Bush.
O mapa para o Partido Democrata não é diferente e todos os olhos estão voltados para John Edwards. Ele tem boas chances de sair-se vitorioso em Iowa, e neste embalo pode garantir uma segunda posição em New Hampshire. Edwards tem o apoio dos sindicatos, base tradicional da máquina partidária, é um trabalhista, um democrata clássico, herdeiro do discurso de Franklin Roosevelt. Tanto Clinton quanto Obama são exemplos dos novos democratas, que formaram o governo Bill Clinton.
Ao longo do último mês, filiados ao partido começaram a flertar abertamente com as possibilidades além da candidatura Hillary, o que fez Obama avançar bastante. O avanço trouxe mais atenção ao candidato. Carismático e inspirador no palco, durante os debates, Obama vacila. Não parece ter firmeza. Talvez, nas curvas de atenção, Obama tenha atingido seu máximo e esteja numa descendente enquanto Edwards comece a subir. No photochart, é difícil ler pesquisas.
Se um chute fosse possível – ou mesmo sensato, já que qualquer coisa pode acontecer – a disputa entre os democratas provavelmente se dará entre Hillary e um dos outros dois. E Iowa e New Hampshire poderá deixar claro qual dos dois.
Este é o mapa para tentar compreender aquilo que acontecerá muito, muito rápido nas próximas semanas. Janeiro e fevereiro são os meses decisivos.
Vale a pena prestar a atenção: é um processo confuso de escolha de um candidato, mas nada impositivo. O jogo, no fim das contas, é de mapear o sentido no qual caminham os eleitores para a escolha de seu presidenciável. Porque, confusa e misteriosa, é a maneira como a voz do povo se manifesta. A eleição norte-americana é talvez a maior aula de democracia em curso no mundo.




