Pedro Doria | Weblog

um pouco do mundo, todos os dias

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Publicado em January 2008

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31/January/2008 · 207 Comentários

Papo livre.

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Fidel Castro é reeleito em Cuba

31/January/2008 · 202 Comentários

Certamente não causará surpresa aos leitores cá do Weblog a notícia de que Fidel Alejandro Castro Ruz foi reeleito deputado da Assembléia Nacional por seu distrito, próximo a Santiago de Cuba. Obteve 98,3% dos votos válidos. Era o único candidato que o Partido Comunista de Cuba, único partido legal na ilha, apresentou.

Já em seu distrito, Raúl Modesto Castro Ruz teve – pela primeira vez –votação melhor que a de seu irmão: 99,4% dos votos válidos. Raul também concorreu pelo PCC.

Que ninguém fique com a impressão de que a incrível votação do presidente licenciado e do em exercício têm a ver com a falta de opções em seus respectivos distritos. Elizabeth Cámara Báez, que concorreu pelo distrito da Ilha da Juventude, uma ilhota anexa ao país, recebeu apenas 70,2% dos votos válidos.

Ao todo, compareceram à urnas – como no Brasil, o voto é obrigatório – 8,2 dos 8,5 milhões de eleitores.

O governo ainda não anunciou a penalidade que cabe aos que se abstiveram.

Tags: América Latina

A Internet caiu na Ásia

31/January/2008 · 21 Comentários

Parte do Oriente Médio e Ásia Central tiveram seu acesso à Internet interrompido, ontem, por conta de dois acidentes mais ou menos simultâneos no Mediterrâneo.

O primeiro ocorreu no grande cabo que leva Internet à África e Ásia. Provavelmente um navio içou âncoras carregando e rasgando o cabo nas proximidades de Alexandria, no Egito. Não se trata de um mero cabinho: partindo da Alemanha, passando pelo Egito, atravessa o Oriente Médio e Ásia, pega Índia e China para desembocar na Austrália. É uma brincadeira de 40.000 quilômetros e a principal via da Internet conectando Europa à Ásia. Não bastasse, outro cabo que vai da Inglaterra até o Japão partiu no mesmo mar, próximo a Marselha, na França.

A Internet foi confirmada fora do ar em toda Arábia Saudita, ainda atinge 70% dos usuários egípcios, um bom naco da conexão em Dubai e pôs a nocaute 50% da trilha de acesso na Índia. No caso indiano, a maioria das empresas de telecomunicações conseguiu desviar o tráfego de dados por rotas alternativas. Isto quer dizer, essencialmente, que a Internet ficou muito mais lenta.

Como grande parte das empresas de telemarketing dos EUA usam operadores indianos e como é cada vez mais comum que parte das operações de grandes escritórios sejam terceirizadas para companhias da Índia, pode haver impacto econômico ainda não calculado.

Tags: Europa · Oriente Médio · Tecnologia · África · Ásia Central · Ásia Sudeste & Pacífico

Uma estante às quintas

31/January/2008 · 11 Comentários

Intercoin

dica do Denis Fonseca

Tags: Estantes

E se os nazistas tivessem vencido?

30/January/2008 · 222 Comentários

Num acidente lastimável, o deputado britânico Winston Churchill foi atropelado numa visita a Nova York, no ano de 1931. Morreu.

Em 1939, o Reich alemão invade a Polônia e lança uma grande ofensiva contra toda a Europa. O continente está dominado já em 1940, quando o premiê britânico Neville Chamberlain assina a rendição.

A ofensiva oriental nazista toma dois cursos. Domina o petróleo no Oriente Médio e avança contra a União Soviética. Stalingrado cai em setembro de 1941. Enquanto isso, na Ásia, o Japão estende seu comando no continente.

Em 1953, o Reich lança um ataque contra Nova York.

Turning Point, Fall of Liberty é um video game inglês. Acaba de ser lançado e conta uma história paralela do mundo. O El País tem um site especial com vídeos do jogo.

Tags: EUA · Europa · História · Japão · Mundo · Oriente Médio · Rússia

John McCain: enfim um favorito no pleito dos EUA

30/January/2008 · 47 Comentários

Com as primária da Flórida de ontem é possível dizer, enfim, que há um favorito na disputa pela candidatura de um dos partidos: é o senador republicano John McCain. McCain é favorito por três motivos.

O primeiro é que, no Partido Republicano, o vencedor leva todos os delegados em vários estados. A Flórida é um deles. A vitória pode ter sido apertada – 36% contra 31% – mas, para o veterano senador do Arizona, valeu muitos votos na Convenção Nacional.

A segunda questão é que Mitt Romney, seu principal concorrente, gastou em campanha na Flórida oito vezes mais do que McCain. Romney é um homem rico e McCain, cuja campanha depende de doações, estava nas bicas de ficar sem dinheiro. Se, mesmo com este gasto desproporcional, Romney perdeu, é porque não há dúvidas de para que lado se inclinam os republicanos. Além do mais, com esta vitória as doações para John McCain já estão voltando e ele estará bem financiado para a Super Duper Terça-Feira.

Por fim, a Flórida foi o primeiro estado no qual McCain venceu exclusivamente com votos republicanos. Em outros estados, mesmo quem não é afiliado ao partido tem direito de votar e havia quem sugerisse que, sendo liberal demais, McCain atraía eleitores independentes mas não gente de seu partido. A Flórida desmentiu essa teoria.

Ainda há muita disputa em jogo. Mas McCain é favorito em vários estados muito grandes que concedem ao vencedor todos os delegados, casos de Califórnia e Nova York. A próxima terça-feira, quando 24 estados da União realizam suas prévias, deve consolidar sua liderança. Se é possível sair derrotado? Claro que sim. Ficou difícil.

John McCain é favorito a sair candidato à presidência dos EUA.

Para os democratas, ele é um candidato perigoso. Não é um homem profundamente conservador que cederá em todas suas exigências à direita religiosa. Isso atrai eleitores independentes no centro e, em alguns casos, até mesmo democratas. McCain, diga-se, no distante ano 2000, foi a primeira vítima, ainda nas prévias republicanas, das táticas eleitorais sujas da campanha de George W. Bush.

Outra imensa qualidade de John McCain é sua franqueza. Ele é simpático a um projeto de anistia para imigrantes ilegais, causa que divide com muitos democratas, mesmo consciente de que o eleitorado republicano não quer nem ouvir tal idéia. Com passado militar, ex-prisioneiro do Vietcongue, ele se mantém favorável à permanência das tropas norte-americanas no Iraque. É outra posição que, hoje, é extremamente impopular para uma grande parcela da população.

Apenas franqueza não vence eleições. Mas este é o Partido Republicano de George W. Bush. Um homem íntegro como John McCain faz, neste cenário, uma imensa diferença. Ele é alguém em quem não republicanos cogitam votar e há pelo menos dois cenários que podem levá-lo à vitória.

O primeiro é que algum acontecimento imprevisto faça com que a população norte-americana volte a ver com bons olhos a intervenção no Iraque.

O segundo é caso Hillary Clinton seja escolhida a candidata democrata. Hillary é tão odiada pela base eleitoral mais conservadora do Partido Republicano quanto Bush é pela base do Democrata. Não quer dizer que isto vá acontecer, mas ódio é coisa que não se mede. Então seria assim:

A dificuldade que McCain tem, numa eleição geral, é atrair os votos dos eleitores da direita religiosa e dos setores mais conservadores da sociedade. São eleitores que, por hábito, não costumam votar sempre. Em duas eleições presidenciais muito apertadas, saíram às urnas para levar George W. Bush à presidência. E, cumprindo o que este naco do povo esperava dele, Bush sempre que pôde impediu experimentos científicos com células tronco embrionárias, propôs emendas para tornar inconstitucional o casamento gay e por aí afora. McCain não faria nada disso mas precisa mobilizar estes mesmos eleitores. A única chance que tem de fazê-lo é, mesmo incapaz de inspirar essa gente, pode apresentar uma vitória de Clinton como um pesadelo. (E, para este eleitor, seria mesmo.) O voto anti-Clinton poderia conceder-lhe uma vitória.

Mas nada é tão simples. A Guerra do Iraque é terrivelmente malvista e isso afasta de McCain muitos eleitores ao centro. Ele é franco e suas posições políticas estão distantes demais da direita profunda. Mesmo que odeiem Clinton, ainda é uma tarefa hercúlea transformar tal ódio em votos para McCain.

Esta, no entanto, é conversa para o segundo semestre, quando a campanha presidencial estiver em pleno curso. Hoje, há um favorito na corrida pela candidatura republicana. É o senador John McCain.

Tags: EUA

Bush, seu legado e o estado da União

29/January/2008 · 240 Comentários

Ontem à noite, George W. Bush fez seu último discurso a respeito do Estado da União perante o Congresso. É uma tradição norte-americana que remonta aos tempos de George Washington, uma visita anual na qual o chefe do Executivo presta contas ao Legislativo e ao Judiciário a respeito do que foi feito e informa de seus planos futuros.

No DailyKos, um dos principais blogs democratas que há, um dos leitores aponta o legado dos – por enquanto – sete anos de governo Bush:

1. Tortura virou política de Estado.
2. O governo não negou que mantém prisões secretas.
3. Detenção infinita de certos suspeitos.
4. Negou-se o direito de habeas corpus.
5. O governo ganhou o direito de plantar escutas sem autorização judicial.
6. Espionagem dentro dos EUA pelo governo, embora ilegal, foi praticada.
7. A declaração de que juízes federais não têm competência para tomar decisões em casos considerados pelo governo de segurança nacional.

A definição de Estado de Direito, essencial para o equilíbrio dos Três Poderes e, portanto, para o Estado Democrático, passa por cada um destes sete itens.

A idéia por trás do argumento do governo Bush é que, em momentos de ameaça, as regras têm que mudar. Certos direitos têm que ser suspensos. Eles têm razão – e, num estado de guerra, certas coisas mudam para que o país se defenda. É instalada a pena de execução para soldados desertores, o alistamento militar obrigatório, Estado de Sítio quando há risco de invasão.

Mas os EUA não são Londres sob bombardeio nazista.

Um novo presidente virá e, em janeiro de 2009, fará seu primeiro discurso a respeito do Estado da União. Contará do país que recebeu e do que pretende fazer. Explícita ou implicitamente estará a percepção de que, ao longo dos oito anos anteriores, os valores defendidos pela primeira Constituição democrática do mundo foram simplesmente ignorados.

O fato de que tais valores foram ignorados em nome da ‘democracia’ é o que levou o resto do mundo a considerar aquele país hipócrita. Refazer a imagem é trabalho para décadas.

Tags: EUA

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29/January/2008 · 114 Comentários

O anterior encheu rápido.

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Terra entra em nova Era Geológica?

29/January/2008 · 150 Comentários

O homem não é a primeira espécie a mudar drasticamente o clima do planeta. As plantas já o haviam feito – a diferença é que não tinham consciência do que faziam. A mudança, agora, é grande o suficiente para quem um grupo cada vez maior de cientistas defenda a idéia de que mudamos de Era Geológica.

Segundo a tradição científica, estamos no Holoceno, período que se iniciou há 11.000 anos, quando terminou a última Era Glacial. Em 2000, o químico Paul Crutzen, sugeriu que o Holoceno já havia terminado. Quando Crutzen fala, a comunidade científica ouve. Afinal, ele é um dos que provou o impacto dos CFCs na Camada de Ozônio, feito que lhe valeu um Prêmio Nobel.

Mas o que ele tinha era uma idéia, uma sugestão, não mais que isso. Agora, um paper publicado na revista da Sociedade Americana de Geologia por geólogos britânicos convoca quem é da área a levar a idéia a sério. O Holoceno, dizem seus autores, terminou. O clima da Terra já não tem as mesmas características e tampouco segue exatamente as mesmas regras e ciclos que seguiam no Holoceno.

Entramos, dizem Jan Zalasiewicz e Mark Williams, no Antropoceno. E ele teria começado na época da Revolução Industrial.

Tags: Energia e Aquecimento global

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28/January/2008 · 226 Comentários

… para mais uma semana que começa.

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1968 há 40 anos

28/January/2008 · 41 Comentários

Cheguei do trabalho, trabalhava na Editora Delta, era assessor econômico para projetos industriais, jantei rápido. O clima no centro do Rio estava super-pesado; rumores que tinha gente sendo presa, deputados dizendo que o “governo ia reagir” contra a derrota que sofrera no pedido de licença para processar o Marcito. Papai tinha comprado uma tv pequena (era 68: portanto, tv em preto-e-branco) onde assistíamos ao jornal. Bate 8 e meia. Entra no ar o Gaminha, ministro da justiça, com as desculpas esfarrapadas habituais do governo, e aí aparece o Alberto Cury, locutor oficial, vomitando sobre nós o horror ditatorial do Ato 5.

Memórias paternas de como foi 1968: Parte 1, Parte 2 e outras virão.

Tags: Brasil · História

Holocausto, EUA, 2008

28/January/2008 · 62 Comentários

Como seria o Holocausto se acontecesse hoje, nos EUA? A MTV está com uma campanha no ar de dois filmes.

O segundo filme se passa num vagão de metrô.

via Brainstorm9

Tags: EUA · História · Israel e Palestina · Judaísmo

Uma moça às segundas

28/January/2008 · 17 Comentários

Sara F.

Tags: Moças

Jango foi assassinado a pedido da Ditadura?

27/January/2008 · 120 Comentários

Preso desde 2003 na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (RS), o ex-agente do serviço de inteligência do governo uruguaio Mario Neira Barreiro, 54, disse em entrevista exclusiva à Folha que espionou durante quatro anos o presidente João Goulart (1918-1976), o Jango, e que ele foi morto por envenenamento a pedido do governo brasileiro.

Jango morreu em 6 de dezembro de 1976, na Argentina, oficialmente de ataque cardíaco. Ele governou o Brasil de 1961 até ser deposto por um golpe militar em 31 de março de 1964, quando foi para o exílio. À Folha Barreiro deu detalhes da operação da qual participou e que teria causado a morte de Jango. Segundo o ex-agente, Jango não morreu de ataque cardíaco, mas envenenado, após ter sido vigiado 24 horas por dia de 1973 a 1976.

A operação que levou ao assassinato de Jango, informa o ex-agente, foi executada pela inteligência uruguaia com financiamento e acompanhamento da CIA. O mérito do furo que, se confirmado, é bem mais que histórico, cabe à repórter Simone Iglesias.

Se Jango foi de fato assassinado, volta à tona a hipótese de a Ditadura, que estava iniciando o processo de abertura, ter providenciado a morte dos três grandes líderes da política brasileira do tempo. Além de Goulart, também Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda. A hipótese de triplo assassinato já foi tema de um livro, um quê romanceado, de Carlos Heitor Cony.

Tags: América Latina · Argentina · Brasil · EUA

Obama, Carolina do Sul e um quê de John Kennedy

27/January/2008 · 36 Comentários

O senador Barack Obama conseguiu uma vitória fenomenal, ontem, na Carolina do Sul, ao conquistar 55% dos votos válidos, o dobro de Hillary Clinton – 27% –, que chegou em segundo lugar. Com esta vitória, Obama passa Hillary na contagem de delegados ganhos em todas as prévias disputadas até agora – tem 38, contra seus 35.

Enquanto, nesta terça-feira, os republicanos disputarão as primárias da Flórida, os democratas terão até a Super Duper Terça-Feira, no dia 5, para se mexer.

Não é, a princípio, uma surpresa que Obama tenha vencido. Há muito voto negro, naquele estado. Mas é uma surpresa a diferença – assim como surpreende, na reta final, a crescida que John Edwards deu. Não chegou a ultrapassar Hillary, mas assustou.

A Carolina do Sul deixa duas mensagens para os eleitores e políticos do Partido Democrata. A primeira é um sinal de que a campanha de Hillary Clinton errou a mão na estratégia. Ao longo da última semana, Bill Clinton baixou o cacete em Obama, os Clintons distorceram suas falas, bateram sem piedade. A tática do tudo vale para a vitória não apenas naufragou como surtiu efeito contrário. Hillary é uma candidata forte. Mas, para vencer Obama, precisará de uma nova estratégia.

A segunda mensagem é a respeito do eleitor do sul. Obama recebeu votos de negros, em maioria, mas também de metade dos eleitores brancos. Ao mesmo passo, Hillary foi rejeitada por um bom naco. Como os eleitores dos estados da Super Duper Terça-Feira interpretarão este resultado é um mistério. Mas a dificuldade do candidato a presidente democrata não será vencer na Califórnia ou em Nova York. Al Gore e John Kerry venceram estes estados. A dificuldade é vencer em estados como a Carolina do Sul, que tipicamente ficam do lado republicano. É roubando estados do outro partido que se vence a presidência. Se até os eleitores democratas do Sul votam contra Hillary, como sua candidatura será aceita pelos republicanos?

Pode ser uma leitura apressada. O Sul, assim como o Norte, já demonstrou nas pesquisas falta de paciência para com os erros da política externa de George W. Bush. E o Sul, mais pobre, é onde mais se sofre com os revezes econômicos que os EUA enfrentam – fruto da incapacidade administrativa do atual governo. Então, talvez não importe quem é o candidato democrata. Vencerá pelo desejo de mudança. E Hillary pode dizer que, no governo de seu marido, a conduta econômica foi extremamente competente. Porque foi mesmo.

Fato é que a Carolina do Sul parece dizer que o Sul prefere Obama. E o senador acaba de receber o apoio de Caroline Kennedy, a filha viva de John Kennedy. ‘Um presidente como meu pai‘, ela diz. O primeiro com chances de ser como ele desde seu assassinato. É o tipo do apoio que repercute nos EUA. Foi um bom dia para o senador de Illinois. Mas a batalha está longe de ser ganha. E, não custa lembrar: Bill Clinton é o mais talentoso político em campanha de sua geração. A briga não tem nada de fácil.

Tags: EUA

Obama na Carolina do Sul

26/January/2008 · 19 Comentários

Barack Obama é o vencedor das primárias de hoje, na Carolina do Sul. A confiar nas pesquisas, foi uma vitória folgada. O que as pesquisas de boca de urna não conseguem dizer, ainda, é quem será o segundo lugar. Se John Edwards vier em segundo, isto terá impacto na campanha de Hillary Clinton.

Tags: EUA

O Bolsa Família e um mea culpa

26/January/2008 · 65 Comentários

O Weblog publicou, na última sexta-feira, a Marchinha do Bolsa Família. É uma crítica ao programa dos governos FH e Lula – e marchinha de carnaval crítica ao governo é tradição brasileira. O link para a marchinha veio por email. O critério que adotei para decidir publicá-la foi a acusação de que teria sido censurada num concurso de marchinhas de carnaval.

A idéia não me surpreendeu de forma alguma, o governo atual já se mostrou disposto a censurar outras vezes.

Alguns de vocês cobraram de mim provas de que houve censura. Fui buscá-las, não encontrei. Só o que há é a alegação de seu autor. Não será o primeiro que, rejeitado por uma banca em concurso, terá acusado censura.

Isto quer dizer que cometi um erro de avaliação. Sem a história de censura, sobra apenas uma crítica ingênua, se não boba, ao governo federal. Por conta, devo aos senhores leitores um pedido de desculpas.

Tags: Administrativas · Brasil

Uma entrevista aos sábados

26/January/2008 · 235 Comentários

Permaneci no Partido Comunista não por motivos políticos mas por razões autobiográficas. Não é por idealismo em relação à Revolução de Outubro. Não sou idealista. Ninguém deveria se iludir a respeito das pessoas ou coisas com as quais nos preocupamos. Comunismo é justamente uma das coisas com as quais tratei de não me iludir, embora tenha feito o que pude para permanecer leal a ele e a sua memória. O fenômeno do comunismo e a paixão que ele levantou foi algo específico ao século 20. Foi uma combinação de grandes esperanças nascidas do progresso e da crença na melhoria da humanidade durante o século 19 além da descoberta de que a sociedade burguesa na qual vivemos, não importa quanto sucesso tenha feito, não funciona e, em alguns momentos, pareceu próxima ao colapso. Como não entrou em colapso, criou grandes pesadelos.

Os EUA obviamente escolheram a barbárie contra o socialismo, no Afeganistão. Eles financiaram a al-Qaeda e o Talibã porque acreditavam que o comunismo era uma opção pior. Eu não acho isso. Também não acho que a al-Qaeda ou o fundamentalismo sejam os maiores perigos enfrentados pelo capitalismo. O capitalismo sobreviverá a eles e fará dinheiro com eles. O fundamentalismo islâmico não é um grande perigo porque não é capaz de vencer guerras. Para compreender a situação atual, é preciso compreender que o Onze de Setembro jamais ameaçou os EUA. Foi uma tragédia humana que humilhou os EUA, mas o país não estava de forma alguma mais fraco após os ataques. Três ou quatro ataques equivalentes não mudarão a posição de poder dos EUA no mundo.

Os EUA são o grande poder propagandístico do mundo. A França o foi em 1789, depois o foram os comunistas, e agora são os EUA, em si também um regime revolucionário. Quando você tem a chance de espalhar sua influência, termina se transformando num império. É o caso francês no período de Napoleão. Eles alegavam estar fazendo o bem para os países que conquistavam, mas eram considerados simples conquistadores pelo resto do mundo. A diferença é que, diferentemente do caso alemão, que não quis fazer bem para todo mundo, os franceses e os russos tinham e os americanos têm mesmo o objetivo de fazer o bem ao espalhar suas idéias. Agora, os americanos têm a chance de fazer o que os franceses fizeram no tempo de Napoleão, e os argumentos pró e contra são parecidos.

Eles usaram o Onze de Setembro como oportunidade para demonstrar que são o único poder com a capacidade de domínio. Agora, qual o objetivo deles além de provar que conseguem dominar outro país é difícil de dizer. Não há qualquer justificativa racional para a Guerra do Iraque. Os EUA terão de aprender que há limites até mesmo para seu poder e, com alguma sorte, acho que isto acontecerá. Neste momento, no entanto, o processo de aprendizado mal começou.

Eric Hobsbawm, 2002

Tags: EUA · Europa · Gente · História · Iraque · Rússia

Open thread de sábado

26/January/2008 · 58 Comentários

Uma novidade aqui no Weblog: volta a área ‘Na cabeceira’, que havia nos tempos de NoMínimo na barra lateral. São vários livros que li recentemente ou estão na fila para leitura.

Tags: Administrativas · NoMínimo · Open thread

Melô do Bolsa Família

25/January/2008 · 59 Comentários

Tags: Brasil · Música