Para Nicolai Ouroussoff, o conceituado crítico de arquitetura do New York Times, a maior ameaça à obra de Oscar Niemeyer é Oscar Niemeyer:
Em meados dos anos 1980, Niemeyer alterou a forma dos arcos que cercam a fachada do prédio do Supremo Tribunal Federal, sacrificando-lhes a elegância em detrimento de algo esteticamente mais simples. No mesmo período, ele renovou a Catedral de Brasília, considerada uma de suas obras-primas. Erguida por uma série de arcos parabólicos que se abrem no topo, seu conjunto dava um toque exuberante ao Eixo Monumental. Niemeyer modificou-a pintando de branco a estrutura em concreto no topo e substituindo seus janelões com painéis de vitrais desenhados por Marianne Peretti: as mudanças fizeram com que o prédio perdesse a força bruta imposta por aquele movimento em direção ao alto.
Talvez pior tenha sido o término, no ano passado, do Museu e a Biblioteca Nacional no Eixo Monumental. A cúpula branca do museu, cortada em uma ponta por uma longa rampa, repousa sobre a praça de concreto com a leveza de um bunker militar. As paredes curvas e a falta de luz natural – uma lástima num clima como o brasileiro – compõem um cenário desagradável para se ver arte.
Ouroussoff acha o prédio do Museu de Arte Contemporânea de Niterói uma lástima que mais parece obra de alguém tentando imitar Niemeyer. Sua conclusão é de que, seja pela idade, seja pela fama, o velho mestre perdeu a mão. A leveza que imprimia a suas construções perdeu-se e o acabamento deixou de ser bem cuidado.




