Esta é a última de minhas reportagens sobre o Natal publicadas em NoMínimo. Esta saiu faz exato um ano, em 2006. O objetivo, após escrever sobre Jesus e Papai Noel, era escapar por completo à qualquer conotação religiosa do tema. Ao invés de o nascer do Homem, filho de Deus dos cristãos, o nascer do homem. De nós todos.
A princípio, os antropólogos liderados pelo professor Timothy White não perceberam muita diferença no crânio. Ele estava em fragmentos, disperso pelo solo etíope, e só muito lentamente, pincelada após pincelada, cada um de seus pedaços foi retirado. Em 1997 – faz dez anos ano que vem. No laboratório, o quebra–cabeça montado, o crânio de um homem adulto antigo, muito antigo, chamou atenção.
É que ele era grande.
O volume do cérebro, maior do que o nosso. Tinha um palato mais largo, também. Visto de cima, era um crânio mais comprido. Que bicho estranho era ele e, no entanto, tão parecido conosco. Não era um macaco. Quando chegaram os resultados da datação ficou claro quem era o sujeito que víamos pela primeira vez. Tinha 160 mil anos. O homem moderno mais antigo já encontrado tem uns 130 mil. O que White e seu time encontraram era um Homo sapiens, sim, mas não um de nós. Nosso antepassado imediato: Homo sapiens idaltu – o Homem sábio mais antigo, numa tradução literal de seu nome.
Amanhã é Natal, o dia em que a tradição cristã celebra o nascimento de Jesus Cristo e que representa, num nível mais simbólico – e essa é a visão de muitos teólogos –, o nascimento de todos nós. Mas quem somos nós? Ou talvez, perguntando de forma mais precisa, por que somos assim tão diferentes dos outros à nossa volta? Por que fazemos arte? Por que cometemos genocídio? Por que erguemos cidades, fazemos automóveis, conversamos uns com os outros, escrevemos? Por que fomos à Lua? Por que nos perguntamos essas coisas?
A ciência não responde tudo, mas arrisca aqui e ali. Há muitas maneiras de responder onde e como nasceu o homem e há tentativas de explicar por que somos diferentes. Uma delas é dizendo que, na verdade, não somos assim tão diferentes quanto gostaríamos de achar.
Fato é que entre o último Homo sapiens idaltu e o primeiro Homo sapiens sapiens, o primeiro de nós, não houve nenhuma grande revolução. Éramos o que somos hoje, por certo: pegue um homem de há 130 mil anos, faça sua barba, vista–o e ninguém em lugar nenhum vai considerá–lo mais ou menos diferente. Um sujeito como qualquer outro. Mas ele não olhava para o céu à noite, mirando as estrelas, e se perguntava de onde viemos. Se esse primeiro de nós olhasse ao redor, na savana da África, sequer se consideraria particularmente diferente dos outros bichos.
Éramos um bicho como os outros. Tínhamos algumas ferramentas, é verdade. Mas o Homo habilis, sua cabeça miúda, do alto de seu metro e trinta, já tinha ferramentas mais ou menos parecidas, pedras lascadas, há 2,5 milhões de anos. Ao que tudo indica, o Homo erectus, o primeiro macaco a ficar de pé, já controlava o fogo há 1 milhão de anos.
Por volta de quatro milhões de anos atrás, surgiram dois ramos de primatas: um veio a dar nos gorilas, o outro em nós e nos chimpanzés. Uma nova divisão nos separou de nossos parentes mais próximos. O Australopithecus viveu por uns 2 milhões de anos e evoluiu por cinco subespécies conhecidas. É da última que veio o primeiro humano – ou, pelo rigor científico, o primeiro bicho do genus Homo.
Era o Homo habilis, que tem esse nome porque, bem, era hábil, usava ferramentas. Habilis foi descoberto em 1964 por Louis Leakey. Os Leakeys são uma das mais importantes famílias de paleoantropólogos. Ele, sua mulher Mary, seu filho Richard fizeram algumas das mais importantes descobertas do século passado e formaram gente como Tim White – o descobridor do primeiro Homo sapiens.
Mas Habilis era um macaco curvado que foi seguido pelo Homo ergaster e daí para o Erectus. É um pulo de 1,5 milhão de anos entre o primeiro Homo e aquele que ficou em pé. Milhão e meio e mais meio metro: tinha 1,80 m o Erectus. Mas o que parecia mesmo era um chimpanzé em pé.
Se os fósseis nos são generosos e apresentam cada passo dado na evolução até sermos quem somos, o mesmo não é verdade para gorilas e chimpanzés. Nós vivíamos na savana, uma terra seca que permite a conservação das ossadas; eles viviam, como ainda vivem, na floresta tropical, onde o que é matéria orgânica apodrece e volta para o sustento do ecossistema. Então não sabemos que caminhos separaram tanto nossos primos de nós.
E se por um acaso a aparência é de que a evolução segue uma linha reta, como diz o velho ditado português, é diferente: ela vai certa por linhas tortas e espécies pais convivem com espécies filhas, ramos diversos interagem. Hoje, somos os únicos humanos que existem; do genus Homo, só nós. Mas durante grande parte de nossa existência isso não foi verdade.
O Homo rhodesiensis estava vivo há 120 mil anos, até que um dia desapareceu. O Homo neanderthalensis esteve entre nós até quase nada atrás, 30 mil anos. Aí sumiu. Há quem sugira que éramos tão próximos que de repente aquele tipão mais forte de traços brutos atraiu algumas de nossas moças e o Neanderthal se dissolveu em nós por filhos mestiços. Mas o mais provável é que um híbrido, se tiver conseguido nascer, tenha sido estéril. A questão está em aberto – fato é que ele desapareceu. A memória que deixou está provavelmente nas lendas dos ogros que ainda persistem na Europa onde viveu o Neanderthal, entre Alemanha, França, Espanha e Portugal.
Passaram–se 10, 20, 30 – 80 mil anos do Homo sapiens sapiens na face da Terra, e ele continuava o mesmo bicho nu com suas pedras lascadas. Um homem nu como o Esteves de Fernando Pessoa: sem metafísica.
Entre o nascimento oficial de Jesus e hoje são 2.006 anos. De lá para cá, descobrimos a bússola, a pólvora, cruzamos e colonizamos o mundo, pintamos a Mona Lisa e Guernica, matamos numa década e meia 16 milhões de nós, escrevemos o Hamlet, mandamos uma cadelinha, um chimpanzé, pés de feijão e uma penca de nós mesmos para além da atmosfera.
E nos nossos primeiros 80 mil anos não fizemos quase nada que o Habilis e o Erectus já não fizesse.
Só que aí, 50 mil anos atrás, aconteceu repentinamente. Passamos a costurar e fazer roupas, fizemos arcos para lançar flechas, pintamos nas cavernas. Houve um salto. Buscamos nos fósseis anteriores e posteriores e não há diferença no bicho homem. O crânio é igualzinho, cabe lá um cérebro do mesmo tamanho; as mãos têm os mesmos dedos, pés e pernas, a mesma firmeza. São os ossos do mesmo bicho. Mas esse bicho tinha adquirido uma miríade de talentos. Foi iluminado.
Esse grande salto para a frente, como chamam alguns dos estudiosos, é mais sutil, até. Busque nos sítios conhecidos do Homo erectus espalhados pela Ásia ou pela África, e suas ferramentas serão sempre as mesmas; faça a mesma busca nos sítios do Neanderthal, nosso contemporâneo, e suas ferramentas serão as mesmas, não importa onde. Conosco, a partir de 50 mil anos atrás, não. Aqui estão uns botões, ali uns anzóis com um feitio específico, acolá pontas de flecha com um entalhe. Junto com a cultura, nasceu também a diferença cultural.
Por quê? Não sabemos. Uma das possibilidades é a de que nossa linguagem tenha se sofisticado. Talvez alguma mudança em nosso aparelho vocal tenha permitido uma quantidade maior de sons que foi dar na estruturação de línguas complexas. Quando você pode explicar uma coisa direito, começa a comunicar; quando a comunicação é precisa, há troca de idéias; dois ou mais discutindo um problema encontram melhores soluções. Nasce a tecnologia. E, como as cordas vocais apodrecem, quaisquer diferenças nos passam despercebidas. Só o que sobram são os ossos.
Dos botões e anzóis, vieram as rodas, então a agricultura, a pecuária, como era preciso controlar estoque veio a matemática e a escrita, como havia o dono do bicho veio daí o empregado. A história tocou seu caminho para fazer de nós diferentes entre os outros.
E, no entanto, nos enganamos. Em 1977, Robert Seyfarth e Dorothy Cheney começaram a estudar os macacos vervets africanos, uns bichos brancos de cara preta com longas pernas e braços. Gravando seus grunhidos e os reproduzindo, o casal descobriu que vervets tinham língua. Tinham grito para leopardo à vista e grito para águia chegando, um vocabulário razoavelmente extenso. Gorilas na floresta foram descritos, já, produzindo ruídos parados por horas até que, perante um som específico, todos se levantam e rumam para uma mesma direção.
Certamente não têm uma linguagem tão sofisticada quanto a nossa, mas outros primatas falam uns com os outros.
Nos anos 80, antropólogos foram surpreendidos, na África, ao assistir uma guerra aberta entre dois clãs de chimpanzés, lembra o professor Jared Diamond. Um dos clãs, ao longo de dois anos, exterminou outro perante cientistas incrédulos. Sem qualquer razão aparente. Xenofobia, dentadas e pauladas. A diferença é que não dominam a tecnologia da câmara de gás.
Algumas formigas cultivam fungos como cultivamos plantas e tratam certos insetos como gado. Pássaros constroem casas, algumas bem sofisticadas. Elefantes desenham na areia, macacos pintam. Talvez não tenham a mesma intenção de comunicar que nós temos ao produzir arte, mas aquilo que nos faz únicos vai ficando pouco.
Aconteceu apenas, no fim, de num determinado momento ficarmos um pouquinho diferentes. E essa pequena diferença permitiu que um bando de Homo sapiens, que inicialmente não devia consistir de mais que cento e poucos mil indivíduos na África, se espalhassem pelo mundo. Criamos tanto, desde então. Mas não somos tão diferentes. Compare–se o DNA e somos mais próximos dos dois tipos de chimpanzé do que um rato é de um camundongo.
Aliás, gente como o professor Diamond ou os paleoantropólogos Chris Stringer e Peter Andrews sugerem que, se formos rígidos cientificamente, as diferenças entre nós, o chimpanzé pigmeu e o chimpanzé comum são tão pequenas que devíamos estar no mesmo genus. Eles são Homo, também. E nós, o terceiro chimpanzé. Um bicho entre muitos, assim meio metido por conta da metafísica.
Pouco após a Segunda Guerra Mundial, Pablo Picasso estava visitando algumas das cavernas pintadas que existem entre Espanha e França. São algumas das pinturas rupestres mais impressionantes que existem: belos bois, cavalos, bichos parecidos com búfalos – são pinturas realistas e, no entanto, econômicas nos traços. Usam predominantemente vermelho e preto. Têm volume. Parecem incrivelmente modernas e, no entanto, são anteriores à escrita, à agricultura, a toda história conhecida.
“Meu Deus”, disse Picasso. “Nós não aprendemos nada nos últimos 12 mil anos.”






23 Comentários até agora ↓
1 Edna Moda // 25/December/2007 às 8:21
Parabéns pelo seu blog que foi mencionado no post de Natal do blog que indica blogs http://ednamoda.blogspot.com/
2 Alba // 25/December/2007 às 12:10
Muito belo texto, PD!
Sobre a observação de Picasso, lembro as imagens rupestres poderosas do “Paciente Inglês”. Do ponto de vista da representação sensível do meio que o rodeia, realmente o homem pré-historico sabia tudo.
3 Serbão // 25/December/2007 às 14:10
Belo texto, Pedro.
e vendo aí os ânimos exaltados e trocas de gentilezas nas caixas de comentários da blogosfera entre fernandistas e lulistas, realmente, “Nós não aprendemos nada nos últimos 12 mil anos.”
um abraço.
4 Hugo Albuquerque // 25/December/2007 às 15:11
Belo texto PD!
Eu tenho cá comigo que as razões que levaram o homo sapiens a superar os seus parentes do genêro homo tem a ver com algum tipo de modificação na estrutura da transmissão de informações nos neurônios.
Seria mais ou menos como comparar os computadores de hoje com os de antigamente, mesmo que as máquinas de hoje sejam menores isso não significa que elas processem menos dados.
Isso porém esbarra numa questão parecida com a da analíse das cordas vocais, é muito difícil avaliar como e quando houve uma mudança significativa por conta da questão da decomposição.
5 Tia // 25/December/2007 às 19:26
Puxa, tá todo mundo longe do computador hoje.
:-)
6 Tia // 25/December/2007 às 19:27
Ôw, é o proftel no comentário aí em cima, tô no computador da patroa.
hehe
:-)
7 confetti de ressaca* // 25/December/2007 às 19:40
pd, tou overdosando com esses post natalinos….((
8 confetti de ressaca* // 25/December/2007 às 19:42
vivement demain…que les affaires reprennent ! kk
9 Samoça // 25/December/2007 às 20:32
A demain que je alle en frante !! rúrú
10 Jack // 25/December/2007 às 20:52
Um dos melhores textos que li na “blogosfera” durante todo esse ano. Parabéns, seu PD ;]
11 . Resposta // 25/December/2007 às 21:49
Porque fazemos parte de um plano divino. Um projeto infinito e fabuloso.
A evolução tornará a criação onipotente, tal qual seu criador.
O final ou inicio dos tempos* será a união total. Uma cosnciência única e grandiosa.
12 . Resposta // 25/December/2007 às 21:59
Ainda bem que de vez em quando alguém nos lembra que somos macacos.
Pois temos manía de esquecer.
Esse texto me agrada.
E eu também já sabia a questão sobre os atos e comportamentos genocidas dos chimpanzés…
Eles também, de vez em quando, praticam o canibalismo…
13 Barnardo caicedo // 25/December/2007 às 22:10
a melhor teoria pra mim ainda é do arquivo X: nao passamos do resultado das experiencias feitas por aliens nos macacos, introduzindo seus proprios gens e esperando pra ver o que acontece…
14 Pax // 26/December/2007 às 7:55
Me lembro desse texto. É muito bom mesmo.
15 Chesterton Dracul // 26/December/2007 às 10:37
PD continua sem a menor imaginação…..
16 Chesterton Dracul // 26/December/2007 às 11:16
Picasso pinta como uma criança e chama isto de arte….é duro.
17 confetti // 26/December/2007 às 11:19
crue credo chest, as férias te pioraram ?
como foi paris ? visitou os suburbios ?
benvindo ( nunca sei … bem vindo ?)…senti sua falta
18 Chesterton Dracul // 26/December/2007 às 12:25
Confetti, Feliz Natl. Vocês não sentem minha falta, sentem falta da realidade dura dos fatos (sim, talvez seja eu a lembrá-los todos os dias que viajam na maionese).
Paris como você vê, é uma experiência sempre marvilhosa. Desde a última vez que a visitei, notei uma melhora do humor dos parisienses, parece que a velharia de 1968 morreu ou ficam em casa sem encher a paciência. Até o Mc Donalds está aceitável e com preços equivalentes aos do Rio. Os vendedores, as vendedoras todos simpaticos, até falando ingles (coisa inadmissivel tempos atrás). Fui bemtratado.
E um concerto de orgão na Igreja de S Eustaquio dia 23 coma missa catadaem seguida, realmente um espetáculo.
Depois conto das minhas outras explorações…
19 confetti // 26/December/2007 às 12:32
arrete ton cinéma chest : a “realidade dura dos fatos” continuou aqui enchendo o saco…foi de vc mesmo que senti, sentimos saudade…seu chato !! :))
sentiu muito frio ? semana passada quase congelamos aqui…mas veio pra paris comer junk ? oh la la….
20 Chesterton Dracul // 26/December/2007 às 12:49
Fui a Paris E comi Mc Donalds sem duvida. Fui a 4 restaurantes de menu e achei aceitaveis, preços inclusive. Mas o BarraBrasa é melhor. Sim, eistem restaurantes melhoresque o Barra Brasa em Paris, mas estão num nivel de preços que não me disponho pagar.
O frio de Paris, zero grau, é mole porque o ceu estava azul sem nuvens. A umidade me incomoda mais que o frio. E como andei muito a pé, o frio foi até conveniente. Me sentia mal quando entrava em ambientes aquecidos.
artigo inteligente e politicamnte independente sobre o que o PD quer comentar aqui
http://www.economist.com/science/displaystory.cfm?story_id=10283306
21 Chesterton Dracul // 26/December/2007 às 13:59
Fernanda Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 01 de dezembro
Assunto: Festa de Natal
Tenho o prazer de informar que a festa de Natal da empresa será no dia 23 de dezembro, com início ao meio-dia, no salão de festas privativo da Churrascaria Grill House.
O bar estará aberto com várias opções de bebidas.
Teremos uma pequena banda tocando canções tradicionais de natal…sinta-se à vontade para se juntar ao grupo e cantar!
A árvore de Natal terá suas luzes acesas às 13:00. A troca de presentes de amigo secreto pode ser feita a qualquer momento, entretanto, nenhum presente deverá exceder R$20,00, a fim de facilitar as escolhas e adequar os gastos a todos os bolsos.
Boas festas para vocês e suas famílias,
Fernanda
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Fernanda Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 02 de dezembro
Assunto: Festa de Natal
De maneira alguma nosso memorando de 01 de dezembro pretendeu excluir nossos funcionários judeus! Reconhecemos que o Chanukah é um feriado importante e que costumam coincidir com o Natal, mas isso não aconteceu este ano.
De qualquer forma, passaremos a chamá-la de “Festa de Final de Ano”. A mesma política se aplica a todos os outros funcionários que não sejam cristãos e àqueles que ainda celebram o Dia da Reconciliação.
Não haverá árvore de Natal. Nada de canções de natal nem coral.
Teremos outros tipos de música para seu entretenimento.
Felizes agora?
Boas festas para vocês e suas famílias,
Fernanda
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Fernanda Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 03 de dezembro
Assunto: Festa de Natal
Com relação ao bilhete que recebi de um membro do Alcoólicos Anônimos solicitando uma mesa para pessoas que não bebem álcool… você não assinou seu nome! Fico feliz em atender o pedido, mas se eu puser uma placa na mesa Exclusivo para AA”, vocês não serão mais anônimos… Como faço então?
Nenhuma troca de presentes será permitida, uma vez que os membros do sindicato acham que R$20,00 é muito dinheiro e os executivos acham que $20,00 é muito pouco para um presente.
NENHUMA TROCA DE PRESENTES SERÁ PERMITIDA, certo?
Patrícia
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Fernanda Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 07 de dezembro
Assunto: Festa de Natal
Eu não sabia que no dia 20 de dezembro começa o mês sagrado do Ramadan para os muçulmanos, que proíbe comer e beber durante as horas do dia. Talvez a Churrascaria Grill House possa segurar o serviço de bufê até o fim do dia ou então, embalar tudo para que vocês levem para casa nas marmitas. O que vocês acham disso?
Novidades: neste meio tempo, consegui que os membros do Vigilantes do Peso sentem o mais longe possível do bufê de sobremesas; as mulheres grávidas sentem-se o mais perto possível dos banheiros; teremos assentos mais altos para pessoas baixas e comida com baixa-caloria estará disponível para os que estão de dieta.
Nós não podemos controlar a quantidade de sal utilizada na comida.
Desta forma, sugerimos para estas pessoas com pressão alta provar o gosto primeiro.
Haverá frutas frescas de sobremesa para os diabéticos.
O restaurante não dispõe de sobremesas sem açúcar.
Nossas profundas desculpas.
Esqueci de alguma coisa?
Fernanda
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Fernanda Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS FILHOS DA PUTA QUE TRABALHAM NESTA EMPRESA.
Data: 08 de dezembro
Assunto: Festa de Natal DO CARALHO
Vegetarianos!?!?!??! Sim, vocês também tinham que dar sua opinião de merda ou reclamar de alguma coisa!!! Nós manteremos o local da festa na Churrascaria Grill House; quem não gostar, foda-se! Então, como alternativa, seus putos, vocês podem sentar-se quietinhos na mesa mais distante possível da tal “churrasqueira da morte” - como vocês se referiram de forma bastante depreciativa ao utensílio. E vocês terão também sua mesa de saladas de merda incluindo tomates hidropônicos da casa do caralho & arrozinho grudento pra comer de pauzinho. Aqueles que, naturalmente, ainda não gostaram, podem enfiar tudo no cu.
Ah, espero que vocês todos tenham uma bosta de festa de final de ano!
E que dirijam muito, muito bêbados e morram todos, todinhos esturricados por aí.
Escutaram?
A Vaca, diretamente da puta que os pariu.
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Dr. Pacheco - Diretor de Recursos Humanos INTERINO
COMUNICADO PARA TODOS OS funcionários
Data: 10 de dezembro
Assunto: Fernanda Gomes e Festa de Final de Ano
Tenho certeza que falo por todos desejando para a Fernanda um rápido restabelecimento para sua crise de stress.
Por conta deste fato, a diretoria decidiu cancelar a Festa de Final de Ano e dar folga remunerada para todos na tarde do dia 23 de dezembro.
Boas Festas,
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22 proftel // 27/December/2007 às 20:52
Putz!
Aconteceu mais ou menos isso um tempo atrás lá no trampo.
Virou que nunca mais fizeram festa de fim-de-ano, cada um por si ou, no máximo, junta uma galera e se encontra num canto.
hehe
23 Nilton // 8/January/2008 às 14:34
Pedro, parabéns pelo seu texto. Além do assunto ser muito interessante, está muito bem escrito
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