Na janelinha e sem ninguém ao meu lado (tenho certeza que a doce Mani tem participação nisso), prendi meu cinto de segurança e reparei no seguinte: eu havia parado de tremer assim que entrei no avião. Fim. Eu não estava com medo. E percebi que foi a mesma coisa que senti quando os meninos encostaram a seringa na Marlene. Eu só tive medo de que eles fizessem mal a ela, mas o Medo, aquele, não estava lá. E então eu soube: meu maior temor nessa vida era que você morresse. Era meu pavor, era meu pesadelo, era o que me fazia chorar quando encostava meu rosto no seu (o outro motivo que me fazia chorar encostada em você era amor, eu amava tanto você que doía, era física essa dor e eu chorava, lembra?). E sem esse medo nenhum outro medo faz sentido, porque nada pode ser pior do que ter o maior medo realizado. Parei de tremer assim que entrei no avião, meu medo passou. Esse e os outros. Você morreu, o pior aconteceu e eu não devo temer mais nada.
No Drops da Fal.




