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Quem foi realmente Jesus Cristo?

December 21st, 2007 · · 73 Comentários

Quem foi Jesus? Ele realmente existiu? Sobre o que estava falando realmente? Em que mundo viveu? As perguntas não são simples. Esta minha reportagem a seguir foi publicada originalmente em NoMínimo, no Natal de 2005. Como o Natal se aproxima, como a discussão sobre o Jesus Histórico ainda rende alguns comentários abaixo, achei que valia trazê-la de volta à tona.

Em busca de Jesus

No ano de 1968, trabalhando em Givat ha-Mivtar, cidadezinha próxima a Jerusalém no caminho para Nablus, Cisjordânia, um grupo de operários descobriu um cemitério. A Guerra dos Seis Dias havia terminado meses antes e a região que pertencera à Jordânia tinha sido recentemente conquistada. Os arqueólogos chefiados por Vassilios Tzaferis, diretor de escavações da Autoridade de Antiguidades de Israel, encontraram um total de 15 ossários de pedra calcária. As caixas, algumas com inscrições, outras sem, continham as ossadas de 35 pessoas, todas mortas entre os últimos anos do século 1dC e as décadas seguintes.

Um deles era um homem jovem, com algo entre vinte e tantos e trinta e poucos anos. Morreu crucificado.

As atenções de cristãos de todo o mundo se voltaram para as pesquisas dos cientistas. Embora na literatura do tempo exista um número incrível de descrições de gente condenada à cruz – só na rebelião do escravo Spartacus, 6.000 morreram assim –, nunca o corpo de uma destas vítimas fora encontrado. A explicação tradicional indicava que seus corpos não tinham enterro digno, eram jogados fora. Mas, incrivelmente, o homem de Givat ha-Mivtar teve sepultara própria.

O corpo estava fraturado nas pernas – como se elas tivessem sido quebradas para retirá-lo da cruz. A análise do professor Joseph Zias, curador da Autoridade de Antiguidades, revelou que o calcânio direito fora atravessado lateralmente por um prego de ferro comprido 11,5cm. Os restos de oliveira entre a ponta do prego e o pé indicavam a madeira da cruz. Uma placa entre a cabeça do prego e o calcanhar mostraram que não fora martelado direto sobre a carne. Seus pés foram pregados aos lados do poste, não à frente. E seus braços, aparentemente, amarrados. Segundo a inscrição em aramaico no ossário, o homem de vinte e tantos, trinta e poucos anos, chamou-se Yeohanan bar Ha’Galgol – João, filho de Ha’Galgol.

Tudo indicava que os crucificados não tinham direito a sepultura, contradizendo o Novo Testamento. O filho de Ha’Galgol provou o contrário.

Jesus como fantasma

Jesus é como um fantasma – não há registro de sua existência fora da Bíblia cristã. É um personagem tão concreto, que teve tanto impacto em todo o desenvolvimento humano dos últimos dois mil anos – e, no entanto, é só buscar um Jesus histórico e ele se esvai, escapa. Não há. É um personagem tão tênue que a simples comprovação de que um crucificado poderia ter direito a túmulo é recebida com alívio. Cada pequeno passo parece indicar que ele está mais próximo.

Mas alguma coisa aconteceu nas terras que os romanos, no primeiro século, chamaram de Palestina. A civilização ocidental toda – toda ela – se origina num tripé de culturas, a grega, a romana – e a judaica. É um acidente histórico, é o improvável. Houve grandes civilizações. Houve os fenícios e seu ímpeto viajante. Houve o Império Egípcio. O Império Persa. Todos peças de museu. Roma conquistou tanto. A Grécia de Alexandre também, e criou a filosofia, avançou com a matemática, a astronomia.

A gente do Livro, a gente de Abraão e de Moisés, escrava tantas vezes, que passou de um domínio a outro – babilônicos, persas, gregos, romanos – a gente que nem em Jerusalém, sua cidade sagrada, mandou de todo, esta gente persistiu. O que a fez sobreviver foi uma religião. Não apenas sua religião se sobrepôs à de Roma e Grécia, através do Cristianismo, como se manteve viva no Judaísmo Rabínico enquanto tantas outras se extinguiram. Ainda teve fôlego, uns séculos adiante, e pariu um terceiro filho, o Islã. Monoteísta, crente em Abraão, crente na santidade de Jerusalém. E Jerusalém permanece disputada – como se uma das três religiões fosse mais verdadeira que as outras duas.

Jesus como homem

Entre os seus, ele foi conhecido como o rev Yehoshua bar Youssef, o rabino Jesus, filho de José. Houve o tempo em que, pareceu, havia uma segunda fonte a confirmar sua existência além dos textos cristãos primitivos, no século primeiro: um parágrafo perdido nas obras do historiador judeu Flávio Josefo. “Nessa época, apareceu Jesus”, escreveu ele, “um homem sábio, se, de fato, podemos chamá-lo de homem. Porque ele fazia coisas maravilhosas, era um mestre do povo que percebe com prazer a verdade.”

Foram descobertas versões do mesmo trecho bem menos adjetivadas – os monges copistas, na Idade Média, às vezes incluíam o que lhes interessava. E o parágrafo de Josefo tornou-se escorregadio. São raras as cópias de suas obras com a citação. A dúvida de se foi de todo falsificado permanecerá para sempre. O ossário de Tiago, irmão de Jesus, que veio à tona faz alguns anos – e cuja falsificação foi comprovada em poucos meses – pareceu que enfim traria esta segunda fonte. Mas não há segunda fonte. Uma frase apenas, basta uma frase em algum lugar, basta-lhe o nome escrito – mas não. O rev Yehoshua escapa. Quem existe é o Iesous Christos, nascido em grego, preso entre as capas duras de Bíblias cristãs. Todo Jesus nasce da Bíblia, não há Jesus fora dela.

O costurar da Bíblia

Um dia, o judeu fariseu Saulo, nascido em Tarso, cidadão romano, viu uma luz na estrada que seguia de Jerusalém a Damasco, a luz era Jesus e Jesus ordenou-lhe que pregasse seus ensinamentos aos gentios. A missão proselitista de São Paulo, nos cálculos da Enciclopédia Católica, não começou antes do ano 45. Sua primeira carta é de uns quinze anos após a morte do rev Yehoshua. Além de sua visão fugaz na estrada, o que aprendeu foi com escritos que se perderam e a memória de primeira ou segunda mão de quem o conheceu.

O “Evangelho de Marcos” é de algo entre 65 e 80 – seu autor não o conheceu. Como Paulo, escreveu sobre o que leu ou o que ouviu. Ponham-se Mateus e Lucas ao lado de Marcos, e os dois evangelistas seguem a narrativa de Marcos encaixando umas frases diferentes, aqui e ali. No século 19, teólogos alemães sugeriram que ambos teriam as mesmas duas fontes, Marcos e um segundo Evangelho perdido. Apelidaram-no de “Q”.

Em 1945, dois fazendeiros egípcios encontraram, nas terras que aravam, um grande jarro de cerâmica; nele estavam os rolos completos de uma obra da qual se conheciam apenas fragmentos de pergaminho. Esta versão era em copta, um dialeto grego egípcio. É o “Evangelho de Tomás” – que pode ser “Q”. Não é uma narrativa da vida do rev Yehoshua, são frases, 114 fragmentos de diálogos entre Jesus e seus discípulos.

Às vezes, o “Evangelho de Tomás” é intransponível: “E Jesus disse tem sorte o leão que o homem come, porque o leão torna-se humano; e tolo é o homem que o leão come, pois o leão também torna-se humano.” Mas, às vezes, é incrivelmente familiar: “E Jesus disse, o Reino de Deus é como o grão de mostarda, a menor das sementes, que quando cai em solo fértil produz uma grande planta que serve de ninho aos pássaros no céu.” Não é improvável que com esta lista de frases e Marcos, tenham nascido Mateus e Lucas. O quarto Evangelho, atribuído a João, é provavelmente um século posterior a Cristo.

Diferentemente dos evangelistas, Paulo falava em suas cartas de alguém que existiu em seu período de vida; ele teve contato (e disputas) com gente que conviveu com Jesus. Ou ao menos é o que diz. A armadilha do Novo Testamento surge: uma espiral desorientadora onde ele próprio é fonte de si mesmo, ele se sustenta, ele é tudo o que há.

Jesus enquanto Hamlet

O descrente ou o crente eventual que pega e lê o “Evangelho de Marcos” depois de muito tempo toma um susto. Jesus não é plácido. Jesus tem pressa, vai para um lugar, para o outro, nunca pára. Jesus é impaciente, explica, mas nunca parecem entendê-lo. Jesus nunca deixa claro quem é, seus discípulos ou o leitor têm que decifrá-lo. Jesus tem raiva, entra no Templo, chuta as balanças. É um personagem de todo humano.

Harold Bloom é também, a seu modo, um velho judeu impaciente, irônico por vezes, está em busca da beleza – um dos principais críticos literários atuais. Em 2005, saiu nos EUA “Jesus and Yahweh” (já publicado no Brasil), sua tentativa de explorar Cristo, o personagem. Marcos, para Bloom, “é talvez um morador de Roma, ele espera ansioso até que recebe a terrível notícia da destruição do Templo.” Aí senta e escreve; seu resultado é um Jesus como Hamlet, um homem enigma.

Se este leitor pouco habituado ao Novo Testamento pega na seqüência o “Evangelho de João”, o contraste não pode ser mais evidente: antes havia um homem ansioso, em João há Deus feito pessoa. “No princípio era o verbo”, diz na introdução o evangelista, “e o verbo era Deus, e o verbo se fez carne e habitou entre nós.” Não bastasse, João faz seus discípulos perguntarem surpresos ao mestre: “Ainda não tens 50 anos e vistes Abraão?” E João põe na boca de Jesus a resposta: “Antes que Abraão existisse, eu sou”. Desaparece o enigma, há uma segurança quase autoritária.

À espera de salvação

Na virada dos tempos aC para os dC, os israelitas eram 7,5 milhões de pessoas. A maioria vivia na dispersão – a diáspora – entre Babilônia, ou Egito, até mesmo em Roma. E 2,5 milhões viviam nos arredores de Jerusalém, mais ou menos onde ficam hoje Israel e Palestina.

Eram quase todos pobres e trabalhavam muito, de sol a sol. Viviam em casas construídas com uma base de pedra e tijolos de barro, buscavam água no poço da vila todas as manhãs. A classe média tinha pequenas terras para o cultivo ou trabalhava em profissões como carpintaria. A maioria, no entanto, trabalhava para os outros, pela subsistência. A Galiléia do rev Yehoshua era onde ficavam as terras mais férteis.

Num mundo muito mais agressivo do que o atual, as doenças se espalhavam com freqüência, a dor da morte era uma constante em toda rua, fazenda, casa, família. Qualquer indício de doença trazia pânico para toda a vizinhança. Pagavam impostos altos ao dominante, ao rei posto pelo dominante, aos sacerdotes do Templo. Havia anseio por justiça social.

Quem fosse rico morava em Jerusalém. Na cidade alta, havia um bairro comprido com casas de mármore à moda grega, luxuosas, onde viviam lado a lado romanos da administração e os israelitas donos de grandes terras ou grandes negócios. Na cidade baixa, a vida era mais difícil – embora melhor do que em qualquer outra parte. É onde ficavam pequenos comerciantes, estalajadeiros e quem mais servisse aos peregrinos.

O Santo dos Santos

Jerusalém era uma cidade turística, que recebia gente de toda a parte, todo o ano, principalmente nas três grandes festas - no Dia do Perdão, Pentecostes e Páscoa. Todo judeu, ao menos uma vez na vida, visitava o Templo de Jerusalém – porque o Templo era o centro de toda a identidade judaica. No tempo de Jesus, havia um movimento razoavelmente recente de erguer sinagogas na diáspora, mas as sinagogas eram lugares de estudo e reunião. O Templo era, literalmente, a morada do Deus cujo nome não se diz.

Aquele Templo era o segundo. O primeiro, o Templo de Salomão, foi erguido por volta de 950aC e posto abaixo por Nabucodonosor, rei da Babilônia, em 586aC. Após um mítico exílio de 70 anos, o Templo foi reconstruído por ordens do rei persa Ciro, o Grande. O pátio no qual o rev Yehoshua pisou era do mesmo Templo de Ciro, que sofrera fazia poucos anos uma reforma, impetrada pelo rei Herodes. O povo judeu tinha tanto medo de perder seu Templo que, para pôr abaixo e reerguer o núcleo, Herodes teve de acumular ao lado todo o material que utilizaria para provar que tinha condições de fazê-lo o mais rápido possível.

Regras muito, muito estritas descreviam quem podia entrar no coração do Templo, o Santo dos Santos, o lugar onde Deus vivia. Por isto, eram sacerdotes os operários. Nenhum gentio poderia entrar em qualquer das áreas e, mesmo os judeus, apenas após rituais de purificação. O Templo punha em movimento a economia de Jerusalém. Era no Templo que ficavam os rolos das escrituras sagradas – que reordenadas foram dar no Velho Testamento.

Escuta, ó Israel, o Senhor seu Deus é o único Deus

Qualquer um dos vizinhos não teria como lidar com o Deus dos judeus senão com estranheza. Todos os deuses tinham suas histórias, sua genealogia, seus feitos. Embora, bem no passado, os judeus tivessem alguma memória de seu Deus interagindo com os homens, Ele era mais como uma idéia, não um deus com rosto ou carne. Quem lesse os escritos sagrados dos judeus encontraria não a história de Deus, mas a história do povo. Era muito diferente: um deus feito sob medida para eles, evoluído ao longo de mais que um milênio.

A maioria dos especialistas hoje, incluam-se na lista a ex-freira britânica Karen Armstrong ou o teólogo luterano norueguês Oskar Skarsaune, concordam que o monoteísmo não surgiu de imediato. Cá estava um povo que seja em sua mitologia, seja na história, quase nunca mandou, sempre teve mestres. Então, a primeira marca que procuraram num Deus foi a exclusividade. Não é que não acreditassem na existência dos deuses vizinhos – a Antigüidade era politeísta, toda ela. Mas o Deus YHWH ofereceu-lhes uma aliança na forma de duas placas com mandamentos. Eles adorariam apenas a Ele, e Ele olharia apenas por eles. Ao menos isso tinham: eram o povo daquele Deus.

Dominados, explorados, sempre foram – mas houve tempos difíceis, como o do mando babilônio, e tempos nos quais tiveram mais liberdade, como o período persa. E, ainda assim, o que lhes sobrava era a obediência. Foi dos persas, da misteriosa religião de Zoroastro, que pegaram a segunda das características marcantes de sua religião: a crença de que, no fim, o bem triunfaria; que haveria um Julgamento final. Que, fundamentalmente, o Senhor Deus enviaria um messias para salvá-los a todos.

Ao dominante persa, sucedeu o grego – não podiam haver duas culturas mais distintas que a grega e a israelita. Os gregos propunham uma sociedade cosmopolita, em nada mística. Foram 200 anos de domínio grego até o controle romano, em 63aC. Dois séculos de conflitos, disputas, rompimentos, traumas. A constante imposição de uma versão mais universal do Deus judaico criou anseios na população, fortaleceu a crença apocalíptica. Mas quando foi chegando a Era Cristã, o Deus judeu já era um Deus vago, um Deus único, helenizado, um Deus idéia. O resultado também foi um ideal apocalíptico, messiânico. Místico e complexo.

Quando o rev Yehoshua nasceu, a religião que conheceu era esta: uma amálgama por vezes incoerente da cultura de seus ancestrais com a persa, com a grega. O povo, muito pobre, ansiava por justiça e tinha certeza de que, se estava tão ruim, era porque o messias estava prestes a chegar. E, com ele, o fim dos tempos. Jamais se quis tanto um milagre. Mas, naquela religião tão estranha, havia outra coisa particularmente sofisticada, particularmente diferente, surgindo também.

Amai-vos uns aos outros

Um dia, um gentio que gostaria de se tornar judeu pediu ao rabino Hillel que explicasse as escrituras enquanto ele se punha suspenso num só pé. O homem levantou o pé e Hillel disse: “Não faça aos outros o que não quer que façam contigo. Esta é a Lei, o resto é comentário.” A tradição não deixou registrada a resposta do gentio.

Hillel, que viveu poucos anos antes de Jesus, era fariseu. A população israelita se encontrava espatifada em partidos. Os fariseus, tão conhecidos dos leitores do Novo Testamento, são também os mais incompreendidos. Não se preocupavam tanto com a questão do domínio romano, inconformavam-se mais com o controle sacerdotal. Acreditavam que o conhecimento das escrituras deveria ser difundido a todos.

Os sacerdotes, ou saduceus, uns 20 mil homens, tinham o poder religioso. Os essênios, como que sacerdotes de oposição que se isolaram no deserto, eram místicos. Os zelotes, nacionalistas fervorosos, queriam a independência. E toda esta gente, inimiga entre si, compôs, a um tempo, a política e a religião dos judeus.

Quando um fariseu procurou Jesus – está em Marcos, em Mateus e em Lucas – e lhe perguntou qual a maior das leis, Jesus respondeu “Amarás o Senhor teu Deus de todo coração”, deu uma pausa, continuou: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” O fariseu assente: “Amar ao próximo vale mais que qualquer sacrifício no Templo.” O mais incrível em todo o Novo Testamento é o quão parecidos eram Jesus e os fariseus.

“Será que Jesus acreditava que sua mensagem era original?” – pergunta- se Harold Bloom. “Será que sua mensagem era assim tão diferente da de Hillel?” Sem respondê-lo de todo, o professor luterano Oskar Skarsaune, autor de À sombra do Templo, arrisca: “A política de Jesus não era muito diferente da dos fariseus; ele não estava tão preocupado com a ocupação romana e sim em convocar o povo de Israel ao arrependimento e à renovação. Ele era anticlerical.”

Na compreensão da política do tempo, então, é possível descobrir alguém mais próximo do rev Yehoshua, alguém além da Bíblia cristã. Skarsaune arrisca que, se fariseus aparecem mais no Novo Testamento do que outros grupos, é porque era com eles que o rev Yehoshua convivia. Mas há outras teorias. Após a descoberta dos pergaminhos essênios próximos a Qumran, à beira do Mar Morto, muitos põem Jesus entre eles. Há quem o veja mais belicista, um zelote libertário crucificado por Roma em sua luta por independência – um Jesus mais Guevara.

A queda e a salvação

A injustiça, a fome, a miséria – acumulam. Em tempos, implodem. O mundo parece que vai acabar. Há momentos, no Novo Testamento, em que as personagens todas parecem convictas de que o Apocalipse acontecerá em suas vidas, que está a segundos. O Apocalipse quase foi. No ano de 66, os judeus se levantaram sob comando zelote. Em 70, Roma caiu sobre a Província Iudaea e marchou contra Jerusalém. No total, morreram entre 600.000 e 1,3 milhão de judeus.

O Beit HaMikdash, o Templo, a morada de Deus, foi ao chão.

O São Marcos de Harold Bloom, numa espera angustiada, queria saber notícias da morada do seu Deus enquanto escrevia a história de Iesous Christos. Aí, num repente, sua religião não havia mais. Sem o Templo, ela não seria possível. O Templo lhe dava sentido. Sem o Templo não havia Deus – a não ser que Deus fosse transferido.

Dois rabinos, está no Talmude, se encontraram perante as ruínas do Templo. “O que será de nós” – perguntou o mais jovem – “agora que o lugar onde os pecados de Israel eram expurgados com sacrifícios não existe mais?” Ele está no limite do desespero; o outro, tranqüilo. “Não fique triste, há outra maneira de expurgá-los.” Seu companheiro encerra o pranto, mira estupefato – “é nos atos de bondade”, explica o sábio.

A cultura ocidental se baseia num tripé grego, romano e judeu. A transformação de Yehoshua bar Youssef em Iesous Christos se deu porque, naquele momento da história, havia uma busca desesperada pelo messias no que pareceu o fim dos tempos. Mas, junto com a mensagem apocalíptica, outra mensagem veio contrabandeada. Era uma idéia nova, de justiça social, de respeito. As duas, compactas, ideal messiânico e o amai-vos uns aos outros, transformaram-se num vírus cultural que se espalhou pelo Oriente Médio e Europa.

Flávio Josefo, o historiador judeu, era também um traidor. De general israelita, bandeou-se para o lado romano. Quando entrou na Jerusalém arrasada, descreveu, “Não havia espaço para tantas cruzes nem cruzes para tantos corpos”.

Tags: Cristianismo · História · Igreja Católica

73 Comentários até agora ↓




  • 1 confetti na paz // 21/December/2007 às 6:37

    aqui

  • 2 confetti na paz // 21/December/2007 às 6:42

    o merchandising do post , os anuncios google : jesus loves you / quem é joao batista / jesus pictures/ villa jesus pobre…

    pd se eu comprar um santinho num dos links, o vicio ganha quanto ? :)

  • 3 confetti na paz // 21/December/2007 às 6:46

    esse post vai ser um festival de aulas magistrais….qual o premio pro “melhor” pesquisador ? µµµµµ

  • 4 confetti na paz // 21/December/2007 às 6:46

    desculpe, foi brincadeira ! kkk

  • 5 HRP Mané Reloaded // 21/December/2007 às 8:36

    Não invejo quem vive essa angustia da dúvida….mas diante disso me vem uma satisfação interna sem par….as de ter as minhas convicções…..elas são o meu tesouro…….

  • 6 Darwinista // 21/December/2007 às 8:38

    Que sorte PD, que eu ainda não saí pra minha viagem. E que azar não ter lido esse texto na época do NoMínimo.

    Conforme eu lia, fiquei com vontade de escrever tanta coisa, que agoras elas se misturam, algumas inclusive se perdem. Por isso, vou escrever pouco.

    Do final pro começo, terminei a leitura muito emocionado. Não sei se pelo interesse que esse assunto me causa, ou se pelo meu passado evangélico (hoje sou um “desviado”, como eles gostam de dizer). Mas o mais provável, e aqui vai uma rasgação de seda insuportável, deve ter sido pela qualidade do texto.

    Eu já li muita coisa sobre Jesus, sobre as raízes judaicas do cristianismo, e ainda leio de vez em quando. E poucas vezes encontrei algo tão bacana, bonito mesmo, como você escreveu. Profundo, exato e claro.

    Tivesse essa leitura acontecido há 20 anos atrás, talvez aquela vontade que durou tão pouco de fazer jornalismo tivesse fincado mais raízes.

    Cara, valeu mesmo. Eu não dou a menor bola pro Natal, mas presente todo mundo gosta de ganhar. Pra mim, essa reportagem foi o teu presente de Natal pra gente.

    Valeu PD, ótimo 2008.

  • 7 HRP Mané Reloaded // 21/December/2007 às 8:40

    ??????

  • 8 Suzuki // 21/December/2007 às 10:15

    Jesus Cristo é o Senhor

  • 9 Dom Casmurro Patriarca // 21/December/2007 às 10:15

    Caro Pedro Doria,

    Li todo o seus artigo e achei fantástico.
    Muito bem escrito e muito bem embasado.
    Mas continuo com a mesma idéia que Jesus realmente existiu.
    Como lembrou a Tia, citando Will Durant.
    Seria um milagre bem maior ainda que um grupo de pescadores, todos pobres e analfabetos, criassem um personagem tão poderoso.

    O que diferencia Jesus é que ele teve a coragem de viver aquilo que pregava.
    Mesmo porque a mensagem de Jesus não se diferencia muito da mensagem de Confúcio.
    Mas Jesus levou a idéia de não retribuir a violência com violência ao extremo limite, isso é que impressionou a todos e perenizou sua mensagem.
    Jesus suportou todas as humilhações, todas as injúrias, todos os sofrimentos e em nenhum momento perdeu a calma ou a razão.
    Já próximo à morte pronunciou “ Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem.”
    Não há registro de uma só blasfêmia ou xingamento vindo de sua pessoa.
    Não há registro de uma só baixeza praticada por Jesus.
    Como todos os filósofos reconhecem, mesmo como homem, foi a mais alta demonstração de nobreza humana que se conhece.
    Quanto aos rituais religiosos, fanatismos, perseguições e outras seqüelas, são obras dos clérigos e das pessoas, não dos ensinamentos de Jesus.

  • 10 Carlos Magno // 21/December/2007 às 10:45

    Sempre soube que Jesus de fato existiu, realizou atos sobrenaturais chamados milagres (hoje, alguns, explicados pelas ciências) e constituiu diversos grupos de discípulos, não somente os doze mais conhecidos.

    Foi um homem de profundo saber, mas sabia ser severo quando necessário. Diferente da imagem religiosa que se tem de sua personalidade.

    Foi iniciado entre os budistas que o consideraram o continuador da mensagem de Buda.

    Não morreu na cruz. Foi retirado com vida por José de Arimatéia e homens da Fraternidade dos Essênios. Trataram-no com ervas, ungüentos, pomadas e prestaram-lhe outros cuidados. Esconderam-no e ele se recuperou plenamente. O resgate da cruz já fazia parte de uma estratégia pré-elaborada.

    As provas de sua existência e vida encontram-se em diversos manuscritos de templos budistas onde Jesus se refugiava para se preparar para sua missão. Bispos e sacerdotes da igreja, ao longo dos séculos, conseguiram roubar e destruir provas manuscritas. Devido a isso os budistas não mais as mostraram a qualquer um e as preservaram da curiosidade e roubos.

    Entre os budistas, árabes e outros povos Jesus é conhecido como Issa, Yesu, Yuzu Asaph e outros nomes.

    Tendo se recuperado da crucificação, Jesus viajou para vários lugares do Oriente Médio e Índia, e consta ter estado na Inglaterra com José de Arimatéia onde edificou os pilares do cristianismo com ensinamentos ocultos.

    Refugiou-se definitivamente na Caxemira onde viveu até os 105 anos e deixou descendentes. Recebia lá periodicamente seus discípulos da época da crucificação a quem repassava ordens.

    Morreu em Rozabal, na própria Caxemira, onde até hoje existe seu túmulo preservado e respeitado, e onde a igreja católica não conseguiu destruir essa prova. Há nele, gravado numa laje escondida e descoberta por Fida Hassnaim e Mohi-ud-din, marcas de solas de pés com traços de chagas que seriam dos pés de Jesus, que foram devidamente fotografadas.

    Desculpem-me os católicos e os evangélicos que não acreditam nisso, mas os ocultistas e esotéricos conhecem há séculos esses fatos e outros mais da vida secreta de Jesus.

    Quem desejar mais detalhes sobre o assunto e provas fotográficas, adquira o livro “Jesus, a Verdade e a Vida” da Editora Madras, de autoria de um pesquisador não comprometido, livre e independente, chamado Professor Fida Hassnaim, mas corram antes que dêem sumiço na obra.

    Finalizando, reproduzo pequeno trecho do citado livro, extraído da pg 162, edição de 1999:
    “Entretanto, informações gravadas em uma laje indicam que Jesus não morreu na cruz, que ficou crucificado por apenas algumas horas, mas depois foi salvo, cuidado e protegido pelos Essênios. Esta pedra gravada pertence a Freemasonry Society of Germany e está fora do alcance da Igreja Católica”.

    Sorry, but this is the story I really do believe!

  • 11 Mari // 21/December/2007 às 10:45

    As vezes eu me pergunto como seria o mundo se Yehoshua bar Youssef não tivesse se transformado em Iesous Christos. Não consigo pensar.

  • 12 HRP Mané Reloaded // 21/December/2007 às 10:50

    Independente das vossas crenças ou não crenças….como bem colocou o Casmurro, Jesus vem num caminho pelo qual passaram antes os lendários Buda, Confucio ,Platão e Aristoteles….mas se é sabido que o homem se molda elevando suas moralidade e intelectualidade….todos esses homens cultos e sábios, que precederam Jesus, vinham-lhe preparando o caminho….aos homens que no decorrer da nossa curta existencia como civilizados teimavam em não evoluir a contento….pode parecer brincadeira….EEEEEE….mas Êta raça ruim essa dos humanos , pra aprender a ser bons e honestos!

  • 13 HRP Mané Reloaded // 21/December/2007 às 10:52

    UAU!
    Essa dos esotéricos é boa!
    Quem sabe?
    Pode ser!

  • 14 proftel // 21/December/2007 às 11:01

    Bom Pedro Doria, mais uma vez Parabéns.
    Belo texto.
    Quando vi o post pensei “-Esse Pedro Doria tá com crise existencial, outro post nessa linha…”, no decorrer a leitura essa idéia mudou.
    Acho que a patroa não leu ainda, vou ligar prá ela.

    :-)

  • 15 HRP Mané Reloaded // 21/December/2007 às 11:06

    O PD tem uma dúvida?
    ….EEEE sei lá…pero que elas existem… existem!

  • 16 Brancaleone // 21/December/2007 às 11:16

    Façamos uma breve comparação, se bem que não existe nada, absolutamente nada que os tornem semelhantes. A comparação é apenas para demonstrar que o que se diz sobre alguem é infinitamente mais importante do que as coisas que este alguem realmente fez:

    Che: (Argh!!!): Foi um revolucionário. teorizou coisas humanas, bonitas e até viáveis mas descambou mesmo para a politicalha guerreira e com isso tornou-se apenas mais um genocidazinho… . Mas sempre e sempre tem uma chusma de seguidores que o idolatram, veneram e atribuem a ele apenas e tão sómente coisas boas. A história deverá retratar Che apenas e tão sómente como um argentino que ajudou a implantar o comunismo em Cuba e depois foi morto na Bolívia, matando muita gente no processo…

    Com Jesus a coisa é parecida não nos atos que atribuem à ele - com exeção aos vendilhões do templo, nenhum ato de fúria se atribui a Jesus - Os seguidores de Jesus dão-lhe créditos por milagres e atos supra-humanos e nem poderiam fazer diferente uma vez que ele constitui a base da fé cristã e representa importante fonte de renda prá muita gente, o que o diferencia e muito de Che uma vez que o tadinho do argentino mal e mal ajuda a vender camisetas para desavisados ingênuos…
    Mas para mim, ateu assumido e descrente da raça humana, Jesus foi um sujeito cheio de boas idéias e mesmo que tenha dito ou feito apenas 1% das coisas boas que atribuem a ele e que na sua época sua influência pessoal não tenha ido alem da pequena região em que nasceu, viveu e morreu, ainda assim ele foi o que se pode considerar “um cara legal, idealista, mas legal”.
    Claro que eu poderia descambar para teosofias, filosofias, ideologias e outras enrolações intelectuais mas minha cultura não chega a tanto e sinceramente, todas estas coisas não são necessárias…

  • 17 Jåµë§ ßønd™ // 21/December/2007 às 11:17

    -= Eu devo estar na minha fase totalmente questionadora, uma vez que acabei de ler “Sobre o Islã” do Kamel e já vou partir para “A Viagem de Theo - O Romance das Religiões”.

    Logo eu, agente de tão pouca fé.

    @Carlos Magno
    Interessante esta versão. Gostaria de ler mais sobre ela, a título de entretenimento. Pode me ajudar?

    @Mari:
    - Seria a mesma coisa que sempre foi, disso não tenho dúvidas. O Brasil talvez fosse um pouco diferente, mas o mundo seria basicamente o mesmo, pois seria formado das mesmas pessoas, como eu e você.

  • 18 Nassau // 21/December/2007 às 11:22

    kamarasda XCarlosd Magno,

    Agora não sdwei o quwe ´we maisd sdifíxcil sdwe axcrwesditar, sdwe WElwe rwedssdusdcxitou ou newsdta wepóp´weia tosda quwe voxc^we sdwesdxcrewvweu.
    O CXhwesdtewrton dsiria, éw maisd fáxciol axcrwesditar wem Nosdsda SDwenhora :-)
    Abração.

  • 19 Nassau // 21/December/2007 às 11:23

    proftwel,
    SDxcorro!

  • 20 Ricardo Alexandre da Silva // 21/December/2007 às 11:23

    Muito instigante seu texto, PD.

    Sugeriria que você o cotejasse com “Jesus de Nazaré”, obra de Joseph Ratzinger lançada em dezembro passado (Joseph Ratzinger, não Bento XVI, pois não se trata de documento doutrinário). Sua visão certamente seria enriquecida. E você teria algo estimulante para meditar nos próximos dias.

    Carlos Magno: Não me parece que documentos místico/maçônicos sejam uma fonte fidedigna. Seria, para citar frase muito conhecida de Jânio Quadros, como pedir um testemunho sobre a Bíblia a Asmodeu…Não dá pra confiar.

    Você até pode crer na sua versão. Mas estará, nesse ponto, no campo da fé. É, para te dar apenas um exemplo, muito difícil sustentar como verdade histórica a ida de Jesus à Inglaterra. E a foto de uma laje não quer dizer nada.

    Mari: Sua dificuldade é plenamente justificada: o ocidente é impensável sem a influência cristã.

    Gostaria de acrescentar, sem consulta ao texto, que na sua autobiografia o xaropão do Edgar Morin se questiona: “Como uma religião outsider, de um dos povos mais dominados da Terra, originária em uma das províncias mais pobres do mundo romano, pôde se difundir com a força com que o fez o cristianismo?”.

    Realmente misterioso, não é?

    Forte abraço,

    Ricardo Alexandre da Silva.

  • 21 confetti na paz // 21/December/2007 às 12:09

    po ricardo, o edgar morin xaropao ?! ah nao consordo e discordo

  • 22 confetti na paz // 21/December/2007 às 12:10

    carlos magno, kk

  • 23 Renato Gonçalves // 21/December/2007 às 12:39

    Valeu pela reportagem Pedro Doria, ao final de seu texto, fica a vontade maior de pesquisar cada vez mais sobre o assunto, tanto quanto for possível, não pela duvida existencial, mas pelo desafio do mistério mesmo.
    Eu acredito que todos os relatos bíblicos, desde o surgimento das primeiras tribos até as últimas cartas de Pedro e Paulo, são todos verídicos (questão de FÉ).
    E nos dias atuais o individuo pode até não ter FÉ, mas tendo bom senso para não prejudicar ninguém, nem a si mesmo e ajudar quando possível, já fica de ótimo tamanho.

    Feliz Natal para todos.

  • 24 HRP Mané Reloaded // 21/December/2007 às 13:30

    Renato….boa! …que coragem!
    Abs…e (apesar de que estarei sempre em alerta!) e muita paz, amor e compreenssão entre todos nós e o mundo….EEEEE….até com judeus mais impedernidos!
    EEEEEEEEEEEE……….!
    E com os árabes mais patéticos…….

  • 25 ester // 21/December/2007 às 14:08

    É que bom Pedro Doria que Jesus Cristo veio em forma de homem para mostrar que somos capazes de ser melhor hoje do que fomos ontem…e pesquise mais quem sabe a luz do Senhor lhe venha como inspiração..

  • 26 Ricardo Alexandre da Silva // 21/December/2007 às 14:33

    Confetti:

    É que me parece que o Morin, com essa história de “epistemologia da complexidade”, tornou-se um divulgador barato do holismo, no estilo do Fritjof Capra. “Tudo está unido e interligado e blá blá blá”. Simplista à beça…

    Esse tipo de coisa logo descamba para a auto-ajuda. Por isso que eu o chamei de xaropão. O cartesianismo anda meio exacerbado do meu lado da tela. ;)

    RAdS.

  • 27 Tia // 21/December/2007 às 14:51

    Os evangelhos falam de Jesus. Então que dizer dos evangelhos? Poderiam os Evangelhos ser uma primorosa invenção?

    “Robert Funk, fundador do Seminário de Jesus, diz: “Mateus, Marcos, Lucas e João apresentaram o Messias de maneira a ajustá-lo à doutrina cristã que se desenvolveu após a morte de Jesus.” Contudo, enquanto os Evangelhos estavam sendo escritos, muitas testemunhas das declarações, das obras e da ressurreição de Jesus ainda estavam vivas. Elas não acusaram os escritores dos Evangelhos de cometer algum tipo de fraude

    Poderiam os Evangelhos ser lendas?

    O autor e crítico C. S. Lewis achou difícil encarar os Evangelhos como meras lendas. “Como historiador literário, estou perfeitamente convencido de que, independentemente do que sejam, os Evangelhos não são lendas”, escreveu. “Não são suficientemente artísticos para tratar-se de lendas. . . . Desconhecemos a maior parte da vida de Jesus, e ninguém que inventasse uma lenda permitiria que isso acontecesse.” É também interessante que embora o famoso historiador H. G. Wells não afirmasse ser cristão, reconheceu: “Todos os quatro [escritores dos Evangelhos] estão de acordo no que diz respeito a fornecer-nos um quadro de uma personalidade bem definida; eles transmitem a . . . convicção da realidade.”
    A acusação de que os Evangelhos são lendas também esbarra no rigoroso método de ensino rabínico em voga durante a época da escrita dos Evangelhos. Esse método se apegava estritamente ao aprendizado pelo processo de decorar — um sistema de memorização usando rotina ou repetição. Isso favorece a transmissão exata e cuidadosa das declarações e dos feitos de Jesus, e não a criação de uma versão embelezada

    Se os Evangelhos fossem lendas, poderiam ter sido compilados tão rapidamente após a morte de Jesus?

    De acordo com as evidências disponíveis, os Evangelhos foram escritos entre os anos 41 e 98 EC. Jesus morreu no ano 33 EC. Isso significa que os relatos sobre sua vida foram compilados num período relativamente curto após o término de seu ministério, o que apresenta um enorme obstáculo ao argumento de que as narrativas dos Evangelhos são meras lendas. É preciso tempo para que as lendas se desenvolvam. Tome como exemplo a Ilíada e a Odisséia do antigo poeta grego Homero. Alguns dizem que demorou centenas de anos para que os textos dessas duas lendas épicas se desenvolvessem e se consolidassem.
    Que dizer das afirmações dos altos críticos de que os Evangelhos não satisfazem os critérios da história real? Durant prossegue: “No entusiasmo de suas descobertas a Alta Crítica submeteu o Novo Testamento a provas de autenticidade tão severas, que, se as aceitarmos em outros campos, uma centena de verdades históricas — como Hamurabi, Davi, Sócrates — passará para o campo da lenda. . . . A despeito dos preconceitos gerais, e em especial teológicos, dos evangelistas, eles mencionam muitos incidentes que meros inventores teriam ocultado — a competição dos apóstolos por altas posições no Reino de Deus, a fuga depois da prisão de Jesus, a negação de Pedro . . . Ninguém que leia essas cenas duvida da realidade do protagonista”

  • 28 Carlos Magno // 21/December/2007 às 15:39

    Prezados:

    Somente posso dizer que este assunto não é novo, mas tão antigo quanto a história do cristianismo.

    Rosacruzes, maçons e teósofos confirmam a existência de Jesus como uma pessoa e Cristo num plano mais acima sendo outra. Jesus permitia a Cristo falar por seu intermédio, tanto quanto à Sophia dos gnósticos, conhecida como a Sabedoria, em seus aspectos masculino e feminino. E afirmam que Jesus não morreu crucificado.

    Logo a história de Jesus não é tão literal como apresentada por teólogos do cristianismo e nem como é recontada pela igreja. Há muitas coisas desconhecidas e de maior profundidade na vida do Jesus histórico.

    No livro que citei há dezenas de boas indicações na bibliografia utilizada, que valem a pena ser pesquisadas.

    Realmente, a foto de duas pegadas podem não indicar nada ou simplesmente tudo! A aceitação é pessoal, mas é necessário que se vejam as circunstâncias em que foram achadas naquele mausoléu em Caxemira.

    A google possui dezenas de sites sobre o assunto, mas pesquisei dois que talvez mereçam a atenção dos interessados.:

    1. http://www.donisemprebem.hpg.ig.com.br/jesus.htm - 46k
    2. http://pt.wikipedia.org/wiki/Fraternidade_Rosacruz_(Max_Heindel)

    Amigo Nassau, não entendi nada de seu comentário, parece escrita grega. Tente de novo!

    Abraços.

  • 29 Carlos Magno // 21/December/2007 às 15:46

    Confetti,

    até seu risinho é doce.

    Abraços.

  • 30 Zé Bush // 21/December/2007 às 15:54

    well…segundo li, Jesus era apenas mais um das centenas de “pregadores” que existiam naquela época na Judéia. Eram considerados homens santos pois pregavam, jejuavam e viviam sem posses nem moradia certa. Algo semelhante como sacerdotes hindus atuais, que jejuam e fazem sacrifícios.

    Mas , de alguma forma, a pregação de Jesus foi mais longe que as outras, pois o rapaz usava parábolas, para aproximar o discurso da realidade da época. Outro recurso utilizado por antigas seitas hindus e orientais.

    A diferença é que a pregação de Jesus aproximava o indivíduo do reino dos céus e estabelecia um novo vocabulário, onde o indivíduo predominava sobre o coletivo, salvando-se por suas obras e realizações, e não pelo blá-blá-blá de orações e sacrifícios bobocas.

    Outra diferença é que o rapaz atingiu as camadas mais pobres e fudidas,eternamente explorados pelas “elites” da época. Era um homem comum falando a outros homens comuns de uma maneira comum e coloquial.

    Enquanto dos outros pregadores da época nem a lembrança existe, talvez por serem doidos mesmo, Jesus bateu de frente com os poderosos por apresentar uma alternativa moral e ética.

    Foi preso, julgado por subversão e traição,levou umas porradas e foi pregado numa cruz, castigo apenas para ladrões e criminosos da pior espécie.

    Quanto a esse papo de ter sido tirado com vida da cruz ( o corpo sumiu), pode até ter um fundo de verdade,embora não passe de lenda.A morte na cruz é dolorosa e demorada, levando dias para o coitado que está pregado morrer.Tanto é que os outros 2 ladrões tiveram as pernas quebradas para morrerem logo. A morte na cruz dá-se por asfixia, num processo demorado e cruel que pode levar dias.

    O cristianismo foi ‘inventado” séculos depois, sendo Paulo a pessoa que organizou e hierarquizou a coisa. Depois o imperador Constantino resolveu torna-lo oficial e o império romano tratou de assimilá-lo.

  • 31 Pedro Doria // 21/December/2007 às 16:08

    Gente –

    Respeito integralmente a fé de cada um. Mas fé é uma escolha, talvez um descobrimento. Uma convicção que nasce internamente.

    História carece de outra base. O objetivo da reportagem é resumir o que a interpretação histórica contemporânea fala a respeito de Jesus Cristo. Eu, pessoalmente, acredito que esse homem tenha existido. Mas não há documentos contemporâneos que o citem. Então não sabemos se era essênio, se era zelota, se era fariseu. Sabemos que parecia fariseu. Outra questão é a de por que o cristianismo cresceu tanto. Aparentemente, o motivo está ali no momento da Queda do Templo, em que seitas judaicas se fortaleceram.

    Mas, novamente: há a matéria de fé, no escolher acreditar em uma vertente, e há a matéria de história que depende de documentos, neste caso, profundamente escassos.

  • 32 Conselho // 21/December/2007 às 16:38

    Meu Deus!

    Abri a página e lá estava a foto de Bush, logo acima da pergunta: “Quem foi realmente Jesus Cristo?”. Tomei até um susto.

    Sei que a regulamentação da internet ainda é muito encipiente (é assim que se escreve?), mas deveria ser proibido Jesus e Bush frequentarem a mesma página (rs)…

    Boas Festas a todos!

  • 33 Xandão // 21/December/2007 às 16:44

    Dom Casmurro,
    como assim “um grupo de pescadores analfabetos” não poderia criar um ser tão poderoso? Um grupo de operários semi-analfabetos produziu um personagem que é o mais relevante politicamente da América do Sul em muitas décadas. Ele mora no Alvorada atualmente. A força do povão é grande, Casmurro. Quando eles encasquetam com alguma coisa, sai de baixo. Não obstante, como luterano acredito no Jesus Filho do Homem.

  • 34 anrafel // 21/December/2007 às 16:54

    Que post excelente, Pedro! Eu já o tinha lido, mas mesmo assim mantive a admiração. Jornalismo e história para além das restrições impostas por sentimentos religiosos, sejam estes cristianismo ou ateísmo militantes.

    Eu ia dizer que a primeira tentativa de implantação de um monoteísmo partiu do faró egípcio, Akhenaton, que desprezou o panteão dos seus antecessores e estabeleceu a fé e as celebrações apenas para Aton.

    Óbvio que houve resistência e os insurgentes venceram. Os seguidores do faraó herege foram obrigados a se converter ou a sair do país. E como a coisa aconteceu numa época situada mais ou menos próxima à ocorrência do Êxodo bíblico, há quem enxergue em Moisés um desses líderes expulsos.

    Alguns historiadores e Freud especulam/especularam assim. Pois é, eu ia comentar assim, mas lembrei do comment da nossa amiga Confetti e aí, sabem, né, fiquei, digamos, intimidado.

    Vou no open thread desejar Feliz Natal a todos.

  • 35 El Torero // 21/December/2007 às 16:57

    Muito, muito bacana o texto…é, de fato, interessante esta busca pelo Jesus histórico e também acho válida, pois há que se procurar a verdade sempre. Mas é ilusão crer que o que for descoberto, seja provando que o Homem tenha existido ou não, abalaria realmente as igrejas cristãs. Renderia muita discussão, mas nunca atingiria o grosso dos crentes e se os atingisse não abalaria sua fé. A minha crença e fé que são por demais peculiares, católico por costume e tradição, devoto de Santo e de Nossa Senhora sem conseguir explicar o porquê, e que enxerga no espiritismo um alento mas não consegue aceitar tudo oque este prega, não seriam abaladas em nada.

  • 36 confetti na paz // 21/December/2007 às 16:58

    ricardo #26, até entendo suas reservas com ed morin, mas é um cara de uma tal cultura, tao open mind que o considero importante pra nossa época… mas nao dirijo fan clube nenhum nao…:))

  • 37 confetti na paz // 21/December/2007 às 17:00

    anrafa !! ah desculpe a ironia…foi brincadeira ! comenta ai vai meu felo…
    é um prazer reve-lo no blog seu sumido !
    beijos

  • 38 anrafel // 21/December/2007 às 17:05

    A respeito, alguém já viu o DVD produzido pelo James Cameron?

  • 39 RW in Miami // 21/December/2007 às 17:26

    Anrafael, eu ja vi…. o cara usa estatistica pra provar que uma tumba achada em Jerusalem seria a da familia de Jesus. Achei meio (na verdade muito) exagerado. E como estudei muita estatistica na minha vida, sei que com numeros da ate pra provar que o Papa e’ judeu… ;-)

  • 40 Arruda // 21/December/2007 às 18:06

    Anrafael, não se iluda: o Simcha Jacobovici (diretor do filme) é o Michael Moore da cine-arqueologia. Muito papo, muita coreografia e quase nenhuma substância. Oliver Stone adoraria.

  • 41 anrafel // 21/December/2007 às 18:44

    Obrigado, amigos. Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

  • 42 Hugo Albuquerque // 21/December/2007 às 18:56

    Belo texto PD, também não havia lido ele na época do “No Minímo”, ainda bem que você resolveu republica-lo.
    Achei interessantissímo os comentários do Carlos Magno.
    Quanto a Jesus de Nazaré, a julgar pela época e pela opressão imposta por Roma a Judéia, já é um milagre que existam os evangelhos.
    É óbvio que as contradições presentes neles sugerem que há pontos cegos e licenças poéticas.
    Creio que os evangelhos estão para Jesus do mesmo modo que A Odisséia e a Ilíada estão para a Guerra de Tróia. Não custa lembrar que só recentemente se veio comprovar a existência de Tróia na costa da atual Turquia.
    Talvez nunca venha se a comprovar materialmente a exitência de Jesus.
    O fato é que a expansão do cristianismo tem a ver não somente com a destruição do Templo de Jerusalém, mas também com a própria decadência econômica do império romano, o que alimentou o medo e, consequentemente, a crença no messianismo .
    A fé em Cristo varia de pessoa a pessoa, no entanto, comprovada ou não sua santidade, não creio que isso mude a importância de suas idéias e daquilo que pregou.

  • 43 Esprit de porc // 21/December/2007 às 19:48

    Grande PD! Tive a sorte de ler esse texto há dois anos no nominimo.
    Vejo que pouquíssima gente que freqüenta o blog já o leu, o que mostra a renovação dos comentaristas. Será que daqui a dois estará aqui uma turma (quase) completamente diferente?

  • 44 confetti na paz // 21/December/2007 às 20:16

    esprit, eu lembro desse texto….problema é que mesmo reconhecendo sua importancia e o quanto foi pesquisado, levado à sério e oferecido como um presente, esse assunto nao me toca, me deixa fria …vai entender…essas ultimas semanas, a abundancia de posts “religiosos” me entediou um pouco….
    insisto : nao é critica nem desprezo por quem tem fé e curte o tema….so opiniao muito, muito pessoal

  • 45 Dom Casmurro Patriarca // 21/December/2007 às 20:50

    Xandão,

    seu comentário caiu no número 33, interessante, não?
    Mas essa observação a que você se refere é do escritor norte-americano Will Durant, lembrado pela Tia num dos seus comentários.
    Mas não me passou pela cabeça fazer o mínimo deslustre à sabedoria e força do povo.
    Eu sempre digo que bobo é quem pensa que o povo é bobo. A eleição e governo do Lula, sem dúvida, é uma demonstração dessa afirmativa.
    O problema é mesmo “técnico”.
    Ao contrário do que diz o Zé Bush em seu comentário nº 30, os ensinamentos de Jesus não são nada comuns, sendo inclusive, o que há de mais profundo, tanto em psicologia quanto em ética em toda a história da humanidade.
    Leia-se Spinoza e H.G. Wells.
    O que acontece é que pescadores analfabeto, “tecnicamente” não teriam as mínimas condições de criarem diálogos, parábolas, discursos e situações com tanta profundidade e perfeita realização.

  • 46 HRP Mané Reloaded // 21/December/2007 às 21:54

    Moçada que le os ensinamentos de Jesus…alguma dúvida de como se eleva espiritualmente?
    Voces precisam dessa coisa chamada “confirmação de existencia”?
    EEEEEEE…..a leitura dos ensinamentos dele não lhe bastam?
    Ele trouxe a “compilação” de tudo que já ,interiormente, sabiamos ser nosso dever….amar uns aos outros, como a Deus, e praticar caridade…que significa entender os outros em sua pequenez ou em sua grandeza , soma de tudo isso….evolução intelectual e moral fazendo do espirito algo melhor…….iiiiiii…..a noite vai ser boa!

  • 47 HRP Mané Reloaded // 21/December/2007 às 21:54

    tia! …que aula….muito obrigado!

  • 48 HRP Mané Reloaded // 21/December/2007 às 21:57

    Don casmurro pregando em praias desertas!
    Aliás de Zé Bushs e Abstratos….elas estão cheias!
    Nat …. te adoro!

  • 49 Zé Bush // 21/December/2007 às 22:19

    well,Dom Casmurro….eu disse que Jesus era uma pessoa comum falando para pessoas comuns de uma maneira comum e coloquial…..mas isso não quer dizer que ele falava coisas comuns!!!!

    Jesus estabeleceu um princípio ético e moral ao colocar o indivíduo perante a divindade de uma forma inédita: em vez do indivíduo meramente adorador, passou a existir o “próximo” como ponte. In other words, Jesus colocou o “próximo” como elo entre o indivíduo e a divindade. Isso é revolucionário!!

  • 50 Nassau // 21/December/2007 às 22:25

    O povo do livro,

    Estamos falando de uma cultura milenar que baseava a sua fé em textos sagrados.

    É assim que os muçulmanos se referem aos judeus e segundo o Fucs na época em que este texto foi colocado, também aos cristãos. Havia uma ênfase muito grande no aprendizado dos textos sagrados. As sinagogas não eram exatamente templos, eram centros de estudos. Aos pais era dada muita importância no ensino religioso de seus filhos, religião não teatralizada, pictórica e subjetiva, mas baseada na Lei. Portanto não acho de todo improvável que os discípulos fossem alfabetizados.

  • 51 HRP Mané Reloaded // 21/December/2007 às 22:32

    Meus amigos….referencias aos judeus andam me causando engulhos…..por favor….o único judeu convincente hoje, ainda é Jesus….aliás o mais evoluido espirito que “pintou” por aqui…..queiram ou não…..estudiosos, inteligentes, ricos, cheios de capacidades e realizações…sempre pisam na bola…só o HOMI! não pisou…ele é o cara…..!
    Descontos para Albert Eisntein!…..EEEEEE…

  • 52 Nat // 21/December/2007 às 22:32

    HRP, meu querido, também te adoro (meio off-topic, mas tudo bem hehehehe)
    Feliz Natal e Feliz 2008 pra vc pq eu vou levar um tempinho sem vir aqui.

  • 53 HRP Mané Reloaded // 21/December/2007 às 22:33

    Que que eu vou ganhar de Natal….?
    TÔ muito ansioso!

  • 54 Natan Pardinho // 22/December/2007 às 0:11

    Bem…vou citar Bulltman… não há como conhecer o Jesus histórico… é perda de tempo… a única maneira de se chegar a Jesus é através da fé e dos Evangelhos… ali há encontro com Ele… daí então passamos a entender que foi, quem é Jesus, o Cristo…

  • 55 Natan Pardinho // 22/December/2007 às 0:24

    PD… a comunidade primitiva rompeu com o judaísmo…o templo nada mais significava para os cristãos… como compreender tal fato, a expansão vertiginosa de uma seita vinda de um território fim-de-mundo e anunciada por semi-analfabetos?…Quando se fala de um tal Espírito Santo, que tal levar a sério os evangelhos?…
    hj em dia não se leva isso em conta, pq a caixinha do pensamento científico não aceita aquilo que ela não pode compreender nem entender por ela mesmo…daí, para refutar o “absurdo” chamado espírito santo, cria hipóteses como templo, constatino, etc…

  • 56 Harun al-Rachid // 22/December/2007 às 0:34

    O mesmo acontece com Zeus, Hera, Efestos, Artemis, Thor, Baal, Alá e outros, muitos outros, milhares de outros, inclusive o nosso mui estimado Tupã.

    (…) Toda menina
    Era cunhã
    Um belo dia
    Uma menina
    Achou no mato
    Uma maçã
    Olhou a fruta
    Meio de banda
    Como se fosse
    Coisa malsã
    Deu uma dentada
    Meteu o dente
    E de repente
    Tchan-tchan-tchan-tchan (…)

  • 57 Nassau // 22/December/2007 às 0:57

    É notória a ênfase no ensino de leitura nas madrassas através do Corão, em países como o Afeganistão e Paquistão.

    Nos países em que a Reforma vigorou, uma das grandes preocupações era a alfabetização do povo, uma vez que o livre exame das Escrituras era um dos pilares da Reforma.

    Trabalhei alguns anos como supervisor em um projeto de alfabetização de adultos na baixada fluminense pela extinta Fundação Educar que em parceria com associação de moradores, Federação de moradores e Igreja Católica Romana, desenvolveu um trabalho intenso naquele período, usando o método Paulo Freire. Pude comprovar que a maioria dos alunos e os que mais se desenvolviam eram aqueles que de participavam da cebs ou de i.evangélicas, pelo grande interesse em poder ler a Bíblia.

    Muitas igrejas ainda desenvolvem classes de alfabetização de adultos por conta própria, devido o interesse dos novos velhos membros em poder ler o novo testamento, as parábolas de Jesus, seus ensinos.

    Então não me parece de todo improvável que também aquela época, as sinagogas funcionassem como centros de aprendizagem de leitura para as crianças aprenderem as escrituras, e assim pessoas simples pudessem ser alfabetizadas.

    Abs.

  • 58 Itamar // 22/December/2007 às 1:17

    Cada vez que leio sobre as origens históricas das religiões e sobre os momentos dos seus surgimentos, eu passo a acreditar mais e mais na filosofia do Jesus Histórico e menos em toda forma de igreja mística.

  • 59 Nassau // 22/December/2007 às 1:31

    Natan,
    Você disse que os critãos romperam com o Templo. Perdoe-me discordar, segundo os textos neo-testamentários abaixo:

    “ATOS 2:46
    E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração…

    ATOS 3:1
    E PEDRO e João subiam juntos ao templo à hora da oração, a nona… ”

    Poderia continuar pois há outros textos. Mas aqueles cristãos eram judeus também e nada mais natural que como Jesus, também adorassem no Templo. Com certeza a ruína do Templo foi sentida com muito sofrimento pelos então judeus cristãos.
    Abs.

  • 60 confetti na paz // 22/December/2007 às 6:58

    harun, é lindo esse poeminha ! quero mais…)

  • 61 anrafel // 22/December/2007 às 13:49

    O espanto por humildes pescadores ter escrito os Evangelhos não procede. Na verdade, não foram Mateus e João, que conviveram com Jesus, os autores, mesmo porque o texto de João é por demais tardio e o “discípulo que Jesus amava” não podia mais estar vivo.

    Os Evangelhos foram escritos por membros das Ecclesias que se disseminaram depois da morte de Cristo. A Igreja de Mateus, a de João resolveram dar o seu testemunho e aí vem a questão da redação, edição e acréscimos, que são o nó-cego da pesquisa arqueológica, histórica e literária.

    Marcos e Lucas não foram contemporâneos de Cristo, foram colaboradores de Paulo. Não se sabe se (João) Marcos foi mesmo o autor do seu Evangelho. Sabe-se que o seu é uma das bases para os outros canônicos.

    Quanto a Lucas, é quem leva mais “jeito” de ter sido mesmo o autor evangélico. Os especialistas o reputam como um sujeito culto (dizem até que era médico) e com pretensões literárias e históricas, o que parece verdade, já que escreveu uma história de Jesus (o Evangelho) e uma dos primeiros anos do cristianismo (o Ato dos Apóstolos), que formavam o livro em 2 partes ou volumes. Mas aí os editores do Novo Testamente meteram o Evangelho de João no meio.

    Devemos ter em mente que esses líderes das Ecclesias poderiam ser homens cultos, educados com esmero e versados na cultura judaica, tanto quanto o foi Paulo, aluno de um aluno de Hillel.

  • 62 Natan Pardinho // 22/December/2007 às 16:38

    Nassau

    de fato não há no início da comunidade primitiva uma ruptura com o Templo… isso vai se dar mais tarde, com a compreensão de que não há mais necesssidade de um templo de pedra, pois o própro Cristo se torna o templo vivo de Deus…

  • 63 Nassau // 22/December/2007 às 17:55

    anrafel,

    A partir do relato original de alguma testemunha ocular, o “kerigma”, aquelas pregações, sermãos, mensagens que eram ouvidas pelas eklesias, as congregações locais, eram compartilhadas e difundidas.

    Na verdade os nomes dos autores dos livros não estão no corpo dos textos, são meros títulos que poderiam ter sido colocados como a tradição oral das igrejas primitivas entendiam como fonte original do relato, seus principais disseminadores ou coletores/compiladores/organizadores.

    anrafel supõe que alguns dos líderes das congregações locais poderiam ser pessoas mais cultas, assim como Paulo. No entanto acho que cabe a ressalva, não para ele, mas para quem sabe outros menos familiarizados, de que estes líderes não eram teólogos ou monges enclausurados em bibliotecas que dispunham de qualquer aparato institucional. O próprio Paulo abandonou uma situação mais privilegiada como fariseu e doutor da lei para ser o porta voz de uma “seita” marginal em sua época, considerada como de iletrados pelos seus pares e de escravos pelos romanos, e se sustentava com trabalho braçal como fabricante de tendas. Além de sofrerem toda a sorte de ameaças, perseguições, prisões, açoites e até a morte.

    Não tinham nada a ganhar, mas tudo a perder.
    Abraços.

  • 64 Nassau // 22/December/2007 às 18:10

    Natan,
    É isso aí. A própria tradição profética antiga e Jesus já prenunciavam e colocavam ênfase no culto interior, não subjetivista/individualista/egoísta, mas aquele culto que nasce e brota dentro de nós em qualquer lugar e circunstância, e se exterioriza não em ritos e fórmulas, mas em comunhão, vida e justiça.
    Beijos.

  • 65 Harun al-Rachid // 22/December/2007 às 18:29

    Confetti
    Procure por ‘‘Pau Brasil’’, Francis Hime.

  • 66 Paulo // 27/December/2007 às 0:26

    O texto é bom, mas erra ao dizer que não existem, fora da Bíblia, registros da existência de Jesus Cristo. Existem sim.

  • 67 Paulo // 27/December/2007 às 0:54

    Aí estão dois textos que apresentam vários testemunhos (fora da Bíblia) confirmando a existência histórica de Jesus Cristo:

    Jesus Cristo, Um mito ou um homem da História?
    http://www.cacp.org.br/criticismo-historia.htm no

    Jesus Cristo : Um mito?
    http://www.cacp.org.br/movimentos/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=844&menu=12&submenu=3

  • 68 Fashion Bubbles » Quem foi realmente Jesus Cristo? // 28/January/2008 às 19:33

    […] o excelente artigo no Pedro Doria Weblog. Filed under Natal by Fashion Bubbles Permalink • Print • Email […]

  • 69 fernanda // 31/August/2008 às 7:20

    JESUS CRISTO EU SEI QUE VOCE MORREU PARA NOS SAUVAR MAS EU SINTO MUITAS SAUDADES

    EU TE AMO JESUS CRITO E EU DEUS TAMBEM.

    JESUS MANDA MEU PAI ME LEVA E LEVAR MINHA MÃE E MEU IRMAO PARA ISRRAEL??

  • 70 Túlio // 6/October/2008 às 17:55

    Muito interessante o seu texto PD, mas na minha opinião, jesus fez questão de não deixar nenhuma prova material, física ou política de sua existência, e duvido que alguém algum dia conseguirá encontar, se encontrar é falsa, pois jesus sabia que se houvesse alguma prova física de sua existência, tal prova invalidaria a inegável prova espiritual, que é a própria palavra de jesus, por isso pediu a testemunhas que a escrevessem e não ele próprio escreveu, pois conhecia e ainda conhece a natureza humana e sua ceticidade em acreditar apenas no que vê… além do quê, se for descoberta uma prova de sua existência, poderia causar imensos distúrbios políticos no mundo atual, como guerras, genocídios entre outros…. No seu texto você citou o evangelho de João, aí consiste a prova da existência de Jesus, No príncipio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. Eu sei que nesse texto eu levei o assunto para o Jesus Divino, e não o histórico que é o seu objetivo, no entanto, eu sei e todo mundo sabe que é impossível pesquisar sobre a vida de Jesus sem pensar no que ele fez, quantas vidas afetou positiva ou negativamente nesses 2000 anos de história. Com certeza alguma coisa aconteceu naquela época, pois um Homem sozinho conseguiu destruir o todo poderoso império romano, que na época estava no auge, e fez isso usando apenas sua palavra, o Verbo. E por mais irônico que pareça, consolidou sua vitória quando o inimigo o crucificou. Conclusão, nenhuma prova material poderá explicar o que aconteceu aquela época.

  • 71 Túlio // 6/October/2008 às 18:15

    Eu me esqueci de comentar sobre sobre os evangelhos que você desacreditou. Na minha opinião qualquer documento com mais de 100 anos de idade pode ser duvidoso, pois existem muitos charlatães querendo ganhar dinheiro a em cima dessa falta de ´´provas fisicas“por isso acho interessante o trabalho dos cientistas, pois quanto mais tentam achar provas da existência ou inêxistência dos cientistas, mais perdidos eles ficam, pois a ciência deve ser usada para estudar a matéria, aprendi isso na minha primeira aula de ciência na segunda série, mas os cientistas, tentando ganhar dinheiro em ás custas das religiões, começam a estudar cientificamente o que não é matéria, mas espírito, algo que vai além de nossa insignificante compreensão do universo.

    E ainda quero ressaltar que não sou religioso, pesquisei muito sobre o jesus histórico também, mas percebi que pra cada prova material que eu buscava, jesus já havia profetizado e dado explicações em parábolas, pois jesus era um profeta. Em uma época em que todos pregavam o poderio material de ROMA Jesus Cristo , nos ensinou o poderio do AMOR. Perceba que a verdade foi revelada por Jesus.

  • 72 Bruno Henrique // 17/October/2008 às 12:05

    Olha, você pode ter escrito tudo isso que você comentou, mas se você não crê que Jesus é o Salvador do Mundo que Ele foi enviado por Deus, a sua pesquisa não terá nenhum efeito foi em vão e ela não valerá de nada!!!

  • 73 jsa // 26/October/2008 às 9:53

    pdoria,
    parabéns pelo excelente trabalho jornalístico.
    Infelizmente a ignorância é invencível,
    haja instinto de sobrevivência comandando as reações humanas.
    um abraço.

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