Por Gabriel
Todo ano, em Israel, há um dia no qual é tocada uma sirene no país inteiro para relembrar o Holocausto. O coração da gente gela, todo mundo pára e lembramos em que país a gente vive.
Tel Aviv é o que há. Ruazinhas mal planejadas ainda na década de 20, arborizadas e cheias de carros estacionados por todos os cantos. Arquitetura Bauhaus dos anos 30, espigões de aço e de vidro dos anos 90 e 00, predinhos caindo aos pedaços dos anos 50. Jovens de lambreta, de bicicleta, de patins, a pé, com ou sem seus cachorros. Religiosos, hippies anacrônicos, estudantes, casais de gays de mãos dadas… a única coisa que não anda por Tel Aviv é o trânsito. A única coisa que não se encontra em Tel Aviv é estacionamento. Têm rodinha de pedreiros chineses rachando um rango na Yarkon, de frente ao mar, quase em Yafo. Tem rodinha de aposentados marroquinos jogando conversa fora e falando mal do governo. Rodinha de religiosos devotos do Rabi Nachmad de Uman, cantando ‘Festa no Apê’ com letra reescrita em hebraico exaltando o tal Rabi no meio da faixa de pedestre durante o sinal fechado.
Em Tel Aviv tem muita, mas muita mulher bonita. Descendentes de poloneses, alemães, iraquianos, iranianos, marroquinos, romenos, etíopes, argelinos, iemenitas, búlgaros, russos, turcos… e a mistura disso tudo com qualquer outra coisa também. Minha esposa consegue ser descendente de romeno, polonês, marroquino e de argelinos – e tem cara de brasileira.
Em Tel Aviv também tem praia. São mais ou menos limpas, com a água mais ou menos suja, muito fria no inverno, e morna no verão. Praias entupidas nos finais de semana. Cheias de arsim e farofeiros. Mas sempre divertidas para quem gosta de musica oriental (estilo árabe) em volume bem alto e gente falando gritando. E frescobol que, aliás, os israelenses acham que inventaram. Durante a semana e/ou inverno as praias ficam cheias de gente da cidade fazendo esporte, bebendo um chope ou praticando a arte milenar de levar fora das mulheres.
Como são praias de enseada, em geral a faixa de areia é menor do que encontramos no Brasil, o que facilita na hora de fechar com muros e cercas. As praias dos religiosos têm que ser assim: homens de um lado, mulheres do outro. Nas outras praias, a maioria das mulheres usa um biquíni que, no Brasil, iria ser considerado não só ultra-conservador como também terminaria aproveitado como modelo de fralda descartável. Graças a Deus esse desastre está saindo de moda. Fio dental são poucas, mas geralmente bem selecionadas. Topless, só em Eilat. Mas aí são cinco horas de carro numa estrada meio perigosa para ver peito…
Culturalmente tem de tudo. Uma barraquinha de falafel a cada 50 metros, um sushi-bar a cada 100 e suco natural de qualquer coisa que se possa fazer um suco, em todo canto. Restaurantes cheff a 200 dólares por pessoa e prato feito a 20 shekalim também tem. Restaurante de houmus populares ao lado de coffee shops sofisticados e modernos. Show de orquestra de música iraquiana tocando ud, show de metal-rock russo, ou barzinho de musica pop. Enfim, a única coisa que até hoje eu não consegui achar em Tel-Aviv foi estacionamento mesmo – e é por isso que vou de bicicleta para os estudos e para o trabalho, sendo quase atropelado 14 vezes por dia, que israelense costuma dirigir mal pacas. O trânsito num raio de uns 20 km ao redor de Tel Aviv é simplesmente impraticável.
Moro em Ramat-Gan, uma cidade vizinha de Tel Aviv e que, infelizmente, não é Tel Aviv. Em Tel Aviv simplesmente não há apartamentos para alugar. Você entra num site de buscas e, ao encontrar um apartamento, se demorar mais de quinze minutos para fechar o negócio, perde a chance. Além, é claro, dos preços estratosféricos.
No meu bairro, a maioria das famílias são religiosas. Os jovens estão sempre na pracinha, quando vou passear com minha cachorra. É que quando entra o Shabat – no pôr-do-sol da sexta-feira –, os religiosos não podem mais andar de carro ou qualquer outro veículo automotivo. Devem ficar meio sem ter o que fazer, que essa região é chata à beça. E daí que por isso ficam a fazer coisa nenhuma juntos, na pracinha onde a Preta gosta de correr atrás de gatos vadios e passarinhos. O que me vem na cabeça sempre que eu escuto a algazarra deles é como adolescente é igual no mundo todo, independente de credo, raça ou geografia. A única diferença é que, naquela pracinha, as meninas vestem saia até os tornozelos e os rapazes usam kipá. Religiosos, sim, mas não ortodoxos, que aqui é Ramat-Gan, não Bnei Barak ou Mea Shearim, em Jerusalém.
O país cresceu assustadoramente desde os anos 90. Gigantes mundiais se instalaram por aqui, empresas locais cresceram com a internet e ficaram maiores que as fronteiras de Israel. Esse novo capitalismo fez bem para a nação, e mal para os kibutzim e para o welfare state que reinava aqui até o governo Nataniahu. Depois da segunda intifada que coincidiu com o estouro da bolha inicial da internet e da Nasdaq, a economia freou. Nataniahu cortou as assistências do governo, a desigualdade social aumentou e a qualidade de vida diminuiu. E só nos últimos anos a coisa começou a se recuperar.
Bem, se recuperar quanto? Digamos que nem durante a guerra do Líbano a bolsa de valores balançou. Vem batendo recordes já faz mais de dois anos. O investimento internacional vem aos borbotões e o nível do crédito de Israel é o melhor de todos os tempos. Esse que vos escreve aproveita a onda para estudar e trabalhar. Não sei se em outras épocas ou outros lugares seria possível manter assim o estilo de vida enquanto se estuda. E tudo isso leva ao tal do trânsito que não consegue transitar. São centenas de milhares de carros entrando e saindo da região central de Israel por dia. A maioria novos, a maioria leasing, a maioria com o logotipo de alguma empresa de alta tecnologia, seguros ou construção. Eu sigo com a minha bicicleta, achando ruim apenas que eu não tenho buzina para poder retribuir a gentileza que esse povo todo me presta nas ruas de Ramat-Gan.
É definitivamente um país com tendências democráticas. Posso falar e escrever o que eu quiser. Inclusive com a certeza absoluta que vai chover gente discordando, não importa o que for dito.
No entanto, casamento no civil não existe: só no religioso. É o abocanhamento da teocracia que ainda influi no país e no estilo de vida. Ben Gurion achou que em pouco tempo os ortodoxos simplesmente desapareceriam, e por isso concedeu a eles tantas regalias. Errou. Como errou em não deixar os Beatles tocarem aqui por achar que iam estragar a juventude israelense. É, segundo a carta de independência de 1948, um país judaico democrático. Uma total anormalidade em toda história das ciências políticas, e uma contradição em termos. E nesta dualidade anda a nação já faz 60 anos.
Estar em um país judaico é bem mais que ouvir propaganda de ‘queima de estoque de Pessach!’ ou ‘Promoção de Chanuká’ ao invés de páscoa ou natal. É não encontrar qualquer transporte público no shabat. É, em várias regiões do país, ter que penar para encontrar comida não kosher (o que significa que preparar uma boa feijoada por aqui era bem complicado até algum tempo atrás, já que a coisa é difícil, mas já foi bem pior). É ver partidos políticos de peso tomando decisões baseadas na vontade de grupos religiosos que se respaldam em premissas religiosas e trechos bíblicos. É estudo da Torá obrigatório nas escolas e até fanáticos que às vezes matam primeiro-ministros.
Mas é também uma muralha de cultura, é estudar história na escola e não ter que se perguntar o que isso tem que ver comigo: a história é literalmente a dos seus antepassados. É andar de bicicleta no meio de uma auto-estrada no Yom Kipur, já que não andam carros em nenhuma rua ou estrada neste dia. É encontrar um restaurante que sirva exatamente a comida que você comia na casa da vó quando era criança. É ouvir as crianças nos jardins de infância cantando as músicas das festas que, vindo de um país católico, você achava que só você e seus colegas conheciam.
‘Judaico Democrático’ é ainda, dentro da dualidade, democrático. Falar mal de qualquer coisa, em especial do governo, é uma espécie de padrão de cidadania. É uma democracia de país muito pequeno, em que todo mundo conhece todo mundo. A principal rede de televisão é também dona de boa porcentagem do jornal de maior circulação e têm em sua linha de repórteres gente que trabalha para o jornal da concorrência. E todos foram, são ou serão colegas de trabalho um do outro na mesma empresa. Além disso, há pelo menos 3 canais de TV do governo. Dois deles só pela TV a cabo. Dentre os canais abertos, canal 1, do governo, canal 2, canal 10 e um canal em russo. E ainda todos os canais em árabe que (dificilmente) se pode sintonizar do Egito, Jordânia, Síria e Líbano. Isso significa que quase qualquer família de classe remediada para cima tem TV a cabo, que viver de 3 canais abertos (fora o canal em russo) não é mole. E ‘microdemocracia’ é envolvida aí também, pois são apenas dois fornecedores de serviços de TV a cabo e satélite. E um deles é de parcial propriedade da estatal (e até pouco tempo monopólio) de telefones fixos em Israel.
Confusão? Não é nem o começo para um país que desenvolveu tanta tecnologia de telecomunicações, internet e eletrônica para o mundo inteiro.
Cada jornal ergue uma bandeira. Um é direitista, outro populista e outro esquerdista. Fora os novos, menores e gratuitos, que a gente ainda não sabe para que time torcem. Todos são controlados por algumas poucas famílias. Quase todas essas famílias donas de outras empresas e conglomerados. E o diacho é que a imprensa aqui ainda consegue ser muitíssimo melhor do que a maioria da imprensa que eu conheço por aí. Neutra? Nem um pouco. Mas tem suas visões absolutamente claras, e fica fácil entender por qual filtro o jornal enxerga a realidade. É um país obcecado por atualidades. A cada hora cheia todas as rádios transmitem um pequeno noticiário de uns 3 a 5 minutos. É quase impossível não saber o que está acontecendo.
Quando há um atentado, 5 minutos depois a história toda já está digerida, e só não é reportada em sua totalidade porque a Justiça não permite a divulgação de nomes das vítimas até que os parentes próximos sejam avisados oficialmente. Quando uma tragédia dessas acontece, no mesmo dia, na edição principal dos noticiários a história das vítimas é contada, incluindo foto dados relevantes e irrelevantes. Cada um passa a conhecer os mortos, os feridos, as famílias. É, como se diria em português, levar para o lado pessoal. Mesmo. Nos últimos tempos a imprensa decidiu (conscientemente?) fazer o mesmo com as vítimas do trânsito. Aqui morrem por ano uma média de 500 pessoas em acidentes. É bem mais do que morrem em conflitos armados.
Uma das coisas mais impressionantes a respeito de Israel é como pode um país tão pequeno ter cantos tão diametralmente opostos distantes de poucas centenas de quilômetros. Jerusalém é diferente de Tel-Aviv até no cheiro. Em Tel-Aviv se encontra de tudo, até falafel orgânico eu já vi. Em Jerusalém não se encontra nada. A não ser que você tenha um excelente guia ou GPS no carro. Quando você sabe onde está, não têm idéia de como chegar onde quer. Quando sabe onde fica o destino, não consegue descobrir onde está. Quando sabe o caminho, este estará invariavelmente em obras e o motorista terá que dar uma volta tão grande que acaba se perdendo – de novo. Pelo menos pode-se, no caminho (de sabe-se lá onde para qualquer lugar) aproveitar a vista, que de quase todos os pontos é maravilhosa. São montes e vales cobertos por cedros aqui e acolá, pedras e pedregulhos, casas e edifícios todos, por lei, de pedras da mesma cor.
A cidade velha é história à parte. Literalmente. Lá, ao contrário do resto da cidade em que não se encontra absolutamente nada, se encontra praticamente de tudo – menos, é claro, o destino onde se quer chegar. Encontra-se de tudo mas, é claro, Made in China. Se quiser o original tem que procurar em outro lugar. Não na cidade velha. Lá, surpresa, velharia. Uns 3, 4.000 anos de história. Cada canto se descobre que aconteceu alguma coisa interessante. Bem, em 4.000 anos de história, não duvido que dê tempo de acontecer tanto em cada canto.
Já em Beer-Sheva não acontece nada. Nunca. E se esse texto fosse um guia turístico e não um folhetim de curiosidades estrangeiras, eu seria imediatamente apedrejado em praça pública por escrever tão pouco sobre Jerusalém e sequer tocar no assunto Beer-Sheva. Só que Jerusalém eu conheço muito pouco, e sinceramente, de tanto que Jerusalém já foi cantada em prosa e verso por melhores e maiores e mais aptos que eu, me sinto mais a vontade de escrever sobre um lugar em que qualquer absurdo que eu escrever, é passível de assim ter acontecido. E em Beer-Sheva realmente não acontece nada, mas qualquer coisa poderia acontecer. E quanto mais absurdo, mais provável.
E bem, Beer-Sheva não é nem norte do Neguev, nem sul. Fica lá, no meio, no meio de uns montes baixinhos, carecas e amarelados. E Beer-Sheva consegue ser tão feia quanto o vale onde está incrustada. Vivi lá por alguns anos por conta da universidade, que é fantástica. Quando não chove, e isso é quase o ano todo, a cidade fica toda coberta por uma camada de poeira, o que dá o tom meio amarelado a tudo que fica sobre aquele solo.
O Neguev, região sul de Israel é assim: o norte do Neguev é lindo. Todo artificialmente irrigado, cheio de campos. Na época das colheitas, quando o trigo é colocado em fardos pelos campos, dá a impressão de que estamos no meio de um passeio por uma plantação de cubos. As cidades pequenas, moshavim, kibutzim são lindos. As cidades grandes são feias e pobres. As estradas são boas e os motoristas seguem sendo uma porcaria. Já o sul do Neguev é deserto. Deserto montanhoso. É maravilhoso. São crateras como a de Mitzpe Ramon, facilmente confundível com um cânion de Marte. E Eilat, até para quem não mergulha é uma coisa impressionante. Depois de dirigir horas por um cenário de outro planeta, chega-se no cume de uma montanha, e de repente, quando se começa a descer, lá embaixo, entre montanhas gigantescas da Jordânia, se vê um mar de um azul que não é Marte, é Netuno.
No sul do Brasil, a preocupação de quem vê a previsão do tempo, são as massas de ar frio que vem da Argentina e trazem chuva e frio. Em Beer-Sheva, a preocupação é um negócio chamado Hamsin (em árabe) ou Sharav (em hebraico). É quando uma massa de ar vem direto do Sahara para dentro de casa. E traz consigo umidade quase zero, uma quantidade gigantesca de poeira e um calor de forno de padaria. O céu fica amarelo e tudo que é metálico dá choque. E a vontade de viver desaparece. Hamsin quando vem, cobre o país inteiro (o que não é tão difícil, dadas as dimensões). Mas em Beer-Sheva ele é bem pior. Certa vez, o céu ficou completamente vermelho. No meio do dia.
Foi um dos fenômenos meteorológicos mais estranhos que eu já presenciei. Hamsim às vezes termina com chuva. As massas úmidas e frias encontram ar quente e precipitam. As gotículas vão juntando partículas de poeira e chegam ao chão como lama. Isso mesmo. Chuva de lama. Das coisas mais nojentas que eu já conheci.
Contei como é quando não chove. Quando chove vira um pudim de lama. (Toda aquela poeira se junta com a água que escorre deficientemente e vira aquela coisa suja que cobre a cidade inteira). É uma cidade que cresceu tanto com a vinda dos imigrantes russos em 90 (da mesma maneira que aconteceu na imigração do Marrocos nos anos 50) que meio que inchou para todos os lados. Perto dos predinhos feios e caídos dos anos 50, surgiram edifícios estilosos, de arquitetura duvidável, por toda parte. E ao contrário de outras metrópoles, não há trânsito. Como é típico de Beer-Sheva, é por um erro de planejamento. As avenidas foram planejadas para terem enormes canteiros, gramados e árvores entre as pistas. Só esqueceram que não há água em Beer-Sheva. E assim as avenidas tomaram o lugar desses espaços.
Certa vez, estava comendo uma porcaria de um hambúrguer perto de casa numa lanchonete chinfrim. Fiquei escutando a conversa de uns estudantes que comiam a mesma porcaria que eu. Entrou um vendedor ambulante carregando nos ombros um monte de sacos de produtos made in Sei-lá-Onde. Os estudantes que me pareciam aborrecidos de qualquer maneira gostaram da novidade e imediatamente começaram a se interessar pela mercadoria. Um orgão eletrônico chamou atenção ‘Conecta na eletricidade?’, ‘toca quantos instrumentos?’ e assim por diante. Até que alguém perguntou: ‘O senhor é de onde?’. Ele respondeu o nome de uma vila palestina na região do Shomron. Um dos rapazes sorriu e eu não acreditei no que ele respondeu: ‘Puxa! Eu servi no exército por la!’. ‘É mesmo?’ ‘É! Sério! Você conhece a família Sharif no fim da rua principal?’ e o palestino responde: ‘Claro! Rahni é grande amigo meu.’ ‘Puxa! Mande um abraço para ele.’
Era tão surrealista que depois que tudo acabou e eles dois só faltavam se abraçar e trocar telefones, fiquei pensando em como faz falta um gravador às vezes.
130 Comentários até agora ↓
1 Lise // 20/December/2007 às 6:20
Superlegal, Gabriel. Eu tenho um amigo de Tel-Aviv, e ele descreveu a cidade exatamente assim. E o que tu dizes, sobre a liberdade de expressão, é quase chocante, mesmo para padrões ocidentais, que dirá para Oriente Médio. O que é meio louco quando se considera que a) a gente tá falando de Israel, o estado do cidadão militar, e b) quando o judeu decide ser conservador, é conservador até o último cacho de cabelos. Meu amigo é gay, e me mandou alguns clips de publicidade e música gay incrivelmente ousé que dificilmente eu veria na França e sem dúvida NUNCA nos EUA. Como este: http://www.youtube.com/watch?v=QHyXMCTPpUA
ou http://www.youtube.com/watch?v=UFwYsz0-UEk
que é absolutamente lindo. Dá vontade de ser gay (e homem) para curtir as imagens.
Mas já que a gente perguntou também para o Anônimo da Pérsia, eu queria saber de ti: é fácil emigrar para Israel, mas é fácil ficar?? De todas as pessoas que fazem a aliyah para Israel, quem fica? quem não se adapta? quem fica alguns anos e depois foge? o que faz a diferença? Porque é umtipo tão diferente de imigração…
2 André Pessoa // 20/December/2007 às 6:21
Uma referência que eu tenho da vida cotidiana em Israel são os filmes do Eytan Fox. Um detalhe que ele conta é a onipresença dos soldados em todo lugar. Mas essa presença não é sufocante ou aterrorizante. Os soldados parecem jovens como quaisquer outros (até pela obrigatoriedade do serviço militar para todos), e até mesmo as relações de hierarquia dentro do exército israelense parecem bem mais relaxadas do que de costume em outros lugares.
3 Lise // 20/December/2007 às 6:21
Só para dizer para a Confetti que eu cheguei primeiro, mas meu post está aguardando aprovação da moderação. :)
4 Pax // 20/December/2007 às 7:28
Gabriel, parabéns cara, você conseguiu me colocar dentro do caos do trânsito de Tel Aviv, me fez ir pra praia ver os fraldões, me perder em Jerusalem e tomar um banho de chuva de lama em Beer-Sheva.
E ainda curti passear com a Preta na praça.
Comecei bem o dia. Obrigado.
5 Darwinista // 20/December/2007 às 8:03
Gabriel,
Muito bom seu texto.
PD,
“O mundo visto pelos leitores” foi uma idéia brilhante. Parabéns.
6 Nat // 20/December/2007 às 8:08
O dia aqui acordou cinzento e agora depois de ler isso ele vai ficar amarelado.
Lindo.
7 Leila Ferreira // 20/December/2007 às 8:26
Caramba, como a gente não sabe nada de lugar nenhum…
Queria escrever uma porção de coisas sobre o texto mas, sei lá, me bateu uma vontade de chorar.
Obrigada Gabriel, e muito obrigada PD, por dividir conosco esses textos pérolas naturais.
8 Gwyn // 20/December/2007 às 8:32
Gabriel,
Que experiencia incrivel conhecer um pouco da sua realidade. Viajei por Israel nessa manha de quinta, cinzenta e tao fria (-2C)
Alem de muitas informacoes interessantes aprendi, que diferente daqui, normalmente cinza, o ceu ai se tingi de vermelho..
PD, estou adorando essas viagens as quintas!!
9 Ana Lígia // 20/December/2007 às 8:40
Adorei o relato.
Eme emocionei com o caso da lanchonete… me fez lembrar o do metro de NY. Eles não precisam se odiar.
10 Rachel // 20/December/2007 às 8:49
Nem sei a quem agradeço primeiro, se a Gabriel ou a PD.
O texto está fantástico. Despertou minha vontade de conhecer Israel… agora!
11 Pax // 20/December/2007 às 8:55
Gabriel tem um que de Garcia Marques. Faz a gente entrar no texto. Por isso a galera tá adorando.
Guri bão tchê.
Sempre aparece por aqui ponderado, educado, inteligente.
Nem vou dar mais parabéns pra ele, nem pro carioca Pedro Doria, mas sim para os pais dele. Educaram um cara para o bem. Ainda bem.
12 Pax // 20/December/2007 às 8:58
Ah, esqueci, me fez andar de bike de novo. Fazia tempos que não dava um rolê de bike pela cidade. E costurando de lá pra cá. Toma cuidado aí tchê. Usa capacete pô.
13 Pax // 20/December/2007 às 9:01
Ops, tem mais textos dele pra ler…
http://desoriente.blogspot.com/
14 Ricardo Cabral // 20/December/2007 às 9:05
Gabriel, não faltou gravador nenhum, o seu relato é quase um documentário!
PD, essa série foi um achado. Parabéns!!
15 Pax // 20/December/2007 às 9:15
É, a confetti vai se apaixonar mais uma vez. Êta coração grandioso que essa moça tem.
Ainda bem que sou liberal nessas relações de amores virtuais.
16 Fred Schmidt // 20/December/2007 às 9:19
Rapaz….
Comecei a dar uma lidinha, na pressa de ir para Pitangui e não consegui parar de ler,
Aí, comecei a pensar…
Porque essa briga toda ?
Será que Deus realmente determinou a salvação para uma raça ssó?
Ou foi algum Bush da época que se aproveitou para estabelecer uma preferência e naturalmente uma vantagem?
Porque Deus mandou um filho para morrer cruxificado para salvar todos os povos e não só um.
Ou Jesus não é seu filho?
Viche … que tem um cacete baixando no meu cangote, me mandando dirigir o carro para Pitangui.
Fui.
Acho que essa clínica do Dr Nóia não adianta nadinha….
Beijos….
17 HRP Mané Reloaded // 20/December/2007 às 9:27
Pra variar….hummmmmm Israel de novo?
18 Esprit de porc // 20/December/2007 às 9:40
Gabriel, parabéns. Belo texto.
Se você me permite uma pergunta boba: você já falou sobre o trânsito caótico de Tel Aviv. Como é o transporte coletivo por lá? Ao menos é eficiente?
19 HRP Mané Reloaded // 20/December/2007 às 10:08
Pequena dúvida quanto ao relato….05 horas para chegar em algum lugar dentro de Israel?
Deve ser a estrada , ou mais sinuosa do mundo ou a mais esburacada!
EEEEEEE…..Tem que estar muito “atrazado”!
20 Alba // 20/December/2007 às 10:15
Parabéns, Gabriel e PD!
Belo texto, muito fluido e agradável à leitura.
Ao menos no momento, gostaria de me juntar à Lise pra saber mais sobre a imigração.
21 Gerson B // 20/December/2007 às 10:15
Ruas da década de 20? Uma curiosidade: quem construiu Tel Aviv? Que povo? Quem vivia ai?
22 Rachel // 20/December/2007 às 10:25
AAAAAAAAAAAAAAAAFFFFF.
Que raio de pergunta é essa, Gerson?
23 Mr X // 20/December/2007 às 10:30
Bacana o texto! Parabéns.
24 Luiz // 20/December/2007 às 10:30
Excelente texto, Gabriel. Como alguém disse antes, imersão total.
Só uma curiosidade que faltou você saciar: Haifa.
25 Gerson B // 20/December/2007 às 10:36
Rachel, queria saber. Pra saber quem tem razão na briga dos povos. Não sei quase nada do antes da criação do Estado de Israel. Quanto mais informações melhor pra formar meus conceitos.
26 Pax // 20/December/2007 às 10:49
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tel_Aviv
Ver em História.
27 Gerson B // 20/December/2007 às 11:00
Obrigado Pax. A coisa é realmente complicada.
28 Pedro Doria // 20/December/2007 às 11:02
Gerson B: Tel Aviv foi fundada em 1909, por judeus, próximo a Jaffa. Hoje são ambas uma cidade só.
Jaffa é antiquíssima – antiga o suficiente para ninguém saber exatamente quem a fundou. Diz o mito que foi conquistada pelo rei Davi. Na virada do século 19 para o 20, era habitada tanto por judeus quanto por árabes. Mas uma série de pogroms, perseguições pesadas mesmo, gente botando fogo em casas e todo o mais, expulsou os judeus de lá. Daí a razão de se fundar Tel Aviv, que ficou tão grande ao longo do século 20 que acabou engolindo a antiga Jaffa.
Não custa lembrar, sempre houve judeus morando nas terras de Israel – é uma história de milênios. E sempre houve árabes, também. Não que fosse mérito para um ou para outro, a região que hoje chamamos de Israel + Palestina tem terra de má qualidade (foi preciso muita tecnologia para plantar nela), pouca água e nenhum petróleo. É onde viviam as pessoas mais pobres do Oriente Médio. Seu maior atrativo, e daí a existência de cidades como Jaffa desde a antiguidade, é o porto, para escoar produtos do Oriente para o Ocidente.
29 Mari // 20/December/2007 às 11:16
Pedro, Obrigada. Você merece o céu por ter aberto esse espaço e congratulações por atrair pessoas com essa capacidade maravilhosa de expor-nos o mundo.
Gabriel, sinto inveja de vc, não se preocupe, inveja branca :). Mas realmente vc me fez ter vontade de estar nos lugares em que vc esteve. Vc me fez amar Tel Aviv. Obrigado por me proporcionar esse momento.
30 Mr X // 20/December/2007 às 11:28
Bacana!
31 Gerson B // 20/December/2007 às 11:40
Valeu, Pedro Dória. Pelo visto os árabes não são tããão apenas vítimas como dizem. Ô historinha complicada essa.
32 proftel // 20/December/2007 às 11:46
Taí, o texto mostra um prisma que foge do “blá blá blá” comum sobre Israel, na maioria das vezes uma visão pró EUA ou pró Palestina.
Gostei muito mesmo.
Parabéns prôs dois.
:-)
33 proftel // 20/December/2007 às 11:47
obs: o “pró EUA” é no sentido da visão do judeu norte-americano, é o que a gente vê (ou lê) na maioria das vezes.
34 Pedro Doria // 20/December/2007 às 11:50
Gerson B: acho que, nessa história, não há inocentes…
35 Eduardo // 20/December/2007 às 11:58
Foi mesmo muito boa essa idéia do Pedro Dória.
O texto do Gabriel é maravilhoso, nas primeiras frases eu já estava viajando por Israel.
O mais surpreendente é que chove barro. Bom, eu não deveria estar surpreso, já que moro onde chove balas de fuzil.
36 Moisés // 20/December/2007 às 12:43
Pedro Dória,
Essa história de “pogroms” (outra palavra mágica para justificar a colonização da palestina pelos sionistas) é o ponto de vista de um dos lados, apenas. Procure saber um pouco mais do lado palestino. Se isso você chama de pogrom, que nome você daria para as centenas de aldeias palestinas arrasadas pelos sionistas?
“Não custa lembrar, sempre houve judeus morando nas terras de Israel – é uma história de milênios. E sempre houve árabes, também.” Ora, ora… quem lê o seu texto pode pensar que os judeus eram maioria, ou, no mínimo, que eram em igual número aos árabes!! A verdade é que antes da “fundação” de Israel, os árabes eram maioria!!! Por que você omitiu essa informação? Por que você não disse que os judeus nativos não tinham nada a ver com os sionistas europeus? Por que você não disse que os judeus nativos da palestina viviam muito com os árabes, antes da chegada dos sionistas?
Essa lenga, lenga de que os judeus transformaram as terras da região em terras férteis é uma meia verdade. Sempre existiram terras férteis na Palestina. Os sionistas quando conquistavam as vilas e cidades palestinas arrasavam com tudo, destruíam casas e todas as plantações (oliveiras, laranjais e etc), com a clara intenção de apagar a memória cultural daquele povo, para justificar a mentira da “uma terra sem povo, para um povo sem terra”.
Se você acha que nessa história não há inocentes, acho que você precisa urgentemente atualizar a sua literatura sobre esse tema (Uri Avneri, Ilan Pappe, Ralph Shoenman, Edward Said, sites sobre a Nakba e etc.)
37 Ricardo Cabral // 20/December/2007 às 12:55
Moisés, é curioso como no teu texto você enxerga má-fé em tudo. Cara, é uma descrição de alguém que mora lá, ponto. Não pretende ser uma análise sócio-histórico-política da região, nem uma apologia de Israel. Menos, rapaz, menos!!
Aliás, seria bacana se você escrevesse um texto com as suas experiências pessoais da região. Seria bastante bem-vindo, até porque olhar por meio de olhos que não são nossos é um exercício dos melhores!
38 Moisés // 20/December/2007 às 13:37
Ricardo Cabral,
O meu comentário não se refere ao texto bucólico do Gabriel, mas sim aos comentários 28 e 34 do Pedro Dória.
Quando tiver mais tempo, prometo que escrevo um texto sobre a situação calamitosa em que vivem os palestinos de Gaza e Cisjordânia, expulsos de sua terra natal, nos idos de 1948, para acomodar o projeto sionista.
Se você acha interessante olhar tal questão por outros olhos, fontes é que não faltam. Vou te recomendar um livro muito bom: “A Guerra da Palestina” André Gattaz - Usina do Livro. Quer outro, escrito por um judeu? The Hidden History of Zionism de Ralph Schoenman (esse você acha na internet de graça, mas em inglês). Tem, também, um livro escrito por um judeu brasileiro: “O apartheid de Israel” de Nathaniel Braia. Apenas por curiosidade, Ricardo, dê uma espiadinha nesse texto escrito pelo próprio Nathaniel, onde ele relata um episódio interessante que lhe ocorreu, por causa desse livro. http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2002/06/28562.shtml.
39 Moisés // 20/December/2007 às 13:40
Ricardo,
Desculpe pela falha, o link que recomendei veio com ponto final. O correto é:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2002/06/28562.shtml
40 Ricardo Cabral // 20/December/2007 às 13:52
Vou ler, Moisés, mas se não fazia sequer menção ao texto do Gabriel, tampouco vi razão para essa sua resposta (# 36) aos ditos comentários do Pedro Doria, como se houvesse — e aqui me repito — má-fé no que ele disse, ou alguma tentativa de aliviar a barra de um dos lados dessa equação que você trouxe a balia. Aproveito para esclarecer que não sou judeu, muçulmano, israelense ou palestino, e nem conheço o PD pessoalmente. Ah, também ão sou advogado!
41 Ricardo Cabral // 20/December/2007 às 13:53
“… também NÃO sou…”
42 Pedro Doria // 20/December/2007 às 13:53
Moisés: eu tento não ver a coisa de forma maniqueísta. Acho que 1948 foi uma tragédia, um desastre, e não pela fundação de Israel, mas sim pela não fundação da Palestina. Por quê não foi fundada? Putz… há vilões dos dois lados. Então, enfim, se vc prefere ver a questão apenas por uma ótica, tudo bem. Enquanto muita gente for assim – e a maioria, em ambos os lados, ainda é – não haverá paz.
Empatia, cara. A capacidade de se colocar no papel do outro. Esta é a saída.
Eu não disse que havia mais judeus do que árabes. Disse que havia ambos. E estava respondendo ao porquê de Tel Aviv ter sido fundada e quando. É uma cidade judaica, a história envolve judeus que foram expulsos de forma violenta de onde moravam. Também aconteceu com árabes em outros lugares. Mas estes são outros lugares, não Tel Aviv.
A decisão da ONU criava dois países, não expulsava ninguém de sua casa. Haveria judeus morando no país árabe e árabes no país judeu. E, certamente, muita gente disposta a se mudar para morar numa nova casa em seu próprio país. A fronteira é artificial? Bicho, todas as fronteiras da região são artificiais. Parte do que está acontecendo no Iraque, agora, é disputa por quem é ‘dono da terra’ entre xiitas de origem árabe, xiitas de origem persa, sunitas árabes, sunitas curdos. Líbano e Síria persistem em conflito a respeito de quais são as reais fronteiras e áreas de influência. Os hashemitas, reis da Jordânia, se quisessem comprar uma briga podem cobrar o comando da Arábia Saudita hoje, posto que eram suas terras, sobre sua guarda, desde quase o tempo de Maomé, só encerrada pelos britânicos, no século 20. Apenas os hashemitas não querem essa briga. (Uma pena, acho que ia ser um lugar muito mais civilizado se eles comandassem Meca e Medina.) Você acha que a confusão de fronteiras é apenas no Oriente Médio? Putz, não vamos falar de Afeganistão, de Paquistão, de Índia. Alguém falou de África aí?
Judeus eram minoria? Eram. Por isso seu Estado não era contínuo enquanto a Palestina era, na decisão da ONU. Minoria não tem direito a sua nação? Diga isso aos curdos turcos/iranianos/sírios/iraquianos. Ou diga aos hazaras afegãos. Aos turcomenos em tantos países. Aos caxemires, entre China, Paquistão e Índia. Quem tem direito a país e quem não tem? A Palestina enquanto país independente de árabes palestinos não existia. Jamais existiu. Israel existiu, deixou de existir faz muito tempo. Em 1948, ambos poderiam ter passado à existência.
Não aconteceu porque teve gente que quis ser mais esperta.
(E, confesso, isso por certo não é sua culpa… mas me sinto sempre um pouco aflito quando leio pancadas tão intransigentes contra Israel ditas por um Moisés.)
43 faraó // 20/December/2007 às 13:57
Gabriel e PD, parabéns a voces.
A idéia do PD está revelando frutos de rara beleza e emoção.
Antes eu arrumava uns minutinhos todos os dias pra passar pelo site, agora já são necessários uns 10 minutos. Isso está ficando cada vez melhor.
A beleza do relato, a riqueza das nuances provoca em todos uma alegria que se reflete nos comentários gerais. (bem, em quase todos).
44 Gerson B // 20/December/2007 às 13:58
Moises, você é judeu?
Legal esse texto do teu link. E o texto de Tel Aviv tambem.
Acho que Israel e os judeus sempre terão algum conflito entre uma visão religiosa e o mundo moderno. Qualquer visão estática do mundo traz problemas.
Mas o fato de existirem judeus dentro e fora de Israel que questionam a violência do próprio govêrno é um ponto positivo.
45 RW in Miami // 20/December/2007 às 13:59
Gabriel,
Parabens ! Estive ai no ano passado, e seu texto me deu uma vontade de pegar um aviao e voltar prai agora mesmo !
Uma experiencia pessoal - apesar de todas as armas, nunca me senti tao seguro na minha vida como em Israel. Tipo… voltando pro hotel as 3 da manha numa rua deserta, so’ eu, a argentina e os gatos vadios na rua, e certo de que nada me iria acontecer. Pra quem cresceu no Rio, uma experiencia surreal…
Btw, Gabe, porque tem tanto gato de rua em Tel Aviv ?
46 Moisés // 20/December/2007 às 15:15
Pedro Dória,
A fundação de Israel só aconteceu porque a população palestina, maioria naquela região (Israel) foi expulsa violentamente pelos sionistas. Eles não poderiam fundar um estado judeu onde a maioria era árabe.
Procure se informar melhor sobre essa decisão da ONU de criar dois estados. A história é outra, cara!
É claro que a ONU não decidiu expulsar ninguém de suas casas. Você está confundindo tudo. Vou repetir o que afirmei no primeiro parágrafo: os 750 mil palestinos que habitavam onde hoje é Israel foram brutalmente expulsos de suas terras pelos sionistas. Apenas para ilustrar essa discussão. Você já deve ter assistido ao documentário “Promessas de Um novo Mundo”, não é?! Pois bem, uma das crianças entrevistadas, por sinal, um menino judeu ortodoxo, afirmou, por duas vezes, que ele dava razão à revolta dos palestinos, pelo fato deles terem sido expulsos de sua terra natal, quando da fundação de Israel!! Se você não assistiu, assista que vale à pena!!
Pedro Dória!! Para com isso!!! Problemas de fronteira tem em todo lugar, eu sei muito bem. Só que o problema da palestina tem uma peculiaridade: Os nativos de lá tiveram que debandar para dar lugar aos judeus que vinham da Europa!!! É um colonialismo sui generis. Os nativos não foram explorados, foram expatriados!!! Você sabe muito bem disso!!
“Minoria não tem direito a sua nação…” Quem falou isso???!!! Eu é que não fui!! A minoria de judeus que vivia na Palestina, no início da colonização sionista, não estava nem aí para a criação de um lar para os judeus (na verdade, um lar para abrigar os judeus da europa oriental). Aquela minoria era nativa e vivia muito bem com os árabes. Quanto ao direito de se criar um lar nacional para qualquer povo que seja, concordo sim, só não concordo que para se fazer isso, todo um povo tenha que abandonar a sua terra natal para dar lugar a outro, por mais que este último tenha sofrido no decorrer da história.
Israel existiu como um reino há mais de dois mil anos!!! Nunca foi um país. A palestina também nunca existiu como país. Mas existiu enquanto uma região que foi dominada por vários povos. Fez parte do Império Romano, Bizantino e àrabe. A partir daí é que começou a se desenvolver uma identidade do povo nativo com aquela região, cristãos, muçulmanos e judeus, apesar de suas crenças, partilhavam a mesma cultura.
Disseste bem: empatia. Eu sempre me coloquei no lugar dos judeus, principalmente daqueles que sofreram com o nazismo. Acho que falta a você se colocar, também, no lugar dos Palestinos.
Pedro Dória, o Moisés também deu umas pancadas, há, mais ou menos, 2500 anos, ao se revoltar contra o seu próprio povo, quebrando suas famosas tábuas!!
PS: Para que ninguém aqui pense que eu tenho alguma coisa contra os judeus, acho, sinceramente, que a melhor solução para o conflito seria a convivência pacífica entre árabes e judeus, num mesmo lar, onde todos teriam os mesmos direitos (de verdade, e não de mentirinha, como acontece lá dentro de Israel).
47 athalyba // 20/December/2007 às 15:21
Puxa vida, desculpem a formatação porca …
48 athalyba // 20/December/2007 às 15:25
Amei o texto do Gabriel, elogioso sem ser parcial, simpático sem ser engraçadinho, e detalhado sem nenhuma obcessão. Tangenciou a questão política com muita leveza e deu um tempero muito legal pra texto.
Show !!!
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Agora, que o sr. Pedro Doria vacilou muuuuito feiona frase “na virada do século 19 para o 20, era habitada tanto por judeus quanto por árabes. Mas uma série de pogroms, perseguições pesadas mesmo, gente botando fogo em casas e todo o mais, expulsou os judeus de lá.”
A impressão é que o uso da palavra progrom nos lembra política de estado … Desterro … Exproriações …
Hey !!!
Quem fez (faz) foi(é) Israel !!!
Pedro, vc nem deixou um link com esses tais progroms, nem qualquer indicação que quem os conduziu. Pode me responder quem ??? Quando aconteceram essas expulsões e o quadro em que elas aconteceram ??? Foram as grandes revoltas de 1920 ??? Acho que elas tem uma explicação histórica e social …
Outra pisada sua fenomenal foi na concatenação dessas duas frases:
A decisão da ONU criava dois países, não expulsava ninguém de sua casa.
e
Judeus eram minoria? Eram. Por isso seu Estado não era contínuo enquanto a Palestina era, na decisão da ONU. Minoria não tem direito a sua nação ???
Pedro, é fato que foi apresentadas juntas a proposta de dois estados e uma proposta de criação de um estado binacional, que tinha chances fortíssimas de ser aprovada. Então, a minoria teve seus desejos enfiados goela abaixo da maioria, nesse caso.
Talvez você possa nos ajudar a\dizer, á luz do detalhe acima exposto, quem foi a “gente esperta” que vc cita sem nominar na sua última frase …
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De mais a mais, esse seu espaço de weblog é muito confortável e é um prazer estar aqui… Onde fica a geladeria ???
(rs)
Brigadão.
(fiz uma pequena edição no texto *rs)
49 athalyba // 20/December/2007 às 15:26
( e eu reviso muito mal *+rs)
50 Pedro Doria // 20/December/2007 às 15:27
Moisés: acho que não vamos chegar muito longe, tudo bem. Houve palestinos expulsos? Houve. Também houve aqueles que saíram para permitir a entrada da ofensiva árabe que expulsaria os judeus. E houve os que ficaram e ganharam cidadania. Vc decidiu ler uma história barbaramente complexa de forma maniqueísta: os judeus vieram da Europa, puseram os palestinos inocentes para fora e pronto.
A narrativa é perfeita, claro: há um vilão e um injustiçado. Só que é qualquer narrativa neste formato é mítica, não histórica.
A solução que vc sugere, um Estado, duas nações, é rejeitada por praticamente todo mundo na região. Não é à toa que a ONU decidiu por não seguí-la. Daria errado um Estado que reunisse ambos os grupos. Israel é um país europeizado que se sustenta numa democracia liberal. Boa parte dos palestinos vêm de outra cultura, tribal, exigiria outra forma de governo, outra cultura de administração.
Além do quê, comeriam um o fígado do outro no primeiro debate parlamentar. Dois Estados, Jerusalém partilhada, é a melhor solução ainda…
51 RW in Miami // 20/December/2007 às 15:29
Athalyba,
http://en.wikipedia.org/wiki/Jaffa_riots
52 Pedro Doria // 20/December/2007 às 15:45
athalyba, houve pogroms de árabes contra judeus, expulsando-os de suas casas, não só em Jaffa, mas também em Hebron e Jerusalém, durante todos os anos 20. Política de Estado? Não exatamente, porque tratava-se de um protetorado britânico. Mas certamente política árabe, já que o mufti de Jerusalém, tio de Yasser Arafat, os incentivava.
Não estou dizendo que não houve árabes expulsos. Houve. Também houve uma guerra, na qual Israel mal fundado foi invadido por árabes. Se os vizinhos árabes não tivessem invadido a região para levar tudo, a decisão votada pela ONU, da criação de duas nações, teria acontecido. Quando você põe uma guerra no meio, aí as regras mudam todas. Israel ganhou, os árabes perderam. Houve injustiças. Guerras são assim. Foi um erro de cálculo dos países árabes, que acharam que seria trivial esmagar os judeus e erraram; foi um erro de cálculo por parte dos palestinos, que acharam que ficar do lado de Egito, Transjordânia etc. era o melhor para eles. Não era.
A situação não se resolveu até hoje.
53 Gabriel // 20/December/2007 às 16:00
Algumas respostas!
Lise, a razao de algumas pessoas virem pra ca e conseguirem firar ou nao tem a ver (na minha modestissima opiniao) com dois fatores (tres, na verdade, que sorte sempre conta). O primeiro eh o motivo pelo qual a pessoa veio. O segundo fator sao as espectativas que a pessoa tinha quando chegou. Tem muita ilusao por ai, muita propaganda enganosa e muita gente que vem pra ca buscar o que ouviu falar ou imaginou, mas nao existe de verdade. E nao eh facil. Mesmo num pais feito de imigrantes. Israelense sabe ser um bicho bem dificil, e a vida aqui eh complicada as vezes. Entao se chega aqui, a realidade bate de cara com quem achou que ia ser mole e se a partir dai o sujeito nao tiver um excelente motivo para ficar, simplesmente vai embora. Dos jovens brasileiros, sao muito poucos os que acabam ficando.
Esprit de porc, o sistema de transporte publico aqui no centro de Israel eh bem precario. Mal planejado, mal estruturado e mal executado. O metro que so vai sair em 2013 ja esta no papel ha mais de 20 anos, e quando ficar pronto vai resolver coisa nenhuma, que o projeto ja ficou defasado. Entre as diferentes regioes o sistema tem melhorado um pouco nos ultimos anos. Tem trem pra quase todos os grandes centros e eh rasoavelmente confortavel.
Pax Muito obrigado! Vou mandar esse teu comentario para minha mae!!!! (PS: Uso capacete e luvas. O capacete, alias, eh obrigatorio ja faz uns meses).
Gerson B, acho que a pergunta foi muito bem respondida. Um acrescimo interessante que eu colocaria eh o fato de que muitos arquitetos e engenheiros da Alemanha terem vindo para ca nos anos 20 e 30. Alguns deles formados em Bauhaus e com muita experiencia. Tel-aviv hoje tem bairros inteiros tombados como patrimonio universal pela quantidade e qualidade desses exemplos. E sao lugares especiais mesmo.
Luiz eu so parei de escrever porque o texto tava ficando muito grande e eu tava ficando sem tempo tambem. Tem uma quantidade enorme de coisas que ficaram de fora, como o norte, Massada, os Druzos, a relacao com os arabes-israelenses, com os palestinos (no dia a dia, nao na politica) e afins. Haifa eh uma cidade que eh exatamente o oposto do Rio. Na planicie perto do mar eh um lixo, no alto do morro eh um luxo. Eu conheco pouco Haifa e ainda nao consegui decidir se eu gosto ou nao da cidade. Mas do alto do monte Carmel, eh uma coisa linda.
RW in Miami Excelente pergunta! Nao eh so em Tel-Aviv. Eh em Israel inteiro. A resposta eh um caso tipico de falta de politica decente. Nao era assim. Nao haviam tantos gatos. Portanto nao era um problema serio. Portanto nao era uma preocupacao do governo nem do min. da agricultura. So que gatos costumam se reproduzir… acho que a gente aprende isso na 2a serie, ne? Pois eh… Enfim, agora que o problema ta comecando a ficar serio, a solucao (castramento) fica muito cara, e esta empacada. Sei disso porque justamente neste final de semana teve uma reportagem tentando responder exatamente a essa pergunta.
Moises Eu so acho uma enorme pena que tenha gente demais em ambos os lados que tenham uma visao tao restrita, causologica e maniqueista como a que voce expoem aqui. Alguns, como voce, tem uma fantastica capassidade de, sem mentir nem adulterar fatos, mostrar o quanto seu lado esta correto e o outro errado. E nao apresentar absolutamente nenhuma solucao pratica… Nem fazer nada por uma saida decente da situacao de agora. Tanto para Israelenses como para Palestinos esse posicionamento nao eh so errado. Eh perigoso.
54 Nassau // 20/December/2007 às 16:01
RW,
Os ataques de homens bombas e de mísseis são episódios pontuais, extremamente raros, por isso não afetam a vida normal das pessoas, e quando acontecem têm repercursão mundial.
No Rio não temos muralhas, cercasde arame farpado “eletrizadas” e comboios militares cercando as favelas, as pessoas transitam livremente, tanto trabalhadores que são a imensa maioria, quanto bandidos. Eventualmente temos algumas experiências similares e o exército vai para as ruas, e todos também acham que o Rio vira uma cidade maravilhosa.
abs.
55 athalyba // 20/December/2007 às 16:22
Pedro, vamos nos tentar ater aos acontecimentos de 1920, que é o que em tivou a escrever meu primeiro comentário, ok ??? Até podemos comentar depoooooois a fundação/guerra de 1948 e suas causas e consequências ( e tb o tio do Arafat), mas vamos focar nos tais “progroms” dos anos 20.
Vou aproveitar o link do RW in Miami pra situar melhor a cois toda. Realmente, em Jaffa, 1º de ,aio de 1920, a coisa ficou feia mas dá pra não dá pra dizer simplesmete “progons” pq (informações tiradas do link postado)
1) morreram mais ou menos a mesma quantidade de pessoas, as forças policiais acusadas de participar da zona toda contavam com árabes e judeus, que particaparam de represálias em ambas as comunidades (justiça seja feita, a mairoria do policiais eram árabes, mas a Hashomer tb deu uns trocos em alguns palestinos)
2) esse acontecimento está inserido na corrente de acontecimentos conhecida como Manifestações da Nebi Musa, que é o começo do fim do processo de erosão da confiança entre as etnias. Daí pra frente foi só ranger de dentes
3) EXISTE SIM um problema de origem do sionismo eqto cultura européia exógena. Tanto que os estopins foram os sionistas-europeus e suas paradas de Dia do Trabalho (o epíteto “progron” foi utilizado primeiramente por Chaim Weizmann” …. E essa frase Some Arabs defended Jews and granted them refuge in their homes; many witnesses identified their attackers and murderers as their neighbours. me faz chutar, me faz acreditar que os judeus ajudados nesses acotecimentos (e os de Hebron tb) NÃO foram os sionistas-europeus e sim os sefarditas/Mizrahi.
Pedro, não vou defender a extinção Israel e fazer um país bi-nacional nessa altura do campeonato. Mas era isso que tinha de ser feito, lá trás …
Agora ??? Sei lá, não me faça perguntas dificeis (rs)
56 athalyba // 20/December/2007 às 16:23
(tô apanhando da formatação, hoje …)
57 athalyba // 20/December/2007 às 16:37
Ps: Chaim Weizmann era um cara bem legal … Mas o fato dele ter usado a palavra “progron” não significa que isso seria a verdade.
E que fique registrado um coisa: as recomendações da Comissão Peel teriam economizado muita dor de cabeça a todos nós …
58 Nassau // 20/December/2007 às 16:52
Moisés,
Este nick seu realmente é provocativo com o conteúdo de seus comentários, mas Moisés é um profeta reverenciado tanto por judeus quanto por cristãos e muçulmanos, então ta valendo, e como você disse, ele também foi impiedoso com seu próprio povo em vários momentos, passou ao fio da espada, com os seus “super-poderes” deixou-os serem engolidos por fraturas de terremotos…
“Estou convencido” como diz o Lula em aceitar as suas justificativas anti-sionistas. No entanto, a m… ta feita, não dá pra voltar atrás, empurrar os judeus para o mar não me parece praticável, a esta altura do “campeonato” estado binacional seria o mesmo que juntar a torcida do Vasco e daquele outro timinho o flamengo no Maracanã em plena decisão, acho que ninguém quer isso. Então temos a opção de ignorar os palestinos de um lado, e de atormentar e infernizar a vida dos israelenses indefinidamente por outro. Ah, pode-se também procurar uma terceira via, e quem sabe não sairá deste weblog ;-)
Abs.
59 Clara // 20/December/2007 às 17:36
Gabriel, parabéns pelo texto interessante que li com muito prazer.
Apenas senti um pouco a falta(nada grave, por favor), de ler um pouco mais sobre o Galil, sobre as fronteiras de Israel, sobre o misticismo de Tsfat e sobre a “night”(como se diz no Rio) de Tel Aviv, que é muito animada. Talvez também, um pouco sobre o jeito sabra de ser, e como os israelenses podem discutir política(ou outra coisa) na rua, aos berros. Tipo: não é uma coisa incomum, ou não era, a não ser que tenha mudado.
Enfim, Gabriel, obrigada por esse texto. Valeu!
Mais uma vez, parabéns ao Pedro pela iniciativa.
60 Sami // 20/December/2007 às 17:42
Excelente texto Gabriel.
Parabens!
61 Moisés // 20/December/2007 às 17:49
O Pedro Dória vem falar do Mufti de Jerusalém!! Pásmem!! E ainda que era tio de Arafat!! Isso é piada. O Mufti não era tio de Arafat coisa nenhuma. O Mufti teve papel irrelevante. Logo após a segunda guerra ele caiu no esquecimento. Isso é propaganda de sionista de direita!!! Se bobear no próximo comentário ela vai dizer que o Mufti foi o responsável pelo holocausto, como alguns sionistas gostam de dizer. Você precisa ler o Uri Avneri, Pedro Dória!!
Isso mesmo, Israel é um país tão europeizado que herdou daquele continente a arrogância e o descaso para com os povos nativos conquistados.
É uma bela democracia feita exclusivamente para os seguidores do judaísmo. Essa democracia só não funciona muito bem com os palestinos que moram em Israel, cujos filhos são obrigados a estudar em escolas de segunda categoria. Essa democracia exemplar só não funciona muito bem (ou melhor, não funciona nada) para os palestinos que moram nas aldeias do sul de Israel que, simplesmente, não existem aos olhos das autoridades israelenses, são fantasmas!!!
Não sou maniqueísta, Pedro. Rotular é fácil. A história é essa!! Os palestinos foram expulsos, barbaramente, de sua terra natal!!! Grupos terroristas como o Haghaná, destruíram dezenas de vilas palestinas, com população e tudo. Muitos palestinos fugiram por medo de serem massacrados. Uns poucos ficaram, e hoje são cidadãos de segunda categoria (não pela lei, mas na prática).
Para o seu governo boa parte dos palestinos tem curso superior, gosta de democracia e não tem nada de tribal. O hamas ganhou a eleição na faixa de Gaza da forma mais democrática possível!!!
62 Luiber // 20/December/2007 às 17:52
Pergunto ao Gabriel, ou a algum colega comentarista que possa/queira me ajudar a compreender melhor a questão Israel/Palestina;
no final do belo texto, Gabriel cita um encontro num bar que, mesmo sem o gravador, emocionou muita gente por aqui, cansada de ver corpos dilacerados de ambos os lados na TV.
Muito bacana. Mas aí, mais adiante, o Moisés fala em uma tentativa de um Estado para as duas Nações. Nos comentários em seguida só faltaram chamar os enfermeiros com a camisa-de-força.
Será que sou só eu que vejo uma incompatibilidade entre as duas posições?
63 Moisés // 20/December/2007 às 18:04
Nassau,
É isso!! Também concordo que agora a única solução é o convívio entre os dois povos. Existem muitos judeus que reconhecem a verdadeira história de Israel e a injustiça impetrada aos palestinos. Infelizmente, muitos desses judeus (como no caso do link que postei) são boicotados pelas autoridades israelenses. Ilan Pappe, se não me engano, foi expulso da universidade onde lecionava. Eu só insisto nessa polêmica porque acho que a história não pode ser vista apenas de um lado. Cada vez mais (e, graças a internet) fatos relevantes sobre esse tema estão vindo à tona. Acho muito saudável. E isso não tem nada a ver com anti-semitismo. Justiça tem que ser feita.
Abs palestinos!!
Shalom, Salam, Paz, para todos;
Ou melhor:
Salom, Shalam, Baz!!!
64 Gabriel // 20/December/2007 às 18:21
Clara, te respondo da mesma maneira que respondi antes para o Luiz. Se seguisse escrevendo, era capaz do texto nao ficar pronto nunca. E longo demais pro Pedro postar (ou pra qualquer um ler…!). Quem sabe na proxima? De qualquer forma, sigo escrevendo quando posso em meu blog.
Luiber, o problema, e nao eh so aqui no Weblog, eh a estreiteza de visao que radicais costumam ter. Eu defino radical (pelo menos nesse caso) da seguinte forma: alguem que indica como culpado por tudo e responsavel por qualquer coisa unica e exclusivamente o outro lado. Em geral radicais nao dialogam. E em geral isso coincide com a crenca de que so a violencia resolvera algo. Inclusive violencia verbal, oral ou escrita, como se ve por aqui muitas vezes.
E infelizmente basta um unico radical de cada lado para fazer o esforco de centenas de pessoas se desfazer.
65 Nassau // 20/December/2007 às 18:40
Luiber,
Não sou especialista, como a maioria aqui não o é, também nunca convivi com israelenses, nem com palestinos. Mas como você pediu alguma opinião, vá lá o meu pitaco: O episódio da lanchonete foi algo meio que surrealístico para o próprio Gabriel que vive por lá.
O que eu acredito que aconteça mesmo é um grande sentimento de perda, injustiça e ressentimento por parte dos palestinos, e do lado israelense, um forte sentimento de justiça e de direito por terem recuperado o que perderam um dia, e por tudo o que sofreram seus antepassados lutarão com unhas de dentes pela terra a que se julgam merecedores. Portanto entre os dois povos prevalecem a desconfiança o medo e ressentimento, para falar pouco.
Abs.
66 Luiber // 20/December/2007 às 18:40
Gabriel - Aproveito o gancho e sua atenção para te perguntar. Na sua visão é possível o estado comum ? Ou vale a comparação com arquibancada comum Flamengo/Vasco que fizeram aí por cima?
67 Luiber // 20/December/2007 às 18:55
Nassau - Então eu é que interpretei errado. Não achei que o episódio da lanchonete tivesse sido visto como surrealístico. Fiquei com a sensação de que ele estava citando o episódio como um exemplo do que NORMALMENTE acontece por lá. E o mundo divulgasse de forma diferente, para acirrar os ânimos, talvez.
68 Nassau // 20/December/2007 às 19:07
Luiber,
O Gabriel vive lá e ficou espantado com a cena, lamentou não ter um gravador, então…
abs.
69 Nassau // 20/December/2007 às 19:16
Luiber,
Palestinos precisam viver, muitos dependem da economia de Israel, trabalham lá, precisam de alguma maneira ser gentis, principalmente se querem vender alguma coisa.
Isto me lembra a condição dos negros americanos antes do fim da segregação racial. Muitos trabalhavam como empregados domésticos, garçons em trens, enfim dependiam dos brancos, eu me lembro daquela cena do Malcon X em que ele sorria para um passageiro branco, mas no fundo queria derramar a bandeja bem na cara do branquelão.
Já a relação amistosa do ex soldado com famílias palestinas, é algo para mim inusitado, pelo muito pouco que eu conheço.
Abs.
70 Nassau // 20/December/2007 às 19:31
Moisés,
Por mais que alguém possa discordar de suas “colocações” no bom sentido, por favor, pelo menos para mim, é importante esta visão política e histórica do lado palestino, enriquece o debate, por outro lado quanto mais veemente o ataque ou o contra ataque, percebo que é difícil para o lado judaico, por mais descolado que pretenda ser, não reaja emocionalmente e tente “racionalizar” pró Israel, nem que seja um “pititinho”.
Um colega de trabalho judeu me disse que até mesmo no Brasil, conheceu algumas pessoas que separavam uma poupança em Israel temendo alguma perseguição. É uma síndrome que tem lá as suas razões, não é mesmo? Ali digo eu, finalmente seria o seu lar de refúgio. Este sentimento é verdadeiro, se isto realmente se consolida na história são outros departamentos, tudo é muito recente.
Mas o desejo de paz só será autentico e verdadeiro quando a vontade da paz vencer o medo, as desconfianças, os ressentimentos, as próprias razões históricas, o que parece bonito para se ler, mas para quem está envolvido até o pescoço neste imbróglio é uma tarefa de Hércules.
71 Moisés // 20/December/2007 às 20:09
Nassau,
A paz só vira se antes vier a justiça. Não adianta ficar falando de paz se não se move uma palha para que se faça justiça. E isso depende do governo de Israel. Eu, sinceramente, não tenho muitas esperanças. Não dá para confiar em uma palavra daqueles governantes, Nassau. Pergunte ao Uri Avneri o que ele acha disso tudo. As colônias na Cisjordânia crescem a cada dia. Como é que dá para levar adiante um processo de paz com essa política expansionista, Nassau?! Infelizmente a situação chegou a esse ponto. O que me revolta é o descaso da imprensa ocidental (EUA, principalmente). A nossa é uma vergonha!!!
Atente, por exemplo, para a colocação absurda do Pedro Dória no comentário #50. Ele diz “… A narrativa é perfeita, claro: há um vilão e um injustiçado. Só que é qualquer narrativa neste formato é mítica, não histórica.” Que asneira!! Quer dizer então que a narrativa do holocausto, segundo o Pedro Dória, é mítica, pois lá temos, claramente, um vilão (nazistas) e um injustiçado (judeus). Ou será que ele acha que os nazistas não eram os vilões e os judeus não foram injustiçados!!??
É isso Nassau, a nossa imprensa, infelizmente é ruim demais. Não estou querendo difamar ninguém, mas é uma imprensa mal informada, tacanha, que não tem conhecimento dos fatos (com raríssimas exceções, faça-se justiça).
Nassau, para finalizar, vou te dar uma dica de um documentário (feito por judeus) que mostra muito bem toda essa história: “Promessas de Um novo Mundo”. Lá um jornalista israelense promove um encontro entre crianças palestinas e israelenses, para discutirem a situação da região. É incrível!!! e emocionante!!
Abs
72 faraó // 20/December/2007 às 20:13
Moisés
O que me anima a escrever de modo mais civilizado para voce, é que no seu post #63, pela primeira vez senti que voce é uma pessoa e não um gravador insensível.
Entendo que voce tenha as suas opiniões fervorosamente contrárias ao sionismo e a Israel. As vezes voce me parece um anti-semita, mas talvez voce seja mesmo anti-sionista. Não importa.
O que quero dizer é que nada do que dissermos ou fizermos poderá mudar o passado e o que já está feito.
Motivos para lamentar temos até contra os nossos pais por injustiças cometidas na época em que não sabíamos nos expressar. Não é por isso que vamos passar o resto dos nossos dias carregando uma “mala sem alça”, vociferando e rogando pragas contra eles.
O passado passou. Todos erraram, cada um tentando acertar ao seu modo. Ambos os lados são causa e efeito dos seus atos, israelenses e palestinos pagam até hoje pelas decisões tomadas por seus antepassados.
A questão do Oriente Médio depende do que fizermos daqui para frente, do que dissermos, pensarmos e do que estamos dispostos a pagar.
Ressentimentos, heróis, covardes, vítimas, culpados e o escambau, existem de ambas as partes. Aqui todos somos vítimas e algozes.
O que importa no momento, é que ambos os lados parecem enxergar a necessidade de mudar, fazer de modo diferente tudo que foi feito até hoje.
Não adianta mais gritar, jogar bombas, explodir onibus, atirar contra grupos que jogam pedras, ameaçar isso e aquilo. Chega de se apegar ao passado. Israel é fato concreto e imutável, tanto quanto eu, voce, o PD, e todos os que nos lêem.
Israel tem interesse em dialogar com os palestinos, isso é inegável. Israel devolveu Gaza e recebe foguetes diariamente em troca. Mesmo assim Israel não invade e tenta respeitar o Hamas. Só depois de muito tempo Israel começou a reduzir a demanda de eletricidade e combustivel fornecida a Gaza, que eram usados para fabricar esses foguetes que caem em Siderot.
Temos que usar a nossa inteligencia para por em prática novos caminhos e opções. Vamos tentar colocar em prática o que é possível. Não adianta querer o impossível. Israel não vai deixar de existir tão cedo, pode ser até isso aconteça, mas não pelos motivos que hoje conhecemos. Portanto, vamos dar uma chance a paz.
Existe uma frase de caminhão que gosto de citar as vezes: “Não aponte meus defeitos com os seus dedos sujos”.
Moisés, acho que “peguei pesado”com voce na semana passada. As vezes o que me falta não são argumentos para rebater, é saco e paciencia mesmo. Por isso, gostaria de te dar um abraço e ter voce como um aliado, pelo menos aqui nesse espaço maravilhoso do PD, para fazermos críticas construtivas e com isso ajudarmos a disseminar o entendimento.
Pra voce, um abraço da “múmia”.
Shalom, Salam ! ! !
73 Alba // 20/December/2007 às 20:48
Gabriel,
Eu trabalhei 4 anos numa escola judaica em São Paulo, onde a coordenadora, de origem sefaradi (egípcia) costumava dizer do costume do “mercado”. Há uma palavra especial para isso, que me escapa, e do hábito da pechincha. Ela também costumava dizer, não sei se de maneira romantica ou não, que os sabras eram como frutas de casca muito áspera, mas polpa doce. Confere?
faraó, Moisés e athalyba,
Eu prometi a mim mesma que não iria mais participar desse tema, já que tivemos uma discussão muito áspera na semana passada.
Mas constato, feliz, que é possível discutir sem agressões e juntando dados ao que já se sabia. E agradeço a vocês.
Nassau,
Um grande beijo!
faraó,
Receba um forte abraço da
Alba
74 Pedro Doria // 20/December/2007 às 21:16
Moisés: minha afirmativa não tem nada de absurda e você por certo o sabe. O Holocausto foi um crime horrível e suas vítimas foram injustiçadas. Mas nem todo alemão era nazista, nem toda pessoa filiada ao Partido Nazista era genocida, nem todo militar alemão era sádico. Há uma infinidade de gradações e alguns milhares de pequenos atos heróicos nessa história.
O que você está dizendo é que Israel é o vilão absoluto e a Palestina uma injustiçada absoluta. Se não é maniqueísmo, não entendo a definição da palavra.
Na sua definição, Moisés, fica parecendo que imprensa boa e informada é a imprensa que seleciona os fatos apenas do seu lado e que defende as suas opiniões.
75 proftel // 20/December/2007 às 21:24
Puxa vida, um texto tão bom, Israel hoje.
Descrito e visto por um brasileiro (eu acho).
Não é todo dia que se encontra um troço assim.
E vocês ficam discutindo “sexo dos anjos”.
Que pena.
:-/
76 Clara // 20/December/2007 às 21:34
Alba, o mercado a que você se refere é o “schuk”.
77 Alba // 20/December/2007 às 21:41
Clara,
É isso mesmo! Pra não dizer que só o ouvi na escola pela primeira vez, tenho o constrangedor dever de confessar que o li em “Aventura em Bagdá”, esta obra imortal de Agatha Christie..:))
Obrigada!
78 athalyba // 20/December/2007 às 21:47
Alba,
Acho que aquela discussão começou exasperante e terminou áspera …
Pq , como bem notou, a graça está justamente em ouvir e aprender. Sem isso, sem chance :-)
proftel, vc acha mesmo que o assunto não ia dar pano pra manga (rs) ??? até o autor do texto reconhece que tinha mais para falar … até o Pedro, veja vc, veio até nós para um colóquiozinho básico (+rs)
Mas até que o clima está bom, a galera entrou desarmada :-)
79 Hugo Albuquerque // 20/December/2007 às 22:09
Belo texto esse do Gabriel.
Aliás esse “O mundo visto pelos leitores” é a melhor coisa que tem pra ler no teu blog PD, relatos com que juntam muita informação com um belo texto.
PS: Eita situação complicada essa de Israel e da Palestina, hein! Até aqui dá em briga! É rezar pra que essa loucura um dia acabe e que palestinos e israelenses um dia possam viver de uma maneira decente.
80 Alba // 20/December/2007 às 22:20
O Moisés está certo em indicar “Promessas de um Mundo Novo”. Foi vendido em bancas, há alguns meses, numa coleção da Superinteressante de que também faziam parte outros dois documentários: um sobre a Coca-Cola (excelente!) e outro sobre a Maconha e como foi vista nos EUA, durante um bom tempo e é o mais fraquinho.
Mas as “Promessas” realmente, merece ser visto, embora alguns talvez, considerem piegas.
Principalmente os extras.
E Oriente Médio rende mesmo, está visto. Até com esse êxodo de fim de ano é o post com mais comentários! :)
81 Moisés // 20/December/2007 às 22:23
Pedro Dória, o estado de Israel com essa política criminosa é o vilão dessa história, e os palestinos suas vítimas injustiçadas, tanto quanto os nazistas foram os vilões e os judeus suas vítimas!!! Existem muitos judeus, como já afirmei anteriormente, que reconhecem as injustiças perpetradas contra os palestinos. Existem judeus que acham até que os palestinos tem o direito ao retorno. Não sou maniqueísta, não!! Falei de Uri Avneri, Ilan Pappe, Ralph Shoenman, Nathaniel Braia e etc, etc, etc; todos judeus, todos compartilham a visão de que os palestinos foram os maiores injustiçados. Dentro de Israel existem movimentos (poucos, mas têm) pró-palestinos, como o partido de Uri Avneri. Diretores de cinema israelenses, como Amos Gitai, já exploraram este tema em vários de seus filmes, o mais interessante deles chama-se Kedma.
Imprensa boa para mim, Pedro Dória, é a imprensa que mostra os dois lados, o que não é o caso da maioria da grande imprensa brasileira no que toca a este tema.
82 Moisés // 20/December/2007 às 23:01
Faraó,
Concordo com você em quase tudo. Só acho que os governantes de Israel não querem e não vão mover uma palha para resolver essa questão. A saída de Gaza foi estratégica. No dia seguinte já estavam aumentando a colonização da Cisjordânia. O povo palestino já cedeu demais, não podem perder mais nada.
Nem eu quero que Israel deixe de existir, Faraó. Como eu disse, agora já está feito. Só acho que contar essa história sob outro ponto de vista é muito saudável e se faz necessário, para que compreendamos quem é que, realmente, saiu perdendo com a criação do estado de Israel. A partir dessa compreensão, sim, deveremos propor um plano de paz mais justo (que leve em conta a história vista pelos palestinos) e não as papagaiadas que foram propostas até agora.
Quanto a semana passada… Bem, lembra daquelas pragas de gafanhotos, sapos e coisa e tal, que lancei contra ti há 3.300 anos, mais ou menos? Por pouco não faço isso de novo. Mas, fica tranqüilo, vou esquecer essa história. A gente sempre acaba se exaltando um pouco mais, quando as discussões são bem argumentadas, por ambas as partes.
Um grande abraço do Moisés e muita paz para todos!!
83 Nassau // 20/December/2007 às 23:07
Faraó, você me surpreendeu, confesso que cheguei a me emocionar, e até a acreditar, pelo menos enquanto lia o seu comentário que a paz é possível.
Moisés, este filme eu acho que assisti, mas o jornalista, não era israelense, era judeu-americano ou inglês ou canadense se não me engano. Ele levou um grupo de crianças israelenses para a morarem em uma casa com crianças palestinas durante algum tempo. Ficaram amigas, mas quando se separaram e cresceram pelo menos os israelenses não quiseram mais saber do reencontro, alegaram que tinham outros interesses. Não sei se é o mesmo filme, mas este documentário também foi muito bom.
Alba, não dá pra acompanhar sempre e tudo por aqui, bem que gostaria, se há algo que eu gosto é um bom papo, não acompanhei esta situação específica que você mencionou, mas eu sei o quanto os ânimos se esquentam. Até porque é um assunto atual, concreto, que envolvem sonhos seculares, crenças, disputas territoriais, guerras, tragédias coletivas.
Mas é assim mesmo, entre mortos, arranhados e feridos agente segue por aqui.
Muitos beijos para você, boas festas e um ano novo pra lá de bom.
84 Elias // 20/December/2007 às 23:19
Gabriel,
Excelente texto. E parabéns pela sensibilidade.
Deu uma saudade!
85 Elias // 20/December/2007 às 23:22
Mas Haifa vale a pena.
Salvo engano, é onde o convívio árabe-israelense é melhor.
86 Nassau // 20/December/2007 às 23:37
Gabriel,
Apreciei com muita curiosidade a sua narrativa. São coisas do dia a dia, simples, histórias de lugares e gente comum, muito legal, espero que você continue nos brindando outras vezes com mais descrições. O pessoal pediu bis.
PD, brilhante idéia a sua, tem despertado muito interesse estas narrativas, é como se nós viajássemos a passeio e conhecêssemos as peculiaridades de cada lugar e das pessoas que nelas vivem. Parabéns.
Agora seria muito boa uma narrativa assim casual dos vizinhos palestinos. Será que já mandaram alguma coisa?
87 cj ballantyne // 21/December/2007 às 0:26
Absolutamente genial.
88 Eduardo S. // 21/December/2007 às 0:28
É só falar de Israel e os anti-semitas de plantão já ficam alvoroçados… Que ralé!
O texto é muito bom. Parabéns ao Gabriel e ao Pedro.
89 Rabellão // 21/December/2007 às 0:46
Ihhhh que mala esse Moisés heim? Distorceu completamente o objetivo do post e acabou tornando os comentários de um belo texto num besteirol enfadonho.
Ninguém ficou perturbando no (também belo) texto sobre o (também belo) Irã.
No mais, caro [b]Gabriel[/b], quando estiver novamente em Elat, tem uma churrascaria bem “dos pampas” por lá. Não me lembro o nome. A comida é mais ou menos, mas é bom pra lembrar de casa.
E Moisés, voce pode ser convicto sem ser chato, sabia?
Amplexos e paz a todos!
90 Andre Fucs // 21/December/2007 às 0:54
Gabriel,
Texto fenomenal.
Feijoada boa em Tel Aviv só a lendária feijoada do Sami! Feijoada como aquela não tem igual no mundo! Lembro-me de uma frase clássica ao som de Ivete Sangalo…
- vocês são umas piadas! Saíram todos do Brasil reclamando desses axés e dessas merdas todas mas agora ficam aí dançando ao som dessa mulher quase chorando!
Hehehehe. Não deixa de ter seu lado de verdade, ainda que na hora de afirmar brasilidade eu prefira Chico Science & Nação Zumbi.
Cá pra nós, Tel Aviv é simplesmente uma das melhores cidades do mundo para se viver, especialmente quando solteiro! :-)
Nada como os buracos de Florentin, Lilenblun, ou os cafés do Rothschild Boulevard, quem sabe curtir uma noite de verão com um jantar no Suzanna em Neve Tzedek.
Agora… não consigo acreditar… Nenhuma menção ao pôr do sol de tel aviv? Você está morando a muito tempo nesse lugar! Verão especialmente é inesqueçivel.
Pousei no dia 17 de junho de 2005, poucas horas antes do Shabbat, fui pro hotel, trânsito maldito na Hayarkon, passado o check-in, banho, malas, fui para a rua, desci ali na praia, olhei para a direita o Renaissance, para a esquerda a praia e no final dela um morro enigmático.
http://sp4.fotologs.net/?u=trixpan&i=2005/06/17/1119033425.jpg&c=f
Descobri ser Jaffa, a antiga. Sentei para “jalmoçar”, e curtir a vista em um bar próximo ao mar, quase na subida do morro.
“E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro”
O sul do Tel Aviv reinou imbatível como minha região favorita de Israel até eu descobrir Sede Boker.
91 proftel // 21/December/2007 às 1:44
athalyba #78:
É verdade.
O pau come de qualquer jeito, até o dono da casa entra.
hehe.
Olha, boas festas procê.
:-)
92 Thiago // 21/December/2007 às 1:50
PD,
Eu sou geógrafo. Isso pouco significa aos outros hoje em dia. Todo mundo pensa que Geografia só estuda relevo e morro e rio grande e capitais… Mas não é bem assim, e um dia pretendo mostrar isso com mais calma.
Por enquanto, te agradeço pela iniciativa de publicar esses relatos belíssimos aqui no blog. É um jeito de vermos, pelos olhos de outras pessoas, como é, em inúmeros aspectos, a vida (e tudo o que ela inclui) em outras partes do mundo.
Porque, pretensiosamente, Geografia também é isso. É a relação da sociedade, dos indivíduos, do conjunto de coisas e de técnicas, das idéias, com o território - o substrato que é a única parte natural da história.
Obrigado pela chance.
Abraço.
93 RW in Miami // 21/December/2007 às 2:18
Andre,
Excelente lembranca do Suzana em Neve Tzedek ! Um jantar ao ar livre naquele patio arborizado deles deixa saudades em qualquer um… ;-)
94 Reuven // 21/December/2007 às 12:27
Moises:
Nao querendo me prolongar na discussao, pretendo apenas esclarecer alguns fatos.
Com relacao a Hagana, que vc chamou de terrorista, foi criada bem antes da criacao do Estado de Israel para PROTEJER os judeus que la viviam sob os constantes ataques dos arabes.
Quando da criacao do Estado de Israel, ou ate mesmo antes, com o inicio das ideias sionistas, nenhum arabe foi expulso de sua casa, e sim, os que sairam, sairam por vontade propria, se juntando aos exercitos e ideiais dos paises arabes que, tao logo fora declarada a independencia de israel, amedrontados pelos ideiais democraticos, iniciaram uma sangrenta guerra para expulsar os judeus recem chegados.
Se nao achar essa afirmativa plausivel, deixo aqui uma pergunta: Como que os judeus conseguiriam expulsar os arabes que viviam na regiao, se sequer possuiam condicoes financeiras para adquirir armamento e nem condicoes psicologicas para adentrar em um novo conflito, haja vista que acabavam de sair de uma das guerras mais sangrentas da historia.
Ocorre que os arabes perderam a guerra, e aqueles que haviam se juntado a eles para lutar contra israel, nao mais foram aceitos dentro deste, por motivos obvios. E o que aconteceu a partir dai, nem os chamados irmao arabes aceitaram acolher seu irmaos palestinos, deixando-os amontoarem-se em campos de refugiados na cisjordania e gaza, sem qualquer ajuda por partes dos paises vizinhos, exceto do unico pais demoscratico e humano, Israel, que, sempre visando o entendimento entre as culturas, passou a fornecer agua, energia eletrica e trabalho para os campos de refugiados.
O povo palestino nunca existiu, sao arabes como todos os outros, somente se auto denominaram dessa maneira por pressao das monarquias arabes vizinhas, com o unico objetivo de expulsar aqueles que pensam democrarticamente, para que nao fosse ameacada com novos ideiais, as cultura da submissao em funcao da religiao, perpetuada entre os paises arabes.
A realidade e uma so, a presenca de Israel, com seus ideais democraticos e ocidentais, tais como direitos humanos, igualdade social, dentre outros, ameacou a estabilidade dos paises arabes, tribais, onde 95% do orcamento do pais esta nas maos da realeza, enquanto a populacao, na maior miseria, e oprimida por valores religiosos, tornando-se massa de manobra destes, para continuar a manter o poder nas maos das realezas arabes.
95 athalyba // 21/December/2007 às 17:00
com o inicio das ideias sionistas, nenhum arabe foi expulso de sua casa, e sim, os que sairam, sairam por vontade propria, se juntando aos exercitos e ideiais dos paises arabes que
hahahahahahahahaha
Como que os judeus conseguiriam expulsar os arabes que viviam na regiao, se sequer possuiam condicoes financeiras para adquirir armamento e nem condicoes psicologicas para adentrar em um novo conflito
hahahahahahahahaha
sem qualquer ajuda por partes dos paises vizinhos, exceto do unico pais demoscratico e humano, Israel, que, sempre visando o entendimento entre as culturas, passou a fornecer agua, energia eletrica e trabalho para os campos de refugiados.
hahahahahahahahaha
A realidade e uma so, a presenca de Israel, com seus ideais democraticos e ocidentais, tais como direitos humanos, igualdade social, dentre outros, ameacou a estabilidade dos paises arabes, tribais,
hahahahahahahahaha
96 athalyba // 21/December/2007 às 17:02
Esse discussão só não está perdida de vez pq a galera está a trocar detalhes e localizações lá em Israel :-)
97 Moisés // 21/December/2007 às 19:20
Athalyba,
Faço minhas as suas palavras; e as risadas, também.
Deve ser o Pedro Dória, com outro nick, querendo brincar com a gente!!! (desculpe a piadinha, Pedro!)
98 Theo // 22/December/2007 às 1:06
Gabriel,
Muito bom o texto, PD parabéns de novo essa sua idéia foi genial.
Em relação ao debate Israel x Palestina, athalyba e Moisés estão corretos.
Essa parte
“A realidade e uma so, a presenca de Israel, com seus ideais democraticos e ocidentais, tais como direitos humanos, igualdade social, dentre outros, ameacou a estabilidade dos paises arabes, tribais,”
Mostrou PD, que vc tem um leve preconceito contra os árabes não?
99 Pedro Doria // 22/December/2007 às 9:50
Theo: Eu não disse isso, quem disse foi o Reuven.
Nem todos os países árabes têm sociedades tribais – na Palestina só o lado de Gaza se organiza por clãs, na Cisjordânia é muito diferente – e eu não acho que uma sociedade tribal seja, necessariamente, ‘ruim’.
Também não acho que Israel seja inocente. O muro que isola a Cisjordânia é uma das maiores violências e injustiças que há nesse mundo. Só não acho que Israel seja a vilã numa história com mocinho e bandido.
Acho, aliás, que os palestinos querem seu Estado democrático e que, quando o conseguirem, Israel será o maior parceiro deles na região, o sustentáculo da primeira democracia árabe plena que tem um poder altamente contaminante nos outros países árabes. E é este, para as ditaduras da região, o maior motivo para evitar uma Palestina livre.
(Isto não quer dizer que já não existam democracias, só não são plenas. O Líbano bem que tenta.)
100 confetti na paz // 22/December/2007 às 10:17
……………………………………….
101 Theo // 22/December/2007 às 10:25
É verdade PD, foi mal, confundi.
102 faraó // 22/December/2007 às 12:34
PD
concordo que o muro que Israel constroi talvez seja uma das maiores violencias e injustiças que há nesse mundo. (exageros à parte)
No entanto, bons muros fazem bons vizinhos.
A Israel sofrer as violencias e as injustiças perpetradas pelos homens-bomba palestinos, e os palestinos sofrerem com o muro, consequencia desses atos abomináveis, que sofram os palestinos. A construção desse muro foi o último recurso.
Israel gasta milhares de dólares para construir essa porcaria, mas infelizmente, não havia outra solução.
A bem da verdade, os ataques terroristas diminuiram acentuadamente após a sua construção, provando a sua utilidade.
E além disso, o muro é móvel, podendo ser removido quando estiver consolidada a paz necessária para ambos os lados.
103 Pedro Doria // 22/December/2007 às 13:13
faraó: não sei se havia outra solução. Acho que havia. Interromper imediatamente a instalação de colônias na Cisjordânia, começar a retirar a maioria delas. Fazer mais gestos de boa vontade.
Não estou de maneira alguma sugerindo que é simples. E reconheço que algo precisava ser feito a respeito dos homens-bomba, que a Autoridade Palestina sempre pareceu ou incompetente para estancar ou pouco interessada em resolver. Mas é o tipo da solução que, se aparentemente resolve algo a médio prazo, corrói ainda mais as possibilidades de paz a longo prazo. Portanto, é uma solução, incompetente, ruim e, para os palestinos que desejam a paz e vivem da fronteira, criminosa.
104 faraó // 22/December/2007 às 13:45
EEEEEEEEEEEEpaaaaaaaa……….
discordo.
A construção do muro nunca esteve tão avançada quanto hoje e as discussões sobre a paz também nunca estiveram tão avançadas quanto hoje.
Outra coisa:
Por que só Israel deve ter gestos de boa vontade?
Quais ou qual gesto de boa vontade veio dos palestinos?
E por que a paralização das colonias na Cisjordania contribuiria para a paz, se a devolução de Gaza não contribuiu em nada?
Quem garante que com a devolução da Cisjordania, os palestinos irão parar de jogar foguetes Qassam, como o fazem hoje, diariamente contra Israel, vindos de Gaza?
105 Pedro Doria // 22/December/2007 às 14:04
faraó: ‘magina. As negociações de paz estiveram de fato avançadas durante os anos 90, o pico antes do assassinato do Rabin.
106 athalyba // 22/December/2007 às 14:22
A construção do muro nunca esteve tão avançada quanto hoje e as discussões sobre a paz também nunca estiveram tão avançadas quanto hoje.
hahahahahahahahahahahahaha
s palestinos irão parar de jogar foguetes Qassam, como o fazem hoje, diariamente contra Israel, vindos de Gaza?
Essa é pra chorar …
Antes mesmo do Hamas ter sido eleito democraticamente, os mísseis eram *menos* que esporádicos … E o que fez o “quarteto” quando os islãmicos ganharam a eleição ??? Asfixiou Gaza, com a ajuda dos corruptos assassinos da Fatah …
Vc aí, sentadinho na varanda do seu ap em Higienópolis, confortavelmente instalado, coradinho e com emprego garantido, deitando falação … Que beleza …
Por que só Israel deve ter gestos de boa vontade?
Quais ou qual gesto de boa vontade veio dos palestinos?
Boa vontade ??? Quem está sob ocupação e humilhação tem de ter “boa vontade” ???
Agora sim: hahahahahahahahahaha
(post duplicado, desculpae)
107 Pedro Doria // 22/December/2007 às 14:39
Prezado athalyba, não estou coradinho e não estou sentado confortavelmente em meu ‘ap de Higienópolis’… estou na redação, trabalhando, como estarei amanhã, domingo, na segunda, na terça… na sexta viajo por quatro dias, vou pruma praia. Aí talvez volte coradinho.
Vc, por certo, percebeu que sua resposta se destina a um comentário do faraó, não meu. Mas ele não mora em Higienópolis e, se minha memória não me trai, tampouco em Sampa.
Negociação é via de mão dupla. Gestos de boa vontade têm de partir de ambos os lados. O Hamas é tratado com profunda desconfiança por Israel por um motivo dos mais simples: o partido/grupo terrorista jura que destruirá Israel e se recusa a reconhecer o direito de Israel desistir.
Se você não percebe que com um interlocutor que não