Os pré-candidatos estão nervosos – a data, 3 de janeiro, quando os cidadãos de Iowa sairão para discutir quem querem disputando as eleições presidenciais norte-americanas, está chegando.
Uns meses atrás, o cenário era de grande confusão no Partido Republicano e, no Democrata, uma aparente certeza de que Hillary Clinton sairia vitoriosa. Pois inverteu.
Nesta reta final, o governador do Arkansas, Mike Huckabee, começa a disparar em todas as pesquisas estaduais. É, evidentemente, cedo para garantir que será o candidato. Mas se há um nome forte nesta corrida é o dele.
No lado democrata, embolou. Em Iowa, Hillary Clinton, Barack Obama e John Edwards tem, de certa forma, iguais chances de vencerem. Edwards domina o interior, que apesar de menos eleitores, tem maior peso no coeficiente eleitoral. Obama e Hillary disputam os centros. Pode dar qualquer coisa – e o resultado influirá nas primárias de New Hampshire, poucos dias depois.
Obama tem conseguido ‘apoios’ curiosos, como chama atenção Jay Carney, um dos blogueiros políticos da revista Time. O ‘apoios’ vai entre aspas porque não se trata de declaração de voto. Mas dois jornalistas importantes decidiram entrar no debate sobre o que é mais importante, se a experiência de Hillary ou a maneira como Obama foi criado, com um pai queniano, um padrasto da Indonésia e alguma passagem pelo Havaí multicultural, que ele argumenta gera empatia para compreender como o resto do mundo pensa os EUA.
Um desses jornalistas é Fareed Zakaria, ex-diretor de redação da prestigiosa revista Foreign Affairs, atual diretor das edições internacionais da Newsweek. Zakaria, um homem refinado, globalizado e cético à beça, vem de família de origem indiana e muçulmana. Apesar de todos seus diplomas, acredita que sua compreensão de mundo se dá a partir do que aprendeu tendo contato com outros diferentes. Ele, que sempre valorizou experiência, sugere que o argumento de Obama faz mais sentido.
O segundo ‘apoio’ é surpreendente: David Brooks, o colunista conservador do New York Times. Brooks segue mais ou menos o mesmo argumento de Zakaria – mas ele, que em geral sequer cogitaria qualquer candidato democrata, é incrivelmente gentil e respeitoso com Barak Obama. Quase parece estar mesmo declarando seu voto.
Se algum dos dois tem como virar eleição? Dificilmente. A corrida segue. Mas, nas elites intelectuais, o principal argumento que sustenta a candidatura Hillary Clinton – sua experiência – acaba de rodar.




