Cory Doctorow, além de um dos fundadores do Boing boing, antes fanzine, depois um dos blogs mais badalados da Internet, é também escritor de ficção científica.
Ele abraçou-a de volta, apercebendo-se subitamente do seu odor corporal após uma noite de Googling invasivo. ‘Maya,’ disse ele, ‘que sabes sobre o Google e o DHS?’
Assim que ele fez a pergunta ela mudou de atitude. Um dos cães começou a chiar. Ela olhou em redor, e depois fez sinal em direcção aos courts de ténis. ‘No topo daquele poste de iluminação; não olhes,’ disse ela. ‘Aquele é um dos nossos pontos de acesso WiFi municipais. Tem uma webcam com lente grande angular. Não fales virado na sua direcção.’
No grande esquema das coisas, não tinha custado muito ao Google para colocar webcams por toda a cidade. Especialmente quando comparado com a capacidade de distribuir anúncios de acordo com onde as pessoas se sentam. Greg não tinha prestado muita atenção quando todas aquelas câmaras em todos os pontos de acesso foram tornadas públicas – durante um dia houve um frenesim com toda a gente a brincar com aquele novo brinquedo, fazendo zoom em várias zonas de prostituição, mas rapidamente a excitação se dissipou.
Incrédulo, Greg murmurou, ‘Estás a gozar.’
‘Vem comigo,’ disse ela, virando-se para longe do poste.
Scroogled foi publicado com a licença de distribuição Creative Commons. Pertence a Doctorow, mas pode ser livremente distribuído e traduzido. Acaba de ganhar uma tradução para o português (lusitano), assinada por Carlos Martins.
O conto nos apresenta a história do dia em que o Google transformou-se no instrumento de um Estado policial. Se é possível? Tudo o que Doctorow pinta em seu cenário é, tecnicamente, possível.







16 Comentários até agora ↓
1 Lise // 12/December/2007 às 3:29
Uma distropia góglica. Brrrr!
2 confetti // 12/December/2007 às 5:52
bacana, eu e vc dançamos !! kkkk
3 Zictor // 12/December/2007 às 7:03
http://www.youtube.com/watch?v=_WqecXo1-Cc&feature=related
Tem um update deste vídeo nos links
4 confetti // 12/December/2007 às 7:08
salut zic
5 confetti // 12/December/2007 às 7:08
contai o fervo em hongkong…)
6 Gabriel // 12/December/2007 às 11:29
Godammit! A historia eh boa. E fica melhor ainda pelo fato de ser tecnicamente 100% possivel. Nem num futuro distante ou proximo: agora mesmo.
Ah, by the way, Google ta investindo pesado em telefonia celular. A historia fica ainda melhor…
7 Alba // 12/December/2007 às 12:11
Bom, ontem eu estava vendo um filminho desses bem descartáveis, chamado “Deja Vu”. Não consegui chegar ao final, mas está tudo lá, claro que com generosas licenças poéticas.
Como diz a Lise, Brrrr! :((
8 RW in Miami // 12/December/2007 às 14:05
Confetti,
Prefiro RW… bacana e’ uma condicao circunstancial, e um apodo que me foi dado aqui neste blog em condicoes nao muito carinhosas… ;-)
9 confetti // 12/December/2007 às 14:15
rw, it’s a hint ! :)
10 RW in Miami // 12/December/2007 às 14:23
confetti,
Ok, I will take it as a compliment. Merci !
Agora, btw, o texto to Doctorow e’ fantastico…. e assustador ! E o pior - tudo e’ tecnologicamente possivel, como bem disse o Gabe. A “cena” inicial no aeroporto me deu calafrios - so’ quem ja passou pela imigracao americana sabe como eles podem ser pentelhos (ei, turma do Google, to de brincadeira, ta’ ?).
11 Marcos Araújo // 12/December/2007 às 17:30
Possível!?!?
Big Brother has been watching you, galera! E só irá piorar… Sob pretexto de “combater o terrorismo” o Estado policial invadirá nossas vidas; irá nos vigiar até na privada! Liberdades fundamentais estao indo beleléu e nós iremos nos queixar pra quem???
12 Gabriel // 12/December/2007 às 18:51
Marcos põe na conta do Papa!
13 Brancaleone // 12/December/2007 às 22:07
Dasvêis eu tenho umas idéias e penso: Vou fazer isso ou então vou escrever um treco assim e pronto, vou ficar famoso…
Daí né, eu penso: Pô, mas quinhé que vai ser tããããããão burro assim de gostar duma porcaria destas? e ainda mais de comprar um livro cuma coisa tão óbvia, simples e sem graça?
Uns tempos depois eu acabo descobrindo que um arguém aí pelo mundo publicou uma nhaca como a que pensei e tá ganhando dinheiro com isso…
Realmente, não sei quem é mais burro: Eu por não ter tido a coragem de publicar a nhaca ou que compra a nhaca…
Mas a idéiazinha do conto é duma obviedade absurda, lá isso é…
14 Mr. WRITER // 13/December/2007 às 1:00
Como diria o brilhante Sergio Rodrigues: (…)neste momento de vale-tudo estético e inflação contística galopante, em que qualquer texto cotó vem tirando onda de “conto”
Eis um exemplo dessa “tirada de onda”…
15 Gabriel // 13/December/2007 às 6:36
Brancaleone ter uma ideia e nao fazer nada com ela, eh como se voce nao a tivesse tido. Ter uma ideia e executa-la de modo chinfrim, eh como se nada tivesse acontecido. Ter uma ideia e executa-la de maneira mediocre eh o pior de tudo, porque voce revela a ideia e ao mesmo tempo a estraga completamente.
Para um texto (ou pintura, ou escultura, ou design, ou whatever) a ideia original nao eh de relevancia assim tao magnifica como parece. Eh a execucao. Exemplo classico? iPod. Same shit como sempre houve ha varios anos. So que vende feito pao quente.
Eu que estudo design de produto conheco gente dos dois tipos. Aqueles que tem sempre ideias geniais e nunca fazem nada certo com elas, e os que nunca saem de uma ideia mais que mediocre - mas que apresentam um resultado que no total eh magnifico.
Entao, sem ilusoes aqui a respeito da magica das ideias geniais.
(PS: evidente que aqueles talentosos que partem de uma ideia genial e sabem executa-las estao num nivel que nem tem graca comenta-los).
16 S Leo // 4/January/2008 às 16:56
Vendo meus filhos adolescentes, me dei conta de que o Grande Irmão do George Orwell seria montado com a ativa e animada colaboração das pessoas que, no futuro, serão controladas por esse onisciente e onipresente sistema de câmeras e sensores conectados mundialmente.
E abastecidos com informações atualizadas pelas próprias pessoas vigiadas (quer melhor fonte de informação sobre os hábitos, contatos, manias e taras das pessoas do que seus e-mails e a lista das palavras inseridas por elas no quadrinho de busca do Google?).
Por isso, há muito tempo, combinei com o Sergio Leo que ele passaria a usar meus e-mails e fazer meu blogue, enquanto eu uso os dele e faço o blogue dele. Nenhuma das informações atribuídas a nós ou originada supostamente de nós é nossa mesmo. Somos o embrião da resistência, Dória, aguarde contato. A senha é uma reprodução eletrônica de Pour Elise e a frase “não desligue: você é muito importante para nós”.
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