A semana anterior ao plebiscito venezuelano veio cheia de boatos: Chávez planejaria forjar a votação para garantir a extensão de seu mandato e permissão para um terceiro? Sua derrota pareceu dizer que não.
Ex-ministro das Relações Exteriores do México, mais conhecido pelo trabalho como cientista político, Jorge Castañeda oferece uma versão diferente da história.
Chávez só não virou o resultado do plebiscito porque o Alto Comando do Exército ameaçou um golpe de Estado caso o fizesse. Seguiu-se uma negociação tensa, por telefone, com seu ex-ministro e general da reserva Raúl Isaías Baduel até que, por fim, chegaram a um acordo: os números oficiais seriam maquiados para fazer parecer que a derrota fora por margem estreita e Chávez pudesse parecer um democrata magnânimo.
É por isto, diz Castañeda, que o presidente venezuelano não pediu imediatamente uma recontagem dos votos, o que seria razoável dada a margem curta entre vitória e derrota.
Se é verdade? Cá neste Weblog os comentários se dividirão como de hábito. À esquerda, a trupe acusará o absurdo, estão querendo arranjar uma desculpa agora que ele se portou democraticamente; à direita, ninguém terá dúvidas. Aqueles na maioria que não têm particular compromisso com um dos braços ideológicos ficarão com um ‘talvez’ na cabeça.
Talvez.
Castañeda sugere que os presidentes latino-americanos temem a influência de Chávez. O presidente da Venezuela tem sob seu comando potencial os militantes radicais de esquerda em todos os países. Uma sugestão sua pode trazer problemas internos para qualquer um. E ele não costuma ter pudores quando quer se intrometer em assuntos internos. É um vizinho incômodo – e, por isso mesmo, todos de presto ligaram para ele congratulando-o por conta de seu espírito democrático.
Faz sentido.
A Economist sugere que este é o início do fim de Hugo Chávez – e a culpa é toda dele. O problema, aí, nada tem a ver com sua habilidade de mobilizar a quinta coluna nos países vizinhos ou de forjar resultados eleitorais em casa. É que não está dando certo. Histórias de corrupção no governo, incompetência na gestão pública e falta de produtos básicos para comprar trazem desânimo àqueles eleitores que eram particularmente fiéis a ele. Não é que votem noutros; é que não se mobilizam. Se quer votam. A única grande sorte que Hugo Chávez segue tendo é que a sua é uma das oposições mais incompetentes do continente.