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Uma entrevista aos sábados

December 8th, 2007 · · 40 Comentários

Ninguém deveria fazer analogias impunemente. Mas eu diria que há um paralelo, hoje, com o qual deveríamos nos preocupar. Como no final dos anos 1920, a impressão de que se tudo for deixado ao desejo do mercado, o laissez-faire, se o governo largar a mão, há uma tendência divina para que tudo dê certo. Laissez-faire, laissez-passer, é mais que um fato, está além dos governos, é um compromisso teológico com o fazer nada partindo-se do princípio de que a economia não falhará – uma idéia neoclássica com raízes clássicas que originam em Adam Smith e David Ricardo.

Fui editor da Fortune sob o comando de Henry Luce, o fundador da Time, que foi um dos mais duros editores que jamais conheci. Henry via um texto e dizia ‘Isto sai, e isto, e isto’ e sobrariam oito ou dez linhas que diziam tudo que você disse antes em vinte. A segunda coisa a respeito de texto é óbvia que é ter noção da música, a sinfonia das palavras, fazer com que a expressão soe bem aos ouvidos. Como ter sucesso nisso, não sei.

Kennedy tinha um instinto para a realidade. Ele se mantinha em contato com a realidade, ou ao menos tentava. Se sentia obrigado a isso. Reagan é o primeiro presidente vindo de nossa maior tradição teatral, que é Hollywood. E, para ele, há tanto o script quanto a realidade. Ele não se sente confinado à realidade. Ele lê um discurso como se fosse um script. Nós somos um povo sensível a esta teatralização. Preferimos o script, é sempre mais agradável do que a realidade.

John Kenneth Galbraith, 1986.

Tags: EUA · Gente · História

40 Comentários até agora ↓




  • 1 Nassau // 8/December/2007 às 6:35

    Bom dia,

    Bush aprova plano para congelar juros da dívida dos empréstimos imobiliários por cinco anos. Laissez-faire.

    Já é sabido por todos, mas é só para não deixar em branco aqui.
    abs.

  • 2 confetti // 8/December/2007 às 8:16

    will smith, aquele do “man in black” !! pd ta podendo ! kkk

  • 3 Paulo Nasc // 8/December/2007 às 9:07

    Caro Pedro: legal esse texto do Galbraith sobre realidade versos scrip, entre Kennedy & Reagan, tudo muito claro e objetivo ajudando a gente a arrumar as idéias. E quanto a nós? Renan-AL, Almeida-SE, Mãozona-PI? Nem scrip nem realidade: apeanas uma moda-de-viola, desenfreada, em busca incessante e abestalhada da rima-pela-rima uma rima vazia sem outra razão de ser que não seja continuar rimando. Uma merda, sabe?

  • 4 Rico // 8/December/2007 às 11:35

    PD, a crise de 1929 aconteceu por causa do FED, não por laisser-faire.

    http://www.youtube.com/watch?v=9V5OP-VmXgE

  • 5 Brancaleone // 8/December/2007 às 11:37

    Esta entrevista é muito compricada prá eu intendê. Num vô da parpite no que o sujeito disse, mais se arguem se ingraçá querendo se acha mais isperto que eu i vinhé cum aqueles papo cheio de citação e coisarada, aí num priciso ficá recuido e vô prá luta…

  • 6 Pedro Doria // 8/December/2007 às 11:44

    Rico: olha, o Galbraith é especialista no assunto… mas tenho certeza de que ele e o Milton Friedman têm teses diametralmente opostas a respeito do assunto.

  • 7 Brancaleone // 8/December/2007 às 11:50

    Bernard Stochler e Philip Dans, entre um porre e outro, intercalados com as aulas de economia em Oxford diziam que nada, absolutamente nada é mais engraçado que gente que estabelece o que causou o quê no passado.
    “Tem-se a impressão que Wells emprestou a máquina do tempo para alguns e estes voltam no tempo para serem testemunhas oculares dos fatos…” “… chegam ao cúmulo da oniciência e alem irem ao passado o fazem simultânemante em vários lugares do planeta.” “…constatam uma praga nos arrozais da China em 1800 ao mesmo tempo que juram ser verdade que uma espaçonave caiu em N.Y. enquanto um banqueiro inglês escorrega em bosta de cavalo, caí e morre e que isso acelerou ou atrasou a era industrial”
    Philip e Bernard se tivessem ficado sóbrios o suficiente, teriam processado Galbraith por difamação - Galbraith os acusou de serem viciados em cocaina e que comprometiam a credibilidade da economia - Os dois recomendaram a Galbraith fosse ser meteorologista ou astrólogo e a coisa ficou por isso mesmo…

  • 8 Brancaleone // 8/December/2007 às 11:56

    Detalhe:
    Bernard continuou em Oxford e foi um dos criadores do Euro.
    Philip está na Polinésia ou coisa parecida e desde 1979, tem um negócio de locação de caiaques e xinga a mãe de qualquer um que lhe peça conselhos de economia.
    Ambos mantem contato através de um blog de receitas de drinks…

  • 9 Rico // 8/December/2007 às 12:07

    Pedro: Hum… Ok, ele é especialista, mas o Nobel é do Friedman. :^)

    (Isso dito na mesma linha daquela camiseta):

    “We have the fossils, we win”.

    http://www.stampandshout.org/_gfx/_mts/_ex/we-have-fossils.gif

  • 10 cj ballantyne // 8/December/2007 às 12:19

    Obrigado, Dória. Galbraith, além de tudo mais que tivesse tido no currículo, foi um dos grandes wits do século XX, apesar de ter sido economista e canadense.

  • 11 Elias // 8/December/2007 às 12:22

    É…

    Mas foi Galbraith que disse que ia acontecer, antes de acontecer.

    E o que ele disse que ia acontecer… aconteceu.

  • 12 Pax // 8/December/2007 às 12:55

    Mostre-me um economista que acerta o que diz e dir-te-ei que mentes.

    E acerto quase todas nessa minha opinião.

  • 13 Capitalista // 8/December/2007 às 12:55

    Rico,

    Sulli Prudhomme e Gabriela Mistral, ganharam o nobel de literatura, nem por isso podemos afirmar que, o que eles escreveram é literatura.

  • 14 Esteban crustille // 8/December/2007 às 13:02

    “hola,
    acá nosotros perguntamos:? Cuál la razion que Hugo Chavez y Evo Morales fazen y dizen lo que quer con brazil y brasileños ainda baten las palmas para el ditadores.
    Evo Morales tomou la focia petrobras de brasileños y su presidiente que es un gran covard aceitou muy calado y ainda diz que fue justo.
    Hugo Chavez faz una propaganda muy ruin en mundo de proalcool brasileño y su presidiente ainda bate las palmas para el ditador Hugo Chavez con sorizo.
    perdón nosa indescricion, más es muy dificil de entender porque brasileños tien tanto miedo de Hugo Chavez y Evo Morales.
    la verdad es que si continuar asin Hugo Chavez y Morales conseguindo tudo de brazil la focia y con mucha facilidad, con cierteza su provincia de ACRE será también tomado la forcia y con cierteza su presidiente y brasileños van más una vez ficar caladitos y ainda bateren las palmas para el ditadores .
    perdón la sinceridad y portuñol.
    más acá es motivo de destaque y mucho comentario que presideinte de brazil es Nino de recado de Fidel, Chavez y Morales.
    Esteban Crustille
    Córdoba”

  • 15 Pedro Almeida // 8/December/2007 às 13:07

    Milton Friedman, sobre Galbraith:

    “Many reformers — Galbraith is not alone in this — have as their basic objection to a free market that it frustrates them in achieving their reforms, because it enables people to have what they want, not what the reformers want. Hence every reformer has a strong tendency to be averse to a free market.”

  • 16 Elias // 8/December/2007 às 13:27

    Pax,

    Galbraith acertou.

    A análise dele sobre euforia financeira é insuperável.

    Aliás essa análise foi publicada no Brasil: “Uma breve história da euforia financeira” (Pioneira).

    Em linguagem simples e viva, como é de seu estilo, facilmente inteligível para não-economistas, Galbraith faz um apanhado da euforia financeira desde a tulipomania holandesa.

    Logo ao início,uma citação que Bernard Baruch faz de Friedrich Von Schiller, e que, em minha remota infância, ouvi de minha vó à exaustão: “Toda pessoa, tomada individualmente, é toleravelmente sensata e razoável. Mas, como membro de uma multidão, torna-se imediatamente um idiota.”

    Tudo a ver.

    Já houve até não-economista israelense ganhando Nobel de economia em cima disso…

  • 17 Pax // 8/December/2007 às 13:56

    Caro mestre Elias, não sou economista, e confesso que tenho um pé atrás com a classe.

    O Galbraith tem idéias interessantes, contra os neoliberais. Mas, bem, o neoliberalismo é o que hoje funciona por aí e se mostra pouco sustentável num prazo maior. Mas as mega corporações se tornam cada vez mais mega e vemos os monopólios e oligopólios dominando, infelizmente. As fusões e aquisições estão aí para provar o que digo. E crescendo, mais infelizmente ainda, pois enfraquecem as oposições necessárias que Galbraith considerava o mais saudável para a economia por inibir as concentrações de poder.

    Ok, ele acertou, mas quem venceu, por enquanto, até a próxima crise, foram os outros. E quando será a tal crise? Em 2029 pra completar os 100 anos de solidão?

    Tenho simpatias pelo Galbraith. Mas simpatia não alimenta nem a barriga nem minha conta bancária. É louco esse mundo, ontem a bolsa bateu 66.000 pontos.

    A previsão que recebi e já escrevi aqui é que feche o ano com 67.000 pontos. Ano que vem em 85.000 pontos. Se formos escalados para o Investment Grade, sabe-se lá onde para.

    Volto ao meu ponto, mostre-me um economista que acerta….

  • 18 cj ballantyne // 8/December/2007 às 14:14

    “the music, the symphony of words…”

    Galbraith morreu querido pelos amigos e pelos colegas.

    Foi um dos Grandes.

    Imagino o Jack Kennedy e seus asseclas:

    “Mr President, what are we going to do with Ken Galbraith?’

    “Send him off to India. He can talk to Nehru’s Minister for Food..”

  • 19 proftel // 8/December/2007 às 14:48

    Olha, não entendi o #12, é o tal “Esteban crustille” ou só uma colagem do Chest?

  • 20 Elias // 8/December/2007 às 14:55

    Pax,

    O mundo está cheio de economistas — de tudo o que é diabo de corrente — acertando e errando.

    Assim como médicos, dentistas, empresários, professores, caçadores, pescadores e outros tipos de mentirosos.

    A questão é que cada corrente de pensamento econômico vê o mundo por um prisma que lhe é peculiar… e totalmente equivocado, se observado pelo prisma da corrente que lhe for oposta.

    Os liberais, por exemplo (refiro-me aos verdadeiros liberais, não ao arremedo vagabundo que existe no Brasil): esses uns dizem que o mercado, deixado a si mesmo, gera progresso, porque libera o potencial criador e empreendedor do ser humano.

    Os liberais consideram inevitável que o mercado igualmente produza desigualdades. E que estas devem ser corrigidas pela ação do Estado.

    Uma corrente oposta — kaleckistas, por exemplo — dirá que, entregue a si mesmo, o mercado produzirá desigualdades com mais intensidade do que produzirá prosperidade. E que, ao concentrar a prosperidade nas mãos de poucos, virtualmente inviabilizará a ação corretiva do Estado.

    Vai daí que esses dizem que a ação do Estado não deve ser apenas corretiva, mas pró-ativa, ou seja, ela deve atuar no momento mesmo em que a prosperidade é gerada, para que as desigualdades não se aprofundem a um ponto de difícil retorno.

    Qualquer que seja a corrente à qual você se vincule, não lhe será difícil demonstrar, com exemplos práticos, que seu pensamento está correto.

    “A economia fulana prosperou com políticas liberais”, dirá X.

    “É… mas as desigualdades sociais aumentaram”, rebaterá Y.

    “Ora, isso é porque o Estado corrupto não cumpriu seu dever”, arrematará X.

    “Mas o Estado não tem que ser mínimo? Aumentando a dependência em relação ao Estado, como será possível fazer o Estado diminuir de tamanho?”, treplicará Y.

    E o debate não terá fim. São duas diferentes visões do mundo que jamais poderão ser conciliadas.

    E, cada uma ao seu modo, restrita ao que pretende, está absolutamente certa.

    E absolutamente errada, se vista pela ótica que lhe for oposta.

  • 21 Rico // 8/December/2007 às 16:05

    Capitalista:
    Estamos falando sobre o que importa. Literatura é coisa para diletantes>/a> e, portanto, sem importância. Nobel de Literatura? Até o Saramago levou, cáspita… :^)

    “Nobody eats literature, but a free market can provide you tomatoes” (Guy Fawkes).

  • 22 Microempresário // 8/December/2007 às 16:27

    Um navio cheio de acadêmicos naufragou e foram todos parar em uma ilha deserta. Imediatamente, os engenheiros começaram a construir cabanas. Os botânicos foram localizar plantas comestíveis. Os geógrafos iniciaram uma exploração sistemática da ilha, para identificar os locais mais ricos em recursos naturais vantajosos. Os astrônomos olhavam o céu tentando descobrir a localização da ilha.

    Aí alguem viu os economistas reunidos sob uma árvore, descansando. Deu um berro com eles: “Pô, todo mundo trabalhando, vocês vão ficar aí sem fazer nada ?”

    Um dos economistas respondeu: “Estamos com fome. Estamos esperando que a existência de demanda por comida estimule o aumento da oferta.”

  • 23 Luiber // 8/December/2007 às 16:33

    E não apareceu um outro para dizer que não existe almoço grátis?

  • 24 Elias // 8/December/2007 às 17:48

    Não há debate sobre a existência ou não de almoço grátis.

    Jamais soube de nenhum formulador de política econômica dizendo que é possível gerar almoço grátis.

    A questão é definir quem paga o almoço, quando, como e pra quem.

    Claro que esse debate não se aplica ao Brasil.

    Aqui, o mesmo mega-empresário que vai para a tevê fazer a apologia das leis de mercado, do Estado mínimo e tudo o mais, aparece na lista de maiores tomadores de dinheiro emprestado pelo BNDES, com juros subsidiados pelo Estado, ou seja por todos nós.

    O almoço desse cara, evidentemente, não é grátis.

    Nós pagamos.

    E que almoço!

    Assim como pagamos o almoço (e o jantar, e o café da manhã, e o lanche…) da megaempresa que, anualmente, lucra US$ 17 bilhões, mas goza de isenção do ICMS, paga tarifa subsidiada de energia elétrica, etc., etc.

    Só aceito discutir a excelência do mercado e a não-intervenção estatal com essas quadrilhas se, primeiro, elas soltarem as tetas e devolverem o que têm levado na moita, enquanto sustentam um discurso diametralmente oposto ao que praticam.

    Como isso jamais acontecerá, só me resta lamentar que um monte de gente que, afinal, nem tá levando nada com essas jogadas, defendam com unhas e dentes o assalto aos seus próprios bolsos.

  • 25 Capitalista // 8/December/2007 às 17:50

    Rico,

    Se voce não conseguiu perceber a ironia, sinto muito.

  • 26 Homero // 8/December/2007 às 18:14

    Caro Elias,

    Quem faz a defesa de políticas industriais ativas é quem deve ser suspeito de estar embolsando alguns caraminguás. Não faz sentido acusar liberais da defesa de privilégios porque eles são contra o Estado dar tratamento diferenciado a qualquer indivíduo.

    Liberais acreditam que o mercado produz prosperidade e igualdade e que o Estado produz desigualdade.

  • 27 Microempresário // 8/December/2007 às 18:36

    O Brasil não é capitalista. No máximo, está descobrindo o mercantilismo, naquela fase que a Europa esteve séculos atrás. Mas ainda tem traços muito fortes do feudalismo (os nicks por aqui são caudilhismo e coronelismo), misturados com o absolutismo de estado típico da Idade Moderna (não da Contemporânea, que já seria pedir demais).

  • 28 Pax // 8/December/2007 às 18:36

    Mestre Elias,

    Eu deixei de ser profissioal empregado de bem sucedidos empresários e me arrisco nesse mundo. Pequeno, claro, mas com o conhecimento que ganhei lá.

    E quero um financiamento do BNDES sim senhor. Claro que quero. Pago todos os kafkianos impostos, planto o meu dinheiro, dou emprego pra uma pequena parte da população, todos com carteira assinada e salário pago antes do dia 2 de cada mês. Achas justo que eu pague juros do mercado para fazer isso? Arriscar meu rico (pequeno mas rico) dinheirinho com juros de banco privado? E sabendo que existe banco estatal que financia meu projeto com juros fomentadores?

    Ainda não sou cliente do BNDES ou do BB, mas sou forte candidato e quero sim, tudo que tiver direito. Enquanto gerar emprego e renda, quero tudo que tenho direito. O que está errado no meu pensamento e atitude? Que atire a primeira pedra quem nunca arriscou. Se não for a classe empresarial, esse país não vai a lugar nenhum, ou melhor, vai sim, para o bolso dos políticos que são a miséria do Brasil hoje em dia, um bando de salafrários ladrões. E erro pouco ao vociferar, assim como erro pouco ao dizer de novo: Mostre-me um economista que acerta o que diz e mostrar-te-ei que mentes.

    A economia real é dura, assim como a vida.

    Onde erro no meu raciocínio? Devo parar de empresariar? Devo apostar somente na bolsa de valores, na economia virtual? Pode ser. Alguém aí se habilita a cuidar dos poucos desempregados que deixarei? O que eles farão? Assaltar você na próxima esquina com um 38 na mão pra levar o leite pro filho que chora de fome? Sei não o que faria numa situação dessas. E volto ao meu ponto: é errado empresariar? É errado aceitar juros menores do Estado desde que eu pague tudo que devo (e não devo) e gere empregos e renda?

    Acho que não.

    Xeque, quase mate.

  • 29 LM // 8/December/2007 às 19:26

    Há luz no fim do túnel e ela vem de mentes brilhantes do passado. Obrigado por nos brindar com este link.

  • 30 Hugo Albuquerque // 8/December/2007 às 19:55

    A questão do Liberalismo é muito complexa.
    Na minha opinião os liberais brasileiros não são menos liberais que o Galbraith, eles são liberais em estado bruto, daqueles que não choram em ver criancinhas trabalhando dezoito horas numa linha de montagem, nem pestenejam pra mandar bala em movimento grevista.
    Talvez uma geração antes de Galbraith é que começaram a surgir liberais capazes de refletir um pouco melhor acerca das iniquidades geradas pelo livre mercado em contrapartida do estupendo crescimento que gera.
    Passou a se pensar em desenevolvimento economico e não puramente no crescimento economico.
    Isso na Europa e nos EUA, não aqui.
    E é claro que esse fenômeno se aplica a parte do movimento liberal, a outra chegou a flertar com Nazismo e com o Fascismo como formas de se implantar uma especie de tecno-capitalismo.
    Fracassados os movimentos de extrema-direita, essa ala mais bruta do liberalismo do mundo ocidental rico caiu no ostracismo até os anos 80, quando Reagan e Tatcher possibilitaram sua reabilitação com um “revival” do século 19.
    daí em diante passou a acontecer esse embate entre as facções do Liberalismo no mundo rico.
    No nosso país o debate político acerca de qualquer ideologia sempre é pobre, porque estamos condicionados a copiar modelos estrangeiros ainda com um pequeno atrasado de uns 150 ou 200 anos

  • 31 Elias // 8/December/2007 às 20:54

    Pax,

    Não sou contra o BNDES financiar projetos que fomentem a geração de emprego e renda. Se o seu projeto vai por essa trilha, parabéns e… sucesso!

    Sou contra a hipocrisia de quem se queixa do tamanho do Estado, da carga tributária etc e tal e, ao mesmo tempo, não larga da barra da calça do BNDES, da Sudam, da Sudene…

    Ou uma coisa ou outra… O Estado não tem um centavo para dar ou emprestar a alguém, que não tenha tirado de outrem.

    Num país como o Brasil, onde a poupança é pequena e o investimento privado de longo prazo — especialmente em logística –simplesmente não existe, não há como abrir mão da presença do Estado no domínio econômico.

    A depender exclusivamente da iniciativa privada brasileira, estruturas como a Vale simplesmente não existiriam. Aqui no Pará, até que saísse a primeira fornada de lucro, foram décadas de investimento: estradas, ferrovia, ponte rodoferroviária com alguns quilômetros de extensão, hidrelérica de grande porte, 2 portos para navios de grande calado, um distrito industrial totalmente infraestruturado, pelo menos 3 novas cidades construídas do nada e no meio do nada…

    O próprio capital externo só entrou nessa associado ao Estado.

    Não acho nada errado o Estado fazer isso. Nem acho errado que, tendo feito, e atingida a maturidade do projeto, seja este vendido à iniciativa privada, desde que por um preço justo e desde que o dinheiro apurado na venda fosse reinvestido.

    Acho errado é que se diga que o Estado atrapalha, num país onde a iniciativa privada não consegue dar um passo à frente sem a bengala estatal. Tanto que não deu.

    Que use a bengala, então.

    Mas também, que tenha a decência de não cuspir no prato em que come.

  • 32 Chesterton-Dracul- El Cid // 8/December/2007 às 22:10

    pelo menos en róliud eles aprendem a falar, ler, escrever…

    http://www.youtube.com/watch?v=QW7TOJxFMzw&eurl=http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

    Um leitor tem razão. Naquele famoso discurso (clique acima para ver), Lula disse que prefere ser considerando uma “metaRmofose ambulantO”.

  • 33 Chesterton-Dracul- El Cid // 8/December/2007 às 22:40

    pelo menos en róliud eles aprendem a falar, ler, escrever…

    Um leitor tem razão. Naquele famoso discurso (clique acima para ver), Lula disse que prefere ser considerando uma “metaRmofose ambulantO”.

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  • 34 Monsores // 9/December/2007 às 13:39

    Uma curiosidade:

    “Em 1968, o Sveriges Riksbank, o banco central da Suécia, instituiu o “Prêmio de Ciências Económicas em memória de Alfred Nobel”, que é incorretamente referido pelos economistas como um “Prémio Nobel da Economia”. Este prêmio não tem nenhuma ligação com Alfred Nobel, não sendo pago com o dinheiro privado da Fundação Nobel, mas com dinheiro público do banco central sueco. Os vencedores deste prêmio são também escolhidos pela Academia Sueca Real de Ciências, tendo o primeiro vencedor sido galardoado em 1969. A frase estratégica em memória de Alfred Nobel é a causadora da confusão. A família Nobel não aceita o prémio como tal e em 1968, a decisão foi tomada de não se introduzirem mais prêmios em memória de Nobel no futuro. Nobel foi um empresário criticado pela sua produção de produtos bélicos e de ter sido um monopolista, e é curioso que o tenham homenageado por estes feitos. Em todo o caso, o “prêmio Nobel da Economia” é entregue na mesma ocasião que os prêmios originais.”

    Via Wikipedia

  • 35 Cláudio Melo // 9/December/2007 às 17:34

    John Kenneth Galbraith nunca seria agraciado com um Nobel de Economia, ou o prêmio do Banco de Risco dos suecos, como o Monsores referiu acima.

    Ele optou por uma área do conhecimento meio “marginal” nos EUA, economia agrícola, e era visto com certa desconfiança pelo stablishment, embora tenha sido nomeado embaixador do governo Kennedy na Índia.

    Possuidor de um humor refinado que pode ser observado tanto nos seus livros (escreveu um chamado Economia, Paz e Humor, que tive o prazer de ler. É, na verdade, uma coletânea de textos), como no primeiro parágrafo do post do PD.

    Em The New Industrial State pude compreender como o poder migrou dos proprietários de terras para os detentores do dinheiro, em seguida para os detentores do conhecimento, para a seguir pertencer às Organizaçãos, The Companyes.

    Galbraith acertou mais essa.

  • 36 Cláudio Melo // 9/December/2007 às 17:37

    Ainda lembro com saudades da série A Era da Incerteza, que passou há muitos anos da TVE.

    http://www.nuca.ie.ufrj.br/videoteca/galbraith.html

    Ainda desejo ler esse livro.

  • 37 Cláudio Melo // 9/December/2007 às 17:54

    Retirado de um artigo do Eduardo Matarazzo Suplicy:

    Paul Samuelson, keynesiano como Galbraith, mas muito mais próximo do pensamento econômico tradicional e das práticas de ensino e pesquisas hegemônicas, reconhecia e admirava a singularidade de Galbraith. É sua uma frase muito citada: “Ken Galbraith, como Thorstein Veblen, será lembrado e lido quando a maioria de nós, laureados com o Prêmio Nobel, estiver enterrada em notas de rodapés nas estantes empoeiradas das bibliotecas”. Essa afirmação é de 1991 – não foi escrita, portanto, sob o impacto emocional da morte do colega.

  • 38 Cláudio Melo // 9/December/2007 às 18:07

    Muito bom.

    http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-31572006000400009&script=sci_arttext

  • 39 Cláudio Melo // 9/December/2007 às 18:14

    Olha o humor do cara!

    “I worked on it very hard in one of my first widely read books, The Great Crash of 1929, and I was enormously pleased when it was so reviewed. The Great Crash is an ambiguous title, I must say, one should always watch titles. I saw this many times. I looked once to see if a copy was in the LaGuardia Airport bookstore in New York and the lady there said, “That’s not a title you could sell in an airport.”

  • 40 Guilevy // 10/December/2007 às 18:18

    Pax,
    o BNDES, estatal, é bom para financiar privatizações. Gostam é de negociar bilhões. “Rende” mais, sacumé?
    Peixe miúdo é com o Bradesco, Itaú, BB…

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