Por Ricardo
Quem chega à Índia pela primeira vez através de Bangalore, nota primeiro os suntuosos prédios da poderosa indústria de tecnologia da informação indiana. Um olhar mais apurado vai além: um simples trajeto do aeroporto ao hotel mais próximo é o suficiente para assustar pelo caos do trânsito e poluição, assim como encanta a beleza dos jardins da cidade.
Nas calçadas, as sáris vestidas pelas mulheres, roupa que cobre-lhes o corpo todo, em geral bordados à mão em cores vibrantes e com alguns penduricalhos, sempre incrivelmente belos, capturam a atenção. Mas nem todas as usam. Bangalore, no centro-sul indiano, é uma cidade bem ocidental e isso se traduz nas roupas. Não se vê moças de shorts ou saias mas, fora isso, os trajes não seriam muito diferentes daqueles no Brasil.
Ocidental é um termo chave aqui. A maioria das grandes multinacionais de tecnologia está presente – Microsoft, Google, Yahoo, Nokia, Motorola, HP. No entanto, ainda que se trate de um dos centros mais ocidentalizados do país, tudo é tão diferente. Moro na Índia, onde faço um mestrado em tecnologia da informação, desde julho. A chegada não foi fácil e mantenho um blog onde relato o choque que foi a primeira semana.
É difícil dizer se Bangalore é bonita ou feia. O que há são contrastes: num mesmo bloco, às vezes convivem prédios suntuosos e a miséria absoluta, gente que vive em tendas sem qualquer infra-estrutura. Há bairros só de casas e prédios de luxo, bem arborizados e cuidados. Não é muito diferente de uma grande cidade brasileira.
Se eu tiver que apontar um, diria que o maior problema da Índia ainda é a desigualdade social. Convive-se com a pobreza no dia-a-dia e ela é evidente por toda parte. Almoço em restaurantes onde os garçons ganham menos de 80 reais por mês. Numa construção ao lado de meu instituto, um dos mais ricos e prestigiosos do país, operários recebem 1 dólar por dia de trabalho – e é trabalho árduo, 12 horas debaixo de sol e chuva com apenas 30 minutos de intervalo. Para economizar, inclusive, muitos optam por dormir no próprio local, em casebres de madeira e telhas de alumínio, sem qualquer condição de higiene. Também são comuns casos de exploração do trabalho infantil.
(A pobreza não faz da Índia um país violento e não há tráfico de drogas. Se há um perigo que algum turista corra, não é o de assalto; é o de cair em golpes que o levam a pagar mais do que o devido numa transação.)
Não dá para falar da Índia sem mencionar que foi colônia britânica até 1947: algumas cicatrizes desse período ainda estão abertas e a principal talvez tenha a ver com o sistema de castas. Apesar de ser atribuído ao hinduísmo, alguns estudiosos defendem a idéia de que este sistema foi interpretado de maneira a enquadrar socialmente os indianos na cultura inglesa, exacerbando um conceito que, do ponto de vista religioso, nem era tão significante. (Muitas escrituras do hinduísmo sequer fazem referência às castas.)
Converso abertamente sobre este assunto, mas percebo certa resistência de meus companheiros indianos quando a pergunta é mais capciosa. É comum, por exemplo, que desconversem quando pergunto se lhes incomodaria estudar na mesma sala de aula que alunos da casta Dalits, os ‘intocáveis’. (Note que este sistema foi proibido na Índia, então o preconceito fica só nas entrelinhas.)
Logo após a independência, o primeiro primeiro-ministro Nehru, que era extremamente popular, dedicou-se a apaziguar estas diferenças e tentou colocar o país entre as grandes potências mundiais. Para isto, não mediu esforços ao investir em universidades e centros de pesquisa. Ele não tinha dúvidas de que a educação seria essencial para o progresso.
É o que explica, em parte, a falta de dedicação aos esportes. O esporte mais popular é o cricket e, dos outros, mal se fala. O que os pais acreditam, mesmo, é que seus filhos só obterão sucesso profissional com dedicação aos estudos. A maioria quer se tornar gerente ou diretor em empresas no exterior, principalmente no setor de tecnologia.
Quem é pobre tem acesso mínimo a educação, cultura, lazer. Nas escolas, para os privilegiados, além do básico ensina-se hindi (uma das línguas oficiais e mais faladas do país), inglês (herança colonial que se manteve por interesses econômicos) e a língua oficial do estado. Não há consenso quanto ao total de língua faladas no país, mas oficialmente são reconhecidas 15 (só aqui, onde estudo, escuto diariamente pelo menos quatro – hindi, kannada, tamil e inglês). O inglês dos mais instruídos é muitas vezes meio enrolado devido a um sotaque característico muitas vezes incompreensível.
Os pais – o pai, principalmente – exercem grande influência sobre qualquer escolha de um filho. Ninguém se casa, por exemplo, sem aprovação paterna. O caso da mulher é ainda mais rigoroso: Se ela não encontra namorado até certa idade, os pais arranjam um, sem que ela tenha muito direito a escolha. Me dizem que isso já não é mais tão comum nos grandes centros, mas não é a impressão que tenho quando converso com casais amigos. Os mesmos não podem morar juntos nem casar sem a aprovação dos pais. Aliás, a própria menção da namorada aos pais é tratada com cautela pelos filhos. Fiquei na casa dos pais de um amigo e não pude mencionar sua namorada em nenhum momento.
Não faz calor em Bangalore, o que é raro na Índia. No inverno a temperatura chega a um mínimo de 15 graus e no verão não passa dos 30, 35. Delhi, no outro extremo, chega a bater os 50 graus no verão é extremamente úmida.
Os indianos são atenciosos e extremamente educados. Meus vizinhos responderam com paciência minhas perguntas mais esdrúxulas, independentemente do tópico. Certa vez perguntei a um o porquê dos casais não se beijarem em público. ‘Você faria sexo em público no Brasil?’, me perguntou de volta. ‘É a mesma coisa, porém com grau maior de rigor’. Grau de rigor bem maior: o homem corre o risco de ser apedrejado se for pego aos beijos em público e a mulher periga ser considerada prostituta para o resto da vida. Num caso recente veiculado na TV aqui, um homem beijou a força uma mulher e a mesma cometeu suicídio por conta disto.
São todos também muito religiosos. A principal religião é o hinduísmo, difícil de explicar em poucos parágrafos. Ela tem origem na religião Védica e acredita-se que, quando Brahma tomou ciência de que o mundo existia, todo o resto então passou a ’ser’. É uma religião com inúmeras divindades, lendas e festividades vinculadas a ela; a mitologia hindu é interessantíssima. A maioria dos feriados são religiosos e todos os celebram rigorosamente. Presenciei dois festivais ricos em sons hipnóticos, cores vibrantes e cheiros fortes dos incensos queimados. Mas há divergências de uma região para outra: uma festa religiosa no sul pode ter significado bem diferente no norte.
Dada a imensa quantidade de pessoas que vivem por aqui, o país acaba abrigando também grandes quantidades de mulçumanos e católicos, além claro de outras religiões locais como budismo e sufismo.
Para encerrar, alguns fatos breves. O governo é tão ou talvez mais corrupto que o brasileiro. Subornos são comuns, principalmente como forma de acelerar a burocracia. Um detalhe positivo é que a Índia possui no momento um governo de minorias: A presidente, pela primeira vez, é uma mulher, e o primeiro-ministro é o primeiro membro da religião Sikh a ocupar tal cargo. As televisões que assisti possuem canais do mundo todo e vários locais em línguas que ainda não consigo distinguir. A Índia é também grande produtora de filmes e a reprise de produções nacionais é comum na tevê. Novelas também são comuns: só o canal de maior audiência exibe 9 novelas diárias. Finalmente, festas, no melhor estilo brasileiro de virar a noite, não existem em Bangalore. A cidade tem restrições quanto a horários e tudo fecha a meia-noite. Parece até Cinderela.
Este post é o primeiro da série O mundo visto pelos leitores. Para compreender o que é, leia o post Este Weblog quer ouvir você.






118 Comentários até agora ↓
1 confetti // 6/December/2007 às 5:29
primeira vez que pisei na india foi em new dehli….tinha ido para 15 dias de férias, projetos de ir descendo pro sul…..em 24 hrs estava completamente paranoica, nao conseguia sair do hotel, medo da multidao ! o unico lugar onde conseguia ficar sozinha era ….no banheiro ! o choque cultural ( visual sobretudo ) foi uma das coisas mais violentas que ja havia experimentado ! tentei controlar a fobia ( como se chama a fobia de multidao ? ) e nao consegui ! voltei das “férias” em 48 hrs, doente….
anos depois recomecei a viagem, dessa vez por goa…lugar maravilhoso, onde ingeri todas, onde conheci gente divina ( é esse o nome) ! mais tarde conheci tbm o rajasthan…a india é um lugar especial, as pessoas sao doces ( tbm de uma passividade incompreensivel pra um ocidental ) o sistema de castas uma vergonha…
nao pretendo conhecer “a india”….as poucas experiencias que tive por la nao me autorizam dizer isso….foi la que me vegetariana….:)
2 confetti // 6/December/2007 às 5:30
( tornei )
bom dia amigos da tela !
3 confetti // 6/December/2007 às 6:43
uma das coisas que me fizeram descobrir e amar a india…
http://www.youtube.com/watch?v=BCuTXcsSz1s
4 proftel // 6/December/2007 às 7:33
Gostei do relato, esses nuances que só um brasileiro apresenta é que faz a diferença.
Pelo visto a Índia é uma colcha de retalhos com muitos problemas semelhantes aos nossos.
Interessante, gostei mesmo, o Pedro Doria e o Ricardo estão de parabéns com esse post da Índia.
:-)
bom dia confetti.
5 Luiber // 6/December/2007 às 7:33
“O que os pais acreditam, mesmo, é que seus filhos só obterão sucesso profissional com dedicação aos estudos.”
Se comparado com uma sociedade em que as crianças são induzidas a carreiras de (suposta) fortuna rápida sem produção científica (modelo, cantor, jogador de futebol,…), isto parece fazer toda a diferença.
Gostaria de saber mais sobre o porque de não se conseguir vender drogas lá. Nem me falem de repressão. Duvido que a polícia deles seja mais aparelhada que o FBI, por exemplo.
6 confetti // 6/December/2007 às 7:40
bollywood rules !
http://www.youtube.com/watch?v=KbZntLPXIhc
7 Darwinista // 6/December/2007 às 7:54
Confetti,
Agorafobia = medo de multidões ou de espaços abertos.
8 josef mario // 6/December/2007 às 8:01
Companheiro ricardo
Eu, josef mario, devo dizer que achei interessante o seu relato, bem como os complementos sempre inteligentes feitos pela companheira confetti. Eu, josef mario, apesar de ter passado uma temporada no butão, infelizmente não cheguei a conhecer a india. Em uma ocasião, todavia, há alguns anos atrás, em um almoço no qual estavam presentes intelectuais e escritores indianos, terminada a refeição houve uma especie de sinfonia de arrotos. Parece que esta prática era comum na india naquela epoca. Com esta malfadada globalização este saudável hábito continua a sê-lo, companheiro ricardo?
Muito obrigado.
9 Dom Casmurro Patriarca // 6/December/2007 às 10:05
“Gostaria de saber mais sobre o porque de não se conseguir vender drogas lá. Nem me falem de repressão. Duvido que a polícia deles seja mais aparelhada que o FBI, por exemplo.”
Faço a mesma pergunta do Luiber.
Sem dúvida nenhuma isso é um fato notável.
Deveria ser estudo por todas as nações e aplicado em cada uma.
A descrição do companheiro é também notável.
Quase não deixa nada para comentar e tudo é exposto com sobriedade e, acredito, exatidão.
Restaria a nós tentar descobrir o segredo desse verdadeiro milagre de não ser possível “comercializar” drogas e de como trazê-lo para o Brasil.
10 Mr X // 6/December/2007 às 10:21
Poxa. Muito interessante. Belo texto.
Suspeito que não haja drogas nem crime por motivos religiosos.
Nunca fui à Índia. Não sei se algum dia irei. Mas acho fascinante.
11 HRP Mané Reloaded // 6/December/2007 às 10:22
Belo relato do jovem…..e que beleza…a violencia e as drogas são coisas minimas……
Só isso já “tá” valendo!
12 HRP Mané Reloaded // 6/December/2007 às 10:25
Josef e sua fixação com o “BUTÃO”!
13 proftel // 6/December/2007 às 10:45
Dom Casmurro Patriarca & Mr X:
Convenhamos, é um nicho de mercado, sei não, se a notícia espalha, imagina o monte de traficante que vai dar um jeito de ocupar esse espaço.
Laskou, hehe
14 Mr X // 6/December/2007 às 10:54
A índia é uma resposta aos marxistas imbecis que acham que a origem do crime é a pobreza. Quer dizer, fingem que acham. Pois no fundo o que querem é estimular o crime para destruir a sociedade por dentro.
Os marxistas são malvados e infelizes. Por trás de todo marxista há um capitalista frustrado.
Ah, e o problema da Índia são os muçulmanos e seu terrorismo.
Hehe, pronto, coloquei um pouco de polêmica na discussão, vamos ver. ;-)
15 confetti // 6/December/2007 às 11:14
coiso vc nao tem cura….kkk
16 FARAÓ // 6/December/2007 às 11:18
Achei ESPETACULAR o resultado da nova idéia do PD.
Show de bola.
Butão é a buta que bariu?
17 FARAÓ // 6/December/2007 às 11:21
PD
show de bola o resultado da sua idéia.
Butão é a o filho da buta?
18 confetti // 6/December/2007 às 11:24
farao, ta de caps agora ?
19 Dom Casmurro Patriarca // 6/December/2007 às 11:25
Mr. X,
qual marxista diz que a origem do crime é a pobreza?
As picaretagens dos políticos brasileiros têm origem na pobreza?
Os grandes contrabandistas e sonegadores são pobres.
Aquela norte-americana maluca, que sonegava e dizia que “pagar imposto é coisa de pobre” e que ao morrer deixou 12 milhõe de dólares para a sua cachorrinha, era pobre?
Os pequenos crimes, são frutos da pobreza.
Os pequenos e humilhantes crimes, são frutos da pobareza.
Roubar para comer, um dia haveremos de não conviver mais isso.
Pelo que sei, a Índia tem um governo de centro-esquerda.
20 confetti // 6/December/2007 às 11:26
a violencia hindu se manifesta no sitema de castas…pior, impossivel
21 Ricardo Cabral // 6/December/2007 às 11:42
Muito bacana esse relato. Aliás, além deste daqui, gostei bastante de vários dos últimos posts, como o do Papa e o das origens cristãs do nazismo. Pena que não tenho tido nem o tempo nem o conhecimento um pouco maior para discutir essas questões, por isso andei meio mudo estes dias…
Sobre curiosidades da Índia, um psiquiatra que conheço esteve em Nova Dheli por conta de um congresso mundial e contou algumas histórias curiosas, como a de chegar à noite ao hotel, vindo do aeroporto, e acreditar que tivesse havido algum atentado ou massacre, dada a quantidade de corpos espalhados pela rua. O motorista, percebendo o seu espanto, explicou-lhe com a maior tranqüilidade que estavam todos dormindo, e que havia mais de um milhão que faziam isso todas as noites…
22 Ricardo Cabral // 6/December/2007 às 11:47
Confetti, pas de bœuf bourguignon ni steak tartare? Je ne crois pas!
23 Ricardo Cabral // 6/December/2007 às 11:56
Uma anedota sobre a Índia.
Um inglês pergunta a um indiano por que no país dele se idolatrava as vacas.
— Idolatrar, nós? Ué, até onde sei, a gente só não as come! Aliás, diríamos que quem idolatra as vacas são vocês.
— Como assim?!?!?
— Ora, não são vocês que dão às vacas rações balanceadas, suplementos minerais, vacinas, contratam tratadores, veterinários, colocam-nas em currais de madeira de primeira e ainda gastam uma fortuna com elas em leilões?
24 nada será como antes // 6/December/2007 às 12:07
Mr X,
A partir de ontem suas queixas contra o marxismo devem ser endereçadas ao residente mais importante do Vaticano.
Chega-se ao local pela Via della Restaurazione; ao final dessa via, encontra-se a Piazza de San Pietro.
Na Piazza, junto às colunas de Bernini, procure guardas com uniformes surpreendentes que eles explicam a direção a tomar.
25 madame bovary // 6/December/2007 às 12:16
A Índia tem esse problema gravíssimo da super população 800 milhões mais ou menos , por isso é comum, principalmente, nós ocidentais, nos aterrorizarmos com as multidões constantes.
Um relato interessante fez uma vez o Paulo Francis, e se referiu aos problemas culinários que enfrentamos por lá, quase todo mundo, que vai á Índia volta com problemas digestivos de toda sorte. Aliás um bom lugar para se tornar vegetariano, já que a higiene parece não ser o forte dos indianos e se os legumes não são indicados imagine as carnes.
Quanto a esse temperamento indiano de calma absoluta foi potencializado pelo ghandi com a idéia de que não se deve rebater os adversários.
Aliado a isso a Inglaterra conseguiu acabar com a promissora indústria indiana a época, já que a intenção era vender produtos ingleses.
26 madame bovary // 6/December/2007 às 12:18
P/ NADA SERÁ COMO ANTES
Não se debata com quem não sabe debater.
27 Alba // 6/December/2007 às 12:27
Um belo relato, Ricardo e PD!
Gostei bastante, ainda mais por se tratar de país do outro lado do mundo, de história antiquíssima e cheio das maiores contradições.
É sempre bom fugir da simplificação e da caricatura. Bom, e digo isso pensando em Rudyard Kipling e coisas assim.
28 Mr X // 6/December/2007 às 12:54
A Madame Bovary tem razão, não se debata. Poderia bater com a cabeça em algum lugar. Embora no seu caso talvez ajudasse.
Kkkkk.
29 Antonio // 6/December/2007 às 13:13
Pichado num muro de qualquer de Londres (vi numa foto):
Reporter: Mr. Gandhi, what do you think of western civilization?
Mr. Gandhi: I think it would be a good idea!
abs,
ACT
30 Theo // 6/December/2007 às 14:23
madame bovary
se não me engano e índia tem mais de 1 bilhão de pessoas.
31 Theo // 6/December/2007 às 14:28
“Dada a imensa quantidade de pessoas que vivem por aqui, o país acaba abrigando também grandes quantidades de mulçumanos e católicos, além claro de outras religiões locais como budismo e sufismo.”
Só pra esclarecer, o islã na índia é quase 14% da população, nem se compara com o cristianismo apenas 2,5% isso pq eu to colocando todos os cristãos juntos, nem falei dos católicos.
Sufismo não é religião local, é uma vertente do islã.
No Mais, muito bom o texto, estava esperando ansioso pelo primeiro posta da série, está de parabéns, agora espero pelos outros.
32 Theo // 6/December/2007 às 14:30
Estou esperendo o comentário do Mr x dizendo que os indianos são o povo mais racista do mundo.
Se não me engano já foi pro topo da lista, os árabes e os japoneses.
33 confetti // 6/December/2007 às 14:59
theo, sem contar os seguidores dos milhoes de deuses hindus ! milhoes, isso mesmo ! :)
http://indedunord.free.fr/pages/dieux/pages/les%20dieux%20de%20l‘inde.htm
34 confetti // 6/December/2007 às 15:06
(desculpem..quem quiser ver faz um copié-collé)
35 Zictor // 6/December/2007 às 15:52
Parabéns! Um relato fascinante.
Fiquei até com vergonha do que eu escrevi. PD, preciso dar uma melhorada.
36 Pedro Doria // 6/December/2007 às 15:57
Zictor, todos os relatos serão cuidadosamente editados e publicados, apenas, com a autorização dos autores. Não se preocupe =)
37 confetti // 6/December/2007 às 16:37
ricardo #22 , é a pura verdade, nao como cadaver de nada ! peixe so se nao tiver nenhum aquario à vista, senao nao consigo …vou aos churrasco e como legumes grelhados, espetinho de champignon é massa ! :)
38 Clara // 6/December/2007 às 16:39
Gostei bastante do relato do Ricardo. Será que se deu bem com a culinária indiana?
39 Mr X // 6/December/2007 às 16:42
Poxa Theo,
Que nada, os muçulmanos é que são o povo mais racista do mundo.
kkkkkk! ;) :P
40 nada será como antes // 6/December/2007 às 16:58
Mr X,
Muçulmanos não formam, na expressão usual do termo um povo. Da mesma forma, não se pode dizer do povo católico.
Os muçulmanos congregam diferentes povos, raças e etnias.
Mas há, por outro lado, o fato de que “povo” é um termo sujeito a equívocos e, por isso, sua definição é um tanto vaga.
41 Harun al-Rachid // 6/December/2007 às 17:19
Os indianos acreditam que se comportando direitinho nesta vida, na próxima serão marajás, ricos, superiores, com direito a pisar no inferiores. Se forem maus, voltarão até como bichos. É bobagem mas, como forma de controle social, funciona. O cristianismo nao fez sucesso mas já apareceu o Islã para atrapalhar.
Ós gregos antigos deram a esta fantasia o nome de metempsicose, que Alan Kardec transformou no espiritismo, em voga aqui, ali, acolá e alhures.
42 Mr X // 6/December/2007 às 17:52
Depois da elucidativa explicação do NS, só me resta concluir que o “povo” mais racista e mais sem humor do mundo são mesmo os comunistas.
Os indianos não Rachid - os hindus.
Acho a religião hindu até bacana. Tem as castas, certo, e às vezes casam com cachorro ou com criança de doze anos, mas ao menos não explodem ninguém.
43 Esprit de porc // 6/December/2007 às 19:06
Grande relato, Ricardo.
Muito bom para quem acha que o terceiro mundo é tudo igual.
Gostaria muito de conhecer a India. Deve ser fascinante, sem dúvida.
44 Ana Pulg // 6/December/2007 às 19:17
Ricardo, gostei muito do relato. Bons tempos por aí, para ti.
45 Ana Pulg // 6/December/2007 às 19:18
Ai, eu também gostaria muito de conhecer!
46 Marcos Araújo // 6/December/2007 às 19:57
Ricardo e Pedro Doria: Parabéns, muito bom o relato. A Índia ainda é um mar de miséria. Mas há quem adora visitar aqueles gurus milionários por lá (como os tais bispos e bispas universais brasileiros). Conheço várias pessoas, e alguns amigos, que lá foram visitar um tal de Say Baba, e boltaram babando…
47 confetti // 6/December/2007 às 20:20
achei estranha a afirmaçao “nao ha trafico de drogas na india” ; o autor esta em bangalore desde julho e a india é imensa…como chegou à essa conclusao ? digo isso pq o cannabis se chama tbm “chanvre indien” e a droga na india é associada à espiritualidade ! bhang , ou haschich, em alguns textos sagrados eram oferendas preferidas de shiva….estive por la algumas poucas vezes, fumei bagaray e nunca foi dificil encontrar o bhang ! em goa e benarès, claro, cidades muito frequentadas por turistas europeus, cocaina e heroina sao comuns….parece que a droga da hora por la é veneno de scorpiao: o cara disse que quando a dor da picada passa, a pessoa viaaaja….
bem, vamos pesquisar……….
outras coisinhas que nao da pra ignorar em se tratando da india :
-pais com maior #de doentes de aids no mundo, juntamente com africa do sul ( parece que as prostitutas nao sabem nem o q é preservativo…)
-a industria farmaceutica é maior fabricante de remédios genericos do mundo ( investimentos pesadissimos em pesquisas quimicas, pra quebrar patentes)
48 Luiber // 6/December/2007 às 20:38
Boa essa do veneno de escorpião.
“Quando a dor da picada passa, o cara viaja”. Mas volta?
Voltando ao assunto do tráfico. Seria então a liberação do uso, o segredo para a disassociação do consumo com a violência?
Não é a teoria do Gabeira?
49 confetti // 6/December/2007 às 20:40
a repressao é forte por la, mas o pakistan é grande produtor de tudo que é bagulho…os tamuls vivem precisando de grana pra comprar armas….
50 confetti // 6/December/2007 às 20:43
pd o ricardo bangalorense - bangalorista? bangalô ?- é residente aqui ? cade ele ?
51 confetti // 6/December/2007 às 20:45
luiber, gabeira quando era exilado conduzia metro na suecia e as vezes tava tao chapado que esquecia d parar nas estaçoes …kkk
52 Luiber // 6/December/2007 às 20:50
“Estação? Que estação? Ah, era aquela ali atrás? Peraí gente, que eu vou dar ré!”
53 Pedro Doria // 6/December/2007 às 21:11
confetti: o Ricardo é leitor, sim. O blog dele você o encontra no link em seu nome.
54 Hugo Albuquerque // 6/December/2007 às 21:30
As drogas não são um problema, o que leva as pessoas a se viciarem nelas sim.
Niguém precisa encher a cara de bebida ou ficar na nóia na India porq
55 Hugo Albuquerque // 6/December/2007 às 21:33
(continuando)
porque a religião e o modo de vida faz com que as pessoas sejam felizes.
É diferente do ocidente onde as pessoas optaram por ser felizes através do consumo, se frustam e partem para as drogas.
56 Radical Livre // 6/December/2007 às 21:51
confetti: cannabis índica e cannabis sativa são nomes científicos do popular cânhamo. O ‘índica’ pode vir da época dos descobrimentos, quando se fazia a “carreira das índias” e o que viesse de lá era indiano (embora a índia fosse mais um entreposto entre o mundo árabe, a china e a oceania que um produtor de quaisquer mercadorias).
57 Radical Livre // 6/December/2007 às 21:53
e hugo, da mesma forma que o álcool, as drogas são gostosas e prazerosas. o problema é o tipo de uso que se faz de cada coisa: por exemplo, se embebedar e estourar o carro matando seus cinco amigos é uma droga.
58 Harun al-Rachid // 6/December/2007 às 22:18
Errata no 41:
Onde se lê — os indianos acreditam — leia-se — os indianos adeptos do hinduísmo acreditam –
Agradeço a correção pertinente do Mr X.
59 Hugo Albuquerque // 6/December/2007 às 22:27
Radical Livre,
As drogas podem ser “gostosas e prezerosas”, mas os lugares onde o seu consumo é mais intenso são justamente aqueles onde as pessoas são mais infelizes.
60 Brancaleone // 7/December/2007 às 0:21
Drogas gostosas e prazerosas?
Cara, se você acha isso, a sua vida “limpa” e normal deve ser uma chatice, um tédio e um desprazer total!!!!!!!!!!!!!!!!
Uma cervejinha? legal. Uma dose (no máximo) de jhonny Walker, tudo bem mas depender de qualquer outra coisa alem disso para obter prazer e “gosto”? Nem a pau.
61 Brancaleone // 7/December/2007 às 0:28
Meu mano mais véio (hoje cum 52), numa fase pervertida e extraviada da vida andou flertando com alguma religião hindú ou adjacências e numa doidera, meteu-se a viajar pela India.
Isso deve ter sido lá por 79, 80. Ficou uns mêses e voltou assustado. Segundo ele, a miséria por lá é natural, quase que necessária. Odiou a comida e a resignação dos miseráveis. Claro que voltou sem nem querer saber de seitas indianas..
62 confetti // 7/December/2007 às 7:26
radical #59, claro ! e a industria textil, importantissima, usando chanvre como fibra…todos temos um paninho made in india, confectionado com folhas de maconha ! kkk
63 nada será como antes // 7/December/2007 às 9:28
Com raríssimas exceções, drogas não viciam, antes criam hábitos de uso.
A heroina, por exemplo, gera dependência física, provoca espasmos digestivos e, até, convulsões, durante as abstinências.
Indivíduos predispostos ou com alguma debilidade neurológica são suscetíveis a alucinógenos, que podem provocar distúrbios psíquicos de média ou alta intensidade.
Cocaina e anfetaminas , seus efeitos cessam após algumas horas e só retardados filhinhos -de-papai sofrem as chamadas “consequências” e “dependências”, o que serve para engordar receitas de clínicas de psiquiatras safados , de escritores conselheiros de araque e noticiários alarmistas. Seus efeitos mais palpáveis, além da “brisa”, são o mau-humor e o cansaço do revertério (ressaca).
Maconha, fora a “brisa” e a “larica” (fome), resta o sono que vem depois.
Quase tudo o que “especialistas” e censores dizem sobre drogas é mito, intenção repressora ou interesses lucrativos.
64 confetti // 7/December/2007 às 9:35
nada, discordo de tudo ! “viciar” e “criar habito” nao sao sinonimos ? claro que ha muita manipulaçao dissuasiva das autoridades e “especialistas”, mas substancia quimica vicia , até aspirina vicia !
65 confetti // 7/December/2007 às 9:38
no 49 eu disse uma bobagem….ninguém se tocou….:(
66 Pedro Doria // 7/December/2007 às 9:40
nada será como antes: calma… compartilho sua simpatia com a proposta da liberalização. Mas, primeiro: a dependência provocada por derivados de ópio – e você citou o caso da heroína – é barra pesada pra caramba.
Demorei vários meses para parar de suar frio quando alguém acendia um cigarro na minha frente. Os primeiros dois meses são barra pesada.
Você por certo já conheceu alcoólatras. A dependência em álcool cria monstros. (E eu bebo bastante, gosto muito, não há cá nenhum moralismo.)
67 confetti // 7/December/2007 às 9:45
isso pd ! tbm ja encarei algumas heavy addictions
68 nada será como antes // 7/December/2007 às 9:52
confetti,
Vício e hábito não são sinônimos, só no imperfeito vocabulário corrente.
Hábitos de higine não constituem vícios. Hábitos são costumes gerados por educação, convenção e cultura, além de outros fatores menos importantes.
Vícios são “necessidades” físicas e/ou cerebrais e não se restringem a substâncias ingeríveis, podem envolver gestos e práticas, inclusive sexuais, por exemplo.
O termo mais adequado para designar “vício” é dependência, como pode ocorrer com a aspirina , que vc mencionou, ou com outros analgésicos.
Por outro lado, a expressão “dependência química”, bastante usada pela mídia e “especialistas”, é terminologia equivocada e vazia, pois não é definida e objetiva. Dependências são geradas pelos efeitos, não pelas substâncias em sí mesmas. Parece jogo de palavras estúpido, mas não é. Quando surgem novas drogas sintéticas, porém com efeitos semelhantes às anteriores, elas encontram usuários aptos à adesão.
Para exemplificar, existe THC (tetra-hidro-canabinol - princípio ativo da maconha) sintético, com as mesmas propriedades do natural e consumidores satisfeitos.
Também há testes com cocaina sintética e os resultados, segundo as fontes de que disponho, são adequados.
69 confetti // 7/December/2007 às 9:54
cher rien : continuo discordando !! :)
70 nada será como antes // 7/December/2007 às 9:59
Pedro Doria,
No meu comentário # 63 , nos segundo e terceiro parágrafos, mencionei exatamente a heroína e alucinógenos como passíveis de gerar dependência e, portanto, vícios de uso e abuso.
Quanto ao álcool, do qual também sou usuário assíduo e entusiasmado, não mencionei porque o assunto está em drogas “ilícitas” e tráfico.
Acho que estamos de acordo.
71 Airton // 7/December/2007 às 10:19
Deliciosa e rica a idéia, pd.Lembrar-se que cada pessoa é um mundo, e nos permitir ver o mundo através de olhos alheios, é saudável exercicio de humanidade, tão rara nestas dias.Aguardo novos textos, tão bons quanto o de ricardo, para viajar mais um pouco à custo zero.
72 Antonio // 7/December/2007 às 10:31
A Índia é um país curioso.
Olhando-se para o modo como as relações sociais se estruturam no país, o que se vê? Que a sociedade indiana é profundamente baseada na hierarquia. Lá, tudo é “vertical”. Se vc nasceu numa determinada casta, vai morrer nela, não importa o quão bacana vc se torne no decorrer da vida. Quase não há mobilidade social, ou há muito pouco. (Junte isso com uma arraigada espiritualidade, que inclui a noção de karma, e voilá — entende-se porque quase não há crime na India.)
Nos EUA, é justo o contrário. Todos são iguais perante a lei. Ainda que haja racismo, discriminação, há uma lei, uma constituição poderosa que, ao fim e ao cabo, garante a igualdade, e ponto final. Ascender socialmente é tarefa do indivíduo, e no mais das vezes lhes são dadas as condições para isso.
O Brasil ficou no meio do caminho: entre um igualitarismo radicalmente universal (EUA), e uma hierarquização fixa e intransponível (India). A sociedade brasileira repousa sobre o berço esplêndido das leis universalizantes, (afinal, elas afirmam que “todos somos iguais”) mas tem ao mesmo tempo um forte esqueleto hierárquico. Por um lado, temos em teoria o elogio de um igualitarismo individualista, por outro, a prática que o desacredita e desautoriza. Aqui, a lei não vale para todo mundo. O exemplo mais gritante é o da imunidade parlamentar, mas podemos encontrar exemplos menores e mais cotidianos — quando, por exemplo, um grã fino ameaça o guarda de trânsito que o vai multar, dizendo “Vc sabe com quem está falando?”
O Brasil também é um país curioso.
ACT
ps - Isso tudo é sociologia I na faculdade. Está em “Carnavais, Malandros e Heróis”, do Roberto DaMatta.
73 confetti // 7/December/2007 às 11:08
nada, vc ja usou ou usa drogas ?
74 Elias // 7/December/2007 às 11:18
Interessante o Ricardo ter dito que o problema das drogas é mínimo na Índia.
Há uns dias, vi na tevê por assinatura um documentário sobre o alastramento da Aids na Índia.
Um cidadão — que é mostrado no documentário como um dos atores mais populares do país — junto com uma atriz idem, aparecem fazendo campanha pelo uso da camisinha. Eles levam um pênis de borracha para um palanque e a atriz mostra como colocar a camisinha.
O principal público-alvo deles são os viciados em drogas. Segundo o documentário, são milhões, na Índia. Quase todos paupérrimos.
O filme mostra cenas terríveis, com as pessoas se drogando no meio da rua, em plena luz do dia. As pessoas passam por eles sem dar a mínima…
O documentário se detém na história de 3 irmãos, 2 meninas e um menino. Os pais morreram de Aids e eles vivem com o avô. A garota mais velha — 14 anos — trabalha para sustentar a todos. À noite, estuda.
A apresentadora do documentário disse que aquela menina vive pendurada em uma linha fina e fraca. Bonita como ela é, fragilizada como está, vivendo no bairro onde mora, ela pode, a qualquer tempo, ser vendida para a prostituição.
Diz a apresentadora: “…Os homens daquele bairro podem fazer isso a qualquer tempo e num piscar de olhos.”
75 Mr X // 7/December/2007 às 11:30
O Rien não usa drogas, só as lê e as escreve, kkk.
Não, falando sério: até concordo parcialmente com ele, acho que droga não causa tanto dependência química como psicológica, isto é, o sujeito não pára porque não quer ou porque não encontra nada melhor pra fazer. O que vicia é o efeito de prazer, não o produto em si mesmo.
O que eu acho estranho é, porque os mesmos que querem a “liberação das drogas” como maconha, cocaína e heroína, são os mesmos que querem maiores restrições ao cigarro, às gorduras saturadas, e outras centenas de restrições “para o nosso bem”?
Antigamente, costumava ser que o sujeito tinha liberdade de opção em quase todos os setores, menos sexo e drogas. Hoje parece que avançamos em direção oposta, liberalização de todas as formas de sexo e drogas, mas controle de todo o resto.
76 nada será como antes // 7/December/2007 às 11:33
confetti,
Pergunta capciosa e perigosa, principalmente devido aos patrulheiros e inquisidores que frequentam este site.
Mas você mesmo já fez esse tipo de confidência aqui ! Sua vantagem é estar em país civilizado.
Sou adepto não apenas das teorias, mas das práticas efetivas. Quando faço afirmações peremptórias, sei muito bem o que falo.
Nunca estive na Colômbia, mas conheço a Bolívia nos sentidos estrito e figurado.
Aprecio chás de espécies variadas, aceito as propriedades de certas ervas, inclusive as exóticas.
Injeções só de antibióticos urgentes ou Buscopan com glicose, que utilizo nas terríveis cólicas renais que me perseguem uma ou duas vezes por ano.
Às vezes, quando a oportunidade e o ambiente são propícios, sou receptivo a novidades e não perco a chance de obter visões mais coloridas do que as oferecidas neste país tão triste .
Álcool, diariamente. Destilados em geral. Não bebo cerveja ; vinho, às vezes, durante as refeições.
77 Mr X // 7/December/2007 às 11:35
Pois eu vi um documentário sobre usuários de heroína em Zurique, Suiça, uma das cidades mais ricas do mundo.
Davam pena aqueles jovens todos com os rostos destruídos, vivendo em função de um barato, sem nada pra fazer da vida.
Liberar a heroína? Pra quê? Eu não preciso.
(Por outro lado, legalizar heroína e coca ia diminuir bastante a receita das FARC e dos talibãs).
78 Mr X // 7/December/2007 às 11:42
“Às vezes, quando a oportunidade e o ambiente são propícios, sou receptivo a novidades e não perco a chance de obter visões mais coloridas do que as oferecidas neste país tão triste .”
Hummm …LSD?
(Até pra falar de seus vícios o Nada escreve como se estivesse redigindo uma tese de Doutorado… O que será que é conhecer a Bolívia no sentido estrito e “figurado”?) :-)
;-) Confetiiiii! Qual o seu vício? Conta pra gente.
79 nada será como antes // 7/December/2007 às 11:47
confetti,
Não falei sobre os patrulheiros e inquisidores ?
Chegam rápido, abrem o inquérito e disparam rajadas de perguntas.
80 Mr X // 7/December/2007 às 11:50
“Nobody expects the Spanish Inquisition!”
81 Antonio // 7/December/2007 às 11:50
X, posso responder?
Sou a favor da legalização das drogas no Brasil. (Não porque “o Estado não deve se regular o que eu decido fazer com o meu corpo”, mas por uma questão política de segurança pública. Mas isso é outro papo.)
Agora, não sou contra a proibição do cigarro, ou da gordura saturada, ou dessas outras “centenas de restrições” (que, aliás, nem sei quais são). O que eu sou contra é o fumo em lugares fechados. Por que eu, que não fumo e tenho sérios problemas de sinusite alérgica, tenho que me prejudicar com a fumaça dos outros num bar fechado? É uma questão de escolha. Se proíbe o fumo em lugar público fechado, os fumantes reclamam. Se libera, os não-fumantes reclamam. Eu apenas acho que a prioridade deveria ser dada aqueles que sofrem passivamente com os malefícios do vício alheio. Me parece mais justo, né?
Agora, vc erra ao dizer que antigamente “o sujeito tinha liberdade de opção em quase todos os setores, menos sexo e drogas”. As drogas, meu caro, só foram proibidas a partir de 1937 nos EUA, pelo incansável trabalho de Henry Aslinger. (Posteriormente, o modelo war on drugs seria exportado p/ o mundo todo.) Antes disso, não era crime cheirar cocaína ou fumar maconha. E, ao que eu saiba, o sexo na Roma antiga não era cheio de tabus e “não me toques”.
ACT
82 Mr X // 7/December/2007 às 11:51
Inda bem que o Nada não conheceu a Bolívia no sentido “bíblico” também… É muita gente… Hehehe. ;-) :-P
83 nada será como antes // 7/December/2007 às 11:57
Antonio,
Inclusive, no Brasil, cocaína era vendida a granel, em qualquer farmácia, com direito, inclusive, a anúncios em jornal.
Salvo engano, o jornal “O Estado de São Paulo” também publicou tais anúncios, no passado.
84 confetti // 7/December/2007 às 11:57
coiso, meu vicio é vc !
85 nada será como antes // 7/December/2007 às 11:58
Mr X,
Se o sentido “bíblico” a que o senhor se refere é o sexual, conheço sim, alé, de alguns outros países.
86 nada será como antes // 7/December/2007 às 11:59
confetti,
Satisfeita com a exposição ?
87 nada será como antes // 7/December/2007 às 12:00
“alé,” = até
88 confetti // 7/December/2007 às 12:00
nada, desculpe a pergunta “capciosa”… nao precisa responder, eu tbm nao responderia ! aqui com “uma palavra mal pensada” neguinho te cola uma etiqueta na testa ! mas achei suas analises sobre drogas e dependencias meio…teoricas !
89 confetti // 7/December/2007 às 12:01
ocupadissima aqui, depois volto e leio melhor !
90 nada será como antes // 7/December/2007 às 12:03
confetti,
Expliquei no # 76 que não são teóricas.
91 Mr X // 7/December/2007 às 12:09
ACT,
Então, segundo você, dá pra fumar maconha, mas não em público? A fumaça da cannabis incomoda mais, e é mais cancerígena.
O problema de descriminalizar as drogas, a meu ver, é que um vício estimula o outro. Começa-se com maconha e vai-se para outras mais pesadas.
Na Holanda, a liberação da maconha não diminuiu o consumo de de drogas ilegais, ao contrário.
Liberar tudo é a resposta? Talvez, mas não haverá sempre substâncias de uso controlado? E portanto traficantes?
92 Pedro Doria // 7/December/2007 às 12:18
Mr X: ou você acredita em liberdade ou em restrições. Eu, pessoalmente, sou contra quaisquer restrições ao consumo de quaisquer substâncias.
93 confetti // 7/December/2007 às 12:47
pd, hellooo, acorda ! de que mundo vc ta falando ? me leva la ! consumir o que se quiser sem restriçoes ?! d q restriçoes vc ta falando ? da nossa, propria ? da lei ? eu tbm “sou contra quaisquer restrições ao consumo de quaisquer substâncias.” :-D
94 Antonio // 7/December/2007 às 12:50
X, sim, é isso mesmo. Acho que a maconha deveria ser legalizada: quem quiser fumar na sua casa, que fume. Em lugares fechados, não pode — assim como deveria ser com o cigarro. Do jeito que está hoje, a lei protege os fumantes, e não os não-fumantes. Você vai a um bar, uma casa de shows ou uma boate e sai intoxicado com a fumaça alheia. Porque o direito dos fumantes deve prevalecer sobre o meu, que não fumo?
Agora, se a liberação resolve tudo? Certamente que não. Ela cria outros problemas também. O célebre argumento da maconha como porte de entrada para drogas mais pesadas faz sentido, é claro. Ninguém acorda um belo dia e diz “hm, que vontade de injetar heroína!”. Começa no baseadinho, claro. Mas o argumento é insuficiente. Do contrário, como explicar que 90% dos usuários de maconha jamais chegam a se viciar em qualquer outra droga?
Como você, acho que os índices de adição a drogas pesadas aumentaria com a legalização das mais leves. A grande questão é: qualquer que seja a escolha — repressão ou legalização — sempre haveremos de lidar com custos sociais.
Eu acho que este custo que está aí, que vemos todos os dias nos jornais, já passou dos limites do aceitável faz tempo.
ACT
95 confetti // 7/December/2007 às 12:57
act mail
96 Rabellão // 7/December/2007 às 13:32
Pedro Doria // 7/Dezembro/2007 às 12:18
Mr X: ou você acredita em liberdade ou em restrições. Eu, pessoalmente, sou contra quaisquer restrições ao consumo de quaisquer substâncias.
Peraí PêDê, existem sérios problemas de saúde pública causados justamente por descontrole. Nem entro na questão dqas ilegais, pois minha opinião seria ofensiva a muitos aqui, mas até mesmo nas lícitas.
ANVISA publicou a RDC58/07 que estabele controle mais rígido no uso de anfetamínicos para emagrecimento. Apesar de ser diretamente prejudicadio pela medida, tenho que louvar a iniciativa. Tratamentos loucos para emagrecimento são um problema seríssimo!
E mesmo assim voce acha que não se deve controlar??
E outras substâncias como Misoprostol, um abortivo. Hoje também de uso restrito. Você é contra esse controle?
Ou só é contra o controle de substâncias “recreativas”?
Ahhh, a retórica passou longe de meu questionamento.
Amplexos
97 Hugo Albuquerque // 7/December/2007 às 15:18
Eu tenho uma visão extremamente negativa da maconha e de qualquer outra droga, no entanto, é a minha visão, ela não se aplica a ninguém exceto a mim mesmo.
Se um pessoa tiver o vício ou o hábito de usa-la e com isso não prejudique ninguém exceto a si mesmo não é da minha conta.
Mas os problemas que as drogas causam não têm relação somente com suas propriedades entorpecentes, mas sim como isso interage com o tipo de dinâmica da sociedade em que você vive.
Aí é que está o ponto.
A religião (na verdade as várias que lá são praticadas) ocupa esse espaço na India, e não afirmo isso dizendo que é ruim ou bom, simplesmente são os fatos.
Aliás de certa forma o regime de castas faz mais vítimas por lá do que a maconha por aqui.
O regime de castas que, aliás, tem ligação não somente com o hinduísmo, mas sim com a sua interação com o capitalismo, mas aí é outra história.
98 confetti // 7/December/2007 às 16:03
“O regime de castas que, aliás, tem ligação não somente com o hinduísmo, mas sim com a sua interação com o capitalismo, mas aí é outra história.”
hugo nao é “outra historia” ! desenvolve ai , gostaria muito de ler sua analise ! o sistema de castas é a maior violencia da sociedade hindu…
quase ninguém falou nisso no post….
:-))
99 confetti // 7/December/2007 às 16:08
nada, adorei seu # 76 ! kkk
tbm tenho medo de injeçao e nao bebo cerveja ! vinhos alguns, com preferencia por aquele que quando abre faz assim : pschiiiiiiit ! nacional, claro !
100 confetti // 7/December/2007 às 16:10
so pra arredondar pra 100 !
http://www.youtube.com/watch?v=002AY4cb5uw
101 Hugo Albuquerque // 7/December/2007 às 17:24
Vamo lá Confetti,
O sistema de castas é muito anterior a formação do próprio do hinduísmo.
Acredita-se que ele surgiu quando os grupos arianos saíram da mesopotâmia e dominaram os povos indianos primitivos.Isso aconteceu provavelmente há uns 30000 anos, mas ninguém sabe bem ao certo.
Daí que esses grupos arianos organizaram a sociedade local num regime de castas que determinava as funções de cada um e, óbvio, os punha em posição superior aos nativos.
Um estudioso chamado Georges Dumézil aponta que só havia quatro castas no início.
A justificativa para isso com o tempo foi dada pela religião; Com o bramanismo veio a explicação que os brancos mandavam porque a alvura da pele (desculpe, não achei termo melhor) era indicativo de proximidade com Deus.
Isso tem o seu lado de verdade se notarmos que os bramânes tem a pele mais clara que os dalits.
Milhares de anos mais tarde essa questão se acomodou como ritualística mesmo, porque até os bramânes passaram a acreditar na desculpa que eles deram para dominar os indianos nativos.
O problema é que com o domínio inglês e a entrada do capitalismo via sistema colonial as diferenças que giravam em torno do status passaram a se agravar no sentido material e os ingleses, óbvio, trabalharam duro no sentido de dividir a sociedade a sociedade indiana usando o gatilho das castas para assegurar o seu domínio.
É evidente que com ou sem capitalismo o sistema de castas continuaria a segregar as pessoas, mas o capitalismo trouxe o enriquecimento das castas superiores às custas da miserificação das castas inferiores.
Isso é verdadeiramente brutal.
102 Hugo Albuquerque // 7/December/2007 às 17:30
Corrigindo: 3000 anos atrás, não 30000.
103 Alba // 7/December/2007 às 18:18
Hugo,
Li exatamente a mesma explicação.
O que não me impede de contar um causo: há uns 3 anos, um amigo, doutorando da USP, veio me visitar trazendo um amigo indiano, também doutorando, acho que em Física, com quem estava dividindo apartamento.
Fiquei encantada com o hindu: uma das pessoas mais simpáticas e gentis que já conheci - incluindo na gentileza o que deve ter lhe parecido o meu bisonho inglês. E como honrou as refeições! Nunca me senti tão boa cozinheira! :))
104 Alba // 7/December/2007 às 18:21
E, completando, ele era bem escuro.
Naturalmente, não tive coragem de perguntar sobre o sistema de castas. :((
105 Hugo Albuquerque // 7/December/2007 às 18:39
Alba,
Essa questão das castas é bem espinhosa pros caras.
Fazendo uma comparação maldosa é mais ou menos como quando algum estrangeiro nos pergunta sobre o tráfico de drogas e/ou a violência aqui no Brasil.
A gente sempre fica meio desconfiado se o cara tá nos menosprezando ou se ele só tá realmente curioso.
106 Hugo Albuquerque // 7/December/2007 às 18:41
Confetti,
Esse comercial é infâme!
107 Alba // 7/December/2007 às 18:53
Hugo,
Acho que é isso mesmo.
Não quis parecer hostil ao meu simpático hóspede, a criatura mais sorridente que jamais conheci. Fiquei mesmo encantada até com a capacidade dele de ignorar dias de chuva e sair pra caminhar na praia. :))
E os nossos calcanhares de aquiles são tantos que até desanima, némêss?
108 Hugo Albuquerque // 7/December/2007 às 19:40
São muitos e terríveis.
109 Alba // 9/December/2007 às 0:24
Hugo,
Pois é, é o que desanima..:((
110 Ricardo // 9/December/2007 às 5:07
Pessoal,
Muito obrigado pelos comentários. Fico feliz de saber que minha contribuição agradou!
Infelizmente estou em Praga no momento sem muito tempo para ler e responder a todos. Prometo fazer isto assim que chegar ao Brasil.
Até lá, vamos a algumas respostas rápidas. Sobre as drogras, não é que elas não são vendidas, é que geralmente a Índia é um mercado distante e não muito atrativo se comparado, por exemplo, à Europa.
Este é um aspecto. A religião é outro. O povo indiano ainda é muito apegado a práticas religiosas do hinduísmo e isto explica em parte a vida simples, sem o consumo de drogas e carne, que levam.
Sobre Delhi, eu acho que quem for visitá-la recentemente não irá se assustar mais tanto. A cidade mudou muito e está muito bem cuidada. O post atual no meu blog fala sobre minha experiência lá.
Minha bateria acabou então paro aqui, por enquanto.
111 Ricardo // 9/December/2007 às 5:54
Arrumei um computador de um amigo alemao aqui entao da para continuar com as respostas (so que agora sem acentos, desculpem-me). Mais uma vez obrigado a todos pelos elogios e comentarios!!
Pois bem, continuando, sobre a comida, fui bem preparado para ela. Agua, no comeco, so mineral mas depois passei a beber agua filtrada tambem. Fiquei 4 meses na India (ate agora) e nao tive nenhum problema digestivo. Quanto a comidade especificamente, eh dificil dizer se gostei ou nao de maneira geral. Alguns pratos sao incrivelmente saborosos mas outros sao exatamente o oposto. Em todo caso, vale a experiencia de apreciar a culinaria de cada regiao do pais, ja que os pratos podem variar um bocado de um lugar para outro. O unico problema eh que sempre a comida eh excessivamente apimentada.
Marcos Araújo, cuidado com a simplificacao. A India esta longe de ser um mar de pobreza. Eh certo que o pais ainda eh muito pobre mas desde os primordios das civilizacoes que por la cresceram ha exemplos de muita riqueza. Ha varios fatores que explicam a pobreza (e a colonizacao inglesa talvez seja o maior deles) mas ha cidades belas no pais alem de verdadeiros satuarios naturais.
confetti, voltando a questao das drogas, claro que esta eh so minha primeira impressao. Minha afirmacao se baseia em conversas com indianos sobre o assunto. A droga mais comum na india eh mesmo o haschich que pode ser comprada baratinha e, na verdade, nao eh bem considerada uma droga. Falando agora tambem de minha experiencia em Agra e Delhi, tambem por la, nao vi ninguem bebado (os bares e boates fecham a meia noite em bangalore e a 1 da manha em Delhi) e poucos fumantes. Mas realmente nao tenho estatisticas para afirmar a real situacao do trafico e consumo de drogas no pais.
Sobre a AIDS, eh injustica afirmar que eh o pais com o maior numero simplesmente. Em termos absolutos isto eh verdade apenas dada a enorme populacao. Propocionalmente, os indices de la se comparam ao americano ou brasileiro, se nao me engano. Na india, qualquer numero pode parecer grandioso dada a populacao. 1% de qualquer coisa signica mais de 10 milhoes de pessoas.
Lamento nao poder entrar em mais detalhes agora. Caso o assunto ainda esteja ativo aqui semana que vem, envio novos comentarios.
Obrigado,
Ricardo
112 confetti // 9/December/2007 às 9:12
vamos acender uns incensos pra festejar a passagem do ricardo, dono do post ! o agarbatti - satya sai baba, importado de bangalore ! µµµµµµµ
113 confetti // 9/December/2007 às 9:15
algo pra combinar com o incenso
http://www.youtube.com/watch?v=erLZ-zW9Ti4
114 confetti // 9/December/2007 às 9:19
a filha de ravi
http://www.youtube.com/watch?v=paHlDr7kXIo
115 Ricardo // 9/December/2007 às 16:50
hahahahahaha
Boa, confetti. Acende logo dois! E de sandalo que eh mais cheiroso.
116 Net.BokaLivre » Blog Archive » O MUNDO VISTO PELOS LEITORES (DO PD) // 26/May/2008 às 20:28
[…] sobre cinco países já foram publicados: Índia, Irã, Israel, Austrália e […]
117 YahOOnetstar // 6/July/2008 às 16:57
O que sucedeu se com a Confetti na India comigo tambem foi no Sri Lanka mesmo hospedado no Colombo Hilton tive uma pequena crise de fobia social e o pior e que a empresa aerea entrou em greve e fiquei muitos dias a mais do que ja fazia se muito.A pobreza por la e diferente da nossa,as pessoas tem um aspecto cadaverico,abreviei por la mesmo sem ter seguido para a India,creio que hoje em dia veria de uma forma diferente.Quanto as drogas acredito que Goa seja a excessao por la o uso parece bem avancado pelo que ouve se e muitos brasileiros por la ficaram sem poder voltar mais ao Brasil.Um gringo disse uma certa feita nunca faca negocio com alguem chamado Patel…
118 Márcio Port // 27/September/2008 às 11:55
Estive na Índia em Julho/08. Registrei algumas fotos e opiniões no http://www.turismoeaventura.blogspot.com
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