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Uma entrevista aos sábados

December 1st, 2007 · · 32 Comentários

Partes 2 | 3 | 4 | 5

Clarice Lispector

Tags: Gente · Livros

32 Comentários até agora ↓




  • 1 Pax // 1/December/2007 às 9:59

    Fantástica entrevista. Obrigado carioca. Apesar do meu link.

  • 2 confetti // 1/December/2007 às 11:06

    um dos meus tesoes, clarice…”perto do coraçao selvagem” vive comigo, ja devo ter tido uns 10 exemplares desse livro na minha vida…ou dou, ou perco, ou anoto todinho, ou cai na banheira, ou alguém rouba ou ficou no aviao….ai compro outro ! foi muito traduzido..:-)

  • 3 confetti // 1/December/2007 às 11:08

    pax mon amour, nos que estreamos esse posto….né pra qqer um nao…..:)

  • 4 confetti // 1/December/2007 às 11:12

    clarice…..e sua ansia de perplexidade ! me identifico

  • 5 Nat // 1/December/2007 às 11:29

    Me lembro que eu devia ter uns nove anos. Eu devorava qualquer livro que aparecesse na minha frente. A estante da sala lá de casa era uma estante digna de aparecer aqui às quintas. Mamãe que tinha feito, era de tijolos vermelhos envernizados e prateleiras brancas com desenhos pretos, na verdade eram mulheres com grandes cabelos pretos, as figuras preferidas de mamãe.
    As duas prateleiras de baixo da estante eram de livros meus, a próxima eram livros que mamãe achava que eu já podia ler. Acima destes vinham os proibidos. Não que tivessem me dito que eles eram proibidos, apenas não me eram recomendados, mas eles estavam tão fora de alcance que eu era sempre tentada a pegar um.
    Não me lembro qual dia de semana era, mas eu estava à tôa em casa, já tinha lido e relido todos os meus livros. Eu era uma pessoa muito certinha, não gostava de cometer “delitos”, mas neste dia eu não sei o que me deu, peguei uma escadinha e me postei na frente dos livros proibidos tentando decifrá-los pelo título.
    A emoção era muito grande. Me lembro não só de estar nervosa pelo desobedecimento de uma ordem de mamãe, mas como pela perspectiva de entrar num mundo novo e ler coisas sobre as quais eu não fazia a menor idéia.
    Eu só podia pegar um livro, senão ia ser descoberta. Olhei sem demora cada um deles e escolhi um.
    É claro que não entendi quase nada do livro, e tive que lê-lo várias vezes depois. Mas foi Clarice Lispector, em seu fantástico “A Paixão Segundo G. H.”, que me ensinou que “o mundo não é humano. E que não somos humanos”.
    Ela mudou a minha vida para sempre…

    “…estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quem ficar como que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio ‘lo que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não a saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a organização anterior A isso prefiro chamar desorganização pois não quero não me confirmar no que vivi — na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro.”

  • 6 Pax // 1/December/2007 às 11:33

    Alba, Confetti e Monsores,

    Posso amar a Nat também?

  • 7 confetti // 1/December/2007 às 11:40

    non…..:)

  • 8 confetti // 1/December/2007 às 11:42

    essezinho aqui tbm, derruba !

    http://br.geocities.com/claricegurgelvalente/artigos_33.htm

  • 9 confetti // 1/December/2007 às 11:43

    As coisas inorgânicas, vivas, vigiam: “a sala, preparando-se para a longa noite, estava de olhos abertos, calmos” (p.80). “Os edifícios altos e madrugadores” (p.90). Têm uma pulsão intrínseca: “Pois tudo o que fora criado fora ao mesmo tempo desencadeado” (p.101). São donas de si mesmas, como os bibelôs, que não pertencem nem à sala, nem às pessoas: “Não são nem de Deus, são deles mesmos, idiota!” (p.109). Podem atacar: “quem não vira nas noites sem vento como as flores de prata eram cruéis e assassinas?” (p. 162).

  • 10 Nat // 1/December/2007 às 11:47

    Pax, ;- )

    Claro que minha mãe sabia que depois daquele dia eu comecei a pegar os livros escondidos. Só teve um do qual eu ainda não me recuperei de todo… “Cleo e Daniel”, do Roberto Freire.

    Depois do “A Paixão segundo G.H.”, ela resolveu me dar os infantis da Clarice: “A mulher que matou os peixes” e a ” A vida íntima de Laura”. Recomendo a todos que têm filhos.

  • 11 Nat // 1/December/2007 às 11:50

    Clarice veio de um mistério.
    partiu para outro.
    Ficamos sem saber a
    essência do mistério.
    Ou o mistério não era essencial,
    era Clarice viajando nele.

    Carlos Drummond de Andrade

  • 12 francisco // 1/December/2007 às 13:14

    Pedro,

    Sou admirador da Clarice e, como nordestino, emocionou-me sobremaneira a declaração de que ela se considera nordestina; além disso, sua última e inesquecível obra traz como heroína uma alagoana. Que sirva de lição para os preconceituosos com postura de bom gosto!
    Muito, muito obrigado, amigo.

  • 13 T.T.Cricket // 1/December/2007 às 22:07

    Hmmm… então madama tinha sotaque estrrrangeirra?

  • 14 T.T.Cricket // 1/December/2007 às 22:09

    Interressante é que quando se diz que ela erra ucrraniana os ucrranianos responder: nyet, ela erra judia.

  • 15 T.T.Cricket // 1/December/2007 às 22:15

    Eu, pessoalmente, acho que ela era extra-terrestre.

  • 16 Ricardo Cabral // 1/December/2007 às 22:24

    Que mistérios tem Clarice…!

  • 17 T.T.Cricket // 1/December/2007 às 22:29

    O olhar em que não se vê a alma é tipicamente ucraniano.

  • 18 T.T.Cricket // 1/December/2007 às 23:24

    Essa entrevista com a Clarice Espectro tá bem mais interessante:
    http://www.youtube.com/watch?v=JBry67ld3AM&feature=related

  • 19 cristina // 2/December/2007 às 10:25

    vi a entrevista. sinceramente, não gostei, aprecio mais mentes fluidas e claras, tenho pra mim que a excelência tende à simplicidade, mas, é uma coisa pessoal.

  • 20 Dom Casmurro Patriarca // 2/December/2007 às 12:49

    Sobre Clarice, sobre a Nat em seu comentário nº 05, querida Nat, como sempre maravilhosa, deu-me até um pouco de contar um pouco da minha história também.
    Lá vai:
    Um pouco de mim mesmo.

    ” Minha mãe “meteu na cabeça” que eu era “inteligente” e saía a dizer isso para todos. Algumas pessoas vinham me procurar e apresentavam números com grande quantidade de algarismos multiplicado por outros da mesma estrutura e pediam que eu fornecesse a resposta correta. Eu dizia: “não tenho a menor idéia da resposta”. As pessoas balançavam a cabeça e saiam decepcionadas: “então, esse é que é o tal inteligente?” Mas minha mãe não desistia e continuava com sua ladainha. Creio mesmo que chegou a convencer a alguns. Certa vez um amigo do meu pai, que costumava vir “bater papo” sobre política, não encontrando meu pai, “discutiu” vários assuntos políticos comigo, uma criança de nove anos! Lembro-me que fiquei um pouco sem jeito, mas como eu sempre ouvia as conversas do meu pai, sabia o nome de alguns políticos e, quando esse amigo do meu pai relatava alguma fato, eu citava o nome do político a que estava se referindo, o que causou uma boa impressão!
    “As mães, as mães, como me enternecem!” Quando o goleiro alemão levou um tremendo frango na copa, alguém perguntou: Quem é que considera esse aí o melhor goleiro do mundo? E alguém respondeu: certamente, a mãe dele!
    De alguma forma a minha mãe chegou a convencer até a mim que eu era um pouco inteligente. Eu procurava mostrar atitudes “inteligentes”.
    Tive uma infância absolutamente “indígena”. Creio que minha rotina seria quase igual à rotina de um indiozinho, não fosse o fato de freqüentar escola. No mais eu procurava frutinhas silvestres, pescava nos riachos, caçava (naquele tempo não era proibido!), pássaros e pequenos animais. Aprendi a fazer utensílios com folhas de palmeira e armadilhas para prender aves e pequenos animais. “Comovia-me o odor e as cores da mata após uma chuva e as gotas d’água refletindo os raios do sol.” Creio mesmo que era feliz, apesar dos momentos de melancolia e angústia.”

  • 21 Cecilia // 2/December/2007 às 14:00

    Não baixei a entrevista. Tô com problema no computador. No entanto posso dizer que adolescente e depois moça, nunca soube bem da vida da Clarice. Me intrigava, ficava me perguntando, após sua leitura (principalmente A Paixão Segundo GH) como seria seu dia-a-dia. Achava impossível que se preocupasse com casa, compras, festas, empregada, filhos, etc. Seus livros no início me provocavam admiração febril (ela escrevia como eu respirava) depois enfado, revolta com a fixação no infinito de seu umbigo. Eu tinha um amigo que idolatrava a Clarice, o Caio Fernando Abreu. Seus primeiros escritos (do Caio) eram uma reprodução do estilo clariceano. Contudo duvido que os homens em geral gostem da Clarice. Praticamente não há “ação” no que escreve, o mundo exterior se eclipsa. Questão de testosterona, talvez. Pra lê-la é preciso entrar num estado especial de concentração. Ela faz percorrer, revolver e trazer à luz a sutileza indizível dos nossos subterrâneos, algo talvez mais à feição feminina.
    Quanto às intervenções do T. T. Cricket, tá mais pra isqueirinho vagabundo mesmo. O mundo podia perfeitamente passar sem elas.

  • 22 T.T.Cricket // 2/December/2007 às 17:50

    E aí, gozou?

  • 23 confetti // 2/December/2007 às 18:14

    kkkk*

  • 24 confetti // 2/December/2007 às 18:16

    cecilia, vc confundiu cricket com briquet ….
    ;)

  • 25 antonio68 // 2/December/2007 às 20:11

    pedro, acho que o link certo pra parte 3 é esse:

    http://www.youtube.com/watch?v=ZVwj3pHAi_s

    do jeito que está, a parte 3 é igual a 5…

  • 26 Cecilia // 2/December/2007 às 21:18

    Confetti, dada a extrema relevância do tema não posso deixar de lhe comunicar que o isqueiro era cricket mesmo. Na dúvida dá uma passadinha no google.
    Abraço

  • 27 confetti // 3/December/2007 às 4:57

    cecilia, a relevancia do tema é extrema mesmo ,como vc disse ! por isso, esquece google…foi so “un jeu de mot” pensando q vc nao fumasse…mas pelo visto, vc fuma ! kkk

  • 28 Cecilia // 3/December/2007 às 10:12

    Confetti,
    malhando em ferro frio, em todo o caso, vá lá: sabe guria, que só depois de mandar o mandado, uma vozinha deu de me azucrinar que havia trocadilho na parada. Das minhas remotas aulas de francês a palavra que me ocorria era brique (tijolo). Aí, então, dei uma olhadinha no dicionário e encontrei o briquet. Tous deux sont bien encaissés. Belle trouvaille.
    No mais, fumo sim (argh), bebo (guaraná) e jogo Mah Jong.
    Um abraço.

  • 29 Mr. WRITER // 3/December/2007 às 12:52

    PD,
    muito obrigado… basta assistir, dispensa comentários sobre.

    A propósito, Clarice, como tudo que é fascinante no mundo desperta duas reações: Amor ou ódio…

    Quem ama sabe porque, quem odia não sabe porque…

    Mais uma vez muitíssimo obrigado.

  • 30 LM // 3/December/2007 às 20:37

    Entrevistas assim, melhor não tê-las.

  • 31 xyz // 3/December/2007 às 23:07

    Confetti, você sabe o que lê (prefiro não saber o que você fuma). “Perto do coração” ficou pra mim off-limits, mas guardo bem “A Paixão segundo GH” e “A Mulher que Matou os Peixes”, que freqüentei na idade conveniente. Citação do grande Lúcio Cardoso, colhida, de todos os lugares imagináveis, no site do PSTU: “Em toda obra dessa grande escritora alguma coisa íntima está sempre queimando: suas luzes nos chegam variadas e exatas, mas são luzes de um incêndio que está sendo continuamente elaborado por trás de sua contenção. Esse fogo é o segredo íntimo e derradeiro de Clarice”.

  • 32 confetti // 4/December/2007 às 8:06

    xyz, comecei ler “perto do coraçao” bem pequena…fui crescendo e me identificando, tentando resolver o enigma de “ser e estar”…gosto dessa escritura randomica, clarice parece que ta “variando”…ja li esse livro do fim ao começo, conheço de cor trechos inteiros, virou uma droga, nao posso me desvencilhar !
    nao quer dizer que nao adore os outros tbm….cidade sitiada me da arrepios ….me sinto…

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