Pedro Doria | Weblog

um pouco do mundo, todos os dias

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Publicado em December 2007

A la recherche du temps perdu

31/December/2007 · 30 Comentários

Foi meu pai quem me levou para navegar na rede, é daqueles tipos que já tinha email quase desde que email existe. Agora dá tratos a um blog de narrativas familiares.

Tags: Blogosfera

Uma moça às segundas

31/December/2007 · 13 Comentários

Cynthia Howlett

Tags: Moças

A Revolução Sexual do Vietnã

30/December/2007 · 21 Comentários

E agora, no dia primeiro, que será inaugurada em Hanói a primeira exposição de fotografias de moças nuas da história do Vietnã. O governo vietnamita implantado após a guerra em todo país, é rígido e afeito à censura – daí que, confirmada a abertura da galeria, um pequeno passo de liberdade será dado.

O material do fotógrafo Thai Phien não tem nada de explícito, bem o contrário. O governo autorizou, já, a publicação de seu livro – chama-se Primavera. É bilíngüe, vietnamita e inglês.

Apesar de rigorosamente conservador, o país está sendo forçado a encarar a sexualidade pela tecnologia. Há acesso à Internet e telefones celulares. Em outubro, a jovem Hoang Thuy Linh, jovem atriz principal da série mais popular da tevê local, viu-se caindo na armadilha mais comum desta mesma tecnologia de comunicação. Um vídeo (NSFW) gravado pelo telefone de seu namorado navegou de celular em celular pelo país até terminar na Internet. A imagem virginal foi-se junto com o papel.

A Revolução Sexual vem atrasada ao país e por contrabando. Mas, ao menos, parece que chegou.

Tags: Sexo · Ásia Sudeste & Pacífico

Uma entrevista aos sábados

29/December/2007 · 299 Comentários

Que eu amo o amor é verdade. Mas por esse amor eu compreendo a soma de todos os amores, ou seja, o amor de homem para mulher, de mulher para homem, o amor de mulher por mulher, o amor de homem para homem e o amor de ser humano pela comunidade de seus semelhantes. Eu amo esse amor mas isso não quer dizer que eu não tenha amado as mulheres que tive. Tenho a impressão que, àquelas que amei realmente, me dei todo. Na minha vida tem sido como se uma mulher me depositasse nos braços de outra. Isso talvez porque esse amor paixão pela sua própria intensidade não tem condições de sobreviver. Isso acho que está expresso com felicidade no dístico final do meu soneto da fidelidade: ‘que não seja imortal posto que é chama / mas que seja infinito enquanto dure.’

Minhas maiores emoções foram ligadas ao amor. O nascimento de filhos, as primeiras posses e os últimos adeuses. Mesmo tendo duas experiências de quase morte – desastre de avião e de carro – mesmo essa experiência de quase morte nem de longe se aproximou dessas emoções de que te falei.

Eu amaria Marilyn Monroe. Foi um dos seres mais lindos que já nasceram. Se só exisitisse ela, já justificaria a existência dos Estados Unidos. Eu casaria com ela e certamente não daria certo porque é difícil amar uma mulher tão célebre. Só sou ciumento fisicamente, é o ciúme de bicho, não tenho outro.

É curioso, a alegria não é um sentimento nem uma atmosfera de vida nada criadora. Eu só sei criar na dor e na tristeza, mesmo que as coisas que resultem sejam alegres. Não me considero uma pessoa negativa, quer dizer, eu não deprimo o ser humano. É por isso que acho que estou vivendo num momento de equilíbrio infecundo do qual estou tentando me libertar. O paradigma máxima para mim seria: a calma no seio da paixão. Mas realmente não sei se é um ideal humanamente atingível.

Detesto tudo o que oprime o homem, inclusive a gravata. Ora, é notório que o diplomata é um homem que usa gravata. Dentro da diplomacia fiz bons amigos até hoje. Depois houve outro fato: as raízes e o sangue falaram mais alto. Acho muito difícil um homem que não volta ao seu quintal, para chegar ou pelo menos aproximar-se do conhecimento de si mesmo.



Vinícius de Moraes entrevistado por Clarice Linspector.

Tags: Gente · Livros · Música

Open thread de sábado

29/December/2007 · 77 Comentários

Saravá!

Tags: Open thread

Paquistão após o assassinato
de Benazir Bhutto

28/December/2007 · 158 Comentários

É sempre chocante assistir à decomposição de um país. Mas, após o assassinato de Benazir Bhutto, é o que está acontecendo com o Paquistão. O momento é tenso. Uma revolta popular pode estourar. Agora, que faria sentido declarar Estado de Emergência e impor a Lei Marcial, o presidente Pervez Musharraf está desautorizado. Afinal, há coisa de dois meses, aplicou um golpe contra a Suprema Corte utilizando-se justamente desta tática.

Será que ousaria um novo Estado de Emergência? Será que sobreviveria a tal decreto? Será que o Exército se manterá fiel a ele? Será que o Serviço de Inteligência, tão ligado ao norte islâmico, ainda o respeita minimamente?

O que acontecerá não é possível prever. Eleições estão marcadas para 8 de janeiro, Bhutto era favorita. O partido mais votado do parlamento eleito fará o primeiro ministro. Num país estável, o assassinato de um dos principais candidatos a essa altura seria justificativa para suspender o pleito e realizá-lo adiante, quando o partido vitimado tivesse chances de apresentar novo candidato. Mas, se já foi um dia, o Paquistão deixou de ser um país normal, quanto mais estável. O ideal seria que eleições ocorressem. É preciso manter a mínima aparência de democracia sob o risco de que ela desapareça de vez.

Os partidários de Bhutto, ontem, acusavam Musharraf do assassinato. Mas será?

Em campanha, a ex-primeira-ministra mostrava-se particularmente agressiva contra o Talibã, o radicalismo islâmico e sua cria, a al-Qaeda, alojados ao norte. Benazir Bhutto contava com a simpatia dos EUA por conta. Não há dúvidas de que, como premiê, Bhutto forçaria o presidente Musharraf a ampliar sua ofensiva. A conversa da experiente política com o presidente afegão Hamid Karzai, o outro chefe de Estado preocupado com esta briga, faz poucos dias, é indício de qual sua prioridade no governo.

Após seu assassinato, o presidente, que acaba de abandonar a farda de general, não tem como garantir sequer sua sobrevivência política. Se o conflito entre ambos era aberto, ausência de Bhutto piora a situação. Se a lógica ainda prevalecer no país em frangalhos, parece evidente que os maiores interessados em sua morte são justamente o Talibã e a al-Qaeda.

Isto, é claro, se a lógica valer de algo.

A al-Qaeda às vezes assume seus atentados. Outras vezes, não. No Onze de Setembro, ficou em silêncio por mais de mês enquanto a comunidade internacional cobrava provas de seu envolvimento antes de autorizar um ataque dos EUA ao Afeganistão. Neste caso, a falta de autoria clara favorece o caos. O caos interessa à turma de bin-Laden.

Com Bhutto de fora, os olhos voltam-se para outro ex-premiê, também candidato, Nawaz Sharif. Mal se passara uma hora da morte de Bhutto quando ele entrou no Hospital Geral de Rawalpindi para as condolências. Dada a confusão que imperava, foi um feito. É arte política, sujeito hábil. Embora os dois ensaiassem uma aliança, Sharif não poderia ser mais diferente de Bhutto. Se ela era pró-EUA, ele não esconde seus laços com a Arábia Saudita. E se acaso sauditas e norte-americanos são oficialmente aliados, na realidade da política local a ação é diferente.

A al-Qaeda é um grupo saudita. A Arábia Saudita era um dos três países do mundo que reconheciam, no Afeganistão, o governo Talibã. A vertente de islamismo radical que impera no norte do Paquistão é profundamente semelhante à que a Arábia Saudita espalha pelo mundo. Sharif não é fundamentalista. Mas a geopolítica que o sustenta e financia é tão atada aos sauditas que um gabinete liderado por ele é marcado por uma interrogação. O que vai imperar? A Arábia Saudita interessada em regimes islâmicos como os defendidos pelos radicais? Ou a Arábia Saudita interessada em combater o terrorismo? No Paquistão, as duas opções são incompatíveis.

Enterros no Paquistão acontecem rápido. Provavelmente hoje, talvez amanhã. Se demorar mais, escaparam à tradição – coisa sempre perigosa – para evitar as multidões. A multidão é incontrolável. Se o país rachar. Se houver um golpe de Estado. Se radicais islâmicos conseguirem um atalho para o poder. O mundo respira fundo.

O Paquistão é uma potência nuclear.

Tags: Oriente Médio · Terror · Ásia Central

Assassinada Benazir Bhutto

27/December/2007 · 70 Comentários

No momento, uma multidão de seguidores à frente do Hospital Geral de Rawalpindi grita ‘Musharraff Cachorro’ – mas é cedo ainda para sugerir culpados.

A duas vezes premiê paquistanesa Benazir Bhutto foi assassinada em meio a um comício em Rawalpindi, cidade onde fica a sede do Exército, próxima à capital Islamabad. Um homem disparou tiros contra ela e, na seqüência, explodiu-se.

Hoje mais cedo, não longe dali, quatro assessores de Nawaz Sharif, outro ex-premiê, também candidato, foram assassinados a tiros. O partido de Sharif acusou militantes pró-governo.

As eleições parlamentares na qual Sharif concorre e Bhutto concorria acontecerá em 12 dias.

Tags: Islã · Terror · Ásia Central

A decadência de Oscar Niemeyer

27/December/2007 · 128 Comentários

Para Nicolai Ouroussoff, o conceituado crítico de arquitetura do New York Times, a maior ameaça à obra de Oscar Niemeyer é Oscar Niemeyer:

Em meados dos anos 1980, Niemeyer alterou a forma dos arcos que cercam a fachada do prédio do Supremo Tribunal Federal, sacrificando-lhes a elegância em detrimento de algo esteticamente mais simples. No mesmo período, ele renovou a Catedral de Brasília, considerada uma de suas obras-primas. Erguida por uma série de arcos parabólicos que se abrem no topo, seu conjunto dava um toque exuberante ao Eixo Monumental. Niemeyer modificou-a pintando de branco a estrutura em concreto no topo e substituindo seus janelões com painéis de vitrais desenhados por Marianne Peretti: as mudanças fizeram com que o prédio perdesse a força bruta imposta por aquele movimento em direção ao alto.

Talvez pior tenha sido o término, no ano passado, do Museu e a Biblioteca Nacional no Eixo Monumental. A cúpula branca do museu, cortada em uma ponta por uma longa rampa, repousa sobre a praça de concreto com a leveza de um bunker militar. As paredes curvas e a falta de luz natural – uma lástima num clima como o brasileiro – compõem um cenário desagradável para se ver arte.

Ouroussoff acha o prédio do Museu de Arte Contemporânea de Niterói uma lástima que mais parece obra de alguém tentando imitar Niemeyer. Sua conclusão é de que, seja pela idade, seja pela fama, o velho mestre perdeu a mão. A leveza que imprimia a suas construções perdeu-se e o acabamento deixou de ser bem cuidado.

Tags: Artes · Brasil

Olhando para o futuro

27/December/2007 · 35 Comentários

Esta semana segue lenta. Semana que vem será o mesmo. No ritmo típico de audiência da Internet, haverá muito pouca gente online neste período, parte do público retorna em meados de janeiro, mas o ritmo de hábito, em terras de tupinambá, só depois do Carnaval.

Para não perder público interessado, a série O mundo visto pelos leitores pulará as duas semanas de festas e torna ao Weblog na quinta-feira, 10 de janeiro. As outras seções fixas – estantes, moças, entrevistas e open threads – continuarão normalmente.

Quanto a este blogueiro, passará seu primeiro período prolongado longe dos computadores em muitos anos entre a sexta-feira, dia 28, e a terça-feira, dia primeiro quarta-feira, dia 2. No dia 3, de volta ao batente.

Há posts programados para aparecer a cada dia. Mas, fora uma catástrofe política internacional repentina, qualquer assunto novo ficará para o ano que vem. O mesmo será o destino dos comentários que porventura caiam na armadilha do sistema anti-spam. Não é toda hora que acontece – mas uma dica: mais de dois links é batata. Não sairá publicado antes de um okay do administrador.

Este foi um ano de transições, por aqui – e a vida independente, embora mais trabalhosa, tem sido de aprendizado. Em NoMínimo, o Weblog costumava encerrar os meses com umas 80.000 páginas visitadas que, num mês particularmente produtivo de 1996, atingiu a marca de 110.000.

Mesmo com a queda de audiência ditada pelo período de festas, nos 30 dias entre 25 de novembro e 25 de dezembro, o Weblog fechou com 163.000 páginas lidas.

Dobrar em seis meses deixa um gosto bom para este fim de ano.

Nos quase 5 anos de operação em NoMínimo, o Weblog chegou a receber links de 162 blogs diferentes, seguindo medições do Technorati. Mais integrado à blogosfera, neste período de independência o Weblog partiu do zero para alcançar a marca dos 340 links nestes últimos seis meses. O índice Technorati mede, através destes links, a relevância de um blog na conversa contínua da Internet em todo o mundo. Contam-se nos dedos de uma mão o número de blogs fora de grandes portais, no Brasil, com estes números.

Principalmente, a conversa aqui dentro é contínua – e graças a vocês. Recebi muitos emails, muita oferta de ajuda, livros e filmes de presente, comentários eventuais e até alguns telefonemas. Está sendo um prazer.

Senhores leitores: muito obrigado. E feliz ano novo =)

Tags: Administrativas · NoMínimo

Uma estante às quintas

27/December/2007 · 12 Comentários

For her

Tags: Estantes

Cristianismo versus Islã

26/December/2007 · 173 Comentários

Na virada do século 19 para o 20, 200 milhões de muçulmanos viviam no mundo. Foi um século exuberante para o Islã: hoje, são 1,5 bilhão de fiéis. Em compensação, um ocidente cada vez mais laico produziu um crescimento em proporção muito menor à do aumento populacional do cristianismo. Jesus ainda vence Maomé – são 2 bilhões de cristãos, afinal – mas a se julgar pelo ritmo de uma e de outra, em 2050 o Islã deverá ser a maior religião do mundo.

A Economist edição dupla, que cobre a quinzena final de 2007, traz uma reportagem estupenda sobre o equilíbrio das duas filhas do judaísmo. (Diferentemente de cristãos e muçulmanos, judeus, os inventores do primeiro Livro sagrado, não vêem como sua a missão de sair pelo mundo a converter seguidores.)

De um lado, como financiadores, estão os poderosos evangélicos norte-americanos, que investem pesadamente na formação de missionários para espalhar pelo mundo. Do outro, estão a família real saudita e incontáveis milionários do petróleo árabes que gastam um bom dinheiro para espalhar o seu livro sagrado a qualquer interessado. (Peça um para você: www.freekoran.com.)

Os cristãos são mais espertos quando o assunto é marketing: no mercado dos EUA, há Bíblias de todos os tipos, adaptadas para crianças, adolescentes, adultos, comentadas ou não, há revistas multicoloridas, há filmes. E este material vai se espalhando em línguas várias.

Os muçulmanos têm uma tremenda vantagem: na maioria dos países islâmicos, a tentativa de converter qualquer um a outra religião é crime – muitas vezes, só rezar para outro Deus já é passível de cadeia ou outra pena. Então o Islã tem livre acesso à Europa, aos EUA e Américas, enquanto missionários cristãos não podem jogar no campo inimigo, salvo imenso risco.

Mas nem tudo é positivo. O Onze de Setembro foi uma rasteira. A maioria das entidades filantrópicas que investiam no espalhar da religião de Maomé foram declaradas suspeitas ou mesmo ilegais, por conta de envolvimento com o financiamento do terrorismo. Além disso, o terror despertou uma profunda desconfiança mundial. Não bastasse, islâmicos resistem a técnicas modernas de marketing, já que consideram seu livro sagrado a palavra literal de Deus – e não meramente inspiradas por, caso dos cristãos. Mexer com ela seria sacrilégio.

Por sua vez, os cristãos seguem perdendo espaço no coração europeu de sua origem. Por um lado, perdem para o próprio Islã, conforme jovens nascidos em famílias que migraram procuram contato com a religião de pais e avós numa busca de identidade; por outro, perdem para o nada, conforme jovens de origem européia bem educados deixam de ter uso para qualquer religião que seja.

O campo está aberto. Pode não haver um choque entre civilizações, mas os grupos interessados particularmente na divulgação de suas religiões farão do choque entre Cristianismo e Islamismo um conflito marcante das décadas porvir. O principal cenário desta disputa, no momento, passa ao largo de Europa ou Oriente Médio. É a África.

Tags: Cristianismo · Igreja Católica · Islã · Judaísmo

O nascimento do homem

25/December/2007 · 23 Comentários

Esta é a última de minhas reportagens sobre o Natal publicadas em NoMínimo. Esta saiu faz exato um ano, em 2006. O objetivo, após escrever sobre Jesus e Papai Noel, era escapar por completo à qualquer conotação religiosa do tema. Ao invés de o nascer do Homem, filho de Deus dos cristãos, o nascer do homem. De nós todos.

A princípio, os antropólogos liderados pelo professor Timothy White não perceberam muita diferença no crânio. Ele estava em fragmentos, disperso pelo solo etíope, e só muito lentamente, pincelada após pincelada, cada um de seus pedaços foi retirado. Em 1997 – faz dez anos ano que vem. No laboratório, o quebra–cabeça montado, o crânio de um homem adulto antigo, muito antigo, chamou atenção.

É que ele era grande.

O volume do cérebro, maior do que o nosso. Tinha um palato mais largo, também. Visto de cima, era um crânio mais comprido. Que bicho estranho era ele e, no entanto, tão parecido conosco. Não era um macaco. Quando chegaram os resultados da datação ficou claro quem era o sujeito que víamos pela primeira vez. Tinha 160 mil anos. O homem moderno mais antigo já encontrado tem uns 130 mil. O que White e seu time encontraram era um Homo sapiens, sim, mas não um de nós. Nosso antepassado imediato: Homo sapiens idaltu – o Homem sábio mais antigo, numa tradução literal de seu nome.

Amanhã é Natal, o dia em que a tradição cristã celebra o nascimento de Jesus Cristo e que representa, num nível mais simbólico – e essa é a visão de muitos teólogos –, o nascimento de todos nós. Mas quem somos nós? Ou talvez, perguntando de forma mais precisa, por que somos assim tão diferentes dos outros à nossa volta? Por que fazemos arte? Por que cometemos genocídio? Por que erguemos cidades, fazemos automóveis, conversamos uns com os outros, escrevemos? Por que fomos à Lua? Por que nos perguntamos essas coisas?

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Tags: Biologia · Ciências

Um filme de Natal

25/December/2007 · 28 Comentários

Tags: Cinema · Pop

Acompanhe Papai Noel

24/December/2007 · 5 Comentários

Minuto a minuto, sua localização é dada pelo North American Aerospace Defence Command, NORAD, conjunto de radares utilizados para acompanhar o espaço aéreo da América do Norte.

(Veja, também, os flagrantes de sua viagem, que já está em curso, neste Natal de 2007.)

dica do Dexter

Tags: Pop

Open thread de Natal

24/December/2007 · 11 Comentários

Deixei Meu Sapatinho, Na Janela Do Quintal.
Papai Noel Deixou, Meu Presente De Natal
Como É Que Papai Noel, Não Se Esquece De Ninguém.
Seja Rico Ou Seja Pobre, O Velhinho Sempre Vem.

Tags: Open thread

A verdadeira história do Papai Noel

24/December/2007 · 26 Comentários

Por um tempo, em NoMínimo, tomei o hábito escrever algo de diferente para cada Natal. Continuando a série de republicações, esta é a verdadeira história do Papai Noel, que saiu no 25 de dezembro de 2004.

Feliz Natal a todos!

Papai Noel com bochechas rosadas e sorriso bonachão nasceu num poema anônimo, publicado no New York Sentinel, jornal que não existe mais, no 23 de dezembro em 1823. Chamava-se São Nicolau, ainda, era um elfo baixinho, carregava seu saco de presentes com o qual descia chaminés abaixo. Ali já estava a costura de um santo católico com mitos nórdicos. Tem três pais modernos: o poeta anônimo, um mordaz cartunista político analfabeto e um desenhista publicitário conhecido pelas moças seminuas pin-ups que traçava.

De origem mesmo, Papai Noel é personagem histórico, São Nicolau. Cinco santos católicos tem este nome, um deles papa. Do original, São Nicolau de Bari, pouco se conhece. Nasceu em Lícia, que hoje fica na Turquia, em finais do século 3. Órfão de pais ricos, peregrinou pela Palestina e Egito, abraçou o cristianismo. Era uma época tumultuada, finais do governo de Diocleciano, quando seguir Cristo já era atividade popular mas ainda coisa perseguida. Jovem ainda, Nicolau sacramentou-se padre e foi feito bispo de Mira, sua região natal.

Ficou preso e provavelmente foi torturado muitos anos até que ascendeu ao trono romano Constantino, em 306, que posteriormente cristianizou o império, em 312. Tempo de rancores – era preciso lidar com a turma que renegou Cristo para evitar a prisão; inventaram o sacramento da confissão por conta. Carecia também gerenciar o conflito entre o imperador e o papa Silvestre I, que disputavam o comando da Igreja. E, sobretudo, alguém precisava decidir o que afinal era Jesus Cristo.

Em 325 fez-se a primeira reunião de todos os bispos para afinar o discurso no Concílio de Nicéia. Nicolau era um dos defensores da tese da trindade – de que Cristo era Deus – e seu lado terminou por vencer o grupo que o via como um profeta, um homem entre homens. Os bispos decidiram também que evangelhos entravam na Bíblia e afastaram o cristianismo do judaísmo original, abolindo o sábado como dia de descanso e adotando o domingo, incluindo-se aí uma nova data para a Páscoa.

No entanto, ele é um santo embaraçoso para a Igreja contemporânea – na Enciclopédia Católica oficial, põe-se em dúvida até se participou ou não do concílio. Nem todos os bispos foram, só a maioria. Mas o bispado de Nicolau incluía a Anatólia, local do concílio – por que estaria ausente duma reunião em casa? Só que é embaraçoso: os milagres lhe atribuídos são um tanto incríveis e a Igreja implica com o encontro da religião com crendice popular. Uma vez, por exemplo, São Nicolau caminhou pelas águas do mar para salvar um pescador que ia afogando.

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Tags: Argentina · Brasil · EUA · Europa · História · Igreja Católica · Pop

Uma moça às segundas

24/December/2007 · 6 Comentários

Autumn Sonnichsen

+ blog da Nerve, sujeito a cadastro

Tags: Moças

Sonhei que a neve fervia

23/December/2007 · 11 Comentários

Na janelinha e sem ninguém ao meu lado (tenho certeza que a doce Mani tem participação nisso), prendi meu cinto de segurança e reparei no seguinte: eu havia parado de tremer assim que entrei no avião. Fim. Eu não estava com medo. E percebi que foi a mesma coisa que senti quando os meninos encostaram a seringa na Marlene. Eu só tive medo de que eles fizessem mal a ela, mas o Medo, aquele, não estava lá. E então eu soube: meu maior temor nessa vida era que você morresse. Era meu pavor, era meu pesadelo, era o que me fazia chorar quando encostava meu rosto no seu (o outro motivo que me fazia chorar encostada em você era amor, eu amava tanto você que doía, era física essa dor e eu chorava, lembra?). E sem esse medo nenhum outro medo faz sentido, porque nada pode ser pior do que ter o maior medo realizado. Parei de tremer assim que entrei no avião, meu medo passou. Esse e os outros. Você morreu, o pior aconteceu e eu não devo temer mais nada.

No Drops da Fal.

via De olho no fato

Tags: Blogosfera · Gente

Uma entrevista aos sábados

22/December/2007 · 166 Comentários

O Saturday Night Live ofereceu 3.200 dólares para que os Beatles aparecessem ao vivo, juntos. Eu e Paul estávamos assistindo, ele tinha vindo aqui no apartamento do Dakota. A gente estava assistindo e quase fomos ao estúdio, só de brincadeira. Quase entramos no táxi, mas a gente estava cansado. Essa era uma época em que o Paul sempre aparecia à porta com um violão. Aí eu deixava ele entrar, mas um dia disse ‘Liga antes de aparecer. Não estamos em 1956, mais, e simplesmente aparecer às vezes atrapalha. Tipo: só dá uma ligada.’ Ele ficou chateado com isso, mas eu não queria que levasse a mal. Era só que eu estava cuidando do bebê o dia todo e aí um cara aparece à porta… mas, enfim, naquela noite ele e Linda chegaram e nós estávamos sentados lá, assistindo tevê, e ficamos nessa de ‘ha-ha, não ia ser engraçado se a gente aparecesse de repente no estúdio?’, mas aí não fomos. Foi a última vez que nos vimos.

Você poderia dizer que ele trazia uma certa leveza, um otimismo, enquanto eu sempre ia pra tristeza, pras discordâncias, uma coisa mais blues. Houve uma época em que eu achava que não fazia melodia, que era o Paul que as fazia, que o que eu fazia era só rock ‘n roll. Mas aí quando penso em algumas das minhas músicas – In my life – ou algumas das coisas mais antigas – This boy – eu tinha boas melodias ali. O Paul é muito educado musicalmente, ele tocava vários instrumentos. Ele dizia ‘Por que a gente não muda aqui? Você pôs essa nota 50 vezes nessa música.’ Por outro lado, era eu quem sacava por onde ir numa música – o Paul começava uma história, e eu levava essa história para algum lugar. Sempre tive mais facilidade com as letras, embora o Paul seja um letrista muito melhor do que ele acha. Ele não se arrisca.

John Lennon, 1980

Tags: Gente · Música · Pop

Open thread de sábado

22/December/2007 · 118 Comentários

I’m dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the treetops glisten,
and children listen
To hear sleigh bells in the snow

I’m dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all your Christmases be white

Tags: Open thread