Pedro Doria | Weblog

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Proer à americana & o insustentável dólar

November 30th, 2007 · · 65 Comentários

Muitos norte-americanos de baixa renda adquiriram empréstimos para a compra de moradia – muitos, neste caso, são muitos mesmo, uma quantidade atordoante – durante os anos 1990. A avaliação destes empréstimos foi mal feita e honrá-los parece impossível: é a bolha imobiliária norte-americana.

Agora ficou claro, na calada da noite, o Fed, banco central dos EUA, deu à financeira Countrywide um belíssimo empréstimo – 51 bilhões de dólares – para salvá-la da falência. O argumento é que trata-se de uma empresa de capital aberto e, se quebrar, o prejuízo estará nas mãos de milhões de pequenos acionistas. (O norte-americano médio costuma investir na Bolsa o dinheiro da aposentadoria.). É um Proer à americana.

Em casos nos quais uma quantidade enorme de dinheiro público é necessária para salvar uma instituição insolvente, a penalidade justa para os acionistas é limpar suas ações e promover uma tomada de comando pública – isto mesmo, uma nacionalização do banco. Tal nacionalização deve ser temporária, apenas para limpar a bagunça, deve servir para se livrar dos sócios e gerentes incompetentes, reestruturar o banco e então revendê-lo para o setor público. Capitalismo sem punição para empréstimos mal feitos traz a peste à tona.

Quem fala é Nouriel Roubini, o blogueiro de origem turca responsável pelo Departamento de Economia e Negócios da Universidade de Nova York. A crise no mercado imobiliário dos EUA faz desconfiar da segurança do dólar – e o valor da moeda norte-americana começa a se distanciar do valor do euro. Não é a única coisa que faz derrubar o dólar. A economia norte-americana está em baixa, diz a Economist, que dedica a capa de sua edição desta quinta-feira ao assunto. E o Fed continua a cortar os juros. A economia dos EUA desce, a do resto do mundo sobe. E esta divergência pode provocar uma recessão interna.

Daí, um perigo: economias emergentes – o Brasil dentre elas – têm grandes reservas em dólar. Isso vale particularmente para a China. Se estes países, preocupados com a desvalorização de seu capital armazenado, vão ao mercado trocar os papéis em dólar por outros, a enxurrada de verdinhas a venda empurrará ainda mais para baixo o valor da moeda norte-americana. Não são apenas os EUA que sofreriam com uma operação destas. Todo mundo tem dólar embaixo do colchão. A virada brusca para uma outra moeda base na economia mundial – digamos, o euro – jogaria o mundo numa recessão.

A receita sugerida pela Economist? Que os bancos centrais do mundo agüentem o tranco. Sem pânico, deixando os dólares bem guardados, espera-se que os EUA levantem-se novamente.

Um Clinton, diga-se, já se mostrou capaz de resolver a bagunça econômica que os republicanos provocaram. (Em sua autobiografia, Bill Clinton comenta o ódio que sentia, ao ouvir falar nostalgicamente da ‘economia nos tempos de Reagan’, por ter de lidar com as conseqüências.)

Mas o Clinton de 1992 não tinha o que Hillary – ou Obama, ou Edwards ou algum possível vencedor republicano – terão de lidar em 2009. Bill Clinton não tinha que sustentar duas guerras no exterior e fazer, simultaneamente, os investimentos adiados porém necessários para combater o aquecimento global e substituir a dependência do país por petróleo. O próximo presidente terá o déficit George W. Bush – como Bill teve o déficit Reagan-Bush – e dificilmente terá um boom da indústria de tecnologia que puxou para frente, e à toda, a economia da Califórnia e, consigo, dos EUA.

Ainda assim, os EUA sempre se provaram, ao longo do século 20, uma máquina insuperável de produção de riquezas. Por enquanto, não há porque achar que deixarão de ser.

Tags: China · EUA · Mundo

65 Comentários até agora ↓




  • 1 confetti // 30/November/2007 às 12:00

    eu ! :)

  • 2 confetti // 30/November/2007 às 12:12

    à baixo o dolar, viva o euro ! :)
    se dependesse dos chineses seria assim….

  • 3 chesterton // 30/November/2007 às 12:14

    http://medienkritik.typepad.com/blog/2007/11/more-hyperbole.html

  • 4 Ana Pulg // 30/November/2007 às 12:30

    Ainda espero uma moeda internacional para atuar no mundo globalizado. Abaixo o dolar!

  • 5 confetti // 30/November/2007 às 12:39

    “à baixo” ou “abaixo” ?

  • 6 Alba // 30/November/2007 às 12:46

    Abaixo, confetti.

    É. Pelo jeito, as coisas estão mal paradas para o próximo presidente americano - aquele que vai herdar as várias encrencas deixadas pelo Bushinho. :(

  • 7 HRP Mané Reloaded // 30/November/2007 às 12:49

    Agora a turma dos puxa sacos dos “Americans” vai ter que se virar para justificar a marmelada!

  • 8 Andre Fucs // 30/November/2007 às 13:22

    confetti,

    cuidado com a fé no euro ela pode lhe custar umas economias. :-)

    A europa já já entra em pânico com o euro nas alturas. Lembre-se que o deficit economico da europa com a china já é enorme e um euro caro faz a china ainda mais poderosa frente aos europeus.

  • 9 Andre Fucs // 30/November/2007 às 13:24

    em todo caso a coisa está cada vez pior para a imagem americana. Tanto se prega a ortodoxia econômica, a mão invisível do mercado e no fim das contas ele acabam passeando de PROER. piada

  • 10 Arkymedes // 30/November/2007 às 13:31

    Euro?
    To fora.

  • 11 confetti // 30/November/2007 às 13:48

    dr andré,

    “l a France a signé lundi des contrats d’une valeur d’environ 20 milliards d’euros, dont deux réacteurs nucléaires EPR fournis par Areva, et une grosse commande pour Airbus (dont une bonne partie produite sur place, à Tianjin). ”

    http://tempsreel.nouvelobs.com/actualites/international/asiepacifique/20071126.OBS6696/lsreactions00e5.html?l=0

  • 12 nada será como antes // 30/November/2007 às 13:52

    Há alguns dias comentei, neste site, exatamente sobre essa questão do dollar.
    Os USA já estão na fase de tapar buracos ; na próxima fase , os buracos serão mal tapados ; mais à frente, não haverá como fazer.
    Não se trata de profecia, apenas de atenção à economia.
    O dollar será substituido, no mercado internacional, por várias moedas, sem lastro em ouro e/ou credibilidade, mas com lastro na garantia produtiva.
    O Euro estará no páreo, seguramente, assim como uma eventual moeda do Mercosul.
    É esperar para ver.

  • 13 Andre Fucs // 30/November/2007 às 13:59

    confetti?

    e???

  • 14 confetti // 30/November/2007 às 14:00

    pago em euros….antes comendas desse porte so se pagava em $$

  • 15 Pedro Direitoba // 30/November/2007 às 14:32

    Bobagens a parte, não se trata de uma crise do dólar e que os bancos possam guardar seus dólares para ajudar a situação. É o horizonte de uma possível recessão anunciada desde o início do ano e que ningué arrisca dizer que será superada, mas que não passará do inicio de 2008 para aparecer mais visivelmente. Isto porque o rombo dos títulos podres imobiliariários se mostram maior do que o mercado considerava. Como qualquer pobre mortal sabe, dos dólares dependem a economia mundial, seja o ex-Terceiro Mundo, China e Europa. Quem se lembra do euro-dólar na crise de meados dos setenta sabe que logo a crise afetou a economia Européia. O que o Fed pratica é uma administração da crise, estendendo-a, como nunca se fez antes. Fornece créditos em juros baixos aos caloteiros e acalma o mercado. Mas parece que isso terá um fim, um limite. Seria contornável se o rombo fosse pequeno. Entrando o maior mercado do mundo em recessão, o resto acompanhará oabalo no Império. Quem duvida disso?

  • 16 Pedro Direitoba // 30/November/2007 às 14:47

    Rapaz, a média de posts por minuto do Dria hoje tá de mais.

  • 17 nada será como antes // 30/November/2007 às 15:00

    Depois dos USA, o próximo gigante a tombar será a…..China. Isso mesmo.
    A China tem problemas estruturais sérios em sua economia. Para começar, terá que valorizar seu yuan, que está subvalorizado por razões de táticas de comércio exterior.
    Moeda subvalorizada facilita o mercado exportador, mediante o barateamento artificial das mercadorias.
    Quando não for mais possível manter esse quadro, suas reservas cairão e os superávits comerciais serão esgotados. Ao mesmo tempo, a parte oeste do país, alijada do desenvolvimento, perderá a esperança de inclusão e, daí………..

  • 18 confetti // 30/November/2007 às 15:01

    nsca, a mesma analise do the economist…

  • 19 nada será como antes // 30/November/2007 às 15:15

    Não lí “The economist” , mas que isso vai acontecer é certo.
    De minha parte, faço essa análise desde 1994, pelo menos.

  • 20 Marcos Araújo // 30/November/2007 às 15:18

    No fim, quem pagará as contas, seremos todos nós…

    Bancos NUNCA perdem dinheiro; repassam as perdas para os otários: Nós.

  • 21 confetti // 30/November/2007 às 15:20

    alô marcosss

  • 22 nada será como antes // 30/November/2007 às 15:24

    Marcos Araújo, os bancos vão perder , sim.
    As fusões de conglomerados têm ocorrido exatamente para suportar as futuras perdas.
    Além disso, haverá quebras nos USA. Nem todas as financeiras tem porte ou poder de pressão para obter socorro.

  • 23 confetti // 30/November/2007 às 15:28

    nsca, te imaginando aqui com a bola de cristal e o turbante, uma luz meio avermelhada e um gato ronronando à seus pés…kkkk

  • 24 proftel // 30/November/2007 às 16:45

    nada será como antes:

    Eu falei até lá no Kupfer, esse troço de Banco Central ajudar o mercado é um abraço de afogados.
    Na crise de 29 o BC americando deixou o pau comer, quem quebrou, quebrou e, que se laske.
    O resultado foi o saneamento das instituições “podres”.
    Nisso, o BC norte-americano estava com $ em caixa e foi possível a implantação do New Deal.
    Socorrendo essas instituições podres, por melhor que seja o $ em caixa nos BC’s, saem enfraquecidos e enfraquecida será um reordenamento da economia (hoje afetada mundialmente por qualquer “foatz” solto por um ou outro integrante).
    Sei não, a coisa pode ficar feia, esse pessoal está pisando em ovos, tomara que esteja errado.

  • 25 Nassau // 30/November/2007 às 18:15

    “Os USA já estão na fase de tapar buracos ; na próxima fase , os buracos serão mal tapados ; mais à frente, não haverá como fazer.” nsca.

    E quando a quantidade desses buracos ultrapassarem os 5%, então teremos o que se chama em econometria pavloviana de “buraco estrutural”. Aí corram aos botes. O último a sair não esqueça de apagar as luzes, se é que que ela já não foi cortada pela companhia de distribuição de energia elétrica, por falta de GNV.
    abs.
    abs.

  • 26 proftel // 30/November/2007 às 18:29

    Nassau:

    Olha, o indicador vai ser o ouro, a hora que o bicho começar a subir muito, se cuida.

  • 27 confetti // 30/November/2007 às 18:30

    nsca, seu coment.19….fazer essa analise da china no mundo capitalista desde 94 so com bola de cristal mesmo ! a situaçao nao tinha nada à ver….

  • 28 proftel // 30/November/2007 às 18:37

    Confetti, o que o NASCA falou tem fundamento.
    Os modelos em economia são como os meteorológicos, complicados mas sempre levando em conta o que já aconteceu antes.
    A história nesses casos (e em meteorologia os eventos) tendem a repetir com maior ou menor semelhança.

  • 29 proftel // 30/November/2007 às 18:46

    Há mais, Bancos Centrais e grandes investidores têm seus dados e análises muito bem guardadas, o que o povão fica sabendo é coisa que já aconteceu, notícia velha para os grandes.
    Estes tomam suas posições no mercado, quando o povão que confia em “análise” de jornalista se dá conta já dançou.
    Os grandes raramente saem no prejú, acontece mas, é raro.
    Há muitos confrades investem no mercado, já deu prá sacar isso e, a maioria não vai abrir o jogo não.

  • 30 Nassau // 30/November/2007 às 18:48

    proftel,
    Humm, o velho e bom ouro, obrigado pela dica.
    abs

  • 31 Marcos Araújo // 30/November/2007 às 18:52

    Alô Confettiiii,

    J’espère que tout va bien avec toi…et que ça continue. Fais attention au “bicho-papao” Sarkosy; il est trop laid. Porém, o bichim terá que botar água no seu vinho e é bom nao desafiar os jovens, sobretudo os da banlieu - é brincar com fogo!

    Além disso, a polícia aí anda mentindo e escondendo fatos (filmados!), como o apôio do Judiciário, sobre a morte daqueles dois jovens, no acidente de motocicleta. No fim, igualzinho ao Brasil, vai dar em pizza…

    NASCA: Concordo com você. A coisa nos USA tá tao preta que dessa vez poderá haver muita quebradeira. Nesse caso, a recessao será mundial. Mas, quem é que paga no fim da linha?

  • 32 Nassau // 30/November/2007 às 18:59

    proftel,
    É verdade, eu mesmo já tentei entrar nesta confraria várias vezes, mas tem um leão de chácara naquela porta que não foi com a minha cara de jeito nenhum. Estou pensando em processá-lo por preconceito de classe social.
    abs.

  • 33 confetti // 30/November/2007 às 19:13

    marcos, é verdade, sarko fait son rambo, acho que vai se arrepender de la provoc! mas nao vai dar em pizza…

    tenho curtido seus comentarios, gosto de vc ! :)

    ale, td bom ? o nsca nao pode estar certo analisando a china assim desde 94 ! a mudança por la foi espetacular nos ultimos 5 anos… antes, francamente nao dava pra imaginar a abertura comercial…
    beijos, nao te vi “na area essa manha”…

  • 34 confetti // 30/November/2007 às 19:13

    oi nassô…:)

  • 35 Nassau // 30/November/2007 às 19:48

    Oi confetti
    nassô, é assim que se pronuncia em francês? Gostei.
    beijos.

  • 36 proftel // 30/November/2007 às 19:49

    Nassau:

    Essa “confraria” do mercado de capitais é difícil de entrar, conheci alguns em Sampa, são tudo aquilo que mostra nos filmes, daí prá pior.
    Já a nossa aqui é muito mais light e de minha parte te considero confrade há muito.

    :-)

  • 37 HRP Mané Reloaded // 30/November/2007 às 22:04

    O PD se esmerou na analise nesse post!
    E o Surf foi mil também…mas está longe de chegar o dia da derrocada norte americana….eles poderiam ser um pouco mais humildes….TÔ errado?

  • 38 Chesterton-Dracul- El Cid // 30/November/2007 às 22:27

    parem de confundir seus desejos com a realidade, o dólar está caindo para forçar os chineses a abandonar a cotação fixa do yuan´( é assim que se escreve?), os americanos estão dando o maior calote mo mundo. Ainda tem A FORÇA.

  • 39 proftel // 30/November/2007 às 22:44

    “A FORÇA” precisa de grana pra girar a engrenagem.
    Sem $ que é a graxa, emperra.

  • 40 Chesterton-Dracul- El Cid // 30/November/2007 às 22:45

    e eles tem de sobra.

  • 41 proftel // 30/November/2007 às 22:48

    2008 tá aí, vamos ver o que rola.

    Sei não, como disse, estão pisando em ovos.

    :-/

  • 42 pedro direitoba // 1/December/2007 às 0:24

    Ninguém vai morrer não. Crises cíclicas do capitalismo existem desde sua existência. Que cotação do Yuan, o catzo.

  • 43 Elias // 1/December/2007 às 0:29

    Mas, Chester,

    E esse empréstimo?

    Não é uma intervenção estatal no domínio econômico?

    Como fica, então, o lyberalismo que você tanto louva na gringolândia?

    Não é lá que essas coisas nunca acontecem? O paraíso das leis de mercado?

    Ou o lyberalismo acaba de revogar essas leis?

  • 44 pedro direitoba // 1/December/2007 às 0:33

    Elias, já chateamos os direitobas neoliberais lá no Kupfer com isso, mas foi bem lembrado. :-)

  • 45 Andre Fucs // 1/December/2007 às 0:39

    Confetti,

    pago em euros….antes comendas desse porte so se pagava em $$

    encomendas desse porte não são exatamente pagas da forma com que pensamos. Em geral esse tipo de transação envolve financiamento pelo próprio país que está vendendo portanto nada mais natural que a França utilize Euros.

    Em todo caso há um outro lado na notícia que você deveria prestar mais atenção. As duas empresas citadas são praticamente empresas de economia mista o que reforça a idéia de que na Europa, especialmente na França e Alemanha a idéia de uma economia aberta ainda é fictícia visto que ambos os governos têm importante posições acionárias em boa parte de suas das multinacionais.

    Isso sem falar no risco da economia italiana não se colocar nos trilhos.

    Não digo que a Europa irá sucumbir semana que vem mas com uma população em envelhecimento, indústrias caríssimas e direitos trabalhistas para lá de paternalistas e o eterno fantasma da xenofobia não dá para sentir muita firmeza no euro.

  • 46 Chesterton-Dracul- El Cid // 1/December/2007 às 0:45

    é uma maciça intervenção estatal, algo estrondoso. Capitalismo que não deixa os investidores afoitos quebrarem, só pode dar em zebra. Sempre que o governo resolve um problema, cria outros cinco…..deixa quebrar e começar tudo de novo!

  • 47 Chesterton-Dracul- El Cid // 1/December/2007 às 0:47

    E O Fucs está certo, a Europa se equivoca se acha que Euro forte é alguma vantagem. Os americanois vãovender mais a Europa, se continuar caindo, daqui a pouco as fabricas da Nike saem da China e vão para os esteites….

  • 48 Chesterton-Dracul- El Cid // 1/December/2007 às 1:05

    http://pt.danielpipes.org/article/5141

  • 49 Andre Fucs // 1/December/2007 às 1:22

    Confetti,

    Diga-se de passagem eu acho incrível a admiração dos esquerdistas do terceiro mundo pelos trabalhadores europeus.

    Posso estar enganado, o marxismo e suas crias ainda me são estranhas porém não teria sido o Lenin que teorizou a “world systems theory” (?) em que ele afirmava que os capitalistas do “core” compraria a paz da luta de classes através da miséria alheia?

  • 50 Nassau // 1/December/2007 às 7:23

    proftel,
    Valeu irmão, somos da confraria dos duros :-)
    Abraços.

  • 51 Dom Casmurro Patriarca // 1/December/2007 às 10:23

    A verdade é que a tal de “Economia de Mercado” nunca existiu, foi sempre uma ilusão que as economias mais fortes usaram para manter as outras economias em estado de atraso.
    Quem criou o bem estar e a estabilidade, sempre foi o bom senso, a cultura, a boa distribuição de renda e a solidariedade.
    Violência gera violência.
    Cachorrada gera cachorrada.
    Quem criou sempre o desenvolvimento nos Estados Unidos tem sido sempre o pessoa da esqeurda: Lincoln, Clinton, Roosevelt etc.

  • 52 nada será como antes // 1/December/2007 às 11:12

    Confetti (33), pois é, não respondi seu comentário ontem devido a compromissos, mas vamos lá:
    Tenho essa análise sobre a economia chinesa desde 1994, sim.
    Em economia não há mágica capaz de esconder a realidade, nem aqui, nem na China!
    Ocorre que o modelo de crescimento chines é, “mutatis mutandis”, o mesmo seguido no Brasil na época do chamado “milagre” (1968/1973), com a moeda subvalorizada para fortalecer expotações mediante o barateamento artificial das mercadorias, na falta de aumento de produtividade.
    Esse tipo de modelo exige a centralização do controle da moeda e preços, além de propiciar a capitalização de setores da economia, que são beneficiados com incentivos e subsídios diretos e indiretos.
    No caso brasileiro, os incentivos/subsídios eram diretos , através do BNDES, Sudam, Sudene, Banco do Brasil, isenções de impostos, infraestrutura custeada pelo Estado,etc,etc,etc.
    Também ocorreu tremendo arrocho salarial, feito sob medida para abaixar custos e conter a expansão do consumo interno, gerando excedentes exportáveis a preços competitivos.
    O modelo chinês tem caráter monetarista mais acentuado, com controle do câmbio, yuan subvalorizado, salários ridículos ao operariado, subsídios indiretos mediante obras de infraestrutura custeadas pelo Estado, isenções parciais de impostos de exportação, forte concentração de renda para capitalizar setores da sociedade e, ainda, expansão do crescimento dirigida pelo Estado, que estabelece, inclusive, a localização de pólos industriais e de comércio.
    Enquanto esse modelo é viável, o crescimento acontece de forma rápida e, para alguns, surpreendente.
    Mas o problema maior surge na hora de arrumar a casa e pagar as contas.
    Só para dar uma idéia e não arrastar demais este texto, basta pensar no câmbio : a subvalorização do yuan tem vida curta e precisa ser consertada.
    Hoje , o yuan bate 8 unidades para cada dollar.
    Pelos meus cálculos aproximados, o câmbio real do yuan seria de 1,5 a 2 unidades por US$ 1 , ou seja, quatro a cinco vezes mais.
    Quando esse acerto de contas ocorrer, ficará clara a ausência de competitividade das mercadorias chinesas, haverá maior consumo interno, aumentarão as importações, aumento de juros, inflação de custos e de demanda, entre outros pormenores.
    Agora, minhas razões : todo esse quadro está montado e claro desde meados da década de 80, disponível para quem quiser (e puder) entender.
    Essa implosão do “milagre” da China ainda não ocorreu devido ao sistema político fechado e centralizado, mas as pressões internas , somadas à conjuntura internacional , podem apressar os fatos.
    Acho que, com estas palavras, a exposição de motivos está clara o suficiente. Saudações.

  • 53 confetti // 1/December/2007 às 11:37

    nsca, clap clap clap ! nice try !

    qual foi esse compromisso de ontem que te impediu me responder na hora ? :))

  • 54 nada será como antes // 1/December/2007 às 11:51

    confetti, tive que sair para um compromisso, digamos, de ordem político/sócio/filosófico…:)))

  • 55 nada será como antes // 1/December/2007 às 12:02

    … “filosóficA”…

  • 56 confetti // 1/December/2007 às 12:03

    afe maria ! doeu muito ?

  • 57 confetti // 1/December/2007 às 12:03

    ah ta, nao deve ter doido tanto…..

  • 58 nada será como antes // 1/December/2007 às 12:20

    acho que não doeu e foi muito proveitoso…………….

  • 59 nada será como antes // 1/December/2007 às 12:21

    …para ambas as partes…:))

  • 60 confetti // 1/December/2007 às 14:29

    “Confetti,

    Diga-se de passagem eu acho incrível a admiração dos esquerdistas do terceiro mundo pelos trabalhadores europeus.”

    dr andr, talvez essa “admiraçao” tenha a ver com direitos, grèves, attitudes ….uma parte de “inconsciente coletivo” sobre os grandes momentos da historia social européia…
    lhe sinto levemente ironico falando da europa, de euros…..pq ?
    a uniao européia anda aos trancos e barrancos, as vezes o parlamento parece uma torre de babel….mas a maioria dos paises membros começa ser coerente com a idéia luminosa de robert schuman em 1950….acho que em algumas decadas ( oui, hélàs ) formaremos “um pais” … alternativa ao império do meio e aos usa…
    somos 490.033.298 querendo e acreditando nisso !
    nao vale falar em uk…eles sao uma ilha e agem como insulares….:)

  • 61 Andre Fucs // 2/December/2007 às 7:24

    confetti,

    seu compatriotas não parecem compartilhar completamente da sua visão não mas deixa pra lá. :-)

  • 62 confetti // 2/December/2007 às 8:45

    pq diz isso ,nao é verdade ! explica ai pra mim, manda um link dr andré…..

    o “nao” à constituiçao tem a ver com a vontade de que as leis sejam mais claras e objetivas, em nao querer ver a palavra “religiao” na constituiçao e discordar de artigos que nao sao interpretados ( se precisa interpretar é pq nao esta claro) do mesmo modo por todos os paises ! esta acontecendo o novo “mini traité”, sarkozy impos isso, vamos ver se meus “compatriotas” vao ser menos chatos em se assumir europeus mais q franceses

  • 63 confetti // 2/December/2007 às 18:11

    problema em dialogar com australiano é o fuso…esperar o carinha acordar pra responder…ai ele responde e eu tou dormindo ! kkkk

    dr andré, a australia é enorme ( 8 milhoes de km2 ) e nao tenho a menor idéia de onde vc mora ! se for no new south wales vai acordar daqui umas 3 hrs… se estiver en melbourne, ja esta ai preparando café e pinta em minutos….mas se for no queensland ( surfista ? nao…)ainda esta na fase paradoxal do sono…

    vc nao ta na tasmania né dr andré ?
    whr th fck r u ?

  • 64 Andre Fucs // 2/December/2007 às 20:43

    Confetti,

    Moro em Paddington, NSW. É um “bairro” de Sydney.

    Antes eu estava morando em Perth mas não deu… :-)

  • 65 confetti // 3/December/2007 às 6:36

    vai jantar daqui ha pouco né dr andré ! ja estou no bureau, uma xicara de earl grey na mao….:-)

    finalmente, vc tem razao quanto à instabilidade da moeda….li essa manha que airbus industrie vai “deslocalizar” a construçao de peças de airbus para paises de “zona dolar”…senao os custos explodem…estavam falando de tunisia, marrocos e brasil….
    nao gosto quando vc tem razao, grrrr !! kkk

    boa noite ai caro mate ! abraços

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