Pedro Doria | Weblog

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Evo Morales, a constituição da Bolívia
e uma oportunidade perdida

November 29th, 2007 · · 111 Comentários

Que ninguém se engane: Evo Morales tem razão quando diz que a injustiça social impera na Bolívia. Os índios são pobres e os brancos estão, ao menos, na classe média. Os índios concentram-se nos estados do oeste do país e os brancos, no leste. A concentração de renda boliviana, imposta por anos de ditaduras e de governos corruptos e incompetentes, é traçada por linhas raciais e geográficas – o que produz, neste caso, uma concentração de renda canalha.

Mas as razões de Morales terminam aí.

É o gás sustenta a Bolívia – e este é um problema. No caso venezuelano, o petróleo é abundante e o litoral, extenso. Petróleo, retirado da terra ou do fundo do mar, põe-se num navio e despacha-se para qualquer canto do mundo. Com gás não é assim e a Bolívia não tem litoral. Gás precisa ser liquefeito para o transporte naval – o que é um processo muito caro. O que sobra para a Bolívia é vender este gás para Brasil, Chile e Argentina. Se for para enviá-lo para além mar, precisará da cooperação de um destes três – que têm mar. E ninguém tem usina de liquefação. Brasil e Chile têm mar e, no mar, gás. Em poucos anos, ambos produzirão gás o suficiente para seu sustento. Já estão a caminho disto: é que não dá para confiar na Bolívia. Sobra a Argentina como cliente. Por conta de sua instabilidade política, o que a Bolívia tem perante si é este cenário: em cinco anos só terá um cliente para o único produto que a sustenta.

Governar é uma arte distinta de fazer campanha. Palavras de ordem e bravatas elegem mas não ajudam nada na hora de governar. Democracia não é apenas eleição, democracia é processo – um processo que inclui respeito à oposição. Parlamento não é órgão periférico, é um poder equivalente e distinto do Executivo que precisa de toda a liberdade para operar livremente.

Evo Morales não compreendeu nenhum dos três conceitos.

Ao assumir o governo achando que estava em campanha, invadiu refinarias, cortou fornecimento de gás, fez o diabo e o povo que o elegeu adorou. O Brasil entendeu o recado com clareza. Abriu um sorriso, fez um discurso manso, contemporizador – e tratou de investir nas suas próprias reservas. Morales sacrificou o futuro de seu país.

Ele foi eleito, por certo – mas quase metade dos eleitores votaram noutros. Morales é presidente de todos os bolivianos, mas governa apenas para a metade que o elegeu. É um erro, principalmente quando a minoria representa quase metade do país. É o mesmo erro cometido, durante anos, pelos governos anteriores. Mas o resultado é que ele é um presidente que estimula a divisão, não a união, do país. Não é apenas inabilidade. É também burrice. Governar sem estabilidade ou sem dinheiro é uma arte difícil. Sem ambos, é impossível.

Ele produziu a constituição revolucionária que havia prometido. Meteu o parlamento num quartel do exército, longe da capital La Paz, e decidiu votar a nova Carta Magna na marra. Constituição é um documento ao qual se chega por consenso. Constituição imposta, ainda mais numa sala cercada pelo exército, com quase metade do parlamento tendo se recusado a votar, pode até vingar – mas não dura muito. Este é o método das ditaduras, não das democracias.

Evo Morales tenta aplicar o método Hugo Chávez. Mas há uma diferença: petróleo, põe-se no navio e manda; gás, não. Petróleo, mais de metade do mundo precisa; gás, quase todos os vizinhos da Bolívia têm.

É verdade que a Bolívia tem uma dívida histórica para com seus índios – e que hora de pagá-la. O problema é que, para pagar tal dívida, é preciso governo. O que Evo faz não é governar, é jogar fora a oportunidade que os bolivianos nativos, depois de tantos séculos, enfim conquistaram.

Tags: América Latina

111 Comentários até agora ↓




  • 1 proftel // 29/November/2007 às 11:49

    E isso pode acabar numa divisão do país, numa debandada da classe média ou coisa pior ainda.
    Sei não, a Bolívia ainda vai dar (e ter) muita dor-de-cabeça com esse cara.
    As cagadas que ele fez até agora surtirão efeito a longo prazo.

    :-/

  • 2 Radical Livre // 29/November/2007 às 12:11

    não sei não PD. a gente, para variar, só consegue ouvir um lado da história. Até acho que o Evo Morales foi com muita sede ao pote e muito antes de ter um poder mais consolidado. Mas o que ele propõe, de certa forma é justo.

    outra coisa, proftel, o embaixador americano na Bolívia atualmente é um especialista em balcanização: atuou na Iuguslávia e em outros países que andaram se dividindo por aí.

    tem um bom post sobre esta questão no blog do azenha. sugiro a todos darem uma lida lá antes de começarmos a discussão.

  • 3 Gilberto Puppet // 29/November/2007 às 12:35

    “Lá vem o populismo, descendo a ladeira…”

  • 4 Gabriel Ramalho // 29/November/2007 às 12:43

    Há motivos para entender algumas ações de Morales mas é perceptível que governar como governa, indicando o caminho da divisão, não é bem a decisão mais correta a se seguir.
    Também nas recomendações, sugiro assistir “A Corporação”, documentário bem interessante. Fala, em determinado momento, da privatização da água (é, da água) na Bolívia e como isso atingiu a classe mais pobre. No mínimo, ajuda a compreender as intenções de Morales em nacionalizar os recursos do país.

  • 5 nada será como antes // 29/November/2007 às 12:51

    Depois de séculos relegados ao isolamento, nativos bolivianos e seus descendentes apenas começam, com Evo, o aprendizado de governo.
    Como bem diz o texto, parece que o governo brasileiro entendeu essa questão e faz o possivel para não inflamar as relações diplomáticas.
    Um execrável político brasileiro chegou até a propor invasão da Bolívia, na crise da nacionalização do petróleo. Nada mais insensato!
    Quem conhece aquele país, de geografia estonteante, sabe da miséria dos “cholos” e da vida confortável dos de origem europeia na região de Santa Cruz.
    No altiplano inóspito que circunda La Paz está a marca da miséria boliviana, com o povo sem água, sem comida e cuja única perspectiva é o sempre maravilhoso contorno dos picos andinos.

  • 6 faraó // 29/November/2007 às 13:04

    O que se passa pelos altiplanos me faz lembrar um povo no Oriente Médio que “não perde a chance de perder uma chance”.

  • 7 Gerson B // 29/November/2007 às 13:13

    Tenho a maior pena do Evo. Ele me parece uma cara bem intencionado e honesto, do pouco que sei. Mas totalmente limitado, não entende o mundo moderno.

    Quando vi a proposta de restaurar tribunais tribais antigos, com chibatadas pensei: ferrou (a palavra com f é outra). Não, dá, ele tá no século XIV ainda.

    E concordo com o artigo do PD. A oportunidade perdida é de se lamentar.

  • 8 mila // 29/November/2007 às 13:35

    Quanta semelhança com o Brasil…. até agora, apostaram na passividade e subserviencia do povo, que , infelizmente para eles, nao sao eternas. A Historia mostra isso…

  • 9 mila // 29/November/2007 às 13:41

    Tenho a maior admiraçao pelos USA. Defendem seus interesses com unhas, dentes e todo o poder belico que possui. Enquanto alguns brasileiros (muito sabidos$$$), ludibirados pela nova onda (globalizaçao), que na realidade nao passa de um neo-colonialismo, fazem questao de entregar tudo sem nem estribuchar. Mas entendam, os que entregam estao sendo bem remunerados e o povo que se lasque. O pior sao os otarios que nao ganham NADA e defendem a soaçao do patrimônio. Meu exemplo é os USA como devemos proteger nossas riquezas e interesses estratégicos.

  • 10 Marcos Araújo // 29/November/2007 às 13:50

    Pô, é foda governar o que seja quando os direitobas latifundiários e os ricaços que pauperizaram a Bolívia e seus índios durante séculos, quando perdem o poder milenar NA BASE DO VOTO DEMOCRÁTICO, agora vivem a clamar e defender a tal da “democracia” - a democracia deles, diria - que JAMAIS puseram em prática!

    Essa laia nao aceita e nao quer participar do jôgo democrático e tampouco respeitar a voz da maioria. Ao mesmo tempo que clamam pela “democracia”, vivem a fazer conchavos e tramar golpes em saloes luxuosos - sejam contra o Morales, sejam contra o Chavez - com apôio da CIA e embaixadores ianquis escroques, destabilizando o país com o intuito de dividí-lo.

    Pedro Doria, você é um bom jornalista, mas por favor, aos escrever um artigo destes, investigue as duas faces da moeda, senao se arrisca a fazer o jôgo fétido da Veja e de O Globo, e da imprensa brasileira hipócrita, a qual os neopetralhas acusam de “golpista”, mas que de fato faz de conta que faz oposiçao ao Mulla mas come na mao dele (e de todo e qualquer govêrno).

    Veja o que você escreve:

    “…Evo Morales tenta aplicar o método Hugo Chávez. Mas há uma diferença: petróleo, põe-se no navio e manda; gás, não. Petróleo, mais de metade do mundo precisa; gás, quase todos os vizinhos da Bolívia têm.”

    Pergunto entao: Porque nao vao buscá-lo e distribuí-lo agora (dando um cascudo no “índio” metidos a besta, né?), se todo mundo tem?

    Quanto ao “gás no mar”, é fácil ficar a dizer gabolices - vá lá buscar, mermao! Fala sério, pô!Porque a Petrobrás nao dá um pé-na-bunda do “índio” e traz do mar todo o gás que o Brasil precisa, hein dotô? Nao seria porque leva tempo, exige bilhoes de dólares de investimento, gasodutos, etc. e tal? Custa bem mais barato trazer o gás da Bolívia em gasodutos que já existem que ir apanhar a maná no mar por conta própria. Esta é a lei do mercado: porque pagar um produto mais caro quando existe mais barato?

    É evidente e essencial que todos os países do mundo procurem sua autonomia energética, livrando-se assim da dependência e possíveis chantagens dos donos da carne sêca, mas isto sao projetos nacionais ambiciosos e a longo termo. Enquanto se procura a autonomia a longo prazo, vamos buscar, a curto e médio prazo, o que sai mais barato para todos. Elementar, nao?

    O Morales pode estar dando umas mancadas de percurso - quem nao dá? - mas trouxa o cara nao é nao. Acêrca do gás boliviano, ele poder dormir tranquilo. A Bolívia ainda irá vender muito gás aos seus vizinhos, por anos a vir, até quando acabar. Com Morales ou qualquer outro que virá depois dele.

    Nao demora aparecem uns cabeças-de-bagre por aí a clamar “Boicotem o gás do “índio!”. O Brasil faz muito bem em acalmar o jôgo e negociar com o Morales…nessa o Mulla tem toda razao.

  • 11 Pedro Doria // 29/November/2007 às 14:08

    Marcos Araújo: é exatamente isto que a Petrobras está fazendo. Em algo entre três e cinco anos, começará a produção plena de gás natural no Brasil. E aí a Bolívia não terá para quem vender.

  • 12 RW in Miami // 29/November/2007 às 14:12

    O Evo esta bebendo kool-aid do mesmo pote do Chavez (Assim como o Correa no Equador). Ou seja, com a eleicao ganha, manda uma Constituinte ai’ para mudar as leis ao gosto do governante…. So’ que ele nao contou com a forca e a uniao da oposicao (diferente da Venezuela, onde a oposicao e’ um saco de gatos). E mais, a Bolivia tem um historico de depor presidentes com passeatas e manifestacoes (vide os 2 ultimos presidentes la’)…
    A unica coisa que pode mudar e’ a grana da Venezuela e do Ira - sobre isso leiam na revista Piaui.

  • 13 Elias // 29/November/2007 às 14:13

    PD,

    Há algo que, na Bolívia, pesa muito.

    Na Guerra do Pacífico, o Chile garfou o litoral da Bolívia e, junto, levou as jazidas de salitre e os depósitos de guano.

    Na Guerra do Chaco, o Paraguai levou outra parte do território boliviano.

    O Brasil foi o único país que, tendo incorporado parte do território da Bolívia, pagou por ele.

    Os bolivianos — não somente os índios — são marcados por esses episódios. Isto explica o apoio maciço à nacionalização dos hidrocarburos, promovida por Evo. Apoio dado não apenas pelos índios.

    É bom lembrar que, no passado não muito distante houve outra nacionalização, esta promovida pelo MNR. Aí houve a desnacionalização, nunca digerida pela população e que não produziu os resultados esperados.

    Em 2003/2004, tava mais do que claro que os bolivianos queriam renacionalizar seus hidrocarburos. Dois presidentes tentaram empurrar essa questão com a barriga (Lozada e Mesa). Ambos tiveram que renunciar.

    Quanto a esse assunto, Evo não tinha escolha. Ou nacionalizava ou iria se juntar aos seus antecessores.

    Já com relação aos índios, vale lembrar que, desde a reforma constitucional promovida no primeiro governo Lozada, os índios deixaram de ser uma força eleitoral e se tornaram uma força política.

    Os índios bolivianos não são como os índios brasileiros. Lá eles preservaram sua cultura, seu idioma e, com essa bagagem, estão se integrando à sociedade.

    São alfabetizados em seus próprios idiomas, por exemplo. É comum que, nas manifestações políticas, as faixas e cartazes são bilingües: aimará/espanhol, quechua/espanhol, etc.

    Desde há alguns anos, os índios estão ingressando em grande número nas universidades. Estão se formando gerações sucessivas de médicos, engenheiros, advogados, professores.

    Em uma reunião da FLACMA, à qual estive presente, o melhor trabalho boliviano apresentado foi, de longe, o da nação Aimará (que ocupa territórios da Bolívia, Chile e Peru). A equipe da OEA fez elogios rasgados à competência dos técnicos aimarás (especialmente engenheiros, economistas e contadores).

    Os índios bolivianos também entraram na política e passaram a eleger seus próprios representantes. Um número cada vez maior de municípios bolivianos é governado por índios. Eles têm, igualmente, uma maciça representação nos parlamentos nacional e municipais.

    Enfim, os índios bolivianos estão adquirindo, na política, uma visibilidade q

  • 14 Elias // 29/November/2007 às 14:15

    concluindo:

    Enfim, os índios bolivianos estão adquirindo, na política, uma visibilidade compatível com sua participação relativa na formação da população.

    Por um lado, isso é muito bom; por outro, torna a cena política boliviana ainda mais complexa do que sempre foi.

  • 15 proftel // 29/November/2007 às 14:22

    Marcos Araújo:

    A Petrobrás sabe onde há gás, os poços foram descobertos e lacrados na década de 90 (94/95 por aí), é a região denominada “Marlinque”, à época a prioridade era “correr atrás” das descobertas, plotar e lacrar o poço, há (como hoje) poucos equipamentos para prospecção (e isso não é só aqui no Brasil não, há falta deles no mundo inteiro).
    Como o Pedro Doria disse aí, espera prá ver, esse gasoduto vai acabar é mandando outra coisa prá Bolívia.

  • 16 Elias // 29/November/2007 às 14:28

    É complicado analisar a Bolívia com “olhos de brasileiro”.

    Aqui, a privatização da CVRD, p.ex., só mobiliza uma minoria mais militante, a fevor ou contra.

    Na Bolívia, não. Coisas desse tipo são debatidas com o mesmo fervor com que o brasileiro discute a seleção de futebol durante a Copa do Mundo.

    É que, na Bolívia, correu sangue — e muito! — por causa do salitre e do guano de Atacama, e da prata e do cobre do Chaco.

    Na Guerra do Pacífico, somente “criollos” bolivianos mataram e morreram. No Chaco, os índios entraram no jogo com tudo. E haja sangue.

    Essas coisas estão no DNA dos bolivianos…

  • 17 Alba // 29/November/2007 às 15:27

    Concordo que Evo tenha tomado atitudes teatrais, que incomodaram a muita gente no Brasil.

    Mas é preciso não esquecer a longa história de espoliação da Bolívia, como lembrou o Elias.

    Não só o país foi perdendo território para os vizinhos, mas cada riqueza natural encontrada acabou transferida para outras mãos, deixando os bolivianos como a nação mais pobre do continente. Primeiro a prata, depois o estanho.

    Acho muito justo que Morales queira defender o que restou de recurso - o gás natural, mesmo que o faça de maneira teatral e atabalhoada.

    Por outro lado, o país também tem um longo histórico de instabilidade política. Era comum ouvirmos e lermos que a Bolívia era o país “com mais golpes de Estado do que anos de república”.
    Como disse o Marcos Araújo, os que falam em defesa da democracia a essa altura, não hesitaram em negá-la quando lhes foi conveniente.

    E agora, sustentam o discurso separatista, que também é antigo como pretexto para desestabilizar um governo que já luta com instituições muito frágeis.

    Há muito mais a levar em conta do que simplesmente a questão do gás, me parece.

  • 18 Alba // 29/November/2007 às 15:30

    Ah, e obrigada pelo post, PD! :)

  • 19 Pax // 29/November/2007 às 15:35

    Buenas, já havia cantado a pedra. Como o RW in Miami, também li a Piauí de outubro.

    Desculpe-me Elias, mas o Evo meteu os pés pelas mãos ao peitar o modelão sem ter forças suficientes para isso. Sim, compraremos gás deles, mas não mais os queremos como parceiros fiéis e somos o Império Latino Americano. Sim, somos. E por sermos, temos como os EUA têm conosco, nossas prerrogativas. E o babaca ainda se alia ao Chávez e ao Ahmadinejad, achando que são bons e fiéis parceiros.

    Que dance. Aliás, amigo e mestre Elias, quer casar dinheiro ou uma mesada de Cerpinha na Praça da República aí em Belém que dança até o fim do ano que vem?

  • 20 Harun al-Rachid // 29/November/2007 às 15:37

    Em 1870, o ditador boliviano Mariano Melgarejo ofereceu a um diplomata britânico um copo de “chicha”, a bebida nacional feita de milho fermentado. O diplomata agradeceu e disse que preferia chocolate. Melgarejo obrigou-o a beber uma enorme vasilha cheia de chocolate. Depois montou-o em um burro, ao contrário, e obrigou-o a desfilar pelas ruas de La Paz. Quando a rainha Vitória, em Londres soube do ocorrido, mandou trazer um mapa, riscou uma cruz a giz sobre o país e sentenciou: “A Bolívia não existe”.

  • 21 Gerson B // 29/November/2007 às 15:52

    Eu concordo que os índios da Bolívia sofreram muito. Mas raiva e pressa não melhoram a situação de um povo. É preciso planejamento e compreensão. E muitas vezes paciência.

    O Evo deveria pensar em educar os bolivianos. Fazer uma revolução de baixo pra cima. Isso sempre funcionou, embora leve tempo.

  • 22 Elias // 29/November/2007 às 15:55

    Harun,

    Os caudlhos bolivianos são classificados em 2 grupos: os “caudillos letrados” e os “caudillos bárbaros”.

    Os “caudilhos letrados” foram chefes militares de rigorosa formação, quase sempre nas academias espanholas. Am geral, realizaram bons governos.

    Os “caudilhos bárbaros” foram militares aventureiros, que ascenderam social e politicamente por atos de audácia ou servilismo, nas muitas lutas internas ocorridas na Bolívia.

    José Maria Alchá Valientes, Augustin Morales Hernandez e Mariano Melgarejo Valência são o protótipo do “caudilho bárbaro”: violentos, arrogantemente ignorantes, desumanos, corruptos e incompetentes até à medula.

    Foram esses indivíduos que precipitaram a guerra contra o Chile (Guerra do Pacífico). Quando ela terminou, a Bolívia estava menor (perdera sua saída para o mar), e mais pobre (perdera as jazidas de salitre e os depósitos de guano, que valiam uma nota braba).

  • 23 Xandão // 29/November/2007 às 16:06

    Pra quem já viu a pobreza da Bolivia e a política como é tocada na Bolívia, nós brasileiros temos muito que agradecer por ter apenas uns Renans e umas favelas com TV a cabo (pirata) e DVD passando Tropa de Elite (idem). Fique uma semana por lá e você volta ao Brasil acreditando que está na Dinamarca.

  • 24 Elias // 29/November/2007 às 16:06

    Pax,

    Na realidade concordo com você quanto ao prazo de validade do Evo.

    Além do mais, o pior que a Bolívia pode fazer é arranjar confusão com o Brasil.

    O Brasil tem seu estilo próprio. A diplomacia brasileira não berra, não ofende, não faz barulho. As declarações diplomáticas brasileiras são cuidadosamente elaboradas. Não existem para ser lidas, mas interpretadas.

    Ninguém passa recibo, portanto. Mas que cada ataque tem seu troco, lá isso tem. Ninguém avisa onde, quando nem como. Mas o revide é certo como a noite sucede o dia.

    Por outro lado, o Brasil é um parceiro e tanto para a América Latina. O melhor que pode haver. Joga e deixa jogar. Não ganha só… Bem diferente do que fazem EUA, Argentina…

    É só não procurar confusão com o grandalhão, que ele trata todo mundo bem.

    Se eu aceitasse a aposta que você propôs, as possibilidades seria de 9 para 1 como eu perderia.

    Mas ganharia o prazer de beber com Pax, o que não é pouco…

    Agora… Cerpinha, Pax?

  • 25 Alba // 29/November/2007 às 16:18

    Pax,

    Eu também li a Piauí de outubro, que realmente traz uma reportagem muito boa sobre Morales.

    Mas não acho que reduzir tudo a uma aliança Chávez, Morales, Irã - colabore para entender melhor a situação.

    A história da democracia nos países latino-americanos é bem complicadinha, como sabemos. A história da Bolívia é ainda mais complicada.

    Qualquer um que fosse eleito enfrentaria dificuldades formidáveis desde que tanto lá, como aqui, quem é dono da riqueza não está nem vagamente disposto a distribuí-la.

    Veja bem, não estou falando de expropriação ou nada desse tipo, mas de simples reforma tributária. Se aqui, país muito maior e muito mais rico, reforma tributária só frequenta discurso eleitoral, porque na prática, até agora, nenhum governo chegou perto de contrariar os poderosos interesses dos de sempre. Que dirá na Bolívia. :(

  • 26 Alba // 29/November/2007 às 16:20

    Também acho que Evo cai. Infelizmente.

  • 27 Marcos Araújo // 29/November/2007 às 16:38

    “Pedro Doria // 29/Novembro/2007 às 14:08

    Marcos Araújo: é exatamente isto que a Petrobras está fazendo. Em algo entre três e cinco anos, começará a produção plena de gás natural no Brasil. E aí a Bolívia não terá para quem vender.”

    Peraí, caro. Nao foi você mesmo quem disse aí acima que o Chile e a Argentina sao clientes do gás boliviano?? Como entao “e aí a Bolívia nao terá para quem vender.”? Ou será que também “em algo entre três e cinco anos” o Chile e a Argentina estarao autosuficientes em gás? Manera aí, PD, manera…

    E quem foi que lhe disse que o Brasil tem ou teria gás suficiente pra tocar sua economia em crescimento (mais de 5% ao ano, ESPERO, se um milagre acontecer e o Mulla/IBGE nao mentir e manipular números) e para atender uma populaçao em crescimento constante durante anos a vir? Você tem os dados aí? Se tem, mostre-os.

    Nao somos nem capazes de produzir energia elétrica necessária para o nosso desenvolvimento sustentado (pois que agora está estagnado, é desde há 20 anos ou mais) e agora com o petróleo e o gás às pampas (dentro de uns 3 ou 5 anos, segundo você) seremos campeoes?? Manera, mano, manera. Esse negócio de esmurrar peito numa onda de patrioteiro mal-informado ou manipulador só o Mulla (e sua super-reserva” Tupi)…

  • 28 Marcos Araújo // 29/November/2007 às 16:42

    Alba, SE o Evo Morales cair, haverá um banho de sangue na Bolívia. Mais um. Quem sairá vencedor desta vez?

  • 29 Alba // 29/November/2007 às 16:48

    Os de sempre, Marcos. Infelizmente, os de sempre. :(

  • 30 nada será como antes // 29/November/2007 às 16:50

    É mais fácil ocorrer uma luta pela divisão territorial da Bolívia do que a derrubada de Evo Morales.
    Isso não quer dizer que ele não possa ser deposto, apenas a probabilidade é menor.
    A Bolívia, como já foi lembrado, em várias ocasiões perdeu territórios. Agora o problema é interno, com a província de Santa Cruz falando abertamente em separatismo. E é justamente a região das que concentra as maiores jazidas de óleo.

  • 31 nada será como antes // 29/November/2007 às 16:52

    “justamente a região que concentra”

  • 32 Elias // 29/November/2007 às 17:16

    Marcos,

    Sanchez de Lozada e Carlos Mesa nem chegaram a dizer claramente que iriam vender gás ao Chile.

    Aliás, disseram que NÃO iriam vender ao Chile, e sim à Argentina.

    Só que o pessoal desconfiou que a Argentina estaria apenas intermediando a operação, para mascarar o destino final do gás, que seria o Chile.

    Foi uma confusão só. Manifestações de rua, ameaça de golpe de Estado e o escambáu.

    Os bolivianos não aceitam que o país venda gás para o Chile. Acho que, de modo geral, os bolivianos detestam os chilenos.

    É uma das muitas seqüelas da Guerra do Pacífico.

    Contraditoriamente, é fácil encontrar produtos chilenos na Bolívia: roupas, utensílios domésticos, e até mesmo eletrônicos.

    Durma com esse som…

  • 33 RW in Miami // 29/November/2007 às 17:25

    Meio off topic, mas tendo a ver com o post de alguns dias atras sobre o Chavez:

    Casi 5 millones de venezolanos viven con un dólar al día

    Las condiciones económicas de los venezolanos mejoraron en promedio durante el último año, según destaca el Informe de Desarrollo Humano 2007 preparado por el Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo (PNUD). No obstante, la repartición de la riqueza resultó más injusta, pues la población más rica ahora acumula más recursos que hace un año y, ante ello, los más pobres deben conformarse con una distribución del Producto Interno Bruto (PIB) más ajustada, que deja a más personas viviendo con menos dinero al día.

    A materia completa esta em http://noticias.eluniversal.com/2007/11/29/eco_art_casi-5-millones-de-v_617362.shtml

  • 34 HC // 29/November/2007 às 17:39

    Pois eu acho q ele fez muito bem em nacionalizar o gás DELES.
    Nesse lance de capitalismo, chega uma hora em que deve-se impor um limite ao capital, senão a relação torna-se quase de escravidão.

    “if you give ‘em a quick short, sharp, shock, they won’t do it again. Dig it?”

  • 35 Pax // 29/November/2007 às 18:18

    Mestre Elias, eu aprendi a tomar Cerpa na Praça da República em Belém. Até hoje tomo.

    Você não gosta? Há melhores por aí?

    Albalada,

    Enfrentar dificuldades é uma coisa, criar dificuldades ainda maiores é outra. Na minha terra que não tem Cerpinha, a gente tem um dito popular muito bom: “Bem cantado até boi deita”. Com isso quero dizer que Evo poderia ter aumentado preços e até expropriado as refinarias com muita negociação, diálogo e alguma pressão com o Brasil. Mas não da forma que fez. Agora que pague o preço pela babaquice que fez. Quer entrar na aposta e aí vamos os três tomar cerveja em Belém, lá onde nasceu Jesus?

  • 36 "¿Por qué no te callas?" // 29/November/2007 às 18:46

    Sera que um dia algum jornal…revista…blog..ira fazer uma boa materia sobre escravos bolivianos trabalhando para chineses e koreanos aqui debaixo das nossas barbas…..sobra de Morales??ou sobra de um continente pobre e miseravel??…

  • 37 Chávez, Morales e o anti-imperialismo ibero-americano // 29/November/2007 às 18:46

    […] (inspirado no texto "Evo Morales, a constituição da Bolívia e uma oportunidade perdida" …) […]

  • 38 Anonymous // 29/November/2007 às 18:52

    Olha, sei não, muita gente acha que é só socar um cano na terra que sai petróleo e gás.
    Não é bem assim, em primeiro lugar precisa de equipamento sofisticado e gente mais ainda que o opere.
    Técnicos capacitados não só no equipamento, manutenção também e, isso conta muito, o produto é inflamável e instável.
    Indústria que forneça peças (e não é só aço, aí entram plásticos, ligas de alumínio, borrachas especiais e até isopor) para construção e manutenção de equipamentos (desde uma refinaria a um oleoduto passando por áreas de armazenamento).
    A Bolívia tem isso?
    Desapropriar é uma coisa, quero ver é fazer a extração continuar funcionando e projetos para expandir no futuro.
    Ah, o gás um dia acaba viu.

  • 39 Bruno Mota // 29/November/2007 às 19:01

    Elias, muito interessantes os seus comentários. Existe uma diferença fundmental entre o Evo Morales e o Chavez. O primeiro é o líder de um movimento genuinamente popular, enquanto o segundo é objeto de um culto a personalidade envolto em um manto de clientelismo.

    Eu entendo também que a ideia de exportar gás para o Chile (e de lá, por meio de liquefação, para o resto do mundo), o separatismo no leste e a posse de recursos naturais locais por extrangeiros são assutos explosivos, pois tocam exatamente nos traumas históricos da Bolivia: a perda de territórios e a expoliação de seu subsolo.

    Mas isto não implica que os bolivianos, e o Evo, podem se dar ao luxo de sucumbir à histeria. Ao impedir a construção de um oleoduto para o Chile, ficaram refens dos consumidores de gás vizinhos; ao expropiar ativos brasileiros, puseram fim a planos ambiciosos de expansão da produção de gás pela Petrobras*. De forma mais geral, o Evo, e muitos de seus compratiotas tem uma visão fundamentalmente rentista da economia. Parecem acreditar que basta colocar em mãos bolivianas a quase totalidade dos recursos advindos da extração de produtos primários para deixarem de ser pobres.

    É bom lembrar que a Bolivia já nacionalizou os hidrocarbonetos duas vezes antes de 2005, e quebrou a cara em amas. Ao invés de se tornar uma estatal competente, como a Petrobrás é hoje, e a PDVSA e a PEMEX já foram, a petroleira, YFPB, virou um cabide de emprego e cofrinho particular dos presidentes da época.

    O pior problema do Evo, porém, como o PD apontou, parece ser a incapacidade de aceitar a existência de uma oposição politica legítima. Uma pais como a Bolivia não vai para a frente se metada da população está ao ponto de sair na porrada com a outra metade.

    ___________________
    *E isto se deveu muito mais devido ao teatrinho histriônico ao ‘tomar’ as refinarias com tropas e discursos inflamados contra os ogros brasileiros do leste, do que ao decreto de renacionalização)

  • 40 proftel // 29/November/2007 às 19:03

    O “Anonymous” aí em cima no #38 sou eu, limpei o histórico e esqueci de completar.

    :-)

  • 41 Cruceño // 29/November/2007 às 19:24

    Well, este é o truque: dividir índios e brancos, mesmo quando a maioria da população boliviana (62%) se considera mestiça. Como estão fazendo por aqui com essa história de negros x brancos (6% são negros, mas tem gente que jura que os negros são maioria).

    Além do mais, me espanta a incoerência de Morales: ele se diz nacionalista e abomina o colonialismo espanhol. Ora, quem “uniu” o leste e o oeste da Bolívia foi a Coroa Espanhola, na marra. Se fosse coerente, Morales deveria exigir que o pessoal da medialuna (Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija) declarasse a independência…

    Eu disse quando esse cara assumiu: “Isso tá com uma carinha de guerra civil…”

    Agora é esperar pra ver…

  • 42 Cruceño // 29/November/2007 às 19:34

    Elias (com.13), se foi numa guerra não foi “garfado”, pitombas! Numa guerra você entra pra ganhar ou perder. A Bolívia é uma espécie de Coronel Aureliano Buendía, de “Cem anos de solidão”: entra em todas as guerras e não ganha uma. Azar ou incompetência?

  • 43 Elias // 29/November/2007 às 19:38

    Mestre Pax,

    A Cerpa está envolvida, até à última gota de chope (que não é lá grande coisa), numa espécie de propinoduto tucano.

    Os governos tucanos dispensaram um débito tributário da Cerpa de R$.45 milhões e concederam uma dispensa de 95% do ICMS. Em troca, teriam recebido um agrado de R$.12 milhões.

    A coisa foi descoberta por acaso, por fiscais do INSS. É que a Cerpa também não recolhia suas contribuições previdenciárias. O INSS fez uma devassa e, ao atirar no que viu, acabou acertando no que não viu.

    A “cerpona” eu já não bebia, porque é ruim que dói (aqui em Corruptópolis a gente chamava a cerpona de LIQG). Já a cerpinha ia bem. Agora, não mais. Prefiro uma boa cupuaçuroska (caipirosca de cupuaçu).

    Parece que a Ambev quer comprar a Cerpa.

    Ainda sobre o gás boliviano:

    A Argentina não necessita do gás da Bolívia, apesar de existir um gasoduto ligando os dois países.

    Ela continuou comprando gás da Bolívia só pra ajudar, e enquanto ainda não haviam começado as compras brasileiras. Quando o gasoduto Brasil/Bolívia ficou pronto, a Argentina cessou suas compras.

    Ou seja: o único cliente da Bolívia é o Brasil mesmo (o Chile eles não querem; a Argentina não precisa…).

    Como apontou o PD, a Bolívia não tem saída para o mar. Mesmo que realizasse a liquefação, ainda assim estaria com um problema de bom tamanho.

    Já exportar pro Brasil é fácil. O gás pode ser enviado in natura, o Brasil paga em dia (embora o preço estivesse defasado)…

    Compreendo as razões do presidente boliviano, e até simpatizo com elas. Mas, para a Bolívia, peitar o Brasil nunca será um bom negócio.

    Já o separatismo dos cruceños é pura flatulência.

    Uma Bolívia/2 = 2 Haitis

  • 44 Elias // 29/November/2007 às 19:49

    Cruceño,

    A área de Atacama sempre foi boliviana. Fazia parte do vice-reinado de Lima, Audiência de Charcas.

    Quando descobriram as propriedades fertilizantes do guano, o Chile passou a se declarar proprietário da área.

    A pretexto de um imposto (mixuruquíssimo, quase simbólico) cobrado pelo governo boliviano a uma empresa chilena, o Chile declarou guerra à Bolívia.

    Claro que o governo chileno sabia o que fazia. Governada por militares ineptos e corruptos, a Bolívia nem tinha navios, quanto mais marinha de guerra… Não tinha como se defender.

    Foi uma guerra de conquista.

    O Chile se legitimaria se a Bolívia fosse uma ameaça à sua soberania ou sua existência, e a posse de Atacama fosse essencial para anular ou minimizar essa ameaça.

    Não foi o caso. A Bolívia não ameaçava ninguém. Nem tinha com quê ameaçar.

    Era, apenas, um país pobre e fraco, sendo governado e vampirizado por sucessivas quadrilhas chefiadas por ditadores ignorantes, aboçalados, corruptos e ineptos.

    Aí dançou!

  • 45 luciana // 29/November/2007 às 20:02

    O problema dos politicos tipo Chaves e Evo Morales é que eles não pensam em agregar a população, mas em jogar um contrao outro. É um jogo, no minimo, arriscado.

  • 46 Radical Livre // 29/November/2007 às 20:03

    Cruceño:
    Tem um museu lá em la paz - não me lembro o nome - construído para manter a memória em torno da perda, pela Bolívia, do caminho para o mar. Eu até hoje tenho uma foto de uma frase de um general boliviano - não me lembro também o nome - em que no meio de uma batalha ele respondeu a um pedido de rendição: “Rendir-me yo? que se renda sua abuela, carajo!” (meu espanhol não é muito bom, por favor não se ofendam). não precisa dizer que o general perdeu aquela batalha e a guerra.

    o Chile continua a não ter qualquer direito àquela área, apesar dos mais de cem anos desde o ocorrido. E para os bolivianos, qualquer acordo com os chilenos só depois de morto.

  • 47 Radical Livre // 29/November/2007 às 20:04

    proftel (#40): andou fazendo bobagens e quis esconder seus rastros?

  • 48 Brancaleone // 29/November/2007 às 20:06

    Tomara que este papo de “compensar os índios” fique dentro das fronteiras bolivianas. Se a moda pega no resto do mundo vai ser o diabo. Posso até imaginar o governo francês procurando os autores de Lascaux para liberar uma grana. Imagine só o trabalho que vai dar achar um moicano ( o último morreu faz tempo…) e por aqui então? vou ter que vender meu Uninho (faltam 8 para quitar) para indenizar algum Gê, Tapuia ou Caigângue…

    Evo é um sujeito esperto. Não tanto quanto Chávez é claro. Governa não com o povo e nem para o povo mas usando o povo ( fato comum nos ditadorezinhos…) Vai durar pouco felizmente, talvez dure mais que o esperado se o Chávez der a ele uma mesada como a que dá ao Fidel. Assim que o povão boliviano passar a acreditar em outro espertalhão que prometa “mais justiça” ou mais coisas com menos trabalho Evo tá ferrado. Povo gosta mesmo é de messias, povão adora promessas, coisas dadas a trôco de nada, só umas refinariazinhas roubadas, uma siderurgiquinhas expropriadas, uma constituiçãozinha furrepa escrita em papel higiênico se tanto…
    Nada contra um sujeito ( de esquerda ou de direita, tanto faz) que se elege prometendo trabalho duro e crescimento gradual, sem tirar nada de quem merecer ter, nem querendo compensar em 4 anos 400 anos de exploração. Pena que se um sujeito aparecer com este discurso de decência ninguém vota nêle…

  • 49 Brancaleone // 29/November/2007 às 20:10

    Dá licença aí seu PD:

    Proftel:
    Abro o Google, digito “gato” ( por exemplo) e clico num dos resultados. Pronto, sou redirecionado pruns outros sites de busca nos estranja, tipo assim nada a ver. O que que é isso?
    PS: Tenho Avast…

  • 50 proftel // 29/November/2007 às 20:15

    Compadre Brancaleone:

    Olha, se for página que não é do Google provavelmente você está com algum spyreware na máquina, baixa o Spybot, instala atualiza e passa ele, se for coisa séria ele vai pedir prá reinicializar e tirar no boot, antes do sistema operacional abrir.

    :-)

  • 51 proftel // 29/November/2007 às 20:20

    Ah, eu não esqueci daquele lance de bloquear o Internet Explorer.
    O recurso que eu usava não funciona mais nas versões atualizadas.
    Era um arquivo dentro da pasta “etc” se não me engano, a gente colocava os sites que não poderiam ser acessados e não abria nem a páu.
    Agora, sem servidor ficou difícil bloquear, ainda estou tentando arrumar um jeito prá isso, preciso fazer a mesma coisa no computador da guarita do trampo da manhã.
    Já fiz muitas tentativas nessa máquina, os kras não tem o que fazer e vamos assim, uma coisa de gato e rato.
    Por enquanto estou levando na brincadeira, meu chefe queria tirar a máquina da guarita, não deixei, assim que conseguir uma solução que os vigias não consigam passar (e quero que seja uma solução para aquele terminal e instalada só nele) eu falo aqui.

    hehe.

  • 52 Zé Bush // 29/November/2007 às 20:21

    well….é certo que a Bolívia sofreu uma colonização que colocou a população indígena de lado. Resquícios do colonialimo, é hístória.

    Mas até quando esse pessoal vai se considerar “índio” e até quando vai existir um candidato dos “índios” que insiste em combater os “brancos”? Não seriam todos bolivianos? Ou a cidadania só vale para quem é “índio”?

    Um país deve aproveitar ao máximo suas potencialidades econômica e ganhar o máximo que puder com isso. Nesse ponto o Morales está certo. Mas quando passa a adotar um discurso revanchista e revisionista ( como se isso pudesse mudar a História ) mete os pés pelas mãos.

    É fácil jogar a culpa de toda a miséria do mundo na “elite branca”. E parece que vai ficar mais fácil ainda “expropriar” a riqueza de uma minoria para dividir com quem nunca soube (nem quis) gerar riquezas.

  • 53 proftel // 29/November/2007 às 20:29

    Radical Livre #47:

    Não, é que numa manutenção periódica (Spybot, Avast e Banker) na máquina que utilizo a tarde sempre limpo o histórico, aliás gasto mais ou menos uma hora e meia nisso toda semana.
    É só o serviço aliviar um pouco ou estar agarrado nalguma outra máquina em manutenção na bancada (e a minha ficar parada) que eu mando ver.

    :-)

  • 54 proftel // 29/November/2007 às 20:32

    Zé Bush:

    Numa hipotética guerra civil na Bolívia, d’um lado estariam os descendentes dos indígenas, do outro lado os brancos, guerreanto mesmo só os mestiços.
    Qué valê?

    :-)

  • 55 proftel // 29/November/2007 às 20:55

    Qualquer coisa estou lá no Open.

    :-)

  • 56 Brancaleone // 29/November/2007 às 20:56

    A quem interessar possa e ao Proftel em especial:

    Valeu!! Baixei um Spybot do Baixaki. Já passei e ele achou um treco no Internet Explorer ( mas não no Mozila, mas o Mozila “tava limpo” mesmo).

    Srs. do Blog: O Proftel manja!! ( isso é um comercial e um agradecimento)

    Um barato é o preço do Spybot: O autor só pede que se reze por ele e uma por uma tal de ” a garota mais maravilhosa do mundo”.

    Como sou ateu fico devendo a prece, mas fica aqui meu muito abrigado

  • 57 Arilo // 29/November/2007 às 21:08

    Análise excelente.

  • 58 HRP Mané Reloaded // 29/November/2007 às 21:15

    Viva EVO!… na sacanagem….Evo na cabeça!….porque o preconceito desa turma dá vontade de ser ignorante como a oposição a ele!

  • 59 HRP Mané Reloaded // 29/November/2007 às 21:20

    Porque essa turma não percebe que só com distribuição de renda conseguiremos um país melhor?
    Intelecto?

  • 60 Radical Livre // 29/November/2007 às 21:20

    Zé Bush (#59):

    o problema é que os brancos passaram 500 anos tratando os ‘índios’ (esta aspa aí é em sua homenagem) como cidadãos de terceira categoria. Como você queria que eles se sentissem?

  • 61 HRP Mané Reloaded // 29/November/2007 às 21:29

    Desculpe Radical….mas se eu conheço o Zé…lá vem uma puta desculpa a la lanterna( Bob Fields!) na Popa!…se vacilar a a la Bulhões!”
    ZZZZZZZZZZZZZZZZ!

  • 62 proftel // 29/November/2007 às 21:39

    Ô Compadre, a patroa leu aqui e falou prá dar uma olhada, estava lá no Open.

    Brigadão aí, precisando é só falar.

    Não indico nada sem testar nas minhas máquinas e depois em algumas do serviço prá saber como fica na mão do pessoal.
    A preferência é sempre para programas “free” (de graça) e, há muitos por aí que funcionam melhor que programas pagos.

    :-)

  • 63 proftel // 29/November/2007 às 22:05

    Desculpe aí Pedro Doria mas, o assunto pode até interessar a você.

    Pessoal, leiam com atenção o comentário 163 do Open aí embaixo.

    :-/

  • 64 Cruceño // 29/November/2007 às 22:38

    A Bolívia não lutou sozinha na Guerra do Pacifico, pessoal. Ela lutou com a ajuda do Peru. O Chile venceu os dois. Vocês querem ensinar pra mim a história do meu pais?

    Vocês, brasileiros, são muito estranhos… Ganharam a Guerra da Tríplice Aliança praticamente sozinhos e se sentem culpados por isso.

    A guerra não teria começado se um presidente antigo - um dos milhares que tivemos - el señor Daza - não tivesse dado uma de Morales, rompendo contratos e aumentando as tarifas de companhias chilenas de forma unilateral e ameaçando confiscar os bens das empresas estrangeiras… Soa familiar? Sempre temos presidentes nacionalistas na Bolívia. Ele poderia resolver tudo com uma conversa.

    (Não estranhem meu português. Meu pai é brasileiro - eu e meus dois irmãos fomos criados numa casa bilíngue em Santa Cruz).

  • 65 Cruceño // 29/November/2007 às 22:40

    E quem declarou guerra fomos nós!

  • 66 Moisés // 29/November/2007 às 22:43

    29 DE NOVEMBRO
    DIA INTERNACIONAL DE SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO!!!

  • 67 Brancaleone // 29/November/2007 às 22:45

    29 de Novembro:

    Solidariedade ao povo Palestino.

    Legal. Eu apoio. Pena que o Irã, a Síria, a Jordânia, o Hamas e o Hesbolá não participem né???

  • 68 proftel // 29/November/2007 às 22:47

    Cruceño:

    De minha parte, bem vindo ao pedaço.
    Não esquenta com escrita não, a maioria escreve muito bem por aqui mas, na raiva ou na pressa sai cada uma….

    kkkkkkk rsrsrsrsrs

    :-))))

  • 69 Elias // 29/November/2007 às 22:50

    Radical Livre,

    O cara a quem você se referiu (”!Qué se rinda su abuela, carajo!”), se chamava Eduardo Albaroa, tinha 41 anos e não era general.

    Era contabilista.

    Os chilenos ficaram impressionados com a bravura do sujeito.

    Era uma retirada, sob o comando de Ladislao Cabrera, salvo engano. Albaroa ficou pra trás, junto com 2 oficiais e 8 soldados, pra retardar o inimigo.

    Os fardados se entregaram. Foram feitos prisioneiros.

    Albaroa ficou se movimentando e fustigando os chilenos, até ser ferido e encurralado nas ruínas de um povoado.

    Admirados com sua coragem e habilidade em combate, os chilenos tentaram fazer com que ele se rendesse, já que, àquela altura, sua morte seria inútil.

    Foi quando ele disse a frase célebre.

    Tomou uma descarga e morreu. Os chilenos o sepultaram com honras.

    Creio que ele é o principal herói boliviano.

    Segundo se diz, até o dia em que se apresentou como voluntário pra lutar contra os chilenos, Albaroa levou uma vida pacata, dedicada à família e ao trabalho. Era um homem alto, magro e calmo. A ferocidade com que se dedicou ao combate foi uma surpresa pra muitos.

    Bem, como não acredito que alguém possa aprender a combater na noite para o dia, creio que Albaroa tinha, sim, alguma experiência anterior. No mínimo, era caçador.

    Mas contada no jeito que costuma ser, a história dele fica mais… inspiradora, digamos.

  • 70 Cruceño // 29/November/2007 às 22:51

    Faço uma força danada pra não misturar português com espanhol…

  • 71 Radical Livre // 29/November/2007 às 22:53

    grande elias!

    e cruceño, aqui entendemos mui bien el portunhol ;-)

  • 72 Brancaleone // 29/November/2007 às 23:08

    Bom né:

    Ou o Evo é um Cháves que não deu certo ou o Cháves é um Evo que deu certo…

  • 73 Elias // 29/November/2007 às 23:10

    Cruceño,

    Duvido que alguém aqui queira te ensinar o que quer que seja.

    E ninguém aqui disse que a Bolívia lutou sozinha na Guerra do Pacífico.

    Claro que foi burrice do ditador boliviano taxar — ainda que irrisoriamente — a empresa chilena. Ditador boliviano fazendo burrice nunca foi novidade.

    Mas será burrice também acreditar que o Chile entrou em guerra só por causa desse imposto. Ele guerreou pra tomar territórios, por causa dos depósitos de guano.

    Foi uma guerra de conquista.

    Quem escreve isto, é um brasileiro que não tem remorsos pela Guerra do Paraguai. O Brasil foi atacado sem declaração formal de guerra, reagiu e venceu praticamente sozinho como você disse.

    A propósito: tendo esmagado militarmente o Paraguai, o Brasil não anexou um único centímetro do território daquele país.

  • 74 chesterton // 29/November/2007 às 23:20

    Este Cruceno matou a pau. Elias, compra aquele livro, Manual do Perfeito Idiota Latino Americano….

  • 75 "¿Por qué no te callas?" // 29/November/2007 às 23:35

    bla bla bla bla bla bla….e ninguem ve ou nao quer as centenas de bolivanos peruanos que ficam pelo Braz…Pari…e nao sei mais onde…trbalahando como escravos para chineses e koreanos….sem Evo…sem Chavez….sem Lula …

  • 76 "¿Por qué no te callas?" // 29/November/2007 às 23:41

    “Corinthians colheu o que plantou”, diz presidente Lula……xiiiii….acho que vamos ter uma nova constituiçao aqui tb……Art.1 curuntia esta proibido de cair…perder…..e de tb ter um time tao tuim….da um tempo Lula…

    “Torcedor declarado do Corinthians, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está triste com a situação do time alvinegro no Campeonato Brasileiro”
    Fonte: Terra.com.br

  • 77 Elias // 29/November/2007 às 23:44

    Chester,

    Não vou comprar o livro que você recomendou (Manual do Perfeito Idiota Latino Americano) porque não tenho o menor interesse em conhecer o teu perfil (que é o do babaca que se baba com esse tipo de baboseira).

    Sobre história militar da América do Sul eu… digamos assim… conheço um pouquinho…

    Mostra onde foi que o Cruceño matou a pau.

    Bobinho…

  • 78 Moisés // 29/November/2007 às 23:54

    Brancaleone,

    Obrigado pelo apoio!! O povo Palestino agradece.

  • 79 Marcos Araujo // 30/November/2007 às 0:57

    Sera’ que hoje nao daria pra Bolivia e o Peru atacarem o Chile e retomarem o que lhes foi roubado? Estao com melhor poder de fogo, nao?

    O cruceno ai’ acima poderia - quem sabe? - vir a ser o novo hero’i boliviano… :o))

  • 80 Cortez // 30/November/2007 às 1:15

    A oportunidade não foi perdida, pelo contrário.

    Evo colocou em discussão, dentro e fora do país, e com a maioria - quase todos, inclusive neste blog - a seu lado, senão nos métodos, ao menos no mérito, o exemplo boliviano de injustiça social.

    E o momento é de discussão, de revisão, de questionamento. Como chegar lá, resolvemos, quando atinarmos aonde é.

  • 81 Radical Livre // 30/November/2007 às 1:30

    Marcos Araujo: o chile é o país que mais gasta em armas atualmente na america latina. Mais de 2 bilhões e meio de dólares. um bocado para um país daquele tamanho. e um perigo para la unidade de latino america.

  • 82 HRP Mané Reloaded // 30/November/2007 às 9:03

    Papo furado pesado esse de guerras latino americanas…….Por que no se calam e vão trabalhar?!

  • 83 Elias // 30/November/2007 às 11:10

    Radical,

    Também acho impossível que Peru e Bolívia tentem reaver, pela via militar, os territórios tomados pelo Chile na Guerra do Pacífico. É improvável que eles tentem.

    Mas o fato é que, pelo menos na Bolívia, ainda estão bem abertas as feridas deixadas por essa guerra.

    Em 2005, entrei numa livraria em Santa Cruz de la Sierra. Um dos livros expostos com maior destaque era “Chile, enemigo de Bolivia antes y después de la Guerra de Pacífico”, de Roberto Querejazu Calvo. O título é quase uma declaração de princípios. E, Chester, Roberto Calvo não tem nada de esquerda, antes pelo contrário.

    Em 2003 e 2004, houve graves problemas de instabilidade na Bolívia, só pela suspeita de que os então presidentes Lozada (2003) e Mesa (2004) pretendiam vender gás ao Chile.

    A elite política boliviana é unânime em afirmar que o Peru não é o melhor dos aliados. Há sérias reservas em relação a esse país.

    Os bolivianos entendem que o Peru descumpriu o tratado de aliança com a Bolívia, ao se render e assinar a paz em separado com o Chile. No pior momento, a Bolívia ficou só na briga.

    Aliás, é bom que se diga que o fato do Peru ter aberto as pernas para o Chile não lhe garantiu tratamento melhor. Além de ficar com parte do território peruano, os chilenos simplesmente saqueram o país. Despacho do embaixador inglês, à época, dá conta que os chilenos levaram do Peru tudo o que podiam carregar: bibliotecas inteiras, obras de arte, máquinas e o raio que os partam. Não dispensaram nem os espelhos do palácio do governo…

    Em relação à Bolívia, o que existe é um impasse.

    Pela via militar, não há como se conseguir nada, porque o Chile é infinitamente mais forte. Pela via pacífica, idem, até porque os bolivianos reagem negativamente a qualquer indício de aproximação com o Chile. Ao mesmo tempo, não há confiança em relação à Argentina e ao Peru.

    Como parceiro de peso, resta o Brasil que, de resto, tem se portado decentemente em relação à Bolívia, não tem pretensões territoriais e, por princípio constitucional, defende a busca de soluções negociadas.

    Na realidade, o Brasil seria um interlocutor qualificado, para o alcance de uma solução pacífica e satisfatória para todos os envolvidos. Mais uma razão para o governo boliviano — seja quem for que esteja à sua frente — não criar arestas com o Brasil.

    De qualquer modo, pelo que se sabe, dificilmente o Brasil — seja quem for que esteja no governo — vai encarar uma mediação, se não houver garantias de que a negociação é desejada e de que seus termos serão respeitados.

    Como isso não existe, o impasse continua.

  • 84 Brancaleone // 30/November/2007 às 11:27

    O “pobrema” é que um Evo da vida quando começar a cair em desgraça com seu povo pode inventar uma versão nova de “Malvinas Argentinas” e só para criar uma cortina de fumaça declara guerra ao Chile. Gente tipo Evo e Cháves são capazes destas coisas. Velhos ódios são ótimos meios de manipulação do populacho e estes sujeitos que se elegem e se tornam ditadores democráticos são hábeis no uso destes ódios.
    Vale aquela: Uma boa guerra justifica qualquer causa e exemplos tivemos nos Balcãs…

  • 85 HRP Mané Reloaded // 30/November/2007 às 11:44

    “manipulação do populacho”…..Josuegua…não dá nem pra disfarçar um pouquinho os teus preconceitos com gente pobre, né?
    Sintoma de carater!
    EEEEEEE…………zzzzzzzzzzz

  • 86 Brancaleone // 30/November/2007 às 12:00

    Ô HRP!!!

    Populacho não são os pobres. Pelo menos não os pobres em termos financeiros. Populacho para mim é todo e qualquer ajuntamento de otários - de qualquer faixa social - que resolvem dar crédito e votos ao primeiro sujeitinho que aparece prometendo “reparações”, “compensações”, “programas sociais” que não exigem o menor esforço ou contrapartida.
    Populacho para mim não é uma questão de quanto se tem em dinheiro. Populacho para mim é pobreza mental, é gente que só quer direitos sem nenhuma obrigação. Populacho é isso.
    O contrário de populacho é Cidadão e para ser cidadão não precisa ter conta em banco, carro do ano, casona ou usar roupas caras.

  • 87 chesterton // 30/November/2007 às 12:16

    eu náo entendi que oportunidade foi perdida…desde que Evo foi eleito, as oportunidades boas foram por agua abaixo. Indio é assim mesmo, quer continuar vivendo como indio, o que é uma bosta.

  • 88 chesterton // 30/November/2007 às 12:19

    Elias,cruceno matou a pau em pri eiro lugar mostrando que 62% dos bolivianos se consideram mestiços. Logo, os indios náo tem maioria para impor sua teocracia sacrificial….tolinho.

  • 89 chesterton // 30/November/2007 às 12:23

    o que os presidentes bolivianos pretendiam era fazer uma planta de liquefação de gas no Pcifico, para exportar para a California em navios. Os indios reclamaram na época, e EVO capitalizou, que queriam que o gas ficasse para eles cozinharem feijóes e galinhas sem pagar pelo gas consumido. Para variar, a falta de visão ferrou com a indiada toda.

  • 90 chesterton // 30/November/2007 às 12:25

    ..agora, entra na guerra, como disse o cruce, é para ganhar ou perder, o vencedor quer sempre quer recuperar o prejuizo, o vencido paga..

  • 91 Alba // 30/November/2007 às 12:27

    Josué,

    Você leu sobre o que está acontecendo na Bolívia ? Leu os comentários, particularmente os do Elias?

    Evo Morales é uma legítima liderança popular. Por circunstâncias históricas e pela sua própria origem, ele precisava nacionalizar os hidrocarbonetos, como explicaram o Elias e outros.

    É o que se esperava dele. Se não o fizesse, estaria condenado, como os que o antecederam, sendo que um deles, salvo engano, mal chegou a durar dois meses.

    A queda de Morales não está afastada, não por conta da atitude teatral com relação às instalações do Petrobrás, porque isso, afinal, não passa de jogo de cena que mais ou menos deve ao seu eleitorado, embora seja certamente incômodo.

    Como escreveu o PD, e explicou muito bem o Elias, a diplomacia brasileira respondeu da melhor forma, até porque para o Brasil, interessa trazer a Bolívia à sua área de influência. Ou seja, bravatas são tratadas pelo que são…bravatas.

    Quanto a se envolver em uma guerra contra o Chile, é altamente improvável. Já tem as mãos bastante cheias com a confusão interna que, admito, poderia ter conduzido com um pouco mais de habilidade.

    De toda forma, lamento pelo que tenho lido sobre o desenrolar da crise na Bolívia e temo que Morales efetivamente não dure. Mas a situação dele é bastante diferente da de Chávez, até pela origem.

    Não se trata de dividir o país entre índios e brancos. Os índios são clara maioria e sempre foram expostos a cruel exploração - aliás, não muito diferente do que se faz aqui no estado de São Paulo com os cortadores de cana, submetidos a jornadas de trabalho extenuantes, de 10, 12 horas, para ganhar menos de R$ 2,00 por tonelada cortada.

    Será que gente nestas condições não tem razões para se mobilizar ?

  • 92 Alba // 30/November/2007 às 12:35

    Chest,

    Eu me lembro claramente da época em que começou essa discussão sobre um gasoduto passando pelo Chile para exportar para os EUA, inclusive.

    Ocorre que a proposta foi repudiada pelos bolivianos em massa. Por mais que saísse mais caro construir usando os portos do Peru, foi o que a maioria preferiu.

    Ressentimentos antigos, mesmo quando irracionais, não devem ser respeitados por um presidente eleito?

  • 93 HRP Mané Reloaded // 30/November/2007 às 12:57

    Incrivel a reação as mudanças por parte da humanidade……Evo Morales quer mudar um estado de coisas….que estão podres de velhas e “travam” a inclusão social na Bolivia……será que não da para enchergar!?
    A mesma coisa levou o povo pobre e os homens de boa vontade a por Chavez aonde ele está….se passou dos limites, creiam, é preciso dar um basta, mas os dois tem muito mais méritos do que deméritos!
    Boa tarde a todos e em aprticular a Alba , amiga do Paz Pax……do preconceituoso HRP(só contra judeus com o rei na barriga!).

  • 94 Alba // 30/November/2007 às 13:05

    Boa tarde, Mané! :)

    Só esquece o preconceito um tiquinho que a gente consegue conversar melhor, na boa!

    E olha só, não é bronca. Estou de excelente humor, só esperando o sol baixar um pouquinho pra fazer minha caminhada.

    Beijo

  • 95 Elias // 30/November/2007 às 13:06

    Chesterton,

    A afirmação do Cruceño (dos 62% de mestiços) não tem nada a ver com nada do que eu disse.

    Até porque a questão dos hidrocarburos, no que se relaciona à interface com o Chile, é transversal à sociedade boliviana.

    O boliviano pode ser a favor ou contra a nacionalização. Agora, vender gás pro Chile? Nem pensar! Isso não tem a ver com ser índio ou não.

    No mais, Chester, os brancos, mestiços e índios têm suas divisões internas (direita, centro e esquerda). Não há uma identidade ideológica associada à etnia.

    O alcalde de Santa Cruz de la Sierra em 2004 (não sei se ainda é o mesmo), é mestiço, e também é um dos principais líderes do “Meia Lua”. (Aliás, o carinha é articulado como ele só. Fala bem, simples e convincentemente. Além do mais, é um excelente administrador. Bem jovem, ainda, provavelmente vai ocupar lugar de destaque maior, ainda, na política boliviana.)

    Quando o então presidente Mesa foi à Argentina, em 2004, os bolivianos foram em massa às ruas. Não foram só os índios. O governo teve que colocar as Forças Armadas nas ruas, pra garantir a ordem. O governo chileno chegou a concentrar tropas na fronteira com a Bolívia.

    Ninguém me contou isso. Eu estava lá, e vi.

    Se o Cruceño parar em alguma esquina boliviana, e falar em voz alta que o Chile tomou legitimamente parte do território da Bolívia, ele vai é levar muita porrada… De brancos, índios e mestiços.

    Esse aí, provavelmente, é o único ponto consensual entre os bolivianos.

    Você não sabe nada dos índios bolivianos. Você os imagina do mesmo modo que os índios brasileiros. Isso é apenas produto da sua ignorância sobre o assunto.

  • 96 Alba // 30/November/2007 às 13:20

    Elias,

    Não queria me imiscuir nesse papo, mas o Cruceño também afirmou que há 6% de negros no Brasil.

    Bem, pode ter sido só um erro de digitação. Talvez ele quisesse dizer 60%, o que seria muuuito mais razoável.

    Aliás, em qualquer época da nossa História. Em algumas, essa porcentagem foi até superior.

  • 97 Elias // 30/November/2007 às 13:24

    Chester,

    No que se relaciona à participação dos índios na política boliviana, há um divisor de águas: a Guerra do Chaco.

    A Guerra da Independência foi travada pelos “criollos” contra os espanhóis (e os partidários destes).

    A Guerra do Pacífico foi travada pelos “criollos” (e peruanos) contra chilenos.

    Os índios bolivianos não participaram desses episódios. Eram pouco mais que escravos, submetidos ao regime da “mita” (que continuou a ser praticada, mesmo depois de formalmente abolida).

    A Guerra do Chaco envolveu os índios bolivianos em massa. A partir daí, eles entraram na política pra valer.

    Com a reforma constitucional durante a gestão Lozada (salvo engano; estou citando de memória), deixaram de ser força eleitoral e se tornaram força política. Boa parte dos municípios bolivianos é administrada por índios.

    Eles preservam sua cultura, seu idioma, etc. Mas estudam, cursam universidades…

    Cê tá por fora, bobinho…

    É o que dá formar opinião tendo como única referência as bobagens do Olavo, do Reinaldo e da Veja.

    Atrofia cerebral.

  • 98 Elias // 30/November/2007 às 14:14

    Alba,

    É isso mesmo. Mas creio que foi erro de digitação.

    Já o Chester, não há dúvida: é um caso clínico…

    Tudo o que acontece ou aconteceu, em qualquer tempo ou lugar, ele reduz a um embate entre “direita” e “esquerda”.

    Imagina só, na Guerra do Pacífico… quem seria direita e quem esquerda: o ditador chileno ou o ditador boliviano?

    Acho que o Chester faria bem em procurar um terapeuta…

  • 99 Marcos Araújo // 30/November/2007 às 19:07

    O problema do Dracul Chupacabra é que ele se auto-medica - com os escritos do Olavao… Aí, é caso totalmente perdido.

  • 100 Alba // 30/November/2007 às 20:28

    Elias,

    Desculpe o atraso, só li agora.

    Realmente é curioso esse cacoete de enfiar a esquerda X direita em qualquer coisa. Se bobear, sobra até pra Guerra do Peloponeso, siô!

    E aí, fica até mais difícil, já que no caso não dá pra usar o plano B, que é civilização judaico-cristã ocidental contra os persas ou os futuros islâmicos.

    Mas temos que conceder que o Chest é um cara de graande imaginação, mesmo que seja alimentada com aquele veneno..

  • 101 HRP Mané Reloaded // 30/November/2007 às 22:18

    Chester Frangão Chupacabras!
    EEEEEEEEEEEE……..demais!

  • 102 Chesterton-Dracul- El Cid // 30/November/2007 às 22:29

    Elias magora querendo se equiparar ao Reinaldão? Ha, ha, ha……….

  • 103 Chesterton-Dracul- El Cid // 30/November/2007 às 22:32

    60% de negros no brasil, mas vocês beberam? ali kamel para voces, não somos racistas.

  • 104 Chesterton-Dracul- El Cid // 30/November/2007 às 23:24

    Até o Helio Fernandes sabe

    Água e azeite não se misturam
    Não é preciso ter diploma de cientista para perceber que água e azeite não se misturam. Sendo assim, como compatibilizar o prêmio dado ao Brasil pelas Nações Unidas, incluindo-nos no grupo de países de elite, em matéria de qualidade de vida, com a conclusão de que, aqui, é onde mais se acentua a desigualdade entre pobres e ricos?

    Se qualidade de vida se mede pela queda da mortalidade infantil e pela teimosia dos velhinhos em adiar sua partida para o além, ótimo. Mas se o fator de aferição for o número de indigentes que recebem o bolsa-família, nada feito. Essa esmola que beneficia 20 milhões de brasileiros não será, propriamente, sinal de prosperidade social. Para não falar nas comunidades cada vez mais desligadas das instituições formais, nas favelas e periferias das grandes e das pequenas cidades, criando e vivendo suas próprias regras e até seus próprios governos.

    Assim como quando do anúncio repetido da descoberta do megacampo de petróleo e gás no litoral Sul, dias atrás, começamos a assistir novos festivais de propaganda governamental nos diversos veículos da mídia. Com a Petrobras à frente, propaga-se nossa transformação em paraíso petrolífero e, também agora, como elite em matéria de qualidade de vida. Estão querendo misturar água e azeite…

  • 105 Nassau // 1/December/2007 às 5:06

    Pelo que li por aqui a história não foi nada favorável às pretensões bolivianas que amargaram derrotas em cima de derrotas. No entanto como diz o ditado, imagens valem mais do que mil palavras. Aqueles tanques nas refinarias da Petrobras atraíram sobre Evo certa antipatia junto à opinião pública brasileira. É verdade que a Petrobras não cederia, mas os tanques foram totalmente despropositados. Evo pode ter ficado bem na fita lá dentro, mas Lula ficou em muito maus lençóis. Os tanques foram uma demonstração de animosidade beirando quase a uma declaração de guerra. Sem dúvida, aquilo foi um marco nas relações entre Chavez, Evo e Lula, que acendeu a luz vermelha no nosso governo, congresso e mídia que até então via com simpatia à liderança indígena/popular de Evo. Se Morales aplica esse estilo unilateral agressivo com um colega e aliado como é o Lula, dá para imaginar a sua falta de trato com a oposição.

    As consequências vieram, primeiro o silêncio, depois as declarações pragmático/fatalistas, panos quentes, a importância de se fortalecer o MERCOSUL. Mas as pretensões de investimento da Petrobrás na Bolívia entraram em compasso de espera, apesar de nossa dependência do gás. Ficou forte a impressão de que Chavez estava por trás do evento. Não ouço mais falar em Banco do Sul e da pdvsobras, o gasoduto do sul parece que mixou também, e Lula anuncia pouco antes da cúpula ibero-americana, e do retorno das negociações da Petrobras com a Bolívia, com todos os holofotes e em altíssimo som as reservas de Tupi, lastro que poderia ser guardado para outra ocasião no futuro quem sabe?

    A partir daí a Argentina se aproxima do Brasil. Logo que eleita a presidente Kirchner visita Lula e pede investimentos da Petrobras em seu país. Há “suspeitas” que as reservas de pré-sal cheguem ao litoral argentino e a Petrobras é detentora de supremacia tecnológica em águas ultra profundas.
    É como costuma dizer o mestre Elias, não é bom negócio para os vizinhos arrumar briga com o grandão.
    Abs.

  • 106 Chesterton-Dracul- El Cid // 1/December/2007 às 10:21

    Evo e o Acre, teremos noticias….

  • 107 Chesterton-Dracul- El Cid // 1/December/2007 às 15:58

    esquerdista só faz merda, impressionante. Teremos guerra?

  • 108 Clayton Mendonça Cunha Filho // 1/December/2007 às 17:06

    Caro Pedro Dória, discordo bastante da tua análise. Certamente o tema do gás e as dificuldades com sua exportação são um fator limitante para o governo boliviano, uma dificuldade considerável. Mas não são Evo e seus partidários quem estão levando a Bolívia à Guerra Civil, mas sim a intransigência da oposição. Até o momento, o governo se pautou inteiramente dentro da legalidade boliviana e nunca queimou as pontes com a oposição, buscando sempre chamá-la ao diálogo (fato, aliás, que motivou grandes críticas de esquerdistas mais radicais como o sociólogo estadunidense James Petras, por exemplo). Esta oposição, por outro lado, é que nunca esteve disposta a dialogar e acaba forçando o governo a medidas mais duras. A nacionalização do gás, extremamente necessária e justa para o país, não expropriou bens das empresas estrangeiras. Mesmo assim a gritaria foi geral e a oposição protelou enquanto pode a aprovação dos novos contratos. A lei de terras não toca em propriedades produtivas, por maior que seja o latifúndio, mas os fazendeiros seguem esperneando e recusando-se a seguirem a lei. E a nova constituição viu-se paralisada pela minoria oposicionista que nunca tentou dialogar e recusava todas as propostas do Executivo, por mais concessões que fizessem. Poderiam com o número de constituintes que possuíam facilmente ter forçado um documento mais moderado mas optaram por radicalizar a rejeição e apelar à violência. Não coube outra saída que usar o regimento que dava quórum mesmo sem os intransigentes parlamentares do PODEMOS que se recusavam a votar e então votar sem eles. A direita tem chamado abertamente ao golpe, as forças armadas têm se manifestado pela legalidade, os movimentos sociais organizados não aceitarão menos que as moderadas (sim, moderadas!) reformas propostas por Evo Morales e o país caminha para um sangrento embate dentro em breve…

  • 109 Franco // 3/December/2007 às 9:55

    Evo Morales é resultado da apatia que os governos tiveram para solucionar o problema da pobreza em seu país, se foi eleito coma grande maioria de votos é natural que ele faça o que a grande maioria exige e o que a grande maioria da população excluída exige?? MANIPULAÇÃO!!! por falta de experiência no poder o que sobra é vingança!!

  • 110 + Bolívia e Santa Cruz // 5/May/2008 às 14:35

    […] Elias, nos comentários abaixo, a questão da autonomia ou, para alguns, separatismo de Santa Cruz já foi assunto neste Weblog em novembro de 2007. Rendeu uma longa […]

  • 111 Chávez, Morales e o Anti-Imperialismo Ibero-Americano | Política | Adriano Correia // 29/October/2008 às 14:58

    […] (inspirado no texto "Evo Morales, a constituição da Bolívia e uma oportunidade perdida" …) […]

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