O fim das negociações FARC/Chávez

Colômbia · Europa · Terror · Venezuela · 26/11/2007 - 04h44 - 223 Comentários

Há uma guerra de vaidades em curso entre Álvaro Uribe e Hugo Chávez. No sábado, Uribe suspendeu bruscamente a intermediação de Chávez nas negociações pela soltura de reféns das FARCs. A alegação é de que o presidente da Venezuela não estava autorizado a conversar com o general Mario Montoya, chefe das Forças Armadas colombianas. Seu interlocutor no governo deveria ser Uribe e ninguém mais.

Não custa lembrar, a responsabilidade pela existência dos 45 reféns é das FARCs. De ninguém mais.

No entanto, citando o editorial de El Tiempo, da Colômbia:

A reação da Venezuela foi inicialmente cautelosa e, posteriormente, dura. Chávez declarou primeiro sua ‘aceitação’ e ‘frustração’ e logo, na madrugada de sábado, disse que se sentia ‘traído’ e que isto afetaria a relação dos dois países. O presidente francês, Nicolás Sarkozy, junto a seus familiares, pediu a Uribe que reconsiderasse, informou que enviaria uma carta formal e declarou que Chávez ‘é a melhor opção’. No entanto, apesar da indiscrição e teatralidade do mandatário vizinho, não se pode negar que em três meses sua gestão fazia com que as negociações enfim saíssem do ponto morto.

A idéia de que um contato entre Chávez e o generalato colombiano poderia despertar simpatias bolivarianas nos militares colombianos é certamente uma desculpa. Uribe estava incomodado porque perigava Chávez sair protagonista – até mesmo herói – de uma negociação destas, com os reféns a tiracolo.

É possível honestamente questionar as negociações. A partir do momento em que um chefe de Estado senta para dialogar com as FARCs, o status internacional das guerrilhas é elevado. Ganha legitimidade. Não se negocia com seqüestradores, com terroristas, com traficantes, sem efeitos colaterais.

Mas foi negociando que se lidou com o IRA e, um dia, o general israelense Itzaac Rabin apertou as mãos – carrancudamente – de Yasser Arafat. Não tem jeito: é negociando com quem tem o poder de matar e impor sofrimento que se evitam mais mortes, mais sofrimento. Ninguém disse que diplomacia era jogo limpo.

Álvaro Uribe continua com um problema nas mãos – um problema que evidentemente ele não tem condições ou mesmo competência para resolver. Talvez, como sugere o presidente francês, Hugo Chávez fosse o único interlocutor possível. Negociação é, infelizmente, a arte do possível. Se há um custo político? Evidentemente que há. O fortalecimento de Chávez, a legitimação das FARCs. É com esse objetivo mesmo que matam e seqüestram: para ampliar sua influência.

Desistir das negociações para não legitimar não é solução. E o problema continua lá, do mesmo tamanho. Há vidas em jogo. Uribe está brincando com essas vidas.

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