Em Abaetetuba, foi a minha perdição. Quando eu bebia, fumava (maconha), e, quando eu tinha dinheiro, comprava roupa, alimentos.
Nunca usei arma na minha vida, só pegava as coisas se (as pessoas) ‘marcassem’ (se distraíssem).
Eles (os presos) me batem toda hora, toda hora, queimaram meu pé com papel higiênico quando eu dormia, tocaram fogo.
Eles diziam ‘Tu vai ficar com fome?’ Aí eu ia com eles. O melhor dia é quinta-feira, porque as mulheres deles vêm e aí eu fico livre.
Uma vez, o B. me levou pro banheiro à força, eu gritei, gritei, mas a gente grita, dá uma raiva porque eles (agentes prisionais) não vão ouvir.
Da adolescente presa no Pará numa cela de homens, localizada pelo repórter Rafael Guedes, de O Liberal