Quem será o candidato democrata
à presidência dos EUA?

EUA · 23/11/2007 - 05h27 - 78 Comentários

Está definido o calendário eleitoral das primárias norte-americanas – e tudo começa já na virada do ano, em Iowa, onde seu caucus para definir os candidatos dos partidos Democrata e Republicano acontecerá no dia 3 de janeiro. Faltam 43 dias.

(A descrição exata deste processo de seleção dos candidatos, incluindo a diferença entre caucus e primárias, está num post anterior.)

No dia 8 é a vez da primária de New Hampshire, seguida da de Michigan no dia 15, Nevada, 19, Carolina do Sul, 26, e Flórida, 29. Com o calendário definido, começa a ficar mais fácil compreender o tabuleiro de xadrez. Mas, bom lembrar, compreender é uma coisa, arriscar um resultado é completamente diferente.

As datas foram muito antecipadas quando comparadas às eleições passadas. Peguemos, para comparar, o pleito de 2004, que selecionou John Kerry e George W. Bush. Naquele ano, a disputa no Partido Republicano já começou com todo mundo ciente de quem seria o vencedor, já que Bush concorria à reeleição. A dúvida era a respeito de quem concorreria pelos democratas.

Todd Beeton, no excelente blog MyDD, lembra estes números:

Em 2004, o caucus de Iowa se deu no dia 19 de janeiro. Quarenta e três dias antes, em 7 de dezembro, a pesquisa no estado dava como favorito o governador de Vermont Howard Dean (26%), seguido do deputado federal Dick Gephardt (22%), com os senadores John Kerry (9%) e John Edwards (5%) em terceiro e quarto lugares.

As primárias de New Hampshire foram no dia 27 de janeiro. No dia 13 de dezembro, uma pesquisa do Boston Globe realizada lá colocava Dean (42%) disparado em primeiro, Kerry (19%) em segundo, o general Wesley Clark (13%) em terceiro e Edwards num distante quarto (7%).

As pesquisas nacionais indicavam o mesmo franco favoritismo de Howard Dean, que saíra da segunda posição em novembro para galopar dezembro para a liderança, enquanto Kerry perdia pontos.

Então, pois é: Hillary em primeiro, Obama em segundo, Edwards em terceiro hoje. Hora de ter calma e esperar.

Em que momento as pesquisas começaram a virar? Nas últimas duas semanas antes destes pleitos. O problema, no caso, é que algo inédito ocorrerá: as últimas duas semanas são Natal e Ano Novo. Ou seja, nem os eleitores passarão muitas horas no trabalho, onde a conversa tende a girar sobre política, tampouco o papo em casa se concentrará no pleito. É possível que, este ano, a definição de que candidato apoiar se consolide mais cedo nas primeira e segunda semanas de dezembro.

E por que a fixação no candidato democrata? Porque ele definirá o vencedor no lado republicano. Em 2004, foi o contrário.

Explica-se: as apostas todas, por conta da baixíssima popularidade do atual governo, é de que a oposição carregará em 2008 a Casa Branca. Assim como, em 2004, a aposta era de que George W. Bush, presidente em tempos de guerra, seria reeleito. Quem visse as pesquisas em novembro e dezembro de 2004 perceberia quem os democratas pretendiam eleger com o coração: Dean. Mas estas eram as pesquisas feitas entre eleitores filiados ao Partido Democrata e que, portanto, teriam o direito de influenciar na escolha do candidato de seu partido.

Nas pesquisas que mal saem nesta fase, aquelas nas quais toda a população de eleitores é avaliada, John Kerry aparecia como o único capaz de vencer Bush numa eleição. Quando esta informação foi tornada pública e a hora de escolher o candidato começou a apertar, os eleitores democratas puseram a paixão de lado para fazer uma escolha pragmática. (Que, no final, não adiantou de muito.)

Desta vez, é diferente: os eleitores democratas sentem que têm espaço para experimentar um pouco. A questão é que critério vão eleger para decidir quem os representará. Hillary Clinton é um voto na sagacidade e experiência política, mas há um receio: será que ela afasta demais os eleitores de centro, indecisos, que decidirão a eleição? Barack Obama representa uma mudança geracional, não afasta os de centro – mas não será inexperiente e vacilante demais? John Edwards, uma aposta no carisma sulista que, no entanto, às vezes parece – não que seja, mas parece – vazio de conteúdo? Um terceiro nome surpreendente?

Seja como for, é com estas preocupações que estão lentamente decidindo seu voto. Os republicanos estão atentos: a sua escolha será a do candidato que for mais forte naquilo que seu oponente for mais fraco.

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