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A origem dos EUA e o Dia de Ação de Graças

November 22nd, 2007 · · 41 Comentários

Em novembro de 1620, desembarcaram dos navios Mayflower e Speedwell 122 homens, mulheres e crianças, entre eles o índio americano Squanto que fora escravo e, liberto, voltava aos seus e um bebê, que nascera durante a travessia do Atlântico. Eram religiosos puritanos, vestiam-se de preto, partiram da Inglaterra para fundar a segunda colônia do país no Novo Mundo a – como não poderia deixar de ser chamada – Nova Inglaterra.

As viagens à praia onde hoje é o estado de Massachusetts eram curtas – todos tinham medo e o deserto prometia ser frio, muito frio. Começaram a construção de uma pequena vila em janeiro – até março, a neve e as doenças da travessia já haviam matado muitos. Sobraram 53 peregrinos.

Plantaram na primavera. O trigo e o centeio não vingaram na terra nova – mas Squanto ensinou-lhes a plantar milho, preparando a terra com restos de peixe.

Quando terminou a primeira colheita, em novembro de 1621, o governador da pequena colônia declarou um feriado, um dia de Ação de Graças, para que agradecessem a Deus pela comida que tinham e com a qual poderiam enfrentar aquele inverno que viria. Para a festa – diz a tradição –, os 53 convidaram os Wampanoag, tribo que vivia nas proximidades e com quem convinha viver bem. Aos patos e gansos selvagens que os peregrinos haviam caçado, somaram-se veados que os índios trouxeram.

Há dúvidas se de fato foi assim: alguns historiadores sugerem que o conflito entre nativos e brancos já era dado, embora documentos da época dêem conta de que houve sim uma festa de confraternização. Mas foram os índios que lhes ensinaram a plantar milho, fazer compotas de frutas e encarar o inverno da Nova Inglaterra. É até curioso que o estado mais à esquerda dos EUA atual – Massachusetts – seja a terra onde chegaram os puritanos.

Plymouth, esta colônia fundada pela turma que chegou no Mayflower, não é a primeira colônia inglesa. Virgínia, bem mais ao sul, foi fundada década e meia antes. Até hoje a cultura da Nova Inglaterra e a do sul são um bocado diferentes.

Thanksgiving, o mais importante feriado dos EUA, é celebrado toda quarta quinta-feira de novembro. Dia de comer peru, purê de batatas, milho cozido, torta de maçã. O tipo de coisa que os peregrinos teriam a sua disposição.

Tags: Cristianismo · EUA · História

41 Comentários até agora ↓




  • 1 Eu // 22/November/2007 às 16:12

    Em homenagem aos EUA, hoje vou comer uma perua.

  • 2 Radical Livre // 22/November/2007 às 16:21

    e o pior é que o traço de puritanismo que chegou junto com o mayflower até hoje não largou a cultura americana completamente.

  • 3 Chesterton Dracul // 22/November/2007 às 16:36

    milho e tabaco……

  • 4 Pedro Doria // 22/November/2007 às 16:41

    É verdade… tabaco também, há o famoso cachimbo da paz =)

  • 5 Marcos Araújo // 22/November/2007 às 17:00

    Que sejam os bonzinhos e nobres puritanos da Nova Inglaterra ou Virgínia, depois da ceia do 22 de novembro, saíram a liquidar todos os índios. Aqueles mesmos que os ensinaram como sobreviver no Novo Mundo. O Homem é uma besta-fera!

    “Até a besta mais feroz sente piedade. Eu nao sinto piedade; daí nao sou uma besta.” Henrique IV? Nao me lembro mais….

  • 6 Juca Azevedo // 22/November/2007 às 17:08

    Só como correção no critério da data: hoje é a quarta quinta-feira do mês de novembro. Então o feriado seria na quarta quinta-feira do mês de novembro ao invés da terceira…

  • 7 A origem dos Estados Unidos e o Dia de Ação de Graças « Blog de André Abreu // 22/November/2007 às 17:32

    [...] November 22, 2007 · No Comments Mr. Pedro Doria postou mais um de seus belos textos. Para ler clique aqui. [...]

  • 8 Jorge Cordeiro // 22/November/2007 às 17:37

    tipo assim… heim? baixou um complexo wikipediano, foi? ;)
    heheheheh

    abs
    (boa história. bem contada, pelo menos…)

  • 9 Theo // 22/November/2007 às 17:46

    a histporia que eu sabia era que eles, os ingleses estavam passando fome e os índios deram comida para eles, dentre essas comidas o peru.

  • 10 gabriel // 22/November/2007 às 17:48

    sou contra!

  • 11 proftel // 22/November/2007 às 19:25

    Terceira quinta-feira?
    Hummmmm
    Intão tá, também quero, ôw, vamos à campanha:

    Feriadão na terceira quinta de novembro aqui também.
    Da uma olhada na folhinha, se começar no ano que vem a gente nem precisa do 15 de novembro.

    hehe

  • 12 De La Silva // 22/November/2007 às 19:58

    Excelente texto. Na época do ensino médio cobrava-se muito pouco ou quase nada da história americna. Lembro apenas da guerra da secessão.

    Bom saber que no inicio houve pelo menos algum registro de confreternizaçao.

    Lamentavel o exterminio de um povo. Que alias nao contribuiu na formacao etnica do povo americano que é pouco mestiço.

  • 13 Clara C. // 22/November/2007 às 21:05

    eu também conheço a história dos ingleses com fome, e os índios salvando.
    Balela?

  • 14 JB // 22/November/2007 às 23:24

    O Sr. Marcos Araújo nos avisa que “os bonzinhos e nobres puritanos da Nova Inglaterra ou Virgínia, depois da ceia do 22 de novembro [de 1621], saíram a liquidar todos os índios.”

    Será mesmo?
    As maiores guerras com os índios norte-americanos -e as matanças- aconteceram no séc. XIX, durante a expansão para o Oeste, com a chegada de milhões de imigrantes que buscavam terras. E não no séc. XVII.
    E o morticínio teria causa na crença religiosa dos puritanos? Em qual Bíblia ou outro livro religioso utilizado pelos puritanos há a recomendação expressa para se exterminar ‘selvagens’ ou raças inferiores?

    Por outro lado, no séc. XIX já era largamente disseminada e influente nas sociedades a idéia de superioridade racial branca - e logo inferioridade das ‘raças selvagens’- nascida do evolucionismo de Darwin.
    Vejamos o que escreveu o homem:

    “Em algum período futuro, não muito distante se medido em séculos, as raças civilizadas do homem quase que com certeza exterminarão e substituirão as raças selvagens ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, os macacos antropomorfos serão sem dúvida exterminados. A distância entre o homem e seus parceiros mais próximos será então maior.” (Charles Darwin, The Descent of Man, 2nd ed., New York, A. L. Burt Co., 1874, p. 178).

  • 15 Alba // 23/November/2007 às 0:18

    Deixando um pouco de lado a discussão do genócidio praticado contra os índios e não só na América do Norte, acho a tradição do Thanksgiving Day admirável, no sentido de mostrar como os americanos honram as suas origens, mesmo que as embelezem eventualmente, com alguns mitos.

  • 16 Marcos Araujo // 23/November/2007 às 0:38

    JB: É claro que os puritanos nao sairam logo depois do cafézinho e sobremesa a estraçalhar indios, no dia 22 de novembro de 1621. Fiz uma ironia, meu senhor. O que podemos dizer, com absoluta certeza, é que os descendentes daqueles nobres quakers, que também eram tao puritanos quanto os originais (pelo menos na aparência!), sobretudo no que tocava a garantir a dominância da ”raça” WASP e roubar terra dos outros, liquidaram os coitadinhos. Lembra do General Custer, aquele puritano taradao e sanguina’rio? Um exemplo entre centenas.

    E quem falou em Biblia ou ”outro livro religioso utilizado”, ”crença religiosa dos puritanos”, ou em ”recomendaçao expressa para se esterminar ’selvagens’ ou raças inferiores”, Darwin, tralala’, tralala’? Foi o senhor e nao eu. Releia meu comenta’rio

  • 17 Marcos Araujo // 23/November/2007 às 0:54

    Nao acho nada de admira’vel nesta tradiçao Thanksgiving Day. Nao mais, nao menos que a nossa tradiçao do Carnaval e de nossas festas juninas.

  • 18 Andre Fucs // 23/November/2007 às 5:55

    qual carnaval, aquele que nasceu na França?

    :-)

  • 19 confetti // 23/November/2007 às 6:31

    dr andré , kkk

  • 20 Andre Fucs // 23/November/2007 às 10:57

    Confetti,

    Imagino que você conheça a história certo?

    Reza lenda que a idéia de usar carros alegóricos é influência do carnaval de Nice.

    Isn’t nice? :-)

  • 21 o moço da bodega // 23/November/2007 às 11:50

    Alguém poderia ter sugerido ao Bush que em vez do peru, soltasse os presos de Guantânamo, os supostos “terroristas” que são torturados diariamente para confessarem que são os responsáveis pelo 11 de setembro.
    Bom final de semana

  • 22 Pax // 23/November/2007 às 17:14

    Bem, menos uma curiosidade que tinha, agora, tetinha. Confetti?

  • 23 Nassau // 24/November/2007 às 12:26

    Quero crer que Marcos Araújo não tenha tentado fazer qualquer associação nem de longe sobre as futuras guerras de expansão promovidas pelo exército americano e as crenças dos quakers. E não foram os waps por serem waps que acuaram os índios norte-americanos, portugueses e espanhóis também entraram em guerra com os ameríndios. Este foi um fenômeno ocorrido nas três Américas.

    Um passeio pela wikipedia para conhecermos as crenças dos quakers que os norteiam até hoje:

    “Em 1947, os comités ingleses e americanos do Auxílio Quaker Internacional receberam o Prêmio Nobel da Paz.
    Crenças:
    Os Quakers, apesar de rejeitarem um credo formal, crêem em:
    “… Simplicidade - os quakers adoptam modos de vidas simples: sem valorizar roupas caras, distinção de classe social, títulos honoríficos ou gastos desnecessários. (Por isso as roupas sóbrias e parecidas. NS)
    •Igualdade - existe um forte senso de igualitarismo, evitando discriminação baseada em sexo ou raça. (Os quakers foram notáveis abolicionistas e feministas). As mulheres tiveram direitos iguais e participação dos cultos quakers desde o século XVIII.
    •Honestidade - recusam jurar, conduzir negócios obscuros, actividades anti éticas.
    •Ação Social - organizações como o Greenpeace e a Anistia Internacional foram fundadas pelos quaker e são influenciadas pela ideologia da Sociedade dos Amigos;
    •Pacificismo - os quakers se recusam a usar armas e violência, mesmo em auto-defesa”
    Se lembra de um grupo que foi para o Iraque pouco antes da invasão estadunidense para formar um escudo humano? Eram pacifistas quakers. Até hoje quakers se recusam a pegar em armas, acompanham-nos em seu pacifismo radical os testemunhas de Jeová e os amishes. Inclusive os Testemunhas de Jeová sofreram severas perseguiçoes por Hitler por conta de suas crenças pacifistas. Pois é, no caso do fundamentalismo cristão, terrorismo está longe de ser um sinônimo.
    Abraços.

  • 24 Nassau // 24/November/2007 às 12:49

    Os quakers não tem hierarquia religiosa, não têm pastores, não batizam os seus membros. Nunca tiveram escravos, ajudavam a esconder escravos fugidios, mantiveram relações amistosas com os nativos americanos.
    É claro que eles influeciaram junto com outros grupos a formação dos ideais democráticos norte-americanos.
    Abs.

  • 25 Nassau // 24/November/2007 às 12:53

    Por tudo isso PD não é “…curioso que o estado mais à esquerda dos EUA atual – Massachusetts – seja a terra onde chegaram os puritanos.”

    Abs.

  • 26 Nassau // 24/November/2007 às 13:10

    Eu já havia dito por aqui, que não foram meia dúzia de “iluminados” (dissociados de uma massa obscurantista, fanática, rs) que conseguiram forjar as crenças e os ideais que nortearam grande parte do que se denomina “revolução americana”, com todos os seus atropelos, retrocessos momentâneos, locais.
    Devemos olhar estes lapsos com o olhar do entendimento de quanto eles eram avançados para a sua época, mesmo com preconceitos arraigados, conforme até a opinião de célebres cientistas naturais ou sociais daquele tempo, e que hoje nos causam asco. Eles deram uma contribuição valiosa.
    Não nos esqueçamos que o Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravatura, e hoje todos nós repudiamos o tráfico negreiro e a escravidão.
    Abs.

  • 27 marguerita // 27/November/2007 às 4:19

    Deem uma lida aquihttp://www.nerve.com/regulars/singlelife/023/
    Pedro nao diz nada sobre o medo que os Wasps tinham de God Forbid…….

  • 28 marguerita // 27/November/2007 às 4:20

    http://www.nerve.com/regulars/singlelife/023/
    os Quakers,os Shakers e os Shock and Awe….

  • 29 marguerita // 27/November/2007 às 4:26

    “God had given young men at around puberty a vital substance which turns boys into men. The effects of wasting this fluid could be very dangerous indeed.”
    Yet that early repression had a lasting effect on Kinsey’s sex life. He developed masochistic masturbatory practices, piercing his foreskin, tugging on his testicles with a rope,and inserting objects into his urethra
    Kinsey swung from one extreme of belief to another.

  • 30 Nassau // 27/November/2007 às 17:19

    marguerida,
    O Brasil é considerado um dos países mais abertos às questões sexuais, a terra do carnaval, das mulheres de fio dental nas praias.

    Mas não muito tempo atrás, meninas que perdiam a virgindade eram escurraçadas de casa pelo pai, ou casavam-na na delegacia.
    Os homens não tinham esse problema, os próprios pais levavam os meninos na zona bem cedo para a sua iniciação amorosa.

    Homens podiam trair e ter amantes à vontade, afinal eles têm esse direito por serem homens, e também tinham o direito de lavar a própria honra assassinando suas esposas infieis.
    abs.

  • 31 Nassau // 27/November/2007 às 17:21

    Dupla moral, machista, hipócrita.

  • 32 marguerita // 27/November/2007 às 22:38

    Nassau,
    .Pois e.Quakers,Schmakers,observando a conduta humana, atraves dos tempos,vivemos no mesmo paradigma.Chamar os animais de animais, e uma afronta ,pois insetos e animais, e a fauna de fato sao muito mais “civilizados” que os homo sapiens….
    ano ser os tipos como as aves de rapina,tubaroes e piranhas e outras bestas que formam um grupo aparte.
    Pelo menos,nao constroem armas e nao acumulam possessoes e tampouco vivem com weltschmertz….os machos brigam pelas femeas,
    defendem seus territorios,compartilham os deveres de parentes e tambem,nao tomam drogas ou bebidas…….aiaiaiaiaiai…..

  • 33 Bento 16 e Mahmoud Ahmadinejad, seu amigo // 28/November/2007 às 8:59

    [...] Republica Dominicana. Não é uma relação nova: ela data de vários séculos, de muito antes da chegada dos ingleses à Nova Inglaterra. E é contínua há várias décadas, sem ter sido interrompida um único dia [...]

  • 34 leticia braz ribeiro // 10/March/2008 às 14:05

    ouuuu mais massa o blog dos ceis vei gostei

  • 35 renata sousa // 12/April/2008 às 15:23

    bom queria saber mas sobre a origem do dia de açao de graça nos eua agradeço a atençlao

  • 36 renata sousa // 12/April/2008 às 15:24

    para um trabalho de ingles na escola

  • 37 ju // 27/April/2008 às 18:36

    Site idiota

    perda de tempo

  • 38 dany // 19/May/2008 às 19:53

    amei pesquosei e encontrei tudo o que eu queria

  • 39 dany // 19/May/2008 às 19:55

    amei pesquisei e encontrei tudo o que eu queria

  • 40 Bruuna // 25/November/2008 às 9:28

    Nossa esse é o piioooooooooooor quue eu jaah vi !
    vc não diiz o diia .. ou etc nao li direeiito,mas vc nao pesquuisou direeitoo,e vi nos ouutros vc é o uunico que tá difereente !

  • 41 Ação de Graças // 26/November/2008 às 17:34

    [...] cranberry sauce posto que é Thanksgiving, um dos principais feriados norte-americanos. (Esta é uma história que contei no ano [...]

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