Quem acompanhou com interesse a discussão a respeito de Che Guevara e saiu um tanto aflito sem entender bem quem, afinal, foi Che Guevara, provavelmente gostará de ver o filme Personal Che, de Douglas Duarte e Adriana Mariño.
O documentário foi exibido nos festivais do Rio e de São Paulo, o mestre crítico Luiz Carlos Merten o elogiou à beça. Trata, essencialmente, da questão de que o ícone Che virou um coringa que serve a qualquer um. Serve de símbolo do ódio que alguns da direita tem da esquerda; serve de ídolo marxista, santo boliviano – ídolo, pasme, neonazista. Serve aos cubanos exilados nos EUA como lembrança de tudo que não gostam no atual comando de seu país. É cultuado por gente da oposição na China. Essencialmente, fala do que Che realmente é: uma imagem de muitas coisas, poucas relacionadas a quem de fato foi.
Ainda na discussão, um tanto de repercussão: no Terra Magazine, Ricardo Kauffman compara as duas reportagens de Veja sobre o Che – a de 1997, a de 2007, e mostra o que faz de uma jornalismo e da outra, não. (Dorrit Harazim, que assina o texto mais antigo, está ali entre os cinco melhores textos jornalísticos brasileiros. A comparação tem um quê de covardia.)
No Observatório da Imprensa, Carlos Brickmann fala da Lista Negra que Veja reconheceu ter: ‘Lista negra é o oposto do jornalismo; é a negação da imprensa livre. A opinião é livre, mas levar ao leitor all the news that’s fit to print é a obrigação de cada jornalista.’; Alberto Dines, citando outra reportagem não relacionada de Veja, pede: ‘Ninguém é insubstituível, é certo, por isso cabe a pergunta – não está na hora de mudar a direção da Veja? Este tipo de jornalismo rancoroso, envilecido, já cansou. Lembra uma charanga tocada por latas velhas, nada tem a ver com o projeto original, edificante, concebido para elevar os leitores e não rebaixá-los à condição de pitbulls.’




