O sangue nas mãos a Igreja espanhola
Em outubro, o papa Bento 16 celebrou a maior cerimônia de beatificação da história da Igreja: 498 padres, freiras e personalidades católicas espanholas que morreram durante a Guerra Civil foram levados à ante-sala da santidade.
Na época, o recado era claro: o Vaticano estava atacando o governo do premiê socialista José Luis Zapatero, que legalizou o casamento entre homossexuais, agilizou processos de divórcio e começou a distribuir permissões para o estudo de células tronco embrionárias. Na visão de Roma, em suma, um governo pisando o pé no acelerador da laicização da Espanha. O antídoto papal foi a beatificação da turma que estava do lado de Francisco Franco.
Ontem algo mudou. O bispo Ricardo Blázquez Pérez, que está deixando a presidência da Confederação Nacional dos Bispos da Espanha, pediu oficialmente perdão pela atuação da Igreja durante o período da Guerra Civil. Não foi específico a respeito de nenhum crime, mas reconheceu pecados.
A Igreja sempre havia se considerado vítima do conflito, embora tivesse apoiado o golpe de Estado impetrado por Franco desde o início. Blázquez, arcebispo de Bilbao, é um moderado e está deixando o cargo para que o assuma o arcebispo de Madri, bem mais conservador. Aproveitou-se da última chance que teve para deixar uma marca que muda definitivamente a maneira como a Igreja se vê na história recente espanhola.
Ainda sobre o assunto:
- E quem afinal está certo na
Guerra Civil Espanhola? Boa a discussão aí abaixo esta a respeito da Guerra Civil Espanhola. E como é polarizado este tempo em que... - O Chade, a França, Darfur
e o sangue que vem do petróleo Ao longo do dia de ontem, o governo do Chade resistiu ao segundo ataque brutal dos rebeldes à capital, N’Djamena.... - O Ocidente e a separação de Estado e Igreja Entre a Reforma, no século 16, as revoluções liberais, no século 18, e a Segunda Guerra, um conceito se consolidou...
- A Igreja, o homossexualismo
e Roma, cidade aberta Enquanto o estranhíssimo e nada claro caso do padre Júlio Lancelotti se desenrola por aqui, pesca isto de uma reportagem... - Lembrando a matança Uma das efemérides deste 2006 que passa é o aniversário de 70 anos da Guerra Civil espanhola, um conflito de...



Falar da Igreja Católica é falar em desatinos.
Com muito poucas execões, como em se falar de Dom Helder e uns poucos mais.
Os socialistas perderam a guerra de verdade e também aquela econômica, mas, décadas depois, venceram a guerra cultural.
Está achando a democracia espanhola ruim, Mr. X? Alguma insinuação de que era melhor com Franco?
Assista “Ana e os Lobos”, do Carlos Saura, urgente. Verá o “belo” cenário representando a Espanha no regime de Franco, assim como os seus protagonistas, magistralmente retratados. Atenção especial para o personagem que representaria o poder da Igreja Católica por lá. Dá engulhos…
Foi só uma observação, Rick, nem limitada à Espanha mas ao mundo em geral.
“Ana e os lobos”? Gostei mais de “Cria Cuervos”.
Cria Cuervos é o máximo, Mr. X, nisso estamos de acordo. E o clima claustrofóbico da Espanha de então está retratado à perfeição. Casa um pouco menos do que Ana e os Lobos em relação ao conteúdo clerical deste post do PD, mas é um clássico imperdível, sem dúvida.
Dá-lhe, PD!
Se o X, por exemplo, já “acusou o golpe” (no pun intended), imagina o Reinaldo Azevedo!
:-)
ACT
O Buñuel também era anti-clerical e fez filmes bons. E não custa lembrar a fama da Inquisição Espanhola. E los Reyes Católicos. Enfim, a relação da Espanha com a Igreja não é das mais simples. É simplismo só acusar os padres e não os comunistas que queimaram igrejas e padres, e até mesmo os planos originais da Sagrada Família do Gaudi…
Gaudi era mais católico que o Papa.
Curioso esse seu post logo em cima do post sobre Mianmar. A perseguição dos republicanos ao clero e aos católicos em geral não foi menos cruel do que aos monges budistas. Era perseguição aberta, com queima de corpos, exibição pública de cadáveres, destruição de templos etc. Estimam-se 7 mil mortos por razões religiosas.
A Igreja apoiou o golpe, é claro. Mas é no mínimo desonesto ocultar tudo o que houve antes. Ninguém costuma mencionar, por exemplo, a maciça ajuda soviética dada à Frente Popular, que sustentou o sanguinário regime de terror instaurado. Não havia uma clara disputa entre bem e mal; havia duas frentes fartamente financiadas por dois regimes totalitários. E uma delas gostava de mandar clérigos pra vala.
Com um grão de sal….
O processo de canonização não é guiado precipuamente por causas políticas. A finalidade é reconhecer a vida e obra de um devoto como santa e, portanto, exemplar para os fiéis.
Esquecer disso significa pura e simplesmente ignorar a especificidade e, mais que isso, a finalidade do processo de canonização.
É muito comum, quando se esquece das peculiaridades da dimensão religiosa, analisar esquematicamente diversas atitudes da Igreja.
Segundo essa abordagem, os mártires da Guerra Civil Espanhola seriam tão-somente instrumentos para a contenção de políticas laicas do Estado espanhol contemporâneo.
Essa visão, contudo, é insuficiente, pois esquece que a Igreja pretende lembrar aos seus fiéis a fidelidade de tantos quantos morreram, às marretadas, somente por serem religiosos católicos.
Erra quem vê no processo de canonização somente um movimento de um jogo de xadrez político. Trata-se, fundamentalmente, de uma questão religiosa, rigidamente delimitada pelo Direito Canônico.
Não nego, entretanto, que tenha efeitos políticos. Mas a política, aqui, não orienta os fins do processo canônico.
O mea culpa de Ricardo Pérez talvez tenha sido um tanto impreciso, mas certamente representa um sinal de humildade e reconhecimento de equívocos.
Cordialmente,
Ricardo Alexandre da Silva.
Raul,
Acontece que você perdeu a última cartilha do jornalismo politicamente correto.
Perseguição a monges budistas ou cidadãos muçulmanos = ruim.
Perseguição a padres católicos e cidadãos cristãos e judeus = bom.
E quando é que os comunas vão pedir desculpas pelos milhares de padres fuzilados pelos republicanos, pelas freiras estupradas, pelos católicos perseguidos…?
Caro xará, interessante vc trazer para o debate as motivações religiosas como razão para essa beatificação em massa, desconsiderando as motivações políticas elencadas pelo texto do PD. Pena que elas se mostrem tão pouco significativas diante do cenário e do momento em que esse processo de beatificação foi posto a andar. Tem mais cara dos critérios de escolha para os prêmios Nobel da paz e da literatura, marcadamente políticos.
Ah, me pergunto tb sobre as mais do que conhecidas relações entre o Opus Dei e o Vaticano. Mas aí eu devo estar exagerando, não deve ter nada a ver… :-P
pedro, só uma pergunta: não seria conferência nacional dos bispos da espanha, como no brasil, e não confederação?
abraço.
Gostaria de acrescentar às palavras do Ricardo Cabral, que as circunstâncias em que se dá uma guerra, revolução, qualquer processo de convulsão social - são circunstâncias extremas, onde racionalidade é artigo raro.
Sem dúvida, houve brutalidades imensas, de ambas as partes. Mas a morte de religiosos teve muito a ver, já discutimos por aqui antes, com a atuação da Igreja Católica, sempre ao lado dos grandes latifundiários e pouco, ou nada, se postando em favor da maioria de seu rebanho.
E, por favor, a escolha do papa em canonizar religiosos espanhóis neste momento NÃO é política?
Eu diria que este papa tem consciência mais do que aguda dos gestos que favoreçam a difusão da fé como a entende e que por certo, não é a visão da Teologia da Libertação, estando muito mais próxima da visão da citada Opus Dei. Claro que ambas são visões políticas.
Ricardo Cabral, você se lembra da personagem da mãe do Antonio Banderas em O Matador, de Almodóvar? Era uma beata da Opus Dei.
Como homens/espiritos…a verdade verdadeira que nosso livre arbitrio permite ver ( e não engane-se ,sempre a vemos) as vezes prega peças nos homens reticentes e intragigentes…há outros que antes mesmo da beira da morte já cuidam de arrepender-se e preparar o caminho para a prestação de contas….o Bispo está cuidando de sua alma e por que não?…certissimo!
intransigencia!
sorry!
óbvio que o bispo está fazendo mistificação. A Igreja Católica foi vítima da guerra civil, os marxistas, mataram, curraram, estupraram, enterraram vivos os padres freiras e bispos que foram canonizados. Este bispo é da igreja do padre lancelote.
Alba…a visão da teologia da libertação é politica sim..humm vivemos aqui sem politica?….mas de vera está muito mais proxima dos ensinamentos de Jesus….sem entrar na esfera marxista( e até mesmo aparando as farpas marxista e seus erros)…é a realidade….achando Jesus um espirito de luz, divindade ou ser humano maravilhoso e sabio…..
Podem escolher
pronto, Jesus Cristo era vereador …..ai, ai, ai….
O problema é o seguinte, a Igreja errou, pois foi contra a fé cristã nos casos em que efetivamente tenha se envolvido no apoio a atos violentos. Já os comunistas não erraram, pois não vêem nada de errado em matar padres e estuprar freiras e queimar igrejas. Eles matam cobertos de razão, com a mesma fé do Che Guevara.
Essa é a grande vantagem de ter uma moral elástica. Em nome do comunismo, tudo é permitido. A Igreja pede perdão. O comunista pede paredão.
Bom comunista não se desculpa jamais, está apenas “acelerando o processo histórico”.
Cadê as desculpas do Dirceu pelo mensalão?
Frangão é hora do almoço…depois tira um cochilo…..hummmmm…..zzzzzzzzzzz!!!!
Mr.X….quem disse que os esquerdistas não erraram?….é só provocação ou um terrivel medo de escuro mesmo? EEEEEE….
Tchau direitões….quando sair apaguem as luzes e deixem tudo limpinho….tô saindo.
Ricardo Cabral:
Xará, talvez você não tenha percebido que escrevi: “Não nego, entretanto, que tenha (a beatificação) efeitos políticos. Mas a política, aqui, não orienta os fins do processo canônico”.
Admito que haja efeitos políticos, mas não concordo que a beatificação seja politicamente motivada. Ou, por outra, que processos de canonização sejam simples instrumentos políticos. Ou, ainda, que a canonização na Igreja Católica tenha finalidade exclusivamente política. Nem nesse caso, nem em qualquer outro que eu me lembre.
A abertura do processo comentado pelo PD é muito anterior a qualquer iniciativa do governo Zapatero. Isso, por si só, demonstraria a tese de que o processo de beatificação tenha como finalidade marcar posição com zapatero.
Anteriromente, sob o pontificado de SS. João Paulo II, foram beatificados 471 religiosos. Será que essas 471 beatificações também eram uma resposta política à laicização do estado espanhol?!?
Será que em um processo de beatificação, uma das etapas em direção à canonização, leva-se em conta somente comp0nentes políticos? Será que o fenômeno religioso e, por conseqüência, o processo de canonização não tem qualquer especificidade? Duvido muito…
Quanto à ligação entre a opus Dei e o Vaticano, não percebo exatamente qual seria a novidade, pois se trata de uma prelazia. Portanto, subordina-se diretamente ao Sumo Pontífice, não aos bispos.
Sendo assim, mencionar a ligação entre Opus Dei e o Vaticano não significa revelar qualquer segredo. Não percebo onde você quis chegar com isso.
Alba: A canonização é a última etapa do processo. os religiosos foram beatificados, não canonizados. A diferença é enorme.
Cordialmente,
Ricardo Alexandre da Silva.
Não sei se a opinião de Blázquez reflete, exatamente, a opinião da Igreja Católica. Dificilmente refletirá a opinião do Papa.
Mr X, a Igreja Católica piorou, e muito, as coisas durante a guerra civil espanhola. Ela tem responsabilidades imensas.
Agora, é bem verdade que o outro lado não deixou por menos. O que houve de padre pendurado pelo pescoço não está no gibi…
Se os antifranquistas houvessem resistido um pouco mais, é certo que a Igreja Católica pagaria um preço bastante alto pelos seus desatinos.
Na minha remota juventude conheci alguns antifranquistas que fugiram para o Brasil. Aqui em Belém, fundaram uma mútua (União Espanhola). Na gestão Edmilson Rodrigues, as ruínas do prédio dessa mútua foram aproveitadas para compor o “Memorial dos Povos”.
Esses antifranquistas — em sua maior parte, anarquistas — falavam horrores do que padres haviam feito na Espanha. Em algumas áreas mais remotas do país, os padres assumiram poderes ditatoriais e fizeram o diabo.
Muita gente foi empurrada para a oposição a Franco por causa das arbitrariedades dos padrecos. Coisas de arrepiar! Conheci algumas famílias com esse histórico.
Mr. Xixi, tens parcialmente razao aí acima. Mas, a Igreja Católica, na sua grande maioria, SEMPRE apoiou a classe dominante. Tu te esqueces, convenientemente, da Inquisiçao Espanhola, que assassinou milhares. Ah, mas esses eram povao, nao é? Sem falar na perseguiçao que fez aos judeus…
O poder embriaga. Ao chegar lá, TODOS viram opressores, em menor ou maior grau, sem exceçao. Pois, uma vez provado o elixir da arrogância, nao se pode mais viver sem ele. A cada déspota suas vítimas…O homem é o lobo do homem, é ou nao é?
Nao vamos negar que esta manha do Rato de Roma é puramente política. Poderia ter beatificado o pessoal mais cedo…ou mais tarde. Nao, escolheu o momento exato quando o govêrno espanhol questiona - e com razao! - essa adoraçao de milhoes de espanhóis com o Francisco Franco. Engraçado…o Che é genocida e FDP, já o Franco nao. Esse raciocínio bitolado, a sentido único, desqualificada a direita. Como também desqualifica a esquerda. Enfim, é um debate estéril, nao conduz a nada.
Mr X,
Há algo que você talvez deva considerar.
Na Espanha, a Igreja Católica sempre foi ferocíssima. E isso vem de longe…
Durante a guerra civil, ela teve lá suas vítimas. Mas nem todas foram penduradas só porque oravam o “Credo”.
Em boa parte dos casos, foi revide. E, cá pra nós, não raro, justo, se levarmos na devida conta as circunstâncias.
O papa está certo, certíssimo. A nomeação de 498 cadáveres para cargos comissionados, de confiança, é legítima e, sobretudo, nada custa aos cofres do Vaticano.
Os governantes brasileiros deveriam seguir o exemplo papal e nomear defuntos para cargos de ministros, secretários, aspones, etc. Não haveria aumento de despesas públicos e o resultado seria o mesmo, quer dizer, nenhum.
Machado de Assis, ministro da Cultura.
Santos Dumont, presidente da ANAC.
Duque de Caxias, ministro da Defesa.
Almirante Tamandaré - comandante da Marinha.
Floriano Peixoto - comandante do Exército.
Getúlio Vargas - ministro do Trabalho.
Juscelino Kubitschek - ministro dos Transportes.
General Médici - ministro da Segurança Nacional.
ACM - ministro das Relações Exteriores.
Leonel Brizola - embaixador em Cuba.
Miguel Arraes - presidente do DNOCS.
Luis Carlos Prestes - embaixador na Coréia do Norte.
Carlos Lacerda - embaixador na ONU.
Gregório Bezerra - ministro da reforma agrária.
Ricardo A. Silva.
Apreende-se de seu arrazoado que ou a igreja diminiu as virtudes necessárias á beatificação ou a evolução espiritual dos católicos espanhóis elevou-os a um patamar diferente do resto da humanidade, especialmente os brasileiros- maior contingente católico do mundo, que esperamos séculos para tão pouco.
Ou então é política mesmo.
Caro Ricardo, eu inverto a ordem neste caso. A motivação política é latente, e tenta se escorar na motivação religiosa. E falar do Opus Dei, uma organização ultraconservadora, e de sua influência no Vaticano não é fora de mão, não. O seu fundador, o (agora São) Josemaria Escrivá, viveu na clandestinidade durante a guerra civil espanhola, até instalar-se em Burgos — está tudo no site do Opus Dei —, e essa prelazia sempre foi muito próxima do Vaticano, especialmente do papa João Paulo 2º. Ela, que rejeita veladamente os avanços propostos pelo Concílio Vaticano 2º, ficaria “apenas triste” sem o andamento desse processo de beatificação coletiva. Hoje eles estão contentes!
Elias, vamos colocar um pouco de proporção nas coisas.
“Mr X, a Igreja Católica piorou, e muito, as coisas durante a guerra civil espanhola.”
chest- como assim, queria que dessem o pescocinho à forca sem estrilar?
“Se os antifranquistas houvessem resistido um pouco mais, é certo que a Igreja Católica pagaria um preço bastante alto pelos seus desatinos.”
chest- mas estamos falando dos desatinos dos marxistas!
“Em algumas áreas mais remotas do país, os padres assumiram poderes ditatoriais e fizeram o diabo. Muita gente foi empurrada para a oposição a Franco por causa das arbitrariedades dos padrecos. ”
chest- mas eles enforcaram e curraram alguem? Que arbitrariedades são essas? Dê nome aos bois.
“
Qual a diferença entre o Mr X e o Isaac Babel? O Babel escrevia melhor, mas basta inverter o sinal e os dois ficam iguais. :c)
Brincadeirinha!..
O fato é que eu gostaria de saber como a Confederação Nacional pediria perdão pela atuação das milícias carlistas e das próprias tropas nacionalistas, que esperavam “matar meia Espanha para salvar Deus”; ou o que o filósofo conservador Miguel de Unamuno acharia desse pedido de perdão, depois de qse ser fuzilado na presença de um bispo e só ser salvo pela esposa de Franco
Todos os ditadores sao malucos. Franco, assim como Hitler, era meio doidao. Botou um montao de gente no garrote em nome de Deus. (Vocês sabem o que é o garrote, pessoal? Injeçao letal na frente disto é piada). Assim como o Pol Pot, Mao, Stálin, Trujillo, e dezenas de outros ditadorzinhos sanguinários da direita (Guatemala, que beleza de democracia, ein gente? Argentina do Videla, Chile do Pinochet) e também da esquerda (Fidel, que exemplo de democrata!) na América Latina. Em comparaçao com essa gente, o Chavez e o Morales sao anjinhos de andor, mas o Chupacabra, o Xixi e o Brancaleone hao de discordar…
Durante a última campanha eleitoral na Guatemala, mais de 150 candidatos a deputado foram assassinados pelos direitobas, esses anjinhos adoráveis que só querem o bem do povo…
no pasaran….
Chesterton,
A atuação da Igreja Católica está na base da deflagração da guerra civil espanhola.
1 - Ela se opôs tenazmente às reformas sociais necessárias face à prosperidade ocorrida ao início do século. A Espanha faturou os tubos durante da 1ª Guerra, vendendo para ambos os lados, mas o modelo concentrador agravou a pobreza e, por tabela, a insatisfação social. Seria o caso de se realizar algumas reformas, pacificando o país. A Igreja Católica alinhou-se à aristocracia e, juntas, impediram as reformas.
2 - Frustradas todas suas tentativas de chegar a um entendimento pacífico, e julgando que o país caminhava para a guerra civil, o rei Alfonso XIII abdicou, sendo proclamada a república. Nas eleições que se seguiram, os grupos republicanos se saíram vitoriosos. Deu-se início à laicização do país. A Igreja Católica opôs-se radicalmente a isso, e passou a apoiar abertamente a rebelião contra o governo republicano.
3 - A série de golpes desfechados contra o governo republicano, com o aberto apoio da Igreja Católica, resultou na guerra civil.
Cabe destacar: a república não foi instaurada por um golpe republicano; a monarquia é que foi restabelecida por golpistas vitoriosos na guerra civil.
4 - O campo republicano englobava comunistas, anarquistas e, principalmente, liberal-democratas (veja que o termo “liberal” não tem o mesmo sentido com que é empregado no Brasil).
5 - Entre os comunistas havia divisões, com destaque para as alas stalinista e trotskysta. Estes últimos foram perseguidos e assassinados, pelos próprios republicanos e em plena guerra civil, com apoio de Stalin, que preferia que os liberal-democratas hegemonizassem o campo republicano. Não lhe parecia interessante que a Espanha se tornasse uma república socialista, porque isto dificultaria ainda mais a aproximação da URSS com as potências ocidentais. Para Stalin essa aproximação era vital, face à 2ª GM, que já estava à porta.
6 - Os principais crimes cometidos pela Igreja Católica, antes e durante a guerra civil espanhola, foram tortura e assassinato de opositores (mas também houve muitos casos de seqüestro, roubo, extorsão, etc.).
7 - Esses crimes eram cometidos por grupos armados — milícias e falanges — subordinados diretamente ao clero católico, que os financiava.
8 - Os mesmos crimes — ainda que em menor escala — foram cometidos pelo outro lado. Daí porque eu disse que, se os republicanos houvessem resistido por mais um tempinho, a SMI Católica iria roer um osso duro…
Espero ter respondido às suas perguntas. Nada do que eu disse é novidade e acha-se fartamente documentado. Em várias partes do planeta.
Mais uma bela síntese, Elias. Leio e aprendo, como sempre!
Imaginem só se as demais seitas ou crenças resolvessem tambem lavaras mãos do sangue de inocentes!!!
Ia faltar sabão e água no universo!!
Imaginem só os muçulmanos!! e os Aztecas!!!
Hilárias estas situações hipócritas.
Estes “mea culpa” quando as vítimas já viraram pó é de uma cretinice absurda!!”!!
Elias, vai te catar, ocorreu justamente o contrario.
Caraca, Stalin tenta tomar a peninsula iberica, se dá mal e depois se fazem de vítimas. Marxista é dose para leão. Aliás, a URSS fez a mesma coisa no século 20 inteiro, até desaparecer.
A perseguição anticatólica durante a Guerra Civil apenas continuou um padrão já existente: nos só quatro meses que precederam a guerra civil já 160 igrejas teriam sido incendiadas. Durante a Guerra, foram mortos pela repressão republicana, segundo a versão espanhola deste artigo, 13 bispos, 4.184 padres e 263 freiras. De acordo com a mesma fonte, foram destruídas por volta de 20.000 igrejas, com perdas culturais incalculáveis pela destruição concomitante de retábulos, imagens e arquivos.
Muito embora houvessem sido realizados esforços de propaganda pelos republicanos no exterior em favor da liberdade religiosa, de forma a não alienar a opinião pública católica internacional e os prórios grupos católicos no campo republicano (muito notadamente o principal partido basco, o PNV) o campo republicano era em geral anticlerical e apoiava a repressão à Igreja: o escritor inglês George Orwell, na sua obra Lutando na Espanha, aplaudiu a destruição generalizada de igrejas na zona republicana, considerou que as igrejas católicas tinham sido destruídas “naturalmente” pelos trabalhadores espanhóis, e lamentou que a igreja do Templo Expiatório da Sagrada Família, em Barcelona, projetada por Antoni Gaudí, não houvesse também sido destruída por seu “valor artístico” - no seu entender, duvidoso. Por outro lado, o escritor católico francês Jacques Maritain protestou violentamente contra as repressões franquistas contra o clero basco, e teria dito que “a Guerra Santa, mais do que ao infiel, odeia ardentemente os crentes que não a servem”.
Caraca, este Dracul nao copia o Olavao, ELE É O OLAVAO!
Tirei da internet, qualquer lugar tem é isto, não o que o Elias quer impingir.
E lá vamos nós de novo.
Vira e mexe eo velho safado do Marx é citado.
O sujeito cria uma teoria onde nada é de ninguem e todos trabalham para todos, tipo assim um cupinzeiro e ajunta um monte de folgados muito do afins de terem alguma coisa desde que alguem reparta com eles…
Esqueçam Marx. Lembrem só dos Irmão Marx (Grouxo, Harpo, etc.) estes sim faziam palhaçadas onde as consequências eram apenas risos. O outro Marx deu idéias que só resultaram em cadáveres…
Mas o assunto é mesmo a igreja, ou para ser bem certo, as igrejas e até mesquitas e templos. Na maioria das vêzes a exploração desbragada da fé pública serviu mesmo é para uns espertinhos se darem bem. Alguns poucos chamam isso de guerra santa, cruzada, inquisiçao, Jihad ou coisa que o valha. No fundo mesmo é grana e poder às custas de deuses que não tão nem aí…
quando vocês crescerem (mentalmente) e descobrirem que, afinal de contas, são pessoas únicas, indivíduos, e não massa de manobra, ou o ” coletivo” , estarão preparados para aprender neste site
http://www.oindividuo.com/2007/11/19/10-anos-de-o-individuo/
http://www.oindividuo.com/idiotice/idiota.htm
Chesterton,
Essas informações que você citou estão na Wikipedia. E em qualquer texto que se preze sobre a guerra civil espanhola.
No mesmo texto da Wikipedia — parte que você leu e não citou — estão as informações que eu coloquei sobre as responsabilidades da Igreja Católica na deflagração da guerra civil espanhola. Essas informações também estão na Wikipedia e em qualquer outro texto que se preze sobre aquela guerra civil.
Desde meu primeiro comentário, deixei bem claro que os dois lados cometeram crimes. Um deles cometeu mais: os franquistas. Por isto ganharam a guerra.
Na Galícia, por exemplo, os assassinados pelas milícias franquistas contam-se às dezenas de milhares. Tanto que, até hoje, o governo ainda não conseguiu fechar a lista nominal. Os restos mortais de boa parte dos assassinados continuam depositados em valas comuns, à espera de identificação. Isto é informação oficial, chancelada pelo próprio governo local.
A perseguição e o assassinato de trotskystas, pelos próprios republicanos — e com o apoio de Stalin — é fato histórico e sobejamente conhecido.
Também as milícias fascistas financiadas pela Igreja Católica (como o “Sindicato Libre”, aliás mencionado na mesma Wikipedia, que você consultou), são conhecidas mundialmente. Na minha remota juventude, com Franco ainda longe de defuntar, presenciei desfiles dos remanescentes dessas milícias, saudados com honras civis, militares e, principalmente, eclesiásticas.
Eram os anos 1960, e eles ainda proclamavam abertamente o que você, agora, tenta negar.
Chesterton, que você não saiba nem o bê-a-bá da guerra civil espanhola não é problema. Muita gente também não sabe.
Agora, não dá é pra você ficar fazendo pose de que sabe o que não sabe. Principalmente, querendo encaixar tudo e qualquer época, nesse seu esqueminha babado e boboca de comunistas contra capitalistas.
Na Espanha da guerra civil, os chamados liberal-democratas eram muito mais ferrenhamente inimigos da monarquia e do franquismo que os comunistas (que, como de hábito, brigavam entre si quase que tanto quanto contra os monarquistas). Aliás, mais efetivos que os comunistas no combate a Franco foram os anarquistas.
Sei que coisas desse tipo complicam teu esqueminha de branco/preto, mas… é a vida, criança. E a vida não é filme de faroeste americano tipo “C”, com os bonzinhos de um lado e os malvados de outro.
A coisa é mais complicada, Chester…
Elias, perdão, mas…. oque?????
Pontos como afirmar que a Igreja Católica torturava antes mesmo da guerra civíl é de uma falsidade enorme. E alías quais foram os golpes ao governo republicano fora Franco?
Quando houve as primeiras eleições ganhas pelos anarquistas as mortes de padres, freiras e destruição de igreja já haviam começado. Acho eu que não está justificando essas mortes como a Alba fez…
Os anarquistas perderam as segundas eleições e os liberais que assumiram prenderam os responsáveis pelas mortes.
Quando os socialistas assumiram na terceira eleição os assassinatos recomeçaram.
O que vocês tem que entender é que há um grande motivo para os anarquistas/socialistas/comunistas quererem destruir a Igreja. E não é por causas nobres como a “Igreja estava sempre ao lado dos ricos”, pois a REALIDADE nos mostra que essas ideologias de ESQUERDA, NUNCA lutaram pelos pobres realmente. Isso não passa de DISCURSO para enganar o que Lênin chamou de IDIOTAS ÚTEIS.
Queriam destruir a igreja pois acham que é o ópio do povo. Por isso em TODOS os países socialistas a Igreja é perseguida.
Agora eu pergunto: com o perigo de ser assassinado, estuprado, empalado, esquertejado, simplesmente por ser religioso, a quem vocês acham que a Igreja iria se aliar???
É muito engraçado que as mesmas pessoas que tentam “humanizar” Guevara não conseguem produzir um pensamento no mínimo lógico.
Ah e foi instaurada uma Monarquia Parlamentar. Não esqueça disso e isso faz uma ENORME diferença. Por isso que a Espanha possui uma democracia muito mais evoluida do que a nossa.
Compara com as dos países socialistas e proto-socialistas como a Venezuela.
Na boa, são patéticos.
Aliás, é sintomático que tenha sido um político socialista espanhol a dar um cala boca num caudilho protó-socialista-totalitário da América Latina.
Que falta nos faz políticos de esquerda como Zapatero e Blair.
E olha que sou de direita.
Se precisamos de uma organização como a igreja católica então, que ela seja mais humana e, portanto, que admita que o papa é passível de erros assim como toda a igreja. Estará assim mais próxima de nós, humanos e não de um plano divino irreal, impalpável, etéreo, inútil.
abrs,
Elias, já te falei que te amo? Again :P
“E alías quais foram os golpes ao governo republicano fora Franco?” (Pablo Vilarnovo)
Serve o do general Sanjurjo, em 1931?
Nada como um Elias,o sabio, para salvar a plebe ignara.
O que você chama de Golpe, foi muito mais uma rebelião, ou revolta. Mas como foi dos militares, é chamada de Golpe…
Mas não respondeu sobre a Igreja e sobre as mortes de católicos antes de 36.
E a Alba, feliz da vida, não respondeu se acha justificável a morte de religiosos por pura ideologia.
Aliás, Franco só assumiu a direção do Golpe após a morte de Sanjurjo em um desastre de avião.
Finalmente o Abstrato perdeu o posto de “o mais cretino” para o Chesterton.
Elias, quero os crimes da Igreja católica na Guerra Civil espanhola, sem rodeios e sem enrrolação. Não os crimes de católicos envolvidos na guerra, os crimes dos padres, das freiras, dos bispos. Dá para ser, ou vai ser difícil.
Ser chamado de cretino aqui é elogia, if you know what I mean.
Espanha, 1931. 24 milhões de pessoas, metade analfabetos. 10 milhões de pobres. 20 mil são donos de metade da Espanha. 20 mil frades, 31 mil padres, 60 mil religiosas, 5 mil conventos, 15 mil oficiais, 800 generais. Um rei, Afonso XIII.
Os monarquistas perdem as eleições municipais. O rei abandona o país. É a República!
Francisco Franco declara.” Vós todos, que sentis o santo amor da Espanha, a Nação vos chama. A Espanha está salva”. O presidente da República, Manuel Azaña, proclama: “A República continua”.
Começa a guerra civil. Começa pelos massacres. Dos dois lados, encosta-se ao muro, executa-se sem julgamento. Ricos, pobres, patrões, operários, oficiais, guardas civis, padres, religiosas. Duzentos mil mortos em duas semanas.
Para os que nada têm, a guerra civil é a esperança.
Para os outros, a guerra civil é a fé. Para os do Império de Carlos V e do Cristo Rei,
para os místicos de Teresa de Ávila, para a Espanha da cruz e da espada, a guerra é necessária.
Franco declara:” Em Espanha, ou se é católico ou não se é nada”. O cardeal Goma y Toma, primaz de Espanha,declara: ” Não pode haver outra pacificação que não seja a das armas, convém extirpar toda a podridão da legislação laica”. Monsenhor Gomara, bispo de Cartagena,declara: “Abençoados os canhões se abrirem o florir o Evangelho”. O arcebispo de Burgos, durante a missa, declara: ” Ó vós que me escutais! Ó vós que vos chamais cristãos! Não há perdão para os destruidores das igrejas! Que a sua semente seja esmagada, a semente do demônio! Pois, em verdade, os filhos de Belzebu, são também os inimigos de Deus”.
Franco anuncia: ” Se for preciso, mandarei fuzilar metade da Espanha”. Milan Astray, no dia da Festa da Raça, na Universidade de Salamanca, injuria a Catalunha e o País Basco e sentencia: ” Viva la muerte”.
Em Madrid, Dolores Ibarruri, declara: “Se os inimigos da República conseguiram acender a rebelião, é porque a República foi demasiado generosa para eles. Mais vale morrer de pé do que viver de joelhos: NO PASARAN’’
Do livro, MORRER EM MADRID, Frédéric Rossif e Madeleine Chapsal, 1975, Livraria Bertrand.
Quero os crimes dos padres, das freiras, dos bispos, declarações bélicas depois de massacres contra cristãos não são crime, são um chamado a guerra de defesa, de reação contra os marxistas e demais criminosos.
Não há perdão para os destruidores das igrejas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Esse bispo Ricardo Blázquez Pérez chutou cachorro morto. Não tem que pedir desculpas coisa nenhuma. Está aposentando e quer fazer média, ganhar algum prestígio.
Guerra é guerra, é sangue, morte, estupro, saque e muito mais. Cá entre nós, humanos adoram uma guerrinha ou não haveria tantas.
O Indivíduo é muito bom.
Amem.
Os comunistas (ou seriam os anarquistas?) queimaram os planos da igreja monumental do Gaudi, e hoje os catalães inventam de tudo pra conseguir terminar sua maior atração turística.
os comunistas inventam crimes da igreja para justificar seus atos, assim como os nazistas fizeram com os judeus. PD é boca-paga nesta história.
Então tá.
Chesterton, você é um cretino.
Pablo, meu caro,
Todo Golpe de Estado é basicamente, uma rebelião contra o poder constituído.
Segundo a teoria política, o Golpe de Estado se diferencia da revolução, porque esta envolve a participação de grandes massas, enquanto que o golpe é desfechado por uma minoria.
Tentativa de Golpe de Estado é, assim, a única designação aplicável à rebelião do general Sanjurjo.
Uma retificação: a tentativa de golpe do Sanjurjo aconteceu em 1932 e não 1931, como eu disse antes.
Chester,
Já te respondi quanto aos crimes da Igreja Católica. O integrante da alta hierarquia dessa Igreja na Espanha não está pedindo perdão em vão. Blázquez e os espanhóis sabem muito bem do que ele está falando….
Agora,vou mostrar mais claramente onde teu esqueminha de raciocínio binário não funciona, na análise da guerra civil espanhola.
É que tua análise política — tal como a do Olavo de Carvalho — é totalmente angulada a partir da guerra fria. É comunismo contra capitalismo, e pronto.
Quanto tu aplicas esse esqueminha binarinho, simplesinho e burrinho, em fatos dos anos 1930, ele faz fumacinha, e não sai nada que se aproveite.
Se os comunistas espanhóis fossem a base de sustentação dos antimonarquistas, nem teria havido a guerra civil. Eles teriam sido derrotados em 2 ou 3 semanas. Seria areia demais pro caminhãozinho deles.
Os antimonarquistas espanhóis seguraram a barra durante tanto tempo, e tão furiosamente, porque tinham o apoio dos separatistas do País Basco, da Galícia, da Catalunha, etc. Além disso, os liberal-democratas tinham apoio em boa parcela das forças armadas espanholas. Entre os militares espanhóis — notadamente da média oficialidade pra baixo — o que não faltava era antimonarquista.
Os monarquistas se opunham radicalmente ao risco de fracionamento do país que, no entender deles, a república não conseguiria evitar (e até estimularia).
Já a Igreja Católica se opunha à separação Igreja/Estado que os republicanos implantaram já na primeira hora. Essa separação implicava, principalmente, o fim da participação da Igreja na divisão da receita tributária do país. Além disso, como grande latifundiária, a Igreja via com péssimos olhos a reforma agrária que os republicanos queriam realizar.
Vale dizer: a Igreja se movia por motivos argentários.
Tá ficando mais claro, Chester? Não?
Então tá. Fica assim: a guerra civil espanhola foi um pré-episódio da guerra fria. Só falta um siamês teu aparecer dizendo que Franco estava a serviço do imperialismo ianque…
Por fim, Chester, é bom que fique claro: eu nunca te chamei de cretino. Até porque não te considero cretino.
Apoiado!
Elias, pouco me importa se um bispo fica gagá e diz merda. O Lanceloti fez pior, e ainda assim, a Igreja nada tem a se desculpar, os republicanos espanhois, sim.
Pablo,
Agradeceria que me apontasse onde justifiquei assassinatos. Inda mais, alegremente! :(
Mesmo achando que o Elias é um comunista comedor de criancinhas, acho que ele tá certo.
Elias, nem venha, não sou mais criancinha !
Sugiro a todos a leitura de “A Batalha da Espanha”, do jornalista Antony Beevor. Um relato equilibrado da guerra civil, suas causas e consequencias. Segundo ele, com todas as atrocidades contra padres e etc, ainda assim os republicanos não fizeram nem 20% do que os fascitas fizeram (assassinatos em massa, estrupos como política de guerra, etc).
Cabe também dizer que, segundo Beevor, por conta da total identificação entre estado reacionário e a Igreja, nem 20% dos espanhóis eram católicos na época e os praticantes eram menos ainda.
PD, este é um livro que eu poderia te dar. está na lista? você quer lê-lo?
Radical …por favor…manda os dados e aonde posso compra-lo pro meu Email, hrpman@yahoo.com.br …..o Email do H.Romeu Pinto!
Pax, está certo em quë? Prove. (links, bibliografia)
Igreja se movia por motivos argentários”
chest- e os revolucionarios republicanos se moviam pelo quê? Obvio que aigreja queria manter seus ben, obvio que tem muito a preservar ainda hoje. E daí?
Sei que Stalin se interessava na Espanha desde os 10 anos de idade, quando construí um Polikarpov da Revell em miniatura 1 72.
“…e os revolucionarios republicanos se moviam pelo quê?” (Chesterton)
Ora, Chesterton… que pergunta mais besta, pow!
Os republicanos eram uma constelação de grupos.
Os separatistas da Catalunha, do País Basco e da Galícia queriam o que querem ainda hoje: a separação da Espanha.
Os comunistas queriam implantar uma república socialista (com as diferentes visões stalinista e trotskysta se entrechocando).
Os anarquistas queriam implantar uma república anarco-sindicalista.
Os liberal-democratas queriam uma república parlamentarista.
Em cada um desses grupos, uma montanha de lideranças e grupos queria o poder.
E assim por diante.
Tás entendendo ou queres que eu te explique?
Pax,
Não sou comunista. Nem de longe.
Daí a comungar com o modelinho guerra fria do Chester vai uma distância danada.
Sim, Chester,
A Igreja queria manter seus bens, que eram muitos. Terras, por exemplo.
Por isto, era contra a reforma agrária, como qualquer latifundiário da vida.
Queria, também, continuar a receber a cota que recebia, sobre a receita tributária espanhola.
Por isto, era contra a separação Igreja/Estado.
É compreensível? É.
Mas não muda os fatos: a Igreja se movia por interesses argentários.
Como uma empresa qualquer.
E, em favor de seus interesses argentários, ela fomentou o ódio e a violência. Organizou e financiou grupos armados que, com suas bênçãos, cometeram toda sorte de atrocidades.
Como um desses grupos políticos radicais da vida, dos mais reprováveis e desprezíveis.
Daí porque o dignatário católico pediu perdão aos espanhóis.
Você diz que ele é louco. Não surpreende. Provavelmente, ele diria que louco é você.
Louco e desinformado.
HRP,
como vocês sabem, meu uso de internet se limita a visitar o site do PD algumas vezes por dia, nem email eu uso. Assim, fico impossibilitado de lhe enviar por emails detalhes do livro. Mas é fácil de achar (fnac, saraiva, cultura etc). Para facilitar, segue o link da cultura (eu queria mandar o link via parceria do PD, que é para ele ganhar alguns trocados, mas não descobri como):
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=3291&tipo=2&isbn=8501075205
Elias, meu aprêço. Seus justos e equilibrados comentários sao instrutivos e imparciais, tudo muito claro como água de pedra. Mas o cérebro do Chupacabra é impermeável a toda e qualquer idéia ou argumentaçao que bate de frente com seus ideais e idéias ultra-conservadores e, na maioria das vêzes, distorcidos propositalmente .
Nao demora ele me acusa de comunista, ou sai com uma tirada contra o Chavez!
Radical Livre: Tomei a liberdade de editar o link que vc colocou com o código da parceria. Obrigado pela lembrança.
A Igreja espanhola é dona das maiores arenas de onde os touros são assasinados, é assim também em Portugal, México e França.
Realmente tem sangue nas mãos.
Resumindo: a coitada da Espanha no início do século XX tava numa m… de dar gosto. E como diz o ditado, em casa que falta pão, todo mundo grita e ninguém tem razão.
Quem acha que a igreja católica não devia se meter em política e nem agir por interesses “argentários” deve ter passado em Marte os últimos 1600 anos.
Em toda a história do mundo, as guerras terminaram com um vencedor e um vencido. Agora inventaram essa novidade do vencido querer ganhar a guerra a posteriori, na base do decreto, revisionismo, Lei da memória histórica, o escambau. Tá na hora de deixar os mortos em paz, senão daqui a pouco vão querer revisar a guerra do Peloponeso.
Elias, não querendo ser chato, mas é que eu sou chato mesmo:
“2 - Frustradas todas suas tentativas de chegar a um entendimento pacífico, e julgando que o país caminhava para a guerra civil, o rei Alfonso XIII abdicou…
…Cabe destacar: a república não foi instaurada por um golpe republicano; a monarquia é que foi restabelecida por golpistas vitoriosos na guerra civil.”
Então a república não foi instaurada por golpe, mas por ameaça de guerra civil. Não é mais ou menos o mesmo ?
Bem, Microempresário,
Quando Alfonso XIII abdicou, o país já estava virtualmente em guerra civil. E isso pressupõe pelo menos 2 lados beligerantes, né?
Minha leitura pessoal é que, de início, a coisa não apontava para a república. Seria mais um caso de atualizar as estruturas social e política da Espanha. Só que as intransigências de parte a parte deterioraram a situação.
A aristocracia espanhola era uma barra. Dizer que era conservadora e parasitária é pouco…
A Igreja Católica, por seu turno, era aquilo que já se disse. Jogou lenha na fogueira da guerra o quanto pôde, chegando a afirmar que se tratava de uma “Nova Cruzada”.
Pra completar o quadro, é bom dizer que a unificação espanhola nunca foi propriamente uma unanimidade. Ainda hoje não é, mesmo com as concessões agora feitas aos separatistas.
Não sei se o fim da monarquia, naquela época, pode ser classificada como “golpe”. Me parece mais uma “revolução republicana”. Para a Ciência Política, não custa reiterar, o “golpe” é necessariamente desfechado por uma minoria. E, àquela época, a maioria da população espanhola queria mesmo a república.
O fato é que havia grandes reservas com relação à casa real espanhola.
Essas reservas existiam, inclusive, entre os monarquistas. Observe que, tendo vencido a guerra civil, eles não restauraram a monarquia imediatamente. Isso só aconteceu no fim da vida de Franco, com a entronização de Juan Carlos.
Ou seja, antes de restaurar a monarquia, ele esperou nascer e amadurecer uma nova geração de monarcas.
Por aí você tira as suas conclusões.
Elias, vc com certeza conhece mais de história do que eu. Na verdade, eu só tenho essa birra sobre muita gente, programas de TV incluídos, que, para colocar as coisas em termos de “bonzinhos” e “malvados”, fazem questão de dizer que os franquistas atacaram um “governo legitimamente eleito”, como se a Espanha fosse um paraíso de paz e democracia antes de 1936. Não era, era uma bagunça que vinha de tempo, talvez desde a perda do império colonial nas Américas, que fez secar o dinheiro fácil. Foi uma guerra onde não havia bonzinhos. Havia gente, em ambos os lados, querendo o poder, e o povo no meio sofrendo, como é de costume.
Sds.
Microempresário,
Também não acho que política seja lugar pra “bonzinho”.
No caso da Espanha, creio que havia muito ódio represado contra a Igreja Católica. E esta fez por merecer, né?
Quando estourou a guerra que ela tanto quis, acabou lhe sobrando umas tantas e más. Foi a tal “volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.
A guerra civil apenas generalizou um estado de beligerância — com ações violentas, de parte à parte — que já se estabelecera vários anos antes.
O pior é que isso aconteceu quando a Espanha vivia um período de prosperidade. Só que o modelo concentrador agravou as disparidades sociais. Os ressentimentos afloraram de modo cada vez mais vigoroso, até que ficaram fora de qualquer controle.
Quando se chega a esse ponto, é pau puro!
Sabe como é, o referencial de catolicismo do Pedro Dória é um “teólogo” que acha que a solução para o mundo é jogar 25 aviões sobre gente inocente dos EUA e que se diz ateu. Então é claro que ele vai puxar a brasa pra sardinha dos republicanos, que gostavam de massacrar uns padrecos e freirocas enquanto não se matavam entre si (os comunas perseguiam os aliados anarquistas e deixavam os franquistas numa boa).
Aliás, esse é o sonho de muitos aqui, não é? Que delícia, hein, gente? Ver correr o sangue de católicos… “Bandireaça! Morram, seus eleitores do Alckmin!”
Acusar a Igreja de apoiar Franco é brincadeira de muito mau gosto. Havia duas opções (até pq em ditaduras e golpes ou se é contra ou a favor, não há chance de abstenção):
De um lado, comunistas e anarquistas queimando igrejas, matando padres, religiosos, enfim…
De outro, os franquistas, que não matavam padres nem queimavam igrejas.
O que vocês escolheriam??? A questão é bem mais simples do que as teorias da conspiração…
E por fim, não é a toa que muitos foram beatificados, pois se tornaram mártires, resistindo aos comunistas e anarquistas.
Para os que gostam de teorias da conspiração, vi tb que citaram o Opus Dei (Dan Brown agradece a todos).
1) Dizer que o Opus Dei é contra o Vaticano Segundo é realmente desinformação (ou má fé). A idéia da “chamada universal à santidade”, do Vaticano Segundo, é exatamente o espírito do Opus Dei, com um pequeno detalhe: o Opus Dei prega isto desde 1928, portanto, 40 anos antes do Concílio.
2) Apenas pra informação, na época da Guerra Civil Espanhola, havia cerca de 10 pessoas no Opus Dei, incluindo São Josemaria Escrivá. Haja influência para que 10 pessoas apoiem um regime num país inteiro!!
Qualquer dúvida, http://www.opusdei.org.br
Pedro Oliveira