Jon Lee Anderson e sua tréplica
O prezado Reinaldo Azevedo está convidado a copidescar – por certo dará trabalho – mais esta tradução. É a tréplica de Jon Lee Anderson, da New Yorker, a Diogo Schelp, de Veja. Sua primeira mensagem, comentando a reportagem de Schelp sobre Che Guevara, foi publicada aqui; a resposta de Schelp, também. (Peço apenas que não aponte como erro o ‘gentileza’ inicial, aí embaixo. É Anderson fazendo pouco do inglês do editor de internacional de Veja; difícil traduzir essas coisas.)
Prezado Diogo Schelp:
Agradeço pelo sua ‘gentil’ resposta. (Soube que você é de fato uma pessoa muito ‘gentileza’; você mesmo o disse duas vezes em suas mensagens.) Só agora percebo, o mal-entendido entre nós nasceu exclusivamente por conta de meu caráter profundamente falho. Eu jamais deveria ter presumido que você recebera meu email inicial em resposta ao seu ou minha segunda mensagem a respeito de sua reportagem, muito menos deveria ter considerado que você pudesse ter decidido ignorá-los. É evidente que você tem um sistema de bloqueio de spams muito rigoroso. Uma dica técnica: talvez devesse configurar seus sistema como ‘moderado’ e não ‘extremo’. Se o fizer, talvez comece a receber seus emails sem quaisquer problemas. Lembre-se, Diogo: moderado, não ‘extremo’. Esta é a chave.
Você me acusa de ser antiético, um ‘mau jornalista’. Questiona até se posso ser chamado de jornalista. Nossa, você TEM raiva, não tem?
Enquanto tento parar as gargalhadas, me permita dizer que, vindo de você, é elogio. Permita, também, recapitular por um momento a metodologia utilizada por você para distorcer as informações que o público de Veja recebeu:
Você publicou na capa e na reportagem uma grande quantidade de fotografias de Che, aproveitando-se assim da popularidade da imagem de Guevara para vender mais cópias de sua revista. Para preencher seu texto, você pinçou uma certa quantidade de referências previamente escritas sobre ele – incluindo a minha – para sustentar sua tese particular, qual seja, a de que o heroismo de Che não passa de uma construção marxista, como sugere seu título: ‘Che, a farsa do herói’.
Para chegar a uma conclusão assim arrasa-quarteirão, você também entrevistou, pelas minhas contas, sete pessoas. Uma delas era um antigo oponente de Che dos tempos da Bolívia. As outra seis, exilados cubanos anti-castristas, incluindo ex-prisioneiros políticos e veteranos de várias campanhas paramilitares para derrubar Fidel. (Um destes, o professor Jaime Suchlicki, você não informou a seus leitores, é pago pelo governo dos EUA para dirigir o assim chamado Projeto de Transição Cubana.) Percebi também que você prestou particular atenção no testemunho de Felix Rodriguez, ex-agente da CIA responsável pela operação que culminou na execução de Che. O fato de que você o destaca quer dizer que você o considera sua melhor testemunha? Ou terá sido porque ele foi o único que algum repórter realmente entrevistou pessoalmente? Os outros, parece, Veja só falou com eles por telefone. Mas como são rigorosos os critérios de reportagem de Veja!
Como disse em minha ‘carta aberta’ a você, escrever uma reportagem deste tipo usando este tipo de fonte é o equivlente a escrever um perfil de George W. Bush citando Mahmoud Ahmadinejad e Hugo Chávez. Em outras palavras, não é algo que deva ser levado a sério. É um exercício curioso, dá para fazer piada, mas NÃO é jornalismo. Dizer a seus leitores, como você diz na abertura da reportagem, que ‘Veja conversou com historiadores, biógrafos, ex-companheiros de Che no governo cubano’ passa a impressão de que você de fato fez o dever de casa, que estava oferecendo aos leitores um trabalho jornalístico bem apurado, que apresentaria algo novo. Infelizmente, a maior parte do que você escreveu é mera propaganda, um requentado de coisas que vêm sendo ditas e reditas, sem muitas provas, pela turma de oposição a Fidel em Miami nos últimos quarenta e tantos anos.
Minha questão não é política. Escrevi um livro, como você mesmo disse, que é ‘a mais completa biografia’ de Che. Há muito lá que pode ser utilizado para criticar Che, mas também há muitos aspectos a respeito de sua vida e personalidade que muitos consideram admiráveis. Em outras palavras, é um retrato por inteiro. Como sempre disse, escrevi a biografia para servir de antídoto aos inúmeros exercícios de propaganda que soterraram o verdadeiro Che numa pilha de hagiografias e demonizaçoes, caso de seu texto.
Não cometa o erro de me acusar de defender Che porque critico você. Serei claro: a questão aqui não é Che, é a qualidade do seu jornalismo. Sua reportagem, no fim das contas, é simplesmente ruim e me choca vê-la nas páginas de uma revista louvável como Veja. Seus leitores merecem mais do que isso e, se aparecerei ou não novamente nas páginas da revista enquanto você estiver por aí, não me preocupa. O que PREOCUPA é que, com tantos jornalistas brilhantes como há no Brasil, foi a você que Veja escolheu para ser ‘editor de internacional’.
Cordialmente,
Jon Lee Anderson.
Atualização – O Daniel Lopes publicou em seu blog a carta acima no inglês original.
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Hallo, Pessoal!
Daqui a pouco dirão que o jornalismo do John Lee Anderson é petralha e que suas obras seguem a linha petralho-lulo-petista de pensamento.
Tomo a liberdade de retirar um comentário do blog do Reinaldo Azevedo em que um leitor chamou (pelo menos assim eu entendi) a prestigiosa revista The Economist de petralha por causa de uma reportagem sobre as novas reservas de petróleo encontradas em águas brasileiras, eis o comentário:
“Não acredito na notícia! Ainda prefiro ficar com os argumentos bem embasados do Reinaldo, que é melhor de crítica do que muito “especialista” por aí. Está mais do que evidente que tal notícia é mais um fruto do petralhismo! Ou melhor, do Petralho-Lulo-Petismo!”
Cabe a cada um de nós escolher entre o jornalismo feito pelo pessoal da revista Veja - amostra grátis disso é a matéria sobre o Che Guevara - e aquele que vem sendo praticado pela centenária The Economist.
The Economist petralha… essa é boa mesmo! Só os leitores do Reinaldo Azevedo para crer em tal sandice.
[]’s
Marcelo
belo truque erístico, atribuir ao RA as sandices eventuais de seus comentaristas. Tente de novo.
“Estou me convencendo que tudo é uma campanha contra a Veja movida por invejosos e recalcados descontentes com as investigações mostrando a podridão do PT” (Mr. X)
Vou acreditar que foi só ironia, Mr. X. Por outro lado, prefiro a parte do comentário onde vc disse que “[...] a verdade é que só li o começo da reportagem da Veja sobre o Che e não achei o texto grande coisa, meio panfletário mesmo [...]“. Ela diz tudo, não?
“Se a matéria da Veja foi ruim é por conta do tema ruim.” (Brancaleone)
Josué, sua lógica foi fantástica! Três litros pra viagem, por favor! E nem preciso criticar esse ponto né? Não fosse “o fato da matéria ser ruim” justamente a parte central do debate, essa frase do seu comentário poderia ficar apenas como deboche. Mas sinto dizer: não deu, meu caro…
“[...] e daí, não se pode mudar de opinião? Ou melhor, o cara não pode ter dado motivos para alguem mudar de opinião?” (Chesterton, a respeito da Veja ter “mudado de opinião” sobre o Anderson)
Até pode, Chest, desde que explique. Se não me falha a memória, até o próprio Mr. X, por exemplo, disse que já admirou o Che, “mas não tragou”. (Desculpe, Mr. X, não resisti à piada ruim, mas conto com o seu bom-humor, combinado?) Desse jeito, com o Schelp fazendo beicinho, dá ainda mais vergonha do papelão a que a Veja está se prestando…
Hallo, Pessoal!
Ao Chesterton-Dracul- El Cid:
erística:
do Gr. eristikós, que ama a discussão
s. f.,
arte das discussões lógicas e subtis;
por ext. arte dos raciocínios especiosos, das argúcias sofísticas, da controvérsia.
Obrigado pelo “elogio”, digamos, indireto ao meu refinado e sutil intelecto!
No mais, não sei se tu tens algum problema de leitura ou se não entendes aquilo que lês, eu não atribuí ao Reinaldo Azevedo as tais tolices escritas pelos leitores dele. Fiz, isso sim, uma suposição de que, pelas atitudes do John Lee Anderson quanto à reportagem da Veja e também quanto ao Diogo Schelp, diriam, mais cedo ou mais tarde, que o Anderson é petralha e que segue a filosofia do tal petralho-lulo-petismo, pois isto aconteceu com a The Economist, logicamente que através de uma palermice de um comentarista do blog do Reinaldo Azevedo. Não há de tardar e, em breve, o John Lee Anderson será também posto sob a efígie de petralha e do tal petralho-lulo-petismo.
Aliás, fica aqui uma pergunta aos leitores deste blog: Será que a The Economist aceitaria ter em sua redação o Reinaldo Azevedo? E o tal de Diogo Schelp? E o Mainardi? E o Ali Kamel? Se fosse para contratar toda essa gente para fazer jornalismo na The Economist, seria muito mais salutar contratar o Lewis Carroll! Pelo menos este escrevia literatura nonsense/fantástica sem querer travesti-la de jornalismo de qualidade.
[]’s
Marcelo
quando eu era um adolescente ignorante (mas nunca fui presunçoso na adolescência), não me importava com o CHe. Mas após conhecer a figura, me importo até com aqueles que não se importam. Abaixo a mistificação.
Pronto Marcelo Augusto, The Economist falou, tá falado. Não se pode contestar, eles são infaliveis, quem acha ruim é mentecapto. De novo, abaixo a mistificação. Sim, se o The Economist, se o Bush, se o Premier da Conchinchina disserem merda, tem que levcar porrada.
Hallo, Pessoal!
Ao Chesterton-Dracul- El Cid:
“Pronto Marcelo Augusto, The Economist falou, tá falado.”
Não trata-se de aceitar cegamente tudo aquilo que vier desse veículo de jornalismo, mas, sim, de ter consciência de que aquilo que a revista Veja faz (e que, pretensiosamente, classifica de jornalismo) está bem abaixo, tanto técnica quanto qualitativamente, do trabalho praticado por um The Economist, por um Financial Times, por um The New York Times, por um Le Monde, e afins. Não aceitar aquilo que é propalado pela Veja não é uma questão de ser ou não petralha, de seguir ou não a linha petralho-lulo-petista de pensamento. É uma questão, sim, de não se trouxa! De não se deixar enganar por uma revista que segue uma linha editorial unilateralista, sem espaço para uma opinião contrária. Aliás, quando falam do contrário àquilo que eles, o pessoal da Veja, pensam, pintam-no com as mais toscas cores da charlatanice jornalística e praticam as maiores trambicagens editoriais. Exemplo mais recente disso é a “reportagem” sobre o Che Guevara.
“De novo, abaixo a mistificação.[...]”
Concordo contigo! Creio que, quando o assunto é jornalismo, deve-se deixar a mistificação em último plano e fazer uma análise imparcial do assunto em questão, assim como buscar as mais variadas fontes e opiniões para, no final, obter-se uma síntese geral do objeto da reportagem. Todavia, isto é o que menos se pratica na revista Veja.
“Sim, se o The Economist, se o Bush, se o Premier da Conchinchina disserem merda, tem que levcar porrada.”
Talvez tu e aquele leitor (que chamou a The Economist de petralha e petralho-lulo-petista) do Reinaldo Azevedo devessem concorrer a um emprego em um desses veículos jornalísticos que citei. Que tal o de ombudsman? Espero que ambos tenham um embasamento minimanente geral, bem como bastante experiência jornalística, para poder opinar sobre os mais diversos assuntos.
“quando eu era um adolescente ignorante[...]”
Eis aí algo que eu me vanglorio por nunca ter sido! Graças aos céus meus pais sempre me deram livros para que eu os lesse e que semprem me proporcionaram uma educação que me deu consciência de que a vida lá fora não é nenhum paraíso cor-de-rosa.
[]’s
Marcelo
Pois o Diogo Schelp há uns anos atrás escreveu uma matéria sobre o nível de violência em Porto Alegre e publicou que aqui se tropeçava em cadáveres nas ruas e a foto que ilustrava era de policiais militares com uniforme azul quando todo o Brasil sabe que a farda aqui é cor cáqui.
Dioguinho não faria feio no “Notícias Populares”!!!!
Santiago
(cartunista)
“Meu comentário é mais inteligente que o seu!”
“Teu comentário é bobo e feio!”
Que guerra de egos mais chata.
Nada como um dia após o outro. A cada dia que passa a VEJA vai indo ladeira abaixo em todos os sentidos. O Sr. Anderson demonstrou como essa revistinha monta as suas matérias que são verdadeiros panfletos políticos. Revistinha de quinta categoria. Essa revistinha é voltada para agradar uma classe decadente e egoísta. E, agora? O que o cão de guarda, um tal que se intitula REI, com toda a sua arrrogância e prepotência que lhe são peculiares, vai dizer? Baixar mais ainda o seu nível.
Como dizem na internet, ele sofre da síndrome do porteiro (REI) que se tornou zelador do prédio (Veja), com todo o respeito aos porteiros e zeladores.
Hallo, Pessoal!
Um pequeno detalhe que eu esqueci de lembrá-los: O blog do Reinaldo aAzevedo tem os comentários moderados, o que significa que somente após a aprovação do moderador é que o comentário do leitor é aceito. Por aprovação não quero dizer que o moderador concorde com a opinião do comentarista, mas, sim, que o comentário está em um patamar aceitável para ser publicado.
[]’s
Marcelo
Marcelo, só falta você dizer que nasceu analfabeto e era um doutor aos 14 anos de idade. Deixe disso. Como fez o Rei da Espanha, quando a coisa chega num nivel , só há UMA resposta: Cala-te (não a você, mas ao biógrafo de Che). Basta, chega, alto lá meu caro, aqui não.
Che Guevara é um assunto que não pode haver discussão. É o mal personificado, e se o diabo tem seguidores, ele não foi o primeiro.
Epa! Peralá Ricardo Álvares Cabral, eu nunca disse que “admirei” o Che. Simplesmente, na minha longínqua adolescência, não tinha a mesma antipatia que tenho por ele agora. Mas jamais passou de uma figura neutra, jamais usei camiseta do Che, achava brega…
Quanto à reportagem da Veja, como disse, não li toda então não posso opinar da qualidade do texto em si. Panfletário? Sim, por que não. Continuo achando gratuita a avacalhação do Anderson e, mais ainda, o fato dessa picuinha ter virado briga pública. Roupa suja se lava em casa, não era isso que o Che sempre dizia? Ah não, o Che nem banho tomava, imagina se ia lavar as roupas, eh eh.
Ao Santiago
Gostei, acho que a dupla DIDI (diogo schelp e diogo mainard) poderia trabalhar no Notícias Populares. …. kkkkkk!! estariam no nível certo…kkkk
Diogo por Diogo, prefiro o Mainardi, mas tudo bem. Gosto mesmo é de jornalismo opinativo, esse negócio de “imparcialidade” não existe.
Hallo, Pessoal!
Ao Chesterton-Dracul- El Cid:
“Che Guevara é um assunto que não pode haver discussão.[...]”
Por quê não? Todo e qualquer assunto pode, muito bem, tornar-se objeto de pesquisa, de argumentações, de discussões e afins. É justamente essa linha unilateral de pensamento, isto é, tal assunto é assim e fim de papo, que muitas redações brasileiras têm seguido, sem dar espaço ao diferente e à uma opinião dissonante.
“[...]É o mal personificado, e se o diabo tem seguidores, ele não foi o primeiro.”
Nem Joseph McCarthy faria melhor!
[]’s
Marcelo
Hallo, Pessoal!
Uma singela homenagem musical aos leitores da revista Veja:
Banda : Metallica
Música: Master Of Puppets
End of passion play, crumbling away
I’m your source of self-destruction
Veins that pump with fear, sucking darkest clear
Leading on your deaths construction
Taste me you will see
More is all you need
Dedicated to
How I’m killing you
Come crawling faster
Obey your Master
Your life burns faster
Obey your Master
Master
Master of Puppets I’m pulling your strings
Twisting your mind, smashing your dreams
Blinded by me, you can’t see a thing
Just call my name, ’cause I’ll hear you scream
Master
Master
Just call my name, ’cause I’ll hear you scream
Master
Master
Needlework the way, never you betray
Line of death becoming clearer
Pain monopoly, ritual misery
Chop your breakfast on a mirror
Taste me you will see
More is all you need
Dedicated to
How I’m killing you
Come crawling faster
Obey your Master
Your life burns faster
Obey your Master
Master
Master of Puppets I’m pulling your strings
Twisting your mind, smashing your dreams
Blinded by me, you can’t see a thing
Just call my name, ’cause I’ll hear you scream
Master
Master
Just call my name, ’cause I’ll hear you scream
Master
Master
Master, Master, where’s the dreams that I’ve been after?
Master, Master, you promised only lies
Laughter, laughter, all I hear or see is laughter
Laughter, laughter, laughing at my cries
(thanks to me?)
Hell is worth all that, natural habitat
Just a rhyme without a reason
Neverending phase, Drift on numbered days
Now your life is out of season
I will occupy
I will help you die
I will run through you
Now I rule you too
Come crawling faster
Obey your Master
Your life burns faster
Obey your Master
Master
Master of Puppets I’m pulling your strings
Twisting your mind, smashing your dreams
Blinded by me, you can’t see a thing
Just call my name, ’cause I’ll hear you scream
Master
Master
Just call my name, ’cause I’ll hear you scream
Master
Master
———–
[]’s
Marcelo
“Epa! Peralá Ricardo Álvares Cabral, eu nunca disse que “admirei” o Che. Simplesmente, na minha longínqua adolescência, não tinha a mesma antipatia que tenho por ele agora. Mas jamais passou de uma figura neutra, jamais usei camiseta do Che, achava brega…” (Mr. X)
Não disse que “não tragou”? (Aproveite que ninguém está olhando e jogue logo fora a sua velha boina, Mr. X!) :-P
Abraços
Ricardo Cabral // 19/Novembro/2007 às 13:52
Antonio, depois de tudo o que o Andreson disse e o que tantos aqui acrescentaram, ler o Gerson B (coment. 136) chamar o libelo** da Veja de “reportagem” e ainda dizer que o seu conteúdo é correto, é de fato broxante. Mas direi a você: cansemos, mas não desistamos!
Abraços
_________
** Libelo: “Artigo ou escrito de caráter satírico ou difamatório; panfleto” (Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.0, 2004, segunda acepção do termo)
_____________________________________
A matéria foi difamatória em que? Tinha alguma informação falsa? Ou tinha alguma sátira?
Che morreu sabiam? já faz um tempão que foi abatido a tiros ( não duvidaria que Fidel tivesse dado as dicas de onde eles estava…).
Che foi o último de sua espécie. Estúpido o suficiente para acreditar em comunismo mas corajoso o suficiente para morrer por isso. Centenas, talvez milhares de mortos que ele produziu “no mais nobre interesse da causa” não tem importância nenhuma, aliás, os que são mortos “por causas nobres”, mesmo que sejam milhares, nunca contam nas culpas de seus assassinos.
A reportagem de Veja foi ruim sim, o tema era péssimo, velho, requentado, sem a menor utilidade a não ser para velho sessentões saudosos das inúteis barricadas de Paris em 68 ou integrantes dos MR8, Val Palmares e outros da vida.
Esqueçam Che. Já era, já foi. As camisetas agora estampam Osama - herói para uma ínfima minoria, um carniceiro como tantos outros para qualquer pessoa decente.
Cultura é cultura.
Por aqui Che é ídolo para uns poucos.
Por lá, Osama é herói.
Acolá, os ganidos de Chávez são a glória
Cada cultura ou no caso a absoluta falta dela, gera seu próprio herói…
Gerson B
Repetirei o que já disse, pela última vez:
“Não é que Veja faça apenas “mau jornalismo”: ela simplesmente não faz jornalismo. Ponto. É para isto que o Anderson está chamando a atenção. Portanto, não tem cabimento argumentar coisas como “ah, mas até agora não apareceu ninguém para desmentir o que Veja escreveu sobre o Che”. Ninguém está acusando Veja de fazer ficção. Repito: está-se acusando Veja de levar o seu leitor a acreditar que o que ela faz é jornalismo, quando é evidente que ela está fazendo propaganda.”
ACT
É claro que Veja tem uma linha direitista. A revista não esconde isso.
Mas a materia NÃO foi sobre o Che. Foi sobre a imagem que se construiu sobre ele apos sua morte. Como tal, ela tinha que mostrar o outro lado que contradiz o mito. Por que isso é mau jornalismo?
E acho que você subestima os leitores de Veja. Creio que a maioria compartilha da visão do mundo que a revista transmite.
Eu não gostava da Veja. Não confiava e ainda não confio, como em qualquer outra revista. Mas as alternativas em que eu acreditava e até assinava tem se revelado piores. Não acredito em jornalismo que se pretenda neutro. Nunca vi disso. Prefiro uma que assuma uma linha claramente.
Gerson B
Rapaz, numa boa, vc não deve ter lido nada do que foi dito nesta discussão até aqui. Mas como hoje é véspera de feriado e eu estou animado com a perspectiva de um bom chope, vou ser paciente e relembrar — uma vez mais — o que já foi dito.
Vc pergunta “porque isso é mau jornalismo?”
É o Anderson quem responde: “Dizer a seus leitores, como você [Schelp] diz na abertura da reportagem, que ‘Veja conversou com historiadores, biógrafos, ex-companheiros de Che no governo cubano’ passa a impressão de que você de fato fez o dever de casa, que estava oferecendo aos leitores um trabalho jornalístico bem apurado, que apresentaria algo novo.”
Qualquer um sabe que a objetividade ou imparcialidade absoluta não existe. Toda reportagem é parcial em alguma medida.
Mas o problema está em que Veja dá a entender que faz jornalismo (como bem explicita o Anderson) quando na verdade faz propaganda. Eu também prefiro o jornalismo que assuma uma linha claramente — mas este definitivamente não é o caso de Veja.
E já que eu estou me repetindo hoje — perdoe, mas vc está me obrigando a tanto — vou colocar aqui, pela terceira vez, uma outra prova de que Veja faz propaganda, e não jornalismo.
A edição 2031 da revista Veja (24/7/2007) teve como principal reportagem a questão do aquecimento global. Mostra os argumentos conflitantes: de um lado, a maioria dos cientistas, catastróficos em suas previsões; de outro, alguns poucos céticos. Ou seja, não há consenso na comunidade científica quanto ao aquecimento global. Mas o curioso é que, no fim do artigo, Veja resume os principais argumentos de ambas as partes, afirmando em seguida “quem está certo”, ponto por ponto. Placar final: Céticos 4 x 2 Catastróficos. Ora, se não há um consenso sobre a questão – se a ciência não deu ainda a última palavra –, como é que Veja, que não é uma publicação científica, pode afirmar quem está certo?
Talvez vc consiga me responder esta questão. Pq até agora, nem a própria Veja, nem o Reinaldo Azevedo, nem nenhum outro comentarista daqui conseguiu.
Abraço,
ACT
Broncoleone….em 77 seria um dos investigadores/torturadores do DOICODI!…TÔ certo ou TÔ errado!?
Eu tambem não gosto da Veja. Nunca assinei, assinava IstoÉ. Votei a vida toda na esquerda, fiz campanha pro PV, PDT, PSB e PT. Briguei pelo Lula. Não concordo com a posição da Veja quanto ao aquecimento, nem com as do Reinaldo.
Mas essa reportagem sobre o mito do Che eu achei boa. As informações que sairam me ajudaram a saber coisas que eu queria sobre o outro lado da questão. A vida toda ouvi e li coisas boas sobre o homem de la ternura.
E apos a chegada do PT ao poder estou indo cada vez mais para a direita nos meus pontos de vista. Por ver que tudo que diziam dos comunistas e eu achava que era um mito, exagero, reacionarismo era verdade. Não que a direita seja muito melhor que isso. Pelo menos a brasileira. Mas a esquerda fez o que ela condenava e muito pior, com mais cinismo. Por isso tenho lido mais o Reinaldo agora. Embora não concorde com a defesa dele do Bush e dos EUA no Iraque aprecio muitas das colocações dele. E acho que ele incomoda porque expõe muita coisa que a esquerda quer esconder. No momento é alguem que cumpre bem o papel de contrapondo ao govêrno.
Eu, de minha parte, votei sempre no Henrique Cardoso, cinco vezes.
Votei três no Lula.
E nem li a reportagem sobre o Che. Mas não gostei.
Mas já acho, logo de partida, que deve ser uma porcaria. Como, de resto, tudo o que a Veja tem veiculado recentemente.
Veja sempre foi fraquita, acho que desde a época do Boimate.
Os “acertos” das “grandes reportagens” políticas, das “grandes capas”, deram-se muito mais por ter informantes por todos os cantos.
E por ser venal.
Veja é da Abril, e a Abril é, desde sempre, do Primeiro de Abril.
Não sei bem, mas se puxarem pela história dos Civittas, teremos uma radiografia da Redentora.
E de ligações perigosas dos capi com todos os tipos de interesse mafiosos.
Parece que já ouvi histórias “”capi”ciosas” sobre o parque gráfico da Marginal. Vou puxar pela memória.
Alguém disse que a reportagem de Schelp não é ruim. Ruim seria o tema da reportagem. Lógica, não tem e como piada, é fraca. Se o tema é ruim, como se transformou em reportagem de capa da veja?
Vários falaram que ninguém questionou as informações publicadas. Isto demonstraria o rigor jornalístico dela. Falso. O que está em questão não é a veracidade do que foi publicado, mas a parcialidade destas informações. Parodiando Anderson, é fácil deixar o papa mal na fita, ouvindo apenas a opinião de seus detratores.
Outro disse que a reportagem apenas tentava mostrar o outro lado do mito. Sob este aspecto, ela estaria correta. Também não se sustenta. O título da reportagem já desmente esta tese. Tenta-se o tempo todo desconstruir sua imagem. Que todos possuímos um lado ruim, não é novidade. Apresentar somente este lado é tão enganador quanto apresentar somente o lado bom.
Chama a atenção a soada que o silêncio de Schelp e Reinaldão provoca. A tática agora parece ser a de ignorar o segundo safanão de Anderson. Sinal de que o primeiro causou estrago, principalmente para Reinaldão, que apanhou de graça. Creio que resposta agora somente na posse de um dossiê Anderson. Algo que fale sobre o cheiro de Anderson e coisa e tal, ao estilo Schelp.
Arre, cacetada! rsrsrsr
Ao jornalista de Veja:
PEDE PRÁ KH E SAI FORA! KKKKKK!
À maioria dos comentaristas acima:
ALGUÉM? 2007! DOIS MIL E **SETE** … HELLOOOOOOO! PARA DE MARTELAR O MURO QUE ELE JÁ CAIU, E VOCÊ VAI ACERTAR O SEU PÉÉÉ!!
[...] Eis a carta de Anderson, publicada no blog de Pedro D?ria: [...]
Acho que “kindly” é melhor traduzido como “gentilmente”.
“gentileza” seria “kindness”.
Só mais uma coisa: acho que venerable se traduz melhor como venerável, tradicional, de longa vida, de longa experiência, “impressive by reason of age”, e não louvável, ou merecedora de louvor.
o brasileiro chama o americano disso e o outro responde aquilo. bom seria que a gente lesse alguma reportagem de jon - bem traduzida, claro. alguem ser gozado porque nao fala ingles é coisa de gente pequena. ele nao tem obrigacao de ler um livro de eduardo portela e entender. ninguem daqui tem o dever de falar um ingles impecavel. lamentavel
“Infelizmente, a maior parte do que você escreveu é mera propaganda, um requentado de coisas que vêm sendo ditas e reditas, sem muitas provas, pela turma de oposição a Fidel em Miami nos últimos quarenta e tantos anos.”
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Anderson parece não conhecer muita coisa sobre o jornalismo brasileiro e sua notória simpatia por um certo segmento que se auto-define como “esquerda” e o panfletismo que praticam e caracterizam como “jornalismo” , baseado em “mera propaganda, um requentado de coisas que vêm sendo ditas e reditas, sem muitas provas, pela turma que idolatra ícones revolucionários latino-americanos como Che… nos últimos 20 e tantos anos.”
Revista louvável?… esse gringo é um debochado…(risos)
Só gostaria de avisar ao Jon Lee Anderson que, esse tipo de jornalismo praticado por esse tipo de jornalista (Diogo Schelp) é típico de uma publicação que está muito longe de ser louvável.
Já deixei de comprar a Veja há muito tempo.
Só leio em consultório ou na casa dos outros.
Comprar panfleto? Isso é coisa de trouxa.
Che pelo menos acreditava em algo e deu a vida por isso. Se errou nas suas escolhas, pelo menos se entregou por inteiro a elas, e você sabe no que ele acreditava. Em que acreditam os editores da Veja? E a serviço de quem estão?
São honestos sobre si mesmos ou escondem suas intenções? Da onde vem mesmo? Recebem dinheiro para defender suas opiniões? Aceitam matérias encomendadas disfarçadas de jornalismo? Essas são as verdadeiras questões, cujas respostas você NÃO lerá na Veja.
Vou resumir em apenas uma frase o meu comewntário: Pau que dá em Chico, também dá em Francisco.
[...] domingo (18), o jornalista Pedro Dória publicou em seu blog a tréplica de Anderson – que parece ter razão no embate. E hoje, o blogueiro traz uma interessante análise [...]