O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ameaça revelar os nomes dos ‘traidores internos’ de seu país. Ele considera, disse em discurso público aos estudantes da Universidade da Ciência e Indústria de Teerã, que há gente querendo sabotar o projeto de enriquecimento de urânio do país.
Não é nada difícil descobrir de quem se trata.
No fim de outubro, o ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani alertou para o ‘movimento sem precedentes‘ dos EUA em direção a um ataque contra o Irã.
Rafsanjani, que havia sido derrotado por Ahmadinejad quando concorria para o terceiro mandato de presidente, voltou a uma posição de grande poder em setembro. Ele é o cabeça do Conselho de Expediência do Sistema, um nome oblíquo que quer dizer algo simples: resolve as diferenças entre o Parlamento e o Conselho de Guardiões, além de oferecer conselhos ao Líder Supremo.
Rafsanjani, possivelmente o homem mais rico do Irã, conhecido pela corrupção, por representar a classe empresarial e um conservadorismo pragmático, manda – e manda muito. O suficiente para poder ameaçar o próprio Ali Khamenei – seu conselho teria poder teórico para reformar as funções da posição de Líder Supremo.
E, afinal, Rafsanjani foi eleito criticando Ahmadinejad. Seu argumento é que, num momento de intensa presença norte-americana na vizinhança, dar desculpas para um ataque é estupidez. Ahmadinejad retruca dizendo que Deus não permitiria um ataque.
Talvez.
Mas algo mudou no Irã: as duas maiores forças políticas do país estão em conflito aberto a respeito da questão que mais preocupa o mundo, suas instalações nucleares.




