Veja, Che Guevara e Jon Lee
Anderson, seu biógrafo
O repórter Jon Lee Anderson, biógrafo de Che Guevara, foi procurado há umas semanas pelo também repórter Diogo Schelp, da Veja. O objetivo era uma entrevista curta para a composição da reportagem que saiu na revista a respeito dos 40 anos da morte de Guevara. É um entrevistado natural – afinal, Che Guevara, uma biografia, é a principal referência ao tema.
A própria revista, na reportagem que Anderson critica, descreve seu livro como ‘a mais completa biografia de Che’. Mas a cobertura daquele aniversário de morte já foi assunto deste Weblog.
Anderson respondeu a Diogo mas acabou não sendo procurado. Na semana passada, o veterano repórter de guerra da New Yorker teve acesso e leu a reportagem. Foi sua a decisão de tornar pública esta resposta a Schelp, que começou a circular por email entre os jornalistas brasileiros.
A original é em inglês, esta que segue é uma tradução:
Caro Diogo,
Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu email. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hiper editorializada, ou uma hagiografia ou – como é o seu caso – uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei pôr pele e osso na figura super-mitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é. Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista. No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.
Cordialmente,
Jon Lee Anderson.
Acaso Veja ou Schelp tornem públicas suas respostas, também serão publicadas.
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fico pensando pq é imensamente (imensamente mesmo!) ridículo a falta de assunto que nossos colunistas, em geral, tem… sei “que a família tem que comer” mas tá demais!! é Che Guevara é Hugo Chaves é Opinião da opinião da opinião de alguem que falou… (…graças a Deus Schopenhauer tá morto…) pelo amor de Deus não aguento mais ler tanta bobagem!! dá pra notar que as colunas “técnicas” só repetem o que as fontes lhe informam… e as colunas de comportamento só trazem citações de outros autores ridículos e não consigo ler nada que tenha cunho próprio. pensamento mesmo!!! eu acredito que a reportagem da veja não teve o menor impacto comparado com a fofoquinha que gerou. mais impressionante são as análises que vão desde confete passando por esquerdistas, limpando a bunda com palha de milho e termina com o racismo do Civita!! isso é uma piada!! eu não aguento mais de dores na coluna!! e como a minha avó dizia: se a coluna dói eu reclamo!
dor na coluna:
sua dor não é mais embaixo, não? a razão deste seu surto histérico é evidente: falta de p… aproveita o feriadão e vai procurar um macho!
[...] Veja, Che Guevara e Jon LeeAnderson, seu biógrafo: Pedro Doria on “Veja magazine, Che Guevara, and Jon Lee Anderson, his biographer.” [...]
Existem semelhanças entre Osama Bin Laden e Che Guevara?
Leader (Porto Alegre), Nº21 - 25 de Dezembro de 2001
Sim
Ascetas do mal
Enquanto heróis da saga revolucionária, Che Guevara e Osama bin Laden assemelham-se em pelo menos um ponto essencial, no qual sua auto-imagem se confunde com sua imagem pública. Quero dizer que algo que eles acreditam piamente de si mesmos coincide com algo que sua platéia acredita piamente a respeito deles. Como todas as vidas de revolucionários modernos, sem exceção, as desses dois compõem-se essencialmente de um auto-engano pessoal transfigurado em lenda mundial pelo efeito amplificador da propaganda, seja a propaganda organizada da esquerda militante, seja a propaganda informal da mídia simpática.
A crença pessoal a que me refiro — e que ambos expressaram abundantemente, por atos e palavras, não se tratando aqui de uma “interpretação” minha, mas da simples constatação de um fato — é a seguinte: exatamente como os heréticos da seita do “Livre Espírito” estudados por Norman Cohn em “The Pursuit of the Millennium”, um e outro acreditam-se tão profundamente, tão essencialmente identificados a uma causa superiormente justa e nobre, que mesmo seus pecados mais flagrantes e seus crimes mais hediondos lhes parecem resgatados, de antemão, pela unção incondicional de uma divindade legitimadora. Pouco importa que essa divindade seja, num deles, só informalmente teológica (a História, o Progresso, a Revolução), e só no outro expressamente teológica. Em ambos os casos há o apelo a uma fonte suprema da autoridade, que consagra o mal como bem.
Mas não é que se coloquem acima do bem e do mal, no sentido da amoralidade aristocrática do super-homem de Nietzsche ou do “amoralista” de Gide. Ao contrário: identificaram-se de tal modo com o que lhes parece o bem, que mesmo o mal que praticam se transfigura, a seus olhos, automaticamente em bem. Atingiram, enfim, a seus próprios olhos, o estágio divino da impecância essencial.
Daí que, neles, a total falta de escrúpulos e a prática costumeira da violência criminosa coexistam sem maiores problemas com uma fé perfeitamente sincera na própria bondade, santidade até — implícita em Guevara, ostensiva em Osama.
E nada de confundi-los, por favor, com o farsante vulgar, o santarrão de opereta. Este é cômico porque nele os traços incompatíveis são mantidos juntos pela solda bem frágil da hipocrisia. No fundo ele tem consciência da sua falsidade e, pego de jeito, pode ser desmascarado perante si mesmo. No herói revolucionário, a mentira existencial tomou por completo o lugar da consciência, numa espécie de sacrifício ascético. A divindade macabra ante cujo altar se consuma esse sacrifício responde então ao postulante: ao contrário do mentiroso comum, que se enfraquece pela falsidade da sua posição, o asceta do mal ganha redobrado vigor a cada nova abjuração da verdade, tornando-se, no cume da sua anti-realização espiritual, capaz de projetar hipnoticamente sua imagem sobre as multidões.
Daí uma segunda semelhança: no paroxismo do culto idolátrico, militantes e simpatizantes chegam a ver em seus ídolos presenças divinas ou ao menos proféticas. Expressando uma convicção coletiva bem disseminada hoje em dia, Frei Betto nivelou ostensivamente Che Guevara a Jesus Cristo, e Arnaldo Jabor denominou Osama de Maomé II.
Olavo de Carvalho
A Veja nunca deixará de ser mesmo um folhetim muito merda de um país do terceiro mundo.
Dá até pena.
Torço para que Che e outros mitos sejam mostrados como gente. Seria bom se fizessem isso também com o tal Jesus Cristo, que, em três séculos, passou de zelota assassino a filho de Deus. Mas qual meio, no Ocidente, vai publicar tal desmistificação?
[...] esta tradução. É a tréplica de Jon Lee Anderson, da New Yorker, a Diogo Schelp, de Veja. Sua primeira mensagem, comentando a reportagem de Schelp sobre Che Guevara, foi publicada aqui; a resposta de Schelp, [...]
Pedro
Vc tem a tréplica do Jon Lee Anderson? Disseram que está deliciosa, mas não consegui encontrar. Bjs
[...] aberta para os jornalistas brasileiros, transcrita abaixo traduzida para o português e postada por Pedro Dória em seu blog: Caro [...]
[...] até que a revista caiu nas mãos de Jon Lee Anderson. Que tornou pública a sua carta contestando o nível da reportagem e a afirmação de que ele não havia sido encontrado para dar a [...]
Sabe oque??? deviam manda o faustao começa escreve p veja ai ficava mais divertido , a revista ja é um circo mesmo…. até tento lê mas nao dá… os leitores que me desculpem, fechem a veja e vao ve novela!!!!
[...] O jornalista amerciano resolveu contestar as justificativas dadas pelo autor da reportagem numa carta aberta publicada no blog do jornalista Pedro [...]
Um pouco mais do porco fedorento e homicida
“Acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32 no lado direito do crânio, com o orifício de saída no (lobo) temporal direito. Ele arquejou um pouco e estava morto. Ao tratar de retirar seus pertences, não consegui soltar o relógio”
É este sujeitinho o herói dos esquedopatas.
É assim que tratam os adversários, aqueles que pensam diferente. Essa é a democracia deles.
[...] Diogo Schelp, editor internacional da Veja e autor da reportagem, tinha enviado ao «autor da mais completa biografia de Che» um mail para o entrevistar. E depois acabou por não o fazer. Jon Lee Anderson leu o trabalho e mandou-lhe um mail que acabou por se tornar público: [...]
O problema é uma praga em certos paises, sobretudo oe menos desenvolvidos: o jornalismo politico, ou de causas. Vocês não vêm isso na imprensa de referência americana e europeia. No Brasil, pelo que vejo, isso é muito comum e a confusão é imensa. A Veja, por exemplo, não se distingue do boletim oficial do PT, nesse sentido. São ambos jornais de “combate” politico. Não têm objectividade nem distanciamento para noticiar. O Mainardi é divertido, escreve bem, é prazeiroso, será até um excelente amigo, é inclusive corajoso, mas eu não confio nele para me dar noticias, para me relatar acontecimentos ou caracterizar personagens. Isso é uma outra coisa completamente diferente. O Anderson pertence a outra escola de jornalismo, mais sério, e não quererá certamente se misturar com o que a Veja representa. É é por isso que a New Yorker é a New Yorker e a Veja é a Veja, meus caros amigos. Cada um em seu galho.
Matérias sem imparcialidade são na maioria das vezes chatas, previsíveis. Quando se começa a ler algo tendencioso, parece que já se vislumbra o desfecho da matéria.
[...] Primeira mensagem enviada num e-mail circular a jornalistas brasileiros: http://pedrodoria.com.br/2007/11/12/veja-che-guevara-e-jon-leeanderson-seu-biografo/ [...]
Quanto ao ‘admirar ou não ao Che’,
alguns valorizam atos dignos, outrso porém roupas, e coisinhas fúteis…
Sem mais, direitões!
[...] Diogo Schelp Editor de Política da revista “Veja” [...]
[...] O principal biógrafo do guerrilheiro argentino foi procurado pelo brasileiro, que acabou desistindo de entrevistá-lo. No entanto, a matéria de Veja chegou às mãos de Anderson, que decidiu tornar pública a resposta – que, por sua vez, começou a circular por email entre os jornalistas brasileiros, como Pedro Dória. [...]
Omi só queria, que tal do “Che”, fosse filho de Virgulino Ferreira, o tal do ”Lampião”, e que ele nascido entre os anos de 35 a 40.Te puxado um pouco para o pai, depois de grandinho saindo fazendo suas loucuras com as proprias maos, ate chegar na tal Brasilia e da uma uns acochos -a moda nodestina -nos “meninos honestos” de la, e depois disso creio, que esses “meninos” tinham apredido um pouco com as liçao do CUMPADI!
Ainda esta para nascer um caba assim com corragem!Pois quem tem corragem não finge…
enfrenta os “meninos honestos”.
[...] de Jon Lee Anderson, biógrafo de Che, que pode ser lida, com seus desdobramentos, no blog do Pedro Doria. Diogo Schelp até tentou uma réplica, mas a mensagem de Anderson colocou a [...]