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Uma entrevista aos sábados

November 10th, 2007 · · 39 Comentários

Após 30 anos, não vejo um centímetro de progresso. É possível até dizer que as pessoas odeiam Israel – não apenas no Egito mas em todo o mundo árabe.

O mundo árabe está ocupado demais lutando contra os fundamentalistas e não será possível reconhecer Israel porque isto fortaleceria estes mesmos fundamentalistas. Reitero: o mundo árabe se recusa a aceitar a existência de Israel o que impede as tentativas de Israel de normalizar quaisquer relações.

Desde o primeiro dia, quando houve o discurso do [então presidente egípcio Anwar-al] Sadat no parlamento de Israel, nós dizíamos que uma paz verdadeira e completa não aconteceria enquanto Israel não devolvesse o Sinai e não deixasse os territórios de Gaza e Cisjordânia. Quando Sadat foi a Jerusalém, ele tinha o projeto de começar não apenas a negociação egípcia mas também a palestina. Só que os israelenses se recusaram a ouvir qualquer coisa a respeito desta segunda parte. Nós dizíamos: a questão palestina é o eixo de qualquer acordo de paz, é a primeira condição. Nós avisamos que não funcionaria sem isto. E eles? Eles insistiram em assinar uma paz em separado com os egípcios, eles ficaram sonhando acordados com uma relação bilateral que viria.

Minha mulher, Leah, não gosta de aparecer. Nunca tive problemas com o fato de ela ser judia até porque, aos meus olhos, apesar de sua origem, ela me parece mais católica, já que estudou mais em escolas católicas do que judaicas.

Boutros Boutros Ghali, ex-ministro das Relações Exteriores do Egito, ex-secretário geral da ONU

dica do André Fucs

Tags: Gente · Islã · Israel e Palestina · Terror

39 Comentários até agora ↓




  • 1 RW in Miami // 10/November/2007 às 3:47

    Primeiro ! (so’ para ter o mesmo prazer que a confetti em geral tem…)

  • 2 RW in Miami // 10/November/2007 às 3:53

    O que eu acho interessante e’ que essa “paz fria”, como chama o Boutros Boutros Ghali, permitiu nao so’ que o Egito tomasse posse de novo do Sinai como “liberou” o orcamento egipcio (e o israelense tambem) de estar alocando fundos e recursos para uma potencial futura guerra entre os dois paises.

  • 3 faraó // 10/November/2007 às 7:28

    “”nós dizíamos que uma paz verdadeira e completa não aconteceria enquanto Israel não devolvesse o Sinai e não deixasse os territórios de Gaza e Cisjordânia.”"

    Engraçado, e antes disso, a tentativa de eliminação de Israel, era por qual motivo, heim?

    Israel já devolveu Gaza, a Cisjordania é quase toda ocupada e governada pelos palestinos, e qual foi a contra proposta dos árabes até agora?

  • 4 HRP Mané Reloaded // 10/November/2007 às 7:37

    O mundo árabe/islamico sempre me cheirou a terra medieval……e Israel nesses 51 anos da minha vida sempre me pareceu a terra dos homens com “o rei na barriga”!
    Se merecem….. e olha que um daqueles nobéis já senis de plantão deu uma entrevista lá nos States semana passada afirmando que por seus “estudos”, EEEEEEE, ,considerado o homem judeu o mais inteligente do mundo!
    EEEEEEE nesse imbróglio que poderiamos dizer de Ariel Sharon? EEEEEE….zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!

  • 5 HRP Mané Reloaded // 10/November/2007 às 7:38

    perdão….”considera o homem…..”!

  • 6 Pax // 10/November/2007 às 8:43

    Dica do Fucs, comentário do enólogo RW e do faraó, bem, melhor escrever assim…

    Haim kashim, sem esquecer do velho e bom Shabbat Shalom a todos.

  • 7 Chesterton-Dracul- El Cid // 10/November/2007 às 9:33

    digam com sinceridade. se os árabes em geral não estivessem montados em gigantescos lençóis de petróleo, quem daria importância ao que eles pensam ou deixam de pensar?

  • 8 Gabriel // 10/November/2007 às 9:44

    Cheston, como diz o Pax, Haim Kashim… :-(

  • 9 Pax // 10/November/2007 às 9:57

    Mas Gabriel, na verdade…

    Ddrishat shalom behatslah.

    Não se se tá certo, mas você vai entender.

  • 10 UruBU // 10/November/2007 às 10:30

    E eles queriam o quê? Pffff…
    Amos Oz tem razão.

  • 11 Mr X // 10/November/2007 às 11:18

    Bah esses árabes são muito mentirosos. É impressionante como usam os pobres palestinos para seus fins.

  • 12 Clara // 10/November/2007 às 15:28

    Ah, e se aos olhos de Ghali ela se parecesse apenas judia,, ele teria problema então?

    Assim é se lhe parece, Sr. Ghali.

  • 13 RW in Miami // 10/November/2007 às 18:14

    Muito bem colocado, Clara

  • 14 Elias // 10/November/2007 às 18:45

    Essa dona Leah tem um péssimo gosto…

  • 15 Isso Tanakara // 10/November/2007 às 19:07

    Sujeito cretino esse Boutros Boutros Ghali.

  • 16 Elias // 10/November/2007 às 21:28

    Boutros está correto em dizer que o reconhecimento de Israel acabaria fortalecendo os fundamentalistas.

    Em seguida solta um pum dizendo que os palestinos são a chave da questão…

    Uma coisa ou outra, seo dotô…

    A chave da questão são os fundamentalistas, né?

    Isso já está mais do que claro pra boa parte do mundo. E é o que se depreende do que ele mesmo diz, de início.

    Israel não conversou com Sadat sobre os palestinos porque, àquela altura do campeonato, já estava claro para pelo menos 15 em cada 10 israelenses, que Sadat não tinha autoridade para falar em nome dos palestinos. Quanto a isto, ele não tinha o que casar na mesa de negociações.

    Duvido que Boutros, como diplomata de carreira, não saiba que, fazendo a paz com o Egito, Israel tirou dos palestinos uma “fronteira de apoio”, que é algo importantíssimo numa guerra assimétrica, como a que fazem os grupos palestinos. Estes ficaram espremidos: de um lado, a Jordânia e o Egito, ambos hostis; de outro, Israel, nada amigável.

    Isso não garante a paz, mas enfraquece o inimigo, o que não é pouco… Com o apoio do Egito, os palestinos incomodariam muito mais.

    Boutros joga pra galera, fazendo exercícios de silogismos.

    O fato de gente desse tipo ter chegado a ocupar o cargo Secretário Geral da ONU ajuda a explicar porque esse organismo internacional se desmoralizou tanto.

  • 17 Chesterton-Dracul- El Cid // 10/November/2007 às 22:15

    ninguem mais da bola para eles, só 16 posts.

  • 18 faraó // 10/November/2007 às 23:59

    Da mesma forma que aqui já se encheu o saco desse assunto, tanto que foram só 18 posts, no resto do mundo também ninguém tem mais saco de ver a mesma estória todos os dias.

    Só um parentese, que diferença desses secretários gerais da ONU de hoje pro grande Oswaldo Aranha, brasileiro, secretario geral da ONU em 1948.

  • 19 Andre Fucs // 11/November/2007 às 13:22

    Faraó,

    Grande Oswaldo Aranha??? Não era ele o Grande Diplomata Anti-Semita Brasileiro[1]??

    [1] - http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=613&pagina=2

  • 20 faraó // 11/November/2007 às 14:23

    Andre, sua fonte é furada.

    Entre o que diz uma revistinha de banca de jornal e o que se vê no Brasil, na ONU e em Israel, existe uma enorme distancia entre a ficção e a realidade.

    Abraços

    http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/post.asp?cod_Post=77089&a=98

    http://assisbrasil.org/joao/oswaldo.htm

    http://www.unifoa.edu.br/institucional/historia/oswaldo.asp

    http://www.conib.org.br/noticias/662.html

    http://www.firgs.org.br/noticias/ver.jsp?notID=408

    Se quiser mais é só consultar o google.

  • 21 confetti // 11/November/2007 às 16:46

    ah dr andré, despejando azedume até no farao ??

    farao, eu nao tinha a menor idéia de quem era oswaldo aranha ! obrigada pelos links

  • 22 Elias // 11/November/2007 às 19:40

    Faraó,

    A fonte do André NÃO é furada.

    A “revistinha” a que você se refere é uma publicação da Biblioteca Nacional e uma das melhores — senão a melhor — do gênero no país.

    A autora do texto, Maria Luíza Tucci Carneiro, é historiadora, professora da USP, e acumula respeitável experiência como pesquisadora do anti-semitismo no Brasil.

    A Circular nº 1.249, de 27-12-1938, firmada por Oswaldo Aranha, é documento público. Salvo engano, está arquivada na Biblioteca Nacional. Cópias dessa circular já foram divulgadas em livros, jornais, revistas e o escambáu. Até a Globo já mostrou a circular 1.249, em uma matéria do Fantástico sobre o embaixador Souza Dantas.

    Criar dificuldades para a entrada de judeus no Brasil foi, sim, política do Estado Novo. Depois, com o rompimento das relações diplomáticas com os países do “Eixo”, a coisa mudou de figura. Mas aí são outros 500…

    Souza Dantas, sim, jamais se submeteu a essa política do Estado Novo, e continuou expedindo vistos de entrada para judeus. Por isto foi punido (”aposentado a bem do serviço público”). Não sem antes salvar muitas vidas…

    Mais adiante, Aranha presidiria a sessão da ONU que aprovou a resolução autorizando a criação de dois Estados — um judeu e outro árabe — na Palestina. É um mérito, claro. Por isto, tem a gratidão dos judeus em todo o mundo.

    Mas o que aconteceu, aconteceu. Não dá pra mudar, por mais desagradável que seja.

  • 23 Alba // 11/November/2007 às 20:45

    Faraó,

    O Elias, como sempre, tem razão. Aliás, acabo de encontrar um documento interessante sobre o anti-semitismo durante a República Velha e o Estado Novo.

    http://www.anpuh.uepg.br/Xxiii-simposio/anais/textos/GET%C3%9ALIO%20NASCENTES%20DA%20CUNHA.pdf

  • 24 faraó // 11/November/2007 às 21:10

    Na segunda guerra, o nazismo e o facismo eram a “moda” na Europa e o Brasil, sem saber pra que lado olhar, cortejou algumas idéias de Hitler e Mussolini. Mas ao que eu saiba, não passou disso com alguns casos isolados.

    Os judeus já suportaram coisas muito piores.

    A remissão veio na forma de Oswaldo Aranha, que voces podem conhecer e se orgulhar.

    Um abraço.

  • 25 Andre Fucs // 11/November/2007 às 22:36

    Faraó,

    Você pode se orgulhar dele, eu particularmente acho que não deve haver nada pior para um anti-semita do que ser lembrado como um grande amigo daqueles que ele detestava. Eu particularmente acho que o episódio serve para ilustrar melhor como funciona a educação em geral. Aprende-se a acreditar …

    A circular encontra-se lá no Arquivo Nacional assim como a imigração de meus avós, dos seus, dos do Elias e mais um trocentos. Os estudos em torno do anti-semitismo no Estado Novo são notórios e em geral muito bem embasados e feitos por pesquisadores sérios mas se você prefere uma fonte mais mainstream, acho que a Veja abaixo pode lhe ajudar:

    http://veja.abril.com.br/220300/p_048.html

    Sinceramente Faraó, concordo com você que a eugenia e o antisemitismo já foram mode no passado, porém achar que eram casos isolados é ignorar a história do período. Em todo caso, eu não acredito que o Vargas tivesse a menor vontade de mandar muita gente pro forno e só mandou a Olga por conta do Prestes.

    O que custa lembrar é que apesar de serem “meros modismos” as ações desses sujeitos eram concretas e custaram a vida de um razoável número de pessoas. Quanto a termos passado por dias piores, não tenho dúvida disso porém eu prefiro atribuir isso à natureza do brasileiro mais do que aos atos do Estado Novo.

  • 26 Andre Fucs // 11/November/2007 às 22:42

    Confetti,

    Por essa e por outras que o Josef Mário pega no seu pé! :P

  • 27 faraó // 11/November/2007 às 22:55

    Andre

    confesso que não sabia desse lado obscuro da vida de Oswaldo Aranha.

    Não sou professor, nem historiador e costumo me embasar, quando muito, naquilo que aprendi na escola, em alguns livros, jornais e no que aprendo aqui nesse blog com voce, Elias, Alba, um pouco do JM e outros.

    Grande abraço

  • 28 Alba // 11/November/2007 às 23:10

    Beijo, Faraó!

  • 29 confetti // 12/November/2007 às 4:38

    ” Confetti,

    Por essa e por outras que o Josef Mário pega no seu pé! :P ”

    dr andré ta falando de que ? brinquei c vc falando do ‘azedume” e realmente nao conhecia oswaldo aranha, aproveitei os links do farao pra isso ! qual o problema ?
    nao sou idiota, percebi que seu link levava à biblioteca nacional ….aprendi mais um pouco, como sempre aqui !
    jm “pega no meu pé” ? quem ?

    cuidado ai, nao da pra expressar ironia e humor com pontuaçao ! :-)

    bom dia pra vc !

  • 30 josef mario // 12/November/2007 às 14:39

    Companheira confetti
    Eu, josef mario, devo dizer que não acredito que a companheira nunca tenha entrado em um restaurante e pedido um “filet à oswaldo aranha”. Isto vem demonstrar que a companheira não entende nada de forno e fogão. Espero, pelo menos, que a companheira entenda de corte e costura, do contrário vai acabar ficando para “titia”.
    Muito obrigado.

  • 31 marta // 12/November/2007 às 15:42

    apesar de sua origem ela me parece mais católica???? essa é boa. Quanto ao Sr. Oswaldo Aranha: parentes meus, fugindo sabemos de quem, ficaram aqui no cais, sem poder desembarcar, olhando do alto para alguns parentes que tinham conseguido vir para o Brasil. O resto, foi prá Israel, depois de Kristallnacht.
    Histórias tristes e traumáticas, mas é bom que pontos sejam colocados nos iis mesmo. E o O.A. só presidiu a sessão da ONU por acaso. Ou estou enganada?

  • 32 Moisés // 15/November/2007 às 14:13

    A verdade é que os israelenses, com raríssimas, exceções, nunca quiserem resolver o problema dos palestinos. Desrespeitaram todas as resoluções da ONU que condenavam a sua política para com aquele povo. Essa história do Boutros Gali é mais uma prova disso. A devolução de Gaza foi uma piada. Eles (os israelenses) se livraram de um grande problema. Gaza é um grande campo de concentração. Israel, hoje, faz gato-sapato daquela região. Impedem os palestinos de cruzar a fronteira, corta suprimentos, controla água e luz. Já a Cisjordânia, cada vez mais vem sendo retalhada pela construção de novas colônias. Para onde foram os colonos fanáticos que estavam em Gaza?! Dentro de Israel os palestinos são tratados com diferença, com relação a tudo: educação, saúde e etc. Existem aldeias palestinas, dentro de Israel que, simplesmente, não são reconhecidas, são “fantasmas”, não existem. Seus cidadãos que deveriam ter os mesmos direitos que os demais, estão na verdade, sendo pressionados a abandonar os seus lares, para que novos assentamentos judaicos sejam construídos. É tudo muito lamentável.

  • 33 heart-sh // 11/December/2007 às 19:59

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  • 34 plastics // 12/December/2007 às 21:50

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  • 35 customsu // 14/December/2007 às 0:54

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  • 36 boxbraid // 15/December/2007 às 5:04

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  • 37 Triska // 17/December/2007 às 5:30

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  • 38 yellowbo // 18/December/2007 às 3:17

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  • 39 Pedrinha Moreira de Lima Pio // 23/June/2008 às 18:16

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