Após 30 anos, não vejo um centímetro de progresso. É possível até dizer que as pessoas odeiam Israel – não apenas no Egito mas em todo o mundo árabe.
O mundo árabe está ocupado demais lutando contra os fundamentalistas e não será possível reconhecer Israel porque isto fortaleceria estes mesmos fundamentalistas. Reitero: o mundo árabe se recusa a aceitar a existência de Israel o que impede as tentativas de Israel de normalizar quaisquer relações.
Desde o primeiro dia, quando houve o discurso do [então presidente egípcio Anwar-al] Sadat no parlamento de Israel, nós dizíamos que uma paz verdadeira e completa não aconteceria enquanto Israel não devolvesse o Sinai e não deixasse os territórios de Gaza e Cisjordânia. Quando Sadat foi a Jerusalém, ele tinha o projeto de começar não apenas a negociação egípcia mas também a palestina. Só que os israelenses se recusaram a ouvir qualquer coisa a respeito desta segunda parte. Nós dizíamos: a questão palestina é o eixo de qualquer acordo de paz, é a primeira condição. Nós avisamos que não funcionaria sem isto. E eles? Eles insistiram em assinar uma paz em separado com os egípcios, eles ficaram sonhando acordados com uma relação bilateral que viria.
Minha mulher, Leah, não gosta de aparecer. Nunca tive problemas com o fato de ela ser judia até porque, aos meus olhos, apesar de sua origem, ela me parece mais católica, já que estudou mais em escolas católicas do que judaicas.
Boutros Boutros Ghali, ex-ministro das Relações Exteriores do Egito, ex-secretário geral da ONU
dica do André Fucs




