Anthony Flew, o ateu convertido

Religião · 6/11/2007 - 11h35 - 112 Comentários

Muito antes de Daniel Dennett ou Richard Dawkins ou Cristopher Hitchens, quem buscava um ateu com argumentos encontrava Anthony Flew. O filósofo inglês, hoje 84 anos, foi popular no circuito universitário dos anos 1970 – ’se Deus é invisível, intangível e incompreensível para mortais’, ele dizia, ‘então ninguém pode provar que ele existe.’

Mas foi-se o tempo.

Está saindo pela Harper Collins o livro There Is a God: How the World’s Most Notorious Atheist Changed His Mind – Há um Deus: como o mais notório ateu do mundo mudou de idéia. Assinado em co-autoria com o cristão militante Roy Varghese, Flew argumenta que o Gênesis pode muito bem ser uma representação do Big Bang e que, bem, tudo no mundo é indício de que uma inteligência superior pensou bem antes de fazer as coisas.

Mark Oppenheimer, um escritor habituado a tratar de religião, foi atrás de Flew para tentar compreender o que houve para uma transição tão abrupta. O resultado está na revista dominical do New York Times.

Descobriu, por exemplo, que de abrupta a mudança não teve nada. Flew jamais foi um ateu dogmático. Filho de pastor anglicano, teve sempre uma relação talvez mais indiferente do que visceral com a idéia de religião. Seu interesse maior foi sempre o desafio intelectual, os argumentos, o provar ou o desprovar. E jamais foi avesso a mudanças de idéias.

Mas descobriu, também, em duas longas conversas com o velho professor, que ele não se recorda dos filósofos que cita em seu novo livro. Que não sabe, ou mesmo não se interessa muito, pelo que está lá. O livro, parece, é muito mais obra de Varguese do que do velho professor octagenário. Um senhor mudo que demonstra uma profunda confusão a respeito de nomes em seu passado. O professor que Oppenheimer encontrou anda mais obcecado com limitar a migração de muçulmanos na Europa – sempre tendeu ao conservadorismo político – do que com a existência ou não de Deus.

Ainda assim, argumenta, o seu é um Deus aristotélico. É um Deus indiferente, absolutamente descolado das preocupações mundanas. Se reconhece que o Gênesis talvez seja uma representação do Big Bang, o resto do Velho Testamento continha lhe parecendo mitologia.

Um velho senil usado por militantes religiosos ou um ateu militante sinceramente convertido? O debate nos ciclos interessados está apenas começando.

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