Barack Obama é o melhor candidato?

Cristianismo · EUA · Iraque · Islã · Terror · 5/11/2007 - 11h02 - 69 Comentários

Andrew Sullivan é um dos mais interessantes comentaristas políticos norte-americanos. É conservador, entenda-se. Esteve ao lado da política Bush na guerra contra o Iraque. Mas, nascido na Inglaterra, residente em Nova York, é cosmopolita. E é gay. Soropositivo, diga-se. Militante.

É de Sullivan um ensaio sobre a candidatura Barack Obama à presidência dos EUA, que sairá na edição de dezembro da Atlantic Monthly. (Nos EUA, já está nas bancas.) É um ensaio ousado, incrivelmente pró-Obama.

Na visão de Sullivan – e de meio mundo – os EUA estão rachados. Entre os arroubos do ultra-conservadorismo caricato das Ann Coulter e Bill O’Reillys da vida e os exageros e forçadas de barra dos Michael Moores, à esquerda, o cenário é de um país no qual metade cai para um lado e a outra metade, para o outro, numa divisão tão radical que qualquer conciliação é impossível. E, isto, Sullivan não acha que é verdade.

A guerra civil que racha os EUA desde o Vietnã é uma guerra a respeito de ‘cultura, religião e raça’. Para Sullivan, Obama é o único candidato capaz de oferecer uma trégua.

Porque embora o racha seja nítido na retórica da maioria dos candidatos, ele não é um racha real. Não importa quem for eleito em 2008, este será um presidente que manterá soldados no Iraque por um bom tempo. (É simplesmente impossível tirá-los todos de lá sem por em risco de guerra civil todo o Oriente Médio.) Uma das questões domésticas que mais mexem, a do seguro de saúde universal, também não é tão divisiva. Apesar dos debates inflamados, mesmo os republicanos mais empedernidos concordam que é preciso expandir a cobertura da saúde pública que existe hoje. Até nos estados mais conservadores as pesquisas indicam que a maioria apóia o aborto no primeiro trimestre da gravidez.

Os EUA não estão profundamente rachados, sugere Andrew Sullivan. Mas grupos de interesse radicais, de um lado e do outro do espectro político, todos muito bem financiados, fazem parecer que sim. A imprensa – e a blogosfera, posto que também é mídia – são parcialmente culpados por fazer parecer que há um racha. Ao dar voz aos extremos do espectro ideológico, mas quase nunca às vozes moderadas, apresentam uma caricatura que assusta mas não corresponde à realidade. O governo Bush, ao apostar pesadamente em um dos flancos isolando o outro, acirrou ainda mais a tensão.

Assim, segue a tese de Andrew Sullivan, Barack Obama é o melhor nome. É ele o democrata favorito dos eleitores republicanos. É jovem: já não representa mais o racha dos anos 1960.

O que Obama oferece? Antes de tudo, seu rosto. É a mais eficiente transformação da imagem dos EUA desde a promovida por Ronald Reagan. Esta mudança de imagem não é trivial – é essencial para uma estratégia de guerra. A guerra contra o terrorismo islâmico, afinal, tem duas vertentes: uma de poder militar, a outra de poder diplomático. Vimos o potencial militar na derrubada do Talibã e de Saddam Hussein. E vimos seu fracasso na lida com o Iraque, nas suas evidentes limitações para enfrentar uma longa guerra contra o Islã radical. O próximo presidente terá de criar um mix sofisticado de poder militar e diplomático para isolar o inimigo, uma matriz ideológica capaz de sustentar a vantagem do Ocidente a longo prazo. Não há candidato melhor do que Obama para isto. Por causa de seu rosto.

Imagine este cenário: estamos em novembro de 2008. Um jovem paquistanês muçulmano assiste televisão e vê que este homem – Barack Hussein Obama – é a nova face dos EUA. Em uma única imagem, o poder diplomático norte-americano foi catapultado numa escalada logarítmica. Um homem moreno cujo pai era africano, que foi criado entre a Indonésia e o Havaí, que freqüentou uma escola na qual muitos eram muçulmanos, este é o novo rosto do inimigo. Quem procura o melhor instrumento para combater a demonização dos EUA, o rosto de Barack Obama é ele. Prova que os radicais muçulmanos estão completamente errados a respeito da América.

Mas seu argumento vai além. Como Barack Obama é o único dos candidatos viáveis que esteve sempre contra a Guerra no Iraque, é ele que terá mais autoridade, inclusive, para enviar mais soldados se isto for necessário estrategicamente.

E, assim, um dos principais comentaristas conservadores dos EUA acaba de anunciar que apóia um democrata à presidência.

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