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A CNN e os ecologistas do Brasil

October 31st, 2007 · · 45 Comentários

Sérgio Dávila analisa a série Planet in Peril da CNN. Trecho:

Mas é a passagem pela Amazônia brasileira a que mais chocou esse telespectador. Não pelas conclusões que tiram os jornalistas, todas corretas –a floresta é destruida num ritmo alarmante, todos sabemos. É a afirmação de Cooper de que a causa ambiental estava abandonada no Brasil “até 2005, quando uma americana entrou em cena”. Então, ele fala da vida da ativista Dorothy Stang e de seu assassinato. Segundo “Planet in Peril”, antes dela, o Brasil não tinha essa preocupação…

O post está em seu blog, na data do dia 25 último.

Tags: Brasil · Energia e Aquecimento global · Mídia

45 Comentários até agora ↓




  • 1 Mr X // 31/October/2007 às 17:25

    A CNN jogou essa pra platéia…

    No mais, um ótimo artigo aqui no La Nacion:

    http://www.lanacion.com.ar/opinion/nota.asp?nota_id=957937

    Cadê o Open Thread?

  • 2 Te // 31/October/2007 às 17:31

    Ué, e o Chico Mendes não conta, só pra ficar nele? Ou só levam a missionária em consideração por que era americana?

  • 3 Chesterton Dracul // 31/October/2007 às 17:40

    bem feito….

  • 4 Ricardo Cabral // 31/October/2007 às 17:44

    Ou só levam a missionária em consideração por que era americana?” (Te)

    Não precisa dizer mais nada…

  • 5 Homero // 31/October/2007 às 17:54

    Quando a saudosa Dorothy Stang chegou no Brasil, ela disse o seguinte a respeito do Ambientalismo:

    “Nunca antes na história desse país, alguém defendeu a causa ambiental como eu”.

    O jornalismo da CNN só reproduziu o discurso que se ouve por essas plagas.

  • 6 josef mario // 31/October/2007 às 18:03

    Companheiros de esquerda, maoístas e bolivarianos
    Eu, josef mario, devo dizer que este negócio de ter preocupação ou não é totalmente irrelevante. A única consequência das preocupações são as gastrites ou as úlceras. O que importa é saber se estão sendo tomadas medidas efetivas para conter a devastação da amazônia. E a resposta, todos sabemos: é óbvio que não. Se o estado não tem capacidade, nem ao menos, de impedir a expansão das favelas nos grandes centros urbanos, o que dizer, então, do mundão da amazônia? Portanto, companheiros, vamos acabar com esta demagogia barata de soberania nacional, de que a amazônia é nossa e o caralho a 4. A amazônia deve ser vendida, enquanto não se transformar em um grande deserto, para quem possa pagar o preço justo e tenha condição de preservá-la. O resto é conversa de ambientalista viado ou de aproveitadores safados, sempre dispostos a criarem mais uma destas ONG´s de vigaristas e maconheiros pederastas para ganhar dinheiro fácil, com o propósito de cuidar de plantinhas e bixinhos.
    Muito obrigado.

  • 7 proftel // 31/October/2007 às 18:15

    O que? 2005?
    Esse bosta que volte d’onde veio pô.
    E se voltar, que seja com grana prá comprar a fazenda amazônica.

    Já deviam ter vendido aquele troço, como disse o Compadre Brancaleone “e que levem os índios de brinde”.

    rsrsrsrs KKKKKK

    :-)

  • 8 Eu // 31/October/2007 às 18:29

    Vender a Amazonia.
    Idéia genial!
    Antes, perguntem aos russos se arrependem-se da venda do Alasca.

  • 9 Marcos Araújo // 31/October/2007 às 19:14

    Hmmm, acho que o Joe Mario está certo. É bom vender logo porque dentro de 50 anos aquilo alí já estará completamente devastado pelos muito competentes e sérios brasucas, gente exemplar, educada e consciente, que s­ó pensa no bem-estar geral da naçao.

    Além disso, nossa produtividade é exemplar - 72° na lista de 130 países que saiu hoje, atrás de El Salvador - que orgulho! Como me ufano! Esmurro o peito como um gorila bem patrioteiro! Viva a Copa, viva o Brasil!

  • 10 Zé Bush // 31/October/2007 às 19:26

    well….a quem interessa a “preservação” da amazonia? Será que tem gente que acredita que milhões de quilometros quadrados podem ser mantidos intocáveis e virar “reserva nacional” com uma dúzia de índios vagabundos por soberanos?

    Essas pessoas (ou grupos) desejam uma floresta intocável e imaculada para que? Para quem?

  • 11 Pedro Doria // 31/October/2007 às 19:30

    Hmmm… esse negócio de vender pros EUA faz com que todos os nativos da Amazônia passem a ter passaporte dos EUA? Minha mãe é manauara… pode ser negócio.

  • 12 Pedro Doria // 31/October/2007 às 19:32

    Zé Bush, digamos assim… muita floresta provoca muita precipitação. Muita precipitação faz muita nuvem. Nuvem desce, faz muita chuva. Muita chuva alimenta planta e faz rio se mexer.

    Num país que vive de exportar coisa plantada e é movido a energia produzida com rio que mexe, acho que é uma boa idéia seguir tendo muita floresta. Quando não tiver, fica sem chuva, sem soja, sem cana, sem rio.

  • 13 RW in Miami // 31/October/2007 às 19:33

    Concordo com o Mr. X - ando vendo a serie por aqui (entre uma mamadeira e outra - santo TIVO !) e o Anderson Cooper adora fazer o estilo dramalhao, jogando pra plateia. E quando se leva em conta que o assunto do momento aqui nos EUA e’ a preocupacao com o meio-ambiente (na sua maioria da boca pra fora), fica ainda mais dificil levar esta serie 100% a serio… (perdao pelo trocadilho)

  • 14 joao gomes // 31/October/2007 às 19:44

    Claro que Madre Doroty de Anapu é do lado de lá e virará santa logo,logo. Entao incensar ela e ampliar sua imagem é fácil. Aqui no Brasil nunca teve ambientalismo? Francamente esse repórter precisa estudar mais. Nao conheçe o Brasil ou não conhece o ambientalismo.

  • 15 Pax // 31/October/2007 às 19:48

    Caralho, brinca não, o papo é sério. Por dia vão-se milhares de quilômetros quadrados pra baixo.

    Cara, se você já viveu no mato, saca só, onde há encontro de dois morros, há um veio d´água. Se você corta as árvores, aquilo seca. Se você seca um monte de veios desses, seca a porra toda. Acreditem, é verdade, não é papo de ambientalista atrás de um computador não.

    Essa merda vai dar merda. Vender a Amazônia? Que isso? Papo entreguista do caralho. O negócio é colocar a milicada que passa o dia inteiro no quartel passando cal nos meio fios, sem nada pra fazer, no mato. Manda bala na cabeça de filho da puta que tá lá pagando 20tão por árvore centenária pro índio alcoólatra. Os milicos adorariam ter algum objetivo objetivo pra se ocupar.

    A Amazônia é nossa, é uma das nossas maiores riquezas, daquilo viverão boa parte de nossos netos e bisnetos. Papo brado de entregar pros gringos. Papo de vacilão babaca.

  • 16 Pobrema // 31/October/2007 às 19:59

    A causa ambiental no Brasil é uma causa perdida porque brasileiro é predador e só sabe ganhar dinheiro destruindo o meio ambiente. Não tem a menor preocupação com a exploração racional da floresta nem sabe sequer o que é isso ou como se escreve. Já acabou com a peroba rosa, mogno e segue impávido colosso rumo à extinção das outras madeiras.

    Amazonia? Privatização já, antes que acabe.

  • 17 Pobrema // 31/October/2007 às 20:15

    Brasileiro é tão ignorante, tão primitivo que refere-se à mata como ‘mato’, uma palavra pejorativa. Isto posto, arma-se de facão, foice, enxada e vai ‘limpar’ a área, como se ali houvesse sujeira. Monteiro Lobato, talvez o nosso 2º ecologista, ficou desgostoso ao constatar a ignorância do povão em relação à natureza, já naquela época, primeira metade do séc. 19. Imagina hoje

  • 18 Pobrema // 31/October/2007 às 21:26

    Brasileiro é tão estúpido que joga todo seu lixo nos rios, como se fossem lixeiras naturais. Captura animais silvestres para vendê-los em feiras, quando não morrem na sufocante viagem do nordeste pro sudeste. Quando não tem o que fazer, taca fogo em qualquer coisa que encontra. Varre a calçada utilizado o jato de mangueira d’água, a preciosa água tratada e fluoretada, quando uma vassoura faria o mesmo serviço.

    A solução para isso? como diria o Cristóvam Buarque: educação, educação e educação. Em seguida, cadeia. Porém se nada disso resolver, pena de morte mesmo.

  • 19 abstrato // 31/October/2007 às 22:16

    CNN pede pra sair…

    bola fora….

  • 20 abstrato // 31/October/2007 às 22:19

    acho que o coment do Pax foi o mais recheado de palavroes que eu ja li na historiadesseblogi…

  • 21 Éd Lascar // 31/October/2007 às 22:39

    Não vai acontecer, é claro, mas seria uma boa a internaciolização da Amazônia, pagando-se bem, anualmente ao governo brasileiro. O mundo rico faria uma super-vaquinha e teríamos a renda per capita de OMÃ, ou outro paraíso petrolífero…..PARA SEMPRE!!!

    Gostei da idéia, no entanto.

    Abs.

  • 22 Rodrigo // 31/October/2007 às 22:40

    Monteiro Lobato não era tão antigo.

  • 23 Éd Lascar // 31/October/2007 às 22:41

    Ah, sim….do Anderson Cooper, não vou falar NADA!!!

    Mais um bunitinho que se acha. Embora eu tambem ache igual!
    :o)

  • 24 proftel // 31/October/2007 às 22:42

    Pedro Doria & Zé Bush:

    Agora o papo é sério.
    Seguinte, 80% (oitenta por cento) da precipitação (chuva) que ocorre na Região Centro Oeste é proveniente da evapotranspiração das árvores da Amazônia.
    Sem a floresta o centro do Brasil e boa parte da Região Sudeste vão prô saco, começa a desertificar.
    Aliás, períodos maiores de sêca como esse ano (tá uma baita merda por aqui) serão mais freqüentes.
    Os 20% de precipitação restantes vêm com as frentes-frias da Antártida.
    Quando me aparece alguém falando “o Cerrado precisa ser preservado” e isso e aquilo, viro na lata prô cara “-Olha, muda o discurso, procura preservar a Amazônia primeiro, sem ela não tem Cerrado porra nenhuma, vai virar sertão.
    Aí fudeu tudo.

    :-/

  • 25 proftel // 31/October/2007 às 22:46

    Pax:

    Olha cara, não é de hoje que só falam, falam, falam e, nada de protegerem a Amazônia.
    Tenho vergonha da minha geração e da anterior, muita pena da futura(”s” se houverem).

    1/4 da minha vida já dediquei a isso, creio que fiz algo, não muito mas fiz e, sim, concordo, tem que ser na bala mesmo, não vai ter jeito, o Compadre Brancaleone contou por aqui como é que a coisa funciona por lá, você deve lembrar.

    :-/

  • 26 Marcos Araujo // 1/November/2007 às 0:10

    Oi Pobrema: Que verve, que precisao! Gostei, seu moço. Parabéns. Bem dito e redito. Bao dimais.

    Se vocês vissem a quantidade de caminhoes saindo quotidianamente do cerrado carregados de carvao sai’do das carvoeiras da regiao ficariam aterrados com a destruiçao que se passa ali’. Coisa de brasilerim bem educadim e preocupadim com o meio ambiente.

    Desde menino que vejo isto, e so’ aumenta. É o preço do prugresso. Politica de terra arrasada. Ei Marina Silva, ô Marina! Por onde anda a Marina Silva? Ô ôôôôôô

    Dêem uma girada pelo Congresso brasileiro e verao quem é que arrasa a Amazônia. Nossos senadores e deputados da regiao associados e recebendo propina de madeireiras brasileiras, mala’sias e de outras nacionalidades, nas barbas do Ibama, o qual, se vosmecê nao manera’, te mete numa prisao por possessao de um simples papagaio, um mico ou um canarinho. Ô raça!

    Pax: O que é mesmo que você tem contra os indios? Algum racismo latente?

  • 27 Pax // 1/November/2007 às 0:34

    Marcos Araújo, arrumaste uma briga errada. Nada contra os índios. Aliás, pelo contrário, são uma fonte de sabedoria em muitas coisas. As tribos escrotamente civilizadas, alcoolizadas, prostituídas, escudadas por leis que impedem imputação de crimes comuns (desculpe-me, sou leigo em Direito), não considero de índios, mas de criminosos que foram forjados pela população branca mafiosa. São esses que vendem a tora pro carinha da moto serra que coloca no caminhão. Outros coitados. Quem ganha com isso são os tubarões, não os lambaris. E esses tais índios são os lambaris desmilinguidos dessa história.

    E vou um pouco mais longe, pra falar de índios teria imenso prazer em trazer pra cá uns 3 antropólogos bem interessantes.

  • 28 confetti // 1/November/2007 às 7:42

    acabar com a amazonia, exterminar os indios…putz :-((

  • 29 confetti // 1/November/2007 às 7:44

    http://www.terra.com.br/istoe/1948/ciencia/1948_bom_futuro_amazonia.htm

  • 30 Éd Lascar // 1/November/2007 às 11:06

    Não estão dando a devida importância à Amazônia. Digo, o governo brasileiro, as usual.

    Voltando ao Anderson Cooper, que é uma graça em todos os sentidos: Ele é filho de escritor e da mega-hiper-super socialite Gloria Vanderbilt e teve uma vida como poucos. Modelo desde bebê e tragédias pessoais e , acima de tudo isto uma outra tragédia. É gay!

  • 31 Éd Lascar // 1/November/2007 às 11:11

    Mas, este fato não o preocupa muito.
    Claaaaaro, bunito do jeito que é, não precisa!

    :o)

  • 32 Esprit de porc // 1/November/2007 às 11:46

    Os americanos… Sempre salvando o mundo! (Que babaquice)

  • 33 anrafel // 1/November/2007 às 13:35

    Chico Mendes virou celebridade mundial e “sofreu” matéria da CNN; agora, Dorothy Stang. Conclusão: além de ser chegada à uma efeméride fúnebre, para a CNN, na Amazônia, ambientalista bom é ambientalista morto.

    E mais um golpe dos madeireiros: com a ajuda de altos funcionários do Incra, providenciam assentamentos para cúmplices ou desavisados em terras no meio da floresta e colocam as moto-serras para funcionar. Tem até prefeita e secretário municipal de saúde envolvidos.

  • 34 joao gomes // 1/November/2007 às 16:01

    Estou radicado na amazonia ocidental de 1993. Durante este tempo aqui digo que:

    1) governo militar foi quem deu o potapé inicial para boa parte dos males que hoje faz parte das populaçoes locais (197o marca as grandes movimentacoes dos populacoes rumo a nova fronteira do oeste);

    2) A transicao da ditadura para democradura gerou: a) políticos caudilhos de ontem (alinhados com aquela “filosofia de estado”) rapidamente se transmutaram em democratas e republicanos; b) e em consequencia da questao anterior se eternizaram e se eternizam no poder;

    3) As políticas de descentralizacao por aqui são mecanismos de privilegiar as classes dominantes de desde os anos setenta. (a emancipacao de estado, cidades e vilas só leva a nova partilha do poder. Mas no fundo é mais do mesmo.)

    4) Se se quer preservar isso aqui, precisa de voltar a ser um território (área de Reserva) com políticas públicas reais e especiais; com controle de entrada e saida de gente; com infra-estrutura de equipes especiais de técnicos e especialistas (estratégia-logística-finalística); aliados a alta tecnologia de comunicacao e informacao integrada com os organismos centrais do Estado.

  • 35 Marcos Araújo // 1/November/2007 às 19:30

    Ô Joao Gomes. Gostei de sua análise. Sobre a sugestao em 4), afirmo, sem medo de errar, que isto nunca acontecerá.

  • 36 joao gomes // 1/November/2007 às 19:51

    Pois é Marcos Araújo,

    de vez em quando a gente filosofa tambem em Tupi… :-))

  • 37 Pobrema // 1/November/2007 às 23:30

    Na minha visão, a ministra Marina já jogou a toalha, Marcos Araújo. Significa dizer que o governo é impotente diante do mar de problemas. Isso quer dizer uma coisa: a amazônia é uma causa perdida e o governo não sabe o que fazer com ela.

  • 38 Elias // 2/November/2007 às 14:51

    O governo sabe muito bem o que fazer com a Amazônia.

    Tanto que está fazendo: retirando, mensalmente, toneladas de minério de ferro, bauxita, cobre…

    Para quem queira avaliar o que isso significa, basta dizer que o subproduto do ferro e, principalmente, do cobre é… o ouro.

    Para cada dezena de milhar de tonelada de cobre, saem algumas centenas de quilos de ouro. Só esse subproduto já paga o investimento. O resto é lucro.

    Pensar que os caras estão fazendo isso inconscientemente é estultice.

    “Vender a Amazônia”? Bobagem!

    Os carinhas já estão tirando daqui o que querem, sem a necessidade de comprar nada.

  • 39 Elias // 2/November/2007 às 14:56

    Outro papo furado é acreditar que educação resolve qualquer problema.

    Ora crianças: no Brasil, o que mais se vê são pessoas muitíssimo bem educadas cometendo toda sorte de crimes, aí incluídos os crimes ambientais.

    Por outro lado, existem milhões de pessoas sem nenhuma educação que jamais cometeram crimes. Muito menos, crimes ambientais.

    O buraco é noutro ponto.

  • 40 Marcos Araújo // 2/November/2007 às 15:21

    Elias: Creio que, quando se fala em educaçao no Brasil, nao somente falamos de alfabetizaçao, mas também em escolas, colégios e universidades de ótima qualidade, institutos de educaçao técnica (como na Alemanha e alguns outros países, que proporcionem educaçao técnica de alta qualidade), pesquisa, desenvolvimento de know-how nativo, etc. Isto é, o tipo de educaçao que o cidadao necessita para melhorar seu nível de vida e ajudar a alavancar o país rumo ao desenvolvimento.

    Do ponto de vista ético e moral, o uso criminoso que o cidadao possa fazer com sua boa educaçao sao outros quinhentos.

    De fato, nao se pode declarar que a educaçao per ser resolveria TODOS os problemas , mas podemos dizer que ajudaria a resolver MUITOS dos problemas do país.

  • 41 Elias // 3/November/2007 às 10:33

    Sim, Marcos, é isso mesmo.

    Só que nada dissso garante o respeito ao meio ambiente.

    Onde esse respeito mais ou menos existe, ele se estabeleceu por meio de um processo mais ou menos assim:

    1 - A população começou a eleger políticos pouquinha coisa menos corruptos que de costume.

    2 - Esses políticos pouquinha coisa menos corruptos começaram a fazer cumprir as leis de proteção ambiental (na maior parte dos países — mesmo aqui, na casa da mãe joana — essas leis existem; só não são cumpridas).

    3 - Com o Estado empenhado em fazer cumprir as leis de proteção ambiental, o respeito ao meio ambiente foi, aos poucos, se estabelecendo.

    Há, assim, um “período repressivo”, durante o qual um monte de gente é punida pelo descumprimento das leis ambientais.

    Nisso consiste a “reeducação” da população. No início, as pessoas passam a respeitar o meio ambiente com medo da punição. Com o passar do tempo, esse respeito se incorpora ao comportamento das pessoas.

    Para proporcionar maior eficiência ao “período repressivo”, o melhor é punir peixes graúdos. Desses que garantem manchetes nos jornais, editoriais irados chamando o governo de ditadura, por aí…

    Na verdade, mesmo baixando a porrada no governo, os jornalistas e barões da mídia corruptos o estarão ajudando. Isso servirá pra mostrar que o governo não está brincando em serviço. Que a coisa é pra valer. Assim, quanto mais se falar no assunto, mesmo que seja pra reclamar, melhor.

    Em geral, durante a reeducação é necessário mexer no judiciário. Por motivos ideológicos ou corruptacionais, o judiciário pode colocar a perder todo o esforço do governo, absolvendo as ratazanas. Aí tem que desratizar os tribunais.

    Se você fizer um estudo sincero sobre a coisa, verá que foi assim que aconteceu. O que variou foi o grau de sutileza.

    Aqui, ainda nem começamos a pensar seriamente no ponto 1, né?

  • 42 Pobrema // 3/November/2007 às 12:20

    A educação não é uma panacéia mas ajuda bastante. Só ela pode acender uma vela na escuridão de ignorância do sujeito que, não tendo nem onde cair morto age instintivamente como um animal, depredando o meio ambiente em nome da sobrevivência. Só ela pode ensinar ao casal que com planejamento familiar pode-se reduzir a pobreza e vislumbrar um futuro com mais oportunidades para todos, inclusive para eles. Só ela concede emancipação aos adultos, libertando-os da eterna dependência do governo que os transforma - via assistencialismo - em gado marcado, voto de cabresto, massa de manobra eleitoral.

    Entrtanto, na hora que todos começarem a pensar, a fazer um mínimo questionamento sobre a vida e a caminhar com suas próprias pernas, aprenderão a votar. Para a política, isto seria o suicídio.

  • 43 Pobrema // 3/November/2007 às 12:51

    Rodrigo

    Atrazadão mesmo, obrigado pela correção no comentário 22. Monteiro Lobato viveu na primeira metade do século 20 e não 19.

  • 44 Elias // 3/November/2007 às 14:56

    Pobrema,

    Dia desses li uma “Veja” na espera do barbeiro. Era de uns 2 ou 3 meses atrás (não compro a porra dessa revista de jeito nenhum…).

    Lá estava uma estatística segundo a qual 10% dos assentamentos praticam o corte ilegal de madeira.

    Bem a “Veja” publicou as estatísticas como suporte a uma matéria na qual, aos costumes, baixava a porrada nos assentamentos.

    Mas, o que ficou implícito nisso que ela publicou? É que 90% dos assentamentos — ou seja, a esmagadora maioria — NÃO pratica o corte ilegal de madeira.

    É o que está na cara, pra maioria das pessoas que vive na Amazônia.

    A maior parte dos danos ambientais impostos à região, não é provocada por indivíduos inconscientes, pobres e ignorantes.

    Nada disso. A maior parte dos danos ambientais impostos à Amazônia é provocada por mega-projetos de mineração, de produção de ferro gusa, de monoculturas, etc.

    É gente com muita grana, que tem a seu serviço técnicos da mais refinada formação. Não são ignorantes. Sabem muito bem o que estão fazendo.

    Pouco se fala dessas pessoas porque delas só se fala quando, onde e o quê elas querem. Não lhes faltam meios para influir no que se publica no país, nos governos, nos parlamentos, nos tribunais, etc.

    Duvida? Então tenta publicar na imprensa algo sobre os mega-danos ambientais provocados pela CVRD…

    Há poucos meses atrás, houve um mega-vazamento em um mega-tanque de rejeito de bauxita na mega-instalação da CVRD em Barcarena - Pará.

    Rios inteiros, com mais de 1Km de largura, foram contaminados. Mega-poluição pra ninguém botar defeito…

    A “grande imprensa” brasileira noticiou?

    Ficar falando nos danos ambientais provocados pela ignorância do caboclo que queima pra plantar roça é o mesmo que se engasgar com mosquito, enquanto se engole bois inteiros. Sem mastigar.

  • 45 Pobrema // 4/November/2007 às 11:28

    Meu caro Elias, precisamos ajustar os ponteiros.

    A dinâmica de um blog faz com que um determinado assunto evolua naturalmente, afastando-se por vezes do tópico inicial. Quando falo no homem ignorante, desvalido, preocupado apenas com a própria sobrevivência, não estou referindo-me ao caboclo amazônico. Desde Chico Mendes sabemos que são esses homens os verdadeiros interessados na preservação da floresta, uma vez que é dela que tiram seu pão de cada dia. Tenho que salientar porém que sua observação sobre agressões à natureza causadas pelos mega-empreendimentos é certeira. Acrescentaria apenas que isso vem desde os governos militares com o projeto Calha Norte, Transamazõnica e Serra Pelada.

    Preocupa-me esse desmatamento insano ocorrido na Mata Atlântica nesses últimos 40 anos para construção de favelas e barracos em torno das grandes metrópoles. A reserva da biosfera, o frágil cinturão de mata nativa que circunda e protege as grandes regiões metropolitanas vem diminuindo a um ritmo assustador. A ameaça de escassez de água - via desmatamentos - é permanente. É nessa questão que venho focando meus comentários, enquanto os movimentos ambientalistas preocupam-se - legitimamente, lógico - com as queimadas na amazônia esquecendo que temos hoje um problema ambiental urbano tão preocupante quanto aquele. Ocorre que as correntes migratórias internas rumo aos grandes centros é vista com olho gordo pela classe política, dado o enorme manancial de votos que representam. Ou seja, a conta desse passivo ambiental ficará para as futuras gerações pagarem.

    Um abraço e um convite de retorno quando a questão for novamente abordada.

    Por hora, acho que devemos agradecer ao PD pela abordagem do tema, embora fosse desejável que o fizesse mais frequentemente. Talvez o assunto não desperte tanto interesse dos leitores o que só demonstra a indiferença dos brasileiros com a causa ambientalista.

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