Uma entrevista aos sábados
Consigo envolver o público porque, pessoalmente, estou envolvido com a música. Não faço isso deliberadamente. Acontece. Se a música é um lamento pela perda de um amor, sinto esta dor nas tripas, sinto a perda e choro a solidão. Não sei o que outros cantores sentem quando articulam as letras, mas eu sou um maníaco-depressivo que passou a vida encarando contradições emocionais violentas. Tenho uma capacidade extrema para ir da tristeza à felicidade. Sei o que o sujeito que escreveu a música quis dizer. Já vivi aquilo tudo e saí do buraco. O público sente isso.
Acredito em mim e acredito em você. Sou como Albert Schweitzer e Bertrand Russel e Albert Einstein no sentido de que respeito a vida em qualquer de suas formas. Acredito na natureza, nos pássaros, no oceano, no céu e em tudo que posso enxergar ou que possa ser provado. Se é isto que você quer dizer com Deus, então acredito em Deus. Não é que não ligue para a necessidade dos homens por alguma fé. Acho que qualquer coisa vale para enfrentarmos a noite, não importa se é rezar, se são tranqüilizantes ou uma garrafa de Jack Daniel’s.
Tem coisas que não gosto na religião organizada. Reverenciam Cristo como um príncipe da paz mas jorrou-se mais sangue em seu nome do que no de qualquer outro na história. Você me aponte um passo adiante dado pela religião e eu mostrarei uma centena de retrocessos. Foram homens de Deus que destruíram Alexandria, que cometeram a Santa Inquisição espanhola, que queimaram as bruxas em Salem. Mais de 25.000 religiões organizadas florescem no planeta mas os seguidores de cada uma delas acreditam que todos os outros estão errados e, se bobear, que representam o mal. Na Índia, reverenciam vacas brancas macacos e uma represa no Ganges. Os muçulmanos aceitam a escravidão e se preparam para Alá, que lhes promete vinho e mulheres virgens. Feiticeiros ainda existem na África ou mesmo nos pequenos anúncios dos jornais dominicais em Los Angeles. Lembra daquela turba raivosa que queria linchar aquela menininha negra de 12 anos que queria matricular-se na escola pública, em Little Rock? Aquela turba toda era composta por cristãos devotos que vão à igreja. Detesto esta gente que finge bondade mas são pequenos ditadores em suas pequenas esferas de influência.
Frank Sinatra, 1962
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salut pd !
vc ta viajando sinatra p causa da morte de joey bishop ?
ah ta…..caiu a ficha ! kkk
Pô!!
Taí!! Não sabia que o Franck era ateu como euzinho!!! Gostei. Vou ouvir My Way com mais gosto ainda!!!
Ele só errou mesmo ao afirmar que cada religião se acha a única certa. Na verdade religião é apenas e tão sómente exploração da fé pública.
Líderes religiosos, seja o Papa, Aiatolás ou Mãe Jona de Nohococó querem mesmo é grana. Os poucos que acreditam na religião que pregam são casos sérios de distúrbios mentais ou ignorância mesmo…
Pois é, Sinatra detestava “essa gente”, gostava mesmo era de gente como Lucky Luciano.
Sinatra era um cara prático e racional na busca de seus objetivos….sua visão de mundo descartava coisas como , racismo, dogmas e medo da coisa moderna…tinha muito dentro de si do melhor pensamento da “America”….mas era vaidoso e queria chegar ao apice…..que o diga Nat Cole! até o maestro do outro ele cobiçou!”
Uma alma em evolução e imperfeita….e inesquecivelmente fazendo até hoje “o bem” para meus ouvidos……
Ele não disse que era ateu…..bem, eu não li isso…..
Tenho a coleção inteira “The Complete Reprise Studio Recordings”, 20 cd’s repletos, com algumas preciosiades.
Perfeito como crooner, e também não muito distante do que penso sobre religião organizada.
Realmente incrível esse Frank Sinatra.
Um filósofo de boa linhagem.
Esse é o tipo de norte-americano que eu admirio.
well…já li em algum lugar que os verdadeiros artistas são imunes a religião. Podem até possuir algum traço de inspiração e noção do eterno, mas essa doença não pega neles.
Mafioso, mas cara simpático, deve fazer o tipo do de Lascar. Difícil era ver suas “obras-primas” na pintura.
Acho que isso de implicar com a religião dos outros é mais com as monoteistas. No geral acho as politeistas mais tolerantes. Sempre rola alguma concorrência, mas não a vontade total de destruir qualquer outra só por ser diferente típica do monoteismo.
bem, ele começou bem em diferenciar Deus das igrejas dos homens.
Nas novelas brasileiras eu já ouvi frases que considero muito profundas.
“A felicidade é muito mais uma questão de caráter do que de condição social ou pessoal.”
“O povo não deve saber como são feitas as leis… e as salsichas.”
É claro que o Frank Sinatra tinha muitos defeitos, mas esse texto que o Pedro Doria postou está simplesmente perfeito.
I’ve got you.. Under my skin…
Estranho, não achei que fosse o Old Blue Eyes ao ler a entrevista.
Sef made man!
Usou a máfia quando esta lhe serviu de “lançador”…acitou o jogo….jogou-o e foi maior que tudo ….
Cantava muinto. Boa surpresa essas palavras, PD. Pelo texto não era ateu, mas não era um idiota hipócrita tampouco.
Boa surpresa, imagina que como a maioria dos ítalo-americanos ele era um católico daqueles que beijam mão de padre.
Ele devia saber mesmo o que era dor de amor (ou de corno, como preferirem). A Ava Gardner fez gato e sapato dele.
Quanto ao envolvimento com a Máfia, penso que não foi questão de gosto, foi questão de sobrevivência. Mas isso já é outro assunto.
Gosto ainda mais do Sinatra.
Autentico e original, viveu como quis.
Coisa pra poucos.
http://i7.photobucket.com/albums/y270/rafaeluz2/calvinharodotira169.gif
Quem escreveu dois longos ensaios sobre ele foi o Ruy Castro, em “Saudades do Século 20″. Fala sobre a comunidade italiana, sobre a primeira e corneadissima mulher, Nancy, a relação com a Ava Gardner e o empenho em favor do Partido Democrata.
Na campanha presidencial de Kennedy, ele e o Rat Pack fizeram montes de shows com renda revertida para os democratas. E aí, quando Kennedy assumiu e recebeu artistas que o haviam ajudado, não convidou Sinatra, deixando para vê-lo em particular, por conta das ligações com a máfia..
Um cara interessante, gostei do que tá aí em cima.
:-)
Sinatra nunca deixou amigos ou pessoas de que gostavam e privavam de sua confiança não mão. Sempre ajudava-os, sem fazer distinçoes de cor ou credo.
Quanto a usar a máfia, fez o que a maioria de artistas, sem excessões, inclusive brasileiros (cantores, cantoras, atores e atrizes de pouca e muita fama), fizeram e fazem com bastante hipocrisia. Ele não teve…
Sim, é verdade que se cometeu muito desatino em nome da religião e de Deus! Mas , foi ela, principalmente a Católica, que nos trouxe até aqui, com tradições mais antigas embutidas. Se temos uma civilização -imperfeita que seja- é por causa dela. Já foi dado um outro post falando disso aqui. É inegável.
E se for falar em ideologias, por exemplo, nefastas. É só pegar o comunismo que grassou e desgraçou o mundo por 60 anos! Centenas de milhões de mortos. Perto dos que fizeram no passado as religiões é pinto!
Gosto do estudo das religiões. Acho que elas tem algo de intrinsecamente bom. São as paixões e fanatismos que estragam tudo.
Gostei da segunda parte ,mesmo assim. A primeira é marketing pessoal. Não que ele não tenha sofrido coisa e tal, mas é conversa mole, galera!!!
Abs.
Stranger In The Night,
My Way,
The Girl Of Ipanema,
New York, New York,
Fly Me To The Moon,
Night And Day,
The Lady Is A Tramp.
This is Frank Sinatra!
“Detesto esta gente que finge bondade mas são pequenos ditadores em suas pequenas esferas de influência.”
aaaah quanta verdade… Eu também.
E a dicção, a clareza das palavras quando ele cantava. Uma beleza. Como destesto Garota de Ipanema, acho uma falta de respeito conosco aquela ode à q
“Detesto esta gente que finge bondade mas são pequenos ditadores em suas pequenas esferas de influência.”
aaaah quanta verdade… Eu também.
E a dicção, a clareza das palavras quando ele cantava. Uma beleza. Como destesto Garota de Ipanema, acho uma falta de respeito conosco aquela ode à futilidade. Não tem nada a ver. Enfim. Bom sábado. Desculpem, não sei o que digitei aqui e valeu por um enter no submit…
Gotta love Frankie.
As clássicas sempre o serão, mas a que tenho ouvido mais ultimamente:
- Young At Heart
- I Had The Craziest Dream - esta também na versão de Astrud Gilberto é sensacional. Um comercial de 95 da Garoto, em que meninos suspiram por mulheres adultas, e a teve como tema de fundo foi fantásticamentte lindo.
- Stardust (composição de Carmichael)
- Come Rain or Come Shine
A verdade é que na interpretação de “The Voice” tudo fica ouro. A música para intérpretes chega ao auge da perfeição e encontra a voz mais perfeita para sua excução.
Uma das mais belas musicas na voz de Sinatra é “Send in the Clowns”.
Delsio, sei que a primeira parte é marketing pessoal, mas ao ouvir “Send in the Clowns”, em uma versão que tenho aqui, vai concordar comigo que, então, ele é um fantástico marketeiro.
Se quiser te mando por e-mail.
errata: “… as que tenho escutado mais…”
E Bewitched? Acho belíssima. Curioso é que até agora, ninguém tenha feito a ligação entre este post e o da Deborah Kerr. Afinal, “A um passo da eternidade” foi o papel da vida do Frank Sinistro, como dizia uma amiga minha. Ele está magnífico, magnífico mesmo como o soldado Maggio, que acaba sendo brutalizado pelo sargentão violento do também ótimo Ernest Borgnine.
E além de tudo, rendeu aquela história do “Poderoso Chefão”, tanto livro, como filme, contando como a máfia pressionou o produtor do estúdio a contratar Sinatra. Lembram daquela cena terrível da cabeça do cavalo decepada na cama do produtor?
Mas nada disso empana seu talento como artista. E que artista! Perfeccionista, sempre escolheu entre os melhores compositores - música e letra , ajudando a fazer a carreira de vários. Um sujeito generoso.
Monsores, escrevi pra você, viu?
Alba,
Vi sim, fiquei bem feliz. Te respondi já. Pena eu não ter encontrado todos os filmes.
Monsores,
Putz, não recebi! Será que ficou na quarentena? :(
Fui ver agora e havia ficado sim. Dai cliquei lá na confirmação e já deve ter chegado ;)
Já resolvi. Tinha mesmo ficado na quarentena. :(
De toda forma, acho que você podia tentar alugar o próprio A um passo da eternidade, ou então, o primeiro Chefão, que conta a tal história. Além de que os Chefões, os três, fazem parte da lista de qualquer cinéfilo que se preze.
Aliás, nem sei porque ainda me classifico assim, já que moro numa provinciazinha e perco a maioria dos lançamentos no cinema. Buáááá´! Mas é o hábito e a pretensão.
Uma sugestão: já que o joelho tá dodói, se tiver alguém que te cuide, que tal alugar os 3 chefões e assistir com uma boa macarronada ou pelo menos, uma pizza? :))
Aqui em Joinville, só tem cinema GNC e um outro que parece à manivela. Não dá vontade de ir. Prefiro esperar chegar na locadora.
O problema são os clássicos, como esse que me indicou. Se eu não conseguir achar em algum beco da internet, vou comprar. É o jeito.
Gostei da sugestão de ver os três “o poderoso chefão”, um seguido do outro. Talvez faça isso amanhã.
Mas não, não tenho quem cuide. Moro só. O bom é que gosto de pizza fria no café da manhã.
Monsores,
:)) Eu fiz isso uma vez. Espaguete e vinho!
Maravilha o YOU Tube!!!!!!!!!! Viva a tecnologia!!!
Taí o comercial do Chocolates Garoto, com fundo musical “I Had The Craziest Dream” , Frank Sinatra.
O que todo moleque sonha quando começa a admirar melhor sua professora, sua vizinha adulta, descobre a playboy.
E ainda uma citação numa cena, a da escada ao filme “Summer of 42″, com a maravilhosa e estonteante Jennifer O’Neill e Gary Grimmes, filme dirigido por Richard Mulligan, música tema de Michel Legrand.
Jennifer O’Neill como curiosidade nasceu no Rio de Janeiro em 20/02/48
É MARAVILHOSA!!!!
http://www.youtube.com/watch?v=Ub58S_RntSo
E se for falar em ideologias, por exemplo, nefastas. É só pegar o comunismo que grassou e desgraçou o mundo por 60 anos! Centenas de milhões de mortos. Perto dos que fizeram no passado as religiões é pinto!
O que dizer do capitalismo que todos defendem por aqui e já matou muito mais e por uma existência bem maior, seja na forma violenta dos regimes totalitários do capitalismo, como foram as ditaduras do Terceiro Mundo e dos regimes fascistas europeus e asiáticos, seja na condenação à miséria de 1 bilhão e meio de habitantes da periferia do capitalismo.
Então de Lascar, por que vc. não chora esses mortos? Por que ninguém chora por essa gente? Bem-vindo à barbarie, simpático direitoba!
Capitalismo é uma ideologia também e matou mais e matará muito mais. Mas a barbárie capitalista é legal para vc., né? Nem tem nada com isso. Não tá passando fome, tem internet, salariozinho no final do mês. Então tá bom.
Direitoba: nome aos bois. O capitalismo não é ideologia. É um modo de produção.
Sinatra esteve excelente em O Expresso de Von Ray.
E foi cantor, ator e dançarino como poucos. Nota dez para o artista Frank.
Outro dom filme da voz:
“O Homem do Braço de Ouro”
Excelente lembrança Guido, e se não me engano ainda era no seu inicio de carreira como ator.
ô, inteligência de uísque. Socialismo é o que também?
Dizem que o Francis Albert Sinatra era um cara de um coração imenso, desprendido e generoso.
Se você estivesse com ele e dizesse: - Que gravata bonita! Gostei. Ele tirava a gravata na hora e dava pra você. - Que terno bonito! Ele mandava entregar um igual pra você. Que garota bonita! Aí ele mandava dois caras chamados Carmine e Nunzio pra conversarem com você.
O Frank tá certo, matar em nome de Deus??? Coisa de louco, nonsense.
> Socialismo é o que também?
Uma fraude, na qual hoje só os otários acreditam, e os espertos de sempre se dão bem prometendo-o a povos incautos.
“Você me aponte um passo adiante dado pela religião e eu mostrarei uma centena de retrocessos.” [2]
Quanto às músicas, um grande intérprete de My Funny Valentine (Richard Rodgers), Something (Beatles) e Night & Day (Cole Porter)
Ai, MRX , estou acordado até esta hora por causa do livro Tempos Modernos, de Paul Johnson,…todos deveriam ler.
” 48 Mr X // 21/Outubro/2007 às 1:46
> Socialismo é o que também?
Uma fraude, na qual hoje só os otários acreditam, e os espertos de sempre se dão bem prometendo-o a povos incautos. ”
me da uma raiva quando vc joga uma frase de efeito tipo essa ! e ainda por cima, quando ganha um presente diz ” obrigado, mas prefiro nina simone”…eu ia até lhe dar sua preferencia, mas resolvi que nao….u don’t deserve it….
Como o old blue eyes tinha uma linha de pensamento tão sensata e coerente! Para mim foi uma boa surpresa. Vou passar a admira-lo postumamente ainda mais.
Assim como foi uma surpresa saber que o Chesterton gosta de Calvin e Haroldo (pena que não aprendido nada com eles…)
salut esprit ! eu tbm curti os strips q chest mandou…:)
Mr xixizinho, sua resposta é bem adequada aos defensores do capitalismo. Como não costumo discutir com o pessoal de farda-pijama, fico por aqui.
Mr. X,
Faça um pequeno esforço em homenagem aos seus colegas de blog.
Quando o PD postar alguma coisa sobre socialismo você comenta sobre socialismo. O post é sobre Franck Sinatra.
Frank
Esprit de porc , me ensina.
PD,
As escaramuças entre os curdos e os turcos já começaram.
Cerca de trinta e cinco mortos.
Sim, Monsores, eu adoro o Frank também. É muito difícil gostar de música e não adorá-lo.
Send in the Clowns só tenho com a DIVINA Barbra Streisand! Ôuquêi, ouquêi, é um clichê qu biba gosta de Barbra! FINE!!! Pode me prender! Ahahha…..
Não, tenho uma música engraçadinha do Sinatra:
“The Coffe song” Tudo bem que é meio preconceituosa, mas fala de Santos e tudo! Eu acho hilária.
Abs.
Ora Chesterton, can’t teach an old dog new tricks.
“Lembra daquela turba raivosa que queria linchar aquela menininha negra de 12 anos que queria matricular-se na escola pública, em Little Rock? Aquela turba toda era composta por cristãos devotos que vão à igreja.”
Mas foram cristãos liderados pelo pastor batista Luther King, que lutaram contra aquela situação e fizeram diferença. Diante daqueles “cristãos” nominais, não se escandalizaram na fé, mas encontraram nela alento, força e inspiração para combater o bom combate.
De acordo com as nossas simpatias ou antipatias, podemos enxergar apenas uma face da moeda.
Abs.