Uma entrevista aos sábados

Cristianismo · Gente · História · Igreja Católica · Islã · Música · Religião · 20/10/2007 - 05h40 - 61 Comentários

Consigo envolver o público porque, pessoalmente, estou envolvido com a música. Não faço isso deliberadamente. Acontece. Se a música é um lamento pela perda de um amor, sinto esta dor nas tripas, sinto a perda e choro a solidão. Não sei o que outros cantores sentem quando articulam as letras, mas eu sou um maníaco-depressivo que passou a vida encarando contradições emocionais violentas. Tenho uma capacidade extrema para ir da tristeza à felicidade. Sei o que o sujeito que escreveu a música quis dizer. Já vivi aquilo tudo e saí do buraco. O público sente isso.

Acredito em mim e acredito em você. Sou como Albert Schweitzer e Bertrand Russel e Albert Einstein no sentido de que respeito a vida em qualquer de suas formas. Acredito na natureza, nos pássaros, no oceano, no céu e em tudo que posso enxergar ou que possa ser provado. Se é isto que você quer dizer com Deus, então acredito em Deus. Não é que não ligue para a necessidade dos homens por alguma fé. Acho que qualquer coisa vale para enfrentarmos a noite, não importa se é rezar, se são tranqüilizantes ou uma garrafa de Jack Daniel’s.

Tem coisas que não gosto na religião organizada. Reverenciam Cristo como um príncipe da paz mas jorrou-se mais sangue em seu nome do que no de qualquer outro na história. Você me aponte um passo adiante dado pela religião e eu mostrarei uma centena de retrocessos. Foram homens de Deus que destruíram Alexandria, que cometeram a Santa Inquisição espanhola, que queimaram as bruxas em Salem. Mais de 25.000 religiões organizadas florescem no planeta mas os seguidores de cada uma delas acreditam que todos os outros estão errados e, se bobear, que representam o mal. Na Índia, reverenciam vacas brancas macacos e uma represa no Ganges. Os muçulmanos aceitam a escravidão e se preparam para Alá, que lhes promete vinho e mulheres virgens. Feiticeiros ainda existem na África ou mesmo nos pequenos anúncios dos jornais dominicais em Los Angeles. Lembra daquela turba raivosa que queria linchar aquela menininha negra de 12 anos que queria matricular-se na escola pública, em Little Rock? Aquela turba toda era composta por cristãos devotos que vão à igreja. Detesto esta gente que finge bondade mas são pequenos ditadores em suas pequenas esferas de influência.

Frank Sinatra, 1962

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