Ser monge e ter medo em Myanmar
Free Burma nos blogs
Cinco mosteiros próximos a Rangum foram invadidos pelo exército birmanês, na última quarta-feira – e mais monges foram presos. Outros tantos tentam deixar o país sem a cooperação do povo amedrontado. ‘Tenho medo quando a noite chega’, disse um monge à agência de notícias IPS. ‘Não consigo dormir, tenho medo de que os soldados batam à porta novamente.’ Enquanto falava ao repórter, na rua, o monge olhava para todos os lados, amedrontado. ‘Tenho medo de apanhar como os outros apanharam. Tenho medo de ser preso.’
Está tudo como dantes em Myamnmar. Pessoas continuam sendo presas indiscriminadamente à noite enquanto, de dia, um silêncio profundo preenche as ruas.
O diplomata nigeriano Ibrahim Gambari, enviado especial da ONU ao país, apresentou seu relatório hoje ao Conselho de Segurança. Nada que tenha abalado o representante da China, do conforto de sua cadeira permanente. ‘É compreensível que o mundo demonstre preocupação com o que ocorre por lá, mas pressão não servirá de nada, o contrário. Provocaria confronto ou mesmo o rompimento do diálogo entre Myanmar e a comunidade internacional, incluindo as Nações Unidas.’
Nada acontecerá na ONU – os generais têm cobertura; a cobertura se chama vendas de 1,5 bilhão de dólares ao ano com a China. É um percentual portentoso num país cujas exportações somam 4,3 bilhões ao ano e as importações, 3,9 bilhões.
Mas o futuro não é promissor para a ditadura. O argumento anti-democracia por parte da junta era de que ela lutava para preservar a tradição budista do país. Os generais sempre demonstraram gosto pela captura de imagens com monges, sendo abençoados, rezando circunspetos nos belos mosteiros. Agora, separaram-se de forma provavelmente irreconciliável. Sem este apoio, fundamental num país profundamente religioso, sobra o regime como ele é:
Um regime que estupra – e o número de estupros pelos militares vêm aumentando constantemente nos últimos anos. Um regime que periga criar a pior crise de refugiados da região – já há um milhão de fugidos e mais 500.000 se deslocando internamente para a região de fronteira com a Tailândia. Um país onde há escravidão: são noventa prisões e campos de escravos, de acordo com a Cruz Vermelha Internacional. Onde há o maior número de meninos soldados do mundo: eram 70.000 de acordo com a Human Rights Watch, em 2002.
Mais de 6.000 blogs publicaram o banner do movimento Free Burma, ontem, em todo o mundo, de acordo com o Technorati. Os administradores do site, que terão condições de oferecer números melhores, listam em mais de 10.000. Prometem um número mais preciso até domingo.
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” confetti // 5/Outubro/2007 às 8:16
situaçao cada vez pior em rangoun…ou melhor, situaçao nenhuma, tudo sob controle, fronteiras fechadas, a junta anunciou na tv 2000 presos p/ “anarquia” e “tentativa de destabiliçao do regime”…than shwe admite discutir “sob condiçao” com aung san suu kyi…caralh !
quase nenhuma sanction comercial ! o frances “total” ta mudo, os importadores de teck igualmente ! ( pra se ter idéia do volume do trafico de madeira preciosa, um caminhao carregado de 15 toneladas passa pela fronteira chinesa todo 7 minutos, todo dia, 365 dias por ano ) a frança é cumplice dessa tragédia, importa petroleo e madeira direto de uma empresa estatal birmane ! fils de pute “
e os chinos mantem a fronteira fechada para qualquer ajuda ocidental…fdp.
A ONU atual, pau-mandada dos USA e Israel, e serva da Rússia, China, Inglaterra e França (Conselho de Insegurança), é pura merda. O pobre e escravo povo de Burma nao deve esperar nada dalí e de ninguém mais. Até os americanos compram os rubis de sangue que saem dalí, além da Tailândia e Europa. A China compra todo o jade, mais gás e petróleo. Até a Índia - quem diria, gente? - ajuda aquele regime desgraçado de açougueiros profissionais.
Só o povo e os monges, de armas na mao, numa revolta total, poderaso fazer algo. Será um banho de sangue, mas nao existe outra soluçao.
Que tal boicotar os Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim? A Adidas, Nike e outros escravagistas nao querem nem ouvir falar… Quero ver o que fará o Bushinho sorvetao. Porque nao invade aquela merda a instaurar a tal ”democracia” made in USA?
Ei, Dracul, desta vez estou de acôrdo com você. Já é progresso…nada mal.
Monge budista tem medo de morrer? E a reencarnação, onde fica?
Ué, Rodrigo, o cristão tem medo de morrer?! E a Salvação final, onde fica?!
:o)
PD,
Obrigada pelo post. Ainda acho que o que acontece na Birmânia é uma situação pré-revolucionária clássica. Mas como todos sabem, eu sou mesmo uma besta. :(
De toda forma, com toda a concertação iternacional - leia-se China - a favor da permanência dessa ditadura carcomida, vejo que os generais estão fazendo concessões. Falando grosso, é claro, mas concedendo, como em falar com Aung Suu Kim, ainda que exijam “bom comportamento” da infeliz que está em prisão domiciliar há mais de 10 anos.
Com toda cautela e pragmatismo internacionais (leia-se China e Rússia, sem falar da hiprocrisia francesa) em proteger aquela parte do mundo em função das exportações de petróleo e gás natural, importantes para manter o crescimento industrial chinês, parece-me que a população, ou parte significativa dela, está se mobilizando e muito.
Isso, pra mim, é não só importante, é um alento. Mas sou reconhecidamente, uma besta. :))
Em tempo,
PD, faço questão de ofertar um livro pra vosmicê. Mas não por enquanto, por falta de condições orçamentárias. Serve próximo do Natal? :(
Tem gente que vai me matar por isso mas…
Numa reunião “pedagógica” numa escola a um tempo atrás, falando sobre determinada 5º Série muito complicada, a coordenadora disse que a gente tinha que “relevar a situação econômica/social dos alunos” e “empreender métodos de ensino diversos” para “alocar as mentes no contexto educacional”
Bom, intão tá….
A dita classe tinha entre 48 e 50 alunos, com idade entre 7 e 16 anos.
Virei prá dona e disse: “- Mais fácil trancar todo mundo lá dentro e jogar dois três-oitão carregados e, esperar.
O que sobrar de aluno a gente tenta subverter e ensinar a ler…”
Quase me mataram.
Creio que o que está acontecento com Myanmar é parecido, se a China e os EUA não tomaram posição, que sirri.. faremos nós?
Alba: Serve quando der e, se não der, serve também =)
Obrigado.
PD,
Espero que sirva logo, de verdade! :)) E adorei o silogismo!
bom dia albinh !
vc ta coberta de razao quanto à “situaçao pré revolucionaria classica”, mas penso que as revoluçoes no século vinte um, com o avanço das comunicaçoes ( internet, blogs, etc) nao seguem percusso “classico” !
deixando de lado o empirismo de nossa geraçao, infelizmente, a birmania esta longe de virar democracia ! quem ta dominando é a razao economica ! a china nao vai deixar, a europa nao vai deixar, todos os que precisam de gaz, petroleo, madeira, pedras preciosas, nao vao deixar !
simplesmente pq é mais comodo continuar usufruindo sem levar em conta problemas politicos e humanos, tais liberdade, justiça social e tal….
que peeenaaa ! hj vou participar à mais uma manifestaçao free burma, de boina com estrelinha e camiseta do che…como vc,
sou uma besta romantica e crédula ! acredito no homem bom……….
Como disseram -algum líder político, por aí- a coisa vai piorar muito antes de melhorar. Não há muita saída se a China não apoiar uma abertura,…….mas se ela apoiar verá pipocar passeatas em seu próprio território, porque a esquizofrenia será evidente. Sanções para estabelecimento de direitos no vizinho; os mesmos direitos que são sufocados em casa?!
A coisa é um tanto irreconcilável. Temem backlash tipo a Polônia, faísca que acabou por derrubar quase todos os regimes comunistas do mundo.
Abs.