Ser monge e ter medo em Myanmar
Free Burma nos blogs

Blogs · Budismo · China · Ásia Sudeste & Pacífico · 5/10/2007 - 15h31 - 13 Comentários

Cinco mosteiros próximos a Rangum foram invadidos pelo exército birmanês, na última quarta-feira – e mais monges foram presos. Outros tantos tentam deixar o país sem a cooperação do povo amedrontado. ‘Tenho medo quando a noite chega’, disse um monge à agência de notícias IPS. ‘Não consigo dormir, tenho medo de que os soldados batam à porta novamente.’ Enquanto falava ao repórter, na rua, o monge olhava para todos os lados, amedrontado. ‘Tenho medo de apanhar como os outros apanharam. Tenho medo de ser preso.’

Está tudo como dantes em Myamnmar. Pessoas continuam sendo presas indiscriminadamente à noite enquanto, de dia, um silêncio profundo preenche as ruas.

O diplomata nigeriano Ibrahim Gambari, enviado especial da ONU ao país, apresentou seu relatório hoje ao Conselho de Segurança. Nada que tenha abalado o representante da China, do conforto de sua cadeira permanente. ‘É compreensível que o mundo demonstre preocupação com o que ocorre por lá, mas pressão não servirá de nada, o contrário. Provocaria confronto ou mesmo o rompimento do diálogo entre Myanmar e a comunidade internacional, incluindo as Nações Unidas.’

Nada acontecerá na ONU – os generais têm cobertura; a cobertura se chama vendas de 1,5 bilhão de dólares ao ano com a China. É um percentual portentoso num país cujas exportações somam 4,3 bilhões ao ano e as importações, 3,9 bilhões.

Mas o futuro não é promissor para a ditadura. O argumento anti-democracia por parte da junta era de que ela lutava para preservar a tradição budista do país. Os generais sempre demonstraram gosto pela captura de imagens com monges, sendo abençoados, rezando circunspetos nos belos mosteiros. Agora, separaram-se de forma provavelmente irreconciliável. Sem este apoio, fundamental num país profundamente religioso, sobra o regime como ele é:

Um regime que estupra – e o número de estupros pelos militares vêm aumentando constantemente nos últimos anos. Um regime que periga criar a pior crise de refugiados da região – já há um milhão de fugidos e mais 500.000 se deslocando internamente para a região de fronteira com a Tailândia. Um país onde há escravidão: são noventa prisões e campos de escravos, de acordo com a Cruz Vermelha Internacional. Onde há o maior número de meninos soldados do mundo: eram 70.000 de acordo com a Human Rights Watch, em 2002.

Mais de 6.000 blogs publicaram o banner do movimento Free Burma, ontem, em todo o mundo, de acordo com o Technorati. Os administradores do site, que terão condições de oferecer números melhores, listam em mais de 10.000. Prometem um número mais preciso até domingo.

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